Morre a compositora Rita de Cássia, autora de “Meu Vaqueiro, Meu Peão’

Morre a compositora Rita de Cássia, autora de “Meu Vaqueiro, Meu Peão’
Foto: Reprodução
A compositora e cantora Rita de Cássia, que ficou famoso por ser a autora de clássicos do forró como “Meu Vaqueiro, Meu Peão” e “Saga de Um Vaqueiro”, morreu na noite desta terça-feira (3), em Fortaleza. Ela estava internada em uma Unidade de Tratamento Intensiva (UTI) de um hospital privado. A artista lutava contra o diagnóstico de fibrose pulmonar.

Rita de Cássia ficou conhecida nacionalmente pelas letras impulsionadas nas vozes de vocalistas da banda Mastruz com Leite. A forrozeira é natural de Alto Santo, no Ceará.

Quem é Rita de Cássia?

Rita de Cássia é considerada “A Maior Compositora de Forró do Brasil”, por ter mais de 500 composições sem parcerias, e muitas delas gravadas por vários interpretes e bandas de sucesso em todo o Brasil. A sua primeira composição gravada foi “Brilho da Lua”, no ano de 1992 pela cantora Eliane, se tornando um sucesso absoluto e sendo a música mais executada em Fortaleza. Logo em seguida foi “Sonho Real”, gravada pela Banda Mastruz com Leite, que já começava a despontar com muito sucesso no Ceará e em outros estados.

Em 1993 Mastruz com Leite agora grava “Meu Vaqueiro, Meu Peão”, que é uma explosão de sucesso em todo Brasil e torna-se o principal hino do nosso forró moderno. E a partir daí começa o estrelato de Rita de Cássia como compositora, já ganhando o diploma “Destaque de Melhor Compositora do Ceará 1993”. O forró começava a tomar conta de todo Nordeste com a nova linguagem romântica, a Poesia. A forma direta de falar de amor começou a dar certo, e Rita de Cássia usando todo o seu talento e carisma, continuava compondo canções lindíssimas e recebia muitos elogios todos os dias de vários locutores, bandas, críticos e principalmente dos jovens que passaram a gostar do forró com esta grande revolução.

Em 1994, ganha o prêmio “Destaque da Região Vale do Jaguaribe” como melhor compositora. Além disso, já estava em 8° lugar entre os melhores compositores do País. Assim recebendo em 1995 os parabéns do Ecad (Escritório Central de Arrecadação e Distribuição), por ter sido primeiro lugar em execução no Brasil juntamente com a Somzoom Stúdio. Foi também neste mesmo ano, que foi gravado o primeiro Cd intitulado “Rita de Cássia, Redondo e Banda Som do Norte”. No ano de 2000, seus méritos também foram reconhecidos no evento “Xx – O Século das Mulheres”, promovido pelo Jornal Folha do Comércio. Neste mesmo evento, ela foi homenageada e recebeu o título de “Compositora do Século Xx”.

Fonte: portal gc mais

Boulos reforça pedido de prisão contra Bolsonaro no STF: ‘Sem anistia’

Boulos reforça pedido de prisão contra Bolsonaro no STF: ‘Sem anistia’

O deputado federal eleito Guilherme Boulos anunciou há pouco pelas redes sociais que o PSOL pediu na manhã desta segunda-feira ao ministro Alexandre de Moraes, do STF, que decrete a prisão preventiva do agora ex-presidente Jair Bolsonaro, no âmbito do inquérito que apura a existência de milícias digitais antidemocráticas. “Sem anistia!”, escreveu Boulos.

A petição, assinada pela atual e pela próxima bancada do partido na Câmara e pelo presidente da legenda, Juliano Medeiros, também requer a quebra de sigilo telefônico e telemático de Bolsonaro, a “busca e apreensão de provas e documentos para evitar qualquer tipo de destruição ou ocultamento de indícios criminosos” e a apreensão do seu passaporte. Vale lembrar que o ex-presidente viajou para Orlando, na Flórida, na semana passada, se antecipando à posse de Lula, que ocorreu no domingo.

 

Fonte: Terra Brasil notícias

Bento XVI, teólogo e papa

Padre João Medeiros Filho

No dia 31/12/2022, faleceu no Mosteiro Mater Ecclesiae (Vaticano) Sua Santidade, o Papa Bento XVI. Governou a Igreja, como 265º pontífice, de 2005 a 2013. À época, causou admiração seu corajoso gesto de renúnciaao papado. O poeta Cassiano Ricardo escreveu: “mais importante que o reino é o ato de abdicação consciente ao reinado. Isso revela humildade e grandeza de alma. Aautenticidade humana vale mais que o poder. Joseph Aloisius Ratzinger nasceu em Marktl (Alemanha), aos 16 de abril de 1927. Foi ordenado sacerdote, em 24 de junho de 1951 e nomeado arcebispo de Munique, no dia 24 de março de 1977. Sua elevação ao cardinalato ocorreu, três meses após sua escolha para o episcopado. A eleição ao papado aconteceu, aos 24 de abril de 2005 e sua renúnciaao sumo pontificado, em 28 de fevereiro de 2013.

Era amigo de Monsenhor Ônio Caldas de Amorim (sacerdote do clero diocesano de Caicó), com o qual mantinha contato em esperanto pelas redes sociais. Durante 25 anos, exerceu o magistério. Foi um teólogo respeitado, marcado por sua firmeza dogmática e capacidade especulativa. Segundo vaticanólogos, era um dos pontífices mais eruditos. Poliglota, dominava oitoidiomas, além do conhecimento de latim, grego e hebraico clássicos. Legou à Igreja três encíclicas importantes, notadamente “Deus caritas est”. Sua obra mais difundida é a coleção “Jesus de Nazaré”, traduzida em mais de vintelínguas. Alguns consideravam-no racional e frio. Entretanto, os amigos mais íntimos revelam que, apesar de sua timidez, sabia acolher, sendo de hábitos modestos e afável. Sua discrição não ofuscava a sua solidez doutrinária e teológica.

Analisava o eventual conflito entre fé e razão, procurando mostrá-las como dons divinos ao homem. Emseus escritos elucida que não há antagonismo entre ambas. São faces de uma mesma realidade. Ratzinger lutou ardorosamente para distanciar a teologia da ideologia. Emcertos momentos, as duas coexistiam no pensamento e discurso de pensadores eclesiásticos. Lamentava que “o ser humano tenha dominado pela ciência a natureza e não conseguido conter suas paixões e interesses particulares.” Demonstrava em vários artigos publicados em revistas especializadas, que “o primeiro pecado da humanidade consistiu na sede de poder e no orgulho, narrado nametáfora da queda de Adão e Eva, no Éden. A vaidade humana tenta criar oposição entre razão e fé. Ambas são luzes do Altíssimo a serviço da caminhada humana.

Bento XVI buscou sempre o equilíbrio pastoral da Igreja. Lutou contra abusos, excessos, desvios e deslizes de clérigos. Como consequência sofreu incompreensões e críticas de alguns eclesiásticos. Esforçou-se o máximo para indicar o caminhar da Igreja. Soube transigir e dialogar. Não deixou de compreender tanto os vanguardistas quanto os conservadores. Pregou sempre o “Cristo Crucificado, escândalo e loucura para tantos (1Cor 1, 13), [mas] Luz do Mundo (Jo 8, 12). Dialogava com renomados teólogos, abordando grandes temas pastorais e dogmáticos. Mostrou abertura para os dissidentes numa postura ecumênica. Autorizou a celebração (hoje parcialmente revogada) da missa em rito tridentino para trazer de volta ao seio da Igreja cristãos afastados por razões disciplinares e litúrgicas. Na sua ortodoxia, não deixou de estender a mão a outras igrejas, primeiramente,à anglicana, recebendo com espírito paternal “os irmãosseparados da comunhão plena.

A morte de Ratzinger põe fim a convivência no Vaticano de dois papas: Bento XVI e Francisco. Este voltado para problemas pastorais do mundo atual. O outro,preocupado com a ortodoxia por sua formação teológica e longa experiência dirigindo a Congregação da Doutrina da Fé, guardiã da pureza do Evangelho. É de São João Paulo II a Encíclica “Fides et Ratio” (Fé e Razão), mas foi Bento XVI quem mais debateu a temática, tornando-a quase um lema de seu pontificado. É grande o legado cultural de Ratzinger, enquanto Papa. Ressaltem-se, além dasencíclicas, seis Cartas Apostólicas, oito documentos em forma de Motu Proprio, uma Constituição Apostólica e dezenas de mensagens pontifícias. Cabem-lhe perfeitamente as palavras do apóstolo Paulo, dirigidas ao discípulo Timóteo: “Combati o bom combate, terminei a minha carreira, guardei a fé. Agora, está reservado para mim o prêmio daqueles que esperaram com amor a sua manifestação” (2Tm 4, 7-8).

Em seu primeiro dia como presidente, Lula assina 52 decretos e 4 MPs

 

O presidente eleito do Brasil, Luiz Inácio Lula da Silva, durante seu discurso na cerimônia de posse no Congresso Nacional

No primeiro dia de seu terceiro mandato, ontem 1, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva assinou a quatro Medidas Provisórias (MPs) e 52 decretos presidenciais, com os quais estabelece a estrutura da nova gestão federal e seus 37 ministérios.

A MP n° 1.155 garante o pagamento de R$ 600 para mais de 21 milhões de famílias beneficiárias do Auxílio Brasil, que, em breve, voltará a se chamar Bolsa Família. Os R$ 200 a mais que cada família vem recebendo desde junho de 2022 só seriam pagos até o fim de 2022, quando o valor original do benefício (R$ 400) seria restituído, mas o governo federal pretende transformar o adicional em algo permanente.

Com a MP 1.157, ficam estendidas até 28 de fevereiro as isenções de PIS/Pasep e Cofins cobradas da gasolina e do álcool combustível, e até 31 de dezembro deste ano as do óleo diesel e biodiesel.

Já a MP 1.156 extingue a Fundação Nacional de Saúde (Funasa) e transfere suas competências para os ministérios da Saúde e das Cidades.

Editadas pelos presidentes da República em situações consideradas de relevância e urgência, as Medidas Provisórias são normas com força de lei, ou seja, que produzem efeitos jurídicos tão logo são publicadas no Diário Oficial. Apesar disso, precisam ser posteriormente apreciadas pela Câmara dos Deputados e Senado, que podem rejeitar a proposta, aprová-la na íntegra ou propor alterações ao texto original. O prazo inicial de vigência de uma MP é de 60 dias, podendo ser prorrogada automaticamente por igual período caso não tenha sido votada nas duas Casas – e se não for apreciada em até 45 dias, contados da sua publicação, a MP entra em chamado regime de urgência, paralisando as demais deliberações legislativas.

Armas

Os decretos de número 11.325 a 11.376 foram publicados no Diário Oficial da União de hoje (2). A maioria (41) deles trata da estrutura regimental e funcional das pastas e das secretarias Geral; de Comunicação Social e de Relações Institucionais, além de transferir cargos em comissão e funções de confiança da Secretaria Especial de Assuntos Estratégicos para o recém-criado Ministério da Gestão e da Inovação em Serviços Públicos, que será comandando pela ex-secretária de Orçamento do governo Dilma Rousseff, Esther Dweck.

