Com aumento de doenças crônicas, bebidas sem álcool ganham espaço entre consumidores

As pessoas estão buscando formas de aproveitar sem o sentimento de culpa. A cerveja sem álcool surge como alternativa viável para não deixar a saúde de lado | Foto: Alex Régis

“Uma cerveja antes do almoço é muito bom para ficar pensando melhor”. O trecho da música “A Praieira”, eternizado na voz e composição do pernambucano Chico Science, é muito citado pelas pessoas que adoram tomar uma “cervejinha” no bar, nas festas ou mesmo em casa. No entanto, o álcool produzido durante o processo de fermentação do produto pode causar problemas de saúde, se não for consumido de maneira moderada. Com o aumento de casos de doenças crônicas entre pessoas mais jovens, a recomendação médica é evitar o teor alcoólico da bebida. Por conta desse fato, a alternativa encontrada entre os mais boêmios é o produto sem álcool.

De acordo com o Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa), as cervejas sem álcool ou desalcoolizadas tiveram aumento expressivo da produção no mercado brasileiro. Em 2024, o crescimento foi de 536,9%, passando a representar 4,9% de toda a produção nacional.

Esse aumento, segundo matérias e pesquisas recentes publicadas em jornais, é impulsionado pela busca por saúde, bem-estar e moderação. Algumas pesquisas apontam que o consumo deve atingir 885 milhões de litros até 2026. O público mais consumidor desse tipo de produto é a geração Z (pessoas nascidas entre 1997 e 2012 – conhecidos como nativos digitais).

A nutricionista Beatriz Mendonça explica que, por não ter álcool, a bebida acaba agindo no organismo, trazendo menos prejuízos do que uma bebida com grande teor alcoólico. “Por não ter álcool, ela não gera os mesmos impactos da cerveja tradicional, como sobrecarga hepática ou prejuízo na queima de gordura. Ainda assim, possui calorias e carboidratos, então deve ser consumida com moderação e dentro do contexto da rotina alimentar do paciente”, explicou.

O álcool é um dos vilões do organismo saudável. Quando consumido de maneira desenfreada, pode trazer malefícios para algumas atividades essenciais dentro do corpo, como explica Beatriz. “O álcool interfere no metabolismo, principalmente na queima de gordura. Além disso, pode prejudicar o sono, a recuperação muscular, a saúde intestinal e favorecer maior ingestão alimentar. O grande problema é a frequência do consumo”, detalha.

“Em pacientes que buscam o emagrecimento ou com alguma doença específica, muitas vezes oriento reduzir bastante ou fazer uma pausa temporária. Já em pacientes sem objetivos tão específicos, trabalho mais a moderação e o consumo consciente”, revela.

Contudo, a profissional esclarece que tudo é questão de moderação, e o equilíbrio pode ser uma solução para as pessoas que determinam um objetivo, mas não querem deixar a boa “cervejinha” de lado. “Na prática clínica, a moderação costuma ser a estratégia mais sustentável. O importante é o consumo consciente e entender que a frequência faz muita diferença nos resultados”, aponta.

Moderação

A construção de uma rotina saudável passa por uma alimentação equilibrada, exercícios físicos, menos estresse e a diminuição do uso de produtos que causam problemas ao organismo, como o tabagismo e o álcool. Devido a esses pontos, as pessoas estão buscando formas de aproveitar sem o sentimento de culpa. A cerveja sem álcool surge como alternativa viável para não deixar a saúde de lado.

“Saúde é construída pelo conjunto de hábitos. O álcool não é saudável, mas pode caber ocasionalmente dentro de um estilo de vida equilibrado, dependendo da pessoa. (A cerveja sem álcool) pode ser uma boa alternativa para quem quer reduzir o consumo alcoólico sem abrir mão do momento social. Tem menos impacto metabólico, mas ainda precisa ser consumida com moderação”, informa.

Foi o caso do técnico de manutenção El Cid Dantas, de 38 anos, que passou a consumir a nova bebida para aproveitar momentos importantes com a família, sem correr o risco de se prejudicar na saúde ou até mesmo na Lei Seca.

“A questão do consumo da cerveja sem álcool pra mim, além da lei seca, foi poder apreciar o sabor sem o efeito do álcool e poder participar de eventuais momentos de lazer com a família e amigos sem correr risco”, falou.

El Cid pretende continuar usufruindo da “cervejinha”, mas sem o álcool. Para o técnico, o importante é aproveitar as festas, sem se preocupar com problemas maiores que os efeitos do álcool podem trazer na vida social e na saúde.

“Sabendo que ela (sem álcool) é mais saudável do que a normal com álcool, eu escolho sempre, visando segurança, saúde e o sabor de uma cerveja original”, explicou.

Mesmo não tendo os componentes prejudiciais de um líquido de teor alcoólico, essa nova cerveja precisa ter um consumo moderado. A nutricionista Beatriz Mendonça analisa os efeitos desse novo produto no corpo de quem consome.

“Não costumo recomendar, mas também não proíbo. Avalio caso a caso, considerando o comportamento alimentar e os objetivos do paciente. Muitas vezes, ajuda na adesão sem gerar sensação de restrição extrema”, avalia.

Mesmo sendo uma alternativa viável para as pessoas que não querem ter suas vidas atrapalhadas pelo consumo da bebida alcoólica, a cerveja sem componentes alcoólicos virou uma preferência para quem quer cuidar da saúde ao mesmo tempo que busca hábitos mais saudáveis. Por isso, é sempre importante saber mais detalhes a partir de uma avaliação médica mais detalhada com profissionais de endocrinologia e nutrição.

Como Beatriz explicou, a moderação e o equilíbrio são as chaves do sucesso para manter o corpo bem, atingir seus objetivos nutricionais e manter a saúde mental.

Cerveja com álcool
– Interferência na queima de gordura

– Prejudica sono e recuperação muscular
– Aumenta o risco de problemas intestinais.
– Sobrecarga hepática

Cerveja sem álcool
– Sem grandes prejuízos no sistema hepático.

– Sem tanto impacto na queima de gordura.
– Menos calorias, mas o consumo também tem que ser moderado pela boa quantidade de carboidratos.