‘Crise’ – Este é o maior desafio do Brasil depois da pandemia, segundo o FMI

A pandemia não tem data para acabar, mesmo depois que vacinas forem aprovadas. Os efeitos da crise para o Brasil, menos ainda. É o que indica novo relatório do Fundo Monetário Internacional (FMI) sobre o Brasil divulgado nesta quarta-feira.

Para os diretores da organização que analisaram a situação do Brasil, um dos principais desafios será a recuperação do mercado de trabalho, com a taxa de desemprego já passando dos 14% mesmo com o auxílio emergencial ainda em vigor.

A recuperação, escreve o FMI, não será como nas outras crises: desta vez, as transformações digitais geradas pela pandemia podem fazer com que a geração de empregos não abarque toda a população que precisa voltar ao mercado. Os empregos vão voltar, mas não como antes: enquanto o número de desempregados subiu 36% no Brasil durante a pandemia, as vagas para tecnologia se multiplicaram.

“Os movimentos na direção de um trabalho mais intensivo em tecnologia, mais trabalho remoto e automação, intensificados pelo choque da covid-19, podem trazer complicações adicionais à recuperação do mercado de trabalho, à medida em que grupos vulneráveis são deixados para trás com a transformação estrutural”, aponta o relatório, afirmando que os riscos dessa vez “vão além de recessões anteriores”.

O cálculo do FMI com base no comportamento anterior do mercado de trabalho brasileiro aponta que o Brasil deve sofrer um “aumento duradouro do desemprego”, ainda que o nível de atividade dos trabalhadores volte a melhorar em meados de 2021 — a tendência é que muita gente volte a trabalhar, mas sem necessariamente maior empregabilidade. Antes da crise, o Brasil tinha mais de 40% da massa de trabalhadores no mercado informal.

“Essa herança de trabalhadores informais observada no Brasil ao longo dos últimos anos complica a situação do nosso mercado de trabalho [na crise]”, disse em entrevista anterior à EXAME o economista Helio Zylberstajn, da Universidade de São Paulo. Trata-se de um contingente que, em momentos de crise, é mais sujeito a perder a renda de uma hora para a outra. Boa parte dos postos perdidos na crise de 2008 era de funções repetitivas ou que exigiam baixa capacidade cognitiva. Agora, a crise da covid acelerou como nunca o processo.

O setor de serviços, em áreas como turismo e relacionados (como os serviços em cidades turísticas), pode ser afetado para muito além de 2020. O risco é que as pessoas e regiões que dependem desses setores fiquem desempregadas por muito tempo e sem conseguir mudar de setor. O setor de serviços é o que mais emprega no Brasil, mais de dois terços da população, segundo o IBGE.

O FMI também lembra no relatório que o Brasil sequer havia se recuperado da crise anterior que afetava o mercado de trabalho. Mesmo antes da pandemia, a taxa de desemprego já passava de 12% (nos EUA, a título de comparação, estava em menos de 4% antes da pandemia, uma baixa histórica, uma vez que o mundo desenvolvido já havia se recuperado da crise de 2008).

O relatório do FMI traz elogios à resposta brasileira à pandemia, apontando a importância de programas como o auxílio emergencial, a política de redução de juros do Banco Central e o crédito a pequenas empresas (ainda que, internamente, o programa tenha sido considerado insuficiente pelos empreendedores).

O FMI estima que, sem o auxílio emergencial, o contingente de pessoas em situação de pobreza teria ido de 6,7% para 14,6%; com o auxílio, a pobreza no Brasil na verdade diminuiu temporariamente, para 5,4%. O auxílio impediu entre 14 e 23 milhões de pessoas de ficarem abaixo da linha da pobreza.

Por isso, o Brasil terá ainda o desafio de garantir que a pandemia não amplie ainda mais a desigualdade no país. “Quando o auxílio emergencial espirar no fim do ano, uma melhoria substancial será necessária no mercado de trabalho para evitar um aumento elevado da pobreza e desigualdade”.

O Brasil — como os economistas daqui bem sabem –, vive uma encruzilhada entre manter ou não o auxílio emergencial ou alguma forma de auxílio parecida, como uma ampliação do Bolsa Família. A opção de ampliar o Bolsa Família em vez de criar um novo programa está agora no radar do governo. “Retirar as políticas públicas relacionadas à covid de forma prematura poderia enfraquecer a recuperação, enquanto manter o apoio por muito tempo pode exacerbar os riscos relacionados à sustentabilidade da dívida”, aponta o FMI.

Enquanto a hora da decisão não chega para o governo, a economia brasileira colheu os benefícios do auxílio e de outras políticas e se recuperou “melhor do que o esperado” nos últimos meses, com crescimento de setores como varejo e indústria por cinco meses consecutivos a partir de maio após quedas bruscas em março e abril. O FMI também aponta que a inflação se manteve sob controle e que o Brasil tem nível alto de reservas internacionais.

A projeção do FMI é que a economia brasileira caia 5,8% neste ano, estimativa mais pessimista do que a do próprio governo brasileiro e dos analistas ouvidos para o boletim Focus desta semana, que projetam queda de 4,5%.

Apesar da resposta necessária à pandemia, os riscos fiscais seguem sendo uma preocupação. Diante do aumento dos gastos para atenuar os efeitos da pandemia, o déficit primário do setor público (excluindo o setor financeiro público) deve sair de 1% do PIB em 2019 para mais de 11% em 2020. A dívida pública também deve passar de 100% do PIB e se manter assim no médio prazo.

Além disso, o relatório chama atenção para um aumento da “polarização política” neste segundo semestre do ano e um atraso na agenda do Congresso para implementar reformas que eram esperadas para 2020.

A agenda do Congresso foi atrasada pelas eleições municipais, a proximidade das eleições para a sucessão da Presidência da Câmara e do Senado e a falta de um acordo entre as casas e a base do governo, majoritariamente formada por alguns partidos do Centrão. Antes das eleições, a Câmara passou semanas sem votar temas importantes. O relatório defende a urgência de uma reforma tributária e de agendas como as privatizações.

