A endogamia no Seridó

Padre João Medeiros Filho

No Seridó potiguar, ouve-se frequentemente a expressão: “Aqui, quem não é parente, mora em frente.” Originalmente, a frase remetia à endogamia, ou seja, ao casamento de aparentados, consanguíneos geneticamente semelhantes. Em artigos anteriores, referi-me a determinados traços culturais flamengo-batavos nas tradições seridoenses. Por exemplo, o matrimônio entre parentes próximos, que ainda perdura. Tal tipo de união é um costume milenar, característico da civilização hebraica. Existia na península ibérica, disseminando-se com a colonização neerlandesa (predominantemente judaica) em alguns estados nordestinos. Assim, arraigou-se nos sertões do Seridó. Na Bíblia há recomendações para se contrair matrimônio no interior do clã. Dever-se-ia procurar um cônjuge entre os parentes da mesma linhagem. No Antigo Testamento, verifica-se a situação típica de Abraão, ao desposar Sara (Gn 20, 12).

A endogamia visa a preservar a identidade antropológica-cultural e impedir a dispersão dos bens familiares. O povo hebreu procurava também garantir a pureza de sua crença e o culto a Javé, rejeitando núpcias com pessoas praticantes de religiões politeístas. Aliado a esses motivos está o aspecto econômico-financeiro. Nessa direção caminha a Lei do Levirato, no Antigo Testamento. Ela determinava ao Povo da Antiga Aliança que a viúva sem filhos deveria se casar novamente com um cunhado. A este caberia dar um herdeiro masculino ao irmão falecido. Desse modo, o seu nome não desapareceria e conservaria a fortuna do casal. A importância e o objetivo desta lei (cf. Dt 25, 5-10; Gn 38, 8) residem não só na manutenção da linhagem familiar, mas também do patrimônio material.

O Seridó potiguar, tendo recebido forte influência dos Países Baixos, ficou marcado pela endogamia. Prevalecia a firme intenção de proteger o sangue, a índole, a religião, as tradições do grupo e os bens da família. Esse dado de cunho semita vige até os dias atuais. Após o fim do domínio holandês, houve certo cuidado, por parte dos tradicionais troncos seridoenses, de evitar que o sangue indígena, afro, judaico e o protestantismo pudessem atingir o DNA da aristocracia rural católica, de ascendência e cultura lusitana. Assim, evitar-se-ia a divisão das posses, mantendo-se a integridade patrimonial da família, incluindo sua religião. “Não podemos permitir que forasteiros levem nossas filhas e terras, maculando nossa religiosidade e crença”, dissera o patriarca Tomás de Araújo Pereira a seu neto sacerdote, pároco do Acari. Esta assertiva é uma apologia típica do vínculo endogâmico. Dom José Adelino Dantas, segundo bispo de Caicó, trouxe com seus escritos um substancial contributo a esse tema.

Como secretário do bispado caicoense e chanceler da cúria, acompanhei durante mais de uma década os processos matrimoniais, enviados à autoridade diocesana para obtenção da dispensa do impedimento de consanguinidade. Este ainda está previsto no cânon 1091 § 1 do Código de Direito Canônico em vigor. Nesse período de observação, verifiquei que as uniões entre consanguíneos se mantiveram num patamar de um terço dos casamentos religiosos católicos. As dispensas de impedimento matrimonial por consanguinidade ultrapassavam trezentas solicitações anuais. Monsenhor Walfredo Gurgel, doutor em Direito Eclesiástico, vigário geral do bispado, de 1941 a 1971, procurou sistematizar os argumentos para a solicitação da licença canônica ao bispado. Entretanto, na justificativa dos requerimentos apresentados, permaneciam de forma persistente as razões que expressam a marca da endogamia.

Na ciência médica, a temática suscita questionamentos no tocante a eventuais problemas de saúde, oriundos de tais matrimônios. A outros fatores genéticos, junta-se uma doença rara, presente no Seridó potiguar, denominada Síndrome de Berardinelli-Seip – LCG. Naquela região norte-rio-grandense, constata-se uma incidência dessa morbidade, quatorze vezes maior que a média mundial registrada. Os municípios mais afetados são Timbaúba dos Batistas, Carnaúba dos Dantas e Parelhas. Pesquisadores da UFRN, em alentado estudo, verificaram a existência da referida doença em dezenove municípios potiguares, inclusive na região metropolitana de Natal. Conforme achados de estudiosos, poderia concorrer para isso a endogamia de seus ancestrais. Atualmente, a Igreja dispensa o impedimento de consanguinidade com maior cautela. No entanto, conserva a tradição bíblica de abençoar casamentos endogâmicos, lembrando as palavras do apóstolo Paulo: “Que o vosso amor cresça também em discernimento” (Ef 5, 32).

Ônibus é incendiado na Ponte de Igapó em protesto; trânsito é interrompido e polícia militar está no local

Um ônibus foi incendiado na Ponte de Igapó no início da tarde deste sábado (6). Segundo informações, um ônibus da linha 50 foi abordado por vários homens que ordenaram que motorista e passageiros descessem do veículo e o incendiaram. Após a ação criminosa, que teria ocorrido em protesto após a morte de dois jovens na comunidade na noite de sexta-feira (5), os indivíduos entraram na comunidade às margens do Rio Potengi.

O trânsito está completamente bloqueado. Viaturas da Polícia Militar chegaram ao local.

Lixo no horário correto: um gesto simples que faz a diferença

Foto: Joel Câmara

Pirangi, Cotovelo e Pium recebem nesse período muitos turistas, o que aumenta muito a produção de lixo doméstico. Por lá, a coleta acontece todos os dias, às 6h da manhã, com dois caminhões coletores. A Secretaria de Limpeza Urbana apresenta três orientações à população para facilitar o trabalho dos coletores:

1) Coloque o lixo para a coleta cedinho, cerca de uma hora antes do horário previsto ou mesmo na noite do dia anterior (na hora de dormir);
2) Se tiver muito lixo, separe-o em sacos menores para facilitar o recolhimento;
3) Caso perca o horário, mantenha o lixo em casa até a coleta seguinte.

