A vida dá, nega e tira, cita Kakay

Alguns têm na vida um grande sonho, e faltam a esse sonho. Outros não têm na vida nenhum sonho, e faltam a esse também.”
– Fernando Pessoa, Livro do Desassossego

A grande vantagem de viver em um Estado Democrático de Direito é ter a certeza de que a lei, os tribunais e o sistema de justiça, enfim, valem para todos. Mesmo para aqueles que, em dado momento, tenham se prestado a corromper o sistema. Mas a coerência nos orienta sobre a necessidade de seguir defendendo com vigor o cumprimento das normas constitucionais. Isso vale também para aqueles que as usurparam.

Quando comecei a criticar os abusos e os excessos do ex-juiz Sérgio Moro e seus comandados, os procuradores membros da força-tarefa de Curitiba, eu tinha a firme convicção de que tudo que eles prostituíram burlando o sistema um dia teria que ser resgatado, e eles iriam se apegar às normas que esmeraram em ofender. Hoje, eles se apegam à integridade do sistema de justiça, a qual o Supremo está resgatando e foi usurpada exatamente por esse grupo.

Nada como um dia após o outro. Tem sido muito comentado o habeas corpus que tem como paciente o procurador Diogo Castor, impetrado ante os crescentes rumores de iminente prisão dos procuradores investigados. Anote que esse procurador era um dos mais arrogantes membros da força-tarefa de Curitiba. Agressivo, prepotente, foi a Portugal prender um cliente nosso e cometeu absurdos. Depois que nós ganhamos o caso, perseguiu a filha do nosso cliente para tentar fazê-lo retornar ao Brasil. Perdeu de novo. Algo imoral.

Ele sempre foi um dos mais aguerridos críticos do ministro Gilmar, contra quem proferia impropérios e ridicularizava os fundamentos dos votos garantistas. Em 30 de outubro de 2018, comunicava ao bando: “Prezados, criei um grupo para adotarmos medidas contra o Gilmar Mendes”. E a patuleia aplaudia excitada.

Abusado e sem limites, está sendo investigado, conforme anuncia a imprensa, também por receber aproximadamente R$ 373 mil em diárias de maneira ilegal. Espero, sinceramente, que não seja verdade. Seria ultrajante.

Foi um dos principais garotos-propaganda das tais “10 medidas contra a corrupção”, que derrotamos fragorosamente no Congresso Nacional. O carro-chefe do projeto era a possibilidade do uso da prova ilícita no processo penal, desde que “obtida de boa-fé”. Uma pândega! Era um crítico do “uso abusivo do HC” e ridicularizava a tentativa de impedir investigações por meio do remédio constitucional. Por sinal, uma das tais 10 medidas tinha como objetivo diminuir o escopo do HC.

Foi ele quem pagou aquele outdoor ridículo em que os procuradores da República imitavam a pose de policiais americanos. Um vexame.

Bem, no HC, grosso modo, o que pede o tal Diogo Castor:

  1. Trancamento do inquérito, proibindo a continuidade das investigações;
  2. A proibição do uso das mensagens obtidas pelo hacker, por terem sido obtidas de forma ilícita;
  3. Faz críticas a vazamento ilegal;
  4. Usa como base de sustentação alguns votos do Ministro Gilmar, com grandes elogios a seu posicionamento garantista;
  5. Requer o enquadramento do relator do inquérito na lei de Abuso de Autoridade;
  6. Ressalta a importância de cumprir o preceito constitucional que garante direito individual e que proíbe o uso para investigar- muito menos condenar- de provas obtidas de maneira ilícita, invocando a teoria do fruto da árvore envenenada.

E vejam bem, o “doutor” tem todo o direito de pleitear o que entende ser seu direito. O interessante é constatar que ele só terá chance de êxito se a interpretação do direito for exata e rigorosamente o contrário do ele e seu bando defendiam. Essa é a dimensão do que o Supremo Tribunal fez nos últimos tempos: cumprir a Constituição, simples assim.

Se fôssemos exigir coerência por parte desse grupo que instrumentalizou o Judiciário e o Ministério Público com interesses políticos –não sou eu mais quem diz, é a 2ª Turma do Supremo– ou seja, se o ex-juiz e seus asseclas fossem usar a mesma régua que usavam na famosa 13ª Vara Federal de Curitiba, eles teriam que ter pedido a prisão de todos e o ex-juiz já os teria prendido. Remeto-me a Cecília Meireles:

Não sei que tempo faz, nem se é noite ou se é dia.
Não sinto onde é que estou, nem se estou.
Não sei nada.
Nem ódio, nem amor.
Tédio? Melancolia.
Existência parada. Existência acabada.”

Interessante ressaltar que uma rádio do Sul me perguntou sobre os rumores das prisões dos procuradores pelo STJ nesse inquérito. Eu defendi que não era caso de prisão, até por falta de contemporaneidade, inovação que nós introduzimos na lei quando derrotamos o tal pacote anticrime, e que muito contrariou o ex-juiz e seu bando, diga-se de passagem. Por sinal, o que eles consideravam a maior derrota que impingimos ao bando –a prisão somente após o trânsito em julgado– deve hoje ser a decisão que eles mais cultuam. E devemos defender esse direito também para o grupo.

