Deputado diz que vai pedir ao PSL para suspender Eduardo Bolsonaro

O deputado Junior Bozzella (PSL-SP) informou que pedirá ao PSL para suspender o deputado Eduardo Bolsonaro (PSL-SP) das funções partidárias.

Eduardo Bolsonaro é filho do presidente Jair Bolsonaro e está no centro da disputa pela liderança do partido na Câmara.

Enquanto a ala bolsonarista tenta assumir o posto, o grupo ligado ao presidente do partido, Luciano Bivar, quer manter o deputado Delegado Waldir (PSL-GO) na função.

“Vou entrar com uma representação no partido pedindo a suspensão das suas funções partidárias e também encaminhar processo no nosso Conselho de Ética. Ele [Eduardo] vem agredindo deputados e o próprio partido de forma injusta e irresponsável. Quanto antes suspender, melhor”, disse Bozzela.

Além da suspensão, aliados de Luciano Bivar também querem que Eduardo Bolsonaro seja retirado da presidência do partido em São Paulo, e o senador Flávio Bolsonaro (PSL-RJ), da presidência da legenda no Rio de Janeiro.

“O problema não é Jair Bolsonaro, o problema são os filhos, que atrapalham ele. Nós estamos há uma semana com o país parado por causa dos caprichos de um dos filhos, que quer ser tudo e não é nada e vive atacando integrantes do partido”, declarou Bozzela.

Ele se referiu à tentativa de Eduardo de assumir a liderança do PSL e ao fato de o presidente Jair Bolsonaro já ter dito que indicará o filho para a Embaixada do Brasil em Washington (EU).

(G1)

NOVA POLÍTICA? Com Bolsonaro, Presidência aumenta em 24% gastos com cartões

Os gastos com cartões de crédito da Presidência da República entre fevereiro e setembro deste ano aumentaram 24% em relação ao mesmo período do ano passado.

Segundo O Globo, a Secretaria de Administração do Palácio do Planalto desembolsou R$ 4,6 milhões com os cartões.

Em relação ao mesmo período de 2017, o aumento foi de 55%.

As compras para Jair Bolsonaro, vale lembrar, são sigilosas.

(O Antagonista)

Bolsa Família completa renda de 13,5 milhões de famílias em outubro

O ministério da Cidadania anunciou na tarde de ontem (18) que 13,5 milhões de famílias terão direito ao crédito do programa Bolsa Família no mês de outubro. Beneficiários do programa que estão em situação regular de cadastro têm até 90 dias para efetuar o saque.

O Bolsa Família é um programa de transferência direta de renda para as famílias registradas no Cadastro Único para Programas Sociais do Governo Federal (CadÚnico). A iniciativa é voltada para famílias pobres ou extremamente pobres, que ocupam uma faixa de renda mensal de até R$ 178 por pessoa.

As regras do programa exigem, ainda, que crianças de 0 a 7 anos estejam com o cartão de vacinação em dia. Para famílias com adolescentes, a frequência na escola também é um requisito. Pelo menos 85% de presença nos dias letivos para a faixa etária de 6 a 15 anos, e 75% para jovens de 16 a 17 anos.

13ª parcela

O presidente Jair Bolsonaro enviou ao Congresso uma medida provisória (MP) no dia 15 de outubro que prevê o pagamento de uma 13ª parcela do benefício – uma de suas plataformas de campanha em 2018 -. “Nós sabemos que pode ser até pouco para quem recebe, mas pelo que eles têm, é muito bem-vindo esse recurso”, relatou o presidente durante a assinatura da MP.

De acordo com o ministro da Cidadania, Osmar Terra, o benefício será fixo a partir do ano que vem, onde deverá ser previamente alocado na previsão do Orçamento.

É possível tirar dúvidas e se informar sobre o programa através do telefone 0800 707 2003, serviço mantido pelo ministério da Cidadania.

(Agência Brasil)

BRIGA ENTRE BOLSONARO E BIVAR, VAI SOBRAR PARA O PSL DO RN.

A capital Federal, Brasilia/DF, pega fogo entre as alas Bolsonarista x Bivaristas. Tudo isso por conta do comando de quase 800 milhões de reais, oriundos do fundo partidário e da quota do fundo eleitoral. O presidente Luciano Bivar se articulou e derrubou uma tentativa de destituir o líder bivarista na Câmara, delegado Waldir. Aqui no RN, o grupo do deputado federal General GIRÃO poderá ser destituído nos próximos dias,uma fonte me garantiu, a exemplo de outros estados que após a vitória do delegado Waldir, que continua no comando da liderança do PSL na Câmara, diretórios regionais leais a Bolsonaro já serão destituídos. A qualquer momento, teremos resultados práticos dessa confusão.

Em projeto-piloto, Enem 2020 será digital para 50 mil inscritos

O Inep (Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais) vai iniciar em 2020 a aplicação digital do Enem. A proposta, que será progressiva e tem previsão atingir a totalidade das provas em 2026, começará como um modelo-piloto com 50 mil participantes de 15 capitais.

Serão contempladas na primeira fase Belo Horizonte, Belém, Brasília, Campo Grande, Cuiabá, Curitiba, Florianópolis, Goiânia, João Pessoa, Manaus, Porto Alegre, Recife, Rio de Janeiro, Salvador e São Paulo. Nessas cidades, candidatos poderão optar, no ato da inscrição, pela prova tradicional ou pela digital.