Com esses passos simples você evita que animais espalhem o lixo nas ruas, e ajuda a manter nossa cidade sempre limpinha.

Assessoria de Comunicação de Parnamirim – ASCOM (Joel Câmara)
Foto: Joel Câmara

A Epifania do Senhor

Padre João Medeiros Filho

A Epifania é a festa da manifestação de Cristo a todos os povos. A busca dos Magossegundo estudiosos, sábios do Oriente – representa a afirmação desse clarão divino em Jesus. Dá-se o encontro do Filho de Deus com personagens que não pertenciam ao povo eleito. Eis uma das grandes lições do Menino. Seu nascimento não veio confirmar privilégios. Nasceu para anunciar a Vida àqueles que desejam a salvação, não importando posição socioeconômica, cultural, étnica etc. Deus é de todos e não apenas de alguns. O Cristo da manjedoura ensina-nos que Ele não quer o poder temporal. Veio pobre e indefeso como uma criança para não amedrontar. Em torno dele, unem-se os povos, vindos de longe, enquanto os que estavam por perto o ignoraram. Muitos buscam Cristo, de modo diferente. Os Magos procuraram-no para reverenciá-lo, enquanto Herodes desejava encontrá-lo para o matar. Assim caminha a humanidade. Enquanto há os queproclamam Cristo “Luz que ilumina todo homem que vem a este mundo” (Jo 8, 12), outros desejam aniquilá-lo. A luz revela a maldade, o erro, a injustiça, o pecado, desmascara pessoas, sendo por isso ameaçada.

Os Magos são metáfora da realidade humana. Simbolizam os sedentos da Palavra divina, enquantoHerodes o Mal sobre a face da terra. Para encontrar Cristo, às vezes, temos de caminhar nas trevas, por desertos e terras desconhecidas. Entretanto, havia para eles uma estrela que os conduziu até Belém. Assim, existe para nós a chama de nossa fé que nos guia aonde poderemos encontrar o Salvador da humanidade. Infelizmente, existem os que ficam cegos com sua minúscula luz. Estes têm medo de encontrar Jesus, de ouvi-lo ou vê-lo e o procuram destruir. É uma tentação antiga, porém sempre atual do ser humano: quer exterminar quem incomoda. Cristo sequer começara a sua pregação, mas sua presença já importunava.

Como os Magos, para proclamar o nascimento do Salvador, devemos fazer o caminho inverso dos poderosos e nos desviar da rota do orgulho. Só Deus enche de paz o nosso coração. Nem mesmo a riqueza, o poder e a realeza nos aquietam. Belchior, Baltazar e Gaspar fazem-nos compreender que os considerados excluídos do amor de Deus são os primeiros a senti-lo. Cristo nasceu para todos e mostra-nos que o Amor do Pai pelos homens não faz discriminação. “Deus enviou seu filho…, e todos recebemos a dignidade de filhos” (Gl 4, 5). As realidades divinas tornam-se acessíveis. Jesus não veio apenas ao mundo, mas se encarnou para que sentíssemos sua infinita misericórdia. Vivemos numa sociedade egoísta. Cada vez mais as pessoas se fecham, revestindo-se de insensibilidade e indiferença. Cristo, apesar de sua grandeza, fez-se pequeno e humilde para não atemorizar. Mesmo os desconhecidos foram recebidos com ternura e respeito.

Hoje, Jesus se manifesta a nós, não como aos pastores e aos Magos, mas no pobre dormindo ao relento, no idoso abandonado pela família, no doente num leito de hospital,sem atendimento adequado, nos injustiçados, perseguidos, rejeitados…  Agora, Ele ensina-nos a amá-lo, sentindo-ono próximo. Não bastam apenas ações sociais ou assistenciais, é necessário Amor. Sentir a presença de Cristo é fruto de busca e caminhada. Ele deseja se revelar a cada um. Porém, precisamos perseverar e procurá-lo inclusive nas trevas. Cristo é Irmão de todos. Nasceu tanto para os pastores como para os estrangeiros do Oriente, cuja religião era diferente da de seu povo.

É relevante o relato de Mateus a respeito da indagação sobre o lugar do nascimento do Menino. O evangelista mostra a ignorância de Herodes, ícone dos prepotentes da época. “Onde está o Rei dos Judeus, que acaba de nascer?” (Mt 2, 2). Por vezes, nossa alienação é idêntica. Cristo está próximo de nós e não o percebemos. Falta-nos sentimento de busca sincera e da descoberta dosagrado e divino. Os Magos não mediram esforços. Viajaram por terras estranhas, enfrentando adversidades e finalmente foram confortados pela alegria do encontro com o Menino Deus. Em sinal de admiração ereconhecimento, ofertaram-lhe o que tinham de melhor, de acordo com sua cultura e tradições.Ofereceram-lhe ouro, incenso e mirra” (Mt 2, 11).

PREFEITO ERALDO REÚNE CENTENAS DE APOIADORES E CELEBRA CONQUISTAS EM CONFRATERNIZAÇÃO DE FIM DE ANO

No Clube Auto Esporte, Centro de SGA, na tarde desta sexta-feira (29), centenas de amigos, apoiadores e admiradores se reuniram para o “Encontro dos Amigos de Eraldo”, um evento festivo de fim de ano organizado pelo Prefeito Eraldo Paiva.

O encontro teve início às 16h e transcorreu num ambiente descontraído, marcado por celebrações pela excelente trajetória de São Gonçalo em 2023. Durante o evento, foi feita uma análise da gestão do prefeito, que destacou as conquistas alcançadas pelo município neste ano e expressou otimismo para um ainda mais promissor 2024.

