Eleições arriscam ter mais dinheiro e menos fiscalização, escrevem Marcelo Issa e Filippe Lizardo

Plenário da Câmara dos Deputados praticamente vazio na semana que atntecede o recesso branco. Brasilia, 15-07-2019. Foto: Sérgio Lima/PODER 360

Depois que o Congresso Nacional aprovou o aumento do próximo Fundo Eleitoral para R$ 5,7 bilhões, as discussões a respeito parecem restritas ao campo ético-normativo ou, quando muito, a meras projeções de custos a partir de pleitos anteriores.

Uma discussão aprofundada e produtiva sobre esse assunto, no entanto, não pode prescindir da análise sobre os processos e mecanismos de fiscalização de recursos públicos transferidos ao sistema partidário, os quais se encontram gravemente ameaçados pela reforma eleitoral em curso no Congresso.

Desde que o Supremo Tribunal Federal (STF) proibiu o financiamento empresarial de campanhas em 2015, o dinheiro público destinado às legendas tem observado um processo de vertiginoso crescimento. De 2009 a 2014, os partidos políticos receberam R$ 2,8 bilhões, em valores corrigidos pelo IGP-M, da FGV. Nos 6 anos seguintes, com o aumento substantivo do Fundo Partidário e a criação do Fundo Eleitoral, o valor corrigido chega a quase R$ 11,5 bilhões. Um crescimento de mais de 400% no mesmo período, enquanto os mecanismos de auditoria e fiscalização correspondentes permaneceram praticamente os mesmos.

Em 2014, havia 130 servidores em todos os tribunais regionais eleitorais do país para auditar as contas de mais de 27 mil candidaturas, que receberam cerca de R$ 370 milhões dos cofres públicos em valores corrigidos. Quatro anos depois, os mesmos servidores já tinham que fiscalizar o equivalente a R$ 3,4 bilhões de dinheiro público.

Se por um lado, nos últimos anos, a Justiça Eleitoral tem introduzido regras e instrumentos pontuais para dar mais transparência e alguma racionalidade aos processos de prestação de contas de partidos e campanhas, os recursos humanos e –principalmente– a infraestrutura tecnológica disponíveis ainda estão longe de ser suficientes para coibir irregularidades na aplicação desses recursos.

Mesmo nessas condições, a área técnica da Justiça Eleitoral consegue identificar inúmeros e recorrentes desvios. Basta consultar os acórdãos dos julgamentos de contas partidárias para constatar que as mesmas irregularidades ocorrem ano após ano, muitas vezes envolvendo até os mesmos personagens. São repetidos casos, implicando milhões em dinheiro público, para contratar serviços cuja prestação não se consegue comprovar, realizar benfeitorias em imóveis de dirigentes partidários ou adquirir produtos com sobrepreço em empresas pertencentes a seus parentes.

A auditoria das contas de campanha também apresenta aspectos de vulnerabilidade. A Justiça Eleitoral, via de regra, analisa de modo mais aprofundado apenas as contas dos vencedores. A contabilidade dos derrotados é examinada, em sua maioria, de modo simplificado, restrito à verificação de respeito ao teto de gastos, à existência de notas fiscais ou recibos associados às despesas pagas com recursos públicos e ao eventual recebimento de recursos sem identificação ou de fontes proibidas. Só nas duas últimas eleições, foram mais de 400 mil candidatos derrotados, a um custo de R$ 7,4 bi em valores atuais, mas os procedimentos adotados, como regra, não realizam checagens ou cruzamentos de dados capazes de identificar índicos de irregularidades graves.

Agora, ao mesmo tempo em que o valor do Fundo Eleitoral explode em plena pandemia, pretende-se enfraquecer ainda mais a fiscalização dos recursos públicos transferidos ao sistema partidário.

É nesse cenário que o Congresso Nacional discute a maior reforma político-eleitoral desde a redemocratização. Parte dela ocorre no Grupo de Trabalho da Câmara dos Deputados que elabora o Novo Código Eleitoral, com propostas que podem implicar imensos retrocessos para transparência, fiscalização e integridade das contas partidárias e eleitorais. Com mais de 900 artigos, o Projeto de Lei Complementar 111/2021 (íntegra – 2 MB) foi protocolado em 2 de agosto, primeiro dia da volta do recesso e, de acordo com declarações do presidente Arthur Lira (PP-AL), pode ser votado em Plenário já nas próximas semanas.

A proposta permite que as legendas utilizem o Fundo Partidário para custear qualquer despesa de interesse do partido, a critério de sua direção executiva (art. 66, XII). Hoje, a lei estabelece um rol limitado de usos, que necessariamente devem ter relação com as atividades próprias da vida partidária. Com essa alteração, despesas com confraternizações e eventos sociais sem qualquer caráter político, por exemplo, dificilmente poderiam ser questionadas.

Na outra ponta, o texto acaba com o sistema usado para prestação de contas pelos partidos, dificultando a fiscalização realizada pelos técnicos da Justiça Eleitoral (art. 68). Atualmente, as prestações de contas partidárias são informadas através de um sistema desenvolvido e implementado pela própria Justiça Eleitoral em 2018. A ideia é limitar as informações prestadas pelos partidos ao sistema de escrituração contábil da Receita Federal, que não apresenta informações suficientes para aferir de modo adequado a regularidade de despesas contraídas com recursos públicos.

É importante registrar também que o esvaziamento do sistema desenvolvido pela Justiça Eleitoral implicaria ainda gravíssimo prejuízo à transparência da contabilidade partidária, na medida que, ao contrário do que ocorre com a ferramenta utilizada hoje, o sistema da Receita Federal não exige padronização das informações nem permite extração de dados em formato aberto. A sociedade voltaria a ficar no escuro, sem condições objetivas de acompanhar como os partidos utilizam os recursos públicos que recebem todos os anos.

O projeto ainda determina que se o dinheiro público for usado de modo irregular pelos partidos, só haveria obrigação de devolvê-los em caso de “gravidade” (art. 68, § 10). Hoje, a lei determina que esses recursos sempre têm de ser devolvidos ao erário. Sem pudor, o texto condiciona a devolução aos cofres públicos de recursos usados irregularmente à subjetividade do que se possa considerar grave.