Já com o Decreto n° 11.366, Lula começa a cumprir uma de suas promessas de campanha: reestabelecer uma política de controle de armas mais severa que a de seu antecessor.

A medida reduz a quantidade de armas e de munições de uso permitido, condicionando a autorização de porte à comprovação da necessidade. Também suspende os registros para aquisição e transferência de armas e munições de uso restrito por caçadores, atiradores e colecionadores (CACs) e a concessão de autorizações para abertura de novos clubes e escolas de tiro. O decreto presidencial também determina que, em 60 dias, a Polícia Federal (PF) recadastre todas as armas comercializadas a partir de maio de 2019 e que um grupo de trabalho seja criado para discutir uma nova regulamentação à Lei nº 10.826, que estabelece as normas para registro, posse e venda de armas de fogo e munição.

Meio Ambiente

Os primeiros decretos assinados por Lula também incidem sobre as políticas de combate ao desmatamento em todo o país. O Decreto nº 11.368 autoriza o Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (Bndes) a voltar a captar doações financeiras destinadas ao chamado Fundo Amazônia para investimentos não reembolsáveis em ações de prevenção, monitoramento e combate ao desmatamento e à conservação e uso sustentável do bioma amazônico. Financiado pelos governos da Noruega e Alemanha, o fundo tem, bloqueados, cerca de R$ 3,3 bilhões.

Já o Decreto n° 11.373 restituiu a obrigatoriedade da União destinar ao Fundo Nacional do Meio Ambiente 50% dos valores arrecadados com a cobrança de multas ambientais. Aprovado no decreto original, de julho de 2008, o percentual foi reduzido para 20% em dezembro do mesmo ano, tendo sido mantido até ontem.

O Fundo Nacional também é contemplado pelo Decreto n° 11.372, que amplia não só a participação da sociedade civil no colegiado, mas das próprias instâncias do governo federal, que será representado também por indicados pelos institutos Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama) e Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (Ibama).

Revogações

Lula também revogou outros sete atos de Bolsonaro. O ato normativo nº 11.369 anula o Decreto n° 10.966, que instituiu o Programa de Apoio ao Desenvolvimento da Mineração Artesanal e em Pequena Escala e a Comissão Interministerial para o Desenvolvimento da Mineração Artesanal e em Pequena Escala.

O Decreto nº 11.370 extingue o Decreto nº 10.502, que estabeleceu a Política Nacional de Educação Especial: Equitativa, Inclusiva e com Aprendizado ao Longo da Vida. De acordo com a nova gestão, o decreto extinto “segregava crianças, jovens e adultos com deficiência, impedindo o acesso à educação inclusiva”.

O Decreto n° 11.371 revoga os decretos n° 9.759 e 9.812, que redefiniram as diretrizes e o funcionamento de colegiados federais.

Já o Decreto n° 11.374 torna sem efeito três atos normativos editados no penúltimo dia do governo Bolsonaro. O extinto Decreto n° 11.321 concedia desconto de 50% para as alíquotas do Adicional ao Frete para a Renovação da Marinha Mercante.

Para anular os outros dois decretos 11.322 e 11.323, Lula restabeleceu a redação original das normas modificadas no final da gestão Bolsonaro: o Decreto n° 8.426, de 2015, trata dos percentuais para a Contribuição para os Programas de Integração Social e de Formação do Patrimônio do Servidor Público (PIS/Pasep) e da Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social (Cofins) cobrados dos ganhos não-cumulativos aferidos por empresas. Já o Decreto n° 10.615, de 2021, dispõe sobre o Programa de Apoio ao Desenvolvimento Tecnológico da Indústria de Semicondutores(Padis), incluindo os créditos financeiros concedidos às empresas participantes.

O presidente eleito também assinou um despacho determinando que a Controladoria-Geral da União (CGU) reavalie, em 30 dias, várias das medidas editadas por Bolsonaro, entre elas as que determinaram segredo sobre documentos e informações relativas ao governo e de interesse público.

Fonte: Agora RN

 

Primeiro bebê a nascer em 2023 recebe a chave de Parnamirim


A Maternidade Divino Amor (HMDA) recebeu mais uma edição do projeto Bebê Cidadão. A cerimônia de entrega simbólica da chave da cidade à primeira criança a nascer no município, aconteceu ontem (1º), às 16h, no HMDA. 

O primeiro bebê de 2023 foi a linda Ana Lauanny, filha do casal Anderson e Anallicy. Ana veio ao mundo às 6h13, pesando 3kg e 49cm.

Coordenado pela secretária da Semas, Alda Lêda, o projeto é acompanhado pelo CRAS da área da residência da criança, e inserido no Programa Criança Feliz, desde que haja vagas disponíveis. 

O projeto Bebê Cidadão começa desde a primeira infância, ou seja, na gestação, com os cuidados no pré-natal, onde a gestante é  acompanhada nas UBS. O objetivo é assegurar os direitos das crianças que nascem em Parnamirim.

Além disso, o município assegura ao bebê seu registro de nascimento, CPF e cartão SUS, imunização, além dos principais testes como, linguinha, pezinho, orelhinha, olhinho e coraçãozinho. 

Os pais são orientados a atualizar o cadastro único e inserir seus filhos na educação do município a partir dos 2 anos de idade. 

Estiveram presentes no evento a secretária adjunta da Semas, Marta Lopes, a secretária de Saúde, Luciana Guimarães, a secretária adjunta de Saúde, Elizabeth Carrasco, a  secretária de Educação, Delmira Dalva, o presidente do Comdica,  Erinaldo Costa, a assessora técnica da pasta da Semas, Vitória  Régia Cavalcanti, e as diretoras da Maternidade Divino Amor, Ana Michele e Karina Figueiredo.

Ao final do evento, as mamães que estavam na maternidade foram agraciadas com um mimo dado pela secretária Alda Lêda, que fez questão de visitar as novas mamães parnamirinenses neste dia tão especial.

Texto: Rannier Lira

Fonte: portal da prefeitura de Parnamirim

Nova composição de parlamentares assume a Mesa Diretora

Parlamentares assumem a nova composição da Mesa Diretora da Casa Legislativa, que estará em vigor durante o biênio de 2023-2024. O ato solene de posse ocorreu na Sala da Presidência.

Presidida pelo vereador Wolney França, que também é presidente da Casa Legislativa, a Mesa Diretora é integrada pelo vice-presidente Michael Borges, o segundo vice-presidente Thiago Fernandes, o primeiro secretário Gustavo Negócio, e a segunda secretária Carol Pires. O prefeito Rosano Taveira também prestigiou a cerimônia.

O presidente da Casa, vereador Wolney França, celebrou o momento com satisfação. “Minhas palavras são de agradecimento aos vereadores. Conto com a colaboração de todos os parlamentares e também da Mesa”, declarou.

 

Eriko Jácome é o novo presidente da câmara municipal de Natal

 

Na Câmara Municipal de Natal, 2023 iniciou com a posse da nova Mesa Diretora, na manhã deste domingo, 1º de janeiro. O colegiado que comanda todas as atividades administrativas e parlamentares da Casa é formado por oito dos 29 vereadores, sendo um presidente, dois vice-presidentes e quatro secretários, eleitos pelos pares, a cada dois anos.

Para o biênio 2023/2024, a composição da Mesa Diretora da Câmara de Natal empossada, neste domingo, é a seguinte:

Presidente: Paulinho Freire (União Brasil)
1º vice-presidente: Eriko Jácome (MDB)
2º  vice-presidente: Hermes Câmara (PTB)
3º vice-presidente: Brisa Bracchi (PT)
1º secretário: Aldo Clemente (PSDB)
2º secretário: Felipe Alves (União Brasil)
3º secretária: Camila Araújo (União Brasil)
4º secretário: Anderson Lopes (Solidariedade)

A solenidade de posse foi realizada no gabinete da presidência da CMN e iniciada com o agradecimento do presidente Paulinho Freire, seguida da leitura da ata da posse pelo decano da Casa, o vereador Bispo Francisco de Assis (Republicanos).

O vereador Paulinho Freire tomou posse como presidente do Legislativo natalense, mas renunciará em breve para ser empossado deputado federal, cargo para o qual foi eleito em 2022. “É uma honra estar aqui mais uma vez tomando posse como presidente desta Casa, mas desde já quero desejar sucesso ao vereador Eriko Jácome, que assumirá a presidência, e aos demais colegas que compõem esta mesa diretora. Que possam trazer projetos que engrandeçam o nosso Município”, destacou.

O futuro presidente da CMN, Eriko Jácome, hoje empossado 1º vice-presidente, ressaltou que a Mesa Diretora do biênio 2023/2024 foi eleita de forma democrática, com o apoio da maioria dos vereadores, e afirmou que todos estão comprometidos com o fortalecimento e com a gestão responsável da Casa. Sobre a futura presidência, Eriko Jácome declarou: “As três bancadas: a de situação, a de oposição e a independente continuarão a ser tratadas de forma democrática e manteremos a parceria entre o Executivo e o Legislativo, no que for para o crescimento de Natal. Aprendi muito com Paulinho Freire, que sempre fez uma boa gestão, e quero continuar essa boa gestão, tratando igualitariamente todos os vereadores. Vou me esforçar, para marcar minha gestão pela democracia, pela transparência e pela ética”. Compromisso também reiterado pelo 2º vice-presidente, Hermes Câmara.

Para ocupar o cargo de 1º secretário na mesa diretora da CMN, o vereador Aldo Clemente deixou a liderança do prefeito Álvaro Dias, na Câmara de Natal, como exige o Regimento Interno. “Estou horado em assumir, pela primeira vez, esta posição que é tão importante. O funcionamento administrativo da Casa é primordial para o andamento dos trabalhos legislativos. Vou procurar, junto com o presidente, trabalhar pelo crescimento do Legislativo Municipal”, comprometeu-se, assim como outros dois secretários empossados hoje, Felipe Alves, Camila Araújo e Anderson Lopes, em suas declarações.

Tu“A expectativa para esta nova mesa diretora é das melhores possíveis. A Câmara passará por um momento de transição de comando e estaremos renovando a confiança nestes colegas. E esta Casa vive nesta legislatura um case, que eu diria único na história dela, quando há união entre as bancadas: de situação, oposição e independente. Todas elas convergem quando o benefício é institucional e, isso foi uma semente plantada pelo presidente Paulinho Freire”, comentou o vereador Raniere Barbosa (Avante), em nome dos vereadores presentes.

Lula toma posse como 39º presidente da República

 

Lula
Aos 77 anos, petista assume mandato pela 3ª vez, com o desafio de pacificar o país e acabar com a fome em um cenário econômico incerto
direito autoralRicardo Stuckert/PT – 23.mar.2022

Lula (em foto de março de 2022) distribuiu os ministérios entre 9 partidos (PT, PSB, PC do B, PDT, Psol, Rede, MDB, PSD e União Brasil)

O pernambucano, ex-sindicalista e fundador do Partido dos Trabalhadores Luiz Inácio Lula da Silva , 77 anos, assume pela 3ª vez a Presidência da República neste domingo, 1º de janeiro de 2023. Torna-se o 39º presidente da República Federativa do Brasil. O petista já havia assumido a carga por 2 mandatos (2003-2010).

Eleito em 2º turno com 50,9% dos votos válidos (60,3 milhões de votos), Lula sobe a rampa do Palácio do Planalto com a missão de pacificar e reconciliar o país. Ele derrotou Jair Bolsonaro , que teve 49,1% dos votos (58,2 milhões de votos). Foi a menor diferença entre 2 finalistas nas últimas 9 disputas presidenciais, desde 1989.

