Parnamirim zera a fila de espera por fraldas e insumos

A Prefeitura de Parnamirim zerou a fila de espera por fraldas geriátricas, infantis e outros insumos destinados aos usuários do Centro Integrado de Saúde (CIS), localizado no bairro de Santos Reis. De acordo com informações da Secretaria de Saúde (SESAD), cerca de mil pacientes aguardavam pelos materiais, e, ao longo dos últimos seis meses, todas as demandas foram atendidas.

Entre os itens que tiveram a fila de espera eliminada estão fraldas geriátricas e infantis, gazes, sondas (traqueais e uretrais), lidocaína, óleo de girassol, soro fisiológico, seringas, entre outros. Muitos pacientes esperaram mais de um ano pelo recebimento desses insumos, especialmente as fraldas.

Somente neste ano, já foram distribuídas mais de 56 mil fraldas geriátricas e infantis, garantindo mais conforto e qualidade de vida aos usuários atendidos pelo serviço.

A coordenação do CIS informa que ainda há pacientes que não compareceram para retirar os materiais. Para receber os insumos, é necessário apresentar os seguintes documentos: cópias do RG, CPF, Cartão SUS, comprovante de residência nominal (dos últimos três meses) e laudo médico do SUS com CID (emitido nos últimos seis meses).

A iniciativa proporciona tranquilidade para muitas famílias e reforça o compromisso da gestão municipal com a saúde e qualidade de vida daqueles que mais precisam.

Câmara em Pauta: Encontro com Comunicadores de Parnamirim

Na próxima segunda-feira (14/07), a partir das 8h, o Plenário Dr. Mário Medeiros será palco de um diálogo aberto entre a Câmara Municipal de Parnamirim e os profissionais da imprensa e mídia local.

Na ocasião, haverá a palestra da jornalista Anna Ruth Dantas, com o tema: “A responsabilidade do comunicador e a construção da cidadania”, uma reflexão fundamental sobre o papel da comunicação na vida pública.

O evento tem como objetivo fortalecer a relação entre o Legislativo e os comunicadores da cidade, valorizando a transparência, a informação de qualidade e a participação cidadã.

Indústria do RN prevê impacto com tarifa de 50% dos EUA sobre produtos brasileiros

Após o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, anunciar na quarta-feira (9) que irá aplicar uma tarifa de 50% sobre os produtos importados do Brasil, a indústria potiguar avalia os impactos significativos dessa decisão. Na manhã desta quinta-feira (10), o presidente da Federação das Indústrias do Rio Grande do Norte (FIERN), Roberto Serquiz, falou sobre a preocupação da indústria do estado com essa mudança.
Serquiz destaca que a elevação nas tarifas gera preocupação em nível nacional, uma vez que os Estados Unidos são o maior importador do Brasil. “Essa preocupação se amplia quando olhamos para o Rio Grande do Norte. Nossa produção, hoje, tem uma dependência dos recursos naturais, como o petróleo, fruticultura, pesca, mineração e o sal. Esses setores serão impactados com essa tarifa de 50%”, diz.

O comércio exterior entre o Rio Grande do Norte e os Estados Unidos registrou um superávit de US$ 40,1 milhões no primeiro semestre de 2025. O número, levantado pelo Observatório da Indústria Mais RN, representa uma reversão significativa em relação ao mesmo período de 2024, quando houve um déficit de US$ 11,2 milhões. Os dados mostram ainda que, no primeiro semestre de 2025, o Rio Grande do Norte registrou US$ 67,1 milhões de exportação para os Estados Unidos, uma alta de 120% em comparação com o mesmo período de 2024.

A movimentação comercial total entre os dois parceiros também aumentou, alcançando US$ 94,1 milhões em 2025, contra US$ 72,3 milhões no mesmo período do ano anterior. “Estávamos em uma boa performance, estamos às portas da safra da fruticultura, tem força no mercado americano, os pescados costeiros são todos exportados para os Estados Unidos, assim como boa parte do sal produzido aqui”, ressalta Serquiz.

Roberto Serquiz, presidente da Federação das Indústrias do Rio Grande do Norte (FIERN) | Foto: FIERN

“Com a elevação da tarifa, o sal, por exemplo, perde completamente a competitividade, porque os demais competidores têm tarifas de 10%. Então, esse cenário é de preocupação e esperamos que haja um diálogo do governo brasileiro no sentido de termos uma reversão dessa situação”, aponta.

