China redesenha estratégia para aumentar influência na América Latina

Minas de metais preciosos, linhas ferroviárias e usinas hidrelétricas: a gama de projetos com financiamento chinês na América Latina é ampla. No início dos anos 2000, a potência emergente da Ásia descobriu a região do outro lado do Pacífico como um mercado de vendas, fonte de matéria-prima e destino de investimentos. Mas, depois de um verdadeiro boom chinês, especialmente na América do Sul, o interesse da China pela região pareceu diminuir.

De acordo com um estudo da Universidade de Boston e da organização sem fins lucrativos Inter-American Dialogue, com sede nos EUA, Pequim e seus bancos de desenvolvimento investiram em média US$ 1,7 bilhão por ano na América Latina de 2005 a 2015. Desde 2016, esse número vem caindo, para US$ 275 milhões em 2019. E em 2020 a China não concedeu um único empréstimo na América Latina.

Durante o mesmo período, o comércio de mercadorias também enfraqueceu: de 2000 a 2013, o comércio bilateral cresceu em média 30% ao ano, no meio tempo chegou a diminuir, só retornando aos níveis de 2014 em 2019.

DEPENDÊNCIA MÚTUA

Margaret Myers, uma das autoras do estudo, não vê isso como um verdadeiro resfriamento. “Muitos países latino-americanos tiveram dificuldades econômicas”, diz a chefe do programa da China e da América Latina na organização Inter-American Dialogue.

As relações já são intensas demais para que haja grandes mudanças de rumo, diz Myers. “Se, digamos, o fornecimento de soja da Argentina e do Brasil vacilar, os governos de ambos os lados terão um grande problema”. Por sua vez, o Brasil já fornece quase 100% de sua safra de soja para a China, afirma. “A relação comercial é saudável, mas é improvável que vejamos taxas de crescimento como uma década atrás”.

CHINA APOSTOU EM REGIMES DE ESQUERDA

No entanto, quando se trata de investimentos diretos, aparentemente está ocorrendo uma mudança na forma de pensar dos chineses. Durante anos, o país havia concedido enormes empréstimos, especialmente a governos de esquerda, inclusive os do Equador, Argentina, Brasil e −acima de tudo− Venezuela.

Quase metade do dinheiro que a China emprestou à região de 2005 a 2019 foi para o regime socialista de Caracas, que deveria usá-lo para expandir a produção de petróleo, entre outras coisas, a fim de pagar suas dívidas. “Em vez disso, a produção de petróleo caiu desde então para 20% a 25%”, observa Harold Trinkunas, especialista em América Latina da Universidade de Stanford nos EUA. “A China poderia se decepcionar amargamente com a América Latina, como já aconteceu com muitos doadores internacionais”.

Segundo Margaret Myers, a mídia chinesa evita mencionar a Venezuela, talvez porque a liderança do partido esteja esperando que o investimento ainda compense no longo prazo.

RISCOS EM INVESTIR

Críticos costumam acusar os Estados Unidos e a Europa de assistirem sem reação à expansão da China na América Latina. Mas há boas razões para os investidores ocidentais relutarem em investir na região. Embora a Venezuela possa ser um caso extremo, é sabido que investir na América Latina acarreta altos riscos comerciais e políticos.

Os compradores de títulos do governo argentino já tiveram más experiências. Um exemplo é a empresa petrolífera espanhola Repsol, cuja participação na subsidiária argentina YPF foi expropriada por Buenos Aires em 2012. Já a aventura de construir uma siderúrgica no Brasil custou ao tradicional grupo alemão ThyssenKrupp cerca de 10 bilhões de euros. E esses são apenas 2 exemplos.

ThyssenKrupp Stahlwerk in BrasilienUsina da ThyssenKrupp em Sepetiba|Picture Alliance/DPA

Também a China já teve experiências negativas. Isso levou Pequim a repensar seus investimentos, quase não concedendo mais empréstimos de governo a governo, aponta Myers. O investimento direto das empresas chinesas, por exemplo, em projetos de infraestrutura nos setores de energia ou transporte, ganharam em importância. “Apesar de ter cada vez mais experiência com a América Latina, a China continua sendo surpreendida por problemas”, conta Myers.

Infografik Chinas Kredite an Lateinamerika PT

CLARA VANTAGEM PARA AMBAS AS PARTES

Pequim, entretanto, aceita esses riscos, esperando obter vantagens políticas. “Assim como em outras regiões do mundo, a China usa empréstimos e investimentos para garantir votos nos órgãos da ONU e apoio à sua política”, explica o pesquisador Harold Trinkunas. “Mas isso funciona principalmente com países pequenos e extremamente endividados”.

No fim de 2018, por exemplo, El Salvador rompeu laços diplomáticos com Taiwan em troca da promessa da China de ajudar o país a construir um estádio, uma biblioteca de vários andares e uma estação de tratamento de esgoto. Antes disso, a República Dominicana e o Panamá já haviam reconhecido a política de “uma China única”, voltando as costas também para os Estados Unidos.

“Pode ser muito útil para países menores colocar as duas superpotências uma contra a outra”, diz Trinkunas. O objetivo dessa troca de lados, diz ele, poderia ser não apenas atrair investimentos chineses, mas também conseguir ainda mais apoio norte-americano em troca.