É impagável ver na peça do HC o procurador fazer justiça ao ministro Gilmar Mendes e ao Supremo, tecendo loas ao “culto ministro”. É o mesmo que acusava o ministro Gilmar de não ter “equilíbrio” para o cargo e de “falta de seriedade” quando queria fazer prevalecer os seus abusos.

De maneira semelhante age o advogado do ex-juiz ao pedir a aplicação do princípio da “paridade de armas”, em maio de 2020, no inquérito em que Sérgio Moro é investigado. E está certo o advogado ao pedir um tratamento constitucional, embora essa nunca tenha sido a postura de seu cliente enquanto juiz.

Na verdade, o que se constata é que o medo se apoderou do grupo de Curitiba. Eles usavam o terror como método, gostavam de posar de heróis e de donos da bola para amedrontar os seus investigados de estimação. Usavam a prisão para conseguir delações, o que é ilegal, inconstitucional e antiético, monstruoso mesmo, e jactavam-se disso. Como lembra o poeta Trasíbulo Ferraz:

A vida dá, nega e tira.

Agora, perderam de vez a compostura e o decoro. Tiveram a desfaçatez, numa das maiores pataqueiras jurídicas da história do Supremo, de apresentar um memorial, em nome dos sete procuradores, no habeas corpus em que o paciente é o perseguido preferencial deles, o ex-presidente Lula, e peticionaram, com advogado contratado para tal, para manter a incompetência do juízo da 13ª Vara, onde eles sempre atuaram. Não tente entender. É realmente incompreensível. Não se sabe sequer a que título eles peticionaram.

Na realidade, é, de certa forma, compreensível o estado de desespero que assola o grupo. Quando se sentiam poderosos, admitiram que tinham contribuído decisivamente para a eleição desse fascista que hoje leva o país para o vale da morte. Ao prenderem o principal opositor do atual presidente, foram o decisivo eleitor desse presidente genocida. Hoje, devem se sentir corresponsáveis pelas 340.776 mortes oficialmente confirmadas. E devem se assustar com as manchetes que informam que o Brasil tem em um dia mais mortes por covid-19 do que 133 países em um ano de pandemia: 4.211 óbitos registrados. O Brasil responde sozinho por mais de 1/3 de todos os mortos do mundo.

O ar que falta às pessoas nos hospitais superlotados, os leitos que não existem para acolher os infectados e o desespero dos doentes à busca de uma UTI podem ser creditados a esse presidente que cultua a morte, que despreza a dor, que ridiculariza o sofrimento. E ele está sentado no colo do grupo que criminalizou a política, instrumentalizou o Judiciário e o Ministério Público e estuprou o sistema de justiça, ávidos pelo poder.

Não é demais lembrar que o chefe do grupo aceitou virar ministro da Justiça do governo genocida que se instalou, em clara divisão de poder e em recompensa aos serviços prestados. Se depois romperam, nada mais foi do que briga de quadrilha.

A discussão nesse momento é sobre a necessidade imperiosa de responsabilizar criminalmente, e também por crime de responsabilidade, o presidente. Não é possível que vamos esperar 600 mil mortos para fazer o enfrentamento.

A praga do vírus subjugou a sociedade, que está acuada, assustada. E a fome se instalou de maneira avassaladora no país. Impossível acompanhar a realidade sem perder o rumo. Mas é necessário romper a densa e impenetrável fumaça que nos sufoca para que façamos o enfrentamento desse responsável direto por tanta dor, tanta tristeza, tanta desolação, tantas mortes. Nenhum de nós sairá impune dessa tragédia. E só teremos de volta nossa dignidade perdida se responsabilizarmos esse assassino que, deliberadamente, apostou na morte como opção. Depois dele, é indispensável que, sem ares de vingança, mas, de justiça, a gente se concentre em desnudar e responsabilizar esses que foram a sustentação do caos. Valendo-nos de Miguel Torga, em Penas do Purgatório:

Não há refúgio, e o terror aumenta.
É tal e qual o drama aqui na sala:
A luz da tarde em agonia lenta,
E a maciça negrura a devorá-la.

Dor deste tempo atroz, sem refrigério.
Eis os degraus do inferno que nos restam:
Morrer e apodrecer no cemitério
Onde fantasmas, como eu, protestam.”

Poder 360.

Frente Pela Vida envia carta ao STF pedindo lockdown e auxílio a vulneráveis

O movimento Frente Pela Vida enviou um manifesto intitulado “Carta à humanidade: vida acima de tudo” ao presidente do Supremo Tribunal Federal (STF), Luiz Fux, pedindo dentre outras questões, um lockdown nacional de 21 dias e apoio financeiro aos mais necessitados.

O movimento pede, em caráter de urgência, uma ação coordenada entre os três poderes da República (Executivo, Legislativo e Judiciário) para a mitigação dos efeitos da pandemia de Covid-19.

“O grave quadro epidemiológico que está levando ao colapso do sistema
de saúde em vários estados exige a adoção imediata e sem hesitação de medidas restritivas rígidas da circulação de pessoas com adoção de lockdown por 21 dias”, que pede, ainda, um auxílio financeiro emergencial no valor de 600 reais, a ser pago aos desempregados, trabalhadores informais, autônomos e microempreendedores individuais.

No carta enviado a Luiz Fux, o movimento diz que o Brasil hoje sofre com o “intencional colapso” do sistema de saúde. “Assistimos horrorizados ao extermínio sistemático de nossa população, sobretudo dos pobres, quilombolas e indígenas.”