Como se não bastasse, estabelece um valor irrisório para multar os partidos pela desaprovação de suas contas (art. 68, § 10). A legislação atual impõe multa de até 20% sobre os gastos irregulares, os quais com frequência ultrapassam milhões de reais. Mas a proposta limita essa penalidade a R$ 30 mil, tornando praticamente inócua sua previsão.

E mesmo que a legenda seja condenada, o partido poderia rediscutir indefinidamente a aplicação de eventuais sanções. Isso porque se retira o caráter jurisdicional e atribui-se caráter meramente administrativo às prestações de contas (art. 68, § 12). Desde 2009, as prestações de contas dos partidos têm natureza jurisdicional, o que permitiu que os processos fossem submetidos ao trânsito em julgado, dando definitividade às decisões da Justiça Eleitoral, e colocando fim à prática reiterada de alguns partidos de ingressar com inúmeros pedidos de reconsideração que impediam o cumprimento das sanções impostas. Dar caráter administrativo às prestações de contas partidárias permitiria que as decisões da Justiça pudessem ser revistas a qualquer momento, facilitando, inclusive, a ocorrência de prescrição.

Em agosto do ano passado, o Transparência Partidária funcionou com amicus curiaenuma Ação Direta de Inconstitucionalidade proposta por 19 legendas, de todo o espectro ideológico, que combatiam precisamente o caráter jurisdicional dos processos de prestação de contas partidárias, do qual decorre a chamada preclusão, que é a regra que disciplina a apresentação de documentos dentro dos prazos fixados pela lei ou pelas autoridades judiciais.

Por unanimidade, o Supremo Tribunal Federal rejeitou o pedido dos partidos. O relator, ministro Gilmar Mendes, foi taxativo: “Caso levássemos a extremos a garantia de apresentação de documentos comprobatórios a qualquer tempo no curso da prestação de contas, como defendem os autores, bastaria a apresentação de provas, em grande quantidade documental, às vésperas do decurso do prazo legal de julgamento de contas pela Justiça Eleitoral para que o comando constitucional da prestação de contas fosse inteiramente esvaziado”.

Como não conseguiram obter essa licença do Judiciário, os partidos agora parecem querer fazê-lo modificando a legislação. E para garantir seu intuito, a proposta sorrateira ainda diminui justamente o prazo prescricional, que é período de que a Justiça Eleitoral dispõe para analisar as contas dos partidos, de 5 para 2 anos (art. 68, § 12).

Alega-se que tais providências dariam celeridade aos julgamentos das prestações de contas dos partidos. O argumento é esdrúxulo, dado que sob qualquer aspecto que se analise a questão, não se pode admitir que a busca pela agilidade ocorra em prejuízo da qualidade da fiscalização do uso de recursos públicos de tamanha monta.

E, como se viu, os avanços que nos últimos anos deram mais transparência e integridade às finanças de partidos e campanhas partiram da Justiça Eleitoral. Mas a proposta da Câmara dos Deputados quer retirar justamente o poder regulamentar do Tribunal Superior Eleitoral sobre os procedimentos para prestação dessas contas (art. 129). Com a mudança, toda regulamentação sobre o processo de auditoria do financiamento eleitoral e partidário ficaria a cargo unicamente do Congresso Nacional, que historicamente nessa matéria vem apenas flexibilizando obrigações e suavizando sanções.

É claro que o debate sobre as regras eleitorais é importante, mas não é urgente e tampouco prioritário. Que se façam ajustes e alterações pontuais na legislação eleitoral, mas uma reforma de tamanha proporção mereceria mais tempo, transparência e participação, especialmente quando se considera o cenário dramático, de carências cada vez mais graves e numerosas, que vivenciamos.

Mas é precisamente nesse contexto –e talvez até por conta dele– que uma combinação terrível parece aproximar-se: de um lado, um aumento exorbitante dos recursos públicos para o sistema partidário; de outro, um grande enfraquecimento da fiscalização sobre o uso desses recursos. Uma equação que certamente representaria um grande golpe na promoção da integridade de nossos partidos políticos e, portanto, na própria consolidação da democracia no Brasil.

Fonte: poder 360.

Comércio entre Brasil e Líbano despenca com pandemia e explosão em porto


A instabilidade causada pela pandemia e pela explosão no porto de Beirute, em agosto de 2020, fez com que as relações comerciais entre o Brasil e o Líbano despencassem.

O país do Oriente Médio importou US$ 3 milhões do Brasil no ano passado, queda de 69,1% em comparação a 2019, segundo dados da CCBL (Câmara de Comércio Brasil-Líbano). O superavit brasileiro foi de US$ 154 milhões.

No auge, em 2013, o Brasil exportou cerca de US$ 340 milhões ao Líbano. A corrente de comércio (importações mais exportações) ficou em torno de US$ 370 milhões. O país registrou queda a partir de então, em decorrência da escalada nos conflitos da Síria e da redução dos preços do petróleo.

Eis os índices no infográfico:

Na balança comercial brasileira em 2020, só 0,08% das exportações tiveram o Líbano como destino e 0,02% das importações vieram do país. O ano comercial é classificado por especialistas como “atípico”. Em 2013, ápice das transações, essas trocas representaram fatia de 0,14% na balança comercial do Brasil.

Queda do PIB

O PIB (Produto Interno Bruto) libanês começou a cair ainda em 2019, quando terminou o ano com US$ 55 bilhões. No ano seguinte, caiu para US$ 33,3 bilhões, queda de quase 40% em um único ano. Eis um panorama:

Os números antecipam o diagnóstico do Banco Mundial, publicado em maio deste ano, que coloca a instabilidade financeira e econômica do Líbano entre as 3 crises mais graves do mundo desde o século 19. Eis a íntegra do relatório (2 MB).

Com altos índices de insegurança alimentar, mais da metade da população libanesa está abaixo da linha de pobreza.