“Estamos chegando ao fim de 2023 com a sensação de dever cumprido. Não poupamos esforços para elevar a qualidade de vida de nossa população. Investimos de forma significativa em áreas cruciais, como saúde, educação e infraestrutura. Agora, para o próximo ano, estamos prontos para fazer ainda mais por São Gonçalo do Amarante”, afirmou o prefeito Eraldo Paiva.

A participação da população foi expressiva, celebrando e festejando um ano de grandes realizações para o município. O clima festivo e o sentimento de dever cumprido marcaram o evento, fortalecendo os laços entre a comunidade e a administração municipal.

 

 

A mensagem do presépio

Padre João Medeiros Filho

Celebramos os oitocentos anos da criação do presépio, idealizado por São Francisco de Assis, em dezembro de 1223. Dele emanam lições de humildade, despojamento, pureza, harmonia, silêncio, paz, convite à reflexão. Em 2019, o atual Sumo Pontífice escreveu uma Carta Apostólica, intitulada “Sinal admirável”,enaltecendo a manjedoura, como catequese e representação iconográfica dos primórdios do cristianismo. No presépio, manifesta-se o sentido do mistério da encarnação do Verbo. No Natal, o Infinito e o terreno se encontram, o Eterno e o efêmero se unem, exprimindo a inefável bondade do Onipotente. Na manjedoura proclama-se a incomensurável ternura de Deus pelo homem. Cabe lembrar a riqueza da tradição de armar presépios, preparando a vinda do Salvador. Isso favorece à contemplação do berço de Cristo, do qual emerge a essência do Evangelho. É preciso ter um olhar orante, ao se deparar com a imagem do Menino. Nele efluia inarrável manifestação do perdão divino.

É comovente recordar a cena descrita pelo evangelista Lucas: [Maria] “envolveu-o em faixas e o deitou numa manjedoura, porque não havia lugar para eles na hospedaria” (Lc 2, 7). A palavra presépio, em latim “praesepium”, significa manjedoura, gamela, cocho,posteriormente passando a ter a acepção de curral, estábulo. Quando veio ao mundo, o Filho de Deusencontrou lugar apenas numa estrebaria, onde pastavam os animais. Eis a ingente humildade de Cristo. Isso inspirou o “Poverelloa reconstituir o cenário do Natal. Eleconvidou pessoas do lugarejo de Greccio para descrever,de forma viva, o nascimento de Jesus. A ideia era retratar a simplicidade do Salvador e as dificuldades encontradas em Belém por Maria e José para acolher Jesus recém-nascido. A Criança foi reclinada na palha entre os animais. Até hoje, o mundo não compreendeu ainda a dimensão, o verdadeiro sentido da vinda de Cristo e não sabe abraçá-Lo.

Mister se faz olhar para a figura do Menino e descobrir a grandeza do Amor infinito do Pai. Daquela Criança brota uma força capaz de despertar uma espiritualidade, que enleva mentes e comove corações a fim de compreender um Deus, que se humilha numaclemência redentora, aceitando a condição humana. Cristo, Caminho, Verdade e Vida (Jo 14, 6) vem como irmão, oferta suprema do Pai à humanidade. A chegada do Menino oferece-nos oportunidades de trilhar novos rumose motivos para dedicarmo-nos aos outros. Trata-se de uma postura que contribui para redimir nossos pecados. A pobreza do lugar no qual Jesus nasceu, retratada nopresépio, é impactante, aturdindo o homem, combatendo sua presunção e orgulho. Mostra que o despojamento encerra ensinamentos inspirados na benevolência divina, fundamentais para saber doar-se. A presença dos Magos aponta a sabedoria se curvando diante do Salvador, que nos incita a buscar o caminho que conduz à Verdade e à Paz.  

Muitas são as lições do presépio. O céu estrelado nosilêncio da noite faz pensar na escuridão que envolve o nosso interior, quando despido da graça sobrenatural. Ao mesmo tempo, permitir-nos-á reconhecer a luz da presença celestial que não abandona o homem. Deus ajuda cada um de seus filhos a encontrar respostas aos problemas que inquietam o coração. A pedagogia da manjedoura poderá ajudar a sociedade a superar as contradições degradantes. Ensina a vencer obstáculos e encontrar soluções, permitindo abrir os corações à fraternidade para enfrentar melhor as situações de exclusão. Cristo renova o mundo decaído, pois é a única saída para recuperar o esplendor do Amor.  

Somos chamados a admirar o presépio na beleza de sua mística e arte para vivenciar a espiritualidade natalinacom um fulgor maior que o brilho das cores e enfeites desta época do ano. Nos apelos transmitidos pela manjedoura está o da preocupação com as periferias humanas e interiores, proclamando o carinho do Criador. O desapego, ali transmitido e ensinado, contribui para que resistamos à ilusão de buscar felicidade naquilo que é fugaz. Neste tempo do Natal, importa olhar Jesus Meninopara cultivar pela oração a beleza da generosidade redentora. Armemos presépios em nossos corações, deixemonos inundar pela graça divina, seguindo Aquele que sendo Deus, despojou-se de tudo, assumindo a pequenez humana (cf. Fl 2, 6). Possamos todos “encontrar Maria, José e o Recém-nascido, na singeleza damanjedoura [de nossos corações]” (Lc 2, 16).

Paris, uma paixão correspondida

Às vezes, tenho uma vontade danada de nunca ter ido a Paris. Só para ter aquela sensação única de chegar a Paris pela 1ª vez. Um susto existencial ao ver a cidade ali, ao alcance dos olhos, como que respondendo aos seus suspiros.

A capital francesa, em diversas oportunidades, é um susto de tão bonita e aconchegante. Nem falo da Paris majestosa e impactante, de tirar o fôlego. Mas da cidade das pontes, dos becos, dos parques, das livrarias, dos pequenos bistrôs e dos cafés.