EXAME

Covid-19: volume de vacinas ainda é insuficiente para atender o Brasil

Foto: Agência Brasil

O ministro da Saúde, Eduardo Pazuello, afirmou hoje (2) que, apesar de haver competição para a produção e venda de vacinas contra a covid-19 e uma campanha publicitária muito forte por parte das empresas que estão desenvolvendo o imunizante, na prática, a capacidade de atender o Brasil não é suficiente na maioria dos casos.

“Ficou muito óbvio que são muito poucas as fabricantes que têm a quantidade e o cronograma de entrega efetivo para o nosso país. Quando a gente chega ao final das negociações e vai para o cronograma de entrega, fabricação, os números são pífios. Números de grande quantidade, realmente, se reduzem a uma, duas ou três ideias. A maioria fica com números muito pequenos para o nosso país”, disse o ministro, em audiência pública na Comissão Mista do Congresso que acompanha as ações do governo contra a Covid-19.

“Uma produtora lança uma campanha publicitária de que já fez, de que está pronto, está maravilhoso. Quando você vai apertar, a história é bem diferente, como tudo na vida. Na hora que você vai efetivar a compra, vai escolher, não tem bem aquilo que você quer, o preço não é bem aquele, e a qualidade não é bem aquela”, acrescentou.

Quantidade

Segundo o Ministério da Saúde, a previsão é que Brasil receba 15 milhões de doses de vacina contra covid-19 em janeiro e fevereiro – número que deve chegar a 100 milhões de doses no primeiro semestre e a 160 milhões a mais no segundo semestre do próximo ano.

Técnicos da pasta lembraram um acordo bilateral de transferência de tecnologia com a AstraZeneca/Oxford, por intermédio da Fiocruz, de R$ 1,9 bilhão, e um acordo multilateral com a Covax Facility, no valor de R$ 2,5 bilhões, cujos recursos estão encaminhados por meio de medida provisória. Segundo Pazuello, isso possibilitará a produção de vacinas de maneira autônoma no país a partir do segundo semestre de 2021.

Testagem

Sobre a testagem da população, também durante a audiência pública, o secretário de Vigilância em Saúde, Arnaldo Medeiros, explicou que inicialmente havia uma testagem no Brasil que era basicamente relacionada aos pacientes internados em hospitais e em situação mais grave.

Hoje a orientação da pasta é que pacientes sintam quaisquer sintomas de síndrome gripal não fiquem em casa, procurem uma unidade básica de saúde, onde o profissional, o médico, ou prescritor – que é quem prescreve e solicita o exame – fará o diagnóstico e, em cima deste, fará os encaminhamentos necessários de solicitação de exames e prescrição medicamentosa, se julgar necessário.

Ainda segundo o Ministério da Saúde, o teste do nariz, como é conhecido o RT-qPCR, deve ser feito até o oitavo dia do início do sintoma.

Agência Brasil

Maia corteja siglas de esquerda em reunião e diz que não tentará se reeleger

O presidente da Câmara, Rodrigo Maia (DEM-RJ), fez um movimento na noite desta 3ª feira (1º.dez.2020) para manter sua influência sobre a Casa depois de fevereiro do próximo ano, quando termina seu mandato. O deputado reuniu em Brasília líderes das bancadas de oposição e pediu apoio para seu grupo político na eleição para a presidência da Câmara. Maia prometeu aos presentes não concorrer.

Pelas regras atuais ele não pode se candidatar. Ocorre que o STF (Supremo Tribunal Federal) tem marcado para os próximos dias julgamento que provavelmente possibilitará a ele (e ao atual presidente do Senado, Davi Alcolumbre) concorrer novamente. Como mostrou o Poder360, a Corte já tem os votos necessários para isso. Mesmo políticos próximos do deputado desconfiam que ele queira concorrer novamente.

A oposição é fundamental nos cálculos políticos de Rodrigo Maia. Seu entorno estima que, com os partidos de esquerda, poderá ser formado um bloco de até 330 deputados. Além da esquerda, os planos incluem DEM, PSDB, MDB, Cidadania, PV, PSL, PTB, Pros e Republicanos.

Esse contingente de votos, além de eleger o presidente da Casa, garantiria ao grupo mais 3 ou 4 cargos na Mesa Diretora, a direção da Câmara.

Fora do grupo de Maia, a pré-candidatura viável posta até o momento é a de Arthur Lira (PP-AL). O deputado se aproximou do governo federal ao longo de 2020. Isso dificulta apoio da oposição a ele. Além disso, Maia e a esquerda tiveram uma convivência com poucas turbulências nos últimos 2 anos.

Estavam presentes na reunião da noite desta 3ª feira, além do presidente da Câmara, deputados dos seguintes partidos:

  • PT – Enio Verri (líder da bancada), José Guimarães (líder da Minoria) e Carlos Zarattini;
  • PDT – Wolney Queiroz (líder da bancada) e André Figueiredo (líder da oposição);
  • PSB – Alessandro Molon (líder da bancada);
  • PC do B – Perpétua Almeida (líder da bancada);
  • Psol – Marcelo Freixo.

A líder do Psol, Sâmia Bomfim, foi contaminada pelo coronavírus e está em isolamento social. Além dela, a única líder de bancada de esquerda que não participou foi Joenia Wapichana, representante solo da Rede na Câmara.

 

O presidente do DEM, ACM Neto, participou do encontro. Ele reafirmou o que disse Maia. De acordo com ele, o partido tem interesse em focar na recondução de Alcolumbre à Presidência do Senado, mas que pode abrir mão da candidatura de Maia.

Apesar de tido como mais natural, o apoio da esquerda ao grupo de Maia não é garantido. Mais cedo nesta 3ª, por exemplo, veio a público uma nota contra a possibilidade de reeleição do atual presidente da Casa assinada por partidos desse campo político e também pelo Centrão de Arthur Lira. A bancada do PT, que não assinou o documento, também não deve apoiar reeleição.