De acordo com o advogado criminalista Antônio Carlos de Almeida Castro, conhecido como Kakay, “todas as vezes que o Supremo foi acionada nessa pandemia, agiu de forma corretíssima”. “O verdadeiro ministro da Saúde, muitas vezes, estava representado pelo Supremo Tribunal Federal”, afirma.

Além de Kakay, assinaram o documento: Leonardo Boff, Silvio Tendler, D.Mauro Morelli, José Bulcão, Adair Rocha, Túlio Franco, Dirceu Greco, Lucia Regina, Gulnar Azevedo, Fernando Pigatto.

Confira o manifesto na íntegra

MANIFESTO VIDA ACIMA DE TUDO – Carta aberta à Humanidade

“Vivemos tempos sombrios, onde as piores pessoas perderam o medo e as melhores perderam a esperança.” Hannah Arendt

O Brasil grita por socorro.

Brasileiras e brasileiros comprometidos com a vida estão reféns do genocida Jair Bolsonaro, que ocupa a presidência do Brasil junto a uma gangue de fanáticos movidos pela irracionalidade fascista.

Esse homem sem humanidade nega a ciência, a vida, a proteção ao meio ambiente e a compaixão. O ódio ao outro é sua razão no exercício do poder.

O Brasil hoje sofre com o intencional colapso do sistema de saúde. O descaso com a vacinação e com as medidas básicas de prevenção, o estímulo à aglomeração e à quebra do confinamento, aliados à total ausência de uma política sanitária, criam o ambiente ideal para novas mutações do vírus e colocam em risco os países vizinhos e toda a humanidade. Assistimos horrorizados ao extermínio sistemático de nossa população, sobretudo dos pobres, quilombolas e indígenas.

O monstruoso governo genocida de Bolsonaro deixou de ser apenas uma ameaça para o Brasil para se tornar uma ameaça global.

Apelamos às instâncias nacionais – STF, OAB, Congresso Nacional, CNBB – e às Nações Unidas. Pedimos urgência ao Tribunal Penal Internacional (TPI) na condenação da política genocida desse governo que ameaça a civilização.

Ig último segundo.

STF obriga Senado a abrir CPI da Covid

O ministro do Supremo Tribunal Federal Luis Roberto Barroso determinou que o Senado Federal abra a CPI da Covid-19 com o objetivo de investigar a responsabilidade do governo federal na pandemia.

Barroso concedeu liminar em mandado de segurança apresentado no mês passado pelos senadores Alessandro Vieira (Cidadania – SE) e Jorge Kajuru (Cidadania – GO) e liberou o tema para julgamento colegiado imediatamente no plenário virtual do STF.

Ele acatou o pedido dos senadores da oposição para obrigar o presidente do Senado, Rodrigo Pacheco (DEM-MG), a instalar a comissão.

Segundo Luís Roberto Barroso, não se pode negar o direito à instalação da comissão em caso de cumpridas as exigências sob pena de se ferir o direito da minoria parlamentar. “Trata-se de garantia que decorre da cláusula do Estado Democrático de Direito e que viabiliza às minorias parlamentares o exercício da oposição democrática. Tanto é assim que o quórum é de um terço dos membros da casa legislativa, e não de maioria. Por esse motivo, a sua efetividade não pode estar condicionada à vontade parlamentar predominante”, diz o ministro na decisão.

O ministro justificou a concessão da liminar com urgência em razão do agravamento da crise sanitária no país que está “em seu pior momento, batendo lamentáveis recordes de mortes diárias e de casos de infecção”. O Brasil teve, nesta quinta-feira (8), recorde de mortes pela doença.

O presidente do Senado afirmou que aguarda “que seja notificada oficialmente a presidência do Senado para se manifestar sobre esse tema”.

A decisão ocorre após Pacheco defender oficialmente à corte que a CPI não fosse instalada. Em uma manifestação de 11 páginas assinada pelo advogado do senador, Pacheco diz ao STF que não é o momento para uma CPI.

“O que discute, de forma serena e republicana – porque é inerente à elevada responsabilidade que o Plenário do Senado lhe cometeu, ao elegê-lo Presidente da Casa – é o momento adequado para instalar investigação parlamentar que eventualmente preencha os requisitos constitucionais nas atuais circunstâncias”, diz.

Segundo ele, uma comissão parlamentar de inquérito pode ser pior para o combate à pandemia. “O funcionamento de uma CPI que eventualmente preencha os requisitos constitucionais, neste momento, poderá ter o efeito inverso ao desejado, como o de eventualmente gerar desconfiança da população em face das autoridades públicas em todos os níveis, promover reações sociais inesperadas, além de eventualmente ocasionar o já conhecido fenômeno do “apagão das canetas” (nefasta reação de inércia e omissão de administradores públicos diante do receio de punição por eventual excesso dos órgãos de controle)”

Pacheco também declara que “os resultados da CPI pretendida não terão a aptidão de contribuir com o imediato combate à pandemia da Covi-19, objetivo que deve unir os parlamentares em ações e recursos para construir soluções eficazes e urgentes que salvem vidas e que tragam vacinas para o Brasil”.

O pedido de CPI foi assinado em fevereiro por 32 senadores, 5 a mais que o necessário. O Palácio do Planalto, porém, sempre se posicionou contrário desde o início à CPI e conseguiu o apoio de Pacheco para barrar a a instalação da investigação.