O governo pretende oferecer várias datas para a realização do exame feito pelo computador, mediante o agendamento prévio do candidato. A prova em papel continuará a ser aplicada em dois domingos. Em 2020, elas acontecerão nos dias 11 e 18 de outubro. Os resultados dos dois modelos de provas serão divulgados em conjunto.

No primeiro ano de aplicação de provas digitais, ainda haverá um terceiro exame, chamado de reaplicação.

Ele será destinado a candidatos que foram prejudicados por algum problema de infraestrutura ou de logística durante a prova com uso do computador. Nesse caso, a reaplicação será feita no modelo em papel.

Até 2025 haverá em todos os anos a opção pela prova impressa. O número de aplicações dos testes digitais deve aumentar gradualmente. Para 2021, por exemplo, são previstas pelo menos quatro datas para o exame.

A mudança de modelo é significativa para um país com exclusão digital. Ela havia sido prevista por outras gestões, mas nunca avançou.

O presidente do Inep, Alexandre Lopes, disse à Folha acreditar que a mudança vai ajudar a induzir o processo de inclusão.

“Quando coloca o Enem digital em 2026, cria essa pressão positiva com relação ao poder público municipal, estadual e federal. Você [governante] tem que providenciar a seus alunos os meios para que ele possa concorrer no Enem digital daqui seis, sete anos. Essa preocupação vai chegar na redes, mas também na própria sociedade para que as pessoas corram atrás”, diz.

Para Lopes, o novo formato reduzirá desigualdades de oportunidades ao permitir que alunos de locais mais distantes façam mais de uma vez a prova sem necessidade de longos deslocamentos.

O entendimento dentro do Ministério da Educação é que, no meio digital, há também a possibilidade de uso de questões em outros formatos, com vídeos e até games.

Outra justificativa do governo para a mudança do modelo de aplicação do exame é a economia com a impressão —mais de 10,2 milhões de provas serão impressas para a edição de 2019, com custos que ultrapassam os R$ 5 milhões.

Mas, além do desafio da exclusão digital, o maior entrave para ter um Enem aplicado em mais de uma data sempre foi o reduzido número de questões disponíveis para dar conta de várias edições. Desde 2009, o exame passou a ser elaborado com base na TRI (Teoria de Resposta ao Item), modelo que permite a formulação de provas com perguntas diferentes mas dificuldade similar.

Sem garantir o mesmo grau de dificuldade, é impossível permitir que pessoas façam provas diferentes, em datas diversas, e continuem a disputar uma vaga em uma universidade em grau de igualdade.

Para chegar a isso, os itens do Enem precisam passar por um pré-teste —um conjunto de pessoas responde às questões antes de elas serem usadas na prova.

É com o resultado dessa avaliação preliminar que os técnicos do Inep conseguem medir vários atributos do item, como grau de dificuldade e chance de acerto no chute. Dessa forma, elaborar questões para o

Enem é um processo complexo, razoavelmente demorado e que envolve custos.

O presidente do Inep diz que o órgão já está em um “processo exponencial de criação de itens”, apesar de não revelar a quantidade dos que foram produzidos até agora. Também não há informações sobre o tamanho atual do Banco de Itens, dados que também eram considerados reservados em gestões passadas.

A escassez de questões já provocou uma crise no Enem. Na edição de 2011, o exame trouxe um conjunto de 14 perguntas idênticas às exigidas em um simulado de uma escola de Fortaleza. Descobriu-se que elas haviam sido roubadas do pré-teste realizado na escola no fim do ano anterior.

A repetição de tantas questões no Enem de um mesmo pré-teste revelou a precariedade do banco até aquele momento.

(Folhapress)

Justiça deixa prescrever processo contra Edir Macedo já pronto para julgamento

A lentidão da Justiça resultou na prescrição do processo criminal contra o líder da Igreja Universal do Reino de Deus, Edir Macedo, 74, e o Bispo João Batista, 75, ambos acusados de lavagem de dinheiro e outros delitos.

Segundo o Ministério Público Federal, a ação penal completou oito anos sem julgamento em setembro, e assim se esgotou o prazo legal para aplicar eventuais penas a Edir Macedo e ao Bispo João Batista, que é vereador pelo Republicanos em São Bernardo do Campo, na Grande São Paulo.

Edir Macedo foi inicialmente denunciado sob a acusação de quatro crimes: lavagem de dinheiro (atingido pela prescrição no mês passado), evasão de divisas, associação criminosa e falsidade ideológica. Todos esses delitos agora estão prescritos.

Em nota, a Igreja Universal do Reino de Deus afirmou que as acusações na ação penal “são completamente equivocadas, além de quase idênticas a outras que deram origem a processos e inquéritos já julgados e arquivados”.

O processo, na 2ª Vara Criminal Federal em São Paulo, já havia superado no ano passado a etapa de alegações finais das partes e, desde então, estava pronto para receber sentença. Mas até hoje aguarda uma decisão.

O crime de lavagem de dinheiro tem pena máxima de 10 anos de prisão e prazo prescricional de 16 anos. Porém os dois réus são beneficiados pela regra do Código Penal que reduz pela metade a contagem da prescrição para os acusados com mais de 70 anos de idade —de 8 anos, então, no caso deles.

Já os crimes de evasão de divisas e associação criminosa tiveram as prescrições decretadas no ano passado pela vara federal, que tem como titular a juíza Silvia Maria Rocha. O de falsidade ideológica teve a prescrição reconhecida logo no início do processo.