Muitas vezes, no entanto, a China e suas empresas são simplesmente financiadoras mais atraentes para os governos latino-americanos. E isso apesar de muitas vezes vincularem seus investimentos ao uso de equipamentos e mão-de-obra chineses. Porque, ao contrário de parceiros ocidentais, eles não se importam com direitos humanos, conservação da natureza ou corrupção, diz Trinkunas.

INTERESSE PELO MÉXICO

A retirada da China da região, portanto, não está absolutamente à vista. Pelo contrário, Pequim até vem cortejando o governo do México, o único país da região que ainda tem fortes laços econômicos com os EUA. Mas é também uma as poucas nações nas quais a China vem investindo mais.

No início de 2021, o ministro do Exterior mexicano, Marcelo Ebrard, confirmou que seu país pretende intensificar a parceria estratégica com a China. No fim de janeiro, o presidente chinês, Xi Jinping, enviou mensagens de rápida recuperação ao chefe de Estado mexicano, Andrés Manuel López Obrador, que contraíra covid-19.

Na crise causada pelo novo coronavírus, a China ajudou muitos países da América Latina, por exemplo, com máscaras de proteção. O Brasil teve um papel importante na pesquisa clínica da vacina chinesa CoronaVac. O Chile deve receber ainda esta semana 2 milhões de doses da vacina chinesa.

“A ajuda da China em tempos de covid-19 é certamente um gesto de solidariedade”, diz Myers. “Mas é também uma oportunidade para apresentar os avanços das empresas chinesas em biomedicina e diagnósticos com inteligência artificial”. Grande parte da ajuda ocorre ainda em nível local, por exemplo, no escopo da crescente rede global de parcerias de cidades com a China, ressalta Myers.

Da mesma forma como nos níveis econômico e político, isso destaca outro aspecto que distingue a China dos Estados Unidos como parceira dos latino-americanos “Muitos desses países enfrentam os mesmos problemas e estão abertos a trabalhar em soluções conjuntas”.

Poder 360.

O futuro começa agora, escreve Marcio Coriolano

Senado dos EUA rejeita 2º pedido de impeachment de Trump

O Senado dos EUA rejeitou o 2º processo de impeachment do ex-presidente Donald Trump. O pedido havia sido motivado pelas declarações do ex-presidente no dia da invasão ao Capitólio, sede do Congresso norte-americano. Opositores consideravam que ele incitou o ato, que deixou 5 pessoas mortas e colocou em risco congressistas.

Eram necessários ao menos 2/3 dos votos do Senado (67 de 100 senadores) para condenar Trump. Foram 57 a favor do impedimento contra 43 pela rejeição. A Casa Alta norte-americana é composta por 50 democratas (incluindo 2 senadores independentes que votam com o partido) e 50 republicanos.

Depois do resultado, o presidente norte-americano afirmou que “nenhum presidente jamais passou por algo semelhante, e continua porque nossos oponentes não conseguem esquecer os quase 75 milhões de pessoas, o maior número de todos os tempos para um presidente em exercício, que votou em nós há poucos meses”.

“Nosso movimento histórico, patriótico e belo para Make America Great Again está apenas começando. Nos próximos meses, tenho muito a compartilhar com vocês e estou ansioso para continuar nossa incrível jornada juntos para alcançar a grandeza americana para todo o nosso povo”, completou via assessoria de imprensa.

A presidente é Kamala Harris, vice do atual presidente dos EUA, Joe Biden. Caso fosse condenado, uma votação em separado poderia tornar Trump inelegível –ou seja, ele não poderia disputar a próxima eleição presidencial, em 2024.

Eis os 7 senadores republicanos que votaram pelo impeachment de Trump: Mitt Romney (Utah), Richard Burr (Carolina do Norte), Susan Collins (Maine), Bill Cassidy (Louisiana), Lisa Murkowski (Alaska), Ben Sasse (Nebraska) e Pat Toomey (Pensilvânia).

O pedido havia sido aprovado pela Câmara dos Representantes em 13 de janeiro. O placar final pró-impeachment foi de 232 a 197, com 4 abstenções de republicanos. Os 222 deputados democratas foram a favor da abertura do processo. Entre os 211 republicanos, 10 apoiaram o impeachment.

Trump é o 1º presidente na história dos Estados Unidos a ter 2 processos de impeachment abertos. Em dezembro de 2019, o republicano foi a julgamento uma vez na Câmara, controlada pelos democratas, por pressionar o presidente da Ucrânia a investigar Joe Biden e seus filhos, na época seu provável adversário nas eleições presidenciais de 2020. O então presidente, porém, foi absolvido pelo Senado, de maioria republicana na época.

O PEDIDO DE IMPEACHMENT

Depois da invasão ao Capitólio por apoiadores de Trump na 1ª semana de janeiro, o então presidente passou a ser pressionado a deixar o governo seja por renúncia, pela evocação da 25ª Emenda da Constituição norte-americana ou por processo de impeachment.

Em 12 de janeiro, o então vice-presidente dos EUA, Mike Pence, rejeitou convocar a 25ª Emenda para retirar Trump do cargo. A legislação, ratificada em 1967, trata de situações nas quais um presidente está inapto para continuar no cargo, mas não se demite. Abrange doenças físicas e mentais.

A proposta de impeachment do então presidente foi apresentada em 11 de janeiro por congressistas do Partido Democrata.

No pedido (íntegra em inglês – 31KB), os democratas afirmam que as declarações falsas de Trump de que ele ganhou a eleição incentivaram apoiadores a invadir o Capitólio.

