Brasil é um celeiro de variantes para o coronavírus, afirmam especialistas

A falta de restrições mais severas, como o lockdown, fez com que o Brasil se tornasse o ambiente perfeito para que o coronavírus evoluísse e se tornasse ainda mais perigoso. É o que muitos estão chamando de “celeiro de variantes“. Especialistas consultados pelo Poder360 afirmam que se as recomendações sanitárias tivessem sido seguidas corretamente e o governo tivesse investido na vacinação desde o início, a situação do país seria outra.

Até o momento, o Brasil conta com duas variantes do coronavírus identificadas pela Rede Genômica da Fiocruz (Fundação Oswaldo Cruz). Na última 6ª feira (12.mar.2021), mais uma cepa do vírus foi descoberta no Brasil, chamada provisoriamente de VOI.9 (variante de atenção, em inglês).

Uma variante de atenção tem esse nome porque carrega mutações que podem fazer com que o coronavírus sejam mais transmissíveis ou até mais resistentes à vacinas. As outras duas variantes brasileiras, a P.1 (descoberta em Manaus) e a P.2 (descoberta no Rio de Janeiro), também são variantes de atenção. O estudo que descobriu a VOI.9 ainda precisa ser avaliado por outros cientistas para que ela seja considerada mais uma cepa do vírus.

A Rede Genômica Fiocruz faz o mapeamento das variantes no Brasil com sequenciamento genético. O gráfico acima mostra a frequência de cada variante entre os casos de infecção em todo o Brasil até fevereiro de 2021Reprodução/Rede Genômica Fiocruz

Mas o surgimento dessas, e até de outras variantes, não é nenhuma surpresa. “Em um país que não tem nenhuma restrição para realmente conter a infecção, é esperado que mutações aconteçam. Quando a transmissão é muito grande, é isso o que acontece“, diz Denise Garrett, epidemiologista e vice-presidente do Sabin Vaccine Insitute.

A médica afirma que Manaus, onde surgiu a P.1, é exemplo das políticas falhas brasileiras. A cidade passou por um surto de covid-19 ainda em 2020, com alto número de casos e mortes. Quando as mortes diminuíram, a população não manteve as regras de distanciamento e voltou a circular pela cidade.

Manaus teve uma diminuição por causa dos anticorpos que as pessoas desenvolveram após a transmissão. Mas as infecções continuaram e cada uma delas é uma chance que o vírus tem de sofrer mutações. Até que surja uma variante que consegue driblar os anticorpos“, explica Garrett.

Toda vez que um vírus é transmitido, ele se altera um pouco. Com a taxa de transmissão tão alta no Brasil, o coronavírus teve diversas oportunidades de se alterar até que conseguiu se transformar em uma versão que supera as defesas que o corpo humano criou contra a infecção. Segundo o último boletim (íntegra – 332 KB) do Imperial College de Londres, no Reino Unido, até 12 de março, a taxa de transmissão no Brasil estava em 1,14. Ou seja, cada 100 pessoas com o vírus no país infectam outras 114.

Medidas de controle e vacinação são o que contém a replicação do vírus e, assim, o surgimento de novas variantes. E mesmo que mutações ocorram, se a transmissão estiver em baixa, elas não vão se espalhar pelo país como já aconteceu com as outras“, diz Garrett.

Um levantamento do Poder360 mostrou que cidades brasileiras que aplicaram o lockdown tiveram diminuição no número de mortes e infecções por covid-19 em 3 semanas. Restrições mais rígidas também fazem com que a circulação das pessoas e do vírus diminua.

 

Mas o presidente Jair Bolsonaro já ameaçou agir contra as restrições impostas por governadores e entrou com uma ação no STF (Supremo Tribunal Federal) contra as medidas. “Jamais eu adotaria o lockdown no país”, afirmou.

VACINAS, DIPLOMACIA E VARIANTES

Outro ponto importante para impedir a evolução do vírus é a vacinação da maior parte da população. No entanto, o Brasil tem um ritmo lento de vacinação. Em 2 meses de campanha, apenas 5% dos 213 milhões de habitantes tomaram a 1ª dose.

A imunização já foi paralisada diversas vezes nos Estados por falta de doses. E esse pode ser um problema que está longe de ser solucionado. Felipe Loureiro, coordenador do curso de Relações Internacionais da USP (Universidade de São Paulo), que a falta de vacinas tem origem no desinteresse do Brasil em comprá-las antes. E, agora, os imunizantes são recursos desejados por todos os países, inclusive os que fecharam contratos com as farmacêuticas em 2020.

O Brasil não teve interesse em comprar as vacinas, não deu importância, além da posição negacionista e até agressiva do alto escalão do governo com a China. Quando houve interesse, como com a China e a Índia, houve uma inabilidade de negociar surpreendente, porque o Itamaraty tem negociadores internacionais experientes e muito bons. E agora, que o Brasil está correndo atrás, a maioria das doses já pertencem a outros países por contrato“, diz Loureiro.

Ainda no início da pandemia, em março de 2020, o filho do presidente, Eduardo Bolsonaro (PSL-SP) atribuiu à China responsabilidades pela pandemia. “Quem assistiu Chernobyl vai entender o que ocorreu. Substitua a usina nuclear pelo coronavírus e a ditadura soviética pela chinesa. A culpa é da China“.

A embaixada da China no Brasil e o embaixador chinês Yang Wanming rebateram e afirmaram que o país asiático repudia veementemente as declarações do congressista e exigiu pedido de desculpas. O chanceler Ernesto Araújo defendeu o filho do presidente e em seguida o Ministério das Relações Exteriores pediu o afastamento de Wanming. O pedido foi negado.

Agora, de acordo com Loureiro, o país está no pior momento diplomático desde o início da pandemia. Para o pesquisador, além de ser, como a própria OMS já declarou, uma ameaça para os países da América do Sul, o Brasil representa um risco para a humanidade. “Porque você tem a formação de novas variantes que eventualmente podem até ser resistentes às vacinas. Isso significa o descontrole da pandemia a médio e longo prazo, uma ameaça para a saúde e para a economia global.