CNN.

Entrega presencial de documentação do processo seletivo do Programa Criança Feliz acontece nesta quinta (8) e sexta-feira (9)

O Serviço de Convivência e Fortalecimento de Vínculos em Rosa dos Ventos já está recebendo de forma presencial, para análise, a documentação dos candidatos inscritos no processo seletivo para contratação de visitadores do Programa Criança Feliz. As pessoas que se inscreveram no processo seletivo têm até amanhã (9), para entregar a documentação.

O processo irá selecionar 30 visitadores para atuar no Programa Criança Feliz, que tem como objetivo a intersetorialidade na visita familiar. As vagas (28 para ampla concorrência e 2 para PCD) possuem remuneração de R$ 1.100,00, sendo exigido nível médio completo, além de experiência mínima de 6 meses em serviços, programas e projetos, na área de Política de Assistência Social e no Programa Criança Feliz.

A carga horária é de 40h semanais e um dos requisitos para se inscrever é que o candidato deve residir em Parnamirim/RN. As inscrições finalizaram na última quarta-feira (7). Agora, os candidatos devem imprimir os modelos de Currículo, Declaração de Duplo Vínculo e Comprovante de Inscrição para entregá-los, junto aos demais documentos discriminados no Edital, de forma presencial, nos dias 8 e 9 de abril, no Serviço de Convivência e Fortalecimento de Vínculos de Rosa dos Ventos, localizado na Rua Nazareno Matias, 60, das 8h às 15h.

*CRONOGRAMA DO PROCESSO SELETIVO*

– 08 e 09 de abril de 2021, das 8h às 15h – Entrega de inscrição impressa e documentação de forma presencial, no Serviço de Convivência e Fortalecimento de Vínculos em Rosa dos Ventos, na Rua Nazareno Matias, 60

– 12 a 22 de abril de 2021 – Análise Documental, Avaliação Curricular e Experiência Profissional pela Comissão de Organização e Avaliação

– 23 de abril de 2021 – Publicação dos Aprovados no Diário Oficial do Município

– 26 de abril de 2021, das 8h às 14h – Interposição de Recurso – Entrega de forma presencial na Sede da Secretaria de Assistência Social. Rua Aspirante Santos, 396, Santos Reis, Parnamirim/RN

– 28 de abril de 2021 – Publicação Final dos Aprovados (após recursos)

– 29 e 30 de abril de 2021, das 8h às 14h – Entrega da documentação original, de forma presencial, dos candidatos aprovados no Setor de Recursos Humanos da SEMAS, na Rua Aspirante Santos, 396, Santos Reis, Parnamirim/RN

Trabalhadores autônomos foram mais prejudicados por pandemia em 2020

Foto: Agência Brasília

A crise econômica gerada pela pandemia do novo coronavírus (covid-19) prejudicou mais os trabalhadores por contra própria, revela pesquisa divulgada hoje (8) pelo Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea). Segundo o levantamento, essa categoria teve a maior queda no rendimento em 2020.

O pior momento para os trabalhadores autônomos ocorreu no segundo trimestre de 2020, quando a categoria recebeu 24% a menos do que a renda habitual. No quarto trimestre do ano passado, o indicador recuperou-se levemente, mas continuou abaixo dos níveis anteriores à pandemia, com recuo de 10%.

Os trabalhadores privados e sem carteira receberam 13% a menos do que a renda habitual no segundo trimestre e 4% a menos no último trimestre do ano passado. Os trabalhadores privados com carteira assinada não tiveram perda no segundo e no terceiro trimestres de 2020 e encerraram o último trimestre do ano passado ganhando 5% acima da renda habitual. No serviço público, os trabalhadores receberam 1% a mais que a renda habitual no segundo trimestre, 3% no terceiro trimestre e 5% a mais no último trimestre do ano passado.

Realizada com base em dados da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios Contínua (Pnad Contínua), a pesquisa comparou a renda média efetiva com a renda média habitual. Enquanto a renda média efetiva caiu por causa do aumento do desemprego e da contratação com salários mais baixos, a renda média habitual subiu porque a perda de ocupações se concentrou nas áreas mais mal remuneradas.

Segundo o Ipea, a elevação da renda habitual para os trabalhadores privados com carteira assinada e o serviço público deve-se ao fato de que a eliminação de postos de trabalho atingiu principalmente os setores de construção, comércio e alojamento e alimentação, além de empregados sem carteira assinada e principalmente trabalhadores por conta própria. Dessa forma, quem permaneceu empregado foram os trabalhadores de renda relativamente mais alta, que puxam o rendimento médio habitual para cima.

Renda efetiva

Ao analisar apenas a renda efetiva dos três últimos meses do ano passado, sem levar em conta a comparação com a renda habitual, a pesquisa mostra que a queda também foi maior entre os trabalhadores por conta própria. Essa categoria encerrou 2020 ganhando 6,7% a menos que no mesmo período de 2019.

O recuo chegou a 1,4% entre os trabalhadores privados com carteira e 0,2% no setor público. Apenas os trabalhadores com carteira assinada recebiam, em média, 1,4% a mais no último trimestre de 2020 em relação aos mesmos meses de 2019, refletindo a recuperação do emprego formal no fim do ano passado.

