Parlamentares dos Estados Unidos divulgaram nesta semana um relatório no qual expressam preocupação com a presença de infraestrutura espacial ligada à China na América Latina. O documento afirma que parte desses projetos pode ter aplicações de interesse militar e cita ao menos duas iniciativas instaladas no Brasil.
A análise foi elaborada pela Comissão Seleta da Câmara dos Representantes dos Estados Unidos sobre Competição Estratégica entre os Estados Unidos e o Partido Comunista Chinês, criada em 2023 para avaliar os impactos da crescente influência de Pequim em setores considerados estratégicos por Washington. Segundo os parlamentares, a cooperação tecnológica firmada com países latino-americanos na área espacial não se limitaria a projetos científicos, podendo integrar uma rede com potencial de uso duplo — civil e militar — capaz de ampliar a capacidade chinesa de monitoramento e coleta de informações estratégicas na região.
Dono do Banco Master, Daniel Vorcaro relatou à namorada Martha Graeff ao menos cinco reuniões com “Alexandre”. Em duas delas, o banqueiro especifica que estava com o ministro do STF Alexandre de Moraes. Os relatos fazem parte das conversas registradas no celular de Vorcaro apreendido pela PF. A coluna questionou o ministro sobre sua relação com o banqueiro e com parlamentares citados por Vorcaro, mas Moraes não respondeu.
Às 17h22 de 19 de abril de 2025, Vorcaro disse à namorada: “To [sic] indo encontrar alexandre moraes aqui perto de casa”. Ela respondeu: “Como assim amor. Ele está em Campos???? Ou foi pra te ver?”. Vorcaro então responde: “Ele ta [sic] passando feriado”. A grafia das mensagens foi mantida tal como reproduzidas no celular do dono do Master.
Dez dias depois, na noite de 29 de abril, às 20h11, Vorcaro diz: “Agora to [sic] com alexandre”. A conversa prossegue e, às 22h46, Martha Graeff pergunta: “Quem era o primeiro cara?”, ao que Vorcaro responde: “Alexandre moraes”.
“Morri”, responde Graeff. Ela então faz perguntas que indicam intimidade entre o banqueiro e o ministro do STF: “Ele gostou da casa amor!?? Tá muito mais astral”.
Vorcaro responde: “Sin [sic]. Falou que e [sic] bem melhor. E ele adorava apto”.
Graeff diz então: “Falou pra te agradar. Que vergonha eu tava de pijama. To [isc] indo nanar amor. Te amo muito”.
Reuniões com Ciro e Alexandre
Em três ocasiões, Vorcaro diz que está com “Alexandre”, mas não especifica qual. Em todas, ele menciona “Ciro”, sem especificar se tratava do senador Ciro Nogueira (PP-PI).
Em 20 de março de 2025, à 0h32, Vorcaro diz que “acabou chegando hugo e ciro aqui pra falarem com Alexandre”. Na noite de 21 de maio, às 21h36, ele conta que está em casa com Ciro e Alexandre. Em 8 de agosto, às 18h39, diz que está com Alexandre e que tem reunião com Ciro depois.
Em 17 de maio de 2024, Vorcaro falou a Graeff sobre o senador Ciro Nogueira: “Muito amigo meu. Quero te apresentar. Um dos meus grandes amigos de vida”.
Ao menos uma das referências a “Hugo” nas conversas pode ser diretamente relacionada ao presidente da Câmara, Hugo Motta (Republicanos-PB). Em 26 de fevereiro de 2025, Vorcaro diz à namorada: “To [sic] num jantar na residencia [sic] oficial com Hugo e seis empresario [sic]”. A residência oficial é a casa do presidente da Câmara em Brasília.
A Polícia Federal informou que Luiz Phillipi Machado de Moraes Mourão, o “Sicário” de Vorcaro, se suicidou nesta quarta-feira (4). A Secretaria Estadual de Saúde de MG afirma que não está confirmada a morte de Luiz Philipe e ele segue em cuidados no CTI do Hospital João XXIII. “Sircário” foi encontrado desacordado na cela em que estava na Superintendência da Polícia Federal em Minas Gerais.
A defesa de “Sicário” disse em nota que “esteve pessoalmente com ele durante o dia, até por volta das 14h, quando ele se encontrava em plena integridade física e mental. A informação sobre o incidente de supostamente ter atentado contra a própria vida foi conhecida após a nota de esclarecimento emitida pela Polícia Federal. A defesa acompanha os fatos e se encontra no Hospital João XXIII. Porém, até este momento, não há qualquer confirmação sobre o estado de saúde de Luiz Phillipi”.