De acordo com o procurador da República Sílvio Luís de Oliveira, responsável pelo processo, quando  ocorrer o julgamento e se houver condenações, a execução das penas somente poderá ser determinada  em relação aos outros dois réus na causa, o ex-bispo Paulo Roberto Gomes da Conceição e a executiva Alba Maria Silva da Costa, em razão das prescrições.

Quanto ao suposto crime de lavagem de dinheiro, em suas alegações finais no ano passado o procurador pediu a absolvição de Macedo e do Bispo João Batista.

A mudança na orientação da Procuradoria ocorreu porque, ao analisar a denúncia, em 2011, o juiz Marcelo Costenaro Cavali, que substituía Rocha, discordou da acusação do procurador de que a origem da lavagem de capitais tinha sido um estelionato contra fiéis da igreja.

O juiz entendeu que a lavagem de dinheiro tinha sido precedida por evasão de capitais e determinou que o processo seguisse sob essa linha de acusação.

Porém, nas alegações finais, o procurador disse que não havia provas suficientes para demonstrar a lavagem de capitais antecedida por evasão de divisas —e então pediu as absolvições.

O requerimento do procurador, todavia, não obrigou a juíza a seguir a orientação do Ministério Público, e a magistrada poderia condenar ou absolver Macedo e Bispo João Batista de acordo com seu entendimento sobre os aspectos técnicos da causa.

CAMINHO DO PROCESSO

O processo começou em setembro de 2011, após a denúncia criminal da Procuradoria relatar que dirigentes da Universal adotaram estratégias para usar o dinheiro doado por fiéis em operações financeiras fraudulentas e, assim, comprar emissoras de TV e rádio e bens.

De acordo com o procurador, o esquema utilizou empresas offshore sediadas em paraísos fiscais e contas bancárias no exterior. A acusação apresentou um histórico das operações financeiras atribuídas a dirigentes da Universal desde o começo de década de 1990.

As transferências de dinheiro vivo também ocorreram entre porta-malas de carros, nos estacionamentos de templos da Universal ou entre cofres alugados em uma mesma instituição financeira, de acordo com os depoentes.

Os doleiros a serviço dos réus também encaminharam valores para contas controladas por pessoas ligadas à Universal em cinco bancos nos Estados Unidos, segundo a acusação.

O dinheiro voltou ao Brasil por meio de empréstimos realizados pelas offshores em favor de pessoas ligadas à Universal, que atuavam como laranjas, e os recursos foram usados para comprar participações em emissoras de rádio e TV e bens, de acordo com a denúncia.

Segundo o Ministério Público, dados oficiais fornecidos pela Receita Federal mostram que a Universal arrecadou mais de R$ 5 bilhões de 2003 a 2006.

Em junho de 2005, quando era deputado federal e presidente da Universal, o Bispo João Batista foi abordado pela polícia no aeroporto de Brasília com malas de dinheiro que abrigavam cerca de R$ 10 milhões em espécie.

Os valores foram apreendidos e no dia seguinte o Bispo João Batista, que era filiado ao PFL, atual DEM, foi expulso do partido. Ele e a Universal alegaram à época que o dinheiro era proveniente de doações de fiéis.

OUTRO LADO

A juíza Silvia Maria Rocha afirmou, por e-mail, que o processo relativo aos bispos da Universal “teve problemas graves desde o início quando outro juiz de primeira instância, a quem não me cabe declinar o nome, rejeitou significativa e parte importante da denúncia, onde estavam descritas grande parte das condutas delituosas imputadas a esse réu”.

(FOLHAPRESS)

Gilmar Mendes suspende medida de Bolsonaro que dispensava publicação de atos públicos em jornais

O ministro Gilmar Mendes, do STF (Supremo Tribunal Federal), suspendeu a eficácia imediata da medida provisória que dispensava prefeituras, governos estaduais e o governo federal de publicar atos administrativos em jornais de grande circulação.

Ele determinou que a MP 892/2019, editada pelo presidente Jair Bolsonaro, não gere efeitos até que seja analisada pelo Congresso Nacional.

O magistrado afirmou no despacho que a MP pode causar “grave e irreparável dano” aos jornais de grande circulação, “especialmente na esfera municipal”.

Informações da Associação Nacional de Jornais demonstrariam, segundo escreveu, a urgência na concessão da medida.

“Em curto espaço de tempo, e antes mesmo da confirmação da Medida Provisória pelo Congresso, os efeitos de sua edição estão, supostamente, afetando a imprensa, especialmente nos municípios, levando ao fechamento ou diminuição de circulação, afetando a própria liberdade de imprensa, bem tão caro à democracia”, escreveu ele.

ação foi apresentada ao STF pela Rede Sustentabilidade. Nela, o partido argumentou que Bolsonaro objetiva, com a MP, “desestabilizar uma imprensa livre e impedir a manutenção de critérios basilares de transparência e ampla participação no âmbito das licitações”.

A Rede relacionou ainda “diversas situações” em que o presidente “dirigiu ataques a Grupos de Comunicação, como Grupo Globo e o programa Jornal Nacional, demonstrando seu descontentamento com a imprensa”.

​A legenda afirma ainda que, no dia em que a MP foi publicada, o presidente teria dito: “Eu espero que o [jornal] Valor Econômico sobreviva à medida provisória”.