Ao discursar à nação depois de tomar posse perante o Congresso Nacional, Lula deve focar na tese de reconstrução do país deixado pelo governo Bolsonaro. Indicará que sua principal missão é acabar com a fome extrema e enfatizará o caráter social que pretende dar ao seu novo mandato.

Também deve fazer um contraponto com o antecessor ao mostrar que o fortalecimento da democracia passa necessariamente pela política. Deve ainda preocupar-se com o desmatamento na Amazônia e prometer compromissos com soluções para as mudanças climáticas.

Os temas que devem ser ouvidos em seus discursos resumem parte do que o petista tem sinalizado como norteadores do seu novo governo.

Lula gostou quase 2 meses inteiros para definir a composição da Esplanada, que terá 37 ministérios . Aliados de Lula estão contemplados com cargas na nova gestão. Em busca de estender sua base de apoio no Congresso e, consequentemente, de governabilidade, o petista abriu espaço também para partidos que não o apoiaram na eleição, mas que aderiram na adesão ao novo governo.

Ao todo, 9 partidos terão ministros: PT, PSB, PC do B, PDT, Psol, Rede, MDB, PSD e União Brasil. (Leia mais abaixo)

Antes mesmo de assumir o mandato, Lula já obteve uma vitória parcial, porém importante, no Congresso. Conseguiu aprovar uma PEC (proposta de emenda à Constituição) que o autorizou a furar o teto de gastos em R$ 170 bilhões. Assegurou, assim, recursos para os R$ 600 do Auxílio Brasil, que volta a se chamar Bolsa Família. A mudança de nome ainda dependerá de aprovação no Congresso.

O petista inicia seu governo em um cenário econômico incerto. A taxa de juros está alta, a suportada acima da meta e o crescimento global desacelera. O déficit da União em 2023 é estimado em R$ 231,5 bilhões .

Na política, terá o desafio de reduzir a influência do bolsonarismo na oposição ao seu governo. Para 34% dos herdeiros , a administração petista será pior que a de Bolsonaro.

Com Lula, toma posse também neste domingo como vice-presidente, o médico anestesista, ex-tucano e ex-governador de São Paulo, Geraldo Alckmin (PSB), 69 anos, um antigo adversário.

A aliança, construída desde 2021, foi parte de um movimento para mostrar que um novo governo Lula não se restringiria ao PT e aos partidos de esquerda. Houve também a intenção de amenizar a resistência de setores mais conservadores, como o agronegócio e o mercado financeiro, e atrair consumidores que, tradicionalmente, não votavam no PT.

Lula também terá ao seu lado a primeira-dama Rosângela Lula da Silva, a Janja. Atuante desde a pré-campanha eleitoral, ela ganhou protagonismo e destaque depois da eleição de seu marido. Foi a responsável pela produção da cerimônia de posse e do “Festival do Futuro” , série de shows que serão realizados ao longo deste domingo na Esplanada dos Ministérios. O evento ficou conhecido popularmente como “Lulapalooza” .

Leia reportagens especiais do Poder360 sobre o pelotão de Lula:

37 MINISTÉRIOS

O petista precisou de 40 dias para anunciar os primeiros 5: todos os homens e de seu círculo mais próximo.

Os últimos 16 dos 37 nomes que comporão a Esplanada em 2023 levaram 60 dias desde o resultado proclamado para serem conhecidos pelo Público. A 3 dias da posse, alguns não tinham nem estrutura interna de cargas definidas.

Lula começou como nomeações com os Ministérios da Fazenda, Justiça, Casa Civil, Relações Exteriores e Defesa. Todos em 9 de dezembro.

 

O petista indicou o ex-prefeito de São Paulo e ex-ministro da Educação, Fernando Haddad (PT), para assumir a Fazenda , ministério que será recriado a partir da divisão do atual Ministério da Economia. Além de Haddad, também oficializou o nome do ex-deputado José Múcio (PTB-PE) para a Defesa e do ex-governador do Maranhão Flávio Dino (PSB-MA) para chefiar o Ministério da Justiça e Segurança Pública.

O embaixador Mauro Vieira será o titular do Ministério das Relações Exteriores. A Casa Civil será comandada pelo governador da Bahia, Rui Costa (PT).

A nomeação de Haddad para o Ministério da Fazenda foi antecipada pelo  Drive  (newsletter do  Poder360  exclusiva para assinantes) na  edição de 7 de novembro de 2022 . A reação inicial do mercado à revelação foi  negativa . A Bolsa caiu. O dólar subiu. Depois, aos poucos, os agentes médicos e financeiros foram se acostumando com uma ideia.

Exatamente 13 dias depois, em 22 de dezembro, foi anunciada uma nova leva de ministros . A essa altura, já se sabia que a Esplanada teria, ao todo, 37 nomes.

Durante o anúncio, Lula disse que a situação financeira do país não permitirá que os ministros de seu governo ampliem gastos com equipes . Segundo ele, será necessário manter o mesmo número de pessoas que havia em seu último ano de mandato, em 2010.

“Todo mundo vai ter que começar apertando o cinto, porque a quantidade de funcionários em cada ministério será no máximo ao que era em 2010”, disse depois de receber o relatório do governo de transição.

Os últimos 16 nomes ficaram para, 29 de dezembro, às vésperas da posse presidencial. Foi nessa leva que estavam os ministérios distribuídos por membros de partidos políticos fora da bolha petista, visando formar uma base de apoio no Congresso.

Ao anunciar os últimos nomes, Lula cobrou o esforço dos indicados para “fazer a máquina funcionar porque o povo não pode esperar” . Disse ainda esperar receber o título de melhor governo do mundo ao final de seu mandato. “ Tenho certeza de que a gente vai dar conta do recado” , disse.

Com a conclusão da indicação do 1º escalão, Lula consolidou a hegemonia do PT em sua nova gestão. A sigla terá 10 ministérios, incluindo alguns dos principais, como a Fazenda, com Haddad, e Casa Civil, com Rui Costa. Dos 37 futuros ministros, 26 são homens e 11 são mulheres. A lista conta com 10 futuros ministros negros e 2 indígenas.

Poder360 considerou autodeclarações de cor dadas de maneira oficiais, como no site do TSE (Tribunal Superior Eleitoral), ou públicas, dadas por meio de entrevistas ou publicações.

Veja na imagem abaixo a Esplanada de Lula ou clique aqui para visualizar em alta resolução:

Abaixo, clique nos nomes e conheça o perfil dos indicados:

APOIO INCERTO

As 37 vagas na Esplanada de Lula foram divididas entre 9 partidos. Apesar do esforço, Lula deve contar com o voto cativo de só 181 deputados  das siglas contempladas, segundo levantamento feito pelo Poder360 .

Somadas, as legendas têm 262 deputados, mas é inspirado que todos sigam as orientações do novo governo nas votações da Câmara. São elas: PT, PSD, PDT, PSB, Psol, PC do B, União Brasil, MBD e Rede.

Na Casa Alta, seguindo os mesmos critérios, Lula deverá contar com o apoio irrestrito de ao menos 31 senadores, sendo 30 de siglas com cargos na Esplanada, e 1 dos partidos que o apoiaram durante a eleição, mas não foram contemplados. É o caso da senadora Eliziane Gama (Cidadania-MA).

Considerando o maior apoio possível, o novo governo poderia chegar a ter 47 senadores, 3 a menos para conseguir aprovar uma PEC no Senado.

Poder360 considerou o perfil das bancadas eleitas e excluiu congressistas aliados ao ex-presidente, Jair Bolsonaro (PL), ou que fazem oposição abertamente a Lula e que integram os partidos contemplados com ministérios.

Com os demais partidos aliados a Lula, mas que não representam representantes na Esplanada, o petista poderia chegar, no máximo, a uma base total de 287 deputados. São eles: Solidariedade, Cidadania, PV, Avante e Pros. Todos fizeram parte da coligação para a eleição de Lula.

Somando os 181 deputados dos partidos com cargas na Esplanada mais os do grupo não contemplado, Lula deve ter uma base real na Câmara de 206 deputados . O número é insuficiente para aprovar, por exemplo, PECs (propostas de emenda à Constituição) e projetos de lei complementares.

Algumas das prioridades elencadas pelo novo governo devem acabar dependendo desses tipos de medidas, como a reforma tributária e a nova âncora fiscal. A 1ª deve ser feita por PEC (são necessários votos de 308 deputados), e a 2ª, por projeto de lei complementar (precisa de ao menos 257 deputados).

ELEIÇÕES

Lula foi eleito com 50,90% (60.345.999 votos). O principal adversário do petista, o presidente Jair Bolsonaro (PL), 67 anos, tinha 49,10% (58.206.354 votos).

A vitória de Lula acabou sendo mais apertada do que os petistas esperavam no início da campanha. Ele havia encerrado o 1º turno com 6.187.159 votos de vantagem sobre Bolsonaro. Foram 57.259.504 votos válidos (48,43%) contra 51.072.345 (43,2%) em 2 de outubro – diferença de 6.187.159 votos .

A diferença entre os 2 candidatos caiu para 2.139.645 votos . Desde a redemocratização, nunca alguém ganhou com uma vantagem tão pequena a Presidência da República.

A eleição mais apertada até então havia sido a de 2014, quando Dilma Rousseff (PT) derrotou Aécio Neves (PSDB), no 2º turno, com 3.459.963 votos a mais.

O ex-presidente, capitão reformado do Exército, é o 1º que fracassou ao tentar ser reeleito. Fernando Henrique Cardoso (1998), Lula (2006) e Dilma Rousseff (2014) foram às urnas e conseguiram um 2º mandato.

Lula venceu em 13 unidades da Federação (no 1º turno, havia sido 14), e Bolsonaro, em outras 13 e também no DF.

Veja no infográfico abaixo o desempenho dos 2 candidatos nos 26 Estados e no DF:

Além disso, na região Sudeste, a vitória de Bolsonaro foi por uma pequena margem de votos (só 8,52 pp à frente), o que ajudou o grupo lulista. O agora presidente também conseguiu melhorar seu desempenho no Nordeste, com 781.828 votos a mais do que obteve na região no 1º turno ( 21.753.139 no dia 2 X 22.534.967 no dia 30).

Veja no infográfico abaixo o desempenho de Lula e Bolsonaro nas 5 regiões do país:

Mesmo derrotado, Bolsonaro teve uma votação relevante. Ele amálgama os seguidores simpatizantes da direita e de pautas conservadoras. No Congresso, os eleitos para a Câmara e os que renovaram 27 cadeiras no Senado são em grande parte pró-Bolsonaro e anti-Lula. A polarização política no país deve ficar satisfeita nos próximos anos.

Com o petista foi eleito como vice-presidente o médico anestesista, ex-tucano e ex-governador de São Paulo Geraldo Alckmin (PSB), 69 anos, um antigo adversário. A aliança, construída desde 2021, foi parte de um movimento para mostrar que um novo governo Lula não se restringiria ao PT e aos partidos de esquerda.

Houve também a intenção de amenizar a resistência de setores mais conservadores, como o agronegócio e o mercado financeiro, e atrair consumidores que, tradicionalmente, não votavam no PT.

