Ministro do Meio Ambiente diz que situação climática do Amazonas é pior do que se imaginava

Durante entrevista coletiva realizada no domingo (11), na Base Aérea de Manaus, o ministro do Meio Ambiente e Mudança do Clima, João Paulo Capobianco, afirmou que a situação encontrada durante uma visita de monitoramento à região de Autazes era “mais grave do que ele imaginava”.

Segundo o ministro, há focos de incêndio em áreas preservadas e de difícil acesso. Ele também apontou indícios de que parte das ocorrências pode estar relacionada a ações humanas destinadas a degradar o bioma amazônico.

“É fundamental que esses indivíduos que estão agindo criminosamente vejam que serão punidos”, declarou Capobianco.

Amazonas tem 36 municípios em emergência

No sábado (10), o Ministério da Integração e do Desenvolvimento Regional (MIDR) informou que pelo menos 36 municípios amazonenses estavam em situação de emergência.

Segundo informações divulgadas pelo Estadão nesta segunda-feira (12), em boletim divulgado pelo Ministério do Meio Ambiente no domingo apontou que o Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama) havia extinguido 236 incêndios no estado e continuava trabalhando para controlar outros 22 focos ativos.

O governo federal informou ainda que seis das 11 aeronaves disponibilizadas para as operações já haviam chegado ao Amazonas. Cerca de 250 brigadistas estavam mobilizados, enquanto outros 40 seguiam em deslocamento para reforçar as equipes.

São Paulo também enviou apoio ao estado. A missão paulista reúne 30 profissionais, sendo 25 bombeiros e cinco integrantes da Defesa Civil estadual. O grupo deve atuar no combate direto às chamas e na contenção do avanço do fogo.

Focos de incêndio aumentam 271% em outubro

Dados do Painel do Fogo, ferramenta do Centro Gestor e Operacional do Sistema de Proteção da Amazônia (Censipam), vinculado ao Ministério da Defesa, mostram um aumento de 271% nos registros de incêndios no Amazonas durante os primeiros dez dias de outubro.

Nesse intervalo, foram contabilizadas 1.380 ocorrências, contra 372 no mesmo período do ano anterior.

Do total registrado, 1.186 ocorrências foram identificadas em áreas públicas e 93 em propriedades privadas. O levantamento também apontou 246 registros em assentamentos federais, 116 em terras indígenas e 97 em unidades de conservação.

Outras 174 ocorrências foram identificadas em áreas associadas ao desmatamento.

A combinação de queimadas, fumaça intensa e aumento dos focos de incêndio mantém o Amazonas sob pressão, enquanto equipes estaduais e federais seguem mobilizadas para combater o fogo.