Acordo de livre comércio

O Mercosul discute um acordo de livre comércio com o Líbano há pelo menos 10 anos. “As negociações estão avançadas e devem conferir um benefício estratégico ao Brasil no Líbano”, disse o embaixador brasileiro em Beirute, Hermano Telles Ribeiro.

Apesar das divergências internas no Mercosul, entusiastas do acordo pressionam para uma resposta mais rápida. O argumento é que o tratado bilateral servirá para sustentar uma relação estratégica do Brasil.

Os países têm proximidade histórica: há mais libaneses e descendentes no Brasil que no próprio Líbano. Desde o século 20, 12 milhões de libaneses deixaram o Oriente Médio e cerca de 8,5 milhões migraram para a América Latina, sobretudo o Brasil.

“É um trabalho contínuo. O Líbano passa por problemas sérios e provavelmente o acordo com o Mercosul não está no topo das preocupações, mas o Brasil teria muito a acrescentar, como na qualificação de pequenas e médias empresas”, afirmou o secretário-geral da CCBL.

A assimetria no comércio bilateral, impulsionada pela disparidade de tamanho e populacional dos 2 países, não deve ser empecilho. “É importante que não olhemos para essa relação como um confronto entre exportação e importação, mas sim sobre os negócios que podemos ensejar, como a relação com outros países e a atração de investimentos”, pontuou.
Fonte: poder 360

Reforma do imposto de renda enfrenta resistência de médias empresas

A proposta de reforma tributária do imposto de renda é alvo de resistência de empresas médias integrantes do regime presumido, que abarca mais de 1 milhão de companhias (17% do total). O sistema integra negócios de menor porte que não foram abraçadas pelo Simples Nacional e nem tem tamanho robusto para integrar o complexo regime do lucro real (que inclui empresas com faturamento superior a R$ 78 milhões ao ano).

O relator da reforma no Congresso, deputado Celso Sabino (PSDB-PA), ficou responsável por atender os pleitos da sociedade e modificar o texto original elaborado pela equipe do ministro Paulo Guedes (Economia). Sabino tem mostrado para vários players uma planilha para defender o projeto. Alega que a reforma irá tirar bilhões das costas das empresas e tributar os dividendos distribuídos aos acionistas, quando houver lucro.

O texto apresentado até o momento corta o Imposto de Renda sobre as empresas em 12,5 pontos percentuais nos próximos 2 anos (de 25% para 12,5%) e institui uma alíquota de 20% sobre dividendos, além de outras medidas.

Para especialistas que acompanham o tema, os números divulgados pelo relator omitem informações. Avaliam que a medida da forma como está carece de mudanças, pois beneficia mais alguns setores do que outros. Eis alguns pontos:

  • lucro real – a carga tributária das empresas que faturam mais de R$ 78 milhões seria, na média, reduzida. Representam 3% do total de companhias no país e tendem a ter lucros menores em relação ao faturamento faturamento;
  • lucro presumido – empresas que faturam até R$ 78 milhões tendem a ter maior aumento de carga tributária porque distribuem percentual maior de lucro aos sócios. Pagariam mais impostos sobre dividendos. O sistema profissionais liberais “pejotizados”, como advogados, médicos e professores.

As empresas que declaram pelo lucro presumido respondem por 8% da arrecadação federal. As que se baseiam no lucro real, 82%. Associações setoriais têm defendido uma redução na alíquota sobre dividendos para companhias do lucro presumido. Umas das sugestões ouvidas pelo Poder360 é que o ideal seria 2,5% em 2022 e 5% nos anos subsequentes.

Integrantes do Simples Nacional já conseguiram pular fora do projeto. Depois de muitas críticas e sugestões de até do presidente da Câmara, Paulo Guedes afirmou que esse segmento terá isenção do tributo sobre dividendos. Cálculos do relator indicam que a renúncia fiscal adicional com isenção da categoria em 2022 será de R$ 50 milhões. Há que defende o mesmo para o lucro presumido, justificando baixo potencial arrecadatório. Seria uma forma de mitigar resistências ao projeto. Mas a própria Receita Federal resiste a mais mudanças no texto.

O governo pretende implementar as mudanças no início de 2022. Para isso, o texto precisa ser votado nos próximos meses.

O Poder360 apurou que um risco é, caso o texto seja aprovado da forma como está, resultar em aumentos ao consumidor. Por exemplo, setores como saúde, educação e imobiliário, que têm muitos profissionais “pejotizados” iriam repassar a conta aos seus clientes –o que dificultaria o avanço de seus negócios.

Fonte: poder 360.

STF manda Congresso decidir sobre tributação, mas projetos seguem travados

Fachada do Congresso Nacional. Sérgio Lima/Poder360 14.04.2021

O projeto de lei que o governo mandou para mudar Imposto de Renda é tratado como prioridade na Câmara dos Deputados. Mas há 3 outros itens quase parados que em fevereiro e março o STF (Supremo Tribunal Federal) mandou o Congresso regulamentar:

  • heranças no exterior – Estados não podem cobrar imposto sobre a transmissão de bens no exterior porque isso não é estabelecido ainda em lei; há projeto deste ano na Câmara;
  • partilha do ICMS – Estados de origem e destino dividem a arrecadação em compras on-line. Mas a regra do Confaz em vigor deixará de valer em 2022. O STF quer que seja aprovada lei sobre o tema. Há projeto de 2010 na Câmara;
  • imunidade de filantrópicas – algumas pagam Previdência e outras não. A exigência de contrapartida varia. O STF quer o tema regulamentado por lei complementar, não ordinária. Há projetode 2019 na Câmara

O líder do governo na Câmara, Ricardo Barros (PP-PR) é autor do projeto para taxar heranças no exterior, que está parado. Barros quer marcar uma reunião para tratar de todos os temas.

Ele criticou a expectativa de que se resolva tudo logo. “O ambiente político precisa ser construído. Não é determinado por decisão judicial. Vamos trabalhar nesses temas”, afirmou

Fonte: poder 360.

