
O Banco Master pagou diretamente a Entre Investimentos R$ 2,329 milhões de reais em 2025, segundo as declarações de Imposto de Renda do banco. A empresa entrou no radar do caso Master após uma reportagem do The Intercept Brasil na tarde desta quarta-feira (13) apontar um acerto de R$ 134 milhões entre o pré-candidato à presidência Flávio Bolsonaro (PL) e o banqueiro Daniel Vorcaro para o financiamento de um filme sobre a trajetória política do seu pai, o ex-presidente Jair Bolsonaro.
Os dados constam no material entregue pela Receita Federal à CPI do Crime Organizado no Senado Federal e obtido pela equipe da coluna. De acordo com o Intercept, a Entre Investimentos teria sido utilizada para repasses de dinheiro entre Vorcaro e a produção do filme “Dark Horse”, que será lançado a menos de um mês do primeiro turno das eleições.
Segundo a reportagem, o dono do Master deixou claro em mensagens que os repasses eram prioridade absoluta. A articulação teria envolvido o deputado cassado Eduardo Bolsonaro (PL), o deputado federal Mario Frias (PL-SP), creditado como um dos roteiristas do filme, e o dono da agência Mithi, Thiago Miranda, sócio e fundador do Portal Léo Dias.
A Entre Investimentos tem como sócio-administrador Antonio Carlos Freixo Júnior. Ambos são os controladores da revista IstoÉ, que, segundo Thiago Miranda afirmou à equipe da coluna, foi adquirida indiretamente por Vorcaro ao lado de outros veículos de comunicação com o objetivo de formar um conglomerado midiático. Ainda de acordo o site, o pagamento dos R$ 134 milhões se daria através de 14 parcelas.
A reportagem do Intercept reproduz mensagens trocadas em janeiro de 2025 entre Vorcaro e seu cunhado, Fabiano Zettel, tido pelos investigadores como seu operador financeiro, na qual o CEO do Master reclama de atrasos no pagamento das parcelas. Zettel, então, relata entraves para concluir os repasses, que seriam feitos em dólar por meio de remessas internacionais.
O banqueiro, então, orienta o cunhado a realizar o pagamento por meio da Entre Investimentos. Dias depois, Zettel pergunta se poderia “pedir pro Minas” – referência a Freixo Júnior, cujo contato foi salvo no celular de Vorcaro como “Mineiro”.
De acordo com o site, Fabiano Zettel pouco tempo depois um comprovante do repasse de US$ 2 milhões para um fundo ligado à produção do filme pela Entre Investimentos.
Procurada, a assessoria de Vorcaro ainda não se manifestou. O banqueiro e Zettel estão presos desde a segunda fase da Operação Compliance Zero em março. A equipe da coluna tenta contato com a assessoria de Flávio Bolsonaro.
Produção reúne estrelas de Hollywood
O filme “Dark Horse” tem estreia prevista para 11 de setembro e deverá servir de munição da tropa de choque bolsonarista na guerra de narrativas da disputa eleitoral, ao recontar a trajetória do ex-presidente, com destaque para o episódio do atentado à faca na campanha de 2018.
O longa-metragem é estrelado pelo ator americano Jim Caviezel, que interpreta Bolsonaro e se tornou célebre no papel de Jesus Cristo no filme “A paixão de Cristo”, de Mel Gibson. Caviezel passou cerca de três meses no Brasil gravando cenas da produção, que conta com outros nomes hollywoodianos, como Esai Morales, que interpretou o vilão de “Missão: Impossível – O acerto final”.
Segundo a ficha técnica do filme no site IMDb, o ator brasileiro Marcus Ornellas interpretará Flávio. A produção também escalou outros artistas para viver Eduardo e Carlos Bolsonaro, além da ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro.
Com informações de O GLOBO