Coronavírus: Brasil vacinou 7,9 milhões de pessoas com 1ª dose

Vacinação contra a Covid-19, em Brasilia. Sérgio Lima/Poder360 25.01.2021

O Brasil vacinou pelo menos 7.858.792 pessoas com a 1ª dose de imunizantes contra o coronavírus até as 17h30 desta 6ª feira (5.mar.2021). Desses, 2.576.934 receberam a 2ª dose. Ao todo, foram 10.435.726 doses administradas no país.

O número de vacinados com a 1ª dose no país representa 3,7% da população brasileira. Os vacinados com as duas doses são 1,2%. Os dados são do CoronavirusBot, que compila dados das secretarias estaduais de saúde.

A quantidade de pessoas que receberam a 2ª dose no Brasil equivale a 33% dos que tomaram a 1ª dose. As vacinas que estão em uso são a CoronaVac e a de Oxford/AstraZeneca. Ambas são administradas em duas doses.

Eis os números por Estado:

Proporcionalmente, o Amazonas foi o Estado que mais vacinou: 6,5% de sua população recebeu a 2ª dose. É seguido por São Paulo (5,0%) e Distrito Federal (4,8%).

Em números absolutos, São Paulo é o Estado que mais administrou primeiras doses. Foram: 2.345.158 aplicações. Equivale a 30% de todos os vacinados com a 1ª dose no país. Na sequência, aparece Minas Gerais e Rio de Janeiro (ambos representam 8% dos vacinados brasileiros).

São Paulo também lidera a aplicação da 2ª dose. Foram 781.617 os que receberam as duas unidades. São 33% dos paulistas que receberam a 1ª injeção e 1,7% da população estadual.

Minas Gerais tem a maior taxa de vacinados com as duas doses: 48% dos que receberam a 1ª aplicação também tomaram a 2ª. Já Mato Grosso do Sul é o Estado em que mais habitantes receberam as duas unidades: 2% da população teve as duas aplicações.

As vacinas

O país tem, até o momento, duas vacinas em uso, ambas aprovadas para uso emergencial: a CoronaVac, da biofarmacêutica chinesa Sinovac, e a desenvolvida pela farmacêutica anglo-sueca AstraZeneca com a Universidade de Oxford. Ambos os imunizantes exigem aplicação de duas doses. Eis a taxa de eficácia e o intervalo entre cada dose seguido no Brasil:

Poder 360.

Venda de veículos cai 16,7% em fevereiro e bimestre tem queda de 14,2%

 (Marcelo Camargo/Agência Brasil)

O Brasil vendeu 167.400 veículos em fevereiro deste ano. O número representa queda de 2,2% em relação a janeiro, quando 171.100 unidades foram emplacadas. Houve recuo de 16,7% em relação a fevereiro de 2020, mês em que 201 mil unidades foram vendidas.

No acumulado do 1º bimestre de 2021, o setor teve queda de 14,2% em relação ao mesmo período do ano passado. Foram vendidos 338,5 mil veículos, cerca de 56.000 unidades a menos do que no 1º bimestre de 2020.

Os dados são da Anfavea (Associação Nacional dos Fabricantes de Veículos Automotores) e foram divulgados nesta 6ª feira (5.mar.2021). Eis a íntegra (3 MB).

Já a produção de veículos teve queda de 1,3% em relação a janeiro. Foram produzidas 197.000 unidades, enquanto em janeiro foram 199.700. Já na comparação com o mesmo mês de 2020, quando o país tinha produzido 204,2 mil, a queda foi de 3,5%. Esse foi o pior resultado desde julho de 2020, quando o setor começou a se recuperar da pandemia, e o pior fevereiro desde 2016.

O 1º bimestre de 2021 teve leve alta de 0,2% em comparação com 2020. Foram produzidos 396,7 mil veículos contra 395,9 mil no mesmo período do ano passado. Para a Anfavea, o resultado mostra que, apesar das dificuldades, a produção está conseguindo se recuperar a níveis similares aos registrados antes da pandemia.

As exportações cresceram 32% em fevereiro, mas tiveram queda de 12,2% comparadas ao mesmo mês do ano passado. Para as exportações, esse foi o pior fevereiro desde 2015. Também foi o pior bimestre, com queda de 0,2% em relação a 2020.

Apesar disso, em valores, o 1º bimestre de 2021 teve aumento de 15,9%. A indústria lucrou pouco mais de R$ 1 bilhão com vendas no exterior. O aumento se deu pela venda dos veículos pesados, que têm um valor médio maior.

CAMINHÕES E ÔNIBUS

As vendas de caminhões subiram 3,2% em relação a janeiro. Foram 7.800 unidades vendidas. Já na comparação com o mesmo mês de 2020, o crescimento foi de 21,4%. As vendas no 1º bimestre somam 15.300 unidades, alta de 11,8% quando comparado ao mesmo período do ano anterior (quando foram vendidos 13.700 veículos).

Esse é o melhor resultado para o segmento desde fevereiro de 2014 e o melhor mês desde outubro do mesmo ano. Para a Anfavea, o crescimento se deve à área do agronegócio, com os veículos das linhas pesadas e semipesadas.

Na produção, os caminhões também tiveram um mês de crescimento expressivo. Foram produzidas 11.800 unidades, alta de 37,9% frente a janeiro. A comparação com fevereiro de 2020 mostra aumento de 29,3% na fabricação dos veículos.

No bimestre, o aumento foi de 24,9% quando comparado a janeiro e fevereiro de 2020. Foram 20.400 unidades produzidas em 2021, contra 16.300 do período anterior.

Já os ônibus venderam 1.100 unidades, crescimento de 9%, ou 100 unidades a mais que em janeiro. Mas na comparação com fevereiro de 2020, a queda é de 12,8%. No bimestre, a queda é de 22,6%, com apenas 2.200 veículos vendidos. O setor é o que está tendo mais dificuldades para se recuperar da pandemia.