Para Sandro Sacchet, técnico de planejamento e pesquisa do Ipea e autor do estudo, o fato de ter havido queda nos rendimentos efetivos em alguns grupos de trabalhadores no quarto trimestre indica potenciais efeitos do início da segunda onda da pandemia da covid-19. Segundo ele, os impactos poderão ser compreendidos quando forem divulgados os dados no primeiro trimestre de 2021.

Faixas

Na comparação por faixa de renda, a pesquisa mostra que a pandemia afetou proporcionalmente os mais pobres. Entre o primeiro e o segundo trimestres de 2020, o total de domicílios sem renda do trabalho aumentou de 25% para 31,5%. No quarto trimestre, a proporção chegou a 29%, mostrando uma recuperação lenta do nível de ocupação.

Em relação à quantidade de horas habitualmente trabalhadas, o levantamento mostra que a pandemia não afetou significativamente o indicador. No segundo trimestre, o total de horas trabalhadas caiu para 30,7 horas semanais, recuperando-se para 36,2 horas semanais no terceiro trimestre e encerrando o quarto trimestre em 37,4 horas semanais, com queda de apenas 5% em relação ao último trimestre de 2019.

Fonte: Agência Brasil

Guedes fica sob ‘fogo cerrado’; já há bolsa de apostas para substituí-lo

Foto: Sérgio Lima/Poder360

Apesar de ter sido prestigiado por Jair Bolsonaro na 4ª feira (8.abr.2021) em jantar com empresários, o ministro da Economia, Paulo Guedes, permanece sob fogo cerrado do Centrão. Esta 5ª feira (8.abr) e 6ª feira (9.abr) são dias vitais para a definição de como será sancionado o Orçamento de 2021 (e também sobre o futuro de Guedes).

Os deputados e senadores do Centrão (grupo de partidos sem coloração ideológica clara que adere aos mais variados governos) e de partidos adjacentes pró-Bolsonaro afirmam que o Orçamento, com alguns ajustes propostos (corte de R$ 13,5 bilhões), fica 100% legal e não fura o teto de gastos nem a Lei de Responsabilidade Fiscal.

Guedes disse ao presidente que o corte deve ser na casa de R$ 30 bilhões. Bolsonaro terá de arbitrar.

A ESCOLHA DE BOLSONARO

Se optar pela conta de Guedes, o presidente estará dinamitando pontes com o Congresso. Já foi avisado de maneira explícita sobre as consequências por Arthur Lira. E se Bolsonaro mantiver o Orçamento como desejam Lira e Rodrigo Pacheco, fica muito difícil a permanência de Guedes na Esplanada.

“Tecnicamente o Orçamento não tem problema. Absolutamente. Nem para o presidente, nem para os órgãos que dele precisam para fazer política pública a se desenvolver no ano de 2021”, disse Lira na 4ª feira. “Eu penso que todo acordo deve ser honrado na sua plenitude de parte a parte. Aí é esperar para ver a posição do governo”.

A equipe econômica quer propor o cancelamento de algumas despesas (por meio de vetos presidenciais), principalmente aquelas que foram acrescentadas por emendas do relator do Orçamento. Depois, enviar projeto de lei de crédito suplementar que recomponha a despesa obrigatória.

Para o Ministério da Economia, se o Orçamento for sancionado integralmente, em alguns meses o governo Bolsonaro seria obrigado contingenciar despesas (fazer um bloqueio temporário nos gastos).

BOLSA DE MINISTROS

Não faltam especulações em Brasília sobre quem poderia ser o próximo ministro da Economia, com uma eventual saída de Guedes. Eis 3 nomes:

• Luiz Fernando Figueiredo – ex-diretor do Banco Central, é visto como uma solução “pró-mercado”. É sócio fundador e CEO da gestora de recursos Mauá Capital. Agradaria aos operadores financeiros e econômicos e também tem conhecimento de como funciona Brasília. Contra si tem o fato de que não tem intimidade com Bolsonaro;

• Mansueto Almeida – o ex-secretário do Tesouro está hoje no banco BTG, muito bem-remunerado. É visto como técnico austero, mas com capacidade para entender como  funciona a política e o Congresso;

• Rogério Marinho – o atual ministro do Desenvolvimento Regional é sempre atacado por Guedes, que o qualifica como “fura teto”. É visto como desenvolvimentista e poderia emplacar uma política de obras semelhante ao que foi o PAC durante o governo Dilma Rousseff.

ANÁLISE

Uma eventual saída de Paulo Guedes do governo marcaria definitivamente a nova fase de Bolsonaro, que começou com a demissão de Sergio Moro em 2019, a reforma ministerial da semana passada e a suavização do discurso sobre necessidade de vacinas e controle fiscal, como ficou evidente ontem no jantar com empresários.

O Bolsonaro pós-Moro-Guedes será muito mais parecido com a política tradicional que o presidente combateu retoricamente em sua campanha de 2018.

A  grande dúvida que fica é sobre como reagirão os cerca de 30% do eleitorado que seguem o presidente de maneira fiel.

Fonte: Poder 360

Prefeitura de Parnamirim adquire dois novos veículos para Seretaria de Assistência Social

Foto: Ana Amaral/Ascom Prefeitura de Parnamirim

Na manhã desta quinta-feira (8), a Secretária de Assistência Social de Parnamirim, Alda Lêda, recebeu as chaves de dois novos veículos adquiridos pela prefeitura para a SEMAS. A secretária adjunta, Kátia Soares, também estava presente na entrega dos carros zero km.

