“Não sou bandido”, diz Daniel Silveira

O deputado federal Daniel Silveira (PSL-RJ) afirmou, em sua defesa na Câmara, que não é “nenhum criminoso”. Silveira está preso por determinação do STF, após ameaçar ministros do STF.
“Não sou bandido, nunca tive prisão criminal, nunca cometi crime algum. Não sou nenhum criminoso. Vim de família humilde”, disse Silveira.
O antagonista.
“Se valeu para o Daniel, agora vai ter que valer para todos”

Os bolsonaristas sabem que a situação de Daniel Silveira é complicada e que o plenário da Câmara deve confirmar sua prisão na sessão de logo mais, às 17h.
O deputado Márcio Labre, já olhando para frente, escreveu no Twitter que, “se [a prisão] valeu para o Daniel, agora vai ter que valer para todos”.
“Poderemos anotar o nome de cada ‘democrata’ que acha bacana chamar um presidente de genocida e miliciano sem nada lhe acontecer.”
O antagonista.
LIRA QUER DELIMITAR IMUNIDADE PARLAMENTAR

O Antagonista apurou que Arthur Lira quer colocar para votar já na semana que vem uma proposta de regulamentação da chamada imunidade parlamentar.
O caso Daniel Silveira, claro, é o pano de fundo dessa estratégia.
Lira pediu a aliados a elaboração de um projeto, a toque de caixa, que regulamente o artigo 53 da Constituição Federal, que diz que “os deputados e senadores são invioláveis, civil e penalmente, por quaisquer de suas opiniões, palavras e votos”.
O texto está no seu nascedouro, mas a ideia é que passe a ficar bem claro, daqui para frente, que o parlamentar tem liberdade total para opinar, mas não para cometer crimes com as suas opiniões.
O antagonista.
Parecer do caso Daniel Silveira está sendo finalizado na casa de Lira

A deputada Magda Mofatto (PL), alçada à relatoria do caso Daniel Silveira quase na madrugada de ontem, está neste momento na residência oficial do presidente da Câmara.
Segundo assessores, ela faz, junto com Arthur Lira, os últimos ajustes no parecer que será votado em sessão marcada para logo mais, às 17h. A orientação de Lira é que ninguém envolvido na construção do relatório fale com a imprensa até a divulgação do texto.
Como antecipamos ainda pela manhã, Lira rifou Carlos Sampaio (PSDB) da função de relator do caso porque o tucano havia sinalizado que não aceitaria “interferências externas”.
Não se sabe o que exatamente o relatório de Magda recomendará, mas é certo que, mesmo com a Câmara mantendo Silveira na cadeia — é a tendência –, o texto construído com as bênçãos de Lira trará duras críticas ao STF.
O antagonista.
Ações da Petrobras tem forte queda depois de declarações de Bolsonaro

As ações da Petrobras registram forte queda nesta 6ª feira (19.fev.2021). As ações ordinárias (PETR3) caíam 7,58% às 14h35. Já as ações preferenciais (PETR4) acumulavam queda de 6,15% no mesmo horário.
A movimentação é consequência das declarações do presidente Jair Bolsonaro nesta 5ª feira (18.fev), que reagiu ao anúncio do 2º reajuste no preço dos combustíveis este mês. Além de decidir remover impostos federais que incidem sobre o diesel durante 60 dias, Bolsonaro disse que “alguma coisa vai acontecer na Petrobras nos próximos dias”.
Eis a aspa exata: “Eu não posso interferir na Petrobras, nem iria interferir na Petrobras. Se bem que alguma coisa vai acontecer na Petrobras nos próximos dias. Você tem que mudar alguma coisa”.
O presidente também se mostrou insatisfeito com declaração dada pelo presidente da estatal, Roberto Castello Branco, a respeito dos caminhoneiros. Em entrevista concedida em 28 de janeiro, o economista disse que a alta do preço do diesel “não se trata de um problema da Petrobras”. O entorno de Bolsonaro vê isso como improbidade administrativa.
“Como disse o presidente da Petrobras, há questão de poucos dias, né, ‘eu não tenho nada a ver com caminhoneiro, eu aumento o preço aqui, não tenho nada a ver com caminhoneiro’. Foi o que ele falou, o presidente da Petrobras. Isso vai ter uma consequência, obviamente”, afirmou Bolsonaro também na 5ª feira.
Na manhã desta 6ª feira (18.fev), o mandatário reafirmou sua intenção de promover mudanças na empresa. “Anuncio que teremos mudança, sim, na Petrobras”, disse durante visita a Pernambuco.
Até a publicação desta reportagem, o Ministério da Economia não havia se pronunciado sobre as medidas tributárias anunciadas pelo governo, nem sobre uma eventual interferência na Petrobras.
Poder 360.
“Anuncio que teremos mudança, sim, na Petrobras”, diz Bolsonaro