A produção de ônibus em fevereiro cresceu 11,4% quando comparado com janeiro. Foram 1.600 unidades fabricadas. No entanto, o resultado é 37,8% menor do que a fabricação de fevereiro de 2020. O resultado bimestral também caiu, com 3.000 unidades produzidas. Foram 1.000 veículos a menos do que no mesmo período do ano passado, queda de 24,3%.

Poder 360.

RN tem redução de 27,78% no número de homicídios registrados em fevereiro  

Comparando fevereiro de 2020 com fevereiro de 2021, foram contabilizadas 40 mortes a menos_

O Rio Grande do Norte fechou o mês de fevereiro com uma redução de 27,78% no total de CVLIs (Condutas Violentas Letais Intencionais). Segundo a Coordenadoria de Informações Estatísticas e Análises Criminais (COINE), o mês de fevereiro de 2020 somou 144 mortes violentas, contra 104 ocorrências contabilizadas em fevereiro de 2021 – um total de 40 mortes a menos.

Ainda de acordo com a COINE, também há diminuição quando são comparadas as gestões, ou seja, quando são comparados os primeiros 790 dias de administração do governo passado com igual período do atual governo. De 1º de janeiro de 2015 a 28 de fevereiro de 2017, foram registrados 4.043 CVLIs em todo o estado, contra 3.165 mortes ocorridas entre 1º de janeiro de 2019 e 28 de fevereiro de 2021 – queda de 21,7%.

“Em outras palavras, significa dizer que são 878 mortes a menos (vidas salvas) em dois anos e dois meses de administração da professora Fátima Bezerra”, ressalta o titular da Secretaria de Estado da Segurança Pública e da Defesa Social (SESED), coronel Francisco Araújo Silva.

Ainda comparando fevereiro de 2020 com o fevereiro de 2021, todos os tipos de conduta letal registraram redução. São eles:

* Feminicídio: caiu de 4 para 2 (- 50%);
* Lesão Corporal Seguida de Morte: caiu de 10 para 6 (- 40%);
* Intervenção Policial: caiu de 33 para 24 (- 27,3%);
* Latrocínio: caiu de 18 para 15 (-16,7%);
* Homicídio Doloso: caiu de 203 para 174 (- 14,3%).

*Menor taxa de homicídio*

O mês de fevereiro também registrou, desde 2015, a menor taxa proporcional de CVLIs por 100 mil habitantes. Ou seja, fevereiro somou 1.09 morte para cada grupo de 100 mil habitantes.

2015 – Taxa de 1.30 morte/100.000 habitantes;
2016 – Taxa de 1.50 morte/100.000 habitantes;
2017 – Taxa de 1.98 morte/100.000 habitantes;
2018 – Taxa de 1.93 morte/100.000 habitantes;
2019 – Taxa de 1.14 morte/100.000 habitantes;
2020 – Taxa de 1.31 morte/100.000 habitantes;
2021 – Taxa de 1.08 morte/100.000 habitantes.

*Bimestre*

Ainda de acordo com a COINE, nos dois primeiros meses de 2020 (janeiro e fevereiro) foram registradas 268 mortes, contra 221 CVLIs ocorridos no primeiro bimestre de 2021, o que representa uma queda de 17,54% no número total de mortes violentas.

Fonte: GOVERNO DO ESTADO DO RIO GRANDE DO NORTE.

SECRETARIA DE ESTADO DA SEGURANÇA PÚBLICA E DA DEFESA SOCIAL.
ASSESSORIA DE COMUNICAÇÃO.

Variantes do coronavírus causam maioria dos novos casos de covid em 6 Estados

Sérgio Lima/Poder360 04.04.2020

Variantes do coronavírus Sars-CoV-2 foram detectadas pela Fiocruz (Fundação Oswaldo Cruz) em 10 Estados brasileiros, das regiões Sul, Sudeste e Nordeste. Por meio de testagens com o novo protocolo de RT-PCR, a fundação confirmou nessas unidades da Federação a circulação de variantes do coronavírus, que podem ser a P1, identificada inicialmente no Amazonas, a B.1.1.7, no Reino Unido; ou a B.1.351, na África do Sul.

Eis a íntegra (880 KB) do comunicado técnico da Fiocruz.

Em 6 Estados, o coronavírus identificado inicialmente na China já não é mais o principal causador da covid-19. As variantes do vírus são potencialmente mais transmissíveis e podem estar relacionadas aos aumentos vertiginosos de novos casos nos Estados pesquisados.

“Dos 8 Estados avaliados neste recorte, apenas 2 não tiveram prevalência da mutação associada às variantes de preocupação superior a 50%: caso de Minas Gerais, com 30,3% das amostras testadas como positivo para a mutação e, Alagoas, com 42,6%. Nos demais Estados, mais de 50% das amostras foram identificadas com a mutação associada às ‘variantes de preocupação’”, informou a Fiocruz.

A alta circulação de pessoas e o aumento da propagação do vírus Sars-CoV-2 tem favorecido o surgimento de “variantes de preocupação” no Brasil, como é o caso da variante P1, identificada no Amazonas. O comunicado alerta para um cenário preocupante que alia o perfil potencialmente mais transmissível dessas variantes à ausência de medidas que possam ajudar a conter a propagação e circulação do vírus.

O documento destaca ainda como fundamental a adoção das medidas que possam reduzir a velocidade da propagação e o crescimento do número de casos, como a restrição da circulação e das atividades não essenciais e a implementação imediata de planos e campanhas de comunicação, o fortalecimento do sistema de saúde e a necessidade de constituição de um pacto nacional para o enfrentamento da pandemia.

Poder 360.

Itaú demite 50 funcionários que pediram auxílio emergencial

O banco Itaú demitiu 50 funcionários que solicitaram de forma indevida o auxílio emergencial pago pelo governo federal durante a pandemia do novo coronavírus.

Os trabalhadores não atendiam aos critérios de elegibilidade para receber o benefício. De acordo com as regras do programa, pessoas com emprego formal não fazem parte do público-alvo.

As normas do auxílio emergencial também determinam que não são elegíveis aqueles que pertencem a uma família com renda superior a 3 salários mínimos (R$ 3.135).