O documento também cita a ligação de Trump para o secretário de Estado republicano da Geórgia, na qual o presidente norte-americano o pressionou a “encontrar” votos suficientes para que ele pudesse ganhar de Joe Biden no Estado.

“Em tudo isso, o presidente Trump colocou em risco a segurança dos Estados Unidos e de suas instituições governamentais”, diz o texto. “Ele ameaçou a integridade do sistema democrático, interferiu na transição pacífica de poder e pôs em perigo um ramo coigual do governo. Com isso, ele traiu sua confiança como presidente, para prejuízo manifesto do povo dos Estados Unidos.”

Também em 12 de janeiro, antes de embarcar para o Texas, Trump negou qualquer responsabilidade pela invasão ao Capitólio. Também disse que seu discurso durante um comício em 6 de janeiro, antes do ataque, foi “totalmente apropriado”.

“As pessoas acharam que o que eu disse era totalmente apropriado, e se você olhar o que outras pessoas disseram, políticos de alto nível, sobre os distúrbios durante o verão, os horríveis distúrbios em Portland e Seattle e vários outros lugares, isso foi um problema real, o que eles disseram”, afirmou o presidente norte-americano a jornalistas na Base Conjunta Andrews.

Trump criticou o pedido de impeachment. Disse que é “absolutamente ridículo” que a Câmara estivesse buscando avançar rapidamente com o processo e acusá-lo de incitar uma insurreição.

Após a invasão, o então presidente norte-americano também teve suas contas banidas e suas publicações restringidas por ao menos 12 empresas de mídias sociais, que argumentaram temer que as postagens de Trump incitem ainda mais a violência.

A SAÍDA DA CASA BRANCA

Em 20 de janeiro, Trump deixou a Casa Branca e deu lugar ao democrata Joe Biden. Em seu discurso, disse que voltaria “de um jeito ou de outro”. Afirmou também que seu governo estabeleceu o “alicerce” para o êxito de seu sucessor, sem citá-lo.

O republicano não foi à cerimônia de posse de Joe Biden. Foi a 1ª vez que um presidente não compareceu na tomada de posse de seu sucessor desde 1869.

Poder 360.

Grupo de Lira quer ir ao Conselho de Ética contra Maia

O grupo político de Arthur Lira cogita denunciar o deputado Rodrigo Maia pelo uso de jatinhos da FAB durante a reta final da campanha de Baleia Rossi à presidência da Câmara, diz a Crusoé.

Caso se comprove que Maia usou as aeronaves oficiais para percorrer o país em campanha por Baleia Rossi ao comando da Câmara, a ideia, segundo interlocutores de Lira, é usar as informações para embasar um pedido de abertura de processo contra o parlamentar no Conselho de Ética ou até mesmo uma representação junto à Procuradoria-Geral da República.”

O antagonista.

“O Brasil tem uma mutação que é uma preocupação para nós”

Anthony Fauci, chefe do Instituto Nacional de Alergia e Doenças Infecciosas dos EUA, disse ao Estadão que a variante brasileira do coronavírus preocupa o governo americano.

O Brasil tem uma mutação que é uma preocupação para nós. É uma mutação que é muito similar à variante da África do Sul, que tem escapado da proteção de muitos anticorpos monoclonais e diminui a eficácia de anticorpos induzidos por duas vacinas que estão disponíveis“, afirmou.

Ainda de acordo com Fauci, o fluxo de viagens entre Brasil e os Estados Unidos não deve voltar ao normal tão cedo.

Então há uma preocupação com relação às viagens. Não acredito que haverá nenhuma mudança no futuro imediato das restrições de viagem impostas ao Brasil.

O antagonista.

Em almoço com Guedes, Lira e Pacheco pedem extensão do auxílio emergencial até junho

O auxílio emergencial deveria ser pago de março a junho, disseram nesta sexta-feira (12) os presidentes da Câmara dos Deputados, Arthur Lira (PP-AL), e do Senado Federal, Rodrigo Pacheco (DEM-MG). Eles almoçaram com o ministro da Economia, Paulo Guedes, e o ministro da Secretaria de Governo, Luiz Eduardo Ramos, para discutir a recriação do benefício.

Os parlamentares avançaram nas discussões com a equipe econômica. Em troca da prorrogação do auxílio, o Congresso Nacional votará propostas de emenda à Constituição (PECs) que introduzem uma cláusula de calamidade pública, acompanhada de medidas de corte de gastos.

“É fundamental que haja cláusula de calamidade pública para que possamos fazer a flexibilização necessária para o auxílio”, disse Pacheco, após a reunião. Incluída na PEC Emergencial, em tramitação no Congresso desde 2019, a cláusula de calamidade pública exclui do teto federal de gastos o pagamento de uma nova rodada do auxílio emergencial.

O almoço ocorreu na residência oficial do presidente do Senado. No encontro, Pacheco ressaltou que os parlamentares pediram que o benefício seja pago de março a junho, mas reconheceu que o Congresso tem de fazer a sua parte e aprovar propostas de ajuste fiscal para tornar viável a extensão do pagamento do benefício.

“Há uma expectativa do Congresso, que é da sociedade, de que seja aprovado o auxílio. Que seja um auxílio suficiente para alcançar o maior número de pessoas com a responsabilidade fiscal que é preciso ter no Brasil. A expectativa é que possamos ter [o benefício] nos meses de março, abril, maio e eventualmente no mês de junho”, declarou Pacheco.

