O promotor Wendell Beetoven Ribeiro Agra, que subscreve a recomendação, registrou que crimes dolosos contra a vida de civis são de competência do tribunal do júri, na Justiça Comum. Assim, segundo ele, não cabe às instituições militares a investigação preliminar desses casos. O documento tem como base sentença da Corte Interamericana de Direitos Humanos (Corte IDH), da qual o Brasil é signatário, no caso “Antônio Tavares Pereira e outros vs. Brasil”.
A Corte considerou que a aplicação da jurisdição militar para investigar e julgar a morte de uma vítima civil violou a Convenção Americana. A decisão entende que a jurisdição penal militar não é o foro apropriado para investigar violações de direitos humanos. A Corte IDH enfatizou que as investigações devem ser independentes dos funcionários envolvidos no incidente. Segundo o MPRN, a Polícia Militar não tem, portanto, competência para investigar delitos supostamente cometidos contra civis. Sendo assim, o inquérito policial deve ser instaurado pela Polícia Civil nestes casos.
Procurada pela reportagem da TIBUNA DO NORTE, a Polícia Militar ainda não se pronunciou sobre o caso. O Comando do 1º Batalhão da Polícia Militar deverá informar ao MPRN, no prazo de 5 dias, se acatará a recomendação. A manutenção de conduta em desacordo com a recomendação pode levar ao ajuizamento de ações pertinentes.
Nessa segunda-feira (21), a Polícia Militar informou, por meio de nota, que instaurou Inquérito Policial Militar e afastou preventivamente os policiais envolvidos na ação. Ao todo, foram seis agentes. Além disso, um inquérito na Polícia Civil também foi instaurado, sendo conduzido paralelamente ao processo investigativo da PMRN.
O caso
A ação policial que culminou na morte de Adson Wyohandson Rodrigues de Souza e Janderson da Silva Nunes ocorreu na última sexta-feira (18), em Mãe Luiza, bairro da zona Leste de Natal. O caso ganhou repercussão após um vídeo ser divulgado nas redes sociais, que mostraria um policial efetuando disparos à queima-roupa contra uma das vítimas. O homem estava rendido de joelhos e desarmado.
A Polícia Militar do RN confirmou, nesta terça-feira (22), que o vídeo em que mostra a ação vai passar por uma perícia do Instituto Técnico-Científico de Perícia (Itep-RN).
Tribuna do Norte