Na ocasião, Alda Lêda garantiu que a partir de segunda-feira (12), os carros já estarão à disposição dos servidores que cuidam das famílias em situação de vulnerabilidade e risco social.

A SEMAS é responsável por executar diversos programas e serviços que necessitam de maior acompanhamento, a exemplo do Bolsa Família, Criança Feliz, Serviço de Convivência e Fortalecimento de Vínculo.

De acordo com a prefeitura, os profissionais dessa pasta atuam diretamente em residências e instituições diariamente. Os automóveis irão se juntar à frota existente e, assim, será possível ampliar o alcance das ações.

“O serviço de assistência social é um direito do cidadão. É de responsabilidade da Semas promover o bem estar físico, psicológico e social de toda a população do município.”, explicou a prefeitura em seu perfil no Instagram.

Foto: Ana Amaral/Ascom Prefeitura de Parnamirim
Foto: Ana Amaral/Ascom Prefeitura de Parnamirim

Alunos de escolas municipais de Mossoró recebem kits de alimentos

Foto: Reprodução/Instagram

Nesta quinta-feira (8), os alunos da rede municipal de ensino de Mossoró receberam da Prefeitura kits de alimentos. O objetivo é ajudar as famílias desses alunos, muitas delas em situação de vulnerabilidade social.

Mesmo antes da pandemia, já existiam vários alunos que realizavam suas principais – e até mesmo as únicas- refeições nas escolas. O objetivo é garantir que possam continuar se alimentando mesmo com as escolas fechadas.

Parnamirim receberá oito novos pontos de coletas de testes SWAB

Na tarde de ontem (8), o Prefeito Taveira visitou o novo ponto de coleta de testes SWAB, no Parque Aristófanes Fernandes. Acompanhando da primeira-dama, Alda Leda, demais secretários e alguns vereadores, Taveira visitou as instalações do local, que foi adaptado para receber a população.

Durante a visita, foi anunciada a abertura de oito novos pontos de coleta em breve. Os testes que utilizam SWAB são indicados para pacientes entre o 3° e 10° dia de sintomas de Covid-19. Os profissionais de saúde do município já estão recebendo treinamento para atuar nestes novos locais de testagem.

“Não vou colocar o meu na reta”, diz Bolsonaro a empresários sobre Orçamento

Foto: Sérgio Lima/Poder 360

Em jantar com empresários em São Paulo, na 4ª feira (7.abr.2021), o presidente Jair Bolsonaro afirmou que irá respeitar o teto de gastos e a responsabilidade fiscal quando tiver de sancionar o Orçamento de 2021. “Não vou colocar o meu na reta”, afirmou, com o ministro Paulo Guedes (Economia) à mesa.

O Poder360 conversou reservadamente com 4 empresários que estiveram no encontro. Os gestores disseram achar que Bolsonaro quis dar um recado para fortalecer Guedes.

No mesmo dia do encontro, o ministro da Economia foi alvo de ataques do Centrão e houve rumores sobre sua iminente saída do governo. No jantar, estava junto com o presidente. Num dado momento, Flávio Rocha, dono da Riachuelo, falou que Bolsonaro tinha ao seu lado “o melhor general para a economia”, citando Paulo Guedes. Todos os presentes aplaudiram.

PANDEMIA E VACINAS

Todos os presentes na reunião concordaram que a prioridade neste momento do país é acelerar a aplicação de vacinas. Dizem achar que houve um mal-entendido sobre a lei que permite que empresas privadas comprem o imunizante. Os empresários pediram ajuda do governo para esclarecer como será o processo.

Em relação às políticas de isolamento social, coube ao empresário Jose Isaac Peres, dono da rede de shoppings Multiplan, fazer um discurso enfático e alinhado com o que defende Bolsonaro. Peres disse que não tem cabimento falar em lockdown, que cada uma das mais de 5.000 cidades do país tem realidades distintas e que o necessário, na avaliação dele, é o distanciamento social.

O presidente criticou governadores e chegou a usar o termo “vagabundos”. O tucano João Doria, governador de São Paulo, foi um de seus alvos durante a reunião.

QUEM FOI AO JANTAR

O Poder360 apurou a seguinte lista. Pelo menos um dos convidados não apareceu: Johnny Saad (Grupo Bandeirantes), que mandou avisar que estava com tosse e preferia não ir. Eis os demais que participaram:

• André Esteves (BTG);

• Alberto Leite (FS Security);

• Alberto Saraiva (Habib’s);

• Candido Pinheiro (Hapvida);

• Carlos Sanchez (EMS);

• Claudio Lottenberg (Hospital Albert Einstein);

• David Safra (Banco Safra);

• Flavio Rocha (Riachuelo);

• Luiz Carlos Trabuco (Bradesco);

• João Camargo (Grupo Alpha de Comunicação);

• Jose Isaac Peres (Multiplan);

• José Roberto Maciel (SBT);

• Paulo Skaf (Fiesp);

• Ricardo Faria (Granja Faria);

• Rubens Ometto (Cosan);

• Rubens Menin (MRV, CNN e Banco Inter);

• Tutinha Carvalho (Jovem Pan);

• Washington Cinel (Gocil).

O jantar foi na casa de Washington Cinel, dono da empresa de segurança Gocil. A residência fica na Rua Costa Rica, no Jardim América, em frente à casa do ex-deputado Paulo Maluf.