Entre os principais produtos exportados em 2025, destacam-se:

  • Óleos de Petróleo – US$ 24,3 milhões
  • Peixes frescos ou refrigerados – US$ 11,5 milhões
  • Produtos de origem animal – US$ 10,3 milhões
  • Pedras de cantaria ou de construção – US$ 4,3 milhões
  • Produtos de confeitaria sem cacau – US$ 4,1 milhões

Em 2024, o quinto lugar nas exportações foi para o sal, que fechava o ranking com US$ 6 milhões.

O presidente da FIERN acrescenta que o cenário estende a preocupação, também, para a inflação e a empregabilidade. “O dólar já teve alta, o que pode elevar a inflação e levar à perda de postos de trabalho”, frisa.

Roberto Serquiz explica que a FIERN tem levantado dados junto às lideranças industriais do estado e está permanentemente em diálogo junto à Confederação Nacional da Indústria (CNI). “O anúncio ainda é recente, tem menos de 24 horas, mas estamos em contato constante com a CNI para medir os impactos com precisão e temos esperança que essa instabilidade possa ser resolvida”, completa.

Elevação das tarifas pelos Estados Unidos

Na noite dessa quarta-feira (9), o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, anunciou o aumento de tarifas a produtos importados do Brasil para 50%. O país, até então, tinha ficado com a sobretaxa mais baixa, de 10%, nas chamadas tarifas recíprocas, anunciadas pelo presidente estadunidense em 2 de abril.

A posição dos Estados Unidos foi anunciada em uma carta endereçada nominalmente ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva. Segundo a carta, as tarifas serão cobradas a partir de 1º de agosto. Por meio de nota, Lula criticou o aumento das tarifas pelo presidente dos Estados Unidos e disse que a medida será respondida por meio da Lei de Reciprocidade Econômica. 

“Com a elevação da tarifa, o sal, por exemplo, perde completamente a competitividade, porque os demais competidores têm tarifas de 10%. Então, esse cenário é de preocupação e esperamos que haja um diálogo do governo brasileiro no sentido de termos uma reversão dessa situação”, aponta.

Entre os principais produtos exportados em 2025, destacam-se:

  • Óleos de Petróleo – US$ 24,3 milhões
  • Peixes frescos ou refrigerados – US$ 11,5 milhões
  • Produtos de origem animal – US$ 10,3 milhões
  • Pedras de cantaria ou de construção – US$ 4,3 milhões
  • Produtos de confeitaria sem cacau – US$ 4,1 milhões

Em 2024, o quinto lugar nas exportações foi para o sal, que fechava o ranking com US$ 6 milhões.

O presidente da FIERN acrescenta que o cenário estende a preocupação, também, para a inflação e a empregabilidade. “O dólar já teve alta, o que pode elevar a inflação e levar à perda de postos de trabalho”, frisa.

Roberto Serquiz explica que a FIERN tem levantado dados junto às lideranças industriais do estado e está permanentemente em diálogo junto à Confederação Nacional da Indústria (CNI). “O anúncio ainda é recente, tem menos de 24 horas, mas estamos em contato constante com a CNI para medir os impactos com precisão e temos esperança que essa instabilidade possa ser resolvida”, completa.

Elevação das tarifas pelos Estados Unidos

Na noite dessa quarta-feira (9), o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, anunciou o aumento de tarifas a produtos importados do Brasil para 50%. O país, até então, tinha ficado com a sobretaxa mais baixa, de 10%, nas chamadas tarifas recíprocas, anunciadas pelo presidente estadunidense em 2 de abril.

A posição dos Estados Unidos foi anunciada em uma carta endereçada nominalmente ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva. Segundo a carta, as tarifas serão cobradas a partir de 1º de agosto. Por meio de nota, Lula criticou o aumento das tarifas pelo presidente dos Estados Unidos e disse que a medida será respondida por meio da Lei de Reciprocidade Econômica. 

Tribuna do Norte

Natal busca parceria com o Banco Mundial para fortalecer projetos na Assistencia Social

A secretária municipal de Assistência Social, Nina Souza, participou nesta terça-feira (9), em Brasília, de uma reunião com dirigentes do Banco Mundial no Brasil. Em pauta, o alinhamento de ações estratégicas voltadas ao desenvolvimento social de Natal. Uma discussão já iniciada em encontro anterior com a participação do prefeito Paulinho Freire.