Para que a esquerda se aglutine em torno do presidente da Casa ainda falta muito a ser discutido. Por exemplo: cargos na Mesa Diretora da Câmara, presidência de comissões e relatoria do Orçamento de 2022. Novas reuniões serão realizadas.

Atualmente 6 deputados disputam a bênção de Maia para concorrer à sua sucessão:

Nem todos são queridos pelos opositores. Baleia Rossi é um dos mais próximos de Rodrigo Maia. É próximo também de Michel Temer, por isso o PT dificilmente toparia apoiá-lo. O partido acusa Temer de ter dado um golpe em Dilma Rousseff para chegar à Presidência da República em 2016.

Aguinaldo Ribeiro tem problemas intrapartidários. É correligionário de Arthur Lira, que deverá ter apoio da legenda para disputar a cadeira de Rodrigo Maia. Sem a chancela do próprio partido uma candidatura seria improvável.

Maia está à frente da Câmara desde 2016, quando assumiu 1 mandato tampão depois da saída de Eduardo Cunha (MDB-RJ). Pode disputar a eleição de 2017, na mesma legislatura, graças a um entendimento de que concorrer depois de um mandato tampão não é tentativa de reeleição. Em 2019 pode se candidatar porque tratava-se de uma legislatura diferente da anterior.

O Poder360

FOGO NO PARQUINHO. Será votada hoje a Reforma da vingança dos Velhos contra os Novos

O presidente da Câmara, Irani Guedes, não se conformou com a renovação do poder legislativo, e prometeu votar hoje a matéria que reformula a Lei Orgânica do Município e o Regimento Interno da casa.

O motivo desse movimento, faz parte da estratégia dos vereadores antigos, contra a chegada dos novos parlamentares, e também é uma forma, de manter Irani como presidente do Poder Legislativo de Parnamirim.

Outro jogo que está sendo observado pelo prefeito Taveira é a movimentação de um grupo que vem se fortalecendo nas barbas de sua administração, visando a sua sucessão em 2024.

Agora, vamos esperar a reação do Coronel Zé Bu. Pois o Fogo no Parquinho patrocinado pelos vereadores antigos terá consequências na relação dos que votaram para enquadrar os novatos.

Só lembrando o que será votado:

1°- Acabar com à Reeleição;

2°- Que a eleição do segundo biênio poderá ser realizada no mesmo dia, sem à Reeleição;

3°- Que a eleição seja realizada com voto secreto, para a escolha da Mesa Diretora.

 

Assalto de grandes proporções aterroriza Criciúma nesta madrugada; moradores são feitos reféns e polícias de outras cidades são acionadas

A população de Criciúma, no sul de Santa Catarina, passou por momentos de terror na madrugada desta terça-feira (1º).

Imagens que circulam nas redes sociais registraram intenso tiroteio na cidade. A Polícia Militar informou que trata-se de assalto de grandes proporções.

Ao menos um PM ficou ferido durante o confronto. Vídeos publicados na internet mostram pessoas feitas reféns e abordadas nas ruas pelos bandidos, fortemente armados com fuzis de grosso calibre, detonadores e bazucas. Os primeiros relatos foram feitos por volta da meia-noite.

Informações preliminares repassadas pela PM apontam que o grupo incendiou o túnel na cidade de Tubarão, que dá acesso a Criciúma. O objetivo é tentar impedir que reforços cheguem até o município.

A corporação informou que busca apoio de outras cidades para combater o grupo. Segundo o tenente-coronel Cristian Dimitri Andrade, do 9ª Batalhão da Polícia Militar (9º BPM), policiais de Araranguá, Tubarão e Içara estão em direção a Criciúma.

“Uma quadrilha do crime organizado, que é especializada em assalto a banco. A gente chama de modalidade novo cangaço. Eles fazem assalto simultâneo, atacam quarteis, como atacaram no batalhão também”, afirmou o tenente.

O governo de Santa Catarina também acionou o Batalhão de Operações Especiais (Bope) e o Choque da PM de Florianópolis.

“Informações é que têm vários masculinos com fuzil, armas longas. A gente pede para que os moradores, cidadãos, fiquem em casa abrigados”, pediu Andrade.

 

CIDADE SITIADA

O prefeito Clésio Salvaro (PSDB) disse nas redes sociais que está em contato com as demais autoridades e forças de segurança. De acordo com ele, as informações ainda estão desencontradas, por isso os moradores foram orientados a permanecer dentro de casa.

“A cidade neste momento tá sitiada. São criminosos aí muito bem preparados. Certamente vieram de outros estados da federação. Recomenda-se que você fique em casa”, declarou.

 

Moradores foram feitos reféns — Imagem: Redes sociais/Reprodução

Conexão política.

Covid-19: Brasil, que já foi 4º, agora é 10º em ranking de mortes por milhão

O Brasil tem 818 mortes por covid-19 a cada milhão de habitantes. Está na 10ª posição do ranking mundial, junto com o México.

Os 2 países dividiam a 9ª colocação no domingo (29.nov). Nesta 2ª (30.nov), foram ultrapassados pela Bósnia, que alcançou a marca de 819 vítimas por milhão de habitantes.

A Bósnia subiu da 16ª colocação para a 9ª em 8 dias. Até a publicação desta reportagem, contabilizava 87.901 casos e 2.681 vítimas da doença.

O Brasil caiu 6 posições em duas semanas. Até 16 de novembro, tinha a 4ª pior taxa do mundo. Em 4 dias, foi ultrapassado pela Argentina e depois por Itália e Reino Unido.

Apesar das quedas sucessivas, o Brasil permanece como o 2º país com mais vítimas da covid-19. São mais de 173 mil.

O próprio ministro da Saúde, Eduardo Pazuello, reconheceu que o país vive “1 repique” de casos e mortes de covid-19.

Poder 360.

Resultados das pesquisas do Ibope não se confirmaram em 15 de 26 cidades

Poder360 compilou os 26 levantamentos feitos pelo Ibope no 2º turno, encontrando 15 que divergiram do resultado das eleições além da margem erro das pesquisas. Os estudos foram finalizados, em média, 2 dias antes de cada disputa.