Aquela que você só quer andar sem absolutamente nenhum compromisso ou rumo. Nunca se está sozinho lá; a cidade é uma companhia permanente. O Sena, à feição de Pessoa, é como o rio da minha aldeia. Ele te acompanha e te abraça, silenciosa e carinhosamente. As águas que se renovam parecem tragar nossas mágoas, saudades, frustrações e, ao mesmo tempo, continuam a nos banhar de esperança e ilusões de felicidade, que é a forma mais comum de ser feliz. Como ensinou Frédéric Chopin: “Paris responde a tudo que um coração deseja”.

Certa vez, acompanhei a filmagem de Meia Noite em Paris, com o Woody Allen andando nas ruas como se estivesse na Belle Époque. Dava para sentir o cheiro daquela época. Uma áurea mágica nos transportava para um período em que ter tempo era um ativo natural. As pessoas podiam desfrutar de uma Paris em que o tempo era um companheiro e não era preciso, como hoje, lutar contra ele, mesmo sabendo ser uma guerra perdida.

Em Paris, as ruas parecem que não acabam nunca, apenas se transformam, e de passo em passo a gente acaba se encontrando nas esquinas, sempre chegando ao Sena. Perder-se em Paris é uma deliciosa maneira de se encontrar. Lembro-me de Victor Hugo: “Respirar Paris, isso conserva a alma.”

Uma outra vez, em um almoço interminável na casa de Gérard Depardieu, a qual tem 4 cozinhas, eu disse a ele que tinha uma história muito mais interessante do que a que o imortalizou em Cyrano de Bergerac. Contei que, quando não conhecia Paris e julgava que Patos de Minas era uma espécie de Paris roceira, a gente passava férias em casa, por absoluta falta de dinheiro. E os primos ficavam 30 dias hospedados conosco.

Em uma dessas, um deles se apaixonou por uma amiga de Patos. Depois de 30 dias de intensas e frustradas tentativas, teve que voltar a São Paulo. Na despedida, pediu-me: “Não sei escrever bem. Escreve uma carta para ela”. Para minha surpresa, depois de 10 dias, a garota chega em casa com a carta nas mãos e diz: “Amei! Se ele tivesse dito o que está aqui escrito, eu ficaria com ele e me apaixonaria”. E arrematou: “Responde para mim”. Assim foi que, por um ano, eu me correspondi comigo mesmo. Cada vez mais intenso. Mais sexualizado. Mais apaixonado.

Passaram os anos e eu fui fazer análise em Paris com o grande psicanalista Eric Laurent, ex-presidente da Associação Mundial de Psicanálise, formado por Jacques Lacan. Depois das sessões, que eram ao lado do Jardin des Tuileries, eu saía andando pelo jardim e pelo Sena, como que a prolongar a sessão de análise.

Nessas andanças, eu aprendi a amar ainda mais Paris. Uma cidade que me acolhia e me aconchegava. Não mais me desafiava, como no início. Mas me namorava, como uma amante que não pede nada além do amor e da companhia. À exaustão. E só te dá isso. Quando relatei o episódio das cartas para meu analista, ele disse: “Foi aí que você se apaixonou por você”. Foi na mesma época em que eu me apaixonei por Paris e, acredito, ela por mim.

Remeto-me ao poema “Guardador de Rebanhos”, de Alberto Caeiro:

“E o que vejo a cada momento,

É aquilo que nunca antes eu tinha visto,

E eu sei dar por isso muito bem…

Sei ter o pasmo comigo

Que tem uma criança se, ao nascer, reparasse que nascera deveras…

Sinto-me nascido a cada momento

Para a eterna novidade do mundo…”

 

Fonte: poder 360

Câmara concede títulos “Empresa amiga dos animais”e “Amigo dos animais” em Sessão Solene

Com o propósito de reconhecer as empresas que desenvolvem ações de responsabilidades sociais, em função de preservar a vida dos animais, e àqueles que incentivam a melhoria das práticas em relação ao cuidado animal, a Câmara de Parnamirim realizou uma Sessão Solene para outorgar títulos de “Empresa amiga dos animais” e “Amigo dos animais”.

Durante o evento, o propositor da Sessão Solene, vereador Michael Borges falou da importância de se lutar em prol da causa animal. “As empresas e os protetores homenageados hoje são um exemplo de como essa luta vale a pena”, disse o parlamentar.

Na ocasião, compuseram a mesa o presidente da Casa Legislativa, vereador Wolney França, o propositor da ação, vereador Michael Borges, vereador Thiago Fernandes, a Médica veterinária, Dr. Dalila Gurgel e o diretor de Vigilância em Saúde do município, Kleyton Felipe.

A Sessão Solene foi transmitida ao vivo e está disponível no Youtube da Câmara de Parnamirim.

fonte: câmara municiapal de parnamirim

Congresso aprova LDO com meta de déficit zero em 2024

 

Congresso aprova LDO com meta de déficit zero em 2024

O Congresso Nacional aprovou, em sessão conjunta nesta terça-feira (19/12), a Lei de Diretrizes Orçamentárias (LDO) de 2024. A proposta mantém a meta de déficit zero das contas públicas para o ano que vem, como defende o ministro da Fazenda, Fernando Haddad.

 

O projeto segue para sanção presidencial. O encontro foi realizado de forma semipresencial, ou seja, parlamentares puderam votar remotamente por meio do aplicativo InfoLeg. A opção é para garantir o quórum nas votações.

A LDO define as diretrizes para a elaboração do Orçamento. O Congresso ainda precisa aprovar a Lei Orçamentária Anual (LOA), com deliberação prevista para a próxima quinta-feira (21/12).

O parecer, feito pelo deputado Danilo Forte (União-BA) e aprovado anteriormente pela Comissão Mista de Orçamento (CMO) na última semana, mantém o calendário para que o governo federal empenhe as emendas parlamentares impositivas. Elas podem ser individuais (de deputado ou senador) ou de bancada estadual.