Segundo Pacheco, a prioridade do Congresso neste momento são o auxílio emergencial e a vacinação em massa contra a covid-19. Mesmo assim, ele disse que os parlamentares estão dispostos a seguir o cronograma de reformas e citou a reforma tributária como destaque.

“Nesta reunião, externamos ao ministro Guedes e ao ministro Ramos o que é o desejo e expectativa do Congresso em relação a este momento. A prioridade absoluta é vacina e auxílio emergencial, que só deixarão de ser prioridade quando a pandemia acabar”, ressaltou.

De acordo com Guedes, a reunião terminou com progressos consideráveis. “Avançamos bastante. Compromisso com a saúde, vacinação em massa e auxílio emergencial e compromisso com a responsabilidade fiscal. Extraordinariamente construtivo. Estamos todos na mesma luta: auxílio, vacina em massa, e reformas, principalmente o marco fiscal”, declarou o ministro. “Vamos vencer a guerra”, finalizou.

As informações são da Agência Brasil.

Conexão política.

Novo auxílio emergencial deve ser fixado em 4 parcelas de R$ 250; entenda

Governo e lideranças do Congresso estabeleceram um acordo para expandir a concessão de mais um ciclo do auxílio emergencial.

O valor de R$ 250 está previsto para ser pago durante quatro meses, segundo apurado pela equipe de reportagem do Conexão Política.

Inicialmente, o ministro da Economia, Paulo Guedes, tinha apresentado o valor de R$ 200 durante três meses, enquanto o Congresso cogitava R$ 300 ou R$ 400 por um período de seis meses.

Preocupados com o orçamento da União, os principais articuladores do governo se mobilizaram para buscar um meio termo entre os interesses do Executivo e do Parlamento.

A nova fase do benefício, segundo apurou a nossa reportagem, deve ter um custo de R$ 30 bilhões.

Com previsão para ser liberado no mês de março, o auxílio deve se entender até o mês de junho.

O presidente Jair Bolsonaro (sem partido) tem dito em eventos oficiais que “não é questão de prorrogar o período de auxílio, mas que a população precisa entender que é extremamente necessário ter responsabilidade fiscal”.

Conexão política.

Gilmar Mendes revoga prisão domiciliar e concede liberdade a Marcelo Crivella

O ministro Gilmar Mendes, do Supremo Tribunal Federal (STF), revogou nesta sexta-feira (12) a decisão do Superior Tribunal de Justiça (STJ) que concedeu, em dezembro do ano passado, prisão domiciliar a Marcelo Crivella (Republicanos), ex-prefeito do Rio de Janeiro/RJ.

Com a nova determinação exarada por Gilmar Mendes, Crivella não precisará mais permanecer preso em casa. Ele, contudo, deverá cumprir medidas cautelares como comparecimento periódico à Justiça, proibição de sair do país e de manter contato com outros investigados.

No ano passado, o ex-mandatário foi preso durante ação do Ministério Público do Rio de Janeiro (MPRJ) e da Polícia Civil, como desdobramento da Operação Hades, que apura corrupção no Executivo municipal da capital fluminense com base na delação do doleiro Sergio Mizrahy.

Conexão política.

Novo veículo de turismo chega para enaltecer as potencialidades do RN.

A revista Turismo 4.0 chega ao Rio Grande do Norte para fomentar o setor.
A primeira edição tem como objetivo enaltecer as belezas naturais do estado, as ricas tradições nordestinas, a cultura, a gastronomia, a religiosidade e o entretenimento destas terras potiguares.

Mostrando o RN como um dos principais destinos na rota turística no mundo, a publicação teve o lançamento nesta sexta-feira (12), em um coquetel no Grupo Hospedar, localizado em Ponta Negra, um dos principais cartões postais do país.

A solenidade contou com a presença de personalidades do setor empresarial, jornalistas, políticos, digitais influencer, os secretários de turismo de Parnamirim e Nísia Floresta.
Sob o comando da senhora Rallynne Kelly Medeiros diretora presidente da revista, também estiveram presentes Marcos Dantas, diretor geral do Grupo Hospedar,, Lucas Tigre, sócio diretor comercial do Grupo Hospedar, Marcos Martins, diretor de marketing da Revista Turismo 4.0 e Roberto Costa Lima, jornalista e diretor responsável pela revista.

“Em um momento em que o mundo passa por grandes desafios, direcionar os esforços para fomentar um setor tão importante é um símbolo de solidariedade a todos aqueles que fazem do RN uma marca no turismo mundial”, disse Marcos Martins, diretor de marketing.

Fonte: R. Turismo 4.0

Câmara, agenda legislativa e as eleições de 2022, por Orlando Silva

Bolsonaro diz que é citado em mensagens da Lava Jato e que quer divulgá-las

Sergio Lima 09.02.2021

O presidente Jair Bolsonaro disse nesta 6ª feira (12.fev.2021) que foi citado em mensagens apreendidas pela Polícia Federal e obtidas por hackers que invadiram celulares de autoridades brasileiras, como o ex-juiz Sergio Moro e procuradores da Lava Jato.

A apoiadores no Palácio da Alvorada, Bolsonaro afirmou que solicitará acesso às mensagens para depois divulgá-las.