E essa imagem do Brasil como ameaça faz com que o país fique cada vez mais isolado no cenário internacional. Por isso que tentativas recentes do governo de negociar com Israel, um país que o presidente Bolsonaro vê como aliado, um remédio experimental contra a covid-19 também não ocorreram como planejado. “Nenhum país vai gastar capital político para ajudar um governo que foi sempre negacionista“, afirma Loureiro.

E, novamente, a solução é a vacinação. “A vacinação em massa é a única saída para as crises de saúde pública e econômica. Antes disso também é muito difícil que os diplomatas, por melhor que sejam, consigam obter bons resultados em negociações internacionais relacionadas à pandemia“.

Garrett concorda que é preciso acelerar a vacinação. E, para ela, existe um senso de urgência ainda maior por causa das variantes. “Temos que aproveitar que as vacinas ainda funcionam e vacinar o maior número de pessoas possível. A chance de uma variante aparecer que pode escapar a imunidade das vacinas é real. Precisamos nos prevenir, com vacina e medidas de controle, para evitar isso.

Poder 360.

Cenário político atual traz mais perguntas do que respostas

Os dados revelados pela pesquisa PoderData divulgada na 4ª feira (17.mar.2021) e confirmados recentemente pelo Datafolha e pelo Ipespe deixam claro que nas últimas semanas houve uma mudança de placas tectônicas no cenário político brasileiro.

As razões são múltiplas, mas vale destacar as que tiveram maior peso: 1) recrudescimento da pandemia com recorde de mortos, infectados e falta de UTIs em diversas cidades do país; 2) aumentos simultâneos no desemprego e na inflação, sobretudo em itens da cesta básica e combustíveis; 3) retorno de Lula como provável candidato na eleição de 2022.

Nas últimas rodadas do PoderData, que faz levantamentos a cada duas semanas, havia mudanças sutis nas taxas de aprovação do governo. Na rodada atual, os números mudaram de maneira expressiva.

A avaliação positiva (percentual de “ótimo” e “bom”) do trabalho pessoal de Jair Bolsonaro caiu de 31% no início de março para 24% agora. A avaliação negativa (percentual de “ruim” e “péssimo”) do governo subiu de 47% para 52%.

O impacto dos acontecimentos dos últimos dias fica ainda mais claro quando são observados os dados de aprovação e desaprovação do governo federal como um todo. O índice de aprovação do governo despencou de 40% para 32% e o percentual de desaprovação subiu de 51% para 54%.

Isso significa que no período de duas semanas dobrou a diferença entre a aprovação e a desaprovação do governo Bolsonaro. Esse saldo era de 11 pontos no início de março. Passou para 22 pontos agora.

Ainda assim, é preciso notar que o governo Bolsonaro conta com uma avaliação positiva na faixa dos 25% a 30% da população. É um patamar muito mais alto do que Dilma Rousseff e Michel Temer tinham durante parte de seus governos.

Então, o que pode explicar a persistência de uma popularidade relativamente alta do presidente Bolsonaro mesmo em um cenário de piora da pandemia e das condições econômicas?

Novamente é preciso ressaltar que não existe um fator único capaz de explicar a relativa estabilidade na avaliação do governo Bolsonaro apesar do aparente agravamento da crise atual. Existem múltiplas variáveis que atuam de maneira simultânea e têm pesos diferentes de pessoa para pessoa. Mas há, sim, fatores causais que parecem ser de maior relevância.

Em primeiro lugar, a responsabilidade da atual crise é dividida entre o governo federal e os governos estaduais e municipais. Ou seja, os cidadãos e cidadãs não jogam toda a culpa apenas no presidente. Dividem essa carga com governadores e prefeitos. As pesquisas do PoderData, Datafolha e Ipespe vêm mostrando isso há meses. Os governadores também vêm perdendo popularidade ao longo do tempo.

A estratégia de comunicação do governo federal de culpar os governadores pelas falhas no enfrentamento da pandemia parece ser efetiva nesse sentido. Some a isso o fato de que os governadores também vêm sendo forçados a adotar medidas pouco populares que contribuem na divisão de culpa pela atual crise.

Em segundo lugar, é impossível entender o momento atual sem levar em consideração o fato de que cada vez mais, e isso é uma tendência mundial, o ser humano vive dentro de “bolhas” que tendem a reforçar narrativas pré-concebidas e limitam a exposição a pontos de vista diferentes.

Isso quer dizer que quem já se identificava com Bolsonaro tende a viver em um ambiente de informação no qual o presidente não é responsabilizado pelos acontecimentos da crise. Nesse ecossistema social segregado, o ponto de vista de seus apoiadores é sempre reforçado. O mesmo acontece do lado oposto.

Existem cada vez menos meios de comunicação e veículos capazes de dialogar ou ao menos de serem ouvidos tanto por quem aprova quanto por quem desaprova o governo federal –uma exceção é este jornal digital Poder360, que busca de maneira obsessiva ter um noticiário apartidário e sempre buscando a neutralidade e a objetividade, pois mais que essa seja uma meta inalcançável.

Mas a verdade é que a indústria de mídia jornalística hoje oferece mais produtos para reforçar percepções do que um noticiário neutro e apenas informativo. Esse fato limita o impacto de notícias negativas, porque a tendência é os apoiadores do presidente da República não darem importância.

Em terceiro lugar, é preciso levar em consideração um fator político. A oposição ao presidente Bolsonaro segue ainda amplamente desorganizada. É algo que pode mudar com a volta de Lula como possível candidato.

As divisões internas de partidos como o PSDB e as constantes altercações públicas de Ciro Gomes e figuras da esquerda, sobretudo do PT, mostram como até o momento não há união da oposição.

Se de um lado há o governo federal com uma base de apoiadores organizada em termos de comunicação, do outro a oposição ainda está dispersa, atuando de maneira pontual e não planejada.

Mas o cenário está mudando.

PoderData testou nesta rodada cenários de primeiro e segundo turno e o potencial de voto de alguns dos nomes colocados como possíveis candidatos a presidente em 2022. O desgaste de Bolsonaro já impacta seu desempenho em termos de intenção de voto.

Lula apareceu liderando no primeiro turno com 34% das intenções de voto, contra 30% de Bolsonaro. Nas simulações de 2º turno, Lula também vence o atual presidente com 41% dos votos contra 36% de Bolsonaro.