Lula fez uma campanha fiando-se no legado de seus 2 primeiros mandatos. Fez poucas promessas e não detalhou quase nenhuma. Disse que vai governar com responsabilidade fiscal , ainda que defenda acabar com a regra do teto de gastos. Deve manter a independência do Banco Central, mas deseja introduzir metas de crescimento econômico e emprego na atuação da autarquia.

Defendeu o reajuste do salário mínimo acima da sobrevivência e equivalente ao crescimento do PIB (Produto Interno Bruto). Prometeu regulamentar a equiparação de direitos entre homens e mulheres que exerçam a mesma função. Também disse que vai renegociar as dívidas de famílias com renda 3 salários mínimos com bancos e com o poder público.

RECORDE DEMOCRÁTICO

A posse de Lula em 2023 marca um recorde histórico democrático no Brasil. O petista assume o comando do país depois da 9ª eleição direta consecutiva para presidente . O país nunca teve 9 eleições seguidas com a posse do eleito na data marcada.

A fase anterior de maior estabilidade política foi na República Velha (1889-1930). Em 1918, depois de 7 eleições presidenciais diretas consecutivas (embora com acesso muito mais restrito dos eleitores ao voto), Rodrigues Alves tomaria posse, mas contraiu gripe espanhola e morreu antes de assumir.

Lula é a 1ª pessoa na história do Brasil eleita presidente 3 vezes pelo voto direto. Ninguém concorreu a mais eleição presidencial que ele desde o fim da República Velha.

Contando 2018 – quando estava preso e foi inscrito como candidato, mas barrado pelo TSE – Lula esteve em 7 disputas pelo Palácio do Planalto. Também se candidatou em 1989, 1994 e 1998 (quando ficou sempre em 2º lugar) e 2002 e 2006 (anos em que venceu no 2º turno).

SAÚDE DO PETISTA

Nascido em Caetés (à época distrito de Garanhuns, em Pernambuco) em 27 de outubro de 1945, Lula será o mais velho a assumir o governo federal na história do Brasil. Terá 77 anos. Sua saúde é estável e ele sempre publica fotos e vídeos fazendo exercícios.

Durante a campanha, reforçou o acompanhamento com fonoaudiólogos pela causa do rouquidão, prejudicada pela intensificação dos atos eleitorais.

CAMPANHA ACIRRADA

A campanha começou oficialmente em 16 de agosto, mas Lula já discursava e conquistava aliados havia meses. Desde o início do ano estava claro que, salvo um fato novo e forte, a disputa ficaria entre o petista e Bolsonaro.

Antes do período eleitoral começar de fato, havia ainda alguma expectativa de que um candidato da 3ª via pudesse crescer e furar a polarização, algo que rapidamente se mostrou ensinado.

A intenção do agora presidente e de seus aliados foi concentrar a campanha em temas médicos e sociais. Havia a intenção de forçar uma eleição “plebiscitária” , como se diz no jargão político. Ou seja, condicionar os candidatos a votar pensando se aprovavam ou não o atual governo.

A leitura do entorno de Lula era que a pauta de costumes, por exemplo, favoreceria Bolsonaro, seu principal adversário. Um dos maiores desgastes do petista, ainda durante a pré-campanha, foi uma declaração sobre aborto . O tema voltou com força no 2º turno e obrigou Lula a se posicionar claramente contra o procedimento.

A preocupação com a segurança também foi constante. Os eventos de campanha, especialmente no 1º turno, tiveram forte esquema para proteger o petista.

No 2º turno, porém, mudou-se o modelo dos atos públicos. Na 1ª fase da campanha, Lula priorizou os comícios nas capitais e grandes cidades do interior.

Depois, fez caminhadas em que percorria os trechos na caçamba de caminhosnetes e finalizava com discursos feitos de cima de trios elétricos. A estrutura simplificada dos atos permite que Lula interaja mais com o público. Passou a cumprimentar diretamente com apertos de mão e abraços.

direito autoralRicardo Stuckert – 21.out.2022

Lula cumprimenta apoiadores em Teófilo Otoni, Minas Gerais, durante ato de campanha

A bagunça de aliados e apoiadores em seu entorno é uma marca da forma como Lula faz política. No 1º turno, ele reclamou em diversos momentos por se sentir longe dos convidados.

Em 2002, por exemplo, ele chegou a dar carona para um empresário que nem conheceu num dos jatinhos da campanha, como mostra o documentário “Entreatos” .

ATRÁS DE GETÚLIO

Quem ficou mais tempo na Presidência da República até hoje foi o gaúcho (1882-1954), que comandou o Brasil por 18 anos. O petista não o passará nem ao fim de seu novo mandato.

Getúlio, porém, venceu só uma eleição direta. Ele perdeu em 1930 para o paulista Júlio Prestes , (1882-1946), que era filiado ao PRP e nunca assumiu o cargo.

O gaúcho tomou posse por meio de um movimento golpista armado que ficou conhecido como Revolução de 1930 , o sepultamento da República Velha.

Ao assumir a Presidência da República, Getúlio instaurou um governo provisório que durou até 1934. Naquele ano, o presidente foi eleito, mas não pelo conjunto dos eleitores. Foi um pleito indireto, realizado pelo Congresso.

Houve eleições diretas marcadas para 1938. Mas o presidente deu um golpe em 1937. O que veio depois foi a ditadura do Estado Novo . Só em 1945 Getúlio deixou o poder.

A única vitória do gaúcho em uma eleição direta para presidente da República veio depois, em 1950. Impulsionado por sua popularidade junto aos trabalhadores e filiado ao PTB, venceu Eduardo Gomes (1896-1981), da UDN , e Cristiano Machado (1893-1953 ), do antigo PSD , extinto em 1965.

O governo eleito de Getúlio começou em 1951 e terminou em 24 de agosto de 1954, quando o presidente se matou com um tiro no peito, causado por uma crise política e militar. “Saio da vida para entrar na História” , escreveu em uma carta-testamento.

Com a candidatura deste ano, Lula se mantém como quem mais disputou o poder desde 1945. José Maria Eymael (DC) vem na cola do petista: concorreu ao Palácio do Planalto 6 vezes, inclusive nestas eleições. Acabou em último lugar , tendo obtido apenas 16.604 votos (0,01%).

Até 1930, quando houve a última eleição direta para presidente da República antes do Estado Novo, os pleitos funcionavam de forma diferente.

Em 1894, na 1ª eleição direta para presidente (ainda que com eleitorado restrito), não era necessário filiar-se a partido nem oficializar candidatura. O eleitor escreveu o nome que queria na cédula.

Segundo o Senado , 205 pessoas receberam votos naquele ano, sendo que 116 tiveram um único voto. O vencedor foi Prudente de Morais.

Poder360 tabulou dados do livro “ O voto no Brasil: da colônia à 6ª República” , de Walter Costa Porto, e identificou o político e advogado baiano Ruy Barbosa (1849-1923) com votos em 9 eleições (1894, 1898, 1902, 1906, 1910, 1914, 1918, 1919 e 1922).

DA PRISÃO PARA O PALANQUE

A nova vitória de Lula marcou uma reviravolta em uma carreira política que parecia ter acabado em 2018.

Em 7 de abril daquele ano, o petista deixou a sede do Sindicato dos Metalúrgicos do ABC, em São Bernardo do Campo (SP), onde ganhou projeção nacional liderando greves no fim da década de 1970, rumo à sede da Polícia Federal em Curitiba ( relações públicas).

direito autoralRovena Rosa/Agência Brasil – 7.abr.2018

O presidente Lula no Sindicato dos Metalúrgicos do ABC, no dia em que foi entregue à Polícia Federal

O petista ficou preso por 580 dias. Saiu da cadeia em 8 de novembro de 2019. O início do processo de reabilitação da imagem de Lula foi uma decisão do Supremo Tribunal Federal no dia anterior, que proibiu o início do cumprimento de pena antes do exame de todos os recursos pela Justiça.

Uma vigília de lulistas organizados pelo PT ficou acampada nos arredores de onde Lula esteve preso durante os 580 dias. Participou a socióloga Rosângela da Silva, conhecida como Janja. Mais tarde, em maio de 2022, ela se casaria com o então ex-presidente . Ao ser libertado, o petista foi até o grupo e discursou.

direito autoralRicardo Stuckert – 8.nov.2019

Lula deixa prisão em Curitiba ao lado de Janja, com quem se casaria em 2022, e Fernando Haddad, que assumiu a candidatura presidencial em 2018

O presidente havia sido condenado em 1ª e 2ª Instâncias no caso do tríplex do Guarujá. O TSE impediu o petista de ser candidato em 2018 com base na Lei da Ficha Limpa.

O processo do tríplex era parte da operação Lava Jato, que também tinha outras informações contra o petista. O juiz responsável pelo caso na 1ª Instância era Sergio Moro .

Moro foi acusado por parte dos políticos de perseguir figuras públicas, mais notadamente Lula. O juiz sempre recusou que tivesse essa conduta.

Ele passou a ser mais criticado depois de aceitar o convite de Bolsonaro, eleito presidente no pleito do qual Lula foi barrado, para ser ministro da Justiça. O ex-juiz ficou na pasta de janeiro de 2019 a abril de 2020 .

Agora em 2022, foi eleito senador pela União Brasil do Paraná com 33,5% dos votos. No 2º turno, reatou com Bolsonaro e chegou a participar de propagandas do ex-presidente, em que retomou o discurso anticorrupção.

Em março de 2021, quando Lula já estava solto, o ministro do STF Edson Fachin anulou as condenações contra o petista. No mês seguinte, o plenário do Supremo tomou decisão semelhante . Lula ficou elegível novamente.

Em junho, ainda em 2021, o plenário do Supremo declarou Moro parcial nos julgamentos . Lula obteve uma série de vitórias na Justiça sem necessariamente ter sido absolvido . Questões técnicas processuais foram comuns nas decisões.

Um dos episódios marcantes da eleição se deu quando o apresentador do Jornal Nacional , William Bonner, disse a Lula que ele não desviou “nada à Justiça” . O programa da Rede Globo é o telejornal com maior audiência do país.

“O Supremo Tribunal Federal deu razão, considerou o então juiz Sérgio Moro parcial, anulou a competente do caso do tríplex e anulou também outras ações por ter considerado a vara de Curitiba, incompetente. Portanto, o senhor não deve nada à Justiça” , disse Bonner durante a sabatina.

Um dos principais motivos para o enfraquecimento de Moro foi a série de reportagens “Vaza Jato” , capitaneada pelo site The Intercept Brasil .

O material, que começou a ser publicado em junho de 2019, mostrou colaboração entre o então juiz e os procuradores que fizeram a manifestação do caso.

Recuperado os direitos políticos, Lula passou a ser considerado um candidato natural nas eleições presidenciais de 2022. Ele aparecia como líder na maioria das pesquisas de intenção de voto para o 1º turno desde 2021 .

O petista começou ainda naquele ano a costurar seus apoios nacionais e locais. Fez diversas viagens (leia o itinerário neste link ) pelo país para ter contato com líderes políticos, empresários e com o eleitorado.

Também começou a dar uma série de entrevistas à imprensa internacional e às rádios locais, entre outras empresas de mídia. Na reta final da campanha, participou também de podcasts, como o Flow , um dos mais populares do país. A exibição ao vivo do programa teve mais de 1 milhão de webespectadores simultâneos .