“Para que não haja dúvida, mandei pedir aquela matéria hackeada que está na mão do PT, do Lula, onde tem meu nome lá. Alguma coisa já passaram para mim. Vocês vão cair para trás. Chegando eu vou divulgar. O Lula não vai, já falou que não vai. Eu vou divulgar”, disse.

Na 4ª feira (10.fev), a defesa do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) decidiu não utilizar as conversas hackeadas apreendidas na operação Spoofing em ação no STF (Supremo Tribunal Federal) na qual acusa o ex-juiz federal Sergio Moro de ter sido parcial ao julgar os casos da Lava Jato envolvendo o petista.

As conversas, atribuídas a procuradores da operação Lava Jato, como Deltan Dallagnol, e a Moro, mostram que o então juiz federal fazia pedidos e orientações a Dallagnol. O magistrado também informava ao então coordenador da Lava Jato no Paraná, antecipadamente, medidas judiciais adotadas contra investigados. Tanto Moro quanto os procuradores não reconhecem a autenticidade das mensagens.

Na 3ª feira (9.fev), por 4 votos a 1, os ministros da 2ª Turma do Supremo mantiveram a decisão de Ricardo Lewandowski que garantiu ao ex-presidente o acesso aos diálogos.

Segundo Bolsonaro, autoridades teriam falado sobre a vida financeira dele e de sua família nas mensagens.

“Você vê a perseguição ali, conversa de autoridades, falando como é que entravam na minha vida financeira, da minha família. Você tem que entrar, mas tem que ter ordem judicial”, declarou.

O presidente afirmou que quer “pegar o cara que vendia informações dentro do Coaf [Conselho de Controle de Atividades Financeiras]”.

“Já tenho alguma coisa que tem chegado para mim, agora vou conseguir, espero que o Supremo me dê. Deu para o Lula, já que a imprensa diz que meu nome tá lá dentro, dê para mim também”, completou.

Em 2019, um relatório do Coaf mostrou movimentações bancárias atípicas do então deputado estadual, o filho do presidente e senador Flávio Bolsonaro (Republicanos-RJ)

Poder 360.

União soma 2,9 milhões de barris de petróleo em contratos de partilha em 2020

Do total produzido em 2020 em contratos em regime de partilha no Polígono do Pré-sal, a União teve direito a 2,9 milhões de barris de petróleo e a 32,2 milhões de metros cúbicos (m³) de gás natural. As informações são do Boletim Mensal dos Contratos de Partilha de Produção (2 MB), elaborado pela PPSA (Pré-Sal Petróleo) e divulgado nesta 6ª feira (12.fev.2021).

Dos 17 contratos que atuam em regime de partilha, 3 estão em produção. São eles: a Área de Desenvolvimento de Mero (Libra), Entorno de Sapinhoá e Tartaruga Verde Sudoeste, que operam 4 unidades flutuantes de produção, armazenamento e transferência (FPSOs, do nome em inglês) e 18 poços.

No ano passado, a produção total desses contratos somou 16,3 milhões de barris de petróleo e 89,7 milhões de metros cúbicos de gás natural disponíveis para comercialização. Nas 3 áreas, a Petrobras é a operadora, com participação de 40% em Mero, 45% em Sapinhoá e 100% em Tartaruga Verde Sudoeste.

A Empresa Brasileira de Administração de Petróleo e Gás Natural, ou Pré-Sal Petróleo, é o braço da União na gestão e controle das atividades de exploração e produção de óleo e gás natural na área do pré-sal. Desde o início da produção do regime de partilha, em novembro de 2017, até dezembro de 2020, a União acumula produção de 7,7 milhões de barris de petróleo e 52,4 milhões de m³ de gás natural.

DESTAQUES

Na produção de petróleo em 2020, o destaque foi a Área de Desenvolvimento de Mero como principal produtora no regime de partilha, respondendo por 57% do total acumulado (ou 9,3 milhões de barris), seguida dos campos de Tartaruga Verde Sudoeste (25%, ou 4,1 milhões de barris) e do Entorno de Sapinhoá (18%, 2,9 milhões de barris).

Na produção de gás natural disponível para comercialização, os principais produtores foram os campos do Entorno de Sapinhoá, que detiveram 65% do total acumulado, com 58,7 milhões de m³. O gás natural produzido em Mero, com alto teor de gás carbônico (CO2), está sendo injetado no reservatório para aumento da produção de petróleo. Até o momento, não há previsão para sua comercialização, informou a PPSA, por meio de sua assessoria de imprensa.

Nas parcelas da União, o maior excedente em óleo acumulado coube a Entorno de Sapinhoá, com 55% do total (1,58 milhão de barris), bem como o maior excedente em gás natural disponível acumulado para ser comercializado pela União, da ordem de 99,6% do total (32,1 milhões de m³).

DEZEMBRO

No último mês do ano passado, a média da produção total de petróleo em regime de partilha alcançou 47 mil barris por dia (bpd) nos 3 contratos, sendo 29 mil bpd na Área de Desenvolvimento de Mero, 7 mil bpd em Entorno de Sapinhoá e 10 mil bpd em Tartaruga Verde Sudoeste. Houve aumento de 16% em relação ao total produzido em novembro. Nesses 3 contratos de partilha, a média diária do total do excedente em óleo da União somou 8,6 mil bpd, mostrando expansão de 14% sobre o mês anterior.