Os objetivos da parceria proposta estão centrados na reestruturação e ampliação da infraestrutura da rede de assistência social no Município, incluindo a melhoria de equipamentos públicos, políticas para a população em situação de rua e programas de capacitação e inclusão produtiva. Também foram projetadas ações para fomentar o empreendedorismo e aproveitar as oportunidades de emprego nos setores de turismo, mercado imobiliário e construção civil.

“Na nossa gestão, políticas sociais são prioridade. Entendemos que as pessoas em situação de vulnerabilidade social precisam dispor de condições adequadas para avançar em qualidade de vida. Partindo desse pressuposto, melhorar a infraestrutura de CRAS, CREAS e dos múltiplos serviços que a Semtas oferece é algo que tem que ser imediato”, defendeu a secretária Nina Souza.

A titular da Semtas acrescentou que, além das reuniões diretas do Banco Mundial, está buscando o apoio da bancada federal do Estado para esse projeto. Com essa união, aponta Nina, há chances da proposta de Natal ser aprovada com mais celeridade. “Vamos trabalhar por isso, para que, num futuro bem próximo, nós tenhamos os meios para melhorar a qualidade de vida do nosso povo, tirando-os da vulnerabilidade”, arremata a secretária.

O encontro contou ainda com a presença do secretário municipal de Planejamento, Vagner Araújo, e do secretário de Acompanhamento Governamental, Marcos Nascimento, além de equipes técnicas da Sempla e da própria Semtas. Os representantes da Prefeitura apresentaram dados preliminares e propostas em formulação que envolvem integração de políticas públicas, qualificação profissional e parcerias com o setor privado para alavancar o desenvolvimento humano e econômico da cidade.

O Banco Mundial demonstrou interesse nas propostas e confirmou que irá apoiar tecnicamente e financeiramente a implementação de projetos na capital potiguar. Ficou acordado que uma missão técnica da instituição será enviada a Natal para levantamento de dados, aprofundamento dos estudos e consolidação das ações a serem implementadas. A visita será definida em breve.

“O Banco Mundial tem se mostrado um grande parceiro da nossa cidade e a agenda desta semana em Brasília reforça a credibilidade do nosso planejamento. Estamos confiantes de que vamos avançar na construção de um projeto transformador, com impacto direto na vida das pessoas”, define a secretária Nina Souza.

A Prefeitura de Natal reafirma, com essa articulação, o compromisso da gestão do prefeito Paulinho Freire em buscar soluções integradas e inovadoras para melhorar a qualidade de vida da população, em especial dos que mais precisam.

Mossoró anuncia projetos que criam intercâmbio internacional e bolsa mensal para alunos

O prefeito de Mossoró, Allyson Bezerra, enviará cinco projetos de lei para a Câmara de Vereadores que tratam de investimentos em educação. O destaque é para programas que serão implantados pela gestão municipal, que incentivam o intercâmbio nacional e internacional de estudantes e criação de bolsa mensal para os estudantes regularmente matriculados no ensino fundamental. Os projetos foram anunciados em live nas redes sociais pelo prefeito Allyson.

Um dos projetos de lei trata do Programa ‘’#PartiuBrasil’’, que tem como objetivo proporcionar aos alunos de Mossoró o intercâmbio por cidades brasileiras, para estudantes do 7° ao 9° ano do Ensino Fundamental da Rede Pública Municipal de Ensino.

Também foi apresentado projeto de lei que trata do Programa “De Mossoró para o Mundo”, que tem como objetivo a internacionalização do ensino municipal através da oferta de curso de língua estrangeira e intercâmbio internacional para alunos do 7º ao 9º ano do Ensino Fundamental da Rede Pública Municipal de Ensino.

O prefeito Allyson Bezerra também enviará para o Legislativo projeto de lei que cria bolsas no valor de R$ 200 e R$ 300,00 para alunos regularmente matriculados no ensino fundamental da Rede Pública Municipal de Ensino, conforme os critérios apresentados no projeto, como por exemplo, a frequência escolar e situação de vulnerabilidade social e econômica. Ao todo, serão ofertadas até 5 mil vagas.

