Padre João Medeiros Filho
O gesto do Sumo Pontífice vem repercutindo na mídia. Por meio de um “Motu Proprio” (documento que exprime o desejo pessoal do Santo Padre), publicado em 24 de março último, o Papa Francisco reduziu e congelou os salários dos dignitários da Cúria Romana. Como em muitos países, a crise financeira agravada pela pandemia atingiu a administração central do catolicismo. Recentemente, a Secretaria Econômica da Sé Apostólica publicou o seu balanço anual, revelando um déficit financeiro de 49,7 milhões de euros (cerca de 350 milhões de reais). Vários motivos levaram a esse desequilíbrio: queda nas atividades rentáveis (lojas e museus fechados); menos doações e diminuição de outras receitas, inclusive as provenientes do setor imobiliário. O Papa tem procurado, a todo o custo, evitar demissões. No que depender dele, nenhum servidor da Santa Sé ficará desempregado. O pequeno Estado mantém aproximadamente cinco mil funcionários, dos quais perto de três mil são leigos.
Francisco recomendou mais austeridade de seus colaboradores próximos, determinando redução nos pagamentos. Resolveu começar pelos maiores salários. Preferiu o sacrifício de alguns para não penalizar os mais simples e chefes de família, que dependem do emprego na Cúria Romana. Não seria um gesto a ser imitado por muitos governantes e órgãos públicos, independentemente de credo religioso? Mesmo considerando o custo de vida europeu, o Sumo Pontífice, após rezar e consultar especialistas, concluiu que os vencimentos de seus auxiliares imediatos são elevados diante do nível de carência e pobreza de tantos filhos de Deus. É sabido que os servidores da Santa Sé gozam de isenção de impostos na Itália, pois são cidadãos do Vaticano, de onde obtêm seus rendimentos. Como é praxe em vários países, também no Vaticano, alguns ocupantes dos primeiros escalões administrativos desfrutam de apartamentos funcionais.
O Sumo Pontífice chegou à conclusão de que os estipêndios dos funcionários da Cúria Romana estão num patamar digno e justo. Com a recente medida papal, os purpurados passarão a receber seus vencimentos com um desconto de 10%, sem reajustes até 2023. E a medida aplicar-se-á, com adaptações por faixa salarial, a todos os que trabalham nos órgãos centrais e vinculados à Santa Sé. São eles que dirigem e coordenam dicastérios (ministérios), congregações, conselhos e comissões, tribunais, secretarias, administração das principais basílicas e outros setores da Igreja. Segundo economistas estrangeiros, as faixas salariais do Vaticano estão condizentes com as tarefas ali exercidas. Há cardeais, arcebispos, bispos e administradores de circunscrições eclesiásticas, distribuídos pelos continentes. Entretanto, são mantidos por elas. Sua Santidade tem insistido: “É preciso mais modéstia, simplicidade e menos pompa”.
É a segunda vez que Francisco, dentro do projeto de reforma das finanças da Igreja, modifica o piso remuneratório de seus colaboradores. Repete amiúde: “O Filho de Deus não tinha sequer onde reclinar a sua cabeça” (Mt 8, 20). Reitera que o motivo da redução salarial não é apenas a pandemia, mas especialmente o espírito do Evangelho que deve reinar entre os seguidores de Cristo. Em 2013, logo após sua eleição, o papa argentino retirou o bônus concedido a clérigos, membros do conselho de administração do Banco do Vaticano. Naquele ano, para conter ainda mais os gastos, congelou as prebendas dos servidores da Cúria Romana. Desta vez, cardeais, diretores de órgãos, chefes de seções e integrantes das nunciaturas apostólicas terão diminuição na folha de pagamento, variando de 3% a 10%, sem aumento por dois anos.
A remuneração das eminências, por muito tempo, chamada de “piatto cardinalizio” (prato cardinalício), data do século XVI e foi instituída por Paulo III. Porém, segundo as normas da época, para que pudessem receber a côngrua, deveriam preencher certos requisitos. O beneficiado não poderia pertencer à nobreza, a famílias abastadas nem auferir qualquer doação de governos dos países de origem. Atualmente, usa-se o termo contribuição cardinalícia, ao se referir à retribuição dos purpurados. E Francisco continua conclamando seus auxiliares imediatos: “Devemos pensar mais nos irmãos que passam necessidades. Não podemos viver como príncipes. A pregação sem o exemplo é inócua. Solidariedade, compaixão, caridade e partilha devem caracterizar os discípulos de Cristo!”
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Natal inicia vacinação de idosos de 65 anos contra a Covid-19
Idosos devem procurar uma das 35 salas de vacinação distribuídas nos cinco distritos sanitários de Natal ou ainda um dos pontos de drive-thru disponíveis.