Uma investigação interna será aberta pela Polícia Federal para apurar o caso e vídeos que mostram a dinâmica do que aconteceu serão entregues ao gabinete do ministro André Mendonça, relator do processo no Supremo Tribunal Federal (STF). A PF disse que policiais iniciaram procedimento de reanimação e acionaram o Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (Samu), que encaminhou “Sicário” para o hospital.
(Alerta: esta reportagem trata de temas como suicídio e saúde mental. Se você está passando por problemas, veja ao fim do texto onde buscar ajuda.)
As investigações apontam que Sicário tinha papel central na organização criminosa e executava ordens de monitoramento de alvos, extração ilegal de dados em sistemas sigilosos e ações de intimidação física e moral.
Monitoramento e intimidação de funcionários: As mensagens mostram Mourão informando que monitorava um ex-funcionário e se oferecendo para usar “A Turma” para intimidar pessoas, incluindo um funcionário que teria feito uma gravação indesejada envolvendo Vorcaro. Há troca de dados pessoais dos alvos, e Vorcaro orienta levantar informações sobre um funcionário e um chefe de cozinha, sugerindo intimidar um deles para assustar o outro. “O bom de dar sacode no chef de cozinha primeiro. O outro já vai assustar”, diz um dos trechos.
Ameaças contra empregada: Em outro momento, Vorcaro relata estar sendo ameaçado por uma empregada e ordena que Mourão obtenha seu endereço e demais dados. “Empregada Monique me ameaçando. É mole? Tem que moer essa vagabunda”, disse Vorcaro. Mourão pergunta então o que deveria ser feito. Vorcaro responde: “Puxa endereço tudo”.
Pressão e ameaças a jornalista: Após reportagens consideradas negativas, há diálogos sobre monitorar o jornalista Lauro Jardim, do O globo, levantar informações sobre ele e até atacá-lo fisicamente. Vorcaro sinaliza que quer “mandar dar um pau” no jornalista e “Quebrar todos os dentes. Num assalto”. Em resposta às revelações, o jornal O Globo divulgou nota em que afirma repudiar “veementemente as iniciativas criminosas planejadas contra o colunista Lauro Jardim” e diz que a ação, conforme apontado na decisão do ministro André Mendonça.
Decisão do STF sobre quem seria Mourão, o ‘Sicário’ — Foto: Reprodução
Decisão do STF reproduz mensagem em que Vorcaro orienta intimidar funcionário e pessoa ligada a ele. — Foto: Reprodução
A investigação aponta uma “dinâmica violenta evidenciada pelas conversas entre Vorcaro e Mourão”, e indica que ele atuaria como ‘longa manus‘ (expressão do contexto jurídico que indica um agente que atua em nome de outro) da prática das práticas violentas atribuídas à organização.
O relatório fala, ainda, da existência de fortes indícios de que Mourão recebia a quantia de 1 milhão de reais por mês de Vorcaro como remuneração pelos “serviços ilícitos”.
Confira o vídeo abaixo!
Mensagens revelam ordens de Vorcaro para ‘moer’ empregada.
O que dizem os citados
A defesa de Vorcaro negou as acusações e afirmou que o empresário “sempre esteve à disposição das autoridades, colaborando de forma transparente com as investigações desde o início, e jamais tentou obstruir o trabalho das autoridades ou da Justiça.”
Os advogados do banqueiro acrescentaram que confiam no “esclarecimento completo dos fatos demonstrará a regularidade de sua conduta”.
Já a defesa de Fabiano Zettel informou que ele se entregou às autoridades e que está a disposição dos investigadores.
A defesa dos demais citados ainda não respondeu aos contatos da reportagem.
Prevenção ao suicídio
A rede pública de saúde oferece atendimento gratuito para pessoas que estão passando por conflitos emocionais e sofrem com pensamentos ou mesmo o desejo de tirar a própria vida. A ajuda pode ser solicitada por telefone, presencial, ou de forma online; confira abaixo:
CAPS e Unidades Básicas de Saúde (Saúde da Família, Postos e Centros de Saúde)
UPA 24h
SAMU: fone 192
Pronto Socorro
Hospitais
Centro de Valorização da Vida: fone 188 (ligação gratuita)
O CVV – Centro de Valorização da Vida realiza apoio emocional e prevenção do suicídio, atendendo voluntária e gratuitamente todas as pessoas que querem e precisam conversar, sob total sigilo, por telefone, e-mail, chat e voip, 24 horas por dia, todos os dias.