Também em dezembro, a média diária de produção de gás natural foi de 238 mil m³ nos 2 contratos com aproveitamento comercial do gás natural, sendo 160 mil m³/dia no contrato de partilha de produção (CPP) do Entorno de Sapinhoá e 78 mil m³/dia no CPP de Tartaruga Verde Sudoeste. Em comparação ao mês anterior, o volume de gás disponível evoluiu 16%. A média diária da parcela de gás natural da União foi de 92 mil m³.

 

Com informações da Agência Brasil.

Poder 360.

Brasil pode participar de teste de spray anticovid de Israel, diz Bolsonaro

O presidente Jair Bolsonaro afirmou em seu perfil no Twitter nesta 6ª feira (12.fev.2021) que entrou em contato com o primeiro-ministro de Israel, Benjamin Netanyahu, para tratar da inclusão do Brasil em testes de um spray experimental contra o câncer, que é desenvolvido pelo país do Oriente Médio e que pode ser eficaz no tratamento contra o coronavírus.

 

O presidente afirmou nessa 5ª feira que tentaria trazer o spray ao Brasil: “Quero obviamente trazer para cá, pegar documentação, [e] dar entrada na Anvisa”.

O MEDICAMENTO

O medicamento ficou conhecido depois que pesquisadores do Ichilov Hospital, em Tel Aviv, Israel, afirmarem que a substância foi eficiente no tratamento contra o covid em 29 de 30 pacientes. Os cientistas disseram que o remédio, desenvolvido por Nadir Arber, do Centro Integrado de Prevenção do Câncer, seria capaz de curar os enfermos em 5 dias.

No entanto, o estudo conduzido em Israel foi preliminar e não comparou a droga a um placebo. Também não esclareceu a idade dos envolvidos no experimento.

O premiê israelense visitou Nadir Arber em 9 de fevereiro. “Essa pequena coisa pode mudar o destino da humanidade”, declarou. O presidente da Grécia, Kyriakos Mitsotakis, também demonstrou interesse pela substância.

O premiê israelense, Benjamin Netanyahu, em encontro encontra com o CEO do Tel Aviv Sourasky Medical Center, Professor Ronni Gamzu (à esquerda na foto), o Professor Nadir Arber, diretor do projeto de pesquisa EXO-CD24 e a diretora do laboratório, Dr. Shiran Shapira. em 8 de fevereiro de 2021.Gabinete do Primeiro Ministro de Israel

A droga, que deve ser inalada, foi desenvolvida originalmente para tratar o câncer de ovário. Pesquisadores constataram que ela atua reduzindo a reação exagerada do sistema imunológico ao coronavírus.

Quando uma pessoa é infectada pelo coronavírus, uma resposta imunológica exagerada pode afetar órgãos por meio de um processo conhecido como tempestade de citocinas –que tem potencial de causar danos maiores do que o vírus.

O EXO-CD24 consegue levar uma proteína chamada CD24 diretamente aos pulmões. A pesquisadora Shiran Shapira afirmou ao Times of Israel“A proteína é localizada na superfície das celulares e tem uma conhecida e importante atribuição na regulação do sistema imune”.

Poder 360.

Santo hacker, escreve Kakay

“Nada me pesa tanto no desgosto como as palavras sociais de moral. Já a palavra ‘dever’ é para mim desagradável como um intruso. Mas os termos ‘dever cívico’, ‘solidariedade’, ‘humanitarismo’, e outros da mesma estirpe, repugnam-me como porcarias que despejassem sobre mim de janelas. Sinto-me ofendido com a suposição, que alguém porventura faça, de que estas expressões têm que ver comigo, de que lhes encontro, não só uma valia, mas sequer um sentido.”

Fernando Pessoa, no Livro do Desassossego

Quando a solidão passa a ser a mais frequente companhia, por causa do isolamento social, e o programa mais esperado é acompanhar algum julgamento no Judiciário, é um sinal claro de que os tempos são estranhos e preocupantes. A conversa sempre volta à incompetência do governo, que, num negacionismo criminoso, optou por comprar cloroquina e não a vacina, ou a absoluta inércia dos poderes constituídos no enfrentamento do caos.

A torcida não é pela volta da normalidade da vida que nos roubaram, mas para ver se o número de mortos pelo vírus diminuiu naquele dia. Nós, que tínhamos na excelência do SUS a capacidade de vacinar milhões de pessoas rapidamente, hoje estamos torcendo para conseguir vacinar a população até o começo do próximo ano.

Na ausência e na irresponsabilidade criminosa do governo no programa de vacinação, algumas empresas já começam a fazer valer o tristemente famoso jeitinho brasileiro e a burla vergonhosa faz com que algumas pessoas sejam vacinadas clandestinamente. Normalmente, esses são os que bradam pelas ruas que o vírus não existe, que a doença não é grave e que só estão se vacinando porque querem mostrar que fazem parte de uma elite acostumada a arrotar os privilégios que julgam serem naturais. A máscara, que salva vidas, serve também para que a gente não tenha que ver a cara desse bando de canalhas. Escondo-me em Torquato Neto, no Poema do aviso final:

“ É preciso que haja alguma coisa
alimentando o meu povo;
uma vontade
uma certeza
uma qualquer esperança.
É preciso que alguma coisa atraía
a vida
ou tudo será posto de lado
e na procura da vida
a morte vira na frente
e abrirá caminhos.
É preciso que haja algum respeito,
ao menos um esboço
ou a dignidade humana se afirmará a machadadas.”