Natal começa nesta segunda-feira (5) a vacinação de idosos de 65 anos de idade ou mais. Os idosos devem procurar uma das 35 salas de vacinação distribuídas nos cinco distritos sanitários de Natal ou ainda um dos pontos de drive-thru disponíveis.
Também podem se vacinar nessa segunda (5) pessoas que tomaram a primeira dose da vacina da Oxford no dia 29 de janeiro e autistas e pessoas com síndrome de down com mais de 18 anos.
As 35 salas de vacinação funcionam das 8h às 11h30 e das 12h30 às 15h. Já os pontos de drive-thru funcionam das 8h às 16h.
A Secretaria de Saúde Natal reforça ainda que os idosos que foram imunizados com a vacina CoronaVac devem ficar atentos para o prazo da segunda dose, que deve ser entre o 14º e 28º dia, a contar da data da primeira dose que consta no cartão de vacinação.
Em relação aos trabalhadores da saúde, a prefeitura de Natal suspendeu a vacinação após uma decisão judicial que determinava não eram todos os trabalhadores da saúde que deveriam receber a imunização neste momento, segundo o Plano Nacional de Imunização.
DISTRITO SANITÁRIO NORTE I
- UBS Pajuçara: Rua Maracaí, S/N, Conjunto Pajuçara
- USF Nova Natal : Rua Do Pastoril, Nova Natal, Lagoa Azul
- USF Redinha: Rua Do Campo, S/N , Redinha
- USF Nordelândia: Rua José Da Silva, S/N, Lagoa Azul
- USF Gramoré: Avenida Guaratinguetá S/N, Lagoa Azul
- USF Parque Das Dunas: Avenida Mar Mediterrâneo, N° 101,Conjunto Parque Das Dunas, Pajuçara
- USF Pompeia: Rua Oceano Atlânticos, N° 172, Nova República, Pajuçara
DISTRITO NORTE II
DISTRITO SUL
DISTRITO LESTE
- UBS São João: Rua Romualdo Galvão, N° 891, Tirol
- USF Brasília Teimosa: Rua Miramar, N° 34
- USF Rocas: Rua Francisco Bicalho, S/N, Rocas
- UBS Alecrim: Rua Fonseca e Silva, N° 1129, Alecrim
- Unidade Mista Mãe Luiza: Rua João XXIII, Mãe Luiza
- UBS Lagoa Seca: Rua Padre Antônio S/N, Lagoa seca
- USF Passo da Pátria: Rua Ocidental de Baixo, S/N, Pantanal, Centro
DISTRITO OESTE
G1 rn.
Os 180 dias de Bolsonaro

O advogado de Michel Temer, Antonio Cláudio Mariz de Oliveira, quer que Jair Bolsonaro renuncie.
Ele publicou no Estadão:
“É preciso mudar. E mudar já. O avanço da pandemia e a derrocada da economia não serão estancados de pronto. Certeza de êxito com a mudança não se terá. Mas não há nenhuma possibilidade de haver uma situação pior.
É uma honra presidir o Brasil. Mas antecipar a saída da Presidência não constitui desonra. Em certas circunstâncias ao contrário, demonstra desprendimento, respeito pelo povo e amor ao Brasil.
Senhor presidente, em face da atual situação, a sua renúncia não será considerada uma capitulação, mas sim um ato de grandeza.”
Jair Bolsonaro jamais seria capaz de um ato de grandeza, claro. A melhor saída para o Brasil é abrir um processo contra ele e afastá-lo do cargo por 180 dias, exatamente o que Antonio Cláudio Mariz de Oliveira impediu que se fizesse com Michel Temer.
O antagonista.
Ação de evangélicos no STF buscava liberar transmissões de cultos sem aglomeração

Apesar de Kassio Marques ter autorizado a realização de cultos presenciais, a ação apresentada ao STF pela Associação Nacional de Juristas Evangélicos buscava autorização para atividades religiosas nos templos sem aglomeração, e não para reuniões coletivas dos fiéis.
O objetivo era declarar inconstitucionais decretos estaduais e municipais genéricos que, “sem qualquer ressalva”, acabavam impedindo transmissões de pregações ao vivo pela internet, com templos vazios, assim como aconselhamentos individuais com o pastor, ações sociais e atividades administrativas.
Ao decidir na ação, no último sábado (3), Kassio Marques foi além do que foi pedido: determinou que estados e municípios não “proíbam completamente a realização de celebrações religiosas presenciais”.
Ao permitir as reuniões, exigiu ocupação máxima de 25% do templo, espaço entre assentos, uso obrigatório de máscaras, disponibilização de álcool em gel e medição de temperatura dos fiéis — medidas que nem foram pedidas pela Anajure (leia, ao final, a íntegra da petição inicial).