A pesquisa em Caucaia, no Ceará, por exemplo, mostrava vitória de Naumi Amorim (PSD), com 62% dos votos válidos. O vencedor, no entanto, foi Vitor Valim (Pros), com 51%.

Em Porto Alegre, capital gaúcha, o Ibope indicava empate dentro da margem de erro entre Manuela (51%) e Sebastião Melo (49%). Melo venceu com 55% dos votos válidos.

Em Fortaleza, Sarto (PDT) venceu com 52%, ficando com 9 p.p. a menos do que o indicado na pesquisa.

A presidente do Ibope Inteligência, Márcia Cavallari, desculpou-se nessa 2ª feira (30.nov.2020) por imprecisões nas pesquisas eleitorais feitas em Porto Alegre. Levantamentos dos 1º e 2º turnos mostraram resultados discrepantes com os verificados nas urnas.

Segundo ela, é preciso estudar com profundidade a informação recolhida nas pesquisas. “Será que precisamos entender melhor os perfis dos eleitores que se abstiveram? Será que a nossa amostragem foi pequena para representar a cidade como um todo?”, disse Márcia à Folha de S.Paulo.

DATAFOLHA: 100% DOS CASOS FORA DA MARGEM DE ERRO

As 4 pesquisas que o instituto divulgou na véspera da eleição, acabaram com diferenças além da margem de erro. A maior foi em Recife, Pernambuco. Levantamento mostrava o candidato João Campos (PSB), dividindo as intenções de voto com Marília Arraes (PT): 50% para cada um. Acabou eleito com 6 pontos percentuais à frente.

PARANÁ PESQUISAS: DIFERENÇA EM 6 DE 10 PESQUISAS

O resultado do pleito divergiu em 6 de 10 pesquisas do instituto, acima da margem de erro. Em Porto Alegre (RS), Sebastião Melo (MDB) liderava o levantamento com 62% dos votos válidos. Acabou eleito com 55%, 7 pontos percentuais a menos das intenções de voto apresentadas na véspera do 2º turno.

FOI UM ERRO DOS INSTITUTOS?

É incorreto afirmar que “as pesquisas erraram”, pois os estudos foram feitos sempre nos dias anteriores aos pleitos pesquisados. Em algumas disputas, em 1 ou 2 dias o cenário pode mudar.

Uma pesquisa apenas faz a radiografia do momento em que é realizada. Ou seja, o resultado não é uma previsão do desfecho da eleição, mas apenas uma fotografia do momento em que está a disputa.

Neste ano de 2020, com a pandemia e o aumento das taxas de abstenção, sobretudo em grandes centros, ficou ainda mais difícil perscrutar intenção de votos. Além disso, pesquisas realizadas pessoalmente acabaram tendo também um viés adicional neste ano: os entrevistados mais propensos a participar do levantamento tendem a ser apenas os que têm menos temor de contrair o coronavírus —ou seja, o escopo do universo analisado fica mais restrito.

Correção [11.nov.2020 – 11h28]: O infográfico neste post mostrava incorretamente  a diferença de pontos percentuais entre pesquisa e resultado do Ibope em Cariacica e Ribeirão Preto. Também mostrava incorretamente a marcação de São Paulo e São Luís como cidades onde o resultado estava fora da margem de erro das pesquisas.

Poder 360.

Presidente do Ibope pede desculpa por imprecisão em pesquisa em Porto Alegre

A presidente do Ibope Inteligência, Márcia Cavallari, desculpou-se nessa 2ª feira (30.nov.2020) por imprecisões nas pesquisas eleitorais feitas em Porto Alegre. Levantamentos dos 1º e 2º turnos mostraram resultados discrepantes com os verificados nas urnas.

Segundo ela, é preciso estudar com profundidade a informação recolhida nas pesquisas. “Será que precisamos entender melhor os perfis dos eleitores que se abstiveram? Será que a nossa amostragem foi pequena para representar a cidade como um todo?”, disse Márcia à Folha de S.Paulo.

A última pesquisa Ibope antes do 1º turno mostrava Manuela D’Avila (PC do B) com 40% dos votos válidos, contra 25% de Sebastião Melo (MDB). Nas urnas, Melo teve 31% dos votos. Manuela, 29%.

Levantamento do Ibope divulgado em 28 de novembro, véspera do 2º turno, indicava empate dentro da margem de erro entre Manuela (51%) e Melo (49%). Melo venceu com 55% dos votos válidos.

De acordo com a presidente do Ibope, os institutos de pesquisa enfrentaram “3 pontos críticos” nessas eleições. O 1º, a alta taxa de abstenção. Em Porto Alegre, 32,76% dos eleitores não votaram.

O 2º ponto é a pandemia. Márcia disse que alguns eleitores se recusaram a falar com a equipe do Ibope por medo de contaminação. Ela ressaltou que todos os pesquisadores seguiram protocolos de prevenção à doença.

O 3º e último tópico é a defasagem da malha censitária. Ou seja, a composição dos setores com base nos resultados do Censo. A informação do Censo é usada pelo Ibope para definir a amostragem de entrevistados. O problema é que os dados não são atualizados desde 2010.

OUTRAS DISCREPÂNCIAS

Poder360 compilou os 26 levantamentos feitos pelo Ibope no 2º turno, encontrando 15 que divergiram do resultado das eleições além da margem erro das pesquisas. Os estudos foram finalizados, em média, 2 dias antes de cada disputa.

A pesquisa em Caucaia, no Ceará, por exemplo, mostrava vitória de Naumi Amorim (PSD), com 62% dos votos válidos. O vencedor, no entanto, foi Vitor Valim (Pros), com 51%.

O Datafolha também apresentou diferenças entre os resultados da pesquisa e o das urnas.