A ligação para o CVV em parceria com o SUS, por meio do número 188, é gratuita a partir de qualquer linha telefônica fixa ou celular.
O ministro André Mendonça, do STF (Supremo Tribunal Federal), determinou nesta quarta-feira (4), nova prisão do empresário Daniel Vorcaro, dono do Banco Master, em nova fase da operação Compilance Zero, que apura suspeitas de fraude na instituição financeira. A prisão foi cumprida pela PF (Polícia Federal), em São Paulo.
De acordo com a PF, a nova fase da operação deflagrada nesta quarta tem como objetivo investigar a possível prática dos crimes de ameaça, corrupção, lavagem de dinheiro e invasão de dispositivos informáticos, praticados por organização criminosa. As investigações contaram com o apoio do Banco Central.
Ao todo, a PF cumpre quatro mandados de prisão preventiva e 15 mandados de busca e apreensão nos estados de São Paulo e Minas Gerais.
Em comunicado à imprensa, agentes também cumpriram ordens de afastamento de cargos públicos e sequestro e bloqueio de bens, no montante de até R$ 22 bilhões, com o objetivo de interromper a movimentação de ativos vinculados ao grupo investigado e preservar valores potencialmente relacionados às práticas ilícitas apuradas.
O ex-presidente Jair Bolsonaro designou o próprio filho Flávio Bolsonaro como um de seus advogados na ação de execução penal do ex-mandatário, no âmbito do inquérito do golpe.
A designação foi informada ao STF pelos demais integrantes da defesa do do ex-presidente por meio de petição protocolada na tarde da segunda-feira (2/3).
“(…) SUBSTABELECE COM RESERVAS DE IGUAIS os poderes a este conferido por JAIR MESSIAS BOLSONARO ao advogado Dr. FLÁVIO NANTES BOLSONARO, OAB/RJ nº 139.446 e OAB/DF nº 67.599”, diz trecho da petição, à qual a coluna teve acesso.
Caso o pedido seja aceito pelo ministro do STF Alexandre de Moraes, Flávio terá mais liberdade para visitar o pai na Papudinha, onde o ex-presidente está preso.
De acordo com a legislação vigente, os advogados podem visitar seus clientes diariamente e mais de uma vez por dia, diferentemente da família e amigos do preso.
Até então, como familiar, Flávio só estava autorizado por Moraes a visitar o ex-presidente na prisão em dois dias da semana: às quartas-feiras e aos sábado.
Por meio de ofício encaminhado ao ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Edson Fachin, nesta segunda-feira (23/2), a Ordem dos Advogados do Brasil (OAB) pediu o encerramento de inquéritos de natureza expansiva e duração indefinida, em especial o Inquérito nº 4.781, conhecido como o inquérito das fake news, que tramita na Corte há quase sete anos.
No documento, assinado por todos os presidentes das seccionais nos estados, a OAB “externa extrema preocupação institucional com a permanência e conformação jurídica de investigações de longa duração“, em especial o inquérito das fake news.
Nos últimos dias, o inquérito voltou ao foco após uma operação de busca e apreensão, determinada pelo ministro Alexandre de Moraes, que teve como alvo quatro servidores que atuam na Receita e são suspeitos de terem acessado e vazado dados sigilosos de parentes de ministros do STF.
A OAB requer, ainda, “que sejam adotadas providências voltadas à conclusão dos chamados inquéritos de natureza perpétua”, bem como a designação de audiência institucional para apresentação de contribuições da advocacia brasileira sobre o tema.
Ambiente de tensão
No ofício, a OAB afirma que “é inegável que a instauração do referido inquérito ocorreu em ambiente de grave tensão institucional, marcado por ataques reiterados à honra e à segurança de ministros da Suprema Corte”, que “desempenhou papel central na defesa da ordem constitucional e na preservação da estabilidade democrática”.
Porém, de acordo com a entidade, “superada a conjuntura mais aguda” que originou o inquérito das fake news, “impõe-se redobrada atenção aos parâmetros constitucionais que regem a persecução estatal”.