(MÔNICA BERGAMO)

DEM articula fusão com ala pró-Bivar do PSL

 

A cúpula do DEM articula com o grupo político ligado ao presidente do PSLLuciano Bivar (PE), uma possível fusão entre os dois partidos. Na noite de terça-feira, o presidente da Câmara, Rodrigo Maia (RJ), disse a líderes do Centrão – bloco formado por DEM, PP, PL, Republicanos e Solidariedade – que, se o presidente Jair Bolsonaro sair mesmo do PSL, as negociações com a sigla comandada por Bivar podem avançar.

A “inconfidência” de Maia foi feita durante churrasco oferecido por ele ao deputado Alexandre Frota (SP), que comemorava 56 anos. Frota foi expulso do PSL em agosto, após criticar Bolsonaro, e se filiou ao PSDB. Na festa, ocorrida na residência oficial da Câmara, estavam integrantes do chamado “PSL bivarista”, além de políticos de outros partidos.

As conversas com a direção do DEM começaram pouco antes de a crise entre Bolsonaro e o PSL vir a público. Um dos participantes desses encontros contou que Bivar já pressentia um “fim tumultuado” do relacionamento. O Estado apurou que o presidente, por sua vez, também já havia manifestado interesse de migrar para o DEM.

Em maio, na convenção do DEM, o ministro da Casa Civil, Onyx Lorenzoni, disse que Bolsonaro mirava o DEM “com o olho de quem gostaria de voltar para casa”. Em 2005, quando era deputado, Bolsonaro foi filiado ao então PFL, hoje DEM. O partido tem três ministros – Saúde, Agricultura e Casa Civil.

Agora, porém, o grupo que está tratando da fusão é o de Bivar. A ala pró-Bolsonaro tenta destituir Bivar e seus aliados para comandar a legenda e os fundos partidário e eleitoral. Estão em jogo cerca de R$ 400 milhões de repasses públicos até 2020, ano de disputas municipais. A cifra pode chegar a R$ 1 bilhão até 2022, quando haverá eleição presidencial. Bolsonaro somente mudará de partido se a estratégia de “refundar” o PSL não vingar.

A crise anima o Centrão. Com cerca de 230 dos 513 deputados, esse núcleo planeja criar dificuldades para Bolsonaro “patrocinar” a formação de outra legenda, como mostrou o Estado. Em recente reunião na Câmara, dirigentes do bloco começaram a alinhavar as linhas gerais de um projeto que endurece a punição para deputados que mudarem de partido. A proposta tem o objetivo de atrapalhar os planos dos bolsonaristas, caso vingue a ideia da união entre os bivaristas e o DEM. No caso de uma fusão, nenhum parlamentar corre o risco de perder o mandato.

O DEM já tratou de fusão com o PSDB em um passado não muito distante, mas as conversas não prosperaram. Dirigentes de siglas envolvidas nas atuais negociações observaram que a chance de casamento entre o DEM e o PSL é hoje muito maior do que a aliança com os tucanos.

Adepto da ala bivarista, um deputado do PSL disse ao Estado, sob a condição de anonimato, que a união pode ser a saída para os parlamentares que não concordam com Bolsonaro. Nas últimas reuniões, as cúpulas dos dois partidos também chegaram a alinhavar como ficariam as principais candidaturas para as próximas eleições e qual seria o nome da nova sigla.

Em Salvador, por exemplo, DEM e PSL são aliados. Interessada em disputar a Prefeitura de São Paulo, em 2020, e com muitas resistências do PSL de Bolsonaro, a deputada Joice Hasselmann (SP) já teve várias reuniões com Maia e com o presidente do DEM, ACM Neto, para discutir uma possível filiação ao partido. Apesar de ser líder do governo no Congresso, Joice é considerada do grupo pró-Bivar.

No caso da disputa paulistana, porém, o movimento depende de uma estratégia casada com o governador João Doria. Pré-candidato à sucessão de Bolsonaro, Doria apoia oficialmente a campanha à reeleição do prefeito Bruno Covas (PSDB).

O presidente do DEM, ACM Neto, não quis dar detalhes sobre as negociações para a fusão com o PSL de Bivar. “Sendo um assunto muito sério, não vou tratar disso a título de especulação”, afirmou ele. Procurado, Maia preferiu não se manifestar.

(ESTADÃO CONTEÚDO)