“Guardiães da Tradição”

Padre João Medeiros Filho

Em 16 de julho passado, o Papa Francisco publicou, sob a forma deMotu Proprio”, a carta apostólicaTraditionis custodes (Guardiães da Tradição). Esta vem causando celeuma entre alguns católicos. A polêmica reside em torno da liturgia, porém atinge aspectoseclesiológicos. em seu nascedouro, a Igreja de Cristo conheceu discordâncias. É o que se infere de Atos dos Apóstolos (capítulo 15) e várias passagens das epístolas paulinas. O catolicismo adota ritos latinos e orientais. Os primeiros desenvolveram-se na Europa ocidental – onde o latim predominou, no passado – e em nações colonizadaspor países europeus. Os demais originaram-se emcomunidades cristãs do Oriente Médio, da Ásia e Europa oriental. Um dos ritos latinos mais conhecidos é o de Pio V, também chamado tridentino. Vigorou, a partir de 1570, após a promulgação da bula “Quo Primum Tempore”.Sofreu algumas mudanças, sendo a última no pontificado de João XXIII, em 1962. O Concílio Vaticano II propôsuma revisão na liturgia ocidental, resultando daí o novoMissal Romano, aprovado em abril de 1969, em vigência desde 1970 e revisado em 2002.

Ultimamente, com o acolhimento de fiéis dissidentes, especialmente oriundos da Fraternidade São Pio X, do arcebispo Marcel Lefebvre, foi permitido o uso do ritualde Pio V. Em 2007, pelo “Motu Proprio” “Summorum Pontificum”, Bento XVI admitiu, em certas circunstâncias, a liturgia tridentina. O documento autorizava a qualquer sacerdote celebrar nessa modalidade litúrgica, anterior ao Vaticano II. Desde então, coexistem duas formas dentro do rito latino romano oficial: a ordinária promulgada por Paulo VI e a extraordinária, aprovada por Pio V. O Papa Francisco, peloTraditionis Custodes”, limitou ascerimônias tridentinas (sempre realizadas em latim). Estasdependem agora da validação do bispo em favor de grupos que as vinham celebrando. Pode ocorrer apenas em templos determinados pela autoridade eclesiástica, desaprovadas em igrejas paroquiais (cf. Art. 3, § 2). São proibidos novos grupos e paróquias seguindo esse rito(Art. 3, §§ 2 e 6). Em Campos dos Goytacazes (RJ), existe a única instituição brasileira assemelhada a uma diocesedesse gênero, criada para acolher fiéis outrora vinculados a Dom Castro Mayer.

Na justificativa dirigida aos bispos, explicando sua decisão, o Santo Padre afirmou: “Em defesa da unidade do Corpo de Cristo, sou obrigado a revogar a faculdade concedida pelos meus predecessores.” E continua: “O uso distorcido que foi feito desta faculdade é contrário às intenções que levaram a conceder a liberdade de celebrar a Missa no Missal Romano, de 1962. Para o atualPontífice, seus antecessores anuíram na celebração da missa de Pio V para encorajar a unidade da Igreja. Assim se expressa Francisco: “Uma oportunidade oferecida por São João Paulo II e, com ainda maior magnanimidade, por Bento XVI, destinada a recuperar a unidade de um corpo eclesial com diversas sensibilidades litúrgicas, foi explorada para alargar as lacunas, reforçar as divergências e encorajar discórdias que ferem a Igreja, bloqueiam o seu caminho e a expõem ao perigo da divisão.

A Santa Sé verificou que, em vários lugares, a celebração na forma extraordinária tornou-se uma rejeição ao Vaticano II e à sua eclesiologia. E, por vezes, vem proporcionando a formação de grupos com pessoasinsatisfeitas, diante das diretrizes pastorais da Igreja. Sem dúvida, em face do posicionamento político-ideológico de alguns clérigos, muitos fiéis se refugiaram sob o manto dessa liturgia. Em alguns casos, prevaleceram o modismo e a discordância às orientações eclesiásticas. No Brasil, qual o proveito dessas celebrações para o Povo de Deus, se há meio século, o latim deixou de ser ensinado nas escolas, ministrado minimamente nos seminários? É o questionamento de certos teólogos e pastores.

Deve-se ressaltar que “Guardiães da Tradição” nãoaborda questões dogmáticas ou morais, mas apenas assuntos disciplinares e cultuais. Um Motu Próprioequivale a um decreto no foro civil e não a uma lei, podendo ser revogado ou modificado pela autoridadelegitimamente constituída. Para tanto, o Papa detém competência, na qualidade de chefe supremo do catolicismo. No citado documento, Sua Santidade não altera decisões conciliares ou doutrinárias, mas aspectos normativos litúrgicos. Rezemos para que haja sempreum só rebanho e um só pastor.” (Jo 10, 16).

São Lucas grava um lindo vídeo mostrando as UTIs sem pacientes graves

Os profissionais de Saúde resolveram gravar um vídeo para mostrar as UTIs zeradas de pacientes graves. Esse hospital tem um atendimento diferenciado, estive lá durante 20 dias, quando fui acometido de COVID em janeiro 2021. Ao ver esse vídeo, emocionei-me ao lembrar dos profissionais de saúde, enfermeiros, técnicos, auxiliares, cozinheiros e médicos. Como não destacar MC Donai, Eva e Jane na cozinha, Dr. Sávio e Dr Ricardo, a enfermeira gêmea que não quer mais saber de casamento, enfim, estou aqui vivo podendo contar essa história de gratidão a Deus, a Flávia, minha companheira de luta, as orações de minha mãe, a água da pastora, as palavras de minha irmã Graça e a toda equipe do hospital São Lucas. Valeu lutar pela vida e em homenagem aos que não puderam comemorar esse momento, meus sentimentos de pesar. Registro, também, meu sentimento de esperança para que os casos de COVID sejam zerados em toda a rede pública e privada do país.

Auxílio Emergencial 2021: Caixa libera saques e transferências da 4ª parcela a nascidos em janeiro

A Caixa Econômica Federal (Caixa) libera nesta segunda-feira (2) os saques e transferências da quarta parcela do Auxílio Emergencial aos beneficiários que não fazem parte do Bolsa Família nascidos em janeiro, que receberam a parcela em poupança social digital no dia 17 de julho.