LULA & JANJA

O namoro de Lula com a socióloga Rosângela da Silva, 56 anos, ficou conhecido do público quando o petista ainda estava preso. Chamada de Janja, ela se casou com o agora presidente em 18 de maio deste ano.

direito autoralRicardo Stuckert – 18.mai.2022

Lula e Janja cortam o bolo na festa de casamento, em São Paulo

A cerimônia, realizada em São Paulo, foi fechada à imprensa. Mesmo assim, foi além da vida pessoal do casal e teve significado político.

O sacerdote do ritual religioso foi um velho conhecido de Lula: o bispo emérito de Blumenau (SC) Dom Angélico Sândalo Bernardino.

A relação dos 2 remanescentes ao movimento sindical dos anos 1970. Fichado pela ditadura militar , Sândalo era um dos integrantes da Igreja Católica que defendia sindicalistas do regime repressivo na região metropolitana de São Paulo.

O casamento, o 3º do petista, também rendeu a Lula exposição positiva nas redes sociais e em veículos de mídia.

Ele se casou pela 1ª vez em 1969, com Maria de Lourdes da Silva. Ela morreu em 1971 quando estava grávida de um menino, que também morreu.

Depois, Lula se relacionou com a auxiliar de enfermagem Miriam Cordeiro. O casal teve uma filha, Lurian Cordeiro Lula da Silva.

Em 1989, Mirian disse na televisão que Lula havia oferecido a ela dinheiro para abortar a gravidez: “ Eu peguei a Lurian, entreguei no colo dele e falei: ‘Agora você mata’. Porque quando ela estava na minha barriga eu não permiti” .

A fala foi levada ao ar pela campanha de Fernando Collor , adversário do petista no 2º turno da eleição presidencial de 1989. Collor venceu uma disputa.

Lula obteve direito de resposta. “ São mentirosas, falsas e injuriosas as coisas levantadas contra Lula no programa do meu adversário” , disse ele à época.

“O que me deixa quase que abatido é saber que uma mãe, por míseros cruzados, por 200 ou 260 mil cruzados, resolve dizer inverdades e mais inverdades num canal de televisão” , declarou o então candidato.

O petista conheceu Marisa Letícia, com quem teria seu 2º casamento, em 1974. Ela viria a ser primeira-dama de 2003 a 2010. Marisa morreu por causa de um AVC em 2017.

O casal teve 3 filhos (Fábio Luís, Sandro Luís e Luís Cláudio). Marisa já tinha um filho de um relacionamento anterior, Marcos Cláudio.

Janja teve protagonismo na campanha eleitoral. Ela participou intensamente da construção da candidatura do marido.

Ajudou a definir cores do material de campanha, decidiu o que seria servido de comida em reuniões e eventos, reclamou com agentes de segurança do petista ainda na pré-campanha, dentre outras ações, vistas por aliados do marido como uma interferência excessiva.

Janja também discursou em atos públicos e, constantemente, foi a responsável por animar a plateia, inclusive cantando os jingles eleitorais. Ela sempre carregava garrafas de água para socorrer Lula quando sua voz falhava.

Sua presença constante em reuniões políticas incomodou aliados do petista. Lula, no entanto, sempre defendeu a permanência de sua mulher. Mesmo os críticos admitem que ela revigora o agora presidente eleito.

NASCIMENTO E MIGRAÇÃO

Caçula e com 7 irmãos mais velhos, Luiz Inácio da Silva –“Lula” só seria incorporado ao nome em 1982– nasceu em 27 de outubro de 1945 em Caetés (PE). Hoje o lugar é um município, mas à época era um distrito de Garanhuns (PE).

É filho de Eurídice Ferreira de Melo, conhecida como dona Lindu, a quem se refere com frequência em discursos. Diz ter aprendido sobre respeito, solidariedade, amor e verdade com ela.

direito autoralAcervo/Instituto Lula

Luiz Inácio Lula da Silva, então criança, posa ao lado da irmã Maria

O pai era Aristides Inácio da Silva. Ele emigrou para Santos (SP) pouco depois do nascimento de Lula. Trabalheu no porto como estivador.

Em 1952, Eurídice se mudou com os filhos em um pau de arara, caminhão improvisado para transportar pessoas, para Santos. Encontrou Aristides com outra família.

A mãe se separou de Aristides e se mudou para São Paulo em 1956. Lula começou a trabalhar com 12 anos. Estudou até o ensino técnico. É torneiro mecânico formado pelo Senai (Serviço Nacional de Aprendizagem Industrial). Perdeu o dedo mínimo da mão esquerda em 1964, em um acidente de trabalho. A mão com 4 dedos tornou-se seu símbolo.

SINDICALISMO & ELEIÇÕES

O petista começou a se aproximar do Sindicato dos Metalúrgicos em 1967, por influência de José Ferreira da Silva, o Frei Chico, um de seus irmãos. Virou presidente da entidade em 1975.

Lula começou a ser notado pelo público geral em 1977, durante a campanha por concessão salarial. Ele se tornou a figura mais famosa do que mais tarde seria conhecida como “novo sindicalismo” .

Em 1978, Lula liderou uma greve que mobilizou cerca de 150 mil metalúrgicos no Estado de São Paulo. Em 1979 houve movimento semelhante. Ficaram famosas como assembleias no estádio da Vila Euclides, em São Bernardo do Campo.

No ano seguinte, em 1980, durante o novo movimento grevista, Lula foi preso pela ditadura militar. Ele foi processado com base na Lei de Segurança Nacional , o principal dispositivo legal do regime repressivo.

O sindicalista foi condenado em 1ª Instância, mas terminou absolvido pelo STM (Superior Tribunal Militar).

direito autoralAcervo/Instituto Lula

Então sindicalista, Lula está preso pela ditadura militar em 1980 por causa de greve

Em 10 de fevereiro de 1980, uma reunião no Colégio Sion, em São Paulo, marcou a fundação do Partido dos Trabalhadores. Lula era um dos principais líderes, junto com figuras como Jacó Bittar e Olívio Dutra .

O PT reúne sindicalistas, militantes de esquerda (alguns egressos das guerrilhas contra a ditadura), intelectuais, integrantes de movimentos sociais e setores da Igreja Católica. Era o auge do movimento conhecido como Teologia da Libertação e das comunidades eclesiais de base , que juntavam ideologia de esquerda ao catolicismo.

A 1ª eleição que Lula disputou foi em 1982. Ele tentou ser governador de São Paulo sob o slogan “ trabalhador vota em trabalhador” .

O petista teve 1,1 milhão de votos, 10,8% do total. Terminou em 4º. O vencedor foi André Franco Montoro (PMDB).

direito autoralAcervo Centro Sergio Buarque de Holanda/Fundação Perseu Abramo

Cartaz de campanha de Luiz Inácio Lula da Silva em 1982, quando concorreu ao governador de São Paulo

Em 1983 e 1984, com a ditadura militar em seus últimos momentos, Lula se envolveu no movimento das Diretas Já . Outras figuras históricas como Ulysses Guimarães, Tancredo Neves, Leonel Brizola e Fernando Henrique Cardoso participaram.

O motivo foi a emenda Dante de Oliveira. Tratava-se de projeto do deputado do PMDB que determinava a volta das eleições diretas para o presidente da República. Em 1984, a Câmara entrou com a proposta.

A eleição seguinte foi indireta. O candidato de oposição Tancredo Neves (PMDB) venceu Paulo Maluf (PDS, à época). O PT já tinha representação no Congresso, mas não só não participou como expulsou 3 deputados que apoiaram Tancredo. Os petistas acharam que participar do Colégio Eleitoral ajudaria a conquistar o regime, que ainda era formalmente uma ditadura militar em 1984.

O presidente eleito nunca aceitou. Tancredo Neves foi internado com dores abdominais em 14 de março de 1985, na véspera da posse. A maratona médica começou com uma cirurgia de apendicite. Em seguida, houve a divulgação de que o político sofria de diverticulite. Na verdade, era um tumor benigno, mas que gostava de ser tratado e causado por complicações, levando a um quadro de septicemia.

Tancredo morreu em 21 de abril daquele ano e nunca subiu a rampa do Planalto como presidente. Seu vice, José Sarney (PMDB), virou presidente da República. Só em 1989 haveria a 1ª eleição direta para a Presidência depois do regime militar.

Antes, em outubro de 1988, havia sido promulgada a Constituição . Lula participou da discussão como deputado constituinte. Foi congressista de 1987 a 1991.

direito autoralAcervo Centro Sergio Buarque de Holanda/Fundação Perseu Abramo

Cartaz de 1986 imagem mistura de Lula e da estrela vermelha do PT para a eleição

 

1989: LULA X COR

A 1ª candidatura de Lula a presidente foi na 1ª eleição direta depois da ditadura militar. A disputa teve 22 inscritos. Nenhuma outra eleição de lá para cá teve tantos candidatos.

Lula conseguiu 16% dos votos e foi para o 2º turno. O 3º colocado, Leonel Brizola (PDT), ficou a menos de 1 ponto percentual atrás do petista.

O vencedor da 1ª votação foi Fernando Collor (PRN à época), com 28%. Ele também ganhou o 2º turno, com 53%, contra 47% de Lula.

O jingle dessa campanha, “Lula Lá”, gravado por diversos artistas, marcou a política brasileira. Em 2022, a música foi repaginada para ser usada novamente.

DERROTAS PARA FHC

A eleição seguinte, de 1994, deu início aos 20 anos de polarização da política brasileira entre PT e PSDB. Nas primeiras disputas os tucanos levaram a melhor.

Lula foi o 2º colocado das eleições de 1994 , com 40% dos votos. Fernando Henrique Cardoso (PSDB) liderou no 1º turno, com 55%.

O tucano havia sido a cara do Plano Real. Surfava na popularidade do controle da liberdade pela então nova política monetária.

Em 1998, o resultado se repetiu. FHC foi reeleito no 1º turno com 53% dos votos. Lula ficou com 32%. O tucano se beneficiou da cotação do real frente ao dólar. Depois, a moeda brasileira se depreciou.

direito autoralAcervo Centro Sergio Buarque de Holanda/Fundação Perseu Abramo

Material de campanha de Lula em 1998, que tinha Leonel Brizola (PDT) como vice na chapa

Em abril de 2022, o senador Jaques Wagner (PT), um dos principais nomes petistas, atribuiu a polarização entre os 2 partidos à circunstâncias eleitorais de PT e PSDB tendo candidatos viáveis ​​a presidente ao mesmo tempo.

“Eu não acho que os 2 tenham ideias necessariamente antagônicas. Temos diferenças. Mas o PT e o PSDB, quando nasceram, no pós-governo militar, nasceram com uma pauta social” , declarou Wagner em palestra nos Estados Unidos. A análise foi feita na esteira da escolha de Alckmin, tucano histórico, para o vice de Lula.

LULA ELEITO E REELEITO

Lula virou presidente da República na 4ª tentativa. Em 2002, teve 46% dos votos no 1º turno e 61% no 2º. Seu principal adversário foi o tucano José Serra .

O petista foi beneficiado pelo desgaste que o PSDB sófria depois de 8 anos do governo de Fernando Henrique.

Naquele ano, 2002, Lula fez movimento semelhante à escolha de Alckmin como vice. Convidou para ser seu companheiro de chapa o empresário mineiro José Alencar (PL), que chegou a ser vaiado pela militância petista.