Segundo o PoderData, Jair Bolsonaro, venceria, hoje, João Doria e Sérgio Moro em um eventual 2º turno. Perderia para Luciano Huck e para Ciro Gomes, mesmo que com diferenças pequenas. Isso é resultado direto do aumento de desgaste do governo federal.

A pesquisa traz ainda dados sobre o potencial de voto dos candidatos. É quando os entrevistados são questionados sobre se aquele político “é o único em que votaria”, se “poderia votar”, ou se “não votaria de jeito nenhum”.

Os dados mostram que o tempo longe dos holofotes parece ter feito bem à imagem do ex-presidente Lula, que é hoje o candidato com maior potencial de voto e menor rejeição. Ele não deixou de ser conhecido e foi, nos últimos tempos, do escrutínio constante da mídia sobre fatos de seu governo. Como sabemos, na memória dos eleitores tende a prevalecer a lembrança do que foi bom em governos passados –e, no caso de Lula, houve enorme prosperidade econômica (sem fazer juízo de valor sobre a que preço foi possível o avanço do PIB).

Jair Bolsonaro vem logo atrás de Lula, tanto em termos de potencial de voto quanto em rejeição.

Quando se compara os dados de hoje com pesquisas do PoderData de 2018, quando Lula ainda aparecia como possível candidato naquele ano, nota-se que o petista e Bolsonaro melhoraram seus potenciais de voto.

Na ocasião, tanto Bolsonaro quanto Lula apresentavam números elevadíssimos de rejeição, acima de 60% do eleitorado. Bolsonaro conseguiu reduzir sua rejeição e ampliar a base de eleitores fiéis. Lula conseguiu manter sua base de eleitores, que desde 2018 varia em torno de 30% do eleitorado. Conseguiu também reduzir de maneira significativa a rejeição ao seu nome. Os dados estão aqui:

A leitura dos gráficos nesta perspectiva temporal apresenta reflexões importantes sobre o cenário político atual. A primeira delas é a diferença que o tempo faz. Faltam pouco mais de 18 meses para a eleição de 2022. O cenário que atual pode ser completamente diferente quando as campanhas de fato saírem às ruas.

Em agosto de 2018, Jair Bolsonaro apresentava baixo potencial e alta rejeição. Ainda assim conseguiu ser eleito presidente. Hoje o agora presidente conta com uma base organizada de apoio e conseguiu reduzir o nível de rejeição pessoal.

Lula apresenta uma base de apoio consistente, cerca de 1/3 do eleitorado. O tempo em que esteve relativamente afastado da vida pública conseguiu reduzir a rejeição a seu nome –até porque foi poupado de noticiário negativo diário, algo que não deve perdurar a partir de agora.

É provável que dois outros fatores estejam contribuindo para a redução nas taxas de rejeição ao ex-presidente: a percepção de podem, de fato, ter ocorrido abusos por parte da operação Lava Jato, e, sobretudo, a percepção de que Lula é o nome com mais chance de vencer Bolsonaro na eleição de 2022. Note-se o fato de pessoas com o ex-presidente Fernando Henrique Cardoso dizendo que num confronto entre Lula e Bolsonaro, votaria no petista.

As mudanças que vêm ocorrendo produzem cada vez mais perguntas que respostas. A queda de popularidade de Bolsonaro é reversível? Qual será o impacto da piora da pandemia daqui para frente? O novo auxílio emergencial será suficiente para segurar a posição política do governo? Lula conseguirá de fato unir a oposição e se candidatar novamente?

Será preciso acompanhar o cenário semana após semana para compreender a conjuntura de maneira profunda. É nesse contexto que as pesquisas nacionais a cada 15 dias contribuem para que todos possamos entender um pouco o que pode acontecer na política em 2022.

Poder 360.

Governo detalha nova fase de pagamentos do auxílio emergencial

O ministro da Cidadania,João Roma, participa do programa A Voz do Brasil

Como estratégia para conter os impactos econômicos e sociais provocados pela covid-19, mais de 45 milhões de brasileiros devem voltar a receber as quatro parcelas do auxílio emergencial a partir do início de abril. A informação foi dada pelo o ministro da Cidadania, João Roma, em entrevista ao programa A Voz do Brasil, da Empresa Brasil de Comunicação (EBC).

De acordo com Roma, 46 milhões de famílias deverão ser beneficiadas com a medida. As parcelas do auxílio serão de R$250, com duas exceções: famílias compostas por apenas uma pessoa, que receberão R$150 e famílias comandadas por mulheres, que receberão R$ 375. De acordo com o ministro o investimento para o auxílio é de cerca de R$ 44 bilhões.

Segundo o Roma, o calendário detalhado será divulgado na semana que vem. Terão direito ao auxílio os brasileiros já cadastrados. “Não precisa ir nas agências da Caixa Econômica, para evitar aglomerações”, disse Roma. O dinheiro será depositado na conta digital do beneficiário.

Na entrevista, o ministro também falou sobre o programa Bolsa Família. Segundo ele, em agosto deste ano, o programa passará por uma ampliação para atender mais famílias brasileiras.

Agência brasil.

Dólar fecha aos R$ 5,49 e Ibovespa sobe 1,8% na semana

O dólar caiu 1,51% nesta 6ª feira (19.mar.2021) em repercussão à decisão do Copom (Comitê de Política Monetária) de subir a taxa Selic. Fechou a semana aos R$ 5,49, com queda de 1,35% no período.

O Ibovespa, principal índice da B3 (Bolsa de Valores de São Paulo), encerrou a semana aos 116.221 pontos. Registrou alta de 1,21% na 6ª feira (19.mar.2021) e de 1,81% na semana.

O Copom subiu a Selic de 2% para 2,75%. A alta esperada pelo mercado era de 0,5 ponto percentual. Com o reajuste maior, alivia o preço da moeda estrangeira no país.

A semana foi agitada no calendário econômico. Nos Estados Unidos, o Fed (Federal Reserve) também se reuniu para definir a taxa de juros no país. Manteve no intervalo de 0% a 0,25%.

 

Investidores acompanharam o mercado de títulos do Tesouro norte-americano, que demonstraram volatilidade na semana. A piora da pandemia de covid-19, com aumento dos casos no país e os dados do Caged (Cadastro Geral de Empregados e Desempregados) também entrou no radar dos investidores.

