Pazuello diz que Bolsonaro nunca o orientou ou interveio na Saúde

Foto: Sérgio Lima/Poder 360

O ex-ministro da Saúde Eduardo Pazuello disse à CPI (Comissão Parlamentar de Inquérito) da Covid no Senado, nesta 4ª feira (19.mai.2021), que nunca foi orientado pelo presidente Jair Bolsonaro enquanto esteve no comando da pasta.

“O Presidente da República falou para mim e para todos os ministros várias vezes: de assunto de saúde quem trata é o Ministro Pazuello. Então, nunca, nunca, e vou repetir: nenhuma vez eu fui chamado para ser orientado pelo Presidente da República de forma diferente por aconselhamentos externos. Nunca, nenhuma vez.”

Ele também negou a existência de um assessoramento paralelo para o chefe do Executivo, mas disse que considera normal que diversas pessoas levem informações ao presidente.

“Seria um absurdo o Presidente da República não ouvir opiniões, não ouvir versões para que ele crie a própria posição dele como Presidente da República. Uma coisa é uma coisa, outra coisa é outra coisa. Daí, para ele trazer de lá ou trazer de qualquer relação uma orientação contrária a uma posição do ministério ou minha, nunca houve.”

A tese de que o presidente receberia conselhos sobre a Saúde de pessoas sem ligação com o ministério começou com o depoimento dos ex-ministros Luiz Henrique Mandetta e Nelson Teich e do presidente da Anvisa (Agência Nacional de Vigilância Sanitária), Antonio Barra Torres.

De acordo com os depoimentos, a médica e defensora da cloroquina, Nise Yamaguchi, defendeu a mudança na bula do medicamento por decreto em uma reunião no Planalto. A ideia foi rejeitada por Barra Torres.

FILHOS DO PRESIDENTE

Perguntado pelo relator da CPI, senador Renan Calheiros (MDB-AL), sobre se os filhos do presidente teriam interferido em sua gestão do Ministério da Saúde, Pazuello negou e disse que gostaria de ter mais contato com eles do que teve.

“Coloco aqui uma coisa interessante: da mesma forma que eu esperava ter mais conversas com o Presidente, eu quero dizer também que eu esperava que eu pudesse conversar mais com o Flávio, com o Eduardo, com o Carlos.”

Eduardo Pazuello já havia dito à CPI que se encontrava com o presidente Jair Bolsonaro “menos do que gostaria”. Também em pergunta de Renan, ele respondeu que, por conta das “agendas complicadas”, via o presidente uma vez por semana ou uma vez a cada duas semanas.

Fonte: Poder 360