O anúncio foi feito em comunicado interno nessa 4ª feira (3.mar.2021). Em nota, o Itaú afirmou que a solicitação indevida do auxílio “fere os interesses gerais e coloca em risco a reputação do banco”.

O TCU (Tribunal de Contas da União) divulgou, em novembro do ano passado, uma estimativa de que os pagamentos do auxílio emergencial a pessoas fora do público-alvo somavam R$ 29 bilhões. O valor total de fraudes no auxílio é estimado em R$ 54,7 bilhões. Somente R$ 274,7 milhões (0,5% do total) foram recuperados até o momento.

EIS A ÍNTEGRA DA NOTA DO BANCO ITAÚ

“Ética é um valor fundamental, que deve ser cultivado não apenas nas decisões do banco, mas também dos seus colaboradores, que são orientados e treinados de forma recorrente sobre o tema. Desta forma, ao identificar que alguns dos seus profissionais solicitaram o auxílio emergencial disponibilizado pelo governo federal, prática que caracteriza desvio de conduta, o banco decidiu pelo desligamento desses colaboradores.”

Poder 360.

A vacina ou a vida, por Kakay

“Morrer
como quem desagua sem mar
e, num derradeiro relance,
olha o mundo
como se ainda o pudesse amar.

Morrer
depois de me despedir
das palavras, uma a uma.

E no final,
descontada a lágrima,
restar uma única certeza:

não há morte
que baste
para se deixar de viver.”

Mia Couto, Aprendiz de ausências

Muito estranho e triste o momento pelo qual passa o Brasil. Enfrentar uma pandemia, a mais grave crise sanitária de todos os tempos, já é um drama real de dimensões avassaladoras. Enfrentar essa tragédia com um Presidente sádico e negacionista praticando a necropolítica é como se fôssemos abandonados em um barco sem rumo numa tempestade, à beira de um precipício. Como diria Achille Mbembe, não é só deixar morrer, é fazer morrer também.

A falta de empatia chega a nos dar a impressão de uma mente sem nenhuma capacidade de discernimento. Alguém a quem a dor do outro não consegue sensibilizar por absoluta falta de formação humanista, ética.

Se não impressiona o fato de as pessoas estarem morrendo nos corredores, nas ambulâncias, com a agonia indescritível da falta de ar, da falta de esperança, da falta do contato dos entes queridos na hora da partida, deveria comover-se pela possibilidade de o vírus inocular pessoas com alguma proximidade afetiva. Mas não, a maneira cruel de tratar a tragédia desmascara uma verdadeira teratologia no enfrentamento da crise. Remeto-me ao imortal Candido Portinari, o poeta, no poema sobre a pintura Enterro:

Quantos mortos vi passar! Vejo ainda

Os enterros dobrando a praça. Homens silenciosos e escuros, vindo das fazendas distantes.

Trazendo o caixão negro,

cansados do longo caminhar.

Meu cérebro se enchia de caixões pretos,

Assombrações. Pavor.

Alguém mais velho vinha

Fazer-me companhia.

Ao amanhecer o sol afugentava

Todos os medos.”

É uma perplexidade ver que a necessidade da vacina foi tratada com o mesmo desdém com que se negou o uso das máscaras, ou a necessidade do isolamento. Estabeleceu-se verdadeira guerra política sobre uma questão 100% técnica: a vacina é a única maneira de vencer o vírus. Ridículos 3.47% dos brasileiros foram vacinados até hoje. Desesperador! Desestimulante. Um dado chama a atenção ao compararmos o Brasil aos EUA. Com a derrota do Trump, o ídolo do Presidente brasileiro, o Presidente Biden, que assumiu, garantiu a vacinação de todos os norte-americanos até maio de 2021. Capacidade técnica nós temos de sobra, faltou decisão política.

Há tempos temos alertado sobre o sucateamento de questões cruciais. A falta de investimento na ciência é brutal. Nós poderíamos ter nossa própria vacina, temos excelência técnica para produzir uma vacina de primeira linha. A opção foi negar a gravidade da doença e nem sequer cuidamos de comprar vacinas. Uma obtusidade que vai resultar em milhares de mortes que poderiam ser evitadas.

A angústia dilacerante cresce entre os jovens produzindo uma geração de meninas e meninos perplexos pela total falta de planejamento. Com a falta do combate ao vírus, instala-se o caos na economia. A única maneira de enfrentar a crise na economia é exatamente vacinando a todos e derrotando o vírus. É falsa e canalha a inversão desses fatores, pregar a hipótese de esquentar a economia sem ter vencido a pandemia. Os milhares de mortos hão de assombrar a todos os que negam a urgência no trato da doença.

A responsabilidade primeira, claro, é dos governantes, especialmente do Presidente da República, mas todas as pessoas que ousaram afrontar as normas internacionais de combate ao vírus devem também ser responsabilizadas. Chega de conviver com esses propulsores da morte, com esses que, ao serem negacionistas, propagam o vírus de forma criminosa e indiscriminada. É necessário ter um rigor ético nas nossas escolhas, e saber que a cumplicidade deve ser renegada. Chega dessa convivência que absolve e incentiva a postura que cultua a morte e despreza a vida.

Os dados sobre o dia a dia de quem está à frente no combate a pandemia me comovem, e me fazem indagar até que ponto a hipocrisia vai dominar a narrativa desses necrófilos. Não somente os médicos, mas os enfermeiros, os responsáveis pela limpeza dos quartos e banheiros das UTIs, os que cuidam da segurança, aqueles que cuidam das roupas, dos lençóis, enfim, todos aqueles que estão fechados nos hospitais pela opção de querer salvar vidas, por acreditar na ciência. Enquanto covardes e irresponsáveis se portam como se não houvesse a doença, milhares de pessoas se privam do contato com a família, com os amigos, com qualquer vida social. E são esses os verdadeiros heróis que, de forma silenciosa e simbólica, abraçam não só os doentes, mas suas famílias, seus amigos, a todos nós, enfim, que entendemos e valorizamos esse sacrifício abissal.