A questão central do país hoje, além do vírus, é saber se as tais mensagens que o bendito hacker capturou dos telefones institucionais da –na expressão posta pelo colunista do Globo– “gangue de Curitiba” podem ser usadas somente para a defesa dos que foram perseguidos pelo grupo, ou também para colocar a gangue no banco dos réus.

O questionamento é de alta indagação jurídica e por isto é debatido, pasmem, nos táxis, nos programas de auditório e em mesas de bar. Ou seja, as conversas do bando, chefiado por um ex-juiz que se julgava semideus, já são do conhecimento de todos e ninguém mais ousa negar a veracidade delas. Até porque já há um procurador que expressamente afirma serem verdadeiras as mensagens, embora diga que aquele espaço no Telegram era parecido com conversas de botequim. O que o Judiciário fará com as citadas mensagens é o assunto da moda.

O próprio ministro e presidente do Superior Tribunal de Justiça requereu ao procurador-geral da República que investigue os membros da força-tarefa flagrados nas mensagens combinando investigar ilegalmente ministros do Tribunal. Assim sendo, o ministro Humberto Martins considerou as mensagens suficientes para determinar a abertura de uma investigação para apurar as condutas penais, bem como administrativas, e até de desvio ético dos procuradores. E o procurador-geral da República já encaminhou o pedido de investigação da gangue de Curitiba para a Corregedoria do Ministério Público Federal. É hora dos demais membros do Ministério Público mostrarem que não coadunam com os métodos obscuros e ilegais desse grupo.

Por sinal, em importantíssima manifestação pública, 4 ilustres ex-presidentes da Associação Nacional dos Procuradores da República condenaram expressamente as trocas de mensagens entre os membros da Força Tarefa de Curitiba e o juiz Sérgio Moro. Ressaltaram que as mensagens sugerem conduta incompatível com a missão constitucional do Ministério Público, com desprezo às garantias constitucionais dos acusados e em desrespeito às normas que regem a cooperação internacional. Os ex-presidentes sugerem ainda que “sejam identificadas as ilicitudes praticadas no exercício do ofício e seus responsáveis submetidos ao devido processo legal”. É a comprovação cabal de que boa parte dos Procuradores, eu sempre repito, é séria, proba e não compactua com os abusos.

No entanto, não espere coerência dos membros da gangue que sempre se guiaram por um projeto de poder. Indigentes intelectuais e morais tinham na estrutura de marketing sua sustentação. Para tanto, contavam com o apoio estratégico de parte da grande mídia e dos jornalistas de algibeira sempre ávidos para serem usados. E, claro, ao instrumentalizarem o Poder Judiciário, usavam, sem pudor, as mais diversas estratégias para dar aparência de legalidade aos abusos. Muita gente séria foi enganada por uma história montada sem nenhum escrúpulo ou compromisso com a verdade. Utilizando o mote de combater a corrupção a qualquer custo, corromperam o sistema de justiça para chegarem ao poder. Remeto-me a Sophia de Mello Breyner Andresen, no poema O Velho Abutre:

“O velho abutre é sábio
e alisa as suas penas
A podridão lhe agrada
e seus discursos
têm o dom de tornar
as almas mais pequenas.”

A gangue pregava que a prova ilícita deveria ser usada sim, pois os fins justificariam os meios. São os mesmos que admitiam que a prisão servia, mesmo sem os pressupostos legais, para o fim específico de forçar o cidadão a delatar. Valiam-se da tortura de maneira institucionalizada, ao se considerar que prisão injusta pode ser uma forma de tortura. Contavam com a exposição midiática para quebrar a moral dos investigados e os forçavam a delatar. Estupraram o instituto da delação. Montaram, como fica claro nas mensagens, uma organização à margem da lei, composta por juiz, procuradores e advogados para lucrar com uma indústria de delação. As recentes revelações parecem mostrar que a delação era empregada para extorquir, para ameaçar, para proteger.

E dá náusea constatar nas mensagens que faziam tudo isso debochando e se divertindo com a desgraça alheia. É deprimente ver a absoluta falta de qualquer escrúpulo do grupo. A maneira desumana com que tratavam as pessoas, até mesmo em episódios trágicos como a morte do neto do ex-presidente, nos dá a dimensão da miséria humana que caracteriza esses personagens. Não podemos deixar que o desprezo que nutrimos por eles venha obnubilar nossos olhos a ponto de querermos negar a eles os direitos que eles negaram a todos.

É claro que, se fôssemos usar a mesma régua que o bando usava para se impor, ou se fôssemos exigir coerência deles, a essa altura esses procuradores já deveriam ter pedido a prisão deles mesmos e do juiz que os chefiava, e o juiz já teria prendido a todos. E ainda com direito a uma superexposição midiática no horário nobre. Repito o que já virou um mantra: vamos dar a eles o devido processo legal, o pleno direito de defesa, um julgamento justo e imparcial e até a presunção constitucional da inocência, garantindo que só irão para o cárcere após o trânsito em julgado da sentença.

Em tempos em que cumprir a Constituição passou a ser um ato revolucionário, vamos garantir a eles todos os direitos constitucionais. Essa falta de ar que sufoca o cidadão acometido pela praga do vírus, agravada pela inação criminosa do governo, que é filho direto do trabalho político da gangue em questão, não deve nos levar a perder a lucidez.