O pagamento da quarta parcela do auxílio terminou em 30 de julho tanto para esse público quanto para quem faz parte do Bolsa Família.

Os trabalhadores podem consultar a situação do benefício pelo aplicativo do auxílio emergencial, pelo site auxilio.caixa.gov.br ou pelo https://consultaauxilio.cidadania.gov.br/

Para sacar o dinheiro, é preciso fazer o login no aplicativo Caixa Tem, selecionar a opção “saque sem cartão” e “gerar código de saque”.

Depois, o trabalhador deve inserir a senha para visualizar o código de saque na tela do celular, com validade de uma hora.

O código deve ser utilizado para saque em dinheiro nas agências, nas unidades lotéricas ou nos correspondentes Caixa Aqui.

As agências da Caixa abrem de segunda a sexta-feira, das 8h às 13h. Não é preciso madrugar ou chegar antes do horário de abertura. Todas as pessoas que procurarem atendimento durante o horário de funcionamento serão atendidas.

Continua disponível aos beneficiários a opção de utilização dos recursos creditados na poupança social digital para a realização de compras, por meio do cartão de débito virtual e QR Code, pagamento de boletos, contas de água, luz, telefone, entre outros serviços.

Com o aplicativo Caixa Tem, também está disponível a funcionalidade para pagamentos sem cartão nas cerca de 13 mil unidades lotéricas do banco.

Veja abaixo os calendários de pagamento.

BENEFICIÁRIOS DO BOLSA FAMÍLIA

BENEFICIÁRIOS FORA DO BOLSA FAMÍLIA

Fonte: G1

Manifestantes fazem ato a favor de Bolsonaro e do voto impresso em Natal

Manifestantes realizaram, na tarde deste domingo (1º), um protesto a favor do presidente Jair Bolsonaro (sem partido) e do voto impresso, em Natal.

A manifestação, realizada simultaneamente em outras cidades brasileiras, foi convocado pelo próprio presidente nas redes sociais. O objetivo é demonstrar pressão popular favorável à Proposta de Emenda Constitucional (PEC), que tramita na Câmara, para que cédulas de papel voltem a ser usadas nas eleições de 2022.

Na capital potiguar, o ato começou às 15h, com a concentração na esquina das avenidas Nevaldo Rocha e Salgado Filho.

A maioria dos manifestantes usava camisetas com as cores da bandeira do Brasil. Eles carregam cartazes que pedem ‘Voto impresso auditável”. Os manifestantes usavam máscaras durante o ato.

Um outro grupo percorreu as ruas da capital em uma motociata em apoio ao presidente Jair Bolsonaro também no período da tarde.
Fonte: G1 RN

Mulheres ocupam 13% dos cargos de alto escalão em estatais

As mulheres ocupam 123 das 933 vagas existentes em cargos de chefia nas empresas controladas pela União. Trata-se de 13% do alto escalão das estatais, uma taxa bem menor do que a registrada no setor privado –no qual as mulheres ocupam posições de liderança em 77% das empresas (leia mais ao fim desta reportagem).

O levantamento sobre a presença feminina no alto escalão das estatais federais foi feito pelo Ministério da Economia a pedido do Poder360, com base nos dados do Relatório Agregado das Empresas Estatais Federais de 2020.

Eis a íntegra do levantamento e do documento da pasta.

Segundo o Ministério da Economia, 74% dos cargos de chefia das empresas controladas pela União estão nas mãos de homens. Outros 13% estão desocupados. A pesquisa considerou 46 companhias.

Eis a proporção da representatividade feminina em cada uma das atribuições consideradas como empregos de alto escalão:

  • diretoria-executiva: 7%;
  • conselho de administração: 14%;
  • conselho fiscal: 19%.

De acordo com o levantamento, 35 companhias avaliadas não têm mulheres na diretoria-executiva, ou seja, 76% do total de estatais avaliadas. É o caso de Petrobras, EBC, Infraero, Embrapa e Telebras.

Ao considerar o número de trabalhadores das empresas, em só 4 estatais a proporção de mulheres é maior que a de homens, sendo 3 do ramo da saúde. A outra é uma gestora de ativos que será privatizada. Eis a porcentagem:

  • Hospital Nossa Senhora da Conceição: 73%;
  • Hospital de Clínicas de Porto Alegre: 73%;
  • Empresa Brasileira de Serviços Hospitalares: 71%;
  • Empresa Gestora de Ativos: 56%.

Das 46 estatais, em 14 as mulheres não representam nem 25% do número de trabalhadores. A menor participação é na Petrobras: 16,6%.

ESPLANADA

As mulheres também comandam 13% dos 23 ministérios do governo de Jair Bolsonaro. São 3 ministras: Flávia Arruda (Secretaria de Governo), Tereza Cristina (Agricultura) e Damares Alves (Mulher, Família e Direitos Humanos).

SETOR PRIVADO

No setor privado, a situação é diferente. As mulheres ocupam posições de liderança em 77% das 295 empresas de capital aberto avaliadas pelo IBGC (Instituto Brasileiro de Governança Corporativa). São 640 executivas em 229 companhias.

De acordo com o levantamento do IBGC, realizado a pedido do Valor Investe e obtido pelo Poder360, 57% das empresas privadas de capital aberto têm ao menos uma mulher no conselho de administração. A presença feminina cai para 38% no conselho fiscal e 35% na diretoria.

Informações deste post foram publicadas antes pelo Drive, com exclusividade. A newsletter é produzida para assinantes pela equipe de jornalistas do Poder360. Conheça mais o Drive aqui e saiba como receber com antecedência todas as principais informações do poder e da política.

Fonte; poder 360

Bolsonaro recebe presidente de Portugal nesta 2ª feira, no Alvorada

Presidente da República, Jair Bolsonaro, recebe o Presidente da República de Cabo Verde, Jorge Carlos de Almeida Fonseca, em cerimônia oficial a ser realizada, Após o encontro será concedida uma declaração à imprensa, .Sérgio Lima/Poder360 30.07.2021

O presidente Jair Bolsonaro se reunirá nesta 2ª feira (2.ago.2021) com o presidente de Portugal, Marcelo Rebelo de Sousa. O encontro será realizado na residência oficial, no Palácio da Alvorada, às 12h.