COMITIVA DE BOLSONARO

Eis o grupo levado pelo presidente:

• Augusto Heleno (Segurança Institucional);

• Carlos França (Relações Exteriores);

• Daniel Freitas (deputado, PSL-SC);

• Eduardo Bolsonaro (deputado, SP);

• Fábio Faria (Comunicações);

• Marcelo Queiroga (Saúde);

• Roberto Campos Neto (Banco Central);

• Onyx Lorenzoni (Secretaria Geral);

• Paulo Guedes (Economia);

• Ricardo Salles (Meio Ambiente);

• Ricardo Barros (líder na Câmara)

• Tarcísio de Freitas (Infraestrutura).

COLETIVA NA RUA

Depois da reunião, os ministros Fábio Faria (Comunicações), Paulo Guedes (Economia), Marcelo Queiroga (Saúde) e Tarcísio de Freitas (Infraestrutura) deram uma entrevista coletiva improvisada em frente à casa do anfitrião.

O chefe da Saúde, Marcelo Queiroga, afirmou que um eventual lockdown nacional “não faz sentido no Brasil porque a própria população não adere a essas práticas”. O ministro defendeu uma união nacional “para conseguirmos a vacina para imunizar a população brasileira”. Indagado sobre a suspensão do envase de imunizantes pelo Butantan por falta de insumos, Queiroga disse esperar que o instituto tenha a capacidade de produção restabelecida.

O médico também acenou à iniciativa privada, afirmando que busca alternativas para viabilizar também a participação dos empresários na aquisição de vacinas: “Não para desviar os principais básicos do SUS, mas para se somar a ele e assim fortalecemos a nossa campanha de vacinação”.

Paulo Guedes disse que “a síntese do encontro” é baseada nos temas da vacinação em massa e no avanço nas reformas estruturais. Fábio Faria afirmou que todos presentes no jantar estão “satisfeitos” com o governo e afirmou que o Brasil é o 5º país que mais está vacinando. “Atingimos a meta de 1 milhão por dia. Precisamos de união”, disse.

Tarcísio de Freitas (Infraestrutura) afirmou que conversa entre governo e empresários foi em tom amistoso. Questionado sobre a carta assinada por mais de 500 empresários, economistas e banqueiros cobrando ações do governo na pandemia, o ministro afirmou que o documento não entrou na discussão. Disse que o diálogo foi uma “reunião de aliança e compromisso com o futuro” e que o Brasil “está engrenando” na produção de vacinas.

Fonte: Poder 360

Covid-19 derruba atividade industrial após nove meses

Foto: CNI/José Paulo Lacerda

A segunda onda da pandemia de covid-19 interrompeu uma sequência de nove altas na atividade industrial. Segundo a pesquisa Indicadores Industriais, divulgada hoje (8) pela Confederação Nacional da Indústria (CNI), o número de horas trabalhadas no setor caiu 0,5% em fevereiro na comparação com janeiro.

Apesar do recuo, o número de horas trabalhadas na indústria acumula alta de 3,5% em fevereiro na comparação com fevereiro do ano passado, antes do início da pandemia do novo coronavírus. Nos dois primeiros meses de 2021, o indicador acumula alta de 4% em relação ao mesmo período de 2020.

O agravamento da pandemia, no entanto, começa a ser sentido em outros indicadores, que recuaram mais que o total de horas trabalhadas. O faturamento da indústria caiu 3,3% em fevereiro, desfazendo os ganhos de dezembro e janeiro e retornando aos níveis de novembro do ano passado.

A massa salarial real (soma dos salários pagos corrigida pela inflação) encolheu 1,1% em fevereiro. O indicador continua abaixo do nível pré-crise, acumulando queda de 1,3% em relação a março de 2020. O rendimento médio real dos trabalhadores da indústria caiu 1,8% em relação a janeiro e está no menor nível desde julho do ano passado.

A utilização da capacidade instalada atingiu 80,2% em fevereiro, com queda de 0,4 ponto percentual na comparação com janeiro. Apesar da retração, o indicador permanece acima dos 78,8% registrados em fevereiro de 2020. Todos os indicadores estão com ajuste sazonal, desconsiderando oscilações típicas de determinadas épocas do ano, como número de feriados e datas comemorativas.

Emprego

O único indicador que manteve a sequência de altas foi o emprego, que subiu 0,4% em fevereiro. Em alta pelo sétimo mês consecutivo, o indicador ultrapassou o nível pré-pandemia e está 1,1% acima do registrado em fevereiro de 2020. Segundo a CNI, o emprego continua influenciado pela forte recuperação da atividade industrial em meses anteriores, mas os números sugerem que essa tendência pode ser interrompida mais à frente, caso a atividade industrial continue em queda.

Fonte: Agência Brasil

Vida e juventude perdidas

No Brasil de hoje, todos nós morremos um pouco a cada dia. A morte se apresenta não somente quando é a morte morrida, que nós fomos treinados para sofrer e resistir. Ela sempre foi sofrida e dolorida, mas, em regra, havia o direito a um rito de despedida que fazia a dor ir se ajeitando para que a gente não morresse junto.

A sempre foi tratada com a dignidade que acompanha o mistério, o desconhecido, o medo. E, salvo nos desastres, cada um encontrava um jeito de conviver com a inevitável e inexplicável dor da perda. Mas era um direito do cidadão sentir a dor, até para respeitá-la. Até isso o governo que cultua a morte tem negado ao brasileiro.