A ação foi protocolada em junho no STF e, como mostrou à época O Antagonista, questionava decretos de cidades em Minas, Amapá, Bahia, Mato Grosso do Sul e São Paulo.
A Anajure destacou um decreto de João Monlevade (MG) que proibiu “indistintamente” as atividades religiosas, sem indicar previsão de término da medida.
“Na própria cidade de João Monlevade/MG, um casal de pastores estava apenas com a filha e com um voluntário da instituição, no interior de um templo religioso, quando fiscais do Município e policiais militares chegaram determinando o fechamento do local, fundamentados no Decreto da cidade mineira”, narrou a associação.
Em Bebedouro (SP), um pastor e advogado tentou derrubar, na Justiça estadual, um decreto do prefeito que proibiu qualquer atividade nos templos. O juiz do caso liberou as pregações online, mas ignorou outras atividades que, segundo a Anajure, não provocavam aglomerações.
“O objetivo almejado pelo demandante diz respeito à obtenção de segurança jurídica no tocante à execução das atividades religiosas que não geram aglomeração. O Decreto, pela alta carga de generalidade, não consegue conferir a segurança pretendida, merecendo retificação. A decisão proferida em primeiro grau, todavia, ignorou tal necessidade, mantendo a liberdade religiosa em risco”, afirmou na ação levada ao STF.
Apesar de apontar problemas processuais na ação, a Advocacia-Geral da União concordou, no mérito, com o pedido da Anajure. “É particularmente excessiva, no ponto, a proibição irrestrita de realização de eventos religiosos, a qual abrange, inclusive, aqueles empreendidos por meio virtual”, afirmou no documento.
No STF, existem ao menos outras duas ações, do PSD e do Conselho Nacional de Pastores, para derrubar decretos que restringem atividades religiosas. Ambas têm como relator o ministro Gilmar Mendes. A tendência é que sejam levadas em breve ao plenário do STF, que poderá rediscutir a questão e ajustar a liminar de Kassio Marques.
Leia aqui a íntegra da ação.

O antagonista.
Kakay lamenta morte do ex-ministro do STJ, Paulo Medina

Morreu na noite desse sábado (3), aos 79 anos, o ex-ministro do Superior Tribunal de Justiça (STJ), Paulo Medina. Mais uma vítima da Covid-19, Medina estava aposentado da Corte, onde atuou de 2001 a 2010. Também atuou como professor de direito em universidades, como juiz e desembargador.
O também advogado e professor Antônio Carlos de Almeida Castro (KAKAY), lamentou a morte do ex-ministro em uma nota exclusiva para o Blog do GM:
Tive a alegria de advogar para ele e continuo com a firme certeza de que era absolutamente inocente. Nunca tinha falado com ele, a não ser quando distribuía memoriais em audiência, e quando do escândalo, ele me ligou e, eu me lembro, fui a casa dele, ele abriu a porta chorando e me disse: “não tenho como pagar seus honorários, mas eu confio no senhor como advogado”.
Eu disse a ele que advogar para um Ministro da Corte onde eu atuava era uma honra e uma distinção.
Na mesma semana a VEJA fez uma matéria maldosa dos casos que eu tinha atuado tendo o Ministro como relator. Isto o magoou profundamente.
Durante todo o processo ele se portou com muita dignidade. E neste processo eu me convenci da importancia do Juiz de Garantias, inclusive nos Tribunais. O Relator do processo, Ministro Peluzo – meu amigo – recebeu o Procurador Geral mais de 50 vezes e determinou toda sorte de medidas e, digo sem medo de errar – até porque disse na Tribuna do Supremo -, ficou impregnado com o caso. Agiu como um acusador.
Registro isto em homenagem ao grande Ministro Medina, um homem honesto, simples, correto que morreu hoje de Covid mas, na verdade, já havia morrido com a injustiça que se abateu sobre ele.
KAKAY
A Paixão de Cristo revivida
Padre João Medeiros Filho
No domingo passado, teve início a celebração da Semana Santa. Neste ano, será também diferente. Como os contemporâneos de Jesus, acompanharemos a sua paixão (presente e vivida no calvário de tantos irmãos) da forma como é possível, ou seja, virtualmente. Talvez aflorem às mentes apenas sentimentos de tristeza, dissabor e provação. Entretanto, não se deve esquecer uma verdade fundamental: Cristo derrotou a morte. “Ao vencedor as palmas da vitória!” Eis o sentido dos ramos, aclamando o Filho de Deus, como Rei e Senhor da História. Mas, “o meu Reino não é deste mundo” (Jo 18, 36), preconizava o Mestre. Muitos de seu tempo (como vários cristãos atuais) não compreenderam os motivos de sua condenação. Jesus abalou, com sua pregação e doutrina, as estruturas da sociedade onde Ele vivia. Representava uma ameaça para os que oprimiam o povo. E isto se repete atualmente, maquiado e latente em disputas ideológicas, no radicalismo em detrimento do bem comum e na instrumentalização que se faz da ciência e da fé. Pelo Evangelho, Ele veio instaurar novos tempos (Ap 21, 5). “Mas, os seus [como os de hoje] não compreenderam” (Jo 1, 11). Quis habitar entre nós para proclamar o Reino da Justiça e da Paz. O Brasil caminha na contramão dessa realidade.