Na semana passada, Bolsonaro recebeu o presidente de Cabo Verde, Jorge Fonseca, no Palácio do Planalto, e depois no Itamaraty, para um almoço. Tanto Fonseca quanto o presidente português vieram ao Brasil para participar da reabertura do Museu da Língua Portuguesa, em São Paulo, no sábado (31.jul). Os 2 presidentes também estiveram na posse de Bolsonaro, em 2019.

Para uma visita individual e fora da agenda de blocos econômicos, Marcelo Rebelo de Sousa é o 6º presidente a ser recebido por Bolsonaro. Assim como as viagens internacionais, os encontros bilaterais foram afetados pela pandemia de covid-19 na gestão de Bolsonaro.

O recordista de encontros com o presidente é o chefe de Estado do Paraguai, Mario Abdo Benítez, que compareceu à posse de Bolsonaro e se encontrou presencialmente com o atual chefe do Executivo outras 3 vezes.

Na lista de visitas está também a de Juan Guaidó, presidente da Assembleia Nacional da Venezuela e autoproclamado presidente interino do país. Em janeiro de 2019, Bolsonaro reconheceu Guaidó como presidente do país.

Leia a lista de chefes de Estado e governos com quem Bolsonaro se reuniu no Brasil durante seu governo:

Fonte: Poder 360.

Uma história de sucesso a frente da Assistência Social. Kátia Soares um exemplo humanidade e profissionalismo

 


Depois de vários anos sendo uma verdadeira Cirineu, aquele(a) que ajuda, carregando nas costa a pasta da Assistência Social, a servidora Kátia Soares foi exonerada pelo prefeito Taveira. Por muitos anos, ela não poupou esforços para servir ao povo parnamirinense com profissionalismo, competência, empatia e humanidade. Kátia é uma servidora abnegada e só pensa em ajudar ao próximo. Na vida, infelizmente, nem sempre recebe-se na mesma proporção. O coronel alega que o motivo da exoneração de Kátia foi a incompatibilidade em relação ao vínculo empregatício, visto que a Kátia é professora concursada de São José de Mipibu e estava exercendo suas atividades, por meio de uma parceria entre os municípios. A verdade é que Parnamirim perdeu uma profissional de excelência no campo da Assistência Social. Em suas redes sociais, Kátia Soares escreveu sobre o encerramento do seu ciclo na secretaria.
“Todo ciclo tem começo, meio e fim, e hoje chegou o meu na política pública de Assistência Social do Município de Parnamirim. Saindo com a consciência do dever cumprido e com a certeza que dei o meu melhor para que está andasse conforme a sua preconização. Foram 16 anos de muitos desafios, lutas diárias e dedicação quase que exclusiva, mas de momentos maravilhosos, pois quando o trabalho é feito com amor as dificuldades não são obstáculos intransponíveis. Assisti o SUAS nascer com sua tipificação e aprendi como se constrói uma política cheias de normativas, decretos, Leis, portarias…de uma hora para outra foi necessário se fazer um reordenamento e tudo deu certo… Só tenho a agradecer pelo aprendizado e pela oportunidade de está ao longo desses 16 anos na Política de Assistência Social do Município, a qual ocupei vários cargos e cada um foi abraçado com amor e dedicação. Gratidão especial a todos que ao longo desses anos tive a honra e prazer em trabalhar e aprender…ganhei grandes amigos que levo para a vida, a COMUNIDADE que sempre me abraçou com amor e carinho meu muito obrigada e gratidão.
Estamos neste plano para servi e acolher e continuarei trabalhando com o mesmo objetivo, para o outro e pelo outro, pois sozinhos somos muito pequenos.”

 

Ouro no surfe em Tóquio, Ítalo Ferreira desembarca em Natal: ‘Só quero ir para casa’


O campeão desembarcou em Natal pouco antes das 2h. De lá, ele mesmo pegou um carro e saiu dirigindo rumo a Baía Formosa,cidade onde mora com a família a 95 km da capital potiguar.

Antes de pegar estrada, o surfista conversou no aeroporto com jornalistas, com fãs e posou para fotos. Ítalo mostrou a medalha, disse estar muito feliz, mas admite que ainda está se dando conta da magnitude da conquista.

“Estou meio perdido com o que está acontecendo, mas estou bem feliz com o meu trabalho, me dediquei bastante para o resultado”, completou.

Caminho do ouro: veja a trajetória de Italo Ferreira nas Olimpíadas
Caminho do ouro: veja a trajetória de Italo Ferreira nas Olimpíadas

Ítalo conquistou o ouro olímpico — o primeiro e, por enquanto, único do Brasil em Tóquio — na madrugada de terça-feira ao vencer na final o japonês Kanoa Igarashi. O surfe estreou em Olimpíadas neste ano. Assista ao VÍDEO acima.

Os títulos, prêmios e o reconhecimento profissional não fizeram Italo Ferreira sair de Baía Formosa. É na pequena cidade com pouco mais de 9 mil habitantes que ele vive até hoje.

Após as temporadas de competições é pra lá que ele sempre volta. “Aqui é um lugar especial, é onde tudo começou. Surfar aqui no Pontal é sempre espetacular. O mar é muito bom e as ondas são sensacionais”, disse o surfista em 2015.

A família e os amigos de infância também continuam por lá. No início do ano, Ítalo anunciou que pretende criar um institutopara ajudar crianças do município que se inspiram nele a também seguirem no surfe. A sede deverá ser a casa onde ele morava com a avó, que atualmente é uma pousada da família.

Na terça, os moradores da cidade saíram às ruas ainda durante a madrugada e amanheceram comemorando o primeiro ouro olímpico do surfe nas Olimpíadas. Também o primeiro conquistado por um potiguar.

Depois do ouro de Ítalo, cresceu o interesse na internet por Baía Formosa, e o setor do turismo pretende usar a visibilidade para atrair mais pessoas. Há cerca de 30 pousadas no município.