O presidente Jair Bolsonaro reafirmou nesta 6ª feira (19.fev.2021) que haverá mudanças na Petrobras. Sem especificar quais alterações serão feitas, disse que “jamais” vai interferir na empresa estatal e em “sua política de preço”, mas declarou que a população não pode ser surpreendida “com certos reajustes”.
“Anuncio que teremos mudança, sim, na Petrobras”, afirmou o presidente em Pernambuco. O chefe do Executivo foi à região para participar de acionamento das comportas do Ramal do Agreste no reservatório de Barro Branco, em Sertânia (PE).
Bolsonaro acha que a estatal tem sido conduzida de maneira errática por causa dos sucessivos aumentos no preço de combustíveis. O litro do diesel nas refinarias acumula alta 27,72% em 2021 e tem irritado os caminhoneiros.
O governo federal vai zerar tributos no diesel por 2 meses –enquanto busca encontrar uma saída para reduzir o preço do combustível para o consumidor final. Do preço total de cada litro cobrado nas bombas, R$ 0,35 são de impostos federais (PIS e Cofins).
Na noite dessa 5ª feira (18.fev.2021), Bolsonaro afirmou que a declaração de Roberto Castello Branco, presidente da companhia –de que não tinha nada a ver com a greve dos caminhoneiros–, vai ter “consequência” nos próximos dias.
O mercado financeiro interpreta com receio as declarações do presidente. Às 14h15, a ação da preferencial da Petrobras (#PETR4) recuava 6,22% (R$ 27,45).
Poder 360.
Brasil completa 1 mês de vacinação em ritmo 75% inferior à sua capacidade

Há um mês, a enfermeira Mônica Calazans recebeu a primeira dose da CoronaVac (vacina da farmacêutica Sinovac Life Science em parceria com o Instituto Butantan) dando início ao novíssimo Programa Nacional de Imunização brasileiro. Nesse período, por volta de 5,6 milhões de aplicações foram distribuídas, num ritmo inferior a robusta capacidade do país e da necessidade imposta pela pandemia. A atual logística permite que 250.000 brasileiros recebam agulhadas por dia, de acordo com levantamento em médias móveis do portal Our World in Data, ligado à Universidade de Oxford.
O número é 75% menor do que a capacidade estimada por grandes especialistas brasileiros em imunização. “Para a campanha da gripe, por exemplo, vacinamos 80 milhões de pessoas em três meses. Portanto pensar em 1 milhão de aplicações por dia é bastante razoável, poderia até ser mais”, disse em entrevista recente a VEJA o infectologista e presidente do departamento de imunizações da Sociedade Brasileira de Pediatria, Renato Kfouri.
O ritmo lento está ligado, principalmente, à ausência de doses disponíveis aos brasileiros. De todas as aplicações garantidas em contrato pelo Governo Federal, menos de 10% desembarcaram no país e boa parte ainda não foi distribuída.
O país manteve médias de aplicações por dia entre 246.200 e 251.800 doses desde o final da semana passada até a última quarta-feira, 17. Para se ter uma ideia, os Estados Unidos, em período semelhante, variou entre 811.600 e 913.900 em médias móveis diárias. Se compararmos as médias dos dias exatos em que Brasil e Estados Unidos completaram um mês de vacinação, a diferença é de 72%.
Veja
Bolsonaro sinaliza mudanças na Petrobras e anuncia isenção de impostos federais sobre gás e diesel