Vivemos num jogo de máscaras. De um lado, um bando de covardes e hipócritas que se exibe acintosamente, de maneira irresponsável e sórdida, para afirmar um negacionismo criminoso; do outro, o silêncio responsável dos que se dedicam a salvar vidas, a minorar dores e, muitas vezes, a só lançar um olhar amigo, carinhoso, seja de esperança, seja de despedida. São nesses gestos solidários que eu deposito minha confiança em vencer a crise. Mais uma vez, reportando-me ao meu Fernando Pessoa, no Livro do Desassossego:

Nunca encontrar Deus, nunca saber, sequer, se Deus existe!

Passar de mundo para mundo, de encarnação para encarnação, sempre na ilusão na ilusão que acarinho, sempre no erro que afaga.

A verdade nunca, a paragem nunca!

A união com Deus nunca!

Nunca inteiramente em paz, mas sempre um pouco dela, sempre o desejo dela.”

Sempre observo as pessoas pelo que chamo de “sentimento de mundo”. Quero ter ao meu lado quem tem o mesmo desejo de um país justo e solidário que eu tenho. Os que embruteceram a vida, desprezaram os valores éticos e humanistas, optaram por construir muros que segregam o que resta de humano nesses grupos merecem, nesse momento, um desprezo cívico. O ar que falta nas UTIs lotadas, o beijo que não se faz possível na despedida, a saudade do abraço, tudo representa a diferença entre nós e a barbárie.

Talvez nada me abale mais do que saber que muitos mortos pelo vírus têm como o último olhar de despedida, na hora final, não um pai, um filho, o seu amor, mas um médico, um enfermeiro. Na nossa cultura, o ritual da despedida faz parte de um acolhimento que nos ajuda a resistir, a continuar existindo. E a nós cabe continuar existindo com dignidade, apesar deles. Entrego-me para o velho Vinicius de Moraes, na sua Ausência:

Deixa secar no meu rosto

Este pranto de amor que a presença desatou.

Deixa passar o desgosto

Esse gosto da ausência que me restou

Eu tinha feito da saudade

A minha amiga mais constante

E ela a cada instante

Me pedia pra esperar

E foi tudo que eu fiz

Te esperei tanto

Tão sozinha no meu canto

Tendo apenas o meu canto pra cantar

Por isso deixa que o meu pensamento

Ainda lembre um momento a saudade que eu vivi

A tua imagem fiel

Que hoje volta ao meu lado

E que eu sinto que perdi.

Poder 360.

Cai para 38% aprovação do governo entre quem recebeu auxílio emergencial

Pesquisa PoderData divulgada nesta 5ª feira (4.mar.2021) mostra que a aprovação do governo do presidente Jair Bolsonaro entre os que receberam auxílio emergencial caiu 11 pontos percentuais em relação ao último levantamento, realizado 15 dias antes. Passou de 51% para 38%. A taxa ficou próxima à aprovação da média nacional (40%).

A queda da avaliação positiva da administração federal entre o grupo que recebeu o benefício cai no momento em que o governo confirma a volta dos pagamentos e o Congresso discute a PEC (proposta de emenda à Constituição) emergencial, para viabilizar um limite de 44 bilhões para ser gasto com o auxílio. O Senado já aprovou o texto em 2º turno nesta 5ª feira (4.mar) em 2º turno, que agora será analisado pela Câmara.

Na 2ª feira (1º.mar), o presidente Jair Bolsonaro reafirmou que a nova rodada do programa deve ser de 4 parcelas de R$ 250. “Está quase tudo certo”, disse.

Enquanto os pagamentos não voltam, a desaprovação do governo Bolsonaro registra alta entre quem recebeu o auxílio. Foi de 43% a 51% em 15 dias.

Os resultados da pesquisa estão dentro da margem de erro em relação ao registrado há 1 mês, quando acabaram os pagamentos.

A pesquisa foi realizada pelo PoderData, divisão de estudos estatísticos do Poder360. A divulgação do levantamento é feita em parceria editorial com o Grupo Bandeirantes.

Os dados foram coletados de 1º a 3 de março, por meio de ligações para celulares e telefones fixos. Foram 2.500 entrevistas em 509 municípios, nas 27 unidades da Federação. A margem de erro é de 2 pontos percentuais. Saiba mais sobre a metodologia lendo este texto.

Para chegar a 2.500 entrevistas que preencham proporcionalmente (conforme aparecem na sociedade) os grupos por sexo, idade, renda, escolaridade e localização geográfica, o PoderData faz dezenas de milhares de telefonemas. Muitas vezes, mais de 100 mil ligações até que sejam encontrados os entrevistados que representem de forma fiel o conjunto da população.

Entre os que não receberam ajuda federal durante a pandemia, a aprovação do governo Bolsonaro passou de 32% para 38% em 15 dias. A taxa de desaprovação foi de 62% a 54% em duas semanas –queda de 8 pontos percentuais.

AUXÍLIO X BOLSONARO

Entre os beneficiários do auxílio emergencial, 29% avaliam o trabalho do presidente Jair Bolsonaro como “ótimo” ou “bom”. E 46% o rejeitam.

BENEFICIÁRIOS

A pesquisa PoderData mostra ainda que 61% dos brasileiros afirmam que receberam ou que alguém de sua família foi contemplado com o auxílio emergencial de R$ 600 ou R$ 300. São 37% os brasileiros que não tiveram acesso ao benefício. As taxas variaram dentro da margem de erro de 2 pontos percentuais desde o fim do benefício.

O auxílio emergencial foi criado para mitigar os efeitos da crise econômica causada pela pandemia da covid-19. Com o isolamento social, milhões de brasileiros ficaram sem trabalhar. Os mais pobres foram os mais atingidos.

A intenção inicial do governo era fazer 3 pagamentos de R$ 200 cada 1 –durante a tramitação no Congresso, o valor subiu para R$ 600. Com a continuidade da pandemia no país, o benefício foi prorrogado com mais duas parcelas no mesmo valor.