Investidores estrangeiros retiraram R$ 1,5 bilhão da Bolsa neste mês até 4ª feira (17.mar), último dado disponível. No ano, o saldo está positivo em R$ 15,3 bilhões. Considerando ofertas iniciais (IPOs) e secundárias (follow ons), o resultado no ano fica positivo em R$ 19,07 bilhões.

Usado para medir a confiança na economia, CDS (Credit Default Swap) de 5 anos, ou risco-país, registrou 195 pontos nesta 6ª (19.mar). Há 1 ano (19.mar.2021), registrava 377.

Poder 360.

Jungmann: “Nenhum presidente tem poderes para decretar estado de sítio”

Jair Bolsonaro disse mais cedo que pode decretar estado de sítio no Brasil “para dar o direito ao povo trabalhar”.

Raul Jungmann, que foi ministro da Defesa de Michel Temer, disse a O Antagonista que “nenhum presidente tem poderes para decretar estado de sítio”.

Ao presidente cabe pedir ao Congresso, e somente se as condições exigidas pela Constituição Federal estiverem atendidas.”

Jungmann lembrou que cabe ao Congresso a palavra final e definitiva, pois detém a prerrogativa constitucional de aceitar ou recusar a proposta do Executivo”.

Se Bolsonaro concretizar a ameaça, o ex-ministro acredita ser “óbvio” que o pedido será recusado.

“O Congresso Nacional não tem nem nunca terá vocação suicida.”

Como também registramos mais cedo, parlamentares ironizaram a fala de Bolsonaro.

O antagonista.

Extermínio: cumplicidade mórbida, por Kakay

 Sérgio Lima/Poder360 12.03.2021

Não enterres, coveiro, o meu Passado,

Tem pena dessas cinzas que ficaram;

Eu vivo d’essas crenças

Que passaram,

E quero sempre tê-las ao meu lado!

Aí! não me arranques d’alma este conforto!

Quero abraçar o meu Passado morto

Dizer adeus aos sonhos meus perdidos!

Augusto dos Anjos

A tal Operação Lava Jato, coordenada com fins políticos pelo ex-juiz Sergio Moro e seus asseclas procuradores de República de Curitiba, membros da mal afamada Força-Tarefa, completou sete anos no último dia 17 de março. Desmoralizada, com seus membros sendo investigados, seus processos principais anulados e seus métodos bizarros e criminosos, parciais, escancarados e ridicularizados pelo Brasil. Sendo eu um dos seus primeiros e mais contundentes críticos, desde o primeiro momento, o esperado seria um artigo analisando os abusos e os crimes cometidos pelo bando, a dissecação do fracasso.

Mas tal efeméride se dá em um momento trágico da história do País e do povo brasileiro. Pela primeira vez, a média móvel de mortos pela Covid ultrapassou 2.000 pessoas e o índice alcançou 2.031 mortes, o mais alto desde o início da pandemia pelo 19° dia seguido. O número de mortos, oficialmente, ultrapassa 3000 por dia. O Brasil já tem 285.136 mil mortos e mais de 11 milhões infectados. Uma tragédia sem precedentes. Escondo-me em Fernando Pessoa:

O véu das lágrimas não cega.

Vejo, a chorar,

O que esta música me entrega

A mãe que eu tinha,

O antigo lar,

A criança que eu fui,

O horror do tempo, porque flui.

O horror da vida,

Porque é só matar.”

Para um brasileiro que tenha preocupação real com o país, para alguém que se importa com seu semelhante, para uma pessoa que, mesmo na crise, ainda mantenha um resquício de humanidade, não pode haver nada a comemorar e o objeto de qualquer reflexão deve ser único: como retirar do comando do Brasil este presidente que cultua a morte, que pratica a necropolítica, que desmoralizou a autoestima do povo brasileiro, que transformou pessoas mortas em números a serem manipulados.

Até mesmo os rituais da despedida, tão presentes em nossa cultura, foram desprezados, a dor parece que tem vergonha de ser sentida. A barbárie transformou o desespero em algo banal, a absoluta incapacidade de reagir transformou as pessoas em robôs. O ar que falta nos hospitais, por incúria dos governantes, e mata, começa a faltar para as pessoas que se sentem imobilizadas por tanto horror.

Além do número abissal de mortos, o que se sabe é que o desespero pelo não planejamento no combate científico ao vírus transforma, a cada segundo, o país em um espaço livre para cultivar o vírus e suas novas cepas. A céu aberto. O negacionismo extremo, a política de incentivar a aglomeração, a covardia em não fazer lockdown e o crime em propagar a não necessidade da vacina transformaram o país numa república da morte. Além de párias internacionais, ninguém quer se relacionar com brasileiros, em breve nossas fronteiras também serão fechadas para os negócios. Não existe espaço para amadorismo. Estamos sendo sucateados. Esse governo fascista vai entregar o bagaço e os destroços de um país saqueado.

Um exemplo do resultado direto das mortes com a condução na política aconteceu agora nos EUA. A curva de mortos com o fascista do Trump apontava uma subida permanente e vertiginosa. Bastou um representante do Centrão americano derrotar o Trump e mudar a política para incentivar o isolamento, o uso de máscara e, principalmente, o uso massivo da vacina, que a queda se precipitou. Não podemos esquecer que cada ponto que a curva cai significa milhares de vidas salvas.

A opção clara, política, deliberada, de não comprar vacina e mais, de defender a não vacinacao, de politizar o assunto, de rejeitar propostas de compras dos imunizantes, tudo isso tem que ser responsabilizado criminalmente. A humanidade não merece assistir a esse verdadeiro extermínio de parte da população brasileira. A discussão da definição jurídica do que é genocídio não compete mais somente, academicamente, aos juristas e advogados, é hora de levar a questão às Cortes Internacionais para que se adote uma postura sobre o tema. Serão necessários 500, 600 mil brasileiros mortos para que saíamos do imobilismo? Não existe ideologia no trato com as questões desse vírus. Ou nos unimos e tiramos republicana e democraticamente esse presidente do poder, ou vamos começar a vivenciar cenas dantescas com os mortos nas ruas, nas casas. É cruel, mas é a verdade.