“Justamente por se tratar de solução institucional extraordinária, concebida para responder a circunstâncias igualmente extraordinárias, sua condução e permanência no tempo reclamam cautela ainda maior, com estrita observância da excepcionalidade que lhe deu origem e dos limites constitucionais que legitimam a atuação estatal”, sustenta a OAB.
A OAB conclui o ofício solicitando uma audiência com Fachin para expor seus argumentos sobre o tema, pede que “sejam adotadas providências voltadas à conclusão dos chamados inquéritos de natureza perpétua” e que “não haja a instauração de novos procedimentos com essa mesma conformação expansiva e indefinida”.
Inquérito das fake news
O Inquérito nº 4.781 foi criado em março de 2019 pelo ministro da Suprema Corte Dias Toffoli. Na ocasião, ele designou Moraes como relator. O objetivo inicial era investigar o “Gabinete do Ódio”, que teria operado na campanha de Jair Bolsonaro (PL) à Presidência da República, em 2018.
Desde então, o ministro relator tomou medidas para investigar a participação de empresários, influenciadores e políticos na divulgação de informações falsas e ameaças contra magistrados. O caso se desdobrou em outras investigações, como o das milícias digitais, que ganhou um inquérito próprio.
Entre os alvos do inquérito, estão os ex-deputados federais Daniel Silveira (PTB-RJ), preso desde 2023, e Carla Zambelli (PL-SP); a deputada federal Bia Kicis (PL-DF); e influenciadores digitais bolsonaristas, como Allan dos Santos e Oswaldo Eustáquio.
O inquérito corre em sigilo desde sua instauração; por isso, o número completo de investigados e crimes envolvidos não é de conhecimento público. Após sucessivas prorrogações, a investigação segue aberta por prazo indefinido.
Novos desdobramentos
Na última terça-feira (17/2), Moraes determinou novas diligências sobre o caso, agora para apurar o acesso irregular a dados de membros da Corte e parentes, por meio da Receita Federal. Uma operação da Polícia Federal cumpriu mandados de busca e apreensão e medidas cautelares contra alvos suspeitos em três estados.
Moraes ordenou que a Receita rastreasse qualquer consulta ou tentativa de acesso envolvendo os atuais 10 integrantes do Supremo, bem como suas esposas, seus filhos, seus irmãos e todos os ascendentes. O relatório deve ser apresentado após o Carnaval.
Como mostrou o Metrópoles, na coluna de Andreza Matais, o sigilo fiscal da esposa de Moraes, Viviane Barci de Moraes, foi quebrado indevidamente. Os dados do filho de outro ministro do STF também foram acessados sem autorização.
O ministro busca identificar a origem de vazamentos para a imprensa sobre informações que o relacionam ao Banco Master.
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva disse que não é “carnavalesco” ao ser questionado no último domingo (22), sobre as críticas de evangélicos e católicos à ala do desfile da Acadêmicos de Niterói que apresentou “famílias em conserva”. O enredo da escola de samba homenageou o petista este ano.
“Eu não sou carnavalesco. Eu não fiz o samba-enredo. Não cuidei dos carros alegóricos. Eu fui apenas homenageado em uma música maravilhosa”, afirmou Lula, durante entrevista coletiva em Nova Délhi, na Índia.
Segundo o presidente, o enredo foi uma homenagem à saga de sua mãe e não cabia a ele dar palpite sobre o desfile, apenas aceitar ou não a homenagem. “Foi uma pena que a minha mãe já tivesse morrido e não ouvisse a música. A música é, na verdade, uma homenagem à minha mãe.”
A Federação Nacional das Empresas Prestadoras de Serviços de Limpeza e Conservação (Febrac) manifesta preocupação com o avanço da proposta que prevê o fim da escala 6×1 (seis dias de trabalho para um de descanso). Segundo o presidente nacional da entidade, o empresário potiguar Edmilson Pereira, uma mudança imposta de forma abrupta, sem diálogo técnico e sem medidas compensatórias, pode gerar impactos significativos para o setor produtivo, especialmente para as pequenas e médias empresas que concentram grande parte dos empregos formais no Brasil. “É preciso haver uma ampla discussão, pois trata-se de uma iniciativa que pode resultar em repasses de preços, perda de competitividade, avanço da informalidade e até redução de postos de trabalho, o que implica no desemprego de pessoas”, detalha Edmilson.