Sob críticas pelo sucessivo aumento dos preços dos combustíveis, o presidente Jair Bolsonaro (sem partido) disse em sua live desta quinta-feira (18) que promoverá mudanças na Petrobras e anunciou isenção de impostos federais.
Bolsonaro fez críticas ao presidente da Petrobras, Roberto Castello Branco.
“Não posso chamar a atenção da Agência Nacional de Petróleo, porque é independente, mas tem atribuição também. Não faz nada. Você vai em cima da Petrobras, ela fala ‘opa, não é obrigação minha’. Ou como disse o presidente da Petrobras, há questão de poucos dias, né, ‘eu não tenho nada a ver com caminhoneiro, eu aumento o preço aqui, não tenho nada a ver com caminhoneiro’. Foi o que ele falou, o presidente da Petrobras. Isso vai ter uma consequência, obviamente”, disse Bolsonaro.
A Petrobras informou nesta quinta dois novos reajustes nos preços da gasolina e do diesel, que subirão 10,2% e 15,1%, respectivamente, a partir desta sexta (19). É o quarto reajuste da gasolina e o terceiro do diesel em 2021.
“Teve um aumento, no meu entender, aqui, eu vou criticar, um aumento fora da curva da Petrobras. 10% hoje na gasolina e 15% no diesel. É o quarto reajuste do ano. A bronca vem sempre para cima de mim, só que a Petrobras tem autonomia”, afirmou.
Bolsonaro chamou o aumento de abusivo e informou que, em reunião com o ministro Paulo Guedes (Economia), decidiu zerar por dois meses, a partir de 1º de março, o PIS/Cofins que incide sobre o diesel.
“O que é que foi decidido hoje? A partir de 1º de março também não haverá qualquer imposto federal no diesel por dois meses. Então, por dois meses, não haverá qualquer imposto federal em cima do diesel. Por que por dois meses? Porque nestes dois meses nós vamos estudar uma maneira definitiva de buscar zerar este imposto no diesel. Até para ajudar a contrabalancear este aumento, no meu entender, excessivo da Petrobras”, afirmou.

Logo em seguida, sem dar detalhes, prometeu mudanças na petroleira.
“Mas eu não posso interferir nem iria interferir na Petrobras. Se bem que alguma coisa vai acontecer na Petrobras nos próximos dias. Você tem que mudar alguma coisa, vai acontecer”, disse Bolsonaro.
Na mesma transmissão, ele anunciou que vai zerar tributos federais que incidem sobre o gás de cozinha.
“Hoje à tarde, reunido com a equipe econômica, tendo à frente o ministro Paulo Guedes, decisão nossa. A partir de 1º de março agora, não haverá mais qualquer tributo federal no gás de cozinha, ad eternum.”
Então, não haverá qualquer tributo federal no gás de cozinha, que está em média, hoje em dia, R$ 90, na ponta da linha, lá para o consumidor lá. E o preço na origem está um pouco abaixo de R$ 40. Então, se está R$ 90, os R$ 50 aí é ICMS, imposto estadual, e é também para pagar ali a distribuição e a margem de lucro para quem vende na ponta da linha”, disse Bolsonaro.
Pressionado em suas redes sociais, ele voltou a cobrar de governadores a redução do ICMS, imposto estadual.
”Temos agora que achar uma maneira de mostrar à população quanto é o ICMS de cada estado e sobra, então, uma margem de lucro da distribuidora, né, e o valor da distribuição. Para o pessoal saber quem é que, realmente, porventura está abusando aí para vender o gás na ponta da linha”, disse Bolsonaro.
Folhapress
Covid-19: Fiocruz receberá 2 milhões de doses na próxima semana

A Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz) deve receber até o fim da próxima semana mais 2 milhões de doses da vacina da AstraZeneca contra a covid-19. O material, que já vem pronto para ser aplicado, foi produzido pelo Instituto Serum, da Índia. A Fiocruz fará apenas a rotulagem para distribuição pelo Programa Nacional de Imunizações.

