Após o debate deste domingo, a assessora de imprensa de Marçal, Luma Vidal, disse que os próximos encontros deveriam ter medidas para evitar novas agressões e chegou a sugerir que houvesse seguranças não apenas no estúdio, mas no palco.
A assessora afirmou que “o jogo virou” em relação às regras dos debates, já que as normas mais rígidas a partir do terceiro programa foram adotadas pelas emissoras em resposta ao comportamento de Marçal.
Segundo Luma, os canais resolveram ser “rigorosos com Marçal, então eles fizeram mil exigências e nós aceitamos todas elas”. Agora, diz ela, cabe ao influenciador pedir normas duras para não ser agredido novamente.
Questionada pela reportagem na tarde de segunda-feira (16), porém, Luma afirmou que os organizadores do próximo debate não haviam atendido os pedidos da campanha de Marçal no sentido de garantir a integridade dos candidatos —e não haviam anunciado novas medidas além das cadeiras parafusadas.
Nesta segunda, após receber alta do Hospital Sírio-Libanês, Marçal confirmou presença no debate desta terça e disse que não mudará o tom dos ataques direcionados aos outros candidatos.
Em agenda no Mercado Municipal de Pinheiros também nesta segunda, Boulos disse que vai propor às campanhas adversárias um “pacto de civilidade” nos debates televisivos.
Aliados de Nunes dizem que o prefeito vai buscar ser propositivo no debate desta terça, mas há a expectativa de que Marçal traga à tona o boletim de ocorrência registrado pela mulher do emedebista em 2011, em que o acusa de ameaça, episódio que hoje o casal nega ter ocorrido.
No debate da TV Cultura, Marçal pretendia explorar o tema, mas deixou o local após a agressão de Datena.
Cadeirada no debate
Na manhã desta segunda, Datena divulgou uma nota em que alega nunca antes havia defendido o uso de violência para resolver conflitos. O jornalista descartou a possibilidade de desistir da corrida pela Prefeitura de São Paulo.
“Errei, mas de forma alguma me arrependo”, declarou. “Preferia, sinceramente, que o episódio não tivesse ocorrido. Mas, fossem as mesmas as circunstâncias, não deixaria de repetir o gesto, resposta extrema a um histórico de agressões perpetradas a mim e a muitos outros por meu adversário.”
A cadeirada no debate aconteceu depois de uma sequência de discussões. O candidato do PRTB provocou o apresentador nos blocos anteriores ao resgatar uma denúncia de assédio sexual contra Datena e chegou o chamá-lo de “jack”, termo usado nos presídios para identificar acusados de estupro.
Datena rebateu dizendo que o caso nunca foi confirmado pela polícia e acabou sendo arquivado pela Justiça. Ainda afirmou que o fato atingiu sua família e levou à morte de sua sogra, que teve três AVCs (Acidente Vascular Cerebral).
O caso citado por Marçal ocorreu em 2019, quando Bruna Drews, então repórter do programa Brasil Urgente, apresentado por Datena na Band, disse ter sido assediada pelo tucano. A jornalista afirmou, na época, que o apresentador frequentemente fazia comentários sobre seu corpo, em tom sexual.
Após a repercussão do caso, ela se retratou e protocolou uma declaração em cartório em que afirma ter mentido. Dias depois, afirmou nas redes ter sido induzida a se retratar.
Ele foi expulso do debate, que foi interrompido imediatamente e voltou ao ar com os outros quatro participantes. Marçal saiu do teatro para receber atendimento médico.