Menos de 10% da Câmara rejeita reforma da Previdência

 

BRASÍLIA – Quase metade da Câmara, 241 deputados, vê necessidade de aprovar alguma reforma da Previdência, embora nem todos concordem com o texto apresentado pelo governo Jair Bolsonaro. Por outro lado, 49 (menos de 10% da Câmara) não consideram que é preciso mexer nas regras de aposentadoria e pensão, segundo o Placar da Previdência.

Esses 49 cairiam no diagnóstico de “internação” do ministro da Economia, Paulo Guedes. “Quem acha que (a reforma da Previdência) não é necessária, é um problema sério. É caso de internamento. Tem de internar”, afirmou Guedes em audiência pública na Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) na semana passada.

Reforma da Previdência está mobilizando a Câmara neste início de mandato Foto: Dida Sampaio/Estadão

A fala de Guedes gerou reação de parlamentares contrários à proposta e deflagrou um dos momentos de bate-boca na sessão. “Eu não estou dizendo que precisa internar quem não aprovar essa reforma (de Bolsonaro). Tem de internar quem não entender que precisa haver uma reforma”, disse o ministro.

Congressistas de sete partidos estão entre os que não veem a necessidade de uma reforma: 28 do PT (pouco mais da metade da bancada), nove do PSOL (de uma bancada de dez), quatro do PCdoB, três do PDT, três do PSB, um do PROS e um do Avante. No total, 95 deputados são contra a proposta do presidente Jair Bolsonaro, mesmo que haja alteração. No entanto, desses, 46 consideram que uma reforma da Previdência é necessária.

Estados

Em calamidade financeira por causa do acelerado crescimento das despesas com inativos, os quatro Estados em pior situação ainda não conseguiram engajar suas bancadas para a aprovação da reforma que também vai beneficiá-los, uma vez que as regras aprovadas valerão também para servidores estaduais. Menos da metade dos deputados eleitos por Minas Gerais, Rio Grande do Sul, Rio de Janeiro e Goiás se declaram favoráveis à proposta.

Em Minas, sob comando de Romeu Zema, do Novo (partido que apoia a reforma), só 17 dos 53 deputados se dizem a favor. No Rio Grande do Sul, governado por Eduardo Leite (PSDB), 12 de 31 parlamentares apoiam a proposta. Os servidores aposentados gaúchos já estão em maior número do que os funcionários da ativa, o que tem agravado o desequilíbrio nas contas do Estado.

No Rio, governado por Wilson Witzel (PSC), 18 dos 46 deputados se declararam favoráveis. O Estado já aderiu ao programa de recuperação fiscal e precisou contratar empréstimos para conseguir colocar os salários em dia. Dos Estados em pior situação, o maior endosso vem da bancada de Goiás. O governador Ronaldo Caiado (DEM) tem sido um dos maiores apoiadores da reforma, ao mesmo tempo em que negocia um socorro de curto prazo com o governo. Na bancada do Rio Grande do Norte, governado por Fátima Bezerra (PT) e que também enfrenta grave crise, apenas um dos oito parlamentares se diz a favor da reforma.

Entre as bancadas que dão mais votos à mudança nas regras estão Santa Catarina, Mato Grosso do Sul e Espírito Santo. Em Santa Catarina, governado por Carlos Moisés (PSL), 75% da bancada disseram ser favoráveis à proposta. A mesma parcela é encontrada na bancada de Mato Grosso do Sul, governado por Reinaldo Azambuja (PSDB). No Espírito Santo, de Renato Casagrande (PSB), seis em cada dez apoiam a reforma.

 

Estadão.

32% aprovam e 30% desaprovam o governo Bolsonaro, diz Datafolha

 

Pesquisa Datafolha divulgada neste domingo (7) pelo jornal “Folha de S.Paulo” mostra os seguintes percentuais de avaliação do governo do presidente Jair Bolsonaro (PSL):

Ótimo/bom: 32%Regular: 33%Ruim/péssimo: 30%Não sabe/não respondeu: 4%

A pesquisa ouviu 2.086 pessoas com mais de 16 anos, em 130 municípios, nos dias 2 e 3 abril. A margem de erro é de dois pontos percentuais, para mais ou para menos.

É a pior avaliação para um presidente da República no início de primeiro mandato desde 1990. Fernando Collor (então no PRN) tinha 19% de reprovação após três meses, contra 16% de FHC (PSDB), 10% de Lula (PT) e 7% de Dilma (PT).

A ex-presidente é quem tinha a melhor avaliação: 47% de ótimo/bom em 2011. Lula tinha 43%, contra 39% de FHC e 36% de Collor.

Na manhã deste domingo, na entrada do Palácio da Alvorada (residência oficial da Presidência, em Brasília), Bolsonaro foi questionado sobre o resultado da pesquisa.