Destacando que, embora o debate sobre qualidade de vida e equilíbrio entre trabalho e descanso seja legítimo, Edmilson lembra que o setor de serviços — que inclui limpeza, facilities, gestão de resíduos e recursos humanos — é hoje um dos principais pilares da geração de empregos no país. Dados do Novo Caged indicam que, entre janeiro e julho de 2025, o segmento registrou saldo positivo superior a 80 mil vagas formais. Trata-se de uma atividade intensiva em mão de obra, com contratos atrelados a licitações públicas e privadas, margens reduzidas e elevada carga tributária sobre a folha de pagamento.
Para a Febrac, a redução da jornada sem redução salarial implicaria aumento direto dos custos operacionais. Empresas que operam sete dias por semana (como hospitais, escolas, aeroportos e prédios públicos) teriam de ampliar seus quadros para manter a mesma oferta de serviços. O impacto financeiro tende a ser expressivo: ao manter o salário para menos dias trabalhados, o custo diário do empregado aumenta, exigindo novas contratações para cobrir a escala. Esse acréscimo pode superar 20% em determinados segmentos, pressionando contratos e reajustes de preços ao consumidor.
“Uma alteração desse porte precisa ser amplamente debatida. Mudanças precipitadas podem produzir desequilíbrios econômicos e sociais que atingem principalmente as pequenas empresas, que têm menor capacidade de absorção de custos adicionais”, afirma o presidente da Febrac, Edmilson Pereira.
Além do impacto direto na folha, Edmilson Pereira ressalta que o Brasil já possui uma das maiores cargas tributárias incidentes sobre o emprego formal. Encargos trabalhistas e previdenciários elevam substancialmente o custo de contratação. Sem medidas como a desoneração da folha ou uma transição gradual, o peso da mudança tende a recair exclusivamente sobre o empregador, e, por consequência, sobre a sociedade.
Diante disso, a Febrac também observa que a jornada média efetivamente trabalhada no Brasil já gira em torno de 39 horas — semanais, um valor inferior ao limite legal máximo de 44 horas previsto na Constituição Federal —, fruto de negociações coletivas e arranjos setoriais. Para a entidade, o modelo atual permite flexibilidade e adaptações conforme a realidade de cada segmento econômico. A imposição de uma regra única desconsidera a diversidade produtiva do país e pode comprometer serviços essenciais prestados à população.
“Essa proposta deve ser discutida no âmbito das convenções coletivas, respeitando as especificidades de cada setor. Sem uma transição responsável e sem a divisão equilibrada dos custos, inclusive com participação do Estado por meio da redução de encargos, corremos o risco de prejudicar exatamente o trabalhador que se pretende beneficiar”, destaca Edmilson Pereira.
A Federação finaliza reforçando que não é contrária ao debate sobre modernização das relações de trabalho, mas defende que qualquer mudança estrutural seja construída com responsabilidade fiscal, segurança jurídica e previsibilidade econômica. Para a entidade, o foco deve estar no impacto para toda a sociedade, garantindo a preservação do emprego formal, da competitividade das empresas e da continuidade dos serviços essenciais.
O operador do esquema de desvio de dinheiro de aposentados e pensionistas, Antônio Carlos Camilo Antunes, prepara uma proposta de delação premiada. O Careca do INSS, como ficou conhecido, está preso desde 12 de setembro do ano passado. A coluna apurou que a disposição em delatar cresceu após familiares dele virarem alvo das investigações, especialmente depois da prisão de seu filho, Romeu Carvalho Antunes. Ele foi capturado em dezembro do ano passado, acusado de ser o braço do pai no esquema.
A CPMI do INSS também mira Tânia Carvalho dos Santos, mulher do Careca do INSS. No ano passado, os parlamentares aprovaram requerimento para tomar o depoimento dela, mas a oitiva ainda não foi agendada.
Nas últimas semanas, Careca reuniu advogados para colocar no papel uma proposta de delação. A coluna apurou que ele está disposto a entregar seus negócios com o filho do presidente Lula, Fábio Luiz Lula da Silva. Seus interlocutores dizem que as operações envolvem o lobby nas áreas de educação e saúde, bem como o próprio esquema do INSS.
O relator das investigações é o ministro André Mendonça, do Supremo. O mesmo que irá relatar o caso do Banco Master, com a saída de Dias Toffoli.
Os negociadores de uma eventual delação têm dúvidas, contudo, se uma proposta seria aceita. O MP não consentiu, por exemplo, a delação de Beto Louco sobre esquema de corrupção envolvendo adulteração de combustíveis.