Antes da desgraça que se implantou com a crise sanitária, esse grupo de bárbaros já desmantelava o país. Sucatearam o SUS, cortaram a verba destinada à ciência, não investiram na educação, destruíram a cultura, o meio ambiente, acabaram com os Conselhos que faziam o país registar níveis de excelência em várias áreas; enfim, esses idiotas estavam fazendo um país à semelhança do que eles são. Mas esse era o jogo político. Quem perdeu que se habilite. Agora, é muito maior o tamanho do estrago e urge uma atitude. Encontro-me em Clarice Lispector:

Renda-se, como eu me rendi. Mergulhe no que você não conhece, como eu mergulhei. Não se preocupe em entender, viver ultrapassa qualquer entendimento.”

“Que minha solidão me sirva de companhia.

Que eu tenha coragem de me enfrentar.

Que eu saiba ficar com o nada e mesmo assim

Me sentir como se estivesse plena de tudo.”

Basta pensar que o Brasil, outrora, já vacinou 10 milhões de crianças em um único dia! Hoje, não temos sequer um programa nacional de divulgação dos nossos problemas, não existe campanha de esclarecimentos e, muito menos, uma campanha vigorosa de vacinação. Estamos à deriva. O ar que nos fazia eufóricos na luta por um Brasil mais justo, mais igual, hoje nos falta e a falta dele nos sufoca, nos aniquila.

É necessário que a dor, a angústia e o medo acabem nos impulsionando na luta por uma resistência. Se não conseguirmos nos organizar razoavelmente para exigir uma mudança de rumo na condução do país, vamos ter que assumir nossa parcela de responsabilidade na tragédia. A omissão será cobrada de cada um. Necessário que se faça um enfrentamento duro e leal, até em homenagem aos médicos, enfermeiros, agentes dos hospitais que estão na linha de frente, e também aos que morreram pelo vírus em razão da omissão covarde e canalha das autoridades e em louvor ao povo brasileiro. Vamos ter postura e dignidade. Não conviva com os fascistas. Não participe de grupos de whatsapp com eles. Não permita que eles frequentem suas casas, suas mesas de bar, seus afetos. São homicidas ou cúmplices. Podemos e devemos ser firmes e mais do que nunca intolerantes com a barbárie neste momento. A história cobrará responsabilidades, os humanistas todos estão e estarão ao nosso lado e, afinal, a omissão ficará na conta da covardia dos canalhas. Vamos nos fiar em Mia Couto:

Se não criarmos nas escolas histórias que falam sobre solidariedade, a amizade, a lealdade, essas pequenas coisas que são realmente as grandes coisas da vida, isto não vai surgir naturalmente.”

Poder 360.

Butantan produzirá 46 milhões de doses até o fim de abril, diz Doria

O governador de São Paulo, João Doria (PSDB), esteve na manhã desta 6ª feira (19.mar.2021) na fábrica de vacinas do Butantan, na zona leste de São Paulo, para acompanhar a produção do imunizante CoronaVac que é produzido em parceria com o laboratório chinês Sinovac.

Assista (3min42s):

De acordo com o governo paulista, são 300 funcionários atuando na fábrica que funciona 24 horas por dia, 7 dias por semana, em 3 turnos. O objetivo, segundo Doria, é entregar, até o final de abril, 46 milhões de doses.

“Até o final do mês de abril serão 46 milhões de doses da vacina do Butantan. A partir de 1º de maio, começam as entregas de mais de 54 milhões de doses desta vacina, a vacina contra a covid-19”, disse o governador.

Doria publicou fotos de sua visita em sua conta oficial no Twitter. Ele estava acompanhando do diretor do Instituto Butantan, Dimas Covas.

Nesta 6ª feira (19.mar), o Instituto Butantan enviou mais 2 milhões de doses da vacina ao Ministério da Saúde. João Doria comemorou: “Só durante essa semana, foram 7 milhões e 300 mil doses enviadas a todos os Estados brasileiros”.

poder 360.

Fux presta homenagem a Major Olimpio durante sessão do STF

O presidente do STF (Supremo Tribunal Federal), ministro Luiz Fux, lamentou, nesta 5ª feira (18.mar.2021), a morte do senador Major Olimpio (PSL-RJ), vítima da covid-19.

Fux comentou o falecimento do congressista na volta do intervalo da sessão plenária que discute a constitucionalidade da pena para quem importa medicamento sem registro sanitário.

“O Brasil perde um parlamentar combativo pelo respeito aos valores institucionais do Estado Democrático brasileiro. Solidarizo-me com o Congresso Nacional e com a família do senador. Envio ainda meu abraço aos familiares das mais de 285 mil vítimas da Covid-19 no Brasil”, disse o presidente do Supremo.

Fux comunicou que já entrou em contato com o presidente do Senado, Rodrigo Pacheco (MDB-MG), para prestar as condolências pela morte do senador. Disse que a nota de pesar da Suprema Corte será encaminhada a todos os congressistas. Em seguida, os ministros retomaram a sessão.

Poder 360.

Senador Major Olimpio morre aos 58 anos de complicações da covid

 Sérgio Lima/Poder360

O senador Major Olimpio (PSL-SP) morreu na tarde desta 5ª feira (18.mar.2021), aos 58 anos de idade. Ele estava internado em São Paulo, onde passava por tratamento contra a covid-19. O congressista era líder do PSL no Senado e integrava a frente parlamentar de segurança pública na Casa.

A morte de Olimpio foi confirmada no Twitter oficial do congressista. Segundo a publicação, a família terá que aguardar 12 horas para a confirmação do óbito e verificará quais órgãos poderão ser doados. O senador faria 59 anos neste sábado (20.mar).

Em 5 de março o senador foi transferido para a UTI do hospital que estava internado na capital paulista. Antes, ele participou de uma sessão remota do Senado já hospitalizado.

O congressista discursou sobre a PEC (Proposta de Emenda à Constituição), cujo texto foi aprovado por 62 a 16.

Com a voz debilitada, Olimpio disse que reconhecia o esforço do relator do tema, Márcio Bittar (MDB-AC), de encontrar um texto que forme consenso para voto.

“Eu reconheço a tentativa do esforço do senador Marcio Bittar, mas essa PEC 186, na sua essência, foi mais uma forma de achincalhe aos serviços públicos, aos servidores públicos que são realmente as pessoas que estão neste momento defendendo a sociedade”, disse.

Olimpio não conseguiu concluir o discurso. A conexão caiu, e o presidente do Senado, Rodrigo Pacheco (MDB-MG), decidiu passar a palavra a outro colega.