Fonte: G1 RN

Bolsonaro diz que, se pedir, reúne 1 milhão de pessoas na avenida Paulista


O presidente Jair Bolsonaro disse que consegue convocar uma manifestação de apoio ao seu governo reunindo mais de 1 milhão de pessoas na avenida Paulista, em São Paulo. A declaração foi feita em livesemanal transmitida pelo seu perfil nas redes sociais.

“Eu tenho certeza, se eu pedir ao povo no dia tal, comparecer na [avenida] Paulista em São Paulo, que é o município mais tenso do Brasil, vai comparecer 1 milhão de pessoas lá”, declarou.

O mandatário comentava sobre o apoio da população ao voto impresso nas eleições. “Se a demonstração popular não sensibilizar as autoridades do Brasil, o que podemos esperar? Que o povo se revolte? Nós queremos isso?”.

Bolsonaro também disse que a vacinação contra a covid-19 não deve ser obrigatória, e que se o Congresso Nacional aprovasse tal determinação, vetaria. “Quase nada tem que ser obrigatório no Brasil”, disse.

O presidente ainda falou que será o último a se vacinar. “[Depois que] todos se vacinaram, eu vou lá me vacinar”.

Fraudes

A live teve o objetivo de demonstrar supostas provas de fraudes nas eleições. Bolsonaro utilizou a maior parte de sua exposição para fazer críticas a opositores, ao TSE (Tribunal Superior Eleitoral) e para defender a adoção do voto impresso.

Diferente do que disse que faria, o chefe do Executivo mudou o tom e não falou em “provas” que antes havia mencionado para indicar as supostas fraudes nas eleições anteriores. Disse que há “indícios fortíssimos ainda em fase de aprofundamento que nos levam a crer que temos que mudar esse processo eleitoral”. E completou: “Não temos provas, vamos deixar bem claro, mas indícios“.
Fonte: poder 360.

Tudo é política, escreve Kakay

Um grupo com cerca de 40 indígenas subiu na cúpula do Congresso Nacional para protestarem contra o projeto de lei sobre a demarcação de terras indígenas que está na pauta da CCJ (Comissão de Constituição. O texto determina que a demarcação de terras indígenas seja feita por lei e não mais por decisão dos órgãos competentes, como a Funai (Fundação Nacional do Índio), o que na prática torna a demarcação mais complexa, já que teria que passar pelo crivo dos deputados e senadores.Sérgio Lima/Poder360 08Jul2021

A política talvez seja uma das artes mais difíceis e delicadas. Sou um observador atento do mundo político. Jamais fiz política partidária, mas, na verdade, faço política o tempo todo, quando escrevo, quando debato e quando assumo convicções frente aos conflitos. Na realidade, o jeito da pessoa se posicionar, até mesmo na forma de se vestir, pode demonstrar um ponto de vista político, um protesto ou um sinal. A foto da Leila Diniz, grávida e de biquíni, teve mais significado do que muitos discursos feministas.

Como costumo dizer, o que a advocacia me deu de mais importante foi ter voz. E usá-la é uma ação política. Por isso percorri o Brasil, ao longo de 4 anos, denunciando a corrupção do sistema de justiça perpetrada pelo nefasto ex-juiz Sérgio Moro e seus procuradores de estimação, numa época em que eles eram endeusados. Foi, sem dúvida, uma opção política. Andei com Clarice Lispector ao meu lado: “O que verdadeiramente somos é aquilo que o impossível faz em nós.”

Penso que só avançamos quando conseguimos ter um debate político de alto nível. O Brasil foi derrotado pelo nazifascismo com um discurso pensado e trabalhado de que era necessário afastar a política do poder. Uma manipulação rasteira, exatamente de uma grande massa que pensa que a política é um mal.

No início, pareceu-me ser um maniqueísmo que não daria certo, até porque o candidato que se apresentou era tosco e despreparado. Bolsonaro só foi escolhido pelos seus defeitos.

Seria difícil encontrar uma pessoa, ainda mais um político tradicional, com 28 anos de Congresso, que reunisse naturalmente tantas desqualificações. Se pedíssemos a um cidadão para assumir todas as conhecidas faces do atual presidente, certamente ele diria que seria impossível, pois ninguém pode reunir tantos desacertos numa só pessoa. Mas era o discurso que esse grupo trabalhava.

E não foi só no Brasil. Veja que os EUA elegeram o Trump. Não leram nada, muito menos o velho Saramago, no “Ensaio sobre a cegueira”:

A consciência moral, que tantos insensatos têm ofendido e muitos mais renegados, é coisa que existe e existiu sempre, não foi uma invenção dos filósofos do Quaternário, quando a alma mal passava ainda de um projeto confuso.

Perdemos para a política que dizia não ser política, sendo. Claro que, para chegar ao resultado desejado, todos os meios foram utilizados, sem limites, como o uso profissional das fake news, o discurso do ódio e a mentira como estratégia.

Limites que, por sinal, só existem quando a política os impõe. Mais uma vez, a derrota da política levou à assunção do caos. É evidente que teve e tem, sempre, todo um interesse econômico e financeiro para sustentar o poder. Mas essa é outra discussão.

Recentemente, tivemos no país um impeachment de uma presidenta que, hoje, todos reconhecem que não cometeu crime algum. Talvez o único crime tenha sido o de não fazer política. E de ter como vice um membro do PMDB, partido que serve tanto para dar sustentação como para desestruturar. Exatamente como o PP. É natural ver discursos, especialmente os da chamada esquerda, de ódio contra os políticos de centro e centro-direita, que parecem servir somente para serem usados como escada para os puros chegarem ao poder.

Lembro-me de criticar duramente a decisão do ministro Gilmar que impediu a posse do ex-presidente Lula na Casa Civil. Fiz isso por entender que era um ato de competência exclusiva da presidência, insuscetível de controle por parte do Judiciário. Mas o que estava em jogo era a política e mexeu com os destinos do país.

Com o Lula na Casa Civil, na minha visão, teria sido impossível o impeachment. O Lula é a política, respira e vive disso. E sabe como ninguém fazer desse dom uma força da natureza.