Lulinha vive em Madri, na Espanha
Como revelou a coluna, Lulinha se mudou para Madri, na Espanha, desde que as investigações sobre o esquema do INSS avançaram. Ele nunca comentou o assunto. Coube ao presidente Lula falar pelo filho.
“Eu chamei meu filho aqui, e falo isso para todo mundo. Olhei no olho do meu filho e falei: ‘Você sabe a verdade, só você sabe a verdade. Se você tiver alguma coisa, você vai pagar o preço de ter alguma coisa. Se você não tiver, se defenda’”, afirmou ao UOL.
Na mesma entrevista, o presidente disse que defendeu a instalação da CPMI do INSS. Só omitiu que sua ministra das Relações Institucionais, Gleisi Hoffmann, e sua base de apoio no Congresso atuam contra as investigações, sobretudo as que envolvem uma suposta participação de Lulinha.
Os negócios de Lulinha
O filho do presidente teria sido contratado pelo Careca para ajudar na empresa de cannabis medicinal, a World Cannabis. A companhia tinha operações nos Estados Unidos, em Portugal e no Brasil. Lulinha auxiliaria na articulação política do projeto.
Segundo um colaborador da PF, Lulinha teria recebido R$ 25 milhões de Careca, além de uma mesada de R$ 300 mil.
O plano da World Cannabis seria produzir medicamentos à base de cannabis e vender esses insumos ao Sistema Único de Saúde (SUS). A empresa chegou a elaborar um projeto para apresentar ao Ministério da Saúde, batizado de Projeto Amazônia. Como revelou a coluna, Lulinha viajou para Portugal com o Careca do INSS, que pagou as despesas aéreas.
Alta cúpula do Congresso
Uma delação de Careca do INSS, contudo, não atingiria apenas o filho do presidente. A PF também investiga a participação de autoridades com foro no esquema. Um deles, o vice-líder do governo Lula no Senado, Weverton (PDT-MA).
A defesa de Careca tem negado que ele irá propor uma delação premiada.
O ministro Dias Toffoli deixou a relatoria do caso Master no STF. A decisão ocorre após relatório da Polícia Federal (PF) apontar menções ao nome do magistrado no celular de Daniel Vorcaro, dono do banco Master.
O material foi entregue pessoalmente pelo diretor-geral da PF, Andrei Rodrigues, ao presidente do STF, Edson Fachin, na segunda-feira (9/2). O movimento aumentou a pressão pela saída de Toffoli da relatoria do processo na Corte.
A decisão da saída de Toffoli do caso Master foi tomada durante reunião entre ele e os demais nove ministros em exercício na Corte, na tarde da quinta-feira (12/2) — a vaga de Luís Roberto Barroso, que deixou o STF em outubro, ainda não foi preenchida.
Na reunião, houve um acordo em que os ministros rejeitaram o pedido de suspeição contra Toffoli e consideraram todos os atos do magistrado no processo como legítimos. Em troca, ele deixa a relatoria e o caso será redistribuído para outro ministro.
Após a reunião, os 10 ministros do Supremo emitiram uma nota afirmando que afastaram a possibilidade de suspeição do relator e manifestaram “apoio pessoal” ao ministro Dias Toffoli após as revelações sobre as mensagens com Vorcaro.
Ainda segundo a nota, foi decisão do próprio Toffoli de enviar seus atos no caso Master para redistribuição do presidente da Corte, Edson Fachin.
Confira a nota na íntegra:
Os dez Ministros do Supremo Tribunal Federal, reunidos em 12 de fevereiro de 2026, considerando o contido no processo de número 244 AS, declaram não ser caso de cabimento para a arguição de suspeição, em virtude do disposto no art. 107 do Código de Processo Penal e no art. 280 do Regimento Interno do STF.
Reconhecem, assim, a plena validade dos atos praticados pelo Ministro Dias Toffoli na relatoria da Reclamação n. 88.121 e de todos os processos a ela vinculados por dependência.
Expressam, neste ato, apoio pessoal ao Exmo. Min. Dias Toffoli, respeitando a dignidade de Sua Excelência, bem como a inexistência de suspeição ou de impedimento. Anote-se que Sua Excelência atendeu a todos os pedidos formulados pela PF e PGR.