“É preciso completar em nossa carne aquilo que faltou à cruz de Cristo” (2Cor 4, 10), pregou o apóstolo Paulo. Deste modo, a Semana Santa não é somente a comemoração da Paixão do Senhor, como evento histórico. É também a reflexão sobre nossas angústias, aflições e dificuldades. Este ano, o ser humano está sendo mais atingido pelo colapso da saúde e desemprego. Padece sob o peso do terror apregoado, da imagem da morte avizinhada, temática sensacionalista e seletiva da mídia. Isso dá-nos uma ideia daquilo que vivemos em cada Semana Santa, ou seja, a Via Sacra cotidiana de nosso povo, assumida por Cristo numa expressão de misericórdia e compaixão. Não esqueçamos sua advertência: “o discípulo não é maior do que o Mestre” (Mt 10, 24). Deste modo, poderemos percorrer o mesmo caminho. Somos o seu Corpo Místico, por isso atualizamos em nossas vidas o que acontecera, há mais de vinte séculos.
Mas, não só de tragédias e fracassos é feita a existência humana. A Ressurreição do Senhor é a vitória sobre a maldade, não obstante “a sua cruz parecer a consagração do radicalismo e da intolerância!”, nas palavras do Cardeal Cardijn. Celebra-se igualmente no Domingo da Páscoa nosso triunfo sobre o pecado, isto é, o resgate humano concretizado. Cristo ressuscitou e já não morre mais! É imortal, pois é o Filho de Deus, pelos seus ensinamentos perenes e por ser “o Caminho, a Verdade e a Vida” (Jo 14, 6). Nesta Semana Santa sepultemos o egocentrismo, as polarizações, a polêmica estéril e deletéria entre os poderes e as lideranças, os interesses sub-reptícios, enfim, nossos erros. É necessário haver uma Sexta-Feira Santa para cada um de nós, mormente para o Brasil hodierno, na qual crucificaremos os descompassos individuais e coletivos a fim de preparar a Páscoa. A Paixão e a Ressurreição não são atos isolados, mas precedidos da Quinta-feira Santa: celebração da fraternidade e da união. Haverá Páscoa, se houver comunhão, harmonia, diálogo e consenso. Ocorrerá Ressurreição, se existir amor.
No mistério da Semana Santa vivencia-se a resposta suprema de Deus ao desafio permanente do mal. Este divide e separa, levando à destruição. Nela se vislumbra a manifestação da ternura infinita de Jesus por nós. Neste ano, vamos meditar sobre a agonia de Cristo na realidade de tantas vítimas da pandemia. Em 2021, O Filho de Deus morre na insegurança econômica, sanitária, sócio-política, jurídica e religiosa, nos injustiçados, na tristeza dos relegados aos improvisos e desatenções de governos. Ele agoniza nos irmãos vítimas da corrupção, do descaso e conceito sofismado de vida, como se fora algo abstrato e irreal. Que haja Páscoa para todos, passagem do desalento para a esperança, da tristeza para a alegria, do sucumbir para a glória! Seria reconfortante poder participar presencial e sacramentalmente da liturgia do Tríduo Pascal. Infelizmente, dela estamos privados.
Esdras Alves, um homem dedicado e com uma história de luta em favor do Rio Grande de Norte

O amigo Esdras Alves tem uma vocação divina para servir a todos.
Homem de aparência frágil, mas é um verdadeiro guerreiro, uma fortaleza quando se trata de defender o RN.
Esdras já assumiu vários cargos na administração pública, em todos os momentos da sua atuação profissional sempre buscou o servir bem ao povo potiguar.
Ele foi ex-secretário de articulação política no Governo Rosalba Ciarlini, exerceu a titularidade da Delegacia Regional do Trabalho, além de emprestar o seu talento político, nas assessorias de Flávio Rocha e também do ex- senador José Agripino Maia.
Esdras Alves é um ser humano simples, de caráter, distinto, talentoso, fiel a seus ideais e em suas amizades, como bom guerreiro, seu alvo é fazer sempre bem.
Kakay pede a continuidade das investigações contra Moro e os procuradores da lava jato

A Segunda Turma do Supremo Tribunal Federal , por maioria, entendeu que o HC é o instrumento processual adequado para aferir a parcialidade do ex juiz Moro e, por consequência, dos membros da Força Tarefa.
