Idema libera obras do Terminal Pesqueiro de Natal, fechado há 16 anos

Idema libera obras do Terminal Pesqueiro de Natal, que terá mais de R$ 11 milhões em investimentos no primeiro ano. Foto: Reprodução.

O Instituto de Desenvolvimento Sustentável e Meio Ambiente do Rio Grande do Norte (Idema) emitiu a licença de instalação que autoriza a retomada das obras de adequação do Terminal Pesqueiro Público de Natal. A estrutura, localizada às margens do Rio Potengi, está fechada desde 2010 e deverá iniciar as operações até dezembro de 2027, conforme o contrato de concessão.

A licença foi concedida à Turc Operações Marítimas Ltda., empresa que assumiu a gestão do terminal após o leilão realizado pelo Ministério da Pesca e Aquicultura (MPA) em agosto de 2025. O documento permite a execução de obras, montagem de estruturas e serviços de adequação, mas não autoriza o início das atividades comerciais.

Para operar, a concessionária deverá concluir as intervenções previstas no contrato e solicitar ao Idema a Licença de Operação (LO).

Terminal foi leiloado por R$ 21 mil

O Terminal Pesqueiro de Natal foi leiloado em 18 de agosto de 2025. A Turc foi a única empresa habilitada e apresentou proposta de R$ 21 mil pela concessão de uso do equipamento por 20 anos. O contrato foi assinado em 12 de dezembro do mesmo ano.

O valor pago corresponde à outorga da concessão e não inclui os investimentos necessários para concluir, modernizar e equipar o terminal.

As obras da estrutura começaram em 2009 e foram interrompidas no ano seguinte, quando o empreendimento estava com cerca de 95% da construção concluída. Desde então, o terminal permaneceu sem operação comercial. Parte do cais é utilizada de maneira improvisada para reparos de embarcações.

O equipamento tem capacidade para armazenar até 50 mil quilos de pescado e foi projetado para atender tanto a pesca oceânica quanto a artesanal.

O projeto de concessão prevê:

Revitalização e modernização da estrutura;
Operação, manutenção e gestão do terminal;
Instalação de uma fábrica de gelo;
Serviços de água, combustível e energia;
Estrutura para lavagem, conservação e acondicionamento dos pescados;
Organização da utilização do píer pelas embarcações.

A concentração desses serviços no terminal deve reduzir etapas logísticas e facilitar o acesso dos pescadores a insumos necessários à atividade.

Concessionária terá prazo para cumprir exigências

A licença de instalação emitida pelo Idema tem validade até 2031. A Turc, porém, deverá apresentar parte das condicionantes ambientais e técnicas no prazo de 60 dias a partir da emissão do documento.

Entre as exigências estão declarações atualizadas da Companhia de Águas e Esgotos do Rio Grande do Norte (Caern) sobre a viabilidade dos sistemas de abastecimento de água e esgotamento sanitário, além de um projeto de drenagem.Praias e ilhas

O prazo de validade da licença corresponde ao limite para solicitação da Licença de Operação. A empresa poderá fazer o pedido antes, após concluir as obras e atender às exigências estabelecidas pelo órgão ambiental.

Daniel Penteado Lana, diretor-executivo da Oportuna Terminais Pesqueiros e Negócios Marítimos, empresa integrante da Sociedade de Propósito Específico criada pela Turc para administrar o terminal, confirmou o recebimento da licença.

Segundo ele, ainda não há uma data definida para o início das obras obrigatórias. Os preparativos, contudo, seguem o cronograma estabelecido no contrato.

“Estamos equacionando junto à Neoenergia Cosern a eletrificação do Terminal, considerando as características técnicas e necessidades de consumo operacional, além de seguirmos com os esforços pela limpeza e organização física e também a atualização dos estudos de viabilidade técnica e operacional das atividades obrigatórias e complementares pelo edital”, afirmou Lana.

A ligação de energia é necessária para o funcionamento de equipamentos de refrigeração e fabricação de gelo, além dos sistemas utilizados na lavagem e conservação dos pescados.

Investimentos podem superar R$ 185 milhões

O contrato prevê investimentos superiores a R$ 11 milhões no primeiro ano da concessão. Ao longo dos 20 anos, o montante poderá ultrapassar R$ 185 milhões.

As primeiras metas deverão ser cumpridas em até dois anos após a assinatura do contrato. Entre elas estão:

Garantir a atracação simultânea de pelo menos duas embarcações de pesca artesanal;
Estabelecer regras para ocupação do píer;
Viabilizar o acesso ao terminal;
Alcançar capacidade efetiva para receber 93 toneladas mensais de pescado artesanal;
Estruturar os serviços de desembarque, lavagem, seleção e preparação dos produtos para transporte e comercialização.

No terceiro ano da concessão, o terminal deverá ter capacidade para realizar integralmente serviços de lavagem, higienização, acondicionamento, transporte e expedição de pelo menos 93 toneladas mensais de pescado artesanal.

Também está prevista uma área de carregamento para três caminhões-baú ou veículos semelhantes.

O contrato estabelece ainda metas para a produção e oferta de pelo menos 464 toneladas de gelo por mês, além do fornecimento mensal de 120 mil litros de combustível e 116 metros cúbicos de água. A energia elétrica necessária para a operação também deverá estar disponível.

Atividades complementares poderão ser incorporadas ao empreendimento mediante autorização do Ministério da Pesca e Aquicultura, responsável pela concessão.

A emissão da licença ambiental permite o avanço das etapas necessárias para colocar o Terminal Pesqueiro de Natal em funcionamento. A conclusão das obras, a instalação dos sistemas técnicos, a regularização dos serviços públicos e o cumprimento das exigências ambientais ainda são necessários antes do início da operação comercial.