
O Rio Grande do Norte confirmou o primeiro registro do fungo Candida auris, conhecido como “superfungo”, em um paciente internado no estado. A informação foi divulgada nesta quinta-feira (5) pela Secretaria de Estado da Saúde Pública (Sesap), após a conclusão do laudo de sequenciamento genético realizado em São Paulo, conforme os protocolos estabelecidos pelo Ministério da Saúde.
O paciente é um homem espanhol, de 58 anos de idade, que segue hospitalizado e em isolamento. De acordo com a Sesap, ele não apresenta sintomas associados ao fungo e permanece internado em razão de outra condição clínica, sem relação com a infecção.
A detecção do Candida auris ocorreu a partir de exames laboratoriais realizados pelo Laboratório Central de Saúde Pública do Rio Grande do Norte (Lacen/RN), ainda na terceira semana de janeiro. A confirmação laboratorial foi feita após testes realizados em São Paulo.
Origem do caso e medidas adotadas
De acordo com a secretaria, não há informações que permitam afirmar se o caso é importado ou adquirido localmente. O paciente não possui histórico recente de viagens, o que impede a definição precisa sobre a origem da infecção.
Após a identificação do fungo, foram adotadas imediatamente todas as medidas de isolamento e controle de infecção recomendadas pela vigilância sanitária e pelo Ministério da Saúde, que acompanha o caso desde o início. A Sesap afirma que os protocolos nacionais estão sendo rigorosamente seguidos pela unidade hospitalar na qual o homem está internado.
A secretaria também esclareceu que o risco de disseminação do Candida auris para outros hospitais ou serviços de saúde do estado é considerado baixo. A transmissão ocorre por contato direto e, segundo a avaliação técnica, apresenta índice reduzido quando as medidas de controle são corretamente aplicadas.
Tratamento no RN
Em relação ao tratamento, a Sesap informou que o sistema de saúde do Rio Grande do Norte dispõe dos antifúngicos adequados em suas unidades hospitalares. Ainda assim, reforçou que o paciente não desenvolveu quadro clínico associado ao fungo.
O estado possui antifungícos em todas suas unidades hospitalares. Reiterando que o paciente em questão não manifestou sintomas ligados ao fungo, destacou a Sesap.
Mais sobre o superfungo
A levedura, um fungo unicelular, gera grande apreensão entre autoridades de saúde em todo o mundo por apresentar resistência à maioria dos antifúngicos disponíveis e, em alguns casos, a todos eles. Essa característica fez com que a espécie ficasse conhecida como “superfungo”, termo que reflete a dificuldade extrema de controle e tratamento das infecções que provoca.
Os fungos do gênero Candida são amplamente conhecidos pela população, pois estão associados a infecções relativamente comuns, como candidíases orais e vaginais. Esses quadros, em geral, possuem tratamento simples, com medicamentos facilmente encontrados em farmácias.
Entretanto, a Candida auris representa uma exceção preocupante dentro desse grupo, por apresentar comportamento muito mais agressivo e resistência elevada aos tratamentos tradicionais.
Resistência extrema aos antifúngicos
Diferentemente das outras espécies do gênero, a Candida auris desenvolve um mecanismo de proteção conhecido como biofilme. Essa estrutura funciona como uma camada defensiva que impede a ação eficaz dos medicamentos utilizados no combate a fungos.
Segundo especialistas, essa levedura demonstra resistência simultânea a três das principais classes de antifúngicos: fluconazol, anfotericina B e equinocandinas, o que limita drasticamente as opções terapêuticas disponíveis.
Essa resistência múltipla é o principal fator que transforma a Candida auris em uma ameaça significativa dentro dos ambientes hospitalares.
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