Em 3 de setembro, por meio de medida provisória, o governo estendeu novamente o auxílio: mais 4 parcelas de R$ 300. O valor começou a ser pago em 18 de setembro a beneficiários do Bolsa Família e em 30 de setembro aos demais.

Em novembro, o ministro da Economia, Paulo Guedes, disse que haveria prorrogação do auxílio emergencial caso ocorresse uma 2ª onda de covid-19 no Brasil. O benefício no entanto, não foi estendido.

De acordo com a Caixa Econômica Federal, de abril de 2020 a janeiro de 2021 foram liberados R$ 294 bilhões a 68 milhões de pessoas.

PODERDATA

Leia mais sobre a pesquisa PoderData:

O conteúdo do PoderData pode ser lido nas redes sociais, onde são compartilhados os infográficos e as notícias. Siga os perfis da divisão de pesquisas do Poder360 no Twitter, no Facebook, no Instagram e no LinkedIn.

PESQUISAS MAIS FREQUENTES

PoderData é a única empresa de pesquisas no Brasil que vai a campo a cada 15 dias. Tem coletado um minucioso acervo de dados sobre como o brasileiro está reagindo à pandemia de coronavírus.

Num ambiente em que a política vive em tempo real por causa da força da internet e das redes sociais, a conjuntura muda com muita velocidade. No passado, na era analógica, já era recomendado fazer pesquisas com frequência para analisar a aprovação ou desaprovação de algum governo. Agora, no século 21, passou a ser vital a repetição regular de estudos de opinião.

Poder 360.

Após recomendação do MPF, Natal inicia vacinação de indígenas contra a Covid-19

Após uma recomendação do Ministério Público Federal (MPF), a Prefeitura de Natal vai dar início à vacinação contra a Covid-19 dos indígenas que vivem na capital potiguar nesta sexta-feira (5). Ao todo, serão imunizados cerca de 170 indígenas de 57 famílias que vivem no bairro Nossa Senhora da Apresentação, na Zona Norte de Natal.

Segundo a prefeitura de Natal, os indígenas são da etnia Mendonça. Não há, a princípio, doses suficientes para todos e serão utilizadas as 80 doses da vacina Oxford/AstraZeneca que foram destinadas a esse público.

Os indígenas fazem parte dos grupos prioritários de vacinação no Plano de Imunização Nacional, do Ministério da Saúde, pela população ser considerada de alta vulnerabilidade social.

A vacinação dos indígenas no estado começou há cerca de uma semana nos municípios. No dia 24 de fevereiro, o Governo do RN recebeu doses destinadas especificamente a esse grupo e as encaminhou inicialmente a oito cidades.

No dia 2 de março, então, o MPF recomendou à Secretaria Municipal de Saúde de Natal que iniciasse imediatamente a vacinação dos povos indígenas que vivem na capital potiguar, incluindo 28 venezuelanos da etnia Warao. Foi concedido o prazo de 48 horas para retratação da SMS Natal e adoção de providências.

No documento, os procuradores da República Camões Boaventura e Victor Mariz frisaram que “não cabe aos governos federais, estaduais ou municipais deixar de reconhecer a identidade dos povos indígenas”.

Diante da recomendação, a prefeitura decidiu contemplar os indígenas nesta fase inicial de vacinação. “A SMS Natal vai seguir o Plano Nacional de Imunização e vacinar os idosos indígenas. Com a chegada de novas doses, o restante do grupo será vacinado”, disse o secretário de Saúde de Natal, George Antunes.

Nesta primeira etapa, oito municípios foram contemplados com 2.920 vacinas de Oxford/AstraZeneca para indígenas: Goianinha, Baía Formosa, Assu, Apodi, João Câmara, Jardim de Angicos, Macaíba e Natal.

A Comissão Técnica Local da Fundação Nacional do Índio em Natal (CTL-FUNAI-Natal) aponta a existência de 1.662 famílias indígenas autodeclaradas e assistidas pelo órgão indigenista no Rio Grande do Norte. Em Natal, residem 76 delas.

G1 rn

 

Cuba começa última fase de testes para duas vacinas contra covid-19

Cuba anunciou que vai começar em março a 3ª e última fase de testes para as vacinas Soberana 02 e Abdala, imunizantes desenvolvidos no país. A informação foi divulgada em reunião de especialistas e cientistas com o presidente Miguel Díaz-Canel, na 3ª feira (2.mar.2021).

De acordo com comunicado do governo cubano, a Soberana 02 será testada em 44.000 pessoas de 8 municípios da província de Havana. A vacina foi desenvolvida no país no Instituto Finlay. Segundo Vicente Vérez Bencomo, diretor-geral do instituto, foi observada “grande efetividade da vacina e resposta neutralizante no vírus”.

A vacina Abdala foi produzida no Centro de Engenharia Genética e Biotecnologia de Cuba, e está na reta final da fase 2 dos ensaios clínicos, conduzidos na província de Santiago de Cuba. Ainda em março a previsão é de começar a 3ª etapa dos testes em 42.000 pessoas dos municípios de Santiago de Cuba e Guantánamo.

Dados como eficácia das vacinas e quantidades de doses deverão ser divulgados depois dos estudos da fase 3.

Cuba tem 4 vacinas desenvolvidas do país: Soberana 01 e 02, Abdala e Mambisa.

Olga Lidia Jacobo Casanueva, diretora do Centro para Controle Estatal de Medicamentos, Equipes e Dispositivos Médicos de Cuba disse que há um constante acompanhamento das autoridades no processo de testagem das vacinas. “Todos os passos foram dados cumprindo as regulações estabelecidas, tanto nacionais como internacionais, e com o rigor científico”.

O presidente de Cuba, Díaz-Canel afirmou ver com alento o avanço na produção de vacinas, em meio a um novo surto de coronavírus no país. “Estamos chegando ao momento em que podemos fazer uma vacinação em massa da população com segurança”, declarou.