A valorização do professor

Padre João Medeiros Filho
Quando chegará o dia do reconhecimento da importância do professor em nossa pátria? Não se trata apenas de uma data no calendário civil, escolhida para homenageá-lo. Ela já existe: 15 de outubro, dedicado a Santa Teresa d´Ávila (padroeira dos professores), cuja festa litúrgica é celebrada nesse dia. Almeja-se o momento em que a educação no Brasil seja verdadeiramente prioridade entre as políticas de Estado, não apenas de alguns planos (por vezes ideologizados) de gestores e governos. O descaso é tanto que o profissional do magistério necessita lançar mão de protestos e greves. O respeito e a valorização do docente começam pelo discípulo. O professor é constantemente relegado à própria sorte. A propósito, que tal a releitura de “Um apólogo” de Machado de Assis, sobretudo das últimas frases?
É antiga a questão da necessidade de reconhecimento do docente. Passa pelo político, social e econômico. Poderá protelar as indagações de interesse nacional ou a elas responder. Que país se deseja construir? A pátria é de todos ou somente dos apaniguados? O questionamento procede. A História mostra que a República herdou da Colônia e do Império uma estrutura social, iníqua, marcada por desigualdades: massa de empobrecidos e analfabetos, latifúndios e concentração das riquezas nas mãos de poucos, corrupção, clientelismo e injustiça.
Apesar das tentativas de respostas com políticas educacionais, em diversas épocas, tem-se a impressão de que se caminha, a passos lentos, em termos de educação de qualidade. O ensino brasileiro está aquém dos avanços e do desenvolvimento científico e tecnológico. É triste, pois a educação é o caminho para vencer as disparidades e fazer crescer o país. Não se pode prescindir do acesso ao ensino de bom nível, implicando em capacitação, remuneração condigna, plano de carreira do magistério e uma escola bem estruturada. É lugar comum afirmar que educação não é gasto ou despesa, e sim investimento social indispensável. Trata-se, pois, de qualificar e elevar o ser humano, imagem e semelhança de Deus. “Uma sociedade que não valoriza seus mestres, perde o sentido da cidadania, da dignidade e dos valores éticos”, já afirmava Anísio Teixeira. Em nações altamente desenvolvidas e civilizadas, o mestre é alvo de grande respeito e admiração.
Magistério não é simplesmente sacerdócio nem voluntariado. Por isso, as greves, apesar de indesejáveis, até agora têm sido, infelizmente, o último recurso válido. O professor, neste país, é tratado como um ser invisível e não um construtor da sociedade. Essa indispensável e ironicamente menosprezada profissão deve repensar o modelo educativo produzido atualmente. A evolução repentina e, por vezes, contraditória suscita desafios que interpelam a comunidade educativa. Urge oferecer aos jovens uma formação que não se limite à fruição individualista e instrumental de um serviço apenas em vista de um título ou diploma a ser obtido. Além da aprendizagem dos conhecimentos, é necessário que os estudantes façam uma experiência de partilha com os educadores. Mister se faz formar cidadãos capazes de respeitar a identidade, a cultura, a história e a religião. Grandes questões antropológicas ficam à margem da reflexão cotidiana, até na escola e na universidade. Qual o sentido da vida e da pessoa humana hoje?
Os altos índices de frustração, estresse, depressão e os preocupantes dados sobre suicídio de jovens questionam o atual modelo de sociedade e educação. Educar para a vida e rejeitar a cultura da morte e do vazio implicam em reconstruir a vida social atualmente focada no desempenho e sucesso, a qualquer preço. Os educadores devem ser reconhecidos pelo empenho em humanizar a nação que tanto clama por justiça e ética. Essa missão – alicerçada na busca de um mundo justo e solidário – será sempre um vetor para impulsionar o país rumo à superação de discriminações, preconceitos e radicalismo. Assim, é possível entender as diferenças que enriquecem com suas singularidades. O professor deve educar primordialmente para a inclusão e não para a desintegração, adotando posturas que possam gerar desrespeito, agressão e danos. Eis o conselho milenar do Livro dos Provérbios: “Ensina ao jovem qual o caminho a seguir; e ele não se desviará, mesmo quando envelhecer” (Pr 22, 6).

Publicidade tenta maquiar realidade de Parnamirim. Prefeitura paga caro por belo vídeo na TV

A prefeitura de Parnamirim colocou no ar uma propaganda de encher os olhos. Na televisão, a cidade está perfeita. Tudo lá funciona, os serviços são prestados com excelência e o cidadão aparece sorrindo, feliz e agradecido. Mas, essa cidade que tudo funciona e todos são felizes só existe na cabeça dos publicitários e na telelinha da TV, pois na prática é o famoso tem mais está faltando. A realidade diária é bem diferente da belíssima propaganda. Tem transtornos no trânsito com a cidade esburacada, tem postos de saúde desabastecidos, faltando cobertura vacinal, tem UPA superlotada e tem segurança deixando a desejar. Um cidadão parnamirinense de 65 anos, morador de rosa dos ventos, disse a sua mulher: “eu quero morar nessa cidade que está aparecendo na televisão” e a mulher respondeu: “você já mora”. E, ele retrucou: “vixe, e os meninos ainda dizem que eu tô doido”. Eita, vídeo bonito!

https://www.facebook.com/125861747557135/posts/1527674664042496/

A GUERRA NA EDUCAÇÃO PIORA A JÁ FRÁGIL SAÚDE MENTAL NAS UNIVERSIDADES

 

em 2016, não podia imaginar a reação bombástica que teria em milhões de leitores. Recebi 300 longas cartas de estudantes que procuravam meu e-mail no Google para desabafar (com uma estranha) suas angústias.

Desde então, comecei a pesquisar o tema do sofrimento acadêmico e palestrar em universidades brasileiras. Os auditórios lotam e se produz uma catarse na qual praticamente todos os estudantes da plateia contam suas histórias. Na voz do outro, as pessoas encontram reconhecimento e abrigo, quebram o silêncio, falam até exaustão e não raro choram muito.

Muitos se acham “fracos”, outros dizem sofrer da síndrome do impostor. Uns relatam assédio moral ou sexual de professores, que foram humilhados em banca, que são prejudicados por orientadores relapsos, que não sabem lidar com competição, que não veem perspectiva de futuro, que são mães e não têm apoio, negros e LGBTQI+ que sofrem discriminação etc.

Um desses depoimentos que caíram no meu colo foi o de Joice*, minha ex-colega que me escreveu depois de anos para contar que havia tentado se matar um dia antes de uma apresentação de trabalho que fizemos juntos. O tema do adoecimento acadêmico ainda era um tabu. Felizmente, isso está mudando.