É importante frisar que a Suprema Corte julgou ser o juiz Moro um juiz PARCIAL. Não validou os métodos espúrios, hoje inquestionavelmente reconhecidos, utilizados pelo juiz e pelo grupo de Curitiba.
O que se decidiu foi que neste julgamento do HC se pôde aferir , pela via escolhida, que o juiz Moro foi PARCIAL e , sem dúvida, instrumentalizou o Poder Judiciario. Ele e os Procuradores que ele coordenava.
É fundamental frisar que a investigação criminal contra o juiz Moro e os Procuradores deve e tem que continuar . O ex juiz não pode mais responder no Conselho Nacional de Justiça, pois está aposentado. Mas , à toda evidência, ele deve responder em procedimentos criminais. Ninguém está acima da lei.
Por outro lado os Procuradores, certamente, deverão responder junto ao CNMP e também nas devidas e necessárias investigações criminais.
O que é certo é que cabe ao Ministério Público, que na sua imensa maioria é séria, continuar promovendo a investigação dos ilícitos.
Cabe ao Tribunal de Contas cumprir seu papel e averiguar as condutas dos agentes públicos.
E , muito especialmente, cabe ao Poder Judiciário dar a palavra final e examinar de forma criteriosa os inúmeros abusos, ilegalidades e crimes que inegavelmente foram cometidos. O sistema de justiça foi corrompido as claras, resta uma resposta a nação como única maneira de resgatar a credibilidade do sistema.
Aquilo que defendemos nos últimos 5 anos , a parcialidade do juiz Moro e do seu bando, está agora sacramentado pela Corte Suprema. A instrumentalização e o uso político do Poder Judiciario e do Ministério Público , corrompeu o sistema de justiça. Felizmente o Supremo Tribunal resgata a dignidade do sistema.
KAKAY
Comendadores pontifícios do RN
Padre João Medeiros Filho
“Façamos o elogio de homens ilustres, nossos antepassados, através das gerações”, recomenda o Livro do Eclesiástico ou Sirácida (Sr 44, 1). A comenda é uma condecoração concedida a pessoas que se destacam em suas áreas de atuação. O Vaticano outorga esta honraria a leigos que prestam relevantes serviços à Igreja. Costuma agraciar por meio de cinco instituições. São as ordens do Santo Sepulcro, Soberana de Malta, São Pio X (Piana), São Silvestre e São Gregório Magno. Esta detém a precedência sobre as demais. Conferem quatro graus: cavaleiro, dama, oficial e comendador, sendo este o mais alto. Seus detentores desfrutam de privilégios junto à Sé Apostólica, como, trânsito livre nas dependências pontifícias e direito à saudação protocolar da Guarda Suíça. Além das insígnias próprias, são contemplados com brasão e heráldica personalizados.
No século passado, o Rio Grande do Norte foi aquinhoado com cinco comendadores pontifícios. Justas e merecidas homenagens. O primeiro é Luís da Câmara Cascudo, ícone de nossa cultura. Levantou os dados dos registros (cartas régias, decretos imperiais, leis provinciais, provisões diocesanas etc.) da criação de nossas paróquias, até os idos de 1950. O Capítulo IX de sua História do Rio Grande do Norte volta-se para a tarefa de evangelização da província. Publicou numerosos estudos sobre vultos religiosos potiguares. Dom Marcolino Esmeraldo de Souza Dantas, quando arcebispo de Natal, solicitou ao Papa condecorar o renomado pesquisador e antropólogo. Entretanto, coube a Dom Eugênio de Araújo Sales, bispo auxiliar, a entrega do galardão, que o metropolita havia pleiteado, pois, na ocasião, Dom Marcolino já padecia de cegueira total.
Otto de Brito Guerra é a expressão da liderança intelectual católica de nosso estado. Jurista e mestre de gerações, detentor de inúmeros títulos, membro de alguns movimentos e irmandades, distinguia-se também pelo elevado saber místico-teológico, especialmente no campo da Doutrina Social da Igreja. Sobre esta temática possuía, à época, a mais completa biblioteca da América Latina. Contribuiu para a organização das emissoras rurais de nossas dioceses. O Concílio Vaticano II deve-lhe muitas páginas da Constituição “Guadium et Spes”. Seus artigos em jornais e revistas revelam a profundidade de seu pensamento religioso.
Outro homem marcado pelo cristianismo é o professor Ulysses Celestino de Góis. Consagrou-se como alma das cooperativas de crédito, incentivador do ensino da contabilidade e, durante anos, dirigente da Congregação Mariana de Natal. Esta veio a ser uma grande escola de formação católica, a exemplo do Centro Dom Vital (RJ), celeiro de tantos líderes cristãos, como Tristão de Athayde, Sobral Pinto e outros. Em gratidão a seu trabalho apostólico, o Sumo Pontífice outorgou-lhe a comenda, reconhecendo igualmente sua piedade e devoção à Virgem Santíssima. Além disso, foi um mecenas para nossa arquidiocese.