A previsão de especialistas do país é de que os contágios continuem em alta no mês de março. Na 2ª quinzena de fevereiro foram diagnosticados 12.222 casos de covid-19 na ilha.

nota do Ministério da Saúde cubano aponta que haviam 4.575 pessoas pacientes ativos com coronavírus até o final de 4ª feira (3.mar). Desde o começo da pandemia, Cuba soma 53.308 casos confirmados de covid-19. Foram feitos mais de 2,4 milhões de testes. O país tem 333 mortos pela doença.

Poder 360.

Para tentar reduzir aglomerações nos ônibus, STTU diz que vai aumentar em 30% viagens nos horários de pico em Natal

Anúncio foi feito pela pasta nesta quinta-feira (4). Oferta de ônibus deverá aumentar entre às 6h e 7h e entre 17h e 18h, com mudanças de horários e linha atuais, mas sem aumento de frota.

A Secretaria de Mobilidade Urbana de Natal anunciou nesta quinta-feira (4) que vai aumentar o número de viagens realizadas nos horários de pico para tentar reduzir as aglomerações de passageiros nos horários de pico, durante a pandemia da Covid-19. Com o aumento de casos da doença e superlotação dos leitos no estado, passageiros passaram a temer ainda mais a contaminação nos ônibus lotados.

Segundo a STTU, o município vai fazer a “reformulação imediata” de 30% das ordens de serviço em operação, determinando acréscimo de 30% no número de viagens nos horários de pico, entre 6h e 7h e 17h e 18h. O aumento, no entanto, não envolve mais ônibus e trabalhadores na frota – as viagens serão remanejadas de outros horários de baixa demanda.

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De acordo com Nilton Filho, diretor de planejamento da STTU, a mudança sem o incremento da frota e motoristas acontece para não aumentar os custos de operação. Somente a mão de obra representaria cerca de 40% dos custos operacionais.

Ainda de acordo com Nilton, a pasta fez uma pesquisa de campo para verificar os horários de maior lotação nos ônibus e comparou com o número de viagens em cada horário. Para a reformulação, também foi levada em consideração a jornada de trabalho dos operadores (motoristas).

“O sistema de transporte é um fator, mas não é o responsável pelo que está acontecendo no Brasil”, defendeu o secretário de mobilidade urbana, Paulo César Medeiros.

Antes da pandemia, a STTU afirma que o sistema de transporte público da capital transportava uma média de 330 mil passageiros por dia.

Nas primeiras medidas de isolamento social, a média caiu para 60 mil usuários por dia, ficou em cerca de 80 mil entre março de junho de 2020, subiu para 180 mil em dezembro. Atualmente, está em 144 mil, ainda de acordo com a pasta.

G1 rn.

RN tem maior número de pacientes internados com Covid-19 desde o início da pandemia

Redes pública e privada tinham 871 pessoas internadas com coronavírus, nesta quarta-feira (3), segundo boletim diário da Sesap.

Com 871 pessoas internadas por Covid-19, o Rio Grande do Norte registrou o maior número internações pela doença, desde o início da pandemia, nesta quarta-feira (3). O boletim divulgado pela Secretaria de Saúde do Estado aponta 464 pessoas em leitos de UTI e semi-intensivos e 407 em leitos clínicos. Os dados são das redes pública e privada.

Em 25 de fevereiro, estado alcançou um recorde de 741 pacientes internados em leitos clínicos, UTIs e semi-intensivos – mas o número já vinha sendo superado nos últimos dias, com mais de 800 internados. Ao longo de todo o ano de 2020, o maior número de pessoas internadas havia sido registrado em 28 de junho, quando o estado chegou a ter 692 pessoas em leitos de todos os tipos.

O aumento de casos no Rio Grande do Norte provocou uma pressão por leitos de Covid-19. Na manhã desta quinta-feira (4), apesar de contar com 299 leitos críticos na rede pública, o estado registrava uma taxa de ocupação de leitos acima de 93% e ainda contava 50 pacientes na fila de espera por apenas 18 leitos disponíveis.

Também manhã desta quinta-feira (4), a Maternidade Escola Januário Cicco (MEJC), ligada à Universidade Federal do Rio Grande do Norte (UFRN), em Natal, informou que trabalha 20% acima de sua capacidade de atendimento.

“Todos os leitos das enfermarias, Unidades de Terapia Intensiva e destinados à covid-19 estão ocupados, de modo que, temporariamente, não há condições de atendimento à novas pacientes”, informou a unidade, por meio de nota. “A enfermaria de alto risco atualmente com 17 leitos, encontra-se com 50% acima de sua capacidade. Por isso, é recomendável que as grávidas, portadora de Covid-19, sejam encaminhadas para outras maternidades, já que estamos com 100% dos leitos destinados à Covid-19, ocupados”, acrescentou.

Diante do quadro, o governo tenta abrir novos leitos, mas o secretário estadual de Saúde, Cipriano Maia, considera que não adianta abrir novos leitos se o número de casos também continuar aumentando. Em entrevista ao Bom Dia RN, ele afirmou que o estado deverá anunciar novas medidas de restrição para tentar conter o avanço das contaminações e internações.

“Vivemos um momento trágico, um momento triste, onde estamos vendo cada dia mais o sistema de saúde superlotado, saturado, em muitas regiões, em muitos estados do país, e aqui não seria diferente. Estamos abrindo leitos, mas essa abertura de leitos tem um limite humano, de profissionais, e ainda de insumos, de equipamentos”.

No podcast O Assunto, o jornalista potiguar Matheus Magalhães relatou o caso do próprio pai, que precisou de um leito de UTI em Natal, mas só conseguiu atendimento em um hospital militar de Recife.

G1 rn

Mourão fala em “modo contínuo de vacinação” em breve e prevê novo pico da Covid-19 em 10 dias

Hamilton Mourão disse há pouco, ao chegar ao Palácio do Planalto, acreditar que o Brasil vai entrar em breve em o que chamou de “modo contínuo de vacinação” contra a Covid-19.

Para dizer que “estamos avançando”, o vice-presidente da República optou por comparar o percentual de vacinados no Brasil com o percentual de imunizados no mundo.