“Datafolha? Não vou perder tempo para comentar pesquisa Datafolha que disse que eu ia perder para todo mundo no segundo turno. Tem um item lá que diz que Lula e Dilma são mais inteligentes do que eu. Valeu Datafolha”, afirmou.

Expectativa

A expectativa com o futuro do governo, após três meses de mandato, é a pior desde 1995: 59% esperam que Bolsonaro faça um governo ótimo ou bom, contra 48% de FHC, 76% de Lula e 77% de Dilma.

Antes da posse, 65% esperavam que Bolsonaro fizesse um governo ótimo ou bom, contra 17% de regular e 12%, ruim ou péssimo. Hoje, os que acreditam em um governo regular são 16% e ruim/péssimo, 23%.

Imagem do presidente

Metade dos entrevistados pelo Datafolha julga que o presidente “trabalha pouco”:

Jair Bolsonaro

Trabalha muito: 42%Trabalha pouco: 50%É muito inteligente: 58%É pouco inteligente: 39%

Dilma Rousseff

Trabalha muito: 54%Trabalha pouco: 29%É muito inteligente: 85%É pouco inteligente: 9%

Luiz Inácio Lula da Silva

Trabalha muito: 70%Trabalha pouco: 21%É muito inteligente: 69%É pouco inteligente: 24%

O Datafolha também perguntou aos entrevistados sobre outras características de Bolsonaro:

É preparado: 52%É despreparado: 44%É autoritário: 57%É democrático: 37%Respeita mais os ricos: 57%Respeita mais os pobres: 24%É decidido: 56%É indeciso: 42%

Homens e mulheres

O Datafolha apurou que a aprovação a Bolsonaro é maior entre homens que entre mulheres:

Homens

Ótimo/bom: 38%Regular: 33%Ruim/péssimo: 26%Não sabe: 3%

Mulheres

Ótimo/bom: 28%Regular: 34%Ruim/péssimo: 33%Não sabe 5%

Faixas de renda

A aprovação do governo Bolsonaro (percentuais de ótimo/bom)por faixa de renda é a seguinte, de acordo com a pesquisa Datafolha:

Até dois salários mínimos: 26%Mais de dois a cinco salários mínimos: 36%Mais de cinco a dez salários mínimos: 43%Mais de dez salários mínimos: 41%

Regiões

A pesquisa indica que Bolsonaro sofre a maior rejeição (percentuais de ruim/péssimo) é o Nordeste:

Nordeste: 39%Sudeste: 30%Sul: 22%Centro-Oeste/Norte: 22%

As maiores taxas de aprovação (percentuais de ótimo/bom) de Bolsonaro estão nas regiões Sul (39%) e Centro-Oeste/Norte (38%).

Religião

Entre os segmentos religiosos, evangélicos são os que mais aprovam Bolsonaro: 42% consideram o governo ótimo ou bom. Entre os católicos, esse índice é de 27%.

O que fez pelo país

O Datafolha perguntou aos entrevistados se o que Jair Bolsonarofez pelo país em três meses de mandato é mais ou menos do que se esperara. Os resultados são os seguintes:

Fez pelo país menos do que você esperava: 60%Fez pelo país o que você esperava que fizesse: 22%Fez pelo país mais do que você esperava: 13%Não sabe: 4%Outras respostas: 1%

Nos três primeiros meses do primeiro mandato de Dilma Rousseff, em 2011, os resultados foram os seguintes:

Fez pelo país menos do que você esperava: 39%Fez pelo país o que você esperava que fizesse: 37%Fez pelo país mais do que você esperava: 12%Não sabe: 10%Outras respostas: 2%

Nos três primeiros meses do primeiro mandato de Luiz Inácio Lula da Silvaem 2003, os resultados foram os seguintes:

Fez pelo país menos do que você esperava: 45%Fez pelo país o que você esperava que fizesse: 34%Fez pelo país mais do que você esperava: 12%Não sabe: 7%Outras respostas: 2%

Vice-presidente

A pesquisa Datafolha avaliou o desempenho do vice-presidente,Hamilton Mourão. Os resultados são os seguintes:

Ótimo/bom: 32%Regular: 32%Ruim/péssimo: 18%Não sabe 18%

De acordo com a pesquisa, 59% dos entrevistados não sabiam o nome do vice-presidente; 37% sabiam; e 4% indicaram outros nomes.

Ministros

As taxas de aprovação dos ministros (percentual de ótimo/bom) são as seguintes, de acordo com o Datafolha:

Sérgio Moro (Justiça e Segurança Pública): 59%Paulo Guedes (Economia): 30%Damares Alves (Mulher, Família e Direitos Humanos): 25%Augusto Heleno (Gabinete de Segurança Institucional): 21%Onyx Lorenzoni (Casa Civil): 18%Ricardo Vélez Rodríguez (Educação): 13%Ernesto Araújo (Relações Exteriores): 13%Marcelo Álvaro Antonio (Turismo): 11%

G1