Outros 8 milhões de doses estão previstos pelo acordo com os parceiros AstraZeneca e Instituto Serum, mas ainda não há data prevista para o recebimento. Em janeiro deste ano, a Fiocruz já havia recebido 2 milhões de doses da vacina.
A estratégia de receber doses prontas é uma iniciativa paralela à produção própria feita pela Fiocruz, a partir da importação do Ingrediente Farmacêutico Ativo (IFA).
Agência Brasil
Com alta de internações, Prefeitura de Natal abre 10 leitos de UTI e decide ampliar horário de atendimento em unidades básicas

O Comitê Científico Municipal de Combate a Covid-19 se reuniu na noite desta quinta-feira (18), no gabinete da prefeitura de Natal, para discutir a necessidade de adotar medidas mais restritivas contra o avanço da doença, após as altas de internação no município.
A equipe decidiu que, por enquanto, não vai restringir o horário de funcionamento do comércio, bares e restaurantes na capital do estado, ou suspender as aulas presenciais nas escolas privadas. Uma das medidas tomadas será a ampliação no horário de atendimento das unidades de saúde.
O comitê científico municipal informou que vai avaliar o comportamento da pandemia nas próximas semanas.
“O nosso comitê científico entende que a princípio não precisamos aumentar as medidas restritivas com relação ao horário de funcionamento de bares e restaurantes. Por enquanto, não. Vamos observar, vamos recomendar a profilaxias, a prevenção através das medidas sanitárias recomendadas”, justificou o prefeito Álvaro Dias.
As unidades de saúde passam a funcionar até às 20h. Além disso, o comitê informou que irá distribuir nesses locais medicamentos que não tem comprovação na prevenção e combate a Covid-19, como a ivermectina. O remédio não tem eficácia comprovada cientificamente contra a Covid-19, como informou a própria farmacêutica Merck, responsável pela fabricação do vermífugo. Segundo a empresa, não há dados disponíveis que sustentem a eficácia do medicamento contra a Covid-19.
A prefeitura anunciou também a reabertura de 10 leitos de UTI no Hospital Municipal de Campanha a partir desta sexta-feira (19), totalizando 30 leitos na unidade. De acordo com os médicos do comitê científico, a demanda de pacientes com síndromes respiratórias cresceu nas últimas semanas na rede municipal de urgência e emergência, principalmente pacientes de outras cidades atendidos na rede de saúde de Natal.
“Já foi detectado que muitos municípios, principalmente da região metropolitana, não estão conseguindo oferecer uma assistência mínima dos seus pacientes, ou fecharam serviços. E esse paciente acaba migrando aqui para a capital. E como a gente está vendo que houve esse aumento do quantitativo, então se faz necessária a abertura desses leitos pra dar uma maior assistência e fluidez às portas”, explicou o médio intensivista integrante do comitê, Augusto Ramalho.
G1
Saúde reclama de atraso da Coronavac, e Butantan ataca ‘falta de planejamento’ da pasta