Num dia em que se registram 4195 mortos, um óbito a cada 20 segundos, totalizando 336.947 mortes, o país já é responsável pelo maior número de mortos entre todos os países, representando mais de 1/3 do total no mundo. E, sem medo de errar, é necessário apontar a responsabilidade direta do Presidente da República por boa parte das mortes. É inegável que, no meio da catástrofe da crise sanitária internacional, teríamos muitos mortos. Mas, essa é uma visão isenta, técnica, jurídica e de especialistas da área de saúde. A condução da crise por esse presidente fascista, irracional e genocida é responsável pelo número excessivo de óbitos.

Os números abissais já bastariam para justificar nossa revolta cívica e humanitária contra o monstro que desonra o cargo, tripudia com a dor, despreza o sentimento de abandono do povo brasileiro. Sem precisar relembrar as inúmeras manifestações sádicas, grosseiras, perversas e doentias que já fazem parte do anedotário nacional. Mas, o que ele pessoalmente, com vontade livre e deliberada, usando do seu poder de presidente da República fez em relação à vacina é de uma indignidade revoltante.

Em maio de 2020, optou por ficar fora da aliança para aderir à produção dos imunizantes. No mês de julho, decidiu por não comprar 160 milhões de doses da Coronavac . Em agosto do mesmo ano, rejeitou a proposta da Pfizer de 70 milhões de doses. Não é só indigno, é crime! Crime comum e de responsabilidade. Boa parte dos infectados teriam se livrado do vírus se a vacinação tivesse começado meses antes. A falta angustiante do ar para os doentes, seja nos corredores, quartos ou UTIs dos hospitais, tem que estar na conta desse irresponsável.

A dor do que vi e vivi não me dá a isenção de julgar, mas, também, não me permite a covardia da omissão.

Ao mal causado aos que sofrem a dor da perda , ou o sofrimento dilacerante da doença traiçoeira, devem ser adicionados os danos colaterais que afligem a todos. A adolescência perdida em um tempo de solidão que há de marcar uma geração inteira. A falta indelével do contato físico, ou mesmo visual, que permite o aflorar da sexualidade, o despertar do desejo, o exercício do jogo do amor e da paixão. Os porres com os amigos e a perda da desculpa dos intelectuais que diziam preferir a solidão, por timidez ou falta de jeito. A solidão agora iguala a todos, é de todos.

No meio do desespero, tento encontrar luz e ar e vejo que as palavras escritas passam a ter um valor diferenciado. Fora do mundo físico, os livros, a poesia e as histórias passarão a ocupar mais espaço. Os fascistas, que nos tiraram o ar, a alegria, o toque amoroso e a vida, não vencerão! Eles detestam a luz, têm ódio à cultura e vivem do esgoto. Porém, um cenário em que as pessoas estão castradas do contato físico permite momentos de reflexão. Claro que, no mundo binário desses bandidos, o limite é o das frases de efeitos, de poucos toques, e das fake news. Mas vamos inundá-los de literatura, pois morrerão à míngua.

Não nos rendamos à estratégia dos bárbaros. Vamos lembrar de Foucault: “O risco de morrer , a exposição à destruição total, é um dos princípios inseridos entre os deveres fundamentais da obediência nazista, e entre os objetivos essenciais da política. (…) É preciso que se chegue a um ponto tal que a população inteira seja exposta a morte”.

Antônio Carlos de Almeida Castro, Kakay

iG Último Segundo

 

Parnamirim amplia vacinação e novo drive-thur será realizado no sábado (10)

A partir desta quinta-feira (8), a vacinação contra a Covid-19 em Parnamirim será ampliada mais uma vez. Serão contemplados, nesta nova etapa idosos com idade a partir de 63 anos, de acordo com o calendário a seguir:

– Quinta-feira: idosos a partir de *65 anos*, em todas as Unidades Básicas de Saúde (com exceção das UBSs de Coophab e de Passagem de Areia II), das 7h30 às 11h30 e das 13h às 16h; na Escola Municipal Presidente Artur da Costa e Silva, das 8h às 14h; e na Associação de Moradores da Cohabinal, das 8h às 14h.

– Sexta-feira: idosos com idade a partir de 64 anos, nos mesmos locais e horários acima;

– Sábado: idosos a partir de *63 anos

*Parnamirim amplia vacinação e novo drive-thur será realizado no sábado (10)*

A partir desta quinta-feira (8), a vacinação contra a Covid-19 em Parnamirim será ampliada mais uma vez. Serão contemplados, nesta nova etapa idosos com idade a partir de 63 anos, de acordo com o calendário a seguir:

– Quinta-feira: idosos a partir de 65 anos, em todas as Unidades Básicas de Saúde (com exceção das UBSs de Coophab e de Passagem de Areia II), das 7h30 às 11h30 e das 13h às 16h; na Escola Municipal Presidente Artur da Costa e Silva, das 8h às 14h; e na Associação de Moradores da Cohabinal, das 8h às 14h.

– Sexta-feira: idosos com idade a partir de 64 anos, nos mesmos locais e horários acima;

– Sábado: idosos a partir de 63 anos, em Drive-Thur no Parque Aristófanes Fernandes, das 8h às 14h.

A expectativa é que nos próximos dias o município receba mais doses do imunizante para dar continuidade aos demais grupos prioritários.