As 4 pesquisas que a empresa divulgou na véspera da eleição acabaram com diferenças além da margem de erro. A maior foi em Recife, Pernambuco. Levantamento mostrava o candidato João Campos (PSB) dividindo as intenções de voto com Marília Arraes (PT): 50% para cada. Campos acabou eleito com 6 pontos percentuais à frente.

Com relação aos levantamentos do Paraná Pesquisas, houve diferença em 6 de 10 pesquisas.

IBOPE DESISTIU DE BOCA DE URNA

Márcia Cavallari falou também da desistência do Ibope em realizar pesquisa de boca de urna no 2º turno.

Havíamos registrado no TSE [Tribunal Superior Eleitoral] 4 cidades nas quais poderíamos fazer boca de urna, São Paulo, Rio, Recife e Porto Alegre”, disse.

No caso das duas primeiras, a pesquisa de sábado [28.nov.2020] indicou que não existia sinal de virada, por isso achamos que não valia a pena”, declarou. “Em Recife e Porto Alegre, havia indicação de empate técnico, uma disputa voto a voto. Assim, a boca de urna também não seria necessária”.

Além disso, ela explicou que “não havia encomenda de boca de urna de nenhum veículo de comunicação“. “Nesse caso, o Ibope teria que bancar a pesquisa sozinho”.

 

Correção [11.nov.2020 – 11h36]: O infográfico neste post mostrava incorretamente  a diferença de pontos percentuais entre pesquisa e resultado do Ibope em Cariacica e Ribeirão Preto.

Poder 360.

Invasão hacker interrompe aula de Lewandowski com mensagens nazistas

Uma aula por videoconferência do ministro do STF (Supremo Tribunal Federal) Ricardo Lewandowski foi interrompida nessa última 2ª feira (30.nov.2020) quando vídeos e mensagens de teor nazista foram postados no chat. Lewandowski é professor da Faculdade de Direito da USP (Universidade de São Paulo).

A USP disse que os autores do ataque utilizaram um perfil falso do diretor da Faculdade de Direito para obter acesso à videoconferência. Vídeos com mensagens nazistas foram inseridos na janela de chat e a caixa de comentários dos participantes gerou mensagens com citações a Adolf Hitler e o símbolo da suástica.

A Faculdade de Direito da USP afirmou que o episódio já está sob investigação.

“Os fatos já foram encaminhados para a autoridade competente e está sob investigação. Reiteramos que os responsáveis serão identificados e submetidos ao devido processo”, disse a instituição, em nota.

Assista ao momento em que foi exibido vídeo do grupo ‘Carreta Furacão’ durante a aula:

JUSTIÇA NO ALVO DE HACKERS

Na última 6ª feira (27.nov.2020), o TRF-1 (Tribunal Regional Federal da 1ª Região) foi alvo de ataque de hackers. Invasores alegaram ter obtido acesso a arquivos em mais de 40 bases de dados, que concentra processos de 13 Estados e do Distrito Federal.

No início do mês, outro ataque teve como alvo o STJ (Superior Tribunal de Justiça).

O TSE (Tribunal Superior Eleitoral) também foi atacado, durante o 1º turno das eleições municipais. No último sábado (28.nov.2020), o hacker conhecido como “Zambrius” foi preso pela Polícia Judiciária portuguesa em uma ação conjunta com a Polícia Federal do Brasil. Ele é suspeito de ter realizado o ataque ao TSE junto a outras 3 pessoas.

Na nota divulgada na 2ª feira (30.nov.2020) a Faculdade de Direito da USP lamenta que “mais uma vez, uma atividade acadêmica foi invadida por vândalos digitais”.

Eis a íntegra da nota:

“Hoje, mais uma vez, uma atividade acadêmica da FDUSP foi invadida por vândalos digitais que buscam apenas impedir o livre funcionamento de uma Universidade pública e a liberdade acadêmica e de expressão de um docente.

Os invasores se utilizaram de perfil fake do Diretor para emitir sons e vídeos disruptivos e mensagens obscenas e de teor nazista, dirigindo ofensas pessoais ao docente e aos demais participantes da atividade.

Apesar do ataque, o professor Titular Ricardo Lewandovski conseguiu levar a aula da disciplina de pós-graduação “Releitura dos clássicos de teoria geral do Estado” até o final, após desligar os invasores. Os fatos já foram encaminhados para a autoridade competente e está sob investigação. Reiteramos que os responsáveis serão identificados e submetidos ao devido processo. E que a Faculdade não deixará de seguir com suas atividades e seus valores.”

Poder 360.

Democracia em crise: quase 40% de ausentes, brancos e nulos, alerta Livianu

TRE-RJ transporta as urnas eletrônicas para os locais de votação do Rio de Janeiro

Segundo reportagem do G1, em Cacequi (RS), 50,48% dos eleitores que compareceram às urnas no 1º turno, optaram por anular o voto. Em Ibirá (SP), foram 43,36%. Já em Lagoão (RS), 39% dos eleitores votaram em branco. Em Segredo (RS), em vez do segredo, 36,35% fizeram o mesmo.

Segundo o UOLsomando brancos, nulos e ausentes, no 2º turno, chega-se a um total de 38,4%. Em 2016, a soma era de 32,8%. Em 2004, o montante total era bem menor –21,7%. A curva de crescimento pode nos levar, nas próximas eleições, de 2022, a dobrarmos os números de 2004. Ou seja, em apenas 18 anos.

É bem verdade que os números de 2020 incluem a quarentena como fator motivador, além da crise de representatividade política e declínio da fé nos valores democráticos e angústia decorrente da corrupção, cada vez mais perceptível, concomitantemente ao triunfo nada republicano da cultura do compadrio e do clientelismo, em detrimento da supremacia do interesse público.

Por outro lado e na mesma direção, a meu ver, em pesquisa do Datafolha divulgada 3 semanas antes do 1º turno das eleições, verificou-se que os eleitores de São Paulo (44%) aceitavam com naturalidade votar em candidatos investigados por corrupção. No Rio, eram 50%.