Assista (2min34seg) ao discurso de Major Olimpio:

 

 

Dois senadores também morreram por complicações do coronavírus: Arolde de Oliveira (PSD-RJ) e José Maranhão (MDB-PB).

Sete dias depois de ir para a UTI, o senador precisou ser intubado com o agravamento da doença.

Segundo levantamento do Poder360, ao menos 165 congressistas já tiveram covid-19. Foram identificados 134 deputados e 31 senadores que já pegaram a doença.

EVOLUÇÃO AO LONGO DOS ANOS

O nome de urna de Olimpio evoluiu junto com sua patente na Polícia Militar de São Paulo. Em 2002 disputou o cargo de deputado federal com o nome de Capitão Olimpio. Ficou como suplente, então filiado ao PPB (nome antigo do PP).

Em 2004, tentou ser vereador em São Paulo, de novo pelo PP. Também não foi eleito, novamente ficou como suplente.

Em 2006, já como Major Olimpio, concorreu a uma cadeira na Assembleia Legislativa de São Paulo pelo PV. Foi eleito. Em 2010 foi reeleito, mas pelo PDT.

Disputou a eleição de 2014 ainda filiado ao PDT e foi eleito deputado federal. Tentou ser prefeito de São Paulo em 2016, pelo Solidariedade. Teve 2% dos votos. João Doria (PSDB) ganhou a disputa no 1º turno.

Em 2018 conseguiu se eleger senador impulsionado pela onda que levou Jair Bolsonaro ao Palácio do Planalto. Agora, pelo PSL. Com sua morte, quem assume o lugar como senador é seu 1º suplente, o empresário Alexandre Luiz Giordano.

REPERCUSSÃO

O presidente do Senado, Rodrigo Pacheco (DEM-MG), divulgou nota de pesar pelo falecimento do colega. No documento, o senador prestou condolências à família e decretou luto oficial de 24 horas na Casa. Lembrou ainda que Olimpio foi policial militar por 29 anos antes de ser duas vezes deputado estadual por São Paulo e uma vez deputado federal até ser eleito senador.

O ex-presidente da Casa, senador Davi Alcolumbre (DEM-AP), também divulgou nota em que diz estar muito triste com a morte do colega.

“Honesto e firme, Olimpio tinha sonhos e bandeiras. Um homem de convicções fortes e de bom coração. Perde a política brasileira e todos nós, que ficamos mais pobres e mais tristes. Que Deus o receba e console a família, os amigos e os inúmeros eleitores e admiradores do nosso Major Olimpio. Fica aqui a saudade e o meu profundo pesar”, escreveu.

O PSL, partido do senador, prestou solidariedade à família. Olimpio era da ala crítica ao presidente Jair Bolsonaro no racha que dividiu a sigla e culminou na saída do presidente da República do partido.

“Essa morte precoce de nosso amigo, colega e fraterno  Major Olimpio, que sempre esteve ao lado de nossa causa política por um Brasil melhor, deixa todos nós sem chão.  Só nos resta nos solidarizar com sua família e pedir a Deus que nos proteja em espírito e força para caminharmos sempre juntos em busca dos nossos ideais.”

O presidente da Câmara dos Deputados, Arthur Lira (PP-AL), lamentou em seu perfil no Twitter a morte do senador.

A Frente Parlamentar da Segurança Pública agradeceu por ter conhecido o senador e disse que seu legado seguirá vivo. Citou um versículo bíblico: “Combati o bom combate, acabei a carreira, guardei a fé. desde agora, a coroa da justiça me está guardada”.

“A sociedade brasileira perde um legítimo agente público, que nunca se desviou de suas bandeiras e seus ideais. Agradecemos  a Deus pelo privilégio de tê-lo conhecido. Descanse em paz, missão cumprida. Seu legado seguirá vivo em nossa memória e em nossas ações pelo povo brasileiro. Ao senador Major Olimpio a nossa eterna gratidão e reconhecimento.”

Poder 360.

Planalto revela carta de Biden a Bolsonaro em reação a gesto de Lula

O governo federal divulgou nota, na manhã desta 5ª feira (18.mar.2021), em que afirma que o presidente Jair Bolsonaro recebeu uma carta enviada pelo presidente dos Estados Unidos, Joe Biden, em 26 de fevereiro.

A Secom (Secretaria Especial de Comunicação Social), ligada ao Ministério das Comunicações, não divulgou trechos da mensagem, mas afirmou tratar-se de uma “carta de agradecimento” aos cumprimentos de Bolsonaro pela posse do democrata na Casa Branca. Disse que foram abordados temas como o meio ambiente e o combate à pandemia.

“O presidente Biden salientou que seu governo está pronto para trabalhar em estreita colaboração com o governo brasileiro neste novo capítulo da relação bilateral”, disse a Secom. Leia a íntegra da nota no final deste texto.

O gesto do governo federal é uma resposta à declaração do ex-presidente Lula (PT), que sugeriu, na 4ª feira (17.mar.2021), que os Estados Unidos doem vacinas excedentes para o Brasil e outros países.

O petista pediu que Joe Biden convoque uma reunião de emergência do G20 para discutir a equidade na distribuição dos imunizantes.

“Estou sabendo que os Estados Unidos estão com excesso de vacinas e que não vão usar toda essa vacina. Então essa vacina, quem sabe, pode ser doada para o Brasil, ou para outros países mais pobres que o Brasil e que não têm dinheiro para comprar vacinas”, disse Lula em entrevista à jornalista Christiane Amanpour, da CNN norte-americana.

“A responsabilidade dos líderes internacionais é enorme, então estou pedindo ao presidente Biden que faça isso porque não posso… Não acredito em meu governo. E, portanto, não poderia pedir isso para Trump, mas Biden é um alento para a democracia no mundo”, declarou.

Assista ao pedido do ex-presidente no vídeo abaixo:

O Brasil vive o pior momento da pandemia até agora. Na última 3ª (16.mar.2021), o país registrou 2.841 mortes, o maior número de mortes já notificadas em apenas 24 horas. No mesmo dia, a Fiocruz apontou o maior colapso sanitário e hospitalar da história do Brasil. Nesta 4ª feira, foram mais 2.648 mortes.