 

O texto também institui uma trava de R$ 23 bilhões para o limite de contingenciamentos em 2024. O valor reservado para as emendas bateu recorde histórico: R$ 49 bilhões. São R$ 25 bilhões para emendas individuais, R$ 12,5 bilhões para as de bancada e R$ 11,3 bilhões para as de comissões.

O relator, porém, complementou o voto com o objetivo de retirar os prazos para as emendas de comissão (não impositivas). Foi mantida a destinação mínima de 0,9% da receita líquida de 2022 para essas emendas, sendo dois terços para as comissões da Câmara e um terço para as do Senado. O total de recursos está em torno de R$ 11 bilhões.

O relator recuou de sua intenção original e retirou do texto um trecho que incluía o Sistema S no Orçamento da União. Gerido pelo setor industrial, o Sistema S é formado por entidades como Sesi, Sesc e Senai, voltadas ao treinamento e à promoção de esporte e cultura. Como justificativa, o relator afirmou que a mudança traria mais transparência e controle dos recursos públicos destinados às entidades.

 

O texto também prevê o valor máximo de R$ 4,9 bilhões para o Fundo Especial de Financiamento de Campanha, conhecido popularmente como fundo eleitoral. Os critérios de distribuição da verba consideram o tamanho de cada bancada na eleição anterior.

Fonte: boletim em foco

César Filho vai para o SBT e Record escala rival para substituí-lo

 

César Filho vai para o SBT e Record escala rival para substituí-lo

O retorno de César Filho ao SBT está quase acertado. Após 9 anos, o jornalista teria decidido voltar para o grupo de Silvio Santos, onde passou boa parte da carreira.

 

Até o fim do mês, o famoso segue no elenco do Hoje Em Dia. Porém, depois do dia 31, ele está livre para assinar com qualquer emissora. Um dos motivos pelo rompimento seria o fato de ter que acordar cedo para o programa.

 

Fonte: boletim em foco

Encontro com a imprensa mossoroense acontece nesta terça-feira

Por: Maricelio Almeida
Foto: Arquivo | Wilson Moreno (Secom/PMM)

Reforçando seu compromisso com a transparência e o diálogo constante com os profissionais da comunicação, a Prefeitura de Mossoró realiza nesta terça-feira (19), às 8h30, mais um encontro com a imprensa. O evento acontece no Palácio da Resistência, sede do Poder Executivo local.

O encontro contará com a presença do prefeito Allyson Bezerra e da secretária municipal de Comunicação, Valéria Persali. Na ocasião, o gestor municipal prestará contas das ações promovidas pela Prefeitura de Mossoró ao longo de 2023.

O evento será iniciado com um café da manhã, seguido de apresentação do prefeito Allyson Bezerra, que também responderá a questionamentos feitos pelos comunicadores presentes.

Fonte: prefeitura de Mossoró

No Natal, Deus se faz criança

 


Padre João Medeiros Filho

Santo Antão, um anacoreta do século III, inspirado no Livro da Sabedoria (Sb 18, 14-15) escreveu: “Quando a noite estava no meio de seu curso, tudo parou e silenciou, porque nasceu um Menino, o Salvador da humanidade.” A retórica do presépio pretende mostrar que Deus não é severo, ameaçando nossas vidas. Ele surge no meio de nós como uma criança. E esta não julga nem condena. Deseja tão somente revelar a clemência e o afeto divino. A manjedoura de Belém sussurra-nos uma profunda mensagem de paz. Hoje, vive-se na civilização da incerteza e do medo, até mesmo de Deus. Talvez, nós ministros religiosos, tenhamos uma parcela de culpa. Por vezes, anunciamos mais o castigo divino do que o perdão, a benignidade e a ternura. Jesus se fez pequeno. É o Emanuel, Deus conosco. Não se pode esquecer as palavras dos anjos aos pastores: “Não temais, anuncio-vos uma grande alegria: nasceu para vós o Salvador” (Lc 2, 10). O termo empregado pelos arautos celestiais foi salvador e não juiz.

O Natal cala-nos diante da simplicidade, bem como da benevolência infinita e celestial. Resta-nos dar lugar ao coração que sente, se compadece e ama. Não se poderia fazer outra coisa diante de um menino, sabendo que Ele éo Verbo humanado. Vale lembrar Fernando Pessoa: “Ele é a eterna criança, o Deus que faltava. Ele é o divino que sorri e que brinca. É a criança tão humana que é divina.” O Natal traz-nos uma permanente mensagem: importa muito o espírito de bondade, doçura que encanta, purezaenchendo a alma humana da inefável e enriquecedora graça sobrenatural.

Na festa do Natal de Cristo, somos todos convidados a ver com os olhos da alma, do afeto e do coração. Não raro, somos frios e indiferentes. O Pequeno Príncipe já dizia: “Só se vê bem com o coração.” Santa Dulce dos Pobres mostrou-nos que o cristianismo é feito muito mais com o coração do que com sermões. Neste Natal, vamos resgatar nossa afetividade, deixar-nos comover com nossas crianças interiores, permitir que elas sonhem e nos encham de encanto diante do Menino Jesus. Este sentiu prazer e alegria, querendo ser um de nós. “E a Palavra se fez carne e veio morar entre nós” (Jo 1, 14). Tendo passado pela experiência de ter sido criança, Ele lançou aos discípulos oconvite à infância espiritual: “Se não vos tornardes como crianças, não entrareis no Reino dos Céus” (Mt 18, 3). Natal é isso também.

Na liturgia natalina e do cotidiano da vida, o Eterno vem a nós para nos transformar em irmãos, mudar nossa noite em dia, proteger-nos dos perigos, iluminar nossa cegueira e fortalecer nossa fraqueza. Deus assumiu o homem, não obstante a sua infidelidade, a rejeição do Amor na aurora da humanidade. Um Menino nasceu para nós, um Filho nos foi dado. Cristo se fez um como nós, porque quis ser para todos misericórdia e perdão. Portanto, “alegremo-nos todos no Senhor, pois nasceu para nós o Salvador” (Lc 2, 11). Desceu do céu para nós a verdadeira paz!

