PSDB Mulher reúne a região Seridó no “Força Tarefa: Tô com Elas” em Parelhas


Evento enalteceu a chapa das mulheres para estadual e federal. O Ginásio Ovidão em Parelhas foi palco neste sábado (6), de um grande evento do PSDB Mulher Potiguar. Todas as candidatas homologadas pelo partido em convenção participaram do evento interno. Prefeitas, vice-prefeitas, vereadoras, ex-prefeitas e militantes prestigiaram os debates do “Força-tarefa: Tô com elas”, na região Seridó. O cantor Giannini Alencar fez uma abertura com sanfona e elogiou o PSDB por valorizar as mulheres.

A presidente do segmento PSDB Mulher RN, Isa Carneiro, abriu os discursos. “Tenho orgulho de ser PSDB, o partido que mais cresce no Estado e também o que mais valoriza as mulheres. Nossa chapa não tem candidaturas apenas para cumprir a cota mínima de 30% determinada por lei. Vamos mostrar a força da mulher em todas as regiões”, frisou Isa, que integra a Comissão da Federação PSDB/Cidadania.

Enaltecendo as bandeiras femininas de cada nome que concorre à Câmara dos Deputados e à Assembleia Legislativa, o deputado Ezequiel Ferreira, presidente estadual da sigla, fez questão de apresentar cada postulante pelo PSDB nas Eleições 2022. “Nosso partido só tem crescido de tamanho. Hoje temos a maior nominata partidária e contamos com mulheres qualificadas, que tem uma bandeira em cada segmento da sociedade. Temos um eleitorado de maioria feminina, e valorizamos nossas candidatas da Federação PSDB/Cidadania”, afirmou Ezequiel.

Secretário Geral do PSDB-RN, o médico Tiago Almeida, que tem 85% de aprovação popular como prefeito de Parelhas, mostrou que sua cidade tem força. “Aqui o PSDB elegeu o prefeito, o vice e tem sete vereadores, sendo três mulheres tucanas. Parelhas é uma cidade importante do Seridó e agora terá uma mulher nos representando em Brasília. Dra. Júlia tem um trabalho como médica, mãe e como mulher sabe os anseios da população”, disse.

Na chapa do PSDB/Cidadania existem quatro mulheres como candidatas a deputada federal. As vereadoras atuantes Delkiza Cavalcante (Vale do Açu) e Wanderleya Firmino (Litoral Norte), além de Leilza Palmeira (Currais Novos) vão defender em cada região. A médica Dra. Júlia Ferreira, primeira-dama de Parelhas, foi bastante aplaudida. “É uma honra receber toda a chapa tucana com as mulheres que defendem, através de seus mandatos, uma luta histórica. Quero agradecer a prefeita Rossane Patriota de Ielmo Marinho, os prefeitos Galo de Florânia e Serginho de Serra Negra do Norte, além do vice-prefeito de Ouro Branco, Justino e de do vice Humberto Gondim, esse parceiro de Parelhas. Quero agradecer os vereadores de Cruzeta, Parelhas, Santana do Seridó, Ouro Branco, Equador, Serra Negra e Acari que aqui estiveram prestigiando este evento”, enalteceu Dra. Júlia Ferreira, que concorrerá pela primeira vez. A secretária de Administração do Estado, Virgínia Ferreira, mãe da candidata, também fez questão de subir ao palco.

O PSDB vai apresentar mulheres que são profissionais de saúde, como Engracia Alves, da Cooperativa de Médicos Ortopedistas do Rio Grande do Norte. Também a influencer digital, Leila Maia, que foi idealizadora do projeto social Ponte da Vida, conscientizando da importância dos cuidados para prevenir o suicídio. Com a bandeira da educação e evangélica, a professora Thaysa Barbosa; e a advogada que atua em um dos segmentos da OAB/RN, Dra. Karina Pereira. Além da vice-prefeita Juliana Dantas de São Bento do Trairi e Lucinéia Florêncio, que trabalha no segmento de segurança e tem um projeto em defesa do Vale Dourado, na Zona Norte de Natal. Os postulantes à deputado federal da federação Dr. Estácio (Agreste), Pezão (Grande Natal) e Gideon Ismaias (Mossoró) prestigiaram o evento em Parelhas.