Das 27 unidades federativas, 24 Estados e o Distrito Federal estão com taxas de ocupação de leitos de UTI para covid-19 no SUS (Sistema Único de Saúde) iguais ou superiores a 80%, e 15 estão com taxas iguais ou superiores a 90%.

Na semana passada, o Brasil ultrapassou os Estados Unidos na média móvel de mortes por covid-19. A vacinação nos 2 países também avança com grande diferença de velocidade.

Até a última 3ª feira (16.mar.2021) os Estados Unidos já haviam aplicado mais de 110 milhões de doses, de acordo com o Our World in Data. O Brasil aplicou 11,9 milhões de doses, segundo a mesma fonte.

LEIA A ÍNTEGRA DA NOTA DIVULGADA PELA SECOM

“Em atenção à mensagem de cumprimentos recebida por ocasião de sua cerimônia de posse como 46º presidente dos Estados Unidos da América, o Presidente Joe Biden dirigiu carta de agradecimento ao presidente Jair Bolsonaro, datada de 26 de fevereiro último.

Ao referir-se às diversas vezes em que esteve no Brasil como vice-presidente, o presidente Biden sublinhou que não há limites para o que o Brasil e os EUA podem conquistar juntos. Destacou que as duas nações compartilham trajetória de luta pela independência, defesa de liberdades democráticas e religiosas, repúdio à escravidão e acolhimento da composição diversa de suas sociedades.

Após enfatizar a responsabilidade comum dos dois líderes em tornar o Brasil e os EUA mais seguros, saudáveis, prósperos e sustentáveis para as gerações futuras, o presidente Biden saudou a oportunidade para que ambos os países unam esforços, tanto em nível bilateral quanto em fóruns multilaterais, no enfrentamento aos desafios da pandemia e do meio ambiente, em alusão ao caminho para a COP26 e para a Cúpula sobre o Clima, esta última a ser sediada pelos EUA em 22 de abril próximo.

Ao final, o presidente Biden salientou que seu governo está pronto para trabalhar em estreita colaboração com o governo brasileiro neste novo capítulo da relação bilateral.”

Poder 360.

PoderData: Lula venceria Bolsonaro no Sudeste e manteria hegemonia no Nordeste

O ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) teria 38% das intenções de voto para presidente entre os eleitores do Sudeste na pesquisa do PoderData caso o 1º turno da eleição fosse hoje. O atual ocupante do cargo, Jair Bolsonaro, aparece em 2º lugar na região, com 26%.

A pesquisa foi realizada com 3.500 pessoas em todas as regiões de 15 a 17 de março. Tem margem geral de erro de 1,8 ponto percentual, que varia conforme a região. No caso do Sudeste, é de 2,8 pontos, para mais ou para menos.

A região Sudeste é a mais rica e populosa do país. Bolsonaro teve a maior votação em todos os Estados em 2018. Na pesquisa anterior de intenção de voto do PoderData, realizada de 21 a 23 de dezembro de 2020, Lula era inelegível por causa de suas condenações. No levantamento da época, 32% dos eleitores da região optaram por Bolsonaro. Fernando Haddad (PT) ficou em 2º lugar com 12%.

No cenário nacional, Lula aparece com 34% e Bolsonaro, com 30%. O petista tornou-se elegível com a decisão do ministro do STF (Supremo Tribunal Federal) Luiz Edson Fachin em 8 de março. O magistrado anulou todas as condenações de Lula na Justiça Federal de Curitiba.

A pesquisa foi feita pela divisão de estudos estatísticos do Poder360. A divulgação do levantamento é realizada em parceria editorial com o Grupo BandeirantesSaiba mais sobre a metodologia lendo este texto.

LULA MANTÉM HEGEMONIA NO NORDESTE

O Nordeste é onde petista aparece com a maior vantagem, com 44% das intenções de voto caso a eleição fosse hoje. Bolsonaro teria 29%. A margem de erro na região é de 3,2 pontos percentuais. Em dezembro, Bolsonaro tinha 31% e Haddad, 17%. No 2º turno de 2018, Haddad teve o maior número de votos em todos os Estados da região.

As intenções de voto em Bolsonaro recuaram no Sul, mas ele continua a liderar. Tem 35%. Lula aparece com 26%. Estão empatados no limite da margem de erro, que é de 4,5 pontos percentuais. Em dezembro, Bolsonaro tinha 45% e Haddad, 8%.

No Norte, a preferência por Bolsonaro também recuou sem que ele tenha perdido a liderança. Aparece com 35%. Lula, com 13%. É o pior desempenho do ex-presidente entre as regiões brasileiras. A margem de erro no Norte é de 6 pontos percentuais. Em dezembro, Bolsonaro aparecia com 45%. O 2º lugar era de Luciano Huck, com 17%.

No Centro-Oeste, Bolsonaro aparece com 46%. Lula tem 25%. A margem de erro é de 6,5 pontos percentuais. Em dezembro Bolsonaro aparecia com os mesmos 46%. Haddad tinha 13%.

Bolsonaro tem maior preferência entre os homens (37%) do que entre as mulheres (24%) no eleitorado nacional. No caso de Lula há equilíbrio, com 34% entre os homens e 35% entre as mulheres.

IDADE

Bolsonaro aparece com o melhor desempenho entre as pessoas de 16 a 24 anos, com 44% das intenções de votos. Nessa faixa etária, Lula ficaria com 28%. O melhor resultado para Lula está no segmento seguinte, de 25 a 44 anos. Ele aparece com 42%. Bolsonaro, com 26%.

Entre os eleitores de 45 a 59 anos, Lula teria 32% das intenções de voto e Bolsonaro, 31%. Entre os eleitores com mais de 60 anos, Bolsonaro ficaria em 1º lugar, com 29%, e Lula em 2º, com 27%.

RENDA

Lula teria 33% dos votos entre os desempregados e Bolsonaro, 28%. Entre os eleitores que recebem até 2 salários mínimos, o atual presidente aparece em 1º lugar, com 36%, e o ex-presidente em 2º, com 34%.

Na faixa de 2 a 5 salários mínimos Lula tem seu melhor desempenho, com 45%. Bolsonaro aparece com 20%. É no estrato seguinte, de 5 a 10 salários mínimos, que Bolsonaro tem o melhor resultado: 48%. Lula ficaria com 23%. Entre os que recebem mais de 10 salários mínimos, Bolsonaro tem 26% e Lula, 24%.

