Comissão do Congresso aprova transferência do Coaf ao Ministério da Economia

Começam a ser trocados os nomes nas fachadas de ministérios, em Brasília.

A comissão do Congresso Nacional que analisa a medida provisória (MP) sobre a reforma administrativa aprovou na manhã desta quinta (9) a transferência do Conselho de Controle de Atividades Financeiras (Coaf) para o Ministério da Economia. O placar foi de 14 votos a 11.

Ao assumir a Presidência da República, Jair Bolsonaro transferiu o conselho do extinto Ministério da Fazenda, agora da Economia, para o Ministério de Justiça e Segurança Pública, comandado pelo ex-juiz Sérgio Moro.

O Coaf atua na produção de inteligência financeira e na prevenção e combate à lavagem de dinheiro. O conselho recebe, examina e identifica ocorrência de atividades ilícitas, comunicando às autoridades competentes para a instauração de procedimentos.

O órgão ainda é responsável por coordenar a troca de informações para o combate à ocultação ou dissimulação de bens, direitos e valores. O Conselho aplica penas administrativas nos setores econômicos para os quais não exista órgão regulador ou fiscalizador próprio.

A transferência do Coaf é uma derrota, principalmente, ao ministro Sérgio Moro, que já havia manifestado que a permanência do conselho na pasta era estratégica para o combate à corrupção e lavagem de dinheiro.

(Diário do poder)

Conselho Federal de Medicina aponta irregularidades em hospitais públicos

Fiscalização realizada pelo Conselho Federal de Medicina (CFM) em 506 hospitais públicos, no ano passado, encontrou inconformidades nas unidades desde a falta de materiais e medicamentos básicos até centros cirúrgicos que não tinham área para higienização.

Os dados, divulgados nesta quinta (9), em São Paulo, fazem parte do primeiro levantamento feito pelo conselho após a entrada em vigor do novo Manual de Vistoria e Fiscalização da entidade, em 2016, que estabelece critérios para a fiscalização em centros cirúrgicos, unidades de terapias intensivas, salas de recuperação pós-anestésica e unidades de internação, avaliando as condições estruturais, físicas e de equipamentos.

Na pesquisa, foram analisados 102 centros cirúrgicos, dos quais 3% não contavam com área para higienização das mãos, o que foi classificado como falta grave, “já que essa falha é fonte certa de infecção hospitalar”, de acordo com o CFM.

Nas 102 salas cirúrgicas, 33% não tinham foco cirúrgico com bateria; 22% não tinham negatoscópio para a leitura de imagens; 16% também não contavam com carro para anestesia ou monitor de pressão não invasivo; e 12% não dispunham de equipamentos básicos como fio guia e pinça condutora.

Já 44% não possuíam fonte fixa de óxido nitroso, usado em procedimentos anestésicos, e em 21% também faltava a fonte de oxigênio. Em 43% dos centros cirúrgicos, não havia capnógrafo, aparelho que monitora o dióxido de carbono exalado pelo paciente durante cirurgias, e em 28% faltavam dispositivos para a realização de traqueotomia.

Nas salas de recuperação pós-anestésica, o CFM avaliou que a situação também é de grande precariedade: 28% dos centros cirúrgicos não tinham salas de recuperação pós-anestésica, sendo que em 18% faltavam oxímetros e em 19% não havia carrinhos de emergência. Faltavam ainda medicamentos básicos, como brometo de ipratrópio (15%), escopolamina (15%), diclofenaco de sódio (13%) e haloperidol (12%).

Para o coordenador do Departamento de Fiscalização do CFM (Defis), Emmanuel Fortes, os primeiros resultados das fiscalizações realizadas a partir do Manual de Vistoria e Fiscalização em hospitais, mostram que o CFM, ao ampliar seu arsenal fiscalizatório, pode fazer “um diagnóstico preciso das inconformidades para exigir soluções dos administradores e gestores”.

Ressaltou que, ao fortalecer a fiscalização dos ambientes médicos, o CFM cumpre sua previsão legal e “atende às expectativas dos médicos e da população”.