O Natal é a resposta à utopia humana, à sua sede e procura inquietas. Em Cristo, Deus materializou todo o nosso sonho: tornar-se imortal, pleno de bondade, rico de benevolência, templo da justiça, fonte da verdade, berço do perdão e da paz. Jesus veio restaurar pela graça a humanidade, em sua beleza original e grandeza primeira da criatura, antes da triste realidade do pecado. O Natal é a convivência celestial nos caminhos da terra, a partilha da Vida divina com a existência terrena, o encontro do Eterno com o tempo, a Presença duradoura no efêmero dos homens. É o Criador decidindo habitar a terra. Destes sentimentos devem se revestir as festas natalinas. A todos desejamos um Natal cheio de graças e de Luz. Precisamos dela neste mundo – em especial no Brasil – rumo a um futuro incerto. Tenhamos fé, Deus indicar-nos-á também uma estrela, como a de Belém, a mostrar o caminho que nos leva ao Salvador. A todos um Natal pródigo de graça, alegria, saúde e paz! “E a gloria do Senhor nos envolva de luz” (Lc 2,9).

A ilusão do poder e o poder que cega

Especial Brasília 60 anos. Sérgio Lima/Poder360 21.04.2020

Brasília não é um lugar para principiantes. Como sede do poder político federal, a cidade pulsa com um ritmo que, para quem sabe ouvir, faz a diferença. Quem não viveu a redemocratização talvez não entenda e possa achar pueril, mas até o ambiente político que se vivia no mítico restaurante Piantella faz falta.

Não é pouca coisa você ter um espaço onde, depois das exaustivas e tensas discussões no Congresso, sentavam-se à mesma mesa José Genoíno, José Dirceu, Delfim Neto, Antônio Carlos Magalhães, Ulysses Guimarães, Fernando Henrique e tantos outros. Os distencionamentos que se davam ali, diretamente, eram, muitas vezes, mais produtivos do que as cansativas reuniões políticas.

Da mesma maneira, os encontros informais, especialmente na Granja do Torto, com o presidente Lula, à época ávido para ouvir, nos quais, muitas vezes, falavam-se verdades difíceis de serem ditas nas audiências formais, de gravata, com assessores e ar condicionado. Saber ouvir era uma marca daqueles tempos e fazia toda diferença.

Desse dia a dia com ares de certa normalidade, criava-se uma expectativa sobre o que nós, sem cargos ou ambições pessoais, esperávamos do governo. Há um episódio sobre a Polícia Federal que, penso, delimita o que é a áurea que se cria em torno dos governos e, especialmente, dos governantes.

No começo do governo Fernando Henrique, assumiu o Ministério da Justiça o excelente advogado José Carlos Dias. Homem comprometido com os direitos humanos, com a democracia e com sólida história a favor das liberdades. Ele me procurou e pediu para sondar o delegado da Polícia Federal dr. Paulo Lacerda para ser o diretor-geral da instituição. Nós o conhecíamos pelo trabalho sério e competente que fazia.

Em Brasília, é assim: a autoridade não faz, em regra, o convite direto, pois é ruim ouvir um não. Salvo em situações de um forte relacionamento pessoal, é comum sondar aquele que será convidado. O delegado foi educado, mas direto: disse ter enorme respeito pelo ministro José Carlos, admiração mesmo, mas ele considerava que não teria a autonomia necessária para fazer o que julgava necessário na gestão tucana. E declinou.

Passam-se os anos e toma posse o presidente Lula. O ministro da Justiça nomeado, Márcio Thomaz Bastos, um advogado na plenitude da palavra, chamou-me e falou para eu sondar o dr. Paulo Lacerda para ser o diretor-geral da PF. Contei a ele o episódio anterior, o da negativa, mas ele insistiu. Novamente, fui até ele, que me disse que, com o que ouvia sobre o governo que estava tomando posse, ele aceitaria, pois teria liberdade e autonomia para fazer o que considerasse correto. Assumiu a Polícia Federal e fez um excepcional trabalho.

O que se diz e o que se ouve faz parte do dia a dia da política em Brasília. Tem que saber, principalmente, ouvir. Deveriam ter a grandeza da imortal Clarice Lispector:

Adoro ouvir coisas que dão a medida de minha ignorância”.

Coisas de Brasília. Corria o ano de 2009, quando se anunciava uma disputa entre 2 queridos amigos meus, senadores da República, para a presidência do Senado Federal: Sarney e Tião Viana.  Um importante jornal fez uma matéria enorme dizendo que eu era advogado, à época e concomitantemente, de 15 senadores. E brincava que eu tinha a maior bancada do Senado.

Que eu era advogado desses senadores era um fato, mas, que eu tinha alguma influência, isso corria por causa da lenda urbana da cidade. Eu nunca confirmei, mas, óbvio, também não desmentia o tal poder, assumindo um ditado lá da minha Patos de Minas: “fama de poderoso, comedor e valente a gente não desmente”.

O então senador Tião Viana me chamou para conversar e eu fui muito sincero e direto. Expliquei que, embora advogasse para vários senadores e fosse até amigo de vários, não tinha nenhuma ascendência ou poder. Mas expliquei a ele, por lealdade, que, se tivesse um único voto, votaria no ex-presidente Sarney. Assim deve ser a vida em Brasília: ouvir muito, ser leal e não sucumbir à ilusão do poder.

Depois da catástrofe bolsonarista, a política mudou muito. Certa vez, diz a lenda, perguntaram ao então senador Petrônio Portella, grande político e excepcional articulador, qual lugar seria melhor, se no céu ou no Senado da República. Ele teria respondido que o Senado era melhor, pois não era necessário morrer para chegar lá. Era uma outra época.