O Ministério da Saúde e o Instituto Butantan trocaram acusações nesta quinta-feira (18) em relação aos prazos de entrega da vacina Coronavac, desenvolvida pela empresa chinesa Sinovac e produzida no Brasil pelo instituto paulista.
Como a Folha mostrou, o ministro da Saúde, Eduardo Pazuello, divulgou em reunião com governadores nesta quarta (17) um cronograma em que previa entrega em fevereiro de 9,3 milhões de doses da Coronavac.
O total, porém, estava acima do que havia sido anunciado horas antes pelo Butantan. O instituto prevê entregar 426 mil doses por dia a partir do dia 23 –o que corresponderia a 2,6 milhões de doses.
Somado a outras doses já entregues no início deste mês, o total disponibilizado em fevereiro chegaria a 3,7 milhões.
Em nota , o ministério afirma que “contava com a entrega” das 9,3 milhões de doses e foi informado apenas nesta quinta que receberá valor menor do que o previsto. “A redução no número de vacinas quebra a expectativa do Ministério da Saúde de cumprir o cronograma divulgado”, informa.
A pasta diz ainda que a dificuldade em manter o cronograma inicial “está em o Butantan conseguir cumprir as entregas das doses previstas em contrato”.
“Diante da situação, o Ministério da Saúde precisará rever a distribuição das doses das vacinas relativas ao mês de fevereiro”, aponta a pasta, que diz que já havia informado estados e municípios da previsão de distribuição.
“Fica muito difícil planejar sem ter a confirmação de que vamos receber”, disse em vídeo divulgado pelo ministério o secretário-executivo Elcio Franco.
As declarações geraram incômodo no instituto paulista, que divulgou uma nota em resposta na qual afirma que o ministério “ignora briga com a China e decide atacar o Butantan”.
Segundo o laboratório, o ministério “deixa de informar que o desgaste diplomático causado pelo governo brasileiro em relação à China provocou atrasos no envio da matéria-prima necessária para a produção da vacina”.
Diz ainda que não houve empenho do governo federal na negociação para liberar os insumos e atribui a intervenções do governo paulista o aval para a liberação.
“É inacreditável que o Ministério da Saúde queira atribuir ao Butantan a responsabilidade pela sua completa falta de planejamento, que acarretou a falta de vacinas para a população em diversos municípios do país“, completa.
Ainda segundo o instituto, 9,8 milhões de doses já foram entregues ao ministério para a campanha de vacinação.
Essa, porém, não é a primeira vez que membros do governo e o Butantan trocam farpas em relação à Coronavac. No último ano, a vacina esteve no centro de uma disputa política entre o presidente Jair Bolsonaro (sem partido) e o governador paulista, João Doria (PSDB-SP).
Em outubro, o ministério chegou anunciar que compraria 46 milhões de doses da vacina, mas recuou no dia seguinte após o presidente afirmar que não permitiria a compra da “vacina chinesa do Doria”.
Após meses de embate, o contrato foi firmado em janeiro. Atualmente, o Ministério da Saúde prevê receber 100 milhões de doses da Coronavac.
O imunizante foi o primeiro a ser usado na campanha de vacinação contra a Covid. Nesta quinta, a pasta enviou um ofício ao Butantan em que manifesta a intenção de obter mais 30 milhões de doses a partir de outubro.
Folhapress
Nilda e Kleber fazem dobradinha em 2022

Já está fechada a dobradinha entre Nilda e Kleber Rodrigues para a eleição de 2022. A ex-vereadora, que concorreu ao cargo de prefeito no pleito eleitoral de 2020, já fechou acordo político com o parlamentar de Monte Alegre.
Na conversa, Nilda pleiteará uma vaga de deputada federal e Kleber irá para a reeleição de deputado estadual.
Se essa decisão de Nilda permanecer, frustará o projeto de Abidene que andou comentando sobre uma possível dobradinha com a professora.
Como boa profissional, já está planejando as aulas de 2024, cujo foco será o executivo municipal.
Cortina de fumaça, por Antônio Carlos de Almeida Castro