No recorte paulistano, no que diz respeito ao grupo dos jovens de 16 a 34 anos, a taxa vai a 56%. Por outro lado, a escolaridade maior leva à propensão menor –no nível superior, 93% das pessoas procurava se informar se os candidatos respondiam a processos. Mesmo assim, 38% admitiam que votariam em investigados.

Além desta distorção, mulheres, que são a maioria da população brasileira, representam apenas 12% do total de prefeitos eleitos no 1º turno, segundo o TSE. Nas capitais, incluindo os 2 turnos, apenas em Palmas (TO), escolheu-se uma mulher. No campo legislativo, 16% das vagas foram preenchidas por mulheres nas Câmaras Municipais, com número recorde de ataques físicos e morais a candidatas, conforme registro do presidente do TSE.

Infelizmente, isso resulta diretamente da forma truculenta como são manejados os recursos dos fundos Eleitoral e Partidário. Continuamos sem transparência em relação aos critérios de destinação destes recursos, que privilegiam algumas figuras de interesse do “dono do partido” –os recursos não são divididos de forma equânime nem transparente, o que se afigura absurdo, tendo em vista tratar-se de dinheiro público.

Candidatos à reeleição são privilegiados assim com os “amigos do rei”, concentrando-se o dinheiro em poucas figuras, e muitas vezes o dinheiro é destinado a pessoas que recebem pouquíssimos votos.

O cenário se origina da total falta de compromisso com programas de integridade, por parte dos partidos e pela opacidade crônica.

Um movimento que poderia trazer uma lufada de ar fresco seria o apoio dos partidos às candidaturas independentes, a exemplo do que ocorre em 90% dos países democráticos ocidentais.

Até porque o Brasil é subscritor do Pacto de San José da Costa Rica e se comprometeu a não exigir filiação partidária para o exercício de direitos políticos.

A soma de todos os fatores anteriores combinados nos permite compreender o porquê de na Paraíba, um ex-prefeito declarou em público, sem constrangimento, poucos meses antes das eleições, que era honesto por ter roubado menos que o atual mandatário. Partiu do pressuposto que roubar é normal e naturalizado e dentro desta escala de valores seria um homem bom.

Mudar o rumo de tudo isto nos diz respeito, em cada atitude, a cada momento.

Poder 360.

O presidente Irani Guedes quer dar o troco

Irani Guedes, juntamente com uma força oculta no legislativo, estão articulando para aprovar, de amanhã para depois, a reforma na lei orgânica do município, que impedirá à reeleição de presidente da câmara de Parnamirim.

O momento é o primeiro embate real das forças políticas, uma liderada por Irani, representando alguns vereadores antigos e a outra pelos vereadores novatos, maioria na próxima gestão, que têm como maior líder o vereador eleito Wolney França.

A aprovação dessa lei visa a criação de um grupo paralelo para um enfrentamento político em 2024, além de mostrar aos novatos que a famosa renovação, apontada pelas urnas em 15 de novembro, não irá significar muita coisa, quando o assunto é eleição da mesa diretora do poder legislativo municipal em Parnamirim.

O presidente Irani Guedes e cia estão articulando dia e noite em busca de dar uma resposta ao prefeito Taveira, a Wolney França e ao grupo dos novatos. O vereador Abidene, que não disputou a última eleição, resolveu reagir, saindo em defesa dos novatos e deverá fazer um pronunciamento hoje, alertando os vereadores antigos, para votar contra essa reforma, pois vai de encontro ao resultado expresso nas urnas nesta eleição.

Abidene pedirá aos antigos, que estão deixando a casa, que deixe essa matéria para os próximos vereadores eleitos, os quais terão mais legitimidade para discutir e votar essa matéria.

A queda de braço entre os novatos e os antigos está apenas iniciando, pois revela um embate que só terminará em 2024. Vale lembrar que Taveira está se recuperando da COVID-19 e não está morto.

 

MDB ganha em cinco capitais neste 2º turno e lidera ranking

O MDB foi o grande vencedor neste segundo turno nas capitais.

O partido venceu com Arthur Henrique (Boa Vista), Emanuel Pinheiro (Cuiabá), Maguito Vilela (Goiânia), Sebastião Melo (Porto Alegre) e Dr. Pessoa (Teresina).

Não à toa, Baleia Rossi, presidente nacional do MDB, falou em “grande vitória”.

Outros quatro partidos fizeram dois prefeitos cada: o PDT levou Fortaleza (Sarto) e Aracaju (Edvaldo Nogueira); o PSDB garantiu São Paulo (Bruno Covas) e Porto Velho (Hildon Chaves); o PSB levou duas importantes cidades do Nordeste, Maceió (JHC) e Recife (João Campos); já o PP saiu vitorioso com Cícero Lucena, em João Pessoa, e deve garantir Rio Branco, elegendo Tião Bocalom.

Além disso, cinco partidos levaram uma capital cada neste domingo: DEM com Eduardo Paes (Rio de Janeiro), Podemos com Eduardo Braide (São Luís), Republicanos com Delegado Pazolini (Vitória), PSOL com Edmilson Rodrigues (Belém), Avante com David Almeida (Manaus).

Ranking do segundo turno nas capitais:

MDB — 5 capitais
PDT, PSDB, PSB e PP — 2 capitais
DEM, Avante, Republicanos, PSOL e Podemos — 1 capital

o antagonista.

Médico de Maradona é investigado pela morte do craque argentino

O Ministério Público argentino cumpriu neste domingo (29.nov.2020) mandado de busca nas propriedades do médico de Diego Maradona, Leopoldo Luque, investigado por homicídio culposo no inquérito. Na ação, a polícia apreendeu laptops, registros médicos e celulares.

A investigação foi iniciada depois de a Justiça argentina colher depoimentos das filhas de Maradona –Dalma, Gianinna e Jana–, que afirmaram estar insatisfeitas com o tratamento prestado ao ex-jogador no bairro de Tigre, em Buenos Aires.

O advogado de Maradona, Matias Moria, disse na 5ª que pediria investigação completa das circunstâncias da morte dos astro futebolístico, criticando o que ele afirma ter sido “resposta lenta” do serviço de emergência.