‘’É uma série de programas que tem como objetivo o investimento na educação de Mossoró, e ampliação da nossa educação através, por exemplo, de intercâmbio dos nossos estudantes para outros estados e países e de incentivo financeiro, no caso do pagamento de bolsa, para famílias que tenham alunos matriculados na rede municipal de ensino e estão em situação de vulnerabilidade. São incentivos, acima de tudo, para fortalecer a educação de Mossoró’’, pontuou o gestor.

Também está entre os projetos de lei, matéria relacionada ao Programa ‘’Investe Escola’’, que garante recursos para as unidades de ensino realizarem manutenção e reforma, investimento em segurança como instalação de câmeras de videomonitoramento nas unidades de ensino. Além de projeto de lei que trata do Novo Prêmio IDEB, ampliando a premiação em dinheiro para alunos, professores, supervisores, diretores e escolas.

Comissão vai acompanhar poda do Cajueiro de Pirangi

Foto: Alex Régis

Uma comissão será formada para acompanhar o processo de poda e manejo do Cajueiro de Pirangi, que será feito pelo Instituto de Desenvolvimento Sustentável e Meio Ambiente do Rio Grande do Norte (Idema) em cumprimento a uma determinação judicial de 2024. A referida decisão surgiu de um processo movido por moradores e comerciantes da região. A criação do grupo para acompanhar o serviço foi decidida durante duas audiências públicas que ocorreram na terça-feira (8) na Câmara Municipal de Parnamirim. Ainda não há uma data definida para o início da poda.

De acordo com o Idema, a comissão será formada com representações do próprio órgão ambiental, Procuradoria Geral do Estado (PGE-RN), Ministério Público do RN (MPRN), Prefeitura de Parnamirim, Câmara de Vereadores de Parnamirim, Associação de Moradores de Pirangi, Guias de Turismo e empresários da região e tem como objetivo “fiscalizar o cronograma, o tipo de poda e manejo fitossanitário do Cajueiro”. O prazo para realização do serviço é de 120 dias – até dezembro deste ano, segundo o Idema.

“A determinação judicial é de 2024, oriunda de um processo antigo movido por moradores e comerciantes da região, que apontaram riscos à mobilidade urbana e à segurança. A execução da sentença estipula um prazo de 120 dias para o cumprimento e visa justamente preservar o cajueiro, evitando, acidentes e danos provocados por galhos que avançam sobre vias públicas e edificações. Longe de representar ameaça à árvore, a poda é uma ação técnica preventiva, essencial para o cuidado e a conservação dessa espécie centenária”, explicou o Idema em nota.

Atualmente, o Cajueiro de Pirangi possui mais de 9.500m². É estimado que cerca de 1,2 mil metros da planta ultrapassam a área cercada, passando por plataformas que levam os galhos por cima das ruas e também perto de casas e comércios. “O manejo vai ocorrer naquilo que está excedente às vias”, disse o Idema ao apontar que os galhos tomam metade de uma avenida do entorno. Também segundo o Idema, essa é a primeira vez em 136 anos (idade aproximada da planta) que o Cajueiro de Pirangi recebe uma poda fitossanitária.

“Ao contrário dos procedimentos anteriores, limitados a cortes pontuais para contenção de pragas como cupins e brocas, a ação em curso realiza, pela primeira vez, uma poda sistematizada com o objetivo de garantir a saúde e a longevidade da planta”, explicou o órgão ambiental. O serviço será realizado pela Engemaia & CIA LTDA por meio de um contrato firmado para manejos de árvores, manutenção preventiva e emergencial, podas, trituração, remoção, adubação orgânica e transporte de resíduos.

Também está contemplado o fornecimento de materiais para a sede do Idema, localizada em Natal, para o Parque das Dunas e para o Cajueiro de Pirangi. A validade do contrato, cujo valor total é R$ 389,8 mil, é de 12 meses. As demandas do Instituto são atendidas pela empresa desde março deste ano. O Idema não especificou quanto desse valor de R$ 389,8 mil será aplicado no serviço do Cajueiro de Pirangi.

A reportagem também procurou a Prefeitura de Parnamirim, município onde está localizada a árvore. Em nota, o Município informou que foi excluído da determinação judicial, uma vez que “a administração do cajueiro é de responsabilidade e competência do Estado, por meio do Idema”. Ainda segundo a nota, o município de Parnamirim, “por meio da Secretaria de Meio Ambiente e do Desenvolvimento Urbano” irá acompanhar todo o processo da poda, exigindo relatório de execução para garantir que não haja nenhum prejuízo para o cajueiro, moradores, comerciantes e turistas”.