Nesta semana, senadores, que têm a missão constitucional de participar da sabatina do ministro da Justiça Flávio Dino, indicado para o alto cargo de ministro do Supremo, subiram em um carro de som em frente ao Congresso para se manifestar, junto com uns poucos gatos pingados bolsonaristas, contra a indicação. É um momento delicado da política nacional.

Brasília sempre foi uma cidade misteriosa. E, mesmo quem não se deixa levar pela ilusão do poder, pode ser vítima das trapaças da sorte. Certa vez, fui procurado pelo meu contemporâneo de faculdade Joaquim Barbosa pedindo para que eu o apresentasse ao então todo poderoso ministro José Dirceu. O presidente Lula havia se manifestado afirmando querer um negro no Supremo Tribunal. Disse que faria isso, pois ele era íntegro, correto e com um bom currículo, embora não o apoiasse.

Na reunião de apresentação, uma frase do ministro José Dirceu deu sinais de como Brasília pode ser cruel. Ao se cumprimentarem, ele disse ao Joaquim: “Doutor, precisamos mudar a maneira de prover cargos tão importantes. Não é correto que o senhor venha pedir meu apoio, pois, se o senhor virar ministro do Supremo Tribunal, poderá vir a me julgar como ministro de Estado”.

O Joaquim Barbosa virou ministro do STF, relator do Mensalão e o resto da história todos nós sabemos. Aqui, em Brasília, não tem só a ilusão do poder, existe também a ânsia pelo poder e o poder que cega.

Como nos ensinou Pessoa, na pessoa de Bernardo Soares, no “Livro do Desassossego”: “Querer não é poder. Quem pôde, quis antes de poder só depois de poder. Quem quer nunca há-de poder, porque se perde em querer”.

Fonte: poder 360

‘Enem dos concursos’ terá provas em 217 cidades; veja se a sua faz parte da lista

Concurso Nacional Unificado vai preencher 6.640 vagas em 21 órgãos do governo federal — Foto: Freepik

Concurso Nacional Unificado vai preencher 6.640 vagas em 21 órgãos do governo federal — Foto: Freepik

O Concurso Nacional Unificado, ou “Enem dos concursos”, vai aplicar provas em 217 cidades brasileiras em 2024. A lista original divulgada pelo governo contemplava 180 municípios, mas o número foi ampliado nesta quinta-feira (14).

O “Enem dos concursos” vai preencher 6.640 vagas em 21 órgãos do governo federal (confira abaixo os cargos e salários previstos).

 

Segundo o Ministério da Gestão, a ampliação da lista de municípios “visa garantir que regiões metropolitanas tenham provas em mais de uma cidade”.

Para definir esses locais, foram selecionados municípios com mais de 100 mil habitantes, de acordo com dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).

Entre as cidades selecionadas, estão Ananindeua (PA), Aparecida de Goiânia (GO), Camaçari (BA), Caucaia (CE), Farroupilha (RS), Contagem (MG), Duque de Caxias (RJ) e Guarulhos (SP). Navegue pelo mapa e pela lista abaixo para ver se as provas serão aplicadas onde você mora.

O edital com todas as regras do concurso será divulgado dia 10 de janeiro. As inscrições vão começar em 19 de janeiro e seguem até 9 de fevereiro. A realização da prova, por sua vez, deve acontecer em 5 de maio (veja o cronograma atualizado abaixo).

Com a prova unificada, os candidatos vão poder concorrer a várias vagas (de uma mesma área de atuação) em diferentes órgãos federais, pagando uma única taxa de inscrição (entenda mais abaixo). A banca responsavel pelo concurso será a Fundação Cesgranrio.

🤔 Como vai funcionar?

 

  • No momento da inscrição, o candidato vai escolher uma das áreas de atuação que estarão disponíveis no edital (por exemplo: administração, agricultura, educação, políticas sociais, etc);
  • Depois desta escolha, o candidato deverá indicar seu cargo/carreira por ordem de preferência entre as vagas disponíveis dentro daquela área de atuação. Essa área poderá incluir oportunidades em vários órgãos diferentes;
  • A prova será aplicada em um único dia em duas etapas: a primeira, formada por questões objetivas com matriz comum a todos os candidatos, e a segunda, com questões específicas e dissertativas de cada área de atuação;
  • Após a prova, poderão ser agregadas, a critério dos órgãos ou por determinação legal de carreiras específicas, pontuações relativas à titulação acadêmica, experiência profissional, apresentação de memoriais, provas práticas, etc.
  • Para o preenchimento das vagas, a banca vai avaliar o desempenho do candidato na prova e também a ordem de preferência que ele determinou para os cargos.

Fonte: G1

Exclusivo: quase metade das bombas israelenses lançadas em Gaza não tinham alvos específicos, dizem EUA

Bombardeios na Faixa de GazaBombardeios na Faixa de Gaza Clodagh 

Quase metade das munições ar-terra que Israel utilizou contra a Faixa de Gaza durante a guerra com o Hamas desde 7 de outubro foram do tipo não guiadas, também conhecidas como “dumb bombs”, de acordo com uma nova avaliação da inteligência dos EUA.

A avaliação, compilada pelo Gabinete do Diretor de Inteligência Nacional e descrita à CNN por três fontes que a viram, diz que cerca de 40 a 45% das 29.000 munições ar-terra que Israel utilizou não foram guiadas. O restante foram munições guiadas com precisão, diz a avaliação.

As munições não guiadas são normalmente menos precisas, de queda livre, e podem representar uma ameaça maior para os civis, especialmente numa área tão densamente povoada como Gaza. A taxa a que Israel utiliza as bombas não guiadas pode estar contribuindo para o crescente número de mortes de civis.

Na terça-feira, o presidente Joe Biden disse que Israel está envolvido em “bombardeios indiscriminados” em Gaza.

Questionado sobre a avaliação, o porta-voz das Forças de Defesa de Israel (FDI), Nir Dinar, disse à CNN: “Não abordamos o tipo de munições utilizadas”.