Registram, ainda, que a pedido do Ministro Dias Toffoli, levando em conta a sua faculdade de submeter à Presidência do Tribunal questões para o bom andamento dos processos (RISTF, art. 21, III) e considerados os altos interesses institucionais, a Presidência do Supremo Tribunal Federal, ouvidos todos os Ministros, acolhe comunicação de Sua Excelência quanto ao envio dos feitos respectivos sob a sua Relatoria para que a Presidência promova a livre redistribuição.
A Presidência adotará as providências processuais necessárias, para a extinção da AS e para remessa dos autos ao novo Relator.
Assinam: Luiz Edson Fachin, Presidente Alexandre de Moraes, Vice-Presidente Gilmar Mendes Cármen Lúcia Dias Toffoli Luiz Fux André Mendonça Nunes Marques Cristiano Zanin Flávio Dino
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) afirmou nesta segunda-feira (9) que o caso do Banco Master marca “a primeira vez na história do Brasil” em que o país passa a perseguir “os magnatas da corrupção”. A declaração foi feita durante uma cerimônia de anúncios de investimentos em educação e saúde, em Mauá (SP).
“Vocês estão vendo a nossa briga com o tal do Banco Master. É a primeira vez na história do Brasil que estamos perseguindo os magnatas da corrupção desse país. Não é prender o cara que está na favela ou matar ele não. É prender aquele que está de terno e gravata e mora em apartamento de cobertura ou mora em Miami”, disse.
O presidente também citou a conversa que teve com o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, sobre uma cooperação internacional contra o crime organizado.
“Eu, por exemplo, conversei com o Trump e o Trump falou: ‘presidente Lula, eu quero combater o crime organizado’. E eu falei: ‘eu também quero. Você quer combater de verdade, me entregue os bandidos brasileiros que estão lá [nos EUA]’”, declarou.
Segundo Lula, o combate deve atingir as estruturas de poder no país. “Ou a gente acaba com a corrupção das classes poderosas desse país, ou eles voltam a acabar com o povo brasileiro”, disse.
Marco Aurélio, do STJ, solicitou afastamento médico após a abertura de sindicância por suspeita de importunação sexual; o ministro nega as acusações | BNews Natal – Divulgação Sérgio Amaral/STJ
O ministro Marco Aurélio Buzzi, do Superior Tribunal de Justiça (STJ), apresentou atestado médico e solicitou afastamento das próximas sessões da Corte. A licença foi confirmada nesta quinta-feira (5), um dia após o tribunal instaurar sindicância para apurar uma acusação de importunação sexual atribuída ao magistrado.
A denúncia envolve uma jovem de 18 anos, que registrou boletim de ocorrência relatando ter sido vítima de uma tentativa de agressão durante um banho de mar. Segundo o relato, o episódio teria ocorrido no mês passado, durante férias em Balneário Camboriú, no litoral de Santa Catarina, quando o ministro estava acompanhado da jovem e dos pais dela, que seriam amigos pessoais.
O afastamento do magistrado ocorre em meio ao avanço das apurações administrativas e judiciais sobre o caso. O ministro nega a acusação e afirma que os fatos divulgados não correspondem à realidade.
Apuração no CNJ e no STF
Além da sindicância aberta no âmbito do STJ, o caso também é analisado pelo Conselho Nacional de Justiça (CNJ), responsável por apurar eventuais responsabilidades administrativas.
Já a investigação criminal está sob a condução do ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Nunes Marques, uma vez que Marco Aurélio Buzzi possui foro por prerrogativa de função.
Em nota divulgada à imprensa na quarta-feira (4), o ministro afirmou ter sido surpreendido com a repercussão da denúncia e negou qualquer conduta imprópria.
“O ministro Marco Buzzi informa que foi surpreendido com o teor das insinuações divulgadas por um site, as quais não correspondem aos fatos. Repudia toda e qualquer ilação de que tenha cometido ato impróprio”, declarou.
O advogado Daniel Bialski, que representa a jovem e a família, afirmou que a prioridade, neste momento, é garantir a preservação da vítima. Segundo ele, a defesa aguarda que as investigações sejam conduzidas com rigor pelos órgãos competentes, diante da gravidade da denúncia.
O STJ ainda não informou prazo para conclusão da sindicância nem se o afastamento médico poderá ser prorrogado, a depender da evolução do quadro de saúde apresentado pelo ministro.