A angústia e o medo que imobilizam a todos os infectados já produz sérios efeitos colaterais aos que sobrevivem à doença. Há uma turva nuvem que parece cegar a todos e um grito seco não gritado, preso na garganta. No meio desse círculo invisível que nos oprime, nós temos que resistir aos métodos de barbárie que sempre combatemos. É, de certa maneira, a humanidade sendo posta à prova. Só venceremos se enfrentarmos os abusos, mesmo em tempos de ar rarefeito, com as armas da normalidade democrática.

As mensagens, isto é unânime, podem e devem ser manejadas na defesa técnica dos que foram objeto das ilegalidades. Toda a jurisprudência é nesse sentido. Assim como não é mais possível discutir se o juiz foi parcial, ou se a gangue por ele coordenada cometeu inúmeros ilícitos e crimes. Isso hoje é de uma obviedade chapada. A discussão que se faz necessária é se é possível utilizar as mensagens, obtidas sem autorização judicial, como prova em um processo criminal contra os envolvidos. Para isso serve o Estado Democrático de Direito.

Mesmo sendo indiscutível que a gangue cometeu diversos excessos, o cumprimento a Constituição se impõe. Os membros do bando pregavam o uso da prova ilícita para acusar e abusaram das provas obtidas por meios ilícitos, inclusive na obtenção de documentos no exterior sem obedecer aos tratados internacionais, mas não devemos nos misturar com eles.

A questão central é se as mensagens capturadas em telefones institucionais, trocadas entre agentes públicos e versando sobre processos públicos, devem ter o mesmo tratamento constitucional de proteção à intimidade do que as mensagens privadas. Todos têm o direito constitucional à intimidade e a não verem ser usadas contra si provas obtidas por meios ilegais. O alcance da norma constitucional é que desafia o Poder Judiciário agora.

O sistema de justiça, que foi corrompido pela gangue e por seu chefe, tem que mostrar que o direito vale para todos. A ponderação entre o uso das funções públicas como escudo para cometer crimes e abusos e a extensão do direito de proibição ao uso da prova ilícita está a provocar o próprio sistema que foi conspurcado pelo bando. Foi preciso um ato ilícito de um hacker para desnudar o poderio criminoso da gangue de Curitiba. Resta puni-los. Lembrando o velho Bertolt Brecht:

 

“Pelo que esperam?
Que os surdos se deixem convencer
E que os insaciáveis
Devolvam-lhes algo?
Os lobos os alimentarão,
Em vez de devora-los?
Por amizade
Os tigres convidarão
A lhes arrancarem os dentes!
É por isso que esperam!”  

Poder 360.

Guedes diz que programa de corte de jornadas e salários deve voltar

 Sergio Lima/Poder360. 20.10.2020Sérgio Lima/Poder360 20.10.2020

O ministro Paulo Guedes (Economia) declarou nessa 5ª feira (11.fev.2021) que o programa do governo federal de suspensão de contratos ou redução de salários e jornadas deve voltar.

Nós trabalhamos com uma arquitetura que vai permitir que esse programa seja estendido”, afirmou Guedes em entrevista por videoconferência promovida pelo banco BTG Pactual.

O governo de Jair Bolsonaro implementou a medida em 2020, quando foi decretado o estado de calamidade por causa da pandemia de covid-19. Empregadores e funcionários podiam assinar acordos individuais para a suspensão de contratos. O programa também permitia a redução de 25%, 50% ou 70% no tempo de trabalho, com corte proporcional de salário.

O Tesouro Nacional era responsável por uma compensação parcial ao trabalhador. O programa custou aproximadamente R$ 33,5 bilhões aos cofres públicos.

Em vez de você esperar alguém ser demitido e receber R$ 1.000 de seguro-desemprego, é muito mais inteligente pagar R$ 500 para ele não ser demitido”, disse o ministro. “Eu baixei o custo do emprego, mantive o emprego do trabalhador e gastei menos do que se ele fosse demitido”.

O programa foi encerrado em dezembro, assim como o pagamento do auxílio emergencial. Segundo o Ministério da Economia, foram feitos 20 milhões de acordos entre mais de 10 milhões de funcionários e 1,5 milhão de empresários.

Guedes não explicou se o novo programa será como o anterior. O governo não decretou novo estado de calamidade e, por isso, os custos da medida precisam estar incluídos no Orçamento para 2021.

Em transmissão ao vivo com representantes da Sociedade Nacional de Agricultura nessa 5ª feira (11.fev), Guedes citou a possibilidade de inserir uma cláusula de calamidade pública dentro do texto da PEC do Pacto Federativo que está em debate no Senado. A medida permite ao governo gastar recursos em caso de crise, da mesma forma que em 2020.

O ministro defendeu a necessidade de compensações financeiras para uma nova rodada de pagamentos do auxílio emergencial.

Bolsonaro disse nessa 5ª (11.fev) que o auxílio emergencial deve voltar a ser pago em março. Segundo o chefe do Executivo, a nova versão do benefício para a população de baixa ou nenhuma renda terá duração de 3 ou 4 meses. A declaração foi feita em entrevista a jornalistas depois de um evento em Alcântara (MA). Leia aqui como deve ser o novo auxílio emergencial.

Outra solução para custear o programa de manutenção do emprego seria usar recursos do FAT (Fundo de Amparo ao Trabalhador) –fundo responsável pelo pagamento do seguro-desemprego e do abono salarial.

Poder 360.