Comissão especial da reforma da Previdência define plano de trabalho

O presidente da comissão especial que vai analisar o mérito da reforma da Previdência na Câmara, deputado Marcelo Ramos (PR-AM), reúne-se na manhã desta terça (30), em Brasília, com líderes partidários para definir o plano de trabalho do colegiado. Instalada na semana passada, a comissão, composta por 49 membros e 49 suplentes de 25 partidos, terá a primeira sessão no dia 7 de maio.

Além dos líderes dos partidos que compõem a comissão, o relator da Proposta de Emenda à Constituição (PEC 6/2019), deputado Samuel Moreira (PSDB-SP), e o vice-presidente da comissão, deputado Silvio Costa Filho (PRB-PE), estarão presentes à reunião.

Em uma semana com poucas atividades legislativas por causa do feriado do Dia do Trabalho, nesta quarta (1º), Marcelo Ramos deve definir o cronograma de trabalho, com reuniões de audiência pública com autoridades e especialistas, além das datas prováveis de discussão e votação da proposta.

Calendário da comissão

Na tarde desta terça, ele pretende se reunir com a equipe técnica do governo para dialogar sobre o calendário dos trabalhos da comissão.

O deputado informou nesta segunda (29) que os primeiros debates terão a equipe técnica do governo. Em seguida, o parlamentar quer ouvir governadores, prefeitos e representantes de corporações na comissão especial.

Em entrevista ao programa Revista Brasil, da Rádio Nacional, na sexta-feira (26), Ramos disse que fará todos os esforços para que até julho a proposta esteja pronta para ir a votação em plenário.

Ele avaliou que alguns pontos do texto enviado pelo governo federal são “quase natimortos”. Segundo ele, os partidos do centro são contrários a mudanças nas regras do Benefício de Prestação Continuada (BPC) e da aposentadoria rural e à criação de um sistema de capitalização. Na avaliação de Ramos, esses três itens “não têm nenhuma condição política de serem superados”.

Para o deputado, o desafio da comissão será encontrar uma calibragem que atenda ao ajuste fiscal das contas públicas sem prejudicar as pessoas de menor renda.

(Diário do poder)

Bolsonaro vai reunir ministros para tratar da situação na Venezuela

O presidente Jair Bolsonaro vai reunir no início da tarde desta terça (30) ministros de Estado e o vice-presidente Hamilton Mourão, no Palácio do Planalto, para tratar da situação da Venezuela.

Juan Guaidó, reconhecido pelo governo brasileiro como presidente encarregado da Venezuela, disse hoje que tem o apoio dos militares para, segundo ele, conseguir “o fim definitivo da usurpação” do governo de Nicolás Maduro.

Guaidó convocou às ruas todos os venezuelanos que se comprometeram a se manifestar para exigir a saída de Maduro.

Além de Mourão, participam da reunião os ministros das Relações Exteriores, Ernesto Araújo, da Defesa, Fernando Azevedo, e do Gabinete de Segurança Institucional (GSI), general Augusto Heleno.

(Diário do poder)

Comandantes manifestaram lealdade ao seu governo, afirma Nicolás Maduro

O ditador da Venezuela, Nicolás Maduro, usou sua conta no Twitter na manhã desta terça (30) para afirmar que conversou com comandantes, que teriam manifestado lealdade ao seu regime.

“Falei com os comandantes de todas as REDI [Regiões de Defesa Integral] e ZODI [Zonas de Defesa Integral] do país, que me mostraram sua total lealdade ao povo, à Constituição e à pátria. Convoco mobilização popular máxima para assegurar a vitória da paz. Nós vamos vencer”, declarou.

Mais cedo, Maduro já havia replicado em sua conta na rede social uma postagem do presidente boliviano, Evo Morales, que condenou o que chamou de golpe de estado. “Certo de que a corajosa Revolução Bolivariana, comandada pelo irmão Nicolás Maduro, será imposta contra esse novo ataque”, afirmou o boliviano, respaldado pelo ditador Venezuelano.

Na manhã desta terça, o autoproclamado presidente interino da Venezuela, Juan Guaidó, afirmou ter apoio dos militares para derrubar o regime de Nicolás Maduro. Em um vídeo divulgado em uma rede social, Guaidó chamou a população às ruas para dar um fim ao que chamou de “usurpação” na Venezuela.

“As Forças Armadas tomaram a decisão correta, contam com o apoio do povo da Venezuela, com o aval de nossa Constituição, com a garantia de estar do lado certo da história”, afirmou Guaidó. “Povo da Venezuela, é necessário que saímos juntos para a rua, para apoiar as forças democráticas e recuperar a nossa liberdade.”

No Brasil, o presidente Jair Bolsonaro convocou uma reunião com ministros e o vice-presidente Hamilton Mourão para tratar da situação venezuelana. Participam os ministros das Relações Exteriores, Ernesto Araújo; da Defesa, Fernando Azevedo; e do Gabinete de Segurança Institucional (GSI), general Augusto Heleno.