UTI

A fiscalização também avaliou as condições de permanência dos pacientes em quartos e Unidades de Terapia Intensiva (UTIs). Em 63% das 131 unidades de internação visitadas, foram encontradas camas sem lençóis, superlotação em mais da metade dos quartos (53%), falta de grades nas camas em 21% e de cama regulável em 17%.

Os quartos também não dispunham de biombos ou cortinas para separar um leito de outro (26%), nem de poltrona para acompanhante (15%).

Dos 506 hospitais fiscalizados, 68 tinham UTI, sendo que 32 dessas unidades (47%) não apresentavam monitor de pressão intracraniana (PIC). Em 41% faltava monitor de débitos cardíacos, em 37% inexistia oftalmoscópio e em 31% não havia capnógrafo.

Segundo o conselho, as UTIs fiscalizadas também não estavam preparadas para transportar os pacientes em caso de piora do quadro clínico. Em 35% faltava ventilador mecânico para transporte com bateria, 29% não dispunham de monitor cardíaco para transporte e 21% não dispunham de maca com suporte de cilindro de oxigênio.

Até equipamentos considerados baratos, como relógios e calendários posicionados de forma a permitir a visualização, estavam ausentes em 21% das UTIs.

“Muitas das UTIs fiscalizadas não ofereciam os serviços diagnósticos que se dispunham a oferecer”, concluiu o CFM. Em 34 das unidades que ofereciam o apoio diagnóstico, 44% não dispunham de radiologia intervencionista, 35% não ofereciam ressonância magnética e 29% não tinham exame comprobatório de fluxo sanguíneo encefálico.

Ministério da Saúde diz que repassa recursos

Procurado pela Agência Brasil, o Ministério da Saúde disse, em nota, que repassa mensalmente recursos para custeio de serviços de média e alta complexidade aos fundos estaduais e municipais, cabendo aos gestores locais a melhor gestão e distribuição desses recursos aos estabelecimentos de saúde vinculados ao Sistema Único de Saúde (SUS).

Segundo o ministério, os gestores locais também recebem verbas federais de investimento, de programas e por meio de emendas parlamentares, para aquisição de equipamentos, realização de obras de construção e reforma dos serviços de saúde. Esclarece, ainda, que é de competência do gestor local fiscalizar e fazer a manutenção dos serviços locais.

“Por fim, cabe informar que a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) estabelece padrões para o funcionamento dos serviços de saúde por meio das RDC [Resolução da Diretoria Colegiada] e que estas servem de parâmetros para normatização dos procedimentos referente à vigilância sanitária”, finaliza o Ministério da Saúde.

(Diário do poder)

Em reunião da ONU, nações não chegam a um acordo sobre armas nucleares

Potências nucleares e países que não detêm esses armas não chegaram a um acordo sobre recomendações visando ao desarmamento, em uma reunião da Comissão de Não Proliferação de Armas Nucleares.

Um encontro preparatório da comissão para a conferência de 2020 sobre a revisão do Tratado de Não Proliferação das Armas Nucleares está em andamento na sede da Organização das Nações Unidas (ONU) em Nova York.

Nesta quarta-feira (8), representantes de países-membros expressaram suas opiniões a respeito do projeto de recomendações sobre desarmamento, apresentado na semana passada pelo presidente da atual sessão.

O projeto, de 55 pontos, inclui um pedido de reconhecimento de que muitos países apoiam o Tratado da ONU de Proibição das Armas Nucleares. O documento também pede que países que detêm essas armas cumpram suas obrigações com relação ao desarmamento e pede uma suspensão do desenvolvimento de novos tipos de armas nucleares.

O representante dos Estados Unidos, Robert Wood, criticou o projeto, dizendo que ele reflete visões baseadas em concepções incompatíveis sobre como obter progresso em metas compartilhadas de desarmamento.

O Japão e a Coreia do Sul, que estão sob proteção do guarda-chuva nuclear americano, também apresentaram opiniões contrárias ao projeto devido à falta de considerações equilibradas para questões de segurança.

Entretanto, a Áustria e África do Sul, que lideraram os esforços para adoção do tratado de proibição nuclear da ONU, manifestaram apoio ao projeto, citando preocupações com os esforços de potências nucleares paraa modernização de seus armamentos.

(Diário do poder)