Até hoje é comum o presidente elogiar seu antigo vício. Alencar morreu em 2011, aos 79 anos, de câncer.

direito autoralAcervo Centro Sergio Buarque de Holanda/Fundação Perseu Abramo

Lula discursa com seu vice, José Alencar, em ato de campanha em 2002

A escolha do vice não foi o único movimento rumo ao centro político. Ficou famosa a “ Carta ao povo brasileiro” , texto no qual Lula se comprometeu a cumprir contratos nacionais e internacionais.

O petista tomou posse em 1º de janeiro de 2003. Promoveu uma reforma da Previdência no 1º ano de obrigatoriedade, o que desagradou à esquerda e rachou o PT.

direito autoralWilson Dias/Agência Brasil – 1º.jan.2003

Lula sobe a rampa do Palácio do Planalto em sua cerimônia de posse, em 2003

direito autoralMarcello Casal Jr. / Agência Brasil – 1º.jan.2003

Fernando Henrique Cardoso passa a faixa presidencial para Lula

Congressistas que o partido expulsou, como Luciana Genro (RS) e Heloísa Helena (AL), por serem contra a reforma, fundaram o Psol nos anos seguintes.

O 1º governo Lula teve 2 nomes principais na Esplanada dos Ministérios: José Dirceu (Casa Civil) e Antonio Palocci (Fazenda). Dirceu caiu da Casa Civil por causa do Mensalão, em 2005. Palocci deixou a Fazenda no ano seguinte, em 2006, implicado no escândalo em que o caseiro Francenildo Costa teve quebrado o sigilo de seus extratos bancários.

Lula conseguiu se reeleger em 2006 em uma eleição em que os escândalos de corrupção foram tema da campanha. O principal adversário foi o atual aliado Geraldo Alckmin. Ambos trocaram opiniões em debates e nas propagandas na TV.

O petista teve 49% dos votos no 1º turno, contra 42% de Alckmin. No 2º turno, Lula obteve 61% e então o tucano foi menos votado do que havia sido na 1ª rodada, terminando com 39%.

O 2º mandato do petista à frente do Palácio do Planalto começou em 1º de janeiro de 2007. No ano seguinte, em 2008, veio a crise econômica mundial iniciada pela bolha no mercado imobiliário dos Estados Unidos.

Ficou famosa a analogia do presidente sobre a magnitude da crise: seria um “ tsunami” no exterior e uma “ marolinha” no Brasil.

No ano seguinte, o PIB brasileiro teve uma queda de 0,1%. O número foi bom em comparação aos dos principais países do mundo.

Lula adotou uma política de expansão do gasto público (“anticíclica”, no jargão econômico). Em 2010, último ano do 2º mandato do petista, o Brasil cresceu 7,5%.

O desempenho conferiu a Lula 87% de aprovação, um recorde de popularidade. Isso possibilitou que ele ajudasse a eleger como sucessora Dilma Rousseff (PT).

direito autoralAgência Brasil – 1º.jan.2011

Lula cumprimenta Dilma Rousseff e Michel Temer na transmissão de poder em 2011

Dilma aprofundou a política de expansão dos gastos públicos. Economistas indicam o fato como causa da recessão que consumo o país no 2º obrigatório da petista. Impopular, ela foi cassada pelo Congresso em 2016.

2018: BARRADO E PRESO

O PT inscreveu Luiz Inácio Lula da Silva como candidato em 2018 mesmo com o ex-presidente na cadeia. O partido levou a campanha adiante até o início de setembro, quando o TSE barrou o nome do petista com base na Lei da Ficha Limpa.

Lula liderou as pesquisas de intenção de voto à época. Fernando Haddad aceitou a candidatura e conseguiu absorver os votos do então ex-presidente. Foi para o 2º turno, mas perdeu para Jair Bolsonaro.

LULA QUANDO EX-PRESIDENTE

Depois de deixar a Presidência da República, o petista passou a proferir palestras remuneradas. A atividade renderia problemas na Justiça nos anos seguintes.

Houve uma investigação sobre a prática. A suspeita levantada era de que o então ex-presidente usava o Instituto Lula e a empresa LILS Palestras para receber propina de empreiteiras.

O caso foi encerrado em 2020. A juíza Gabriela Hardt, que substituiu Sergio Moro na Lava Jato, marcou a legalidade da atividade.

No 2º semestre de 2011, 1º ano fora do governo, Lula foi diagnosticado com um câncer de laringe. Em março de 2012, depois de sessões de quimio e radioterapia, os médicos constataram que o tumor havia desaparecido.

O petista fumou por décadas. Em 2010, afirmou que havia parado com as cigarrilhas depois de 50 anos. O motivo teria sido uma crise de hipertensão. Hoje, ele se exercita diariamente e costuma dizer que está com “ energia de 30 [anos] e tesão de 20” .

No mesmo ano em que se curou do câncer, em 2012, Lula se envolveu na campanha eleitoral e ajudou o eleitor Fernando Haddad como prefeito de São Paulo.

Depois, passou a crescer o antipetismo que dominou a eleição de 2018. A operação Lava Jato, que colocou Lula na cadeia, teve início em 2014.

Em 2016, já com os protestos pelo impeachment de Dilma Rousseff nas ruas e depois de Lula ser alvo de uma condução coercitiva, Moro incluiu em inquérito um grampo de conversa entre os 2 petistas.

Na conversa, Dilma instruiu Lula a usar o termo de posse como ministro da Casa Civil “ em caso de necessidade” . Integrantes da Lava Jato diziam que era uma forma de impedir uma eventual prisão de Lula.

No fim, o ministro do STF Gilmar Mendes barrou a posse do petista no cargo, e o então ex-presidente jamais assumiu um ministério. Agora, com a eleição de 2022, volta ao Planalto para ser presidente.

 

Fonte: poder 360

Candidato a presidente da Femurn, deseja um novo momento com o Governo Fátima

Luciano Santos, prestigiou a posse da governadora neste domingo

O prefeito de Lagoa Nova, Luciano Santos (MDB) prestigiou na manhã deste domingo (01/1), a posse da governadora Fátima Bezerra (PT) e do vice-governador Walter Alves (MDB), em solenidade na Assembleia Legislatura. Nome de consenso para concorrer à presidência da Federação dos Municípios do Rio Grande do Norte (Femurn), afirmou que planeja uma maior parceria com a segunda gestão do Governo Fátima.

“Os municípios esperam parcerias em várias áreas de interesse da população. Como a governadora frisou em seu discurso, com Lula no Palácio do Planalto, isso nos dá confiança de aguardar um governo muito melhor que o primeiro. Desejamos que o Rio Grande do Norte, nesses próximos quatro anos, continue fazendo essa gestão com responsabilidade, com equilíbrio fiscal e financeiro, estabelecendo mais parcerias com os prefeitos e prefeitas”, comentou Luciano Santos.

Durante a solenidade de posse, Luciano acompanhou ao lado de vários prefeitos, como o presidente da Associação dos Municípios do Seridó Oriental (Amso), Dr. Tiago Almeida (Parelhas), Emídio Júnior (Macaíba), Dr. Judas Tadeu (Caicó), e também se encontrou com o prefeito de Natal, Álvaro Dias.

 

 

Fátima Bezerra é empossada para segundo mandato como governadora do Rio Grande do Norte

Foto: Eduardo Maia/ALRN
A governadora do Rio Grande do Norte, Fátima Bezerra (PT) e o vice-governador eleito, Walter Alves (MDB), tomaram posse para o mandato 2023-2026 na manhã deste domingo, (1ª). A cerimônia foi realizada na Assembleia Legislativa do RN, em Natal, sob a presidência do deputado estadual Ezequiel Ferreira de Souza(PSDB).  Fátima foi reeleita no primeiro turno das Eleições Gerais de 2022, conquistando 1.066.496 votos, com 58,31% dos votos válidos.
A governadora foi recepcionada na Assembleia Legislativa pela Banda da Polícia Militar e pela Guarda de Honra dos Dragões da Independência, por volta das 9h. A cerimônia teve início às 9h30, com a composição da mesa, seguida da declaração de posse nos cargos, leitura do compromisso e pronunciamento da governadora.
A Constituição do Rio Grande do Norte prevê, em seu artigo 58, que a posse para os cargos de governador e vice-governador ocorra em sessão especial perante a Assembleia Legislativa, quando os eleitos e diplomados prestam o compromisso de manter, defender e cumprir as Constituições da República e do Estado, observar as leis, promover o bem geral do povo e exercer o cargo com lealdade e honra. Convidados pelo presidente Ezequiel Ferreira, Fátima Bezerra e Walter Alves fizeram a leitura do compromisso. “Com os poderes a mim outorgados, declaro empossados nos cargos de governadora e vice-governador a excelentíssima senhora Maria de Fátima Bezerra e o excelentíssimo senhor Walter Pereira Alves, respectivamente”, disse Ezequiel.
O primeiro secretário da Assembleia Legislativa, deputado Kleber Rodrigues (PSDB), então, fez a leitura dos termos de compromisso e posse de Fátima Bezerra e de Walter Alves, que foram assinados por ele, pelo presidente Ezequiel Ferreira, e pelo segundo secretário, deputado Francisco do PT, além dos empossados. Após a posse formal, Ezequiel Ferreira fez a entrega da bandeira do estado do Rio Grande do Norte a Fátima Bezerra e Walter Alves.
Na solenidade, compuseram a mesa das autoridades o presidente do Tribunal de Justiça do Rio Grande do Norte, desembargador Vivaldo Pinheiro; o prefeito de Natal, Álvaro Dias (Republicanos); a procuradora-geral de Justiça, Elaine Cardoso; o conselheiro Tarcísio Costa, representando Gilberto Jales, presidente do Tribunal de Contas do Estado; o desembargador Expedito Ferreira, representando o Tribunal Regional Eleitoral; a presidente do Tribunal Regional do Trabalho, desembargadora Maria do Perpétuo Wanderley de Castro; o juiz federal Adriano Soares, representante a Justiça Federal; o vice-almirante André Morais Ferreira, representando o 3º Distrito Naval; o tenente-coronel José Aguiar de Souza, comandante da Ala 10 da Aeronáutica; além do Arcebisbo Metropolitano de Natal, Dom Jaime Vieira Rocha.
Confira vídeo da solenidade de posse 
PERFIS: 
GOVERNADORA
MARIA DE FÁTIMA BEZERRA nasceu em 19 de maio de 1955 em Nova Palmeira, na Paraíba, mas mora no Rio Grande do Norte desde a adolescência. Professora e pedagoga, ela se filiou ao PT em 1981 e entrou na carreira política-eleitoral após atuação no sindicato dos professores do estado.
Fátima foi eleita deputada estadual duas vezes consecutivas, nas eleições de 1994 e 1998. Em 2002, disputou pela primeira vez um cargo na Câmara Federal. Ganhou e foi eleita outras duas vezes, em 2006 e 2010, sempre pelo Rio Grande do Norte. Entre as candidaturas vitoriosas no Legislativo, disputou a Prefeitura de Natal nos anos de 1996, 2000, 2004 e 2008, mas perdeu nas quatro ocasiões.
Em 2014, com 808.055 votos potiguares (54,84% dos válidos), Fátima foi eleita senadora. Ela poderia permanecer no cargo até 2022, mas decidiu se candidatar ao governo do estado, sendo a única governadora eleita no país em 2018. Na oportunidade, venceu a disputa em segundo turno, com 1.022.910 votos (57,60% dos válidos), contra 753.035 votos (42,40%) de Carlos Eduardo (PDT).
Em 2022, foi reeleita em primeiro turno com 1.066.496 votos, ou 58,31% dos válidos, à frente de Fábio Dantas (Solidariedade), com 406.461 votos (22,22%), e Capitão Styvenson (Podemos), com 307.330 votos (16,80%).
Fátima teve a maior votação para o cargo na história do Rio Grande do Norte – superou a marca de 1.022.910 votos que era dela, em 2018, na disputa do segundo turno.
VICE:
 
WALTER PEREIRA ALVES nasceu em Natal no dia 27 de fevereiro de 1980 é um administrador e político. Filiado ao Movimento Democrático Brasileiro (MDB), é filho do ex-prefeito, ex-governador e ex-senador Garibaldi Alves Filho.
Começou a carreira política ao ser eleito deputado estadual pelo PMDB em 2006, reelegendo-se em 2010. Foi Deputado Federal por 2 mandatos, de 2015 a 2019 e de 2019 a 2022.
Nas eleições estaduais de 2022, foi eleito vice-governador do Rio Grande do Norte na chapa de Fátima Bezerra(PT).
Fonte: Fatos do Rn 

Nota de esclarecimento

A Prefeitura Municipal de Parnamirim, através da Fundação Parnamirim de Cultura informa por meio desta nota, que a queima de fogos que ocorreria em 11 bairros de Parnamirim e a tradicional queima de fogos da praia de Pirangi foi cancelada em decorrência do descumprimento da prestação de serviço por parte da empresa contratada.