Hélio Mamede de Freitas Galvão era, sem dúvida, um católico convicto e fervoroso de nossa terra. Tive a honra de ser seu aluno no Seminário de São Pedro, em Natal. Homem de sólida fé, piedoso e probo, foi o defensor ardoroso do patrimônio das paróquias, por vezes, dilapidado pela incúria ou desconhecimento dos gestores. Prestou incomensurável contributo à pacificação do RN. Seu parecer canônico-jurídico – a pedido do bispado de Caicó – em defesa da candidatura de Monsenhor Walfredo Gurgel ao governo do estado, foi técnico e convincente. Respondendo à diocese seridoense e autorizando a candidatura daquele eclesiástico, Dom Sebastião Baggio, Núncio Apostólico no Brasil, assim se expressou: “Brilhante peça jurídica. Vislumbra-se no autor a fé profunda de um autêntico cristão.”
Há poucos meses, foi juntar-se aos eleitos de Deus o último comendador pontifício norte-rio-grandense João Wilson Mendes Melo. Educador, advogado, historiador, jornalista, membro de várias irmandades e assessor do arcebispado. Dirigiu diversas instituições de ensino e tornou-se o formador de muitas consciências na Congregação Mariana de Natal, enquanto responsável pelas palestras, cursos e retiros dos congregados. A Igreja muito deve a esses filhos, voltados para assuntos eclesiais. Constituíram a vanguarda do pensamento e do laicato católico potiguar. Tal tarefa deveria ser incentivada pelas faculdades de teologia, cujo objetivo consiste também em responder ao desafio de pensar o Evangelho e sua inculturação junto ao povo. A maior recompensa desses eminentes conterrâneos é a glória celestial, pois “seus nomes estão inscritos no Livro da Vida” (Lc 10, 20).
Mercado prevê mais inflação e mais juros

O mercado voltou a aumentar as previsões de inflação e de juros para este ano.
Com base nos dados do Boletim Focus divulgado há pouco pelo Banco Central, a estimativa do IPCA, o índice oficial da carestia no Brasil, subiu de 4,6% para 4,71% para o fim de 2021 — o centro da meta oficial é de 3,75%.
Já a projeção para a Selic, a taxa básica de juros da economia, em dezembro aumentou de 4,5 para 5% ao ano.
Nesta semana, será divulgará a ata da última reunião do Comitê de Política Monetária (Copom), que aumentou a Selic, na semana passada, de 2% para 2,75% ao ano. Na quinta-feira, o IBGE divulgará o IPCA-15, a prévia da inflação, referente a março. No mesmo dia, o Banco Central divulgará o relatório trimestral de inflação.
O antagonista.
EUA: “Não venham para cá, as fronteiras estão fechadas”

O Secretário de Segurança Nacional dos Estados Unidos, Alejandro Mayorkas, disse em entrevista à rede de TV ABC no domingo (21.mar) que as fronteiras do país estão fechadas para os imigrantes: “A mensagem é clara, não venham. A fronteira está fechada, a fronteira é segura”.
A declaração vem na esteira de uma crise migratória enfrentada pelo presidente Joe Biden já nos primeiros meses de gestão. De acordo com a CNN, o secretário afirmou que a quantidade de pessoas tentando cruzar a fronteira com o México “caminha para ser a maior em 20 anos”. A situação é ainda mais preocupante porque há cerca de 4.200 crianças desacompanhadas sob custódia da polícia migratória norte-americana. O presidente também já foi à TV na 3ª (16.mar) para reforçar a mensagem: “Eu digo claramente: não venham”, declarou o democrata. “Não saiam das suas cidades”.
Depois de 4 anos de governo Trump, cuja política para barrar o fluxo de imigrantes para os EUA incluiu a construção de um muro na fronteira com o México, havia uma expectativa sobre como Biden lidaria com o tema. Uma das primeiras medidas do democrata foi interromper a construção do muro.
Poder 360.
Pela primeira vez, cidade de SP registra falta de oxigênio

A cidade de São Paulo registrou pela primeira vez desde o início da pandemia falta de oxigênio medicinal em uma unidade de Saúde, publica O Globo.
Na noite desta sexta-feira, dez pacientes recebiam tratamento na UPA Ermelino Matarazzo tiveram de ser transferidos em razão da falta do insumo. As unidades de Saúde prestam o primeiro atendimento a pacientes com sintomas de Covid.
De acordo com o secretário municipal de Saúde, Edson Aparecido, o problema ocorreu porque a empresa White Martins não conseguiu oferecer o insumo a tempo.