Poder 360.

Flávio Bolsonaro ironiza pesquisa Datafolha

O senador Flávio Bolsonaro (Republicanos-RJ) utilizou sua linha de transmissão no Telegram para ironizar o resultado da última pesquisa Datafolha, divulgada hoje.

De acordo com a pesquisa, 54% dos brasileiros classificam a gestão de Jair Bolsonaro da pandemia como ruim ou péssima. E os bolsonaristas fiéis correspondem, segundo o instituto, a 14% dos brasileiros.

Apesar disso, o filho do presidente postou alguns resultados de pesquisas eleitorais do instituto que não se confirmaram com a frase:

“Instituto super confiável! Pode apostar, abiguinho”, disse o senador, utilizando a linguagem de um personagem de internet.

O antagonista.

Gilmar Mendes confirma decisão do STJ que libertou Queiroz

O ministro do STF (Supremo Tribunal Federal) Gilmar Mendes confirmou, nesta 4ª feira (17.mar.2021), a decisão do STJ (Superior Tribunal de Justiça) que libertou Fabrício Queiroz e sua mulher, Márcia Aguiar, da prisão domiciliar e que determinou a eles medidas cautelares.

Leia a íntegra (128 KB) da decisão.

O ex-assessor e a mulher devem manter o uso da tornozeleira eletrônica e estão proibidos de entrar em contato com outros investigados no inquérito.

Queiroz é ex-assessor do senador Flávio Bolsonaro (Republicanos-RJ). É suspeito de coordenar a prática de “rachadinhas” no gabinete do político quando ele era deputado estadual na Alerj (Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro). “Rachadinhas” são a prática do agente público que recolhe parte ou até a totalidade do salário pago a assessores e funcionários contratados.

Entenda todo o caso nesta reportagem do Poder360.

“Diante da situação processual apresentada, verifico a ocorrência de perda superveniente do objeto deste habeas corpus. Como se demonstra a seguir, a decisão da 5ª Turma do Superior Tribunal de Justiça se mostra mais benéfica aos pacientes do que a decisão liminar de minha lavra, já que não determina a prisão domiciliar entre as cautelares diversas fixadas, devendo, portanto, prevalecer”, escreveu Gilmar Mendes em seu despacho.

Com a decisão, o desembargador do Órgão Especial do TJ-RJ (Tribunal de Justiça do Rio de Janeiro) Milton Fernandes precisa estabelecer quais serão as medidas cautelares a serem cumpridas por Queiroz e sua mulher.

O ex-assessor de Flávio foi preso preventivamente em junho de 2020, em Atibaia, no interior de São Paulo. Estava em 1 imóvel do advogado Frederick Wassef, advogado de Flávio e de Jair Bolsonaro. É investigado depois de constatação de movimentações bancárias atípicas em suas contas. Relatório do Coaf (Conselho de Controle de Atividades Financeiras) apresentou a movimentação de R$ 1,2 milhão de 2016 a 2017.

Os pagamentos recebidos por Queiroz eram em datas próximas da folha de pagamento dos funcionários do gabinete, o que leva à suspeita de devolução de parte do salário, a chamada rachadinha.

Poder 360.

Governo federal vai indenizar Edir Macedo em R$ 50 mil por falha da PF

O Governo Federal terá que indenizar o bispo Edir Macedo em R$ 50 mil por uma falha da Polícia Federal. Em 18 dezembro de 2012 o fundador da Igreja Universal do Reino de Deus estava prestes a embarcar em para Portugal quando, já no Aeroporto Internacional de Guarulhos, viu que seu nome constava indevidamente na lista do Sistema Nacional de Procurados e Impedidos.

À época, a Justiça havia determinado que Macedo não poderia deixar o país, pois estava sendo processado pelo MPF (Ministério Público Federal) acusado de crimes contra o sistema financeiro nacional e lavagem de dinheiro. Acusações que o bispo sempre negou.

A Polícia Federal não tinha atualizado o cadastro do bispo e ele foi impedido de embarcar. Macedo já tinha conseguido na Justiça derrubar a proibição da Polícia Federal. Horas depois ele embarcou apresentando a cópia da ordem que o liberava para sair do país. No processo movido, os advogados relatam susto e constrangimento na hora do embarque.

A decisão foi emitida pela juíza Regilena Emy Fukui Bolognesi, da 11ª Vara Cível Federal de São Paulo. Originalmente a indenização estava calculada em R$ 30 mil, valor que o governo federal questiona, já que na ordem de pagamento a juíza aceitou o cálculo da Universal que considera juros e correção monetária e definiu o valor final de R$ 50.151,29.

A União recorreu ao Tribunal Regional Federal para corrigir o valor e pagar R$ 42.247,20. O requerimento passa por análise, entretanto não cabem mais recurso quanto à condenação por danos morais.

Poder 360.

Governo revisa para cima projeção para inflação em 2021

Sérgio Lima/Poder 360 06.dez.2019

O Ministério da Economia revisou para cima a projeção para o IPCA, índice que mede a inflação no país, em 2021. O órgão espera alta de 4,42%. No final do ano passado, a projeção era de 2,94%.

Segundo nota publicada nesta 4ª feira (17.mar.2021), o principal responsável pela elevação da projeção foi o preço dos alimentos.

Essa alta da inflação acima do esperado deve pressionar o Banco Central a elevar a taxa básica de juros, a Selic, no final do dia, quando será concluída a reunião do Copom. Em 12 meses, o IPCA acumula alta de 5,2%, encostando na margem limite definida pela autoridade monetária, de 5,25%.

Na avaliação do governo, as expectativas já mostram convergência para o centro da meta de inflação a partir de 2022, inclusive com valores menores. As metas de inflação para 2022 e 2023 são de 3,5% e 3,25%, respectivamente.

PIB

O Ministério da Economia manteve em 3,2% a expectativa de crescimento do PIB (Produto Interno Bruto) neste ano.

“As incertezas são elevadas com os desafios de enfrentamento à pandemia, mas deve-se considerar os indicadores no primeiro bimestre que apontam continuidade da recuperação da atividade econômica”, diz a nota.

Eis um resumo:

Poder 360.