Muitos acreditam que esse tema não deveria vir a público em tempos de desmonte universitário. Eu concordava com isso até receber, novamente, mais uma enxurrada de mensagens como resposta a um simples tuíte meu sobre a importância da escolha dos orientadores. Tendo a crer que a condição mental dos estudantes, que já era precária, se tornou trágica sob este governo  – e colocar isso para debaixo do tapete é uma irresponsabilidade.

‘Epidemia’ de depressão

Já existem evidências consistentes que mostram que a incidência de depressão nas universidades é muito alta e maior do que na média em da população em geral: 39% em relação a 6%, segundo estudo publicado na Nature em 2018. Outra pesquisa da Rand Europe mostrou que os mais graduados são também os mais atingidos. Entre os belgas, um artigo da Research Policy, de 2018, revelou que mais 50% dos doutorandos apresentavam pelo menos dois sintomas de transtorno mental – números parecidos com os da Universidade de Berkeley. Já se fala em uma “epidemia” de depressão acadêmica.

De modo geral, no Ocidente, respeitando diferentes contextos, um em cada três estudantes está em depressão, e metade deles sofre de transtorno mental. Esse sofrimento é atravessado por opressões sociais mais amplas, pois sabemos que, segundo estudo global publicado na Nature, a incidência de depressão em homens cis é de 31%, em mulheres cis, de 41% e, entre pessoas transgêneras, 57%. Ainda precisamos de mais dados com recorte racial.

O Brasil segue a tendência global. As universidades públicas brasileiras estão cada vez mais atentas para o problema. A Andifes tem realizado os mais abrangentes relatórios sobre o perfil dos estudantes brasileiros e sua saúde mental. Em 2018, a pesquisamostrou que 32% dos estudantes procuraram apoio psicológico, 83% dos estudantes reportaram dificuldades emocionais e o número de pensamento suicida dobrou em quatro anos.

As causas desse fenômeno complexo são múltiplas. Precisamos olhar para o adoecimento por vários ângulos. Um ângulo possível é a perspectiva do campo acadêmico – ou seja, a academia tem regras próprias, é um universo específico que foi adquirindo características ao longo da história universitária.

O sociólogo Pierre Bourdieu escreveu sobre o que chamou de homo academicus, parte de uma máquina capaz de construir e destruir egos e reputações. Esse “campo” é essencialmente estratificado, foi historicamente construído por valores elitistas, aristocráticos e tem sido constituído por pessoas privilegiadas econômica, social e culturalmente.

Esse também é um ambiente que, desde o seu início, tem sido marcado pelo mito da genialidade inata do ser humano, que torna a obtenção do conhecimento um processo individual. Max Weber já se dopava com ópio para conseguir escrever no final do século 19. Escrever ainda é o ato mais doloroso da vida de um estudante, a prova de fogo.

A crueldade e a postura distante do professor homem, branco e velho são vistas como sinal de força.

Há séculos, há ocorrências de orientadores semideuses que maltratam estudantes. Esses são os calhordas, como diz a jornalista Kelly Becker. Estudantes aprendem a admirar professores calhordas que, por sua vez, protegem estudantes calhordas. A crueldade e a postura distante do professor homem, branco e velho são vistas como sinal de força. A generosidade da professora didática é vista como fraqueza, e sentimentos são encarados como inferiores. A boa notícia é que estou convencida que o feminismo e o movimento LGBT da juventude atual estão ajudando significativamente a romper com essa lógica no Brasil.

No caso brasileiro, há uma particularidade importante: as políticas de acesso ao ensino superior. Se estudantes europeus adoecem porque sentem saudade de casa, no nosso caso o deslocamento que afeta os estudantes não é geográfico, mas social. O Brasil viveu uma fase de crescimento, inclusão social e popularização universitária, mas os campi continuaram com o ethos elitista e branco, causando um choque nos novos entrantes. Seja nas universidades privadas ou nas públicas, dezenas de relatos que chegaram até a mim eram muito semelhantes: estudantes negras confundidas como profissionais da limpeza, que tinham o seu cabelo tocado o tempo todo e ouviam cotidianamente comentários racistas.

É o neoliberalismo contemporâneo que faz com esse campo, que sempre foi de tensão, se tornar insustentável, aprofundando velhos problemas e criando outros. Diversos especialistas têm entendido que o problema da saúde mental piora no século 21 porque hoje se pede muito mais de um estudante em menos tempo. Ou seja, nosso imaginário romântico sobre a vida acadêmica – sobre a produção brilhante de monografias, longas reflexões, prestígio e viagens – continua inalterado em um sistema que oferece isso apenas para uma ínfima minoria.

Mas o neoliberalismo não apenas retira direitos, tempo e dinheiro, como é também um modo de pensar que incorporamos em nossa conduta. Em um debate da ANPG que participei, uma estudante negra com um filho no colo, pegou o microfone e fez um depoimento comovente: “dos professores a gente espera pouco, mas o que me dói é ver a competição reproduzida pelos colegas”.

Tudo isso resulta em estudantes com insônia, distúrbios alimentares, ansiedade, desânimo, pânico, depressão e até crescentes casos de suicídio em campi. É a geração que toma ritalina para acordar e rivotril para dormir. Esse problema cai como uma batata-quente na mão dos professores, que também estão adoecidos, medicados, precarizados.

Recentemente participei de um workshop no Reino Unido no qual um profissional de saúde pública contou que, com base em dados confidenciais, um único posto de saúde – inserido em um campus com moderna infraestrutura e vista para o mar – recebe uma ligação por semana relatando tentativa de suicídio.