“Em condições normais, a gente abastecia as UPAS de oxigênio uma vez por semana. Agora, precisamos abastecer três vezes ao dia por causa do aumento do número de pacientes que chegam com Covid-19”, disse Aparecido.
O antagonista.
Oitenta anos, o que dizer?
Padre João Medeiros Filho
Desde a infância, meus pais despertaram em mim o sentimento de gratidão. E confesso: alegra-me cultivá-lo, ao longo dos meus dias. Diariamente, agradeço ao Criador o dom da vida e por Ele me ter constituído arauto de sua ternura. Grato sou por tantas maravilhas concedidas, dentre elas, os amigos. Um poeta bíblico, há quase quatro mil anos, afirmara: “A soma de nossos anos chega a setenta ou para os mais fortes, oitenta. A maior parte deles é luta… Passa depressa. É como se voássemos” (Sl 90/89, 10). Estes versos, divinamente inspirados, encerram, além da beleza literária, uma mensagem do Eterno. Quem nos faz levantar voo é Deus. Ele torna-nos ávidos de esperança e sedentos do Infinito. Nisto consiste a realidade humana. Para quem tem fé, ela é sopro do Altíssimo (Gn 2, 7), centelha celestial, aceno da plenitude da Luz. Participa do mistério divino, latente a nossos olhos, mas perceptível à visão da fé. O que seria de nós, se a vida fosse totalmente manipulada pelos homens, seus caprichos e instabilidade?
Perguntam-me como me sinto, completando oito décadas. Continuo sendo o menino de recado de Deus, temendo esquecer a mensagem confiada, atento para transmiti-la fielmente, sem misturar minhas palavras com as Daquele que me enviou. Quantos anos você tem? Como Rubem Alves, repito: “Digo que não tenho mais oitenta”. Estes se foram na poeira dos caminhos, nas trevas da existência, atravessados com ajuda do clarão da fé e iluminados pelo brilho da graça sobrenatural.
Os amigos indagam-me: por que você decidiu ser padre? A resposta não está em mim, mas em Cristo. “Não fostes vós que me escolhestes. Fui eu que vos escolhi.” (Jo 15, 16). O motivo dessa escolha faz parte do mistério do ser humano. Meu pai esperava ver-me um tribuno, com discursos repletos de ideias e sonhos, talvez vazios da riqueza de Deus. Por minha mãe, teria sido médico, aliviando dores, qual seu tio Epaminondas Tito Jácome. Entretanto, os planos de Deus eram outros. Proclama o Todo-Poderoso: “Os meus pensamentos não são os vossos pensamentos e meus desígnios não são os vossos desígnios.” (Is 55, 8). Não tenho palavras para explicar porque fui tornado fagulha do Sagrado e lábil pulsação do Eterno. O Cardeal Suennes, arcebispo de Bruxelas, na homilia da ordenação de meus colegas, advertiu: “Não façam muitos planos. Vivam de acordo com a sede de Deus, manifestada pelos seus irmãos”. Adotei esta orientação para o meu ministério presbiteral.
Com o tempo e no silêncio, compreendi que falar muito de Deus pode sinalizar que Ele não está dentro de nós. A fala insistida e continuada indica ausência. Ele é como o vento. Podemos senti-lo na pele e ouvi-lo no farfalhar das folhas. Um dia, Ele colocou meu coração para além do tempo, na Eternidade. O encanto do Transcendente seduziu-me. “O zelo de tua casa me inebriou”, diz o salmista (Sl 69/68, 10). Deus é a Beleza. Segundo Helena Kolody, “as coisas belas são sua sombra no mundo”. Esplêndido é o Evangelho; extasiante, o mistério da Eucaristia; encantadoras são as Bem-aventuranças; tocante é a poesia de Maria Santíssima. Tudo isso me inspirou a ser sacerdote. E Michel Quoist (meu contemporâneo, em Louvain) marcou-me com estas palavras: “Deus não mora apenas numa casa. Se assim fosse, estaria ausente do resto do mundo. Vento engarrafado não sopra. Meu irmão, leve Deus para o meio dos homens.”
O que dizer da Igreja? É terrena e divina, sacramento temporal de Cristo, detentora de muitas virtudes e alguns pecados, pois também é humana. Respeito-a profundamente. É minha mãe na fé. Dela pode-se discordar esporadicamente, desrespeitá-la jamais. Isso me ajudou a viver em paz e feliz, ao longo destes oitenta anos, dos quais cinquenta e seis, de sacerdócio. Não sou exemplo, e sim mendigo do perdão divino. O reconhecimento de nossa miséria atrai a misericórdia de Deus. Busco viver o ensinamento do salmista: “Provai e vede como o Senhor é bom. Inefável é o seu amor, incomensurável a sua bondade.” (Sl 34/33, 8; 36/35, 8). Minha fé leva a entregar-me, cotidianamente, ao Pai Celeste.