A causa do crime

Georges Simenon (1903-1989), o escritor belga nascido em Liège (portanto criado e formado em língua francesa) nos deu um dos mais famosos detetives que a ficção policial já produziu: o Comissário Jules Maigret. Um detetive bem peculiar: “um homem grande, que come e bebe muito”, como muitos de nós; mas, sobretudo, um herói definitivamente humano, que busca entender a psicologia dos suspeitos e criminosos; e, para quem, muitas vezes, não há culpados nem inocentes, apenas culpas a serem expiadas. Li, já não me lembro onde, que André Gide (1869-1951) considerava Simenon um dos maiores escritores do século XX. Embora muitas vezes discorde das preferências do autor de “Os subterrâneos do Vaticano”, nesse ponto, dou a mão à palmatória: a dupla Simenon/Maigret é fantástica.

E é a partir da leitura de um dos muitos romances de Simenon/Maigret – no caso, “Maigret no tribunal” (de 1960, mas em edição de 2013 da L&PM) – que vou jogar aqui a seguinte indagação sociológica e jurídica: por que as pessoas cometem aquilo que chamamos, nós e sobretudo a legislação penal de cada país, de crime?

Bom, existem estatísticas sobre crianças e jovens carentes, mal encaminhados na vida, que mais tarde se tornam criminosos. Eles odeiam a sociedade e a culpam por tudo de mal nas suas vidas. Foi mais ou menos isso que li em “Maigret no tribunal”.

De fato, embora não seja de fácil quantificação, é importante entender como os fatores culturais e sociais levam as pessoas à criminalidade (na verdade, de modo mais amplo, a qualquer tipo de pensar e agir). Grandes sociólogos, como o “pai” da sociologia Émile Durkheim (1858-1917) e, mais recentemente, o americano Robert Merton (1910-2003), labutaram nesse sentido. A sutil “teoria da anomia” é uma tentativa nesse sentido. Basicamente, nas sociedades ocidentais, o sucesso financeiro é um objetivo a ser alcançado. Aliás, é quase sempre estimulado. E, em regra, dadas as devidas oportunidades (educação, emprego etc.), agimos em “conformidade” com os padrões legalmente aceitáveis em busca dessa segurança ou mesmo abundância financeira. Entretanto, algumas pessoas, na ausência dessas oportunidades, “inovam”, nas palavras do citado sociólogo americano. Como resumem Chris Yuill e Christopher Thorpe em “Se liga na sociologia” (Globo Livros, 2019), “segundo Merton, se os indivíduos desfavorecidos e marginalizados não têm chance de realizar esses ideais, há mais probabilidade de crime. Qualquer um que vive numa área de alto índice de desemprego, onde o acesso à educação é limitado ou a discriminação étnica e religiosa é uma realidade, pode ter dificuldade de fazer parte da sociedade. Quando isso acontece, afirma Merton, as pessoas se deparam com uma escolha: aceitar a vida à margem ou fazer o que ele chama de inovar, isto é, usar meios ilegais para fins legais”.

Penso que a tese defendida por Merton é em boa parte acertada. Explica uma das principais causas da criminalidade. Mas não nos dá todas as respostas. Mais uma vez, socorro-me deSimenon/Maigret na sua análise sociológica, literariamente lúdica, quanto ao encaminhamento das pessoas desfavorecidas à criminalidade. Registra a dupla autor/personagem serem os que assim agem (criminosamente) uma minoria. A maioria – numa proporção muito maior – daqueles que sofreram privações, embora marcados na vida, reage de forma completamente diversa. Buscam e conseguem provar que valem tanto quanto qualquer de nós. Aprendem um ofício, estudam, se esforçam para ganhar a vida honestamente. Formam uma família e vão à desforra, indo aos domingos, com a companheira e os filhos, à missa ou jogo do seu time de coração.

E mais: temos aqueles que cometem crimes não motivados pelas condições sociais. Já vivem em segurança ou com um estilo de vida até afluente. Em lazer e consumo ostensivos, ou conspícuos, para usar da expressão de Thorstein Veblen (1857-1929), outro grande economista e sociólogo americano. Fazem disso – da criminalidade – uma profissão. Nos altos escalões do tráfico de drogas ou na criminalidade do colarinho branco, por exemplo. Em forma de grande empresa ou comércio. Eles também são uma minoria, é verdade. Mas sem relevante expiação.  

Marcelo Alves Dias de Souza

Procurador Regional da República

Doutor em Direito (PhD in Law) pelo King’s College London – KCL