Uma professora, ao escutar o relato, ficou desesperada. Com dois filhos pequenos, ela disse que mal conseguia lidar consigo própria. Um médico acrescentou: “não estamos dando conta do problema. A verdade é que atendemos por cinco minutos, enchemos os alunos de remédios e indicamos aplicativos no celular de yoga e relaxamento”. Os departamentos começam a estender o prazo de todos os alunos. Mas está todo mundo enxugando gelo.

Trata-se de um problema estrutural, que exige políticas públicas de intervenção na área da educação e saúde pública. Mas nós podemos atuar na “redução de danos”. O primeiro passo é encará-lo e falar sobre ele. Precisamos deixar claro mostrar que é um fato social, não individual e que não se trata de fragilidade de quem “não segura o tranco”. Mas mais do que qualquer coisa, um estudante com sintomas de adoecimento deve procurar ajuda especializada.

Na Universidade de Oxford, em que muitos alunos chegavam em minha sala para chorar, percebia que mais da metade dos alunos que eu encaminhava para o serviço de aconselhamento resolvia seus problemas nos grupos gestados pelos próprios alunos, que reuniam também ex-alunos que haviam superado depressão. Conversar com quem passou pelo mesmo problema era libertador. Então, é importante que os alunos brasileiros, diante do desmonte universitário, também consigam organizar rodas de conversas.

O segundo passo é que precisamos romper o círculo vicioso da calhordice. Escolher, quando possível, um orientador generoso (e não o “fodão”, que na prática nem sempre ajuda) é fundamental. Eu só me tornei uma acadêmica feliz no dia que em que decidi me afastar dos ególatras e atuar por meio de alianças colaborativas, nas quais prevaleciam a generosidade. Em grande parte, isso significou me aliar a mulheres. Além disso, também precisamos manter uma postura solidária para com os colegas menos privilegiados.

O fim do mundo – e o recomeço

No Brasil, o fogo no Museu Nacional era uma espécie de presságio do apocalipse científico que viria ocorrer em 2019. Com todas as suas contradições e conflitos, a academia como conhecíamos está em fase de extinção. Por isso, temos ido a público para valorizar nossas conquistas como cientistas. Isso é tão importante como mostrar que, nestes tempos sombrios, os estudantes estão adoecendo porque nunca antes na história do Brasil uma autoridade máxima da nação tratou pesquisadores como inimigos – o que adiciona uma camada extra a um quadro já dramático. Os alunos hoje não veem perspectivas de futuro. É muito pior do que a sensação de não ter bolsa e a falta de papel higiênico: é a sensação de que nosso trabalho não tem valor.

É preciso denunciar o que este governo está causando na saúde mental. Trata-se de responsabilizar os produtores do terrorismo a que nossos estudantes estão submetidos. Precisamos ainda falar sobre sofrimento na academia, justamente para reforçar a importância de uma universidade democrática, inclusiva e humanista.

Por fim, não posso deixar de comentar um lado positivo – e inesperado – que observei em meio à catástrofe. Meus ex-alunos da UFSM, hoje me parecem mais fortes. O motivo? Aprenderam que precisam lutar pelo curso de ciências sociais e passaram a se mobilizar, organizar passeatas, atos e rodas de conversa. O medo, assim, se transmuta em indignação e ação. E, na própria prática de luta coletiva, talvez sem se dar conta, eles têm conseguido quebrar a alienação do individualismo atroz do ensino neoliberal e, assim, repensar – e até recriar – a universidade que desejam.

(The Intercept Brasil)

Moro altera portaria que previa deportação sumária de estrangeiro considerado ‘perigoso’

O ministro da Justiça, Sergio Moro , mudou as regras para deportação ou impedimento ingresso de estrangeiros no Brasil, alterando a portaria que havia publicado em julho deste ano e que foi criticada pelo Ministério Público Federal ( MPF ). O novo texto, publicado nesta segunda-feira no Diário Oficial da União, altera o prazo de deportação sumária para estrangeiros considerados perigosos para cinco dias contatos desde a notificação. No decreto anterior, o acusado teria apenas 48h para apresentar a defesa antes de precisar deixar o país. Em agosto, Moro já havia admitido que faria alterações na portaria original , como mostrou O GLOBO.

O novo decreto ampliou ainda o prazo para entrar com recurso da decisão. O estrangeiro também terá cinco dias para contestar medida da deportação, e não mais 24h, como previa a portaria original. A medida visa como alvo “pessoa considerada ou que tenha praticado ato contrário aos princípios e objetivos dispostos na Constituição Federal”, suspeitos de terrorismo; grupo criminoso organizado ou associação criminosa armada ou que tenha armas à disposição; tráfico de drogas, pessoas ou armas de fogo, ou pornografia ou exploração sexual infanto-juvenil.

Outra mudança na portaria foi a proibição da repatriação e da deportação caso isso coloque o estrangeiros em risco a vida ou a integridade pessoal — o item não constava no primeiro texto.

Críticas à portaria original

As alterações na portaria foram feitas quase três meses após a publicação do texto original. Em agosto, Moro afirmou em um ofício enviado à Procuradoria-Geral da República ( PGR ) que o ministério assumiu “compromisso de realizar estudos para o eventual aprimoramento”. A decisão na época foi tomada após o ministro se reunir com diversos órgãos do governo e da sociedade.