Tempos polêmicos e doentios
Padre João Medeiros Filho
O Brasil contamina-se cada vez mais com polêmicas e radicalismos, acarretando desgaste emocional e desperdício de energias nos indivíduos. Desprezam-se oportunidades ricas de diálogos sensatos, capazes de ajudar na solução de vários problemas. A dificuldade em debater, de forma construtiva, tem revelado despreparo com o exercício das responsabilidades civis, profissionais e até religiosas. Isso não é novo. Na época de Jesus Cristo, seus concidadãos viviam psicologicamente armados. A animosidade reinava entre as províncias da Samaria e Judeia (cf. Lc 9, 52-53 e Jo 4, 9). As constantes diatribes com escribas, fariseus, saduceus e outras correntes eram análogas aos atuais embates ideológicos. Os evangelhos contêm várias alusões a esse tipo de comportamento.
Verifica-se um descompasso entre as possibilidades científicas ou tecnológicas do Brasil contemporâneo e as contradições da sociedade. Esta se enfraquece, ainda mais, com lutas fratricidas, impactando sobre o exercício das diferentes atividades. Disso resulta a fragilização crescente das instituições. Na ausência de equilíbrio ético, psicológico, político e social, falta clareza às pessoas. Assim, prevalecem conveniências e acordos condenáveis, dificultando soluções adequadas. Nesse contexto, a capacidade de diálogo se debilita, travando a percepção da verdade e o exercício da justiça e solidariedade. Discernimento e consenso estão praticamente ausentes da convivência hodierna. O outro passa a ser inimigo, lembrando o pensamento de Sartre: “O inferno são os outros”.
Atualmente, o país e os cidadãos vêm se nutrindo patologicamente de polêmicas. “Não se informa mais com objetividade e razoabilidade. Decide-se jogar mais lenha na fogueira”, advertiu o Papa Francisco, em uma de suas recentes audiências públicas. Hoje, as pessoas revelam-se incapazes de escutar e aceitar críticas que possam contribuir para a construção de dinâmicas renovadoras dos diferentes contextos. “Foi-se o contraditório, reina o ditatório”, desabafou o jurista Afonso Arinos, da tribuna do Senado, na década de 1970. Desprovidos de humildade, tangidos pela vaidade e empáfia, muitos se arrogam melhores do que realmente são.
Nos dias atuais, julga-se açodadamente. Há pressa na emissão de juízos. Desconsideram-se as ponderações necessárias para interpretar adequadamente falas e fatos. Geralmente, não se analisa o porquê das coisas. As sentenças são quase imediatas, impulsionadas por ódio, preconceitos ou interesses duvidosos. Por isso, opiniões e pareceres distanciam-se da realidade e prejudicam inúmeros processos importantes. Daí, surgem obscurantismos e polarizações. Deste modo, as instituições vão definhando. E, consequentemente, os acontecimentos são banalizados na velocidade da mídia, sem análise responsável dos conteúdos e seus alcances. Valoriza-se mais o frenesi abusivo e alienante das redes sociais, ameaçando a saúde mental dos indivíduos e da nação.
Entre as consequências desse cenário estão a ausência de habilidade para se relacionar e a crescente violência. O lar está deixando de ser local de diálogo, tornando-se reduto de conflitos. “Muitas famílias reduzem-se a meros pensionatos”, como afirmava Dom Nivaldo Monte. Isso concorre para o adoecimento do país, somado à pandemia, que também se tornou escudo ou álibi para inépcia, ausência de honestidade e seriedade em muitos. Em artigo anterior, afirmamos que as imunizações são urgentes, não apenas para vencer o Sars-CoV-2, mas também para superar outras enfermidades, que podem levar ao colapso nacional, inclusive pessoas capitularem da vida.
A desorientação generalizada é sinal de que a estrutura da nação está abalada. É preciso fortalecer a dinâmica da fé. Jesus tranquilizou o leproso: “A tua fé te salvou” (Lc 17, 19). A recuperação do Brasil clama igualmente por uma solidez espiritual e mística. Diante da crescente morbidade das pessoas e instituições, urge buscar o remédio da espiritualidade. Evidentemente, não se deve abrir mão de outros remédios, mas a verdadeira religiosidade integra a terapêutica capaz de restabelecer a dimensão mais essencial do ser humano. Ela colabora para que o sentido da vida seja percebido. Igrejas e religiões precisam desenvolver dinâmicas e vivências que ajudem o país a recompor sua interioridade, superar situações depauperantes e intransigências que dissipam a paz. Torna-se imprescindível abandonar o hábito de sofismas e disputas cegas ou deletérias. É preciso insistir nas palavras do Mestre à samaritana: “Ah, se conhecesses o dom de Deus!” (Jo 4, 10).