O Cajueiro de Pirangi recebe cerca de 300 mil visitantes por ano e é administrado pelo Idema. A árvore gigante entrou para o Guinness Book, o Livro dos Recordes, em 1994, como o Maior Cajueiro do Mundo. Com o avanço da planta para as vias próximas, a Associação de Moradores de Pirangi do Norte (Amopin) custeou a construção de um caramanchão, que foi concluído em 2012. A estrutura foi erguida em um trecho de 120 metros de extensão para dar melhor fluidez ao trânsito na Avenida Deputado Márcio Marinho, no sentido Pirangi-Natal, com hastes de 4,5 metros de altura para suspender os galhos da árvore e deixar a pista livre. A obra, inicialmente orçada em R$ 118 mil, custou R$ 160 mil.

Tribuna do Norte

Trump impõe tarifaço ao Brasil em apoio a Bolsonaro

Foto: Leah Millis/REUTERS

Presidente brasileiro disse ser falsa a alegação de Trump de que a taxação de 50% a todos os produtos brasileiros seria por déficit comercial dos EUA com o Brasil. Lula vai responder com reciprocidade.

O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, anunciou nesta quarta-feira (09/07) a aplicação de uma tarifa de 50% sobre produtos brasileiros exportados para o país em carta pública ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva na qual criticou o processo judicial contra o ex-presidente Jair Bolsonaro e as eleições no Brasil. A medida deve valer a partir de 1º de agosto.

Atualmente, o Brasil já paga 10% de tarifas sobre produtos que exporta para os EUA. A medida está em vigor desde 2 de abril. Desta vez, Trump justificou a sobretaxa de 50% citando o julgamento de Bolsonaro no Supremo Tribunal Federal (STF) – o ex-presidente é acusado de tentar dar um golpe para reverter a derrota eleitoral de 2022 – e o que chamou de “ataques insidiosos do Brasil às eleições livres e aos direitos fundamentais de liberdade de expressão dos americanos”.

O republicano já se referiu a Bolsonaro como um amigo e o recebeu em seu resort em Mar-a-Lago quando ambos eram presidentes, em 2020. “Esse julgamento não deveria estar acontecendo”, escreveu Trump em carta postada na rede dele, a Truth Social. “É uma caça às bruxas que deve acabar IMEDIATAMENTE! [sic]”

Ele também contestou a multa aplicada pelo STF a plataformas como o X, referindo-se ao bloqueio temporário da rede a mando da corte em 2024 como “ordens de censura SECRETAS e ILEGAIS”.

Mas Trump sinalizou que a menção a Bolsonaro e ao STF pode ter sido mero pretexto, já que ele condicionou a suspensão das tarifas a uma outra medida: “Como você sabe, não haverá tarifa se o Brasil, ou empresas de seu país, decidirem construir ou fabricar produtos dentro dos Estados Unidos.” 

Trump também alegou que a medida “é muito menos do que o necessário para ter a igualdade de condições” que os Estados Unidos deveriam ter comercialmente com o Brasil.  Após anos de debate para um acordo melhor, a carta indicou que os EUA devem se afastar “da relação comercial de longa data e muito injusta gerada pelas políticas tarifárias e não tarifárias e barreiras comerciais do Brasil”.

“Se desejar abrir seus mercados comerciais, até agora fechados, aos EUA e eliminar suas políticas tarifárias e não tarifárias, assim como as barreiras comerciais, talvez consideremos um ajuste a esta carta. Esses impostos podem ser modificados para cima ou para baixo dependendo de nossa relação com seu país”, sentenciou.

O americano disse ainda que está iniciando uma investigação contra o país com base na Seção 301 da Lei de Comércio de 1974, que se aplica a empresas cujas práticas comerciais sejam consideradas injustas para empresas dos Estados Unidos.

Troca de farpas

O texto é o primeiro cujo conteúdo modifica significativamente as cartas enviadas até agora a governos estrangeiros por Trump, nas quais apenas o nome do país e a porcentagem do imposto contemplado eram alterados. Desta vez, além de mencionar Bolsonaro, ele critica o processo eleitoral brasileiro.