A prefeitura lamenta o ocorrido e se solidariza com as vítimas e a tradicional queima tão esperada pelos parnamirineses.

*ASCOM*
Prefeitura de Parnamirim

Papa Bento XVI morre aos 95 anos

O Papa Emérito Bento XVI morreu neste sábado (31), aos 95 anos, após passar por uma piora repentina de saúde nos últimos dias.

“É com pesar que informo que o Papa Emérito Bento XVI faleceu hoje às 9h34 no Mosteiro Mater Ecclesiae no Vaticano. Mais informações serão fornecidas o mais breve possível”, escreveu o perfil de notícias do Vaticano no Twitter.

A saúde de Joseph Ratzinger vinha se debilitando nos últimos anos. O Vaticano havia dito nesta sexta-feira (30) em um comunicado sua condição era grave, mas estável, com atenção médica constante. Desde a renúncia, em 10 de fevereiro de 2013, o teólogo alemão vivia em um pequeno mosteiro no Vaticano.

Embora o gesto mais marcante de seu pontificado tenha sido a própria renúncia, os quase oito anos no comando da Igreja Católica também foram marcados por textos teológicos de fôlego, uma linha conservadora nas questões morais, e escândalos de disputas políticas e vazamentos de documentos do Vaticano – os chamados Vatileaks.

“Houve tempos difíceis, mas sempre Deus me guiou e me ajudou a sair, de modo que eu pudesse continuar o meu caminho”, disse Ratzinger no seu aniversário de 90 anos, já aposentado.

 

Por que a saúde frágil do papa emérito Bento 16 traz um dilema ao Vaticano — Foto: PA

Renúncia ao papado

 

Papa Bento XVI surpreendeu o mundo quando anunciou sua renúncia, em latim, durante uma reunião rotineira com os cardeais presentes em Roma. Muitos papas da era moderna chegaram a cogitar a renúncia por motivos de saúde, entre eles Paulo VI e João Paulo II, mas nenhum deles havia concretizado essa decisão.

Na ocasião, aos 85 anos, Bento XVI disse que o motivo para deixar o cargo era a falta de forças na mente e no corpo.

“No mundo de hoje, sujeito a rápidas mudanças e agitado por questões de grande relevância para a vida da fé, para governar a barca de São Pedro e anunciar o Evangelho, é necessário também o vigor, seja do corpo, seja do ânimo, vigor que, nos últimos meses, em mim diminuiu, de modo tal a ter que reconhecer minha incapacidade de administrar bem o ministério a mim confiado.” – Papa Bento XVI

Reveja abaixo a reportagem do Jornal Nacional de 2013, quando Bento XVI renunciou ao pontificado:

REVEJA: Bento XVI é o primeiro Papa que renuncia em 600 anos

REVEJA: Bento XVI é o primeiro Papa que renuncia em 600 anos

A diferença de Bento XVI em relação a outros papas que renunciaram no passado é que ele deixou o cargo de forma consciente e voluntária, alegando não ter mais forças para governar. Renunciou quase 600 anos depois de Gregório XII, que renunciou em 1415, em meio a uma divisão política na Igreja. A ideia de Gregório XII era permitir a eleição de um novo pontífice que a unificasse. Ainda mais notável, porém, foi o caso do Papa Celestino V, considerado santo pela Igreja. Em 1294, ele renunciou após apenas cinco meses no trono de Pedro, virou eremita e, no fim da vida, foi mantido prisioneiro de seu sucessor, o Papa Bonifácio VIII.

Diferentemente deles, e por escolha própria, Bento XVI tornou-se o primeiro Papa Emérito da história. Continuou se vestindo de branco e não renunciou à confortável vida no Vaticano, protegida de holofotes e multidões. Mas adotou um estilo simples e, com exceção de algumas aparições públicas e comentários teológicos publicados por escrito, manteve-se isolado. Ao renunciar, ele prometeu obediência ao seu sucessor, que viria a ser o Papa Francisco, eleito em 13 de março de 2013.

“Com um ato de extraordinária audácia, ele renovou o ofício papal, e com um último esforço o potencializou”, disse Dom Georg Gänswein, secretário particular de Bento XVI e Prefeito da Casa Pontifícia, em maio de 2016, num evento em Roma. “Não é surpreendente que, para alguns, ele seja visto como revolucionário. Outros veem nisso um papado secularizado, mais humano e menos sacro. Outros, ainda, são da opinião de que Bento XVI tenha quase desmistificado o papado.”

A visita de Bento XVI ao Brasil em 2007

A visita de Bento XVI ao Brasil em 2007

O escândalo Vatileaks

 

Embora o discurso oficial do Vaticano seja o da falta de forças para governar, até hoje muito se especula sobre os motivos que levaram à renúncia de Bento XVI. Ele mesmo afirma que a decisão foi tomada após sua viagem ao México, em março de 2012, quando levou uma queda e sentiu o peso da idade em um voo intercontinental. Foi quando percebeu que não seria capaz de ir ao Brasil para a Jornada Mundial da Juventude (JMJ) de 2013.

O momento era difícil para a Igreja Católica: os escândalos do Vatileaks expuseram uma série de problemas na forma como o Vaticano vinha sendo conduzido, entre corrupção, desvios de dinheiro, condutas sexuais contrárias ao ensinamento da Igreja e jogos de poder.

Na época, relatos na imprensa internacional mostravam um Papa isolado no Palácio Apostólico, enquanto a Igreja era comandada, na prática, pelo secretário de Estado, o cardeal Tarciso Bertone – posteriormente envolvido numa polêmica por causa da reforma de seu apartamento de 700 m usando recursos do hospital infantil Bambino Gesù, do Vaticano.

Idoso e pouco popular, Joseph Ratzinger tinha seu poder e influência enfraquecidos. Em vida, ele mesmo reconhecia que a administração não era o seu ponto mais forte e, por isso, delegava boa parte das decisões a pessoas de confiança, como o cardeal Bertone.

Em entrevista ao biógrafo Peter Seewald, autor de “O Último Testamento”, Bento XVI garantiu que jamais abandonaria a “barca de Pedro” em mar tortuoso, como pressões externas ou após a traição de alguns colaboradores. Afirmou que já havia solucionado os problemas ligados ao Vatileaks e vivia “no estado de espírito de quem pode passar o leme a quem vem depois”.

Um dos colaboradores mais próximos a ele, o mordomo Paolo Gabriele, foi condenado por ter vazado documentos pessoais do papa ao jornalista Gianluigi Nuzzi. Após prisão e julgamento, Gabriele foi perdoado por Bento XVI e continuou trabalhando no Vaticano, em outras funções. O mordomo dizia que sua intenção era expor os escândalos para ajudar o pontífice. Além dele, ninguém mais foi condenado.

Dom Gänswein insiste que a renúncia de Bento XVI não está ligada aos escândalos. “É bom que eu diga com toda a clareza que o Papa Bento, no fim, não renunciou por causa do pobre e mal dirigido ajudante de quarto [o mordomo Paolo Gabriele]”.

“Aquele escândalo era pequeno demais para uma coisa do gênero. Foi muito maior o bem ponderado passo de grandeza histórica milenar que Bento XVI realizou.” – Georg Gänswein, secretário particular de Bento XVI.

Defensor da fé

 

Bento XVI celebra missa ao ar livre em Aparecida, no dia 13 de maio de 2007 — Foto: Osservatore Romano/Arturo Mari/Pool/AFP/Arquivo

Em seu livro-entrevista com Ratzinger, Peter Seewald defende a ideia de que o principal objetivo de Bento XVI em seu pontificado era demonstrar ao mundo e à própria Igreja, atordoados por tantas mazelas, que a fé ainda é importante e que Deus é essencial para a humanidade.

“Os oito anos de seu ministério foram uma espécie de grandes exercícios espirituais dos quais a Igreja precisava para consolidar o castelo interior e fortalecer a própria alma”, escreveu o jornalista.

Para o padre e historiador italiano Roberto Regoli, a “a questão central do pontificado beneditino é a fé em Jesus Cristo, que no mundo ocidental está em nítido regresso”.

A maioria dos textos que publicou como Papa tinha esse direcionamento. Para muitos, o grande legado de Bento XVI são os seus textos teológicos, que ainda serão estudados por muitas gerações.

Entre seus clássicos acadêmicos está o livro “Introdução ao Cristianismo”, que compila lições universitárias publicadas em 1968. Amante da música clássica, Bento XVI tocava piano e tinha apreço especial pelas obras de Mozart. Já a série de livros “Jesus de Nazaré”, que contou a história da vida de Jesus com toques de história e teologia, foi um best-seller em muitos países.

Além das dezenas de livros que escreveu quando foi professor de teologia, bispo, arcebispo e Prefeito da Congregação para a Doutrina da Fé, Ratzinger assinou três encíclicas (documento mais importante escrito por um papa) e deixou uma quarta pronta, para ser assinada por Francisco.

Especialistas notam mudanças no tom e nas teses defendidas por ele ao longo da vida. A encíclica Caritas in veritate (“Caridade na verdade”), desafiou o mundo a encontrar modelos de desenvolvimento social e econômico mais humanos, centrado no amor.

“O Papa Ratzinger é um homem de estupenda e belíssima inteligência”, disse o cardeal austríaco Christoph Schönborn, arcebispo de Viena, amigo e discípulo de Bento XVI, em uma longa entrevista ao canal italiano TV 2000. “Sua força, no entanto, não é só essa, mas a simples e humilde amizade com Jesus que transparece em todos os escritos e em tantas de suas belas homilias.”