A caminhada do deputado Nikolas Ferreira (Republicanos-MG), que começou na segunda-feira (19), chegou na tarde deste sábado (24) ao Distrito Federal. Um vídeo, publicado por Nikolas nas redes sociais, mostra a chegada do movimento ao estado central do país.
Segundo apurado pela rádio Itatiaia, Nikolas começou a usar um colete à prova de balas nos últimos dias do movimento promovido por ele em defesa do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) e contra as ações do Supremo Tribunal Federal (STF).
A assessoria do parlamentar alega que o uso do colete, preventivamente, se deve a ameaças recentes feitas contra ele. A origem e a autoria das supostas ameaças não foram divulgadas.
Nikolas Ferreira saiu na segunda-feira (19) do município de Paracatu, no Noroeste de Minas Gerais, com destino a Brasília, na capital federal. O gesto simbólico do parlamentar, após ser amplamente divulgado nas redes sociais, ganhou a adesão de outros membros do Congresso, apoiadores de Bolsonaro e também de eleitores do deputado federal.
A expectativa é que a manifestação, que seguiu pela BR-040, seja encerrada no domingo (25), na Praça do Cruzeiro, em Brasília.
Segundo o deputado, o objetivo do ato simbólico é protestar contra decisões do Supremo Tribunal Federal (STF) em relação aos condenados pelos atos antidemocráticos de 8 de janeiro de 2023, especialmente o ex-presidente Jair Bolsonaro — condenado por tentativa de golpe de Estado após a derrota nas eleições de 2022 e preso no Complexo da Papuda, em Brasília.
Weslley Carvalhaes, filho da cantora gospelShirley Carvalhaes, morreu na tarde da última sexta-feira (23/1), aos 35 anos. A causa da morte foi confirmada à coluna pelo empresário da artista. O jovem estava em tratamento de uma forte pneumonia, precisou ser internado às pressas no dia 25 de dezembro do ano passado e, desde então, seu quadro se agravou.
O empresário da artista informou ainda que o velório e a cerimônia de despedida serão realizados apenas para pessoas mais próximas, junto com a família biológica de Weslley, optando por manter o momento restrito e íntimo.
O pronunciamento de Shirley Carvalhaes
A própria Shirley comunicou o falecimento nas redes sociais, onde também agradeceu o apoio recebido. “Agradecemos as orações de todos, mas nessa tarde Deus recolheu nosso menino”, escreveu a cantora. Ela relembrou momentos vividos com o filho: “Obrigada pelos momentos vividos, pelas brincadeiras, pelos sorrisos nos momentos tristes, que agora irão ficar em nossa lembrança.”
Horas antes do falecimento, a cantora havia solicitado uma corrente de orações e publicado um desabafo sobre a gravidade do estado de saúde de Weslley.
A postagem mobilizou fãs e seguidores, que manifestaram solidariedade à artista, incluindo uma mensagem de apoio da ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro: “Em oração pelo seu filho amado, minha irmã.”
Quem era Weslley Carvalhaes
Weslley atuava como estrategista de marketing há pelo menos cinco anos. Filho adotivo de Shirley Carvalhaes, ele recebeu homenagens de fãs e da própria cantora, que lamentou profundamente a perda nas redes sociais. A agenda da artista gospel foi suspensa durante o período de luto.
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva se manifestou nas redes sociais neste sábado (3) sobre o ataque dos Estados Unidos à Venezuela e a captura do presidente Nicolás Maduro. Em publicação, Lula classificou a ação como uma “afronta gravíssima” à soberania venezuelana e alertou para os riscos à estabilidade internacional.
Segundo o presidente, os bombardeios em território venezuelano e a prisão do chefe de Estado ultrapassam “uma linha inaceitável” e representam um precedente considerado extremamente perigoso para a comunidade internacional.
Lula afirmou ainda que atacar países em flagrante violação do direito internacional abre caminho para um mundo marcado pela violência e pela instabilidade, no qual “a lei do mais forte prevalece sobre o multilateralismo”.
Na mensagem, o presidente reforçou que a condenação ao uso da força está alinhada à posição histórica do Brasil em crises internacionais recentes e disse que a ação lembra “os piores momentos da intervenção na política da América Latina e do Caribe”.
Por fim, Lula defendeu uma resposta firme da comunidade internacional, por meio da Organização das Nações Unidas (ONU), e afirmou que o Brasil condena as ações e segue à disposição para promover o diálogo e a busca pela paz na região.