“A vacina, lógico, é a solução, estamos avançando. Vale lembrar o seguinte: dados de ontem eram de que 3,5% da população mundial tinham sido vacinadas até o momento. Nós estamos com 3,7%. Então, estamos dentro da média do mundo.”

Em seguida, ele reconheceu que ainda “é pouco”.

“É óbvio que para um país do tamanho das dimensões ente população e território é pouco, mas a perspectiva é que vamos ter uma continuidade na chegada de insumos e fabricação e posteriormente, com a tecnologia aqui, que é o acordo da AstraZeneca, a Fiocruz fabricando. Nós vamos entrar num modo contínuo de vacinação.”

Sobre o aumento do número de mortes, Mourão afirmou ser “lamentável”. Ele previu um novo pico da doença nos próximos 10 dias.

“É lamentável isso. Nós temos uma situação complicada, fruto duma sequência de eventos. Entrou o verão, férias de verão, apesar da turma não ter tido atividades extras no ano passado. Aí, período de festas, Natal e Ano Novo, pessoal se reúne. Carnaval, apesar de não ter tido, muita coisa acontecendo, muita festa ocorrendo aí nas cidades. Lamentavelmente, a gente tem essa notícia aí. Eu acredito que nos próximos 10 dias vamos viver um pico e depois vai arrefecer.”

O antagonista.

Emissão de dióxido de carbono volta a subir, alerta Julia Fonteles

O consenso científico é claro: as emissões de dióxido de carbono devem diminuir pela metade até 2030 para que possamos evitar os piores desastres associados à mudança climática. Graças às medidas de confinamento que começaram na China e se espalharam pelo mundo em resposta à pandemia, 2020 foi o primeiro ano a registrar uma queda de 5,8% nos níveis de emissão de CO2 de março à setembro.

O relatório da agência internacional de energia (IEA), divulgado em fevereiro de 2021, porém, mostra uma recuperação nos níveis de CO2 a partir de dezembro de 2020, enfraquecendo a ideia de que a baixa das emissões era parte de uma tendência a longo prazo. Segundo especialistas, a volta das emissões é reflexo da estrutura da economia mundial, que ainda se encontra dependente de atividades movidas a combustíveis fósseis. Fatih Birol, diretora0-executiva da IEA, afirma que a rápida retomada nos níveis de gases poluidores mostra que medidas para acelerar a transição energética mundial não estão sendo suficientes, principalmente em países emergentes.

Vale ressaltar que o Brasil, a Índia e a China demonstraram uma recuperação maior e mais rápida dos níveis de emissões do que os Estados Unidos e a União Europeia. As potências mundiais conseguiram manter os baixos níveis de CO2 por mais tempo. A retomada da economia emergente após o período de confinamento foi mais expressiva nos setores de indústrias e transportes, característicos pela dependência do petróleo e carvão.

Já em países desenvolvidos com economias fortes nos setores de comércio e serviços, a boa infraestrutura para acomodar home offices e uma reserva fiscal para arcar com os custos sociais e auxílios emergência atenuaram as emissões, mantendo níveis mais estáveis e abaixo da média de 2019. Embora as emissões dos Estados Unidos e da União Europeia tenham subido no final do ano passado, com a retomada da economia, ainda se encontram abaixo dos níveis da média, o que é um bom sinal.

Mesmo que singelo, o aumento da parcela de energia renovável mundial de 27% para 29% deve ser comemorado. Segundo a IEA, os níveis de emissão do setor elétrico em países desenvolvidos foi o que mais se manteve estável, mostrando que a distribuição das renováveis está apresentando resultados. Fruto dos incentivos fiscais e da legislação que promovem o investimento em energia limpa, a maior parcela de energia renovável no setor elétrico mostra que é possível utilizá-la para suprir a demanda essencial de hospitais, indústrias e residências.

Em antecipação da Conferência das Partes (COP26) em Glasgow, neste ano, a comunidade internacional planeja se encontrar para renovar seus compromissos climáticos e buscar avançar as metas do acordo de Paris. A interseção dos setores da saúde e energia limpa deve ocupar uma parcela importante nas discussões dos eventos, assim como o crescimento econômico limpo.

Com Joe Biden na Casa Branca e o avanço do Green New Deal Europeu, países emergentes vão ser cobrados a assumir compromissos sérios e planos a longo prazo para recuperar suas economias de maneira sustentável e verde. Na reunião da semana passada com John Kerry, representante dos assuntos do clima norte-americano, o pedido do ministro Ricardo Salles para criação de um novo fundo Amazônia é uma estratégia ultrapassada e será condicionado a outros compromissos ambientais. Cada vez mais isolado da economia mundial, o governo brasileiro patina ao insistir no negacionismo e na falta de planejamento ambiental e sustentável.

Poder 360.

Alemanha vai investigar partido de direita para se proteger de extremismo

 Foto: Sebastian Kahnert/dpa-Zentralbild/dpa +++(c) dpa – Bildfunk+++

A agência de inteligência da Alemanha colocou nessa 4ª feira (3.mar.2021) o partido AfD (Alternativa para a Alemanha), principal legenda de oposição, sob vigilância. É a 1ª vez na história pós-guerra que o país toma uma decisão radical para se proteger do extremismo.

A decisão permitirá que a agência investigue telefones e outras comunicações e monitore os movimentos de membros do partido. O AfD está no Parlamento e ainda é presente em todos os níveis da política em quase todas as partes da Alemanha.

Esse é um dos maiores esforços para lidar com a ascensão de movimentos políticos de extrema-direita e neonazistas dentro das democracias ocidentais, que estão tentando restringir ou mesmo processar legalmente essas atividades para impedir o ataque dos fundamentos das instituições democráticas.

A agência de inteligência alemã, conhecida como Ação Federal para a Proteção da Constituição, é uma das estruturas pós-guerra que o país desenvolveu para se proteger contra a ascensão de forças políticas semelhantes ao nazismo.

Sabemos pela história alemã que o extremismo de extrema-direita não apenas destruiu vidas humanas, destruiu a democracia. O extremismo de extrema-direita e o terrorismo de extrema-direita são atualmente o maior perigo para a democracia na Alemanha”, diz um comunicado da agência.