O Papa Emérito Bento XVI, terceiro a partir da esquerda, encontra-se com os vencedores do Prêmio Ratzinger 2022 no mosteiro Mater Ecclesiae em 1º de dezembro de 2022 — Foto: Fondazione Vaticana J.Ratzinger via AP

Críticas

 

Tanto como papa quanto como prefeito da Congregação para a Doutrina da Fé – órgão responsável pela disciplina e os dogmas – Bento XVI foi muito criticado por algumas alas da Igreja. Dois grupos, em especial, viram nele uma espécie de algoz ao menos em alguns momentos de sua vida.

Primeiro, os que pediam mudanças progressistas nas doutrinas morais da Igreja, especialmente no que diz respeito à moral sexual. Assim como João Paulo II, Bento XVI adotou uma linha predominantemente conservadora nessas questões.

Em diversas ocasiões, ele manifestou, por exemplo, ser contrário ao aborto em qualquer circunstância, ao casamento entre pessoas do mesmo sexo, à distribuição de preservativos como política pública, ao fim do celibato dos padres e à flexibilização das normas da Igreja para pessoas em segunda união.

O segundo grupo que criticava o Papa era formado por representantes da teologia dita “de esquerda”, como os chamados teólogos “da libertação”. Esse movimento típico da América Latina nasceu nos anos 1960 e 1970 e conciliava a defesa dos pobres na política com o cristianismo. Parte dos membros dessa linha adotou um viés marxista e, durante o pontificado de João Paulo II, foi alvo de sanções disciplinares. No Brasil, ficou conhecido o teólogo Leonardo Boff.

O padre jesuíta alemão e português Andreas Lind explicou ao G1 que alguns “excessos de mudança radical, próprios dos anos 1960, realizados tanto na sociedade como em alguns setores da Igreja, talvez expliquem a atenção prestada por Bento XVI à continuidade com a tradição do passado”. Segundo Lind, uma das grandes contribuições de Ratzinger foi o diálogo entre fé e razão.

“O senhor é o fim do velho ou o início do novo?”, perguntou o biógrafo Peter Seewald a Bento XVI. “As duas coisas”, respondeu o papa aposentado.

Infância e adolescência

 

Joseph Aloisius Ratzinger nasceu em Marktl am Inn, município do estado da Baviera, na Alemanha, e cresceu durante o período em que o regime nazista ganhou força na região. Seus primeiros anos de vida, até a adolescência, foram passados em Traunstein, perto da fronteira com a Áustria. Foi na região que o futuro papa começou sua formação cristã e cultural.

Ele chegou a participar da Juventude de Hitler durante a adolescência, o que gerou polêmica após sua eleição – a participação no movimento era obrigatória desde 1939 e o Vaticano justifica que, assim que pôde, o jovem Ratzinger optou pelo seminário.

Em 1943, já mais para o fim da Segunda Guerra Mundial, Ratzinger e seus colegas de seminário foram convocados para os serviços auxiliares antiaéreos. Ele não chegou a participar das batalhas devido a uma infecção em um dos dedos, que não permitiu que ele aprendesse a atirar.

Foi ordenado padre em 1951 e bispo em 1977. No mesmo ano, o Papa Paulo VI o nomeou cardeal. Nunca deixou de escrever e dominava seis idiomas: alemão, italiano, francês, latim, inglês e castelhano, além de ter conhecimentos de português.

Chegou a ser arcebispo de Munique, na Alemanha, e de 1981 a 2005 ocupou o cargo de Prefeito da Congregação para a Doutrina da Fé, tornando-se braço direito do Papa João Paulo II, no comando das questões morais. O objetivo desse escritório vaticano é justamente prezar pela manutenção das tradições e pela conservação das doutrinas católicas.

Eleição ao papado

 

Sua proximidade com o Papa fez com que Ratzinger se tornasse o favorito no conclave que o elegeu, em 2005. Muitos diziam que o seu papado seria de transição. No conclave, foram necessárias quatro votações para que um único nome recebesse mais de dois terços dos votos.

Ao aparecer em público como papa pela primeira vez, ele disse:

“Amados Irmãos e Irmãs, depois do grande Papa João Paulo II, os Senhores Cardeais elegeram-me, simples e humilde trabalhador na vinha do Senhor.

Veja abaixo uma reportagem do Bom Dia Brasil de 2010, quando Bento XVI se tornou o novo Papa:

REVEJA: Cardeal alemão Joseph Ratzinger é eleito novo Papa Bento XVI

REVEJA: Cardeal alemão Joseph Ratzinger é eleito novo Papa Bento XVI

Consola-me saber que o Senhor sabe trabalhar e agir também com instrumentos insuficientes. E, sobretudo, recomendo-me às vossas orações.

Na alegria do Senhor Ressuscitado, confiantes na sua ajuda permanente, vamos em frente. O Senhor ajudar-nos-á. Maria, sua Mãe Santíssima, está conosco. Obrigado!”

O último papa a adotar o nome de Bento havia sido o italiano Giacomo della Chiesa, entre 1914 e 1922, o Bento XV. E São Bento, o fundador da Ordem Beneditina, é o padroeiro da Europa.

Bento XVI visitou o Brasil em maio de 2007, entre os dias 9 e 13, para dar início à 5ª Conferência Geral do Episcopado Latino-americano e do Caribe, em Aparecida, no interior de São Paulo. Foi nesta ocasião que Frei Galvão foi canonizado, tornando-se Santo Antônio de Sant’Anna Galvão, o primeiro santo nascido no Brasil.

Fonte: G1

SÃO GONÇALO E PARNAMIRIM EXONERAM CARGOS COMISSIONADOS COMO FIZERAM JAIME CALADO E PAULINHO EMÍDIIO


Já virou tradição em São Gonçalo do Amarante
e Parnamirim promoverem, nos encerramentos do ano administrativo, reformas amplas no quadro de seus assessores e cargos comissionados.

Desde as gestões dos ex-prefeitos Jaime Calado e Paulinho Emídio, todo fim de ano a gestão municipal exonera seus cargos de confiança e recompõe a equipe no começo do ano.

Em 2022, a política estabelecida no município por Jaime Calado e Paulinho Emidio será continuada. E a prática agora também está sendo seguida pelo prefeito de Parnamirim, Taveira.

Essa conduta é promissora e devia servir de exemplo para a administração pública. Os servidores concursados são quadros de Estado que possuem estabilidade justamente para preservar o conhecimento e a capacidade administrativa dos órgãos públicos. Diferente deles, os funcionários por comissão são indicações de confiança do gestor e devem ser avaliados periodicamente quanto à sua eficiência e adequação aos projetos da administração.

A Prefeitura de São Gonçalo do Amarante tem planos ousados para o ano 2023. Nada mais adequado que avaliar e reorganizar sua equipe para que esteja de acordo com tais desafios.

A eficiência é um princípio norteador da administração pública consagrado pela Constituição Federal. Ao manter a política de Jaime Calado e Paulinho Emídio de reestruturar sua equipe ao final do ano, o prefeito Eraldo Paiva mostra humildade e compromisso.

Isso é bom sinal para a população, de que a administração do município não está acomodada e segue buscando melhorar seu desempenho e prestar mais e melhores serviços para todos.

Fátima Bezerra anuncia mudanças na Saúde, Cultura e Meio Ambiente para novo governo


A governadora reeleita do Rio Grande do Norte, Fátima Bezerra (PT), anunciou nesta sexta-feira (30) a saída do secretário estadual de Saúde, Cipriano Maia. No lugar dele, de acordo com a governadora, vai assumir como titular a atual secretária-adjunta, Lyane Ramalho. A troca será oficializada em abril.

Além da Saúde, Fátima anunciou mudanças em outras três pastas. No Meio Ambiente e Recursos Hídricos, sai João Maria Cavalcanti e entra Paulo Varela. Na Fundação José Augusto (Cultura), sai Crispiniano Neto e entra Mary Land Brito. E na Secretaria de Mulheres, Juventude, Igualdade Racial e Direitos Humanos, sai Maria Luíza Quaresma Tonelli e entra Olga Aguiar.

A governadora também confirmou a permanência de outros três secretários: Aninha Costa (Turismo), Gustavo Coelho (Infraestrutura) e Alexandre Lima (Desenvolvimento Rural e Agricultura Familiar).

Com o anúncio desta sexta-feira, a governadora só falta anunciar quem serão os ocupantes da Procuradoria-Geral do Estado e das secretarias de Administração Penitenciária e Desenvolvimento Econômico.

Veja o que já está definido para o secretariado da nova gestão estadual:

  • Casa Civil: Raimundo Alves
  • Planejamento e Finanças: Aldemir Freire
  • Administração e Recursos Humanos: Pedro Lopes Neto
  • Tributação: Carlos Eduardo Xavier
  • Gestão e Projetos Especiais: Virgínia Ferreira
  • Educação: Socorro Batista
  • Saúde: Lyane Ramalho
  • Segurança Pública e Defesa Social: Coronel Araújo
  • Infraestrutura: Gustavo Coelho
  • Turismo: Aninha Costa
  • Agricultura, Pecuária e Pesca: Guilherme Saldanha
  • Trabalho, Habitação e Assistência Social: Íris de Oliveira
  • Desenvolvimento Rural e Agricultura Familiar: Alexandre Lima
  • Meio Ambiente e Recursos Hídricos: Paulo Varela
  • Fundação José Augusto (Cultura): Mary Land Brito
  • Mulheres, Juventude, Igualdade Racial e Direitos Humanos: Olga Aguiar
  • Comunicação: Daniel Cabral

 

A governadora também já confirmou que vão continuar em seus cargos os comandantes Coronel Alarico Azevedo (Polícia Militar) e Coronel Luiz Monteiro (Corpo de Bombeiros) e a delegada-geral de Polícia Civil, Ana Cláudia Saraiva.

Outro anúncio foi a advogada Luciana Daltro, que foi anunciada como nova controladora-geral do Estado, função que foi ocupada neste governo pelo auditor fiscal Pedro Lopes, que se licenciou do cargo em abril para disputar um mandato de deputado estadual pelo PT e agora foi confirmado para a Secretaria de Administração.

Fonte: 98 FM

NOTA À IMPRENSA

Recebi hoje a missão de comandar a Petrobras pelos próximos anos. Muito me honra a escolha do Presidente Lula que coloca sobre mim a responsabilidade de conduzir uma empresa que é patrimônio de todos os brasileiros.

Após a posse do novo governo teremos pela frente um processo burocrático, estabelecido pela legislação e pelos sistemas de governança da Petrobras, até que ocorra a formalização do meu nome como presidente da companhia. Nesta oportunidade, terei a chance de me dirigir ao Conselho da empresa e à sociedade em geral para apresentar de forma detalhada nossos planos para a empresa.

A Petrobras é uma empresa forte, um exemplo internacional de capacidade técnica, engenho e determinação. É uma companhia que existe como empresa de economia mista, que alia capitais privados e estatais, e precisa conciliar essa natureza ao seu papel estruturante na economia brasileira. “Vejo a Petrobras como uma empresa que precisa olhar para o futuro e investir na transição energética para atender às necessidades do país, do planeta e da sociedade, além dos interesses de longo prazo de seus acionistas”.

Esse olhar para o futuro foi a principal demanda colocada pessoalmente a mim pelo Presidente Lula, que acredita que a empresa deve permanecer como uma referência de mercado, tecnologia, governança e responsabilidade social.

Brasília , 30 de dezembro de 2022.

_*Jean Paul Prates*_