O anúncio veio pouco depois de uma troca de farpas entre Lula e Trump e de o governo brasileiro convocar o encarregado de negócios da embaixada americana para explicações após a representação diplomática emitir um comunicado que reiterava uma mensagem de Trump em apoio ao ex-presidente Jair Bolsonaro, suposta vítima de uma “caça às bruxas”.

Dias antes, o americano já havia ameaçado impor mais tarifas a países que se alinhem às “políticas antiamericanas” do Brics, grupo liderado por Brasil, Rússia, Índia, China e África do Sul.

Lula responde com reciprocidade

Após o anúncio de Trump, Lula afirmou nesta quarta-feira que o tarifaço de 50% a todos os produtos brasileiros exportados para os Estados Unidos será respondido com a Lei de Reciprocidade Econômica. Em rede social, Lula defendeu a soberania do país e disse que é falsa a alegação do presidente americano de que a taxação seria aplicada em razão de déficit na balança comercial com o Brasil.

A lei brasileira sancionada em abril estabelece critérios para a suspensão de concessões comerciais, de investimentos e de obrigações relativas a direitos de propriedade intelectual em resposta a medidas unilaterais adotadas por país ou bloco econômico que impactem negativamente a competitividade internacional brasileira.

A lei autoriza o Poder Executivo, em coordenação com o setor privado, “a adotar contramedidas na forma de restrição às importações de bens e serviços ou medidas de suspensão de concessões comerciais, de investimento e de obrigações relativas a direitos de propriedade intelectual e medidas de suspensão de outras obrigações previstas em qualquer acordo comercial do país”.

O governo defende que é falsa a informação sobre o alegado déficit americano. “As estatísticas do próprio governo dos Estados Unidos comprovam um superávit desse país no comércio de bens e serviços com o Brasil da ordem de 410 bilhões de dólares ao longo dos últimos 15 anos”.

Lula afirma ainda que o Brasil é um país soberano “com instituições independentes que não aceitará ser tutelado por ninguém”.

Após a declaração de Lula, o Itamaraty devolveu a carta que Trump enviou para anunciar o tarifaço por considerá-la “ofensiva” e por conter “inverdades”. O encarregado de negócios da embaixada americana em Brasília, Gabriel Escobar, chefe da delegação diplomática na ausência de um embaixador, foi recebido, pela segunda vez nesta quarta-feira, pela secretária para a América do Norte do Ministério das Relações Exteriores, Maria Luisa Escorel.

A primeira reunião foi motivada por uma nota que a Embaixada dos EUA divulgou em defesa de Bolsonaro, que está sendo processado no Supremo Tribunal Federal (STF) sob acusação de tramar um golpe de Estado. Este segundo encontro ocorreu depois que Trump divulgar a carta enviada a Lula anunciando o novo imposto.

Trump já enviou 22 cartas

O aumento previsto para o Brasil ocorre no mesmo dia em que expiraria a trégua comercial de 90 dias que Trump concedeu em 9 de abril a seus parceiros para negociar novas tarifas, embora o presidente americano tenha estendido o prazo até 1º de agosto.

No entanto, desde então, ele começou a enviar cartas a países com os quais ainda não chegou a um acordo, advertindo que, se não abrirem seus mercados e eliminarem tarifas e barreiras alfandegárias, serão impostas tarifas fixadas unilateralmente.

Até agora, Trump já enviou 22 cartas com anúncios de tarifas nesta semana a parceiros comerciais, incluindo Japão, Coreia do Sul e Sri Lanka. Nesta quarta-feira, visou, além do Brasil, líderes de outros sete países – Filipinas, Brunei, Moldávia, Argélia, Líbia, Iraque e Sri Lanka –, mas nenhum deles é um grande rival industrial dos americanos.

Embora o republicano tenha justificado suas tarifas alegando desequilíbrios comerciais, não está claro como os países alvos da medida ajudariam a reindustrializar os Estados Unidos, como pretende a Casa Branca.

A maioria dos analistas afirma que as tarifas irão piorar as pressões inflacionárias e reduzir o crescimento econômico, mas Trump insiste no recurso como forma de afirmar o poder diplomático e financeiro dos EUA sobre rivais e aliados.

Trump deu a parceiros comerciais que ainda não chegaram a um acordo com os EUA um novo prazo até 1º de agosto para fazê-lo. Esse é o caso do Brasil e dos países que já receberam cartas, mas também da União Europeia.

DW