Bancos só pensam naquilo, o lucro. Idosos desafiam o covid-19 e enfrentam a fila

Um péssimo exemplo dado pelas agências Bradesco, Itaú e Caixa em Parnamirim, em tempos de corona vírus, onde o isolamento social é o principal remédio para prevenção contra o Covid 19. Esses bancos não se programaram e permitem que seus clientes arrisquem suas vidas e ponham em cheque a saúde pública Municipal. Haja vista, que os clientes tem que se expor por cerca de horas em filas, que desafiam as orientações da Organização Mundial de Saúde, na qual se recomenda um distanciamento de pessoa para pessoa e principalmente para o grupo de risco. O que se percebe é um número muito grande de idosos, sem a devida proteção, ou seja, sem máscaras. Todos correm risco e os bancos só conseguem ver a relação custo- benefício. O lucro financeiro ainda é o grande objetivo dessas instituições.

Prefeitos pedem socorro e dizem que a governadora abandonou os municípios nessa pandemia

Por meio de carta aberta publicada hoje (06), a FEMURN pede socorro para os municípios do Rio Grande do Norte que estão enfrentando a pandemia do COVID-19 em meio ao abandono do Governo do Estado. O texto da carta cita que os municípios são a linha de frente no combate a pandemia do COVID-19 e a importância de seus gestores nesse tão delicado momento. Com bastante destaque, a carta ainda cita o Governo do Estado, que num momento tão conturbado como esse praticamente abandonou seus municípios com escassez e ausência de recursos e repasses que são de sua obrigação. Por fim, o texto diz que ainda há um fio de esperança aos PREFEITOS e PREFEITAS, que serão verdadeiros guerreiros nestes tempos tão difíceis, para que se encontre alguma solução e o Governo do Estado libere as verbas que vem se apropriando indevidamente. A carta pode ser vista na sua íntegra aqui: bit.ly/carta-femurn

A cruz: catédra de Cristo

Padre João Medeiros Filho
A Sexta-Feira Santa é o memorial da solidariedade de Deus com os seres humanos. Venera-se a cruz, erguida como sinal do amor de Cristo, o qual foi condenado injustamente e torturado até a morte. Colocou sua vida nas mãos do Pai, confiando na justiça e misericórdia divina. No Domingo de Ramos, Jesus, entrando em Jerusalém, apresentou a sua mensagem religiosa, capaz de transformar a sociedade e tornar os homens em verdadeiros irmãos. Na Última Ceia, partindo o pão, mostrou-nos em que consiste o milagre da partilha e a força extraordinária do serviço e da disponibilidade. Logo depois, sofre a rejeição e a condenação por causa de seu projeto em favor da vida, dos esquecidos e marginalizados. Enfrenta a morte violenta por proclamar que o Reino de Deus, a liberdade e o alimento com fartura só virão dos corações de pessoas altruístas, capazes de viver e mostrar que os bens têm sentido, quando partilhados.
A liturgia da Sexta-Feira Santa não é mera repetição da narrativa bíblica, mas também uma metáfora de nossas aflições e preocupações. Estamos vivendo a paixão no Brasil de hoje, vítima do egoísmo, orgulho e da arrogância de vários, das contendas partidárias, dos esquemas de poder e interesses escusos de tantos. Nossa pátria teima em não aceitar os valores pregados por Cristo, sobretudo sua mensagem de paz, verdade e amor. Celebra-se a Paixão de Jesus, do seu calvário compartilhado por uma multidão de sofridos e aflitos em busca de libertação.
A cruz é desafio e apelo para que os cristãos assumam a pregação de Jesus, promovendo a luta em favor da justiça e da verdade, anunciando a esperança e construindo a fraternidade. Em 2001, São João Paulo II, na cerimônia de entrega do barrete aos novos cardeais, afirmou: “A cruz é a cátedra de Deus no mundo”. Cátedra é o lugar, onde o mestre ensina. A cruz de Cristo é o púlpito vivo e permanente, onde Deus continua a proclamar seu amor e perdão, sua ternura e compaixão. Ali, o Salvador oferece à humanidade uma de suas lições mais importantes: a necessidade de amarmos uns aos outros, como Ele mesmo nos amou (cf. Jo 19, 26), até o dom extremo de si mesmo. O Crucificado faz sua doação total, sem cobranças, expressando a gratuidade divina.
Há algo que talvez só consigamos aprender contemplando a cruz: o sentido do sofrimento e da profundidade da dor. Por instinto da natureza humana, a civilização hodierna evolui no sentido de amenizar as situações e realidades dolorosas, consideradas um mal a evitar. É justo e digno lutar para mitigá-las, até as fronteiras do possível. Cristo tudo fizera para apagar as dores corporais e espirituais daqueles que o procuravam. Porém, mostrou com a sua crucifixão que só é possível vencer as angústias e contradições do mundo, quando se aceita doar generosamente a vida em favor dos outros. É um clamor contra o egoísmo, em favor da fraternidade.
O sofrimento foi (e continua sendo) uma experiência humana universal. Ele é físico ou da alma, causado pela violência, injustiça, corrupção e desonestidade, miséria e doenças, adquirindo os contornos de abandono, solidão, perda do sentido da vida etc. Perante a dor tão intensa, ou nos deixamos esmagar pelo seu peso, ou a assumimos de forma generosa, oferecendo-a como semente fecunda de nossa redenção. É possível aprender esse sentido pascal da dor humana. E isto abre cada vez mais o nosso coração para a beleza do Amor infinito.
O mistério da cruz não é apenas um acontecimento histórico. Mantém a perenidade salvífica através dos séculos. O Senhor continua a oferecer-se pela humanidade, sendo a oferta do sacrifício concretizada nas tribulações dos cristãos, que, segundo o apóstolo Paulo, “completam em sua carne o que faltou à paixão de Cristo” (Col 1, 24). É o que comemoramos na Sexta-Feira Santa. A cruz de Cristo é aparententemente a estranha pedagogia de Deus, mostrando-nos que o seu amor pode chegar a gestos que transcendem à lógica humana. A cruz pode parecer insensatez aos olhos de muitos, mas é a manifestação do poder de Deus (cf 1Cor 1, 18ss), mais forte que a morte!