A ambulância demorou mais de meia hora para chegar, o que foi uma idiotice criminosa”, afirmou Matias em nota. Leia a íntegra.

O médico pessoal de Maradona nega qualquer responsabilidade pela morte de seu paciente. “Eu sei o que fiz com o Diego e sei como o fiz. Estou certo de que fiz o melhor que poderia ter sido feito”, disse Luque, de acordo com o site de notícias argentino Infobae.

Maradona morreu de ataque cardiorrespiratório na 4ª feira (25.nov) aos 60 anos. Recuperava-se de cirurgia realizada em 3 de novembro, para tratar 1 coágulo de sangue no cérebro.

Luque, médico de Maradona desde 2016, foi segundo relatos quem acionou os serviços de emergência na casa do jogador por volta do meio-dia na 4ª.

Leia a íntegra da nota emitida neste domingo (29.nov) pelo Ministério Público da Argentina:

Na área do Procurador-Geral de San Isidro, soube-se às 13h20 da morte da pessoa que foi Diego Armando Maradona em vida. Diante da novidade, o Procurador-Geral de San Isidro Dr. John Broyad ordenou inicialmente a criação de 1 grupo de trabalho, composto pelos Agentes Fiscais Drs. Patricio Ferrari, Cosme Iribarren e Laura Capra para que possam realizar as etapas necessárias na coordenação.

A tramitação das diretrizes e procedimentos foi supervisionada em todos os momentos pelo Procurador Geral da República, Dr. Julio Conte Grand.

Em seguida, os promotores interinos compareceram ao local do incidente, localizado no Bairro Privado de San Andrés, localizado no município de Benavidez.

A partir daí, foi ordenada a implementação simultânea de medidas para apurar as circunstâncias da morte, a preservação do local do acontecimento e a contenção de familiares, com a presença de pessoal do Centro de Atendimento à Vítima dependente desta Procuradoria-Geral da República.

 

Neste contexto, às 16h, pessoal das diferentes delegações dependentes da Superintendência de Polícia Científica exerciam as suas funções em domicílio supervisionado pelos procuradores em exercício.

Em seguida, foi ordenada a transferência do corpo para necrotério de San Fernando, marcando-se o início da autópsia para as 18h, dada a comoção pública que o caso acarreta.

Feito isso, foi acertada uma nova distribuição dos trabalhos, sendo que parte do pessoal se dedicou a receber os depoimentos na sede da Promotoria de Benavidez, enquanto outro grupo de promotores e funcionários se dirigiu ao Hospital San Fernando para testemunhar a autópsia.

Dos testemunhos recolhidos na área da sede fiscal, concluiu-se o seguinte:

A última pessoa a vê-lo com vida foi seu sobrinho na terça-feira, 24 de novembro, às 23h.

Na ocasião, estavam na casa seu sobrinho, sua auxiliar, uma funcionária contratada para sua segurança física, uma enfermeira e uma cozinheira.

Mais tarde, às 11h30, chegou o psicólogo e psiquiatra pessoal do falecido, que entrou primeiro na sala. Eles falam, mas Diego Armando Maradona, que parecia estar dormindo, não respondeu.

Para tanto, são convocados o sobrinho e o auxiliar, que tentam acordá-lo e, sem observar, a princípio, a existência de sinais vitais, requerem a presença do enfermeiro e do psiquiatra que realizam manobras de animação cardíaca sem sucesso.

Eles solicitam a presença de ambulâncias de diferentes prestadores e nesse interregno solicitam um médico de plantão, com atendimento de um cirurgião do bairro.

Ele sobe as escadas e continua com as manobras de ressuscitação. Em seguida, chegam as ambulâncias a cargo do médico clínico do provedor de serviços médicos. Continua com as manobras; aplica ampolas de adrenalina e atropina, verificando finalmente a morte do seu paciente.

Parte dos procuradores em exercício vai ao necrotério de San Fernando para controlar e fiscalizar o processo de autópsia do qual, separadamente, serão fornecidos os detalhes.”

Poder 360.

Maia sobre chance de STF liberar sua candidatura: “Não trabalho por hipótese”

O presidente da Câmara, Rodrigo Maia (DEM-RJ), voltou a dizer que não será candidato a 1 novo mandato à frente da Casa porque a Constituição não permite. Não falou, porém, se não será candidato mesmo que o STF (Supremo Tribunal Federal) o libere para concorrer. “Não trabalho por hipótese”, declarou.

Como mostrou o Poder360, o Supremo já tem votos suficientes para permitir que ele e o presidente do Senado, Davi Alcolumbre (DEM-AP), candidatem-se novamente. As eleições nas Casas estão marcadas para fevereiro.

Reeleições nas presidências de Câmara e Senado são permitidas desde que não sejam na mesma legislatura, segundo as regras atuais. Não é o caso do pleito de fevereiro de 2021.

Rodrigo Maia falou a jornalistas neste domingo (29.nov.2020), depois de votar no Rio de Janeiro. “A Constituição não permite que eu seja candidato à reeleição“, disse.

Depois, perguntado sobre a ação no STF que deverá liberar sua candidatura e tem julgamento marcado para dezembro, declarou: “O julgamento do Supremo não sou eu quem decido, é o Supremo. Não trabalho por hipótese. Não sou candidato à reeleição porque a Constituição não permite”.

Atualmente há 6 deputados disputando o apoio e o espólio eleitoral (na Câmara), de Rodrigo Maia. São eles:

O grupo vislumbra mobilizar até 330 votos para aquele que for ungido pelo atual presidente. Isso garantiria sua eleição e mais 3 ou 4 cargos na direção da Câmara para aliados. Caso o STF libere nova candidatura do atual presidente, porém, seu nome deverá se impor. Ele se tornaria 1 candidato quase imbatível.

A candidatura viável fora desse grupo é a de Arthur Lira (PP-AL), líder do bloco conhecido como Centrão. Ele tem, atualmente, o apoio de partidos como PL, PSD e Solidariedade, além de seu PP.