O AfD conquistou 13% dos votos na eleição legislativa de 2017, 2 anos depois que a premiê alemã, Angela Merkel, recebeu mais de 1 milhão de refugiados no país.

Membros da AfD viajam rotineiramente para a Rússia, onde são recebidos pelo ministro das Relações Exteriores, Sergei Lavrov.

Eles também demonstram a predileção pelos Estados Unidos de Donald Trump. Comemoraram a eleição do norte-americano em 2016 e, em 2019, o líder da AfD, Jörg Meuthen, se encontrou com Stephen Bannon, ex-assessor e principal conselheiro da campanha presidencial de Trump.

Mais recentemente, vários membros da AfD expressaram simpatia pela invasão do Capitólio dos EUA em 6 de janeiro.

Trump está lutando a mesma luta política – você tem que chamá-la de guerra cultural – como nós, na Alternativa para a Alemanha, estamos na Alemanha em oposição”, escreveu Martin Renner, um deputado da AfD, no Facebook. A postagem foi excluída desde então.

Em casa, os líderes da AfD acusam os imigrantes muçulmanos de serem criminosos e atacam a imprensa.

Durante a pandemia do coronavírus, funcionários da AfD participaram de manifestações muitas vezes violentas. No ano passado, manifestantes tentaram forçar sua entrada no prédio do Parlamento.

Cada vez mais preocupada com as posições do partido, a agência de inteligência doméstica passou 2 anos examinando os discursos e postagens nas redes sociais de funcionários da AfD em busca de evidências de extremismo.

O relatório concluiu que a posição do partido violou princípios fundamentais da democracia liberal, especialmente o artigo 1º da Constituição alemã, que afirma que a dignidade humana é inatacável, disseram as autoridades.

Há 1 ano, a agência de inteligência classificou a ala mais radical do AfD associada a Björn Höck uma marca de fogo de extrema-direita do partido, e sua organização juvenil como extremista. Havia 32.080 pessoas suspeitas de extremismo de extrema-direita. Esse número incluía 8.600 membros da AfD que pertencem à ala radical de Höcke e à ala jovem do partido. Agora, outros 24.000 membros da AfD serão adicionados.

Membros da AfD responderam com indignação na 4ª feira (3.mar.2021), prometendo tomar medidas legais e insinuando que a mudança teve motivação política.

Você sabe que está morando na Alemanha quando uma semana e meia antes de duas eleições estaduais importantes e alguns meses antes da eleição nacional, o serviço secreto doméstico declara o maior partido de oposição suspeito”, disse o deputado Jürgen Braun.

Poder 360.

Indonésia libera importação de vacinas por empresas para acelerar campanha

 Sérgio Lima/Poder360 24.02.2020

A Indonésia aprovou nesta 4ª feira (3.mar.2021) um novo esquema de vacinação que permitirá que empresas privadas paguem para imunizar, por conta própria, seus funcionários contra a covid-19. O objetivo é evitar a longa espera pela vacinação pública.

O país pretende vacinar 181,5 milhões de seus 270 milhões de habitantes até o final de 2021. Mas desde que a campanha começou, em 13 de janeiro, apenas 1 milhão de pessoas receberam as duas doses da vacina, de acordo com o Our World in Data, que monitora a vacinação no mundo. Cerca de 2,7 milhões receberam apenas uma dose.

De acordo com a porta-voz do Ministério da Saúde, Dra Nadia Wikeko, 7.000 pessoas já se inscreveram no novo programa.

“A razão pela qual estamos fazendo isso é para acelerar a imunidade do rebanho na Indonésia…(O programa) não deixará as pessoas pobres para trás porque as vacinas do setor privado serão originadas de ‘Gotong Royong “ ( Cooperação Mútua, o novo banco de vacinas), afirmou Wikeko à Al Jazeera.

O Gotong Royong será administrado pela Bio Farma, a única fabricante de vacinas da Indonésia.

O custo dessas vacinas será desembolsado por empresas privadas que farão pedidos. É uma parte adicional da solução”, ressaltou Wikeko.

Bambang Heriyanto, porta-voz da Bio Farma, disse que não ficou claro quando as vacinas seriam importadas para a Indonésia, mas as conversas continuavam com a Moderna e a Sinopharm.

Ahmad Utomo, consultor biológico molecular em Jacarta especializado no diagnóstico de infecções pulmonares, disse que as empresas não devem imunizar seus funcionários, mas doar vacinas aos grupos de risco.

“Se o setor privado quiser ajudar, eles devem importar vacinas e dá-las aos profissionais de saúde e idosos que estão claramente mais em risco do que qualquer outro. Ou eles poderiam dá-los aos pais de seus funcionários porque a maioria dos jovens trabalhadores na Indonésia vivem com seus pais e têm uma taxa de mortalidade COVID-19 muito menor. Mas esta é uma decisão política, não científica”, afirmou.

Dicky Budiman, epidemiologista que ajudou a formular a resposta estratégica da Indonésia às pandemias por 20 anos, diz que há altos riscos de envolver o setor privado em grandes planos de vacinação.

“Uma vacina é um bem público. Não deve ter nenhum valor econômico porque as leis da economia – oferta e demanda – prevalecerão. Sabemos que há uma enorme demanda pela vacina e que introduzirá a possibilidade de vacinas falsificadas e distribuições não qualificadas de vacinas.

A Indonésia enfrentou o pior surto de coronavírus no Sudeste Asiático. O país registrou 1,35 milhão de contágios e quase 36 mil mortes desde março.

O governo tem evitado bloqueios rigorosos para conter a propagação da doença, temendo o efeito sobre os pobres do país e está apostando em vacinas para acabar com a crise.

A primeira fase de liberação da vacina para 1,3 milhão de assistências médicas está completa. A segunda fase, destinada a 38,5 milhões de cidadãos, incluindo quase 17 milhões de pessoas no setor público e quase 22 milhões de idosos, foi adiada por causa do déficit de estoques.

Poder 360.