Assim eu quereria o meu último poema
Que fosse terno dizendo as coisas mais simples e menos intencionais
Que fosse ardente como um soluço sem lágrimas
Que tivesse a beleza das flores quase sem perfume
A pureza das chamas em que se consomem os diamantes mais límpidos
A paixão dos suicidas que se matam sem explicação.”
O Último Poema- Manuel Bandeira
No dia em que as vacinas contra a covid-19 acabaram em 5 capitais e em várias outras cidades, em que a transmissão do vírus volta a subir e, pelo 28° dia seguido, a média de mortos fica acima de 1 mil no país, os grandes assuntos que dominam a imprensa são a prisão de um deputado fascista que ninguém sequer sabe o nome, a eliminação do Nego Di do BBB e outros temas que emolduram a realidade brasileira. É claro que ninguém aguenta mais falar só sobre a angústia de ver a morte rondando, a tristeza do isolamento dos que levam a ciência a sério, o desespero do pânico que acomete os infectados, mas, convenhamos, alguma coisa está fora da ordem.
O tal deputado foi preso por atentar contra a estabilidade democrática em vídeos gravados de baixíssimos níveis nos quais profere xingamentos, uma fala completamente sem nexo, faz ameaças de morte às autoridades e prega o fechamento do Supremo Tribunal Federal e a volta do AI-5 (Ato Institucional 5), dentre outras barbaridades. Opa, quem é mesmo o autor de tantos impropérios, absurdos e crimes? Ufa, é um deputado troglodita e não o líder dele, o presidente da República.
Na verdade, posso pressupor que o tal deputado está se espelhando no comportamento do chefe do executivo para angariar simpatia e popularidade. Por sinal, é instigante que sempre que os índices da pandemia se tornam mais dramáticos surjam histórias diversionistas para o Brasil “esquecer” o vírus, as mortes, o descaso nos hospitais, a falta de programa para o combate da doença. Como se fosse possível esconder o caos, a tragédia. Mas isso é um fato e parece ser uma estratégia. Lembro-me do poeta Luiz Gama, no soneto Ao Mesmo:
“Silêncio, ó charlatão!
Nem mais um passo,
Que levo-te a vergalho,
à palmatória,
transformo-te num burro,
e mais não faço.”
O próprio deputado preso parece fazer parte dessa estratégia. Não é crível alguém ser tão bizarro, tão tosco, atrasado, agressivo e preconceituoso. Na verdade, sabemos que é possível e até conhecemos em quem ele se espelha, mas que país merece isso em meio a uma pandemia? Vou repetir para não parecer falso: a vacina está acabando no Brasil. O país que tinha um dos melhores sistemas públicos de saúde do mundo, com uma capacidade de vacinar todos os brasileiros em tempo recorde, teve o SUS sucateado. Nossas instituições de pesquisa na saúde, orgulho internacional, foram abandonadas por falta de investimentos e prioridade.
Nossa estratégia de enfrentamento da pandemia foi entregue a um general que presta subserviência a um capitão negacionista. As ofertas de compra de vacinas foram negligenciadas e a prioridade foi adquirir a cloroquina. Nós não temos vacina em meio à maior crise sanitária dos últimos séculos. E não temos por uma opção do governo que entendeu que as recomendações dos cientistas, dos médicos, da OMS (Organização Mundial da Saúde), enfim, eram meras opiniões que não precisariam ser seguidas. Ou por razões financeiras, cumpre investigar.
É necessário prestar atenção no que disse o fundador e primeiro presidente da Anvisa sobre a capacidade instalada no país para enfrentar a necessidade de vacinar a população. O Brasil tem estrutura para administrar 3,04 milhões de vacinas contra covid-19 por dia. Ou seja, se contarmos a vacinação apenas nos dias úteis, 20 dias por mês, temos capacidade de vacinar 60 milhões por mês. Em um momento de pandemia, é claro, a vacinação pode ser ininterrupta, o que garantiria 90 milhões de brasileiros vacinados por mês. Já teríamos vacinado todas as pessoas em território nacional.
É bom deixar claro que isso não ocorreu por conta única e exclusiva da falta de política séria do governo no enfrentamento da crise sanitária, por não ter adquirido a vacina. Os responsáveis por esse quadro são as autoridades federais, a política negacionista e a campanha feita contra a vacina. Logo, são responsáveis diretos pelo excesso das mortes, pelo desastre econômico, pelas angústias que marcaram a ferro e fogo as almas do nosso povo.
Fique registrado que é gravíssimo um deputado pregar a volta da ditadura, o fechamento do Supremo, ameaçar Ministros da Suprema Corte, ofender os poderes constituídos, bradar pelo retorno do AI-5 e dos anos de chumbo. Mas, convenhamos, isso é o que o Presidente da República fez e faz diversas vezes. A novidade é a agressividade com que foram tratados os Ministros do Supremo, na mesma linha de boçalidades do chefe dele, sendo que o chefe vomita também contra o Congresso Nacional.