Sem ser propriamente de esquerda, tornou-se o maior líder da esquerda no Brasil, com um respeito internacional que levou o país a ser reverenciado no mundo inteiro. Isso também é fazer política, e de maneira admirável. O Lula só enfrentou tantos reveses pelas suas qualidades. Essa é uma das contradições da vida política.

Estamos agora, mais uma vez, acompanhando o movimento das peças no tabuleiro político. O tabuleiro é o mesmo, mas parece que estão saindo as peças do jogo de damas, mais simples, quase óbvio, para entrar as do xadrez. Como nós nos posicionarmos é que definirá o que pode acontecer.

Tenho escrito e falado sobre a necessidade de a CPI (Comissão Parlamentar de Inquérito) elaborar um relatório parcial. É preciso dar corpo ao trabalho que já foi feito, que evidencia a responsabilidade criminosa do presidente e de alguns assessores na condução da crise sanitária.

Não há mais dúvida de que Bolsonaro é um serial killer que cometeu crimes de responsabilidade em série. E crimes comuns, como bem exposto pela comissão indicada pelo Conselho Federal da OAB, a qual tive a honra de integrar.

Já passou da hora de fazer chegar o resultado da investigação feita pela CPI aos órgãos competentes. E aí esperar que a Câmara, a PGR (Procuradoria-Geral da República) e o TCU (Tribunal de Contas da União) cumpram seus papéis constitucionais.

Na política, o tempo pode ser aliado ou algoz. O mundo inteiro já sabe que o governo Bolsonaro é retratado pelo jagunço armado na questão da terra, pela afinidade com as práticas nazistas, pelo desprezo aos direitos das mulheres e dos negros, pela apologia da tortura e culto à morte, pelo negacionismo criminoso. Pelo caos, enfim. O desdém pela cultura é o retrato representativo desses governantes incultos e banais.

Mas nós queremos o Brasil de volta. Um resgate da identidade que o fazia ser respeitado e admirado mundo afora. O país de uma fadinha nordestina que a todos encanta. Da Rebeca, que representa a raça negra, a mesma que é tratada como sub-raça por um governo nazista. Do trabalhador anônimo, que hoje luta contra a taxa recorde de 14,7% de desemprego. Do pai e mãe de família, que não conseguem colocar comida na mesa. Dos que ainda insistem em investir na educação e na cultura, enquanto prossegue o desmonte deliberado do governo nessas áreas. Daquele que foi sufocado pela falta de ar e morreu por tomar medicamentos sem respaldo da ciência, enquanto o SUS (Sistema Único de Saúde) era sucateado e a produção científica largada às traças.

O Brasil que está estraçalhado é o nosso país e a responsabilidade de resgatá-lo é de todos nós. E é fazendo política, cada um ao seu modo, que teremos chance de mudar a atual face de um Brasil tão sofrido. Continuarei pregando a necessidade do impeachment,pois entendo que o país não pode esperar. Mas reconheço que o jogo político mudou e hoje estamos mais distantes do processo de destituição do presidente.

E o cenário mudou por uma série de jogadas políticas. É assim que se faz na democracia. Justamente um governo que se elegeu com a plataforma da não política, investe agora na tradicional política para se safar do desastre que ele mesmo criou. Esse é o jogo.

Devemos não só o respeitar, mas mostrar para a sociedade que, no novo tabuleiro, tem espaço para uma política que tenha como norte a Constituição e como meta um país mais igual, mais justo e mais solidário. E é na política que vamos virar o jogo. Apoiando-nos na poesia de Florbela Espanca:

Trago no olhar visões extraordinárias, de coisas que abracei de olhos fechados.”

Fonte: poder 360.

Decreto autoriza que shoppings, cinemas, teatros e igrejas funcionem com 75% da capacidade em Natal

A Prefeitura de Natal autorizou que shoppings, teatros, cinemas e igrejas funcionem com 75% da capacidade máxima. A medida foi publicada em decreto na edição desta quarta-feira (28) do Diário Oficial do Município (DOM).

De acordo com o município, essa reabertura aconteceu devido à queda da ocupação de leitos na capital. Segundo o Regula RN, na Grande Natal a ocupação é de 43% nesta quarta.

A mesma determinação vale para realização de reuniões corporativas, como treinamentos, seminários, cursos, simpósios e palestras, em auditórios e salões, localizados em instituições públicas e privadas, inclusive empresas e hotéis, além de realização de sessões solenes de colação de grau.

A partir de 19 de agosto, todos esses estabelecimentos poderão funcionar com 100% da sua capacidade máxima de ocupação, segundo decreto municipal.

“O momento continua sendo de união de esforços. Vamos caminhar olhando pra frente e sair, aos poucos, dessa situação com responsabilidade. As ações da Prefeitura sempre são direcionadas de acordo com o baixo índice de leitos ocupados nos nossos hospitais”, disse o prefeito Álvaro Dias (PSDB).

O comércio “de porta para a rua”, as galerias comerciais e os centros comerciais continuam autorizados a funcionar das 7h às 20h, de segunda-feira a sábado. Já os centros de artesanato ficam abertos das 07h às 22h todos os dias da semana, inclusive domingos e feriados.

Os supermercados, hipermercados e atacarejos, bem como suas respectivas galerias comerciais estão permitidos a funcionar das 7h às 22h, todos os dias da semana, domingos e feriados.

Os buffets, casas de recepções e eventos, salões de festas, associações e clubes sociais poderão funcionar com o número de 200 pessoas presentes simultaneamente, atingindo a marca de 25% do limite de ocupação da área, segundo o novo decreto.

O decreto do Governo do RN, no entanto, permite atualmente eventos com 150 pessoas, inclusive na capital Natal. A referência usada pelo governo do estado é o indicador da pandemia – a capital está em zona verde, com índices mais seguros de transmissão, internação e morte por Covid.

De acordo com o decreto da prefeitura, a partir de 5 de agosto, o limite avança para 400 pessoas; em 19 de agosto para 600 pessoas; em 2 de setembro para 800 pessoas. Em 16 de setembro, o limite será o da capacidade máxima de ocupação do estabelecimento.
Fonte: G1 RN