
Com 29,89% dos seus trabalhadores formais submetidos à escala 6×1, o Rio Grande do Norte possuiu a quarta maior proporção do Nordeste de profissionais nessa jornada. Os dados, com base no balanço do Ministério do Trabalho e Emprego (MTE), revelam que 141,4 mil dos 473,7 mil trabalhadores com carteira assinada no estado serão diretamente impactados pela recente transição legislativa que estabelece dois dias de descanso semanal e reduz gradualmente a jornada para o teto de 40 horas.
O índice potiguar supera a média da Região Nordeste, que é de 28,50%. No ranking regional, o estado fica atrás apenas de Alagoas (32,9%), Bahia (32,52%) e Sergipe (30,9%). Em âmbito nacional, 14,7 milhões dos 44,5 milhões de empregados sob o regime da CLT cumpriam a rotina de seis dias de trabalho para um de folga equivalente a 33,2% do mercado formal do país.
Subnotificação e o Impacto no Setor Informal
Especialistas alertam que a extensão real da escala de trabalho no estado é ainda maior. Segundo a auditora-fiscal do trabalho e chefe da Fiscalização no RN, Rossana Nunes Chaves, em entrevista ao jornal Tribuna do Norte, os indicadores oficiais do MTE captam apenas a realidade da carteira assinada.
“Esses números refletem exclusivamente o mercado de trabalho formal. O contingente real de pessoas submetidas à escala 6×1 é expressivamente maior quando consideramos os trabalhadores informais, autônomos e sem registro, que não entram nas estatísticas do estudo”, observa Rossana.
A auditora aponta que as maiores concentrações da jornada 6×1 estão em setores estratégicos para a economia do RN: transporte aéreo (53,2%), alojamento e hotelaria (52%), alimentação (47,1%) e comércio varejista em geral (42,2%).
Como a economia potiguar tem forte apelo no turismo, gastronomia e varejo, esses segmentos precisarão passar por um intenso planejamento operacional para reorganizar turnos e manter o atendimento contínuo exigido pelas atividades.
Qualidade de Vida, Saúde e Produtividade
O supervisor técnico do Dieese no Rio Grande do Norte, Ediran Teixeira, ressalta o peso que a medida representa para a mão de obra local. “Temos, proporcionalmente, mais trabalhadores na escala 6×1 no RN do que estados vizinhos como o Ceará”, destaca.
Para o economista, a transição para dois dias de descanso semanal tende a trazer benefícios estruturais tanto para a vida pessoal do trabalhador quanto para as empresas. “Os trabalhadores com mais tempo para descansar e se qualificar estarão mais aptos para produzir e gerar valor para as empresas”, conclui Ediran.
Com informações da Tribuna do Norte