Por meio do secretário de Estado, Mike Pompeo, os Estados Unidos declararam “apoiar totalmente o povo da Venezuela em sua busca por liberdade e democracia”. Pompeo completou, dizendo que a democracia não pode ser derrotada.

(Diário do poder)

Um grande desafio

Padre João Medeiros Filho

Segundo psicólogos, cientistas sociais e demaisestudiosos do comportamento humano, vive-se hoje um tempo de desinteligência, incultura, deselegância de gestos, arrogância, intransigência e bazófia. Cercam-nos laços de impostura e ausência de estatura cívica. Somos vítimas da rudeza de espírito e indigência moral. Deparamo-nos com sandices imensuráveis e incontáveis violações, em cenário crescente de decadência dasociedade civilizada. Um dos paradoxos dolorosos denossos dias reside no fato de que alguns medíocres pretendem ser detentores da verdade absoluta. Por outro lado, aqueles que pensam estão mergulhados em dúvidas e questionamentos. Como sentimos falta dos ensinamentos de polidez e urbanidade. Indaguem às ex-alunas da secular Escola Doméstica de Natal e aos egressos de tradicionais colégios potiguares, especialmente os religiosos. Há escassez de lições de etiquetas. Fomos da época do“Pequeno manual de civilidade para uso da mocidade”, da coleção F.T.D (orientada pelos irmãos maristas). É preciso saber usar o que se aprendeu na escola de nossos antepassados. Ali havia criatividade, beleza, valores humanos e especialmente baliza ética. Transmitia-se umaeducação generosa. Buscava-se incutir nos jovenscivilidade básica, polidez, elegância, respeito ao outro, solidariedade humana e cristã.

É necessário ler e refletir bastante (Ah! O livro, esse esquecido), ouvir canções com letras ricas em conteúdo, poéticas e de ritmos mais suaves. É imprescindívelabandonar um pouco o smartphone e voltar às rodas de conversas com familiares e amigos (alguns irão dizer: “padre velho cafona, saudosista e caviloso”). É importanteusufruir da natureza para superar a crueldade dos dias sem saída ou solução aparente. Deve-se procurar dialogar com pessoas sensatas, delicadas, do bem e de bem. Não se pode desprezar a suavidade e a tenacidade, a independência e a maleabilidade. Há carência da verdadeira tolerância e do autêntico respeito às diferenças. Falta firmeza, porém sem intransigência, de pessoas autênticas, vivendo outros ritos e expressões. Assim poder-se-á manter a integridade, o fio da lucidez do desafio de conservar-se de pé em meio a um vendaval de modos toscos e ideias rasas.Para vencer as contradições do mundo, só muita espiritualidade eprofundidade interior”, aconselhou recentemente o Papa Francisco.

A sociedade hodierna faz-nos incessantes apelos para que voltemos a pensar com o cabedal ético e axiológico,formado ao longo dos anos. É preciso não esmorecer e capitular. É fundamental saber dizer não ao conluio obscuro, à satânica e soturna cooptação de desvioshumanos e sociais. Aprendamos a não ficar ouvindo osladinos ventríloquos de discursos do oportunismo no campo político, econômico e religioso.

O convívio social nos impele ao exílio forçado, àretirada imposta pelo toque de recolher, oriundo dos partidos, sindicatos, grupos etc. Há que ter fé, paciência, coragem e esperança. Um vasto e surpreendente caminho deve ser percorrido nos territórios de nossa livre expressão. Defendamos veementemente as searas íntimas e exteriores da insubmissão ao que se pretende e tenta impor a nossa sociedade. Tudo passa, tudo se transforma ese desloca nos imensos terrenos da construção das amizades e culturas. Não poderemos esquecer que haverá lugar para a solidariedade, o amor à vida e respeito ao ser humano.

O apóstolo Paulo já advertia o seu discípulo Tito: “Há muitos revoltados, faladores fúteis e impostores. É preciso calar-lhes a boca. Movidos por interesses torpes chegam a dividir famílias inteiras” (Tt 1, 10-11). Talvez, se vivesse entre nós, diria assim: desconfiai da arrogância de algunsou da falsa aparência de outros. Podem estar escondendoalgum veneno letal. Tem-se de examinar, sobretudo, o que é apresentado como normal ou tido como coisa natural, nos dias de hoje. Em tempo de desordem, ódio,divergências, radicalismos e arbitrariedade, em períodos de mentiras  inescrupulosamente divulgadas e de atos desumanos, cumpre-nos o sagrado dever de rejeitar. Mas, nada poderá parecer impossível de mudar. Jesus Cristo, um dia, tranquilizou os seus discípulos: “Confiança, eu venci o mundo” (Jo 16, 33). É ainda válida e bem atual a recomendação do Mestre: “Acautelai-vos dos falsos profetas, que vêm até vós vestidos como ovelhas, mas interiormente são lobos vorazes.  Por seus frutos os conhecereis” (Mt 7, 15-16).