O major Keren Hajioff, porta-voz israelense, disse na quarta-feira (13) que “como militares comprometidos com o direito internacional e um código de conduta moral, estamos dedicando vastos recursos para minimizar os danos aos civis com os quais o Hamas forçou a desempenhar o papel de escudos humanos. A nossa guerra é contra o Hamas, não contra o povo de Gaza”.

Mas especialistas disseram à CNN que se Israel estiver utilizando munições não guiadas à velocidade que os EUA acreditam que esteja, isso contraria a alegação israelense de que está tentando minimizar as baixas civis.

“Estou extremamente surpreso e preocupado”, disse Brian Castner, um antigo oficial de eliminação de material bélico explosivo (EOD) que agora serve como conselheiro sénior de crise em armas e operações militares da Anistia Internacional.

“Já é bastante ruim usar armas quando elas atingem com precisão seus alvos. É um enorme problema de danos civis se eles não tiverem essa precisão, e se você não puder sequer dar o benefício da dúvida de que a arma está realmente pousando onde as forças israelenses pretendiam”, acrescentou Castner.

Rachadura entre Israel e EUA

A reportagem sobre a avaliação surge num momento extremamente delicado nas relações EUA-Israel, já que a Casa Branca se esforçou na quarta-feira para explicar o comentário de Biden de que Israel está envolvido em “bombardeios indiscriminados”, ao mesmo tempo que afirma que Israel está tentando proteger os civis.

Uma divergência crescente entre os dois países abriu-se sobre a forma como os militares israelenses estão realizando as suas operações em Gaza na sua guerra contra o Hamas, que lançou depois do Hamas ter matado mais de 1.200 israelenses em 7 de outubro.

Biden disse na terça-feira que Israel está perdendo o apoio da comunidade internacional à medida que aumenta o número de mortos em Gaza, onde mais de 18.000 palestinos foram mortos nos últimos dois meses, de acordo com o Ministério da Saúde de Gaza, administrado pelo Hamas.

Os EUA também estão ficando cada vez mais isolados a nível internacional, uma vez que se recusam a apoiar os apelos a um cessar-fogo no conflito.

Nesta quinta-feira (14), o conselheiro de segurança nacional de Biden, Jake Sullivan, inicia uma viagem de dois dias a Israel, onde se encontrará com o primeiro-ministro Benjamin Netanyahu e conduzirá “conversas extremamente sérias” com autoridades israelenses durante sua visita, disse o porta-voz do Conselho de Segurança Nacional, John Kirby, durante uma reunião da Casa Branca na quarta-feira.

Sullivan discutirá com os israelenses “os esforços para ser mais cirúrgico e mais preciso e para reduzir os danos aos civis”, disse Kirby.

Marc Garlasco, ex-analista militar das Nações Unidas e investigador de crimes de guerra que serviu como chefe de alvos de alto valor no Estado-Maior Conjunto do Pentágono em 2003, disse que o uso de munições não guiadas em uma área densamente povoada como Gaza aumenta muito a chance de que um alvo não seja atingido e que os civis sejam prejudicados no processo.

Uma autoridade dos EUA disse à CNN que os EUA acreditam que os militares israelenses estão usando as “dumb bombs” em conjunto com uma tática chamada “bombardeio de mergulho”, ou lançando uma bomba enquanto mergulham abruptamente em um caça a jato, o que, segundo a autoridade, torna as bombas mais precisas porque o aproxima do seu alvo.

O funcionário disse que os EUA acreditam que uma munição não guiada lançada por meio de bombardeio de mergulho é similar a uma munição guiada.

Mas Garlasco disse que os israelenses “deveriam querer usar a arma mais precisa possível em uma área tão densamente povoada”.

Com uma munição não guiada, “há tantas variáveis ​​a serem levadas em consideração que podem levar a uma precisão incrivelmente diferente de um momento para o outro”, acrescentou Garlasco. Os EUA eliminaram deliberadamente o uso de munições não guiadas ao longo da última década, observou ele.

Não está claro que tipos de munições não guiadas os israelenses têm utilizado, embora os especialistas tenham notado que os militares israelenses têm utilizado bombas M117 que parecem não guiadas.

A Força Aérea Israelense postou fotos de aviões de combate armados com o que pareciam ser bombas M117, no X, em outubro, observou Castner.

Os EUA também forneceram a Israel munições não guiadas, incluindo 5.000 bombas Mk82, disse à CNN uma fonte familiarizada com as recentes transferências de armas, confirmando uma reportagem do Wall Street Journal.

Mas os EUA também fornecem a Israel sistemas que podem transformar essas bombas não guiadas em bombas “inteligentes”, incluindo o sistema conjunto de orientação de munições de ataque direto e as Spice Family Gliding Bomb Assemblies.

Os EUA forneceram aproximadamente 3.000 JDAMS a Israel desde 7 de outubro, informou a CNN anteriormente, e disseram ao Congresso no mês passado que planejavam transferir US$ 320 milhões em kits da Spice Family.

Kirby disse na quarta-feira que Israel está “fazendo tudo o que pode para reduzir as vítimas civis”. Mas os EUA têm instado repetidamente Israel a ser mais preciso e deliberado nos seus ataques aos combatentes do Hamas dentro de Gaza, informou a CNN.

Ainda assim, a administração Biden não tem atualmente planos de impor condições à ajuda militar que está fornecendo a Israel, informou a CNN na quarta-feira. Isto apesar dos apelos crescentes dos legisladores democratas e das organizações de direitos humanos para que os EUA parem de fornecer armas, a menos que Israel faça mais para proteger os civis.

Um responsável dos EUA disse que Biden, em última análise, acredita que uma estratégia de pressão silenciosa sobre Israel para mudar as suas tácticas tem sido mais eficaz do que ameaçar reter armas.

Fonte: CNN