Maia disse ainda que não é saudável antecipar o debate da sucessão. “Acho que antes da eleição para Câmara e para o Senado temos 1 volume importante de emendas constitucionais e projetos que precisam ser aprovados. Essa sim precisa ser a prioridade de todos nós”.

VOTO IMPRESSO

O presidente da Câmara se diz 1 defensor do voto impresso, mas declarou que não é uma boa hora para discutir o tema.  “Acho que a gente não pode misturar o voto impresso com o ocorrido no 1º turno”. Ele defendeu o sistema eleitoral brasileiro.

Quando Jair Bolsonaro votou, também no Rio de Janeiro, voltou a jogar desconfianças sobre as eleições. Bolsonaro já deu diversas declarações nesse sentido desde que venceu a eleição de 2018.

Maia também cobrou do governo o envio de propostas ao Congresso que possam colocar em ordem as contas públicas.

Na mesma entrevista, Maia comparou o atual prefeito do Rio, Marcelo Crivella (Republicanos) ao diabo. Ele é bispo licenciado da Igreja Universal e disputa o 2º turno com Eduardo Paes (DEM), correligionário de Maia.

Poder 360.

Dom Heitor, simplicidade e mansuetude

Padre João Medeiros Filho
No próximo dia 3 de dezembro, celebrar-se-á o septuagésimo aniversário de ordenação presbiteral de Dom Heitor de Araújo Sales, arcebispo emérito de Natal. Bênção de Deus para o clero e os cristãos por seu exemplo de vida devotada à Igreja. Durante todo o seu sacerdócio serviu ao Povo de Deus, em nosso estado. Desempenhou as funções de vigário paroquial na cidade de Nova Cruz, pároco de Santa Teresinha no Tirol (Natal), capelão dos Colégios Marista e Neves, vigário episcopal para as religiosas e vigário geral da arquidiocese. Participou da equipe de formação do Seminário de São Pedro, como diretor espiritual. Foi eleito bispo de Caicó em 1978 (adotando como lema: “Unitate, Pace, Guadium”). Nomeado arcebispo de Natal, no ano de 1993. Exerceu o magistério superior na Escola de Serviço Social e na Universidade Federal do Rio Grande do Norte – UFRN. Antes, lecionou no seminário arquidiocesano e ali tivemos o privilégio de ser seu aluno. Primeiro professor da UFRN com o título acadêmico de doutor, obtendo “summa cum laude” na Pontifícia Universidade Lateranense, em Roma. Integra a Sociedade Brasileira de Canonistas.
Dom Heitor conduz-nos às palavras do Mestre: “Aprendei de mim que sou manso e humilde de coração” (Mt 11, 29). Terno e misericordioso, não eleva a voz e trata todos com elegância e atenção. Sua vida transmite-nos a lição do Antigo Testamento: Deus é como “uma brisa suave e mansa” (1Rs 19, 11). Revela-nos que “a discrição é a riqueza da alma e a exuberância do pastor”, segundo as palavras de Santo Irineu, bispo de Lyon.
Como quarto bispo de Caicó, sucedeu a Dom Manuel Tavares de Araújo, mipibuense como ele, também oriundo do clero natalense. Ali se revelou pastor solícito e dinâmico, reorganizando a diocese, reabrindo o Seminário Santo Cura d´Ars. Restaurou o diaconato permanente, construiu o Centro Pastoral Dom Wagner, o Mosteiro de Nossa Senhora de Guadalupe das Irmãs Clarissas e a nova Residência Episcopal. Instalou a Rádio Rural FM e realizou outras obras importantes no bispado seridoense. No seu pontificado, na sé de Santana, o clero começa a dispor de um plano de saúde e assistência médica. A sua primeira diocese lhe deve, em especial, o exemplo de desprendimento e dedicação, piedade e mansidão. A riqueza interior não necessita de alarde. Seu senso de justiça e caridade recordam-nos as palavras do apóstolo Paulo: “Para todos eu me fiz tudo, para certamente salvar alguns” (1Cor 9, 22).
Enquanto quarto arcebispo metropolitano de Natal, Dom Heitor organizou o dízimo das paróquias para manutenção do culto divino e das obras sociais da Igreja. Redimensionou o patrimônio da mitra arquiepiscopal. Deu atenção especial às necessidades pastorais e espirituais do arcebispado. Trouxe o Seminário de São Pedro – celeiro de tantas vocações sacerdotais – de volta à sua sede, na Avenida Campos Sales, nº 850. Vale ressaltar que, durante o seu episcopado, aconteceu a beatificação dos Mártires de Cunhaú e Uruaçu pelo Papa São João Paulo II, em 5 de março de 2000. Entregou a arquidiocese ao sucessor – seu ex-aluno Dom Matias Patrício de Macêdo – com as finanças equilibradas e a Rádio Rural, engajada em profícua ação evangelizadora. Na sua emeritude edificou ainda o Mosteiro Carmelitano (Carmelo de Nossa Senhora do Sorriso e Santa Teresinha), em Emaús (Parnamirim).
Tais feitos são centelhas da grandeza de sua alma, generosidade e capacidade de servir. Dele deve-se dizer: um homem escolhido por Deus e totalmente devotado à sua missão e à Igreja de Cristo. Cultura e erudição povoam a sua mente. Nos seus 94 anos goza de uma memória e lucidez admiráveis. Dedica-se à leitura cotidiana e mantém-se atualizado nas ciências eclesiásticas e assuntos sociais. Ao ingressar no seminário com doze anos, iniciou oficialmente sua vida de consagração a Deus. Vive o que exclamou o salmista: “O zelo de tua casa me devora.” (Sl 70/69, 10). Continua sempre aberto a ouvir, consolar, irradiar luz e trazer paz aos que dele se aproximarem. Sua humildade toca e encanta. Dizia Santa Dulce dos Pobres: “Os verdadeiros filhos de Deus revestem-se da simplicidade, que é a linguagem do Infinito.”