Mas, enquanto debatemos o risco para as instituições de um deputado desconhecido e medíocre, o líder dele passa um projeto de armamento que faz corar de inveja os grandes países armamentistas. Não é só um projeto para segurança pessoal, é uma proposta de armar a população e, segundo especialistas, visa abastecer o crime organizado e a milícia com a facilitação de compra de armamento via mercado legal. É a privatização da segurança pública. Os que sobreviverem ao vírus não escaparão das armas.
No ano passado a população comprou 32 milhões de projéteis, a mesma quantidade que as forças de segurança pública. Estatísticas apontam que o número superou em 143% o quantitativo de munições do exército, o que reforça minha tese de que esse governo confia e aposta mais na milícia, na segurança privada e nos seus seguidores do que nas forças armadas. E temos que ter em mente que o nível intelectual desse grupo é parecido com o do deputado que foi preso por imitar o líder. Ou seja, estamos armando verdadeiros assassinos em potencial. Assassinos da democracia, da vida civilizada, da coisa pública, das relações respeitosas, da vida em sociedade, enfim.
Imagine o que é a pessoa se preparar ao longo da vida para ser ministro do Supremo, para enfrentar as grandes indagações jurídicas e os grandes embates nacionais e, de repente, ter que se relacionar com um presidente da República completamente fora da realidade e, pior, ter que conviver com ameaças vulgares, mas graves, de políticos, com ou sem mandato, a serviço de um fascismo institucionalizado. Bestas feras sem nenhum critério, sem nenhuma hipótese de diálogo. Um governo de extraterrestres cujas propostas não suportam nenhuma análise crítica, nenhuma discussão intelectual, nenhuma hipótese de reflexão. A agressividade desse deputado, o idiota da vez, é tão vulgar, tão repulsiva, que dá náusea perder tempo com ele.
Eu sei que temos que discutir os limites e a legalidade da prisão, os contornos do flagrante, as consequências para o devido processo legal da ordem de prisão ter partido do ministro sem o pedido do Ministério Público, tudo grave e fundamental para o estado democrático de direito, mas cansa. A mediocridade é acachapante. O nível das agressões beira as pornochanchadas e nós nos transportamos para a boca do lixo sem, é claro, o charme dos nossos filmes da época. Faz-me lembrar do velho Mario Quintana, em Emergência:
“Quem faz um poema abre uma janela,
Respira, tu que estás numa cela abafada, esse ar que entra por ela.
Por isso é que os poemas têm ritmo
para que possas profundamente respirar.
Quem faz um poema salva um afogado.”
E, enquanto tentamos fazer com que os poderes constituídos mantenham uma harmonia constitucional, o país mergulha num precipício sem paraquedas e sem ter ideia do fundo do poço. Humilhante ver as filas de infectados para tentar conseguir um lugar no hospital, sem nenhuma perspectiva de combate sério do vírus. Neste momento, 2.32 % da população do Brasil já recebeu a primeira dose da vacina. Insignificantes 2.32%. Criminosos esses números. E nós temos que tentar respirar um ar que já falta ao país nessa tentativa de uma resistência à mediocridade.
A nossa falta de ar, ao menos, nos permite ainda assim seguir em frente, mas a falta de ar que vem da falta de responsabilidade no trato com a crise sanitária não, essa falta de ar mata. E nós todos temos responsabilidade com esse dramático estado de coisas. Não podemos deixar crescer muros que nos separem. Muros de pedra ou de indiferença. A política desses fascistas ergueu muralhas, cavou fossos e construiu alçapões. Tudo para que nós não façamos o necessário enfrentamento do endurecimento brutal que eles estão instalando.
Eles são como placas de gordura nas nossas veias. São como um véu turvo que desce no cristalino e impede a visão, cegando-nos a todos. São como o vazio das madrugadas de segunda-feira nas cidades do interior, onde só sobram os coretos vazios sem a algaravia dos passantes. Uma solidão doida. Um silêncio ensurdecedor.
Esse deputado caricatural não deveria tomar nosso tempo, mas ele significa nossa derrota. É na mediocridade dele que esse governo se ampara com milhões de seguidores, tanto que ele desestabiliza as estruturas democráticas com seu ataque às instituições. Ele não, claro, mas o que ele significa, o que ele representa.
Fazer a resistência democrática dentro do Judiciário e dentro do Parlamento faz a democracia se tornar mais forte. Mas é necessária uma resistência interior, uma busca, quase fuga, de um espaço sem esse massacre diário de tanta banalidade. A coragem de não levar tão a sério essa avalanche de idiotices, a sensibilidade de priorizar o contrário do que está posto e a rir desses seres bizarros, incultos e banais. Sem isso nós acabamos ficando parecidos com eles e aí não terá valido a pena. Recorro-me a Paul Éluard, nos últimos versos do imortal soneto Liberté:
“Em meus refúgios destruídos
Em meus faróis desabados
Nas paredes de meu tédio
Escrevo teu nome
Na ausência sem mais desejosNa solidão despojada
E nas escadas da morte
Escrevo teu nome
Na saúde recobrada
No perigo dissipado
Na esperança sem memórias
Escrevo teu nome
E ao poder de uma palavra
Recomeço a minha vida
Nasci pra te conhecer
E te chamar
LIBERDADE.”
Poder 360.
