Um tablet apreendido pela Polícia Federal com Daniel Vorcaro, ex-controlador do Banco Master, continua bloqueado e sem acesso aos dados quase dez meses após a apreensão. O dispositivo foi recolhido na primeira fase da Operação Compliance Zero, em novembro de 2025.
Segundo informações divulgadas sobre o caso, a PF ainda não conseguiu extrair os dados do equipamento porque não dispõe da senha numérica utilizada para desbloqueá-lo. Além disso, as ferramentas tecnológicas disponíveis para a perícia seriam incompatíveis com o modelo do tablet. O aparelho permanece lacrado sob custódia da corporação.
A dificuldade ocorre em meio à ampliação da análise de dispositivos eletrônicos apreendidos na investigação que apura suspeitas de fraudes relacionadas ao Banco Master. A Polícia Federal já conseguiu extrair dados de celulares ligados a Vorcaro e encaminhou cópias do material aos ministros do Supremo Tribunal Federal que solicitaram acesso.
Em setembro, a PF informou ao presidente do STF, ministro Edson Fachin, que mantém sob sua custódia o material original extraído do celular de Vorcaro, com a cadeia de custódia documentada e os mecanismos de verificação de integridade preservados. A corporação também afirmou ter condições técnicas de produzir cópias idênticas da extração para os gabinetes dos ministros que solicitaram o conteúdo.
O tablet, no entanto, permanece em uma situação diferente. Até o momento, os peritos não conseguiram acessar o conteúdo armazenado no dispositivo. A expectativa é que novas ferramentas ou procedimentos técnicos possam permitir o desbloqueio e a posterior extração dos dados.
O equipamento é considerado potencialmente relevante para a investigação, mas não há, até o momento, informação pública sobre quais dados estão armazenados no tablet ou sobre eventual conteúdo que possa ser encontrado após o desbloqueio. A impossibilidade de acesso também não significa que existam informações específicas sobre irregularidades no aparelho.
A Operação Compliance Zero investiga suspeitas envolvendo operações do Banco Master e outras instituições financeiras. A análise dos equipamentos eletrônicos apreendidos faz parte da apuração conduzida pela Polícia Federal.