A recuperação lenta dos serviços segura a retomada da economia. A projeção do departamento econômico do Santander é que o setor cresceu apenas 1,9% em agosto, na comparação com julho. Em relação ao mesmo mês de 2019, a queda prevista é de 11,4%. O IBGE divulga o resultado dos serviços na quarta-feira. Até julho, o setor havia perdido 8,9% este ano.
O setor de serviços foi o que mais sentiu o efeito do distanciamento social. A demanda por restaurantes, hotéis, viagens e salões de beleza despencou e ainda não se recuperou. O desempenho trava a recuperação da economia porque os serviços têm o maior peso no cálculo do PIB. O problema é sentido também no índice de atividade do Banco Central. Na quinta-feira, o BC divulga o IBC-Br de julho. A mediana das previsões é de alta de 1,6% em agosto, a quarta seguida, mas ainda assim mais modesta que os 2,15% de julho. Em relação a agosto de 2019, a estimativa é de queda de 4,1%.
Sergio Vale, economista-chefe da MB Associados, explica que não revisou sua projeção para este PIB. Um eventual ajuste só viria com os dados preliminares do quarto trimestre. O fim do auxílio emergencial pode mudar a tendência para o fechamento do ano.
– Minha projeção para o PIB não mudou. No terceiro trimestre, a economia deve crescer 7,2%, mas cai na comparação com o mesmo período de 2019, recuo de 4,5%. Apesar do resultado forte do varejo em agosto (3,4% em relação a julho), a indústria não veio como esperado (3,2%) e os serviços estão em recuperação muito lenta. O desempenho do quarto trimestre é que será mais relevante. Sem o auxílio emergencial, a dinâmica pode mudar. É provável que a recuperação arrefeça e o PIB avance apenas 1% em relação ao terceiro trimestre – diz Vale, da MB Associados.
O Globo.