A portaria de Moro também foi questionada pelo PGR, nos últimos dias de Raquel Dogde à frente do órgão. A então-procuradora-geral da República ingressou com uma ação de descumprimento de preceito fundamental (ADPF), com pedido de medida cautelar para que a portaria seja suspensa. O argumento utilizado por Dogde era de que a regra viola princípios constitucionais.

A portaria causou polêmica porque opositores do governo apontaram que ela tinha o objetivo de atingir o jornalista Glenn Greenwald, do site “The Intercept”, que é estrangeiro e tem feito matérias sobre supostas conversas vazadas de Moro e integrantes da Lava-Jato. O ministério negou que a portaria possa atingir o jornalista.

(O Globo)

Vídeo de Airene Paiva, revela a boa vida do tabelião em Parnamirim

Nem tudo é usual para a marketing político.
A campanha publicitária do tabelião Airene Paiva começou mal. Na propaganda, Airene fala sobre sua história na cidade Trampolim da Vitória e expõe seu negócio lucrativo que lhe coloca em destaque na vida econômica de Parnamirim. No vídeo, o tabelião milionário faz um comercial de sua serventia e, também, de sua rotina pessoal. Para o pleito político de 2020, o material publicitário serviu pouco e ainda demonstra falta de sintonia com as necessidades da população, pois o produto que ele vende nunca foi bem visto pelo cidadão. Veja o vídeo.

Ministro da Ciência critica eventual fusão da Capes e do CNPq

O ministro da Ciência, Tecnologia, Inovações e Comunicações (MCTIC), Marcos Pontes, criticou hoje (11) uma eventual fusão entre o Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq), subordinado a sua pasta, e a Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior (Capes), vinculada ao Ministério da Educação (MEC).

“Sobre a ideia divulgada de junção do CNPq e CAPES: a posição do MCTIC é contrária à fusão, pois seria prejudicial ao desenvolvimento científico do País. Existe algum sombreamento de atividades e pontos de melhoria na gestão. Esses problemas já estão sendo trabalhados no CNPq”, publicou Pontes em sua conta na rede social Twitter.

A suposta intenção foi noticiada por diversos veículos de imprensa e, segundo reportagens publicadas, teria sido sinalizada por gestores do governo a dirigentes de entidades científicas e de ensino.

As duas agências são responsáveis pelo fomento à atividade científica no país. Contudo, elas possuem naturezas diferentes, bem como vinculações institucionais a dois órgãos distintos na estrutura ministerial do Executivo.

O CNPq custeia não somente bolsas, mas projetos de pesquisa realizados nas instituições de ensino superior e centros de investigação. Já a Capes não apenas paga bolsas, mas também é responsável pela avaliação dos programas de pós-graduação do país e periódicos, além de atuar com ações de formação de professores da educação básica.

Entidades científicas e tecnológicas

Hoje, 11 entidades da comunidade científica e tecnológica – como a Sociedade Brasileira para o Progresso da Ciência, a Academia Brasileira de Ciências e o Conselho Nacional de Fundações Estaduais de Amparo à Pesquisa – divulgaram uma carta, enviada ao governo federal e a chefes de Poderes, na qual rechaçam a fusão das duas agências.

“A coexistência da Capes e do CNPq é fundamental para o nosso desenvolvimento econômico, social, cultural e ambiental. Alterar essas estruturas é fragilizar um dos alicerces – talvez o mais importante deles – de sustentação do Brasil contemporâneo que mira um futuro promissor para todos os brasileiros”, destacam as associações no documento.

As entidades também criticaram uma eventual transferência do Fundo Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (FNDCT) e da Financiadora de Estudos e Projetos (Finep) para o Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES).

“Sua execução exige uma estrutura complexa de análise e acompanhamento de projetos de pesquisa e inovação, que certamente deverá ser continuamente aprimorada, mas que não se adequa à experiência, finalidade e organização do Ministério da Economia e do BNDES”, acrescenta a carta.

(ABr)

Banco Mundial recomenda que Brasil limite salário de servidor e reduza contratações

 

Diante de um diagnóstico de compressão das contas do governo e distorções no serviço público, o Banco Mundial recomendou ao Brasil que promova uma reforma administrativa para levar os gastos com pessoal a um patamar sustentável.

Estudo apresentado nesta quarta-feira (9) sugere a aplicação de ações como redução de rendimentos iniciais dos servidores, aproximação dos salários aos praticados pelo setor privado e aplicação efetiva de avaliação de desempenho para progressão de carreira.

Se colocadas em prática, as medidas indicadas poderiam gerar uma economia acumulada de R$ 389 bilhões até 2030.

Na avaliação da entidade, que realizou o estudo a pedido do governo brasileiro, o país está diante de uma janela de oportunidade que pode abrir caminho para maior eficiência no gasto público com pessoal, desde que seja feita uma reforma estrutural.

O país está passando por um pico no número de servidores que estão aptos à aposentadoria. Dados disponibilizados pelo governo federal apontam que 26% do efetivo que está hoje na ativa deve se aposentar até 2022.

Em 2030, o Banco Mundial estima que quase um quarto da folha de pagamentos do governo federal será composto por servidores contratados a partir deste ano.

“A racionalização do sistema de carreiras, aliada a reformas que reduzam salários iniciais e alinhem a progressão em carreira com desempenho e experiência, é capaz de aliar ganhos de eficiência e redução de gastos, com impacto já nos próximos anos”, diz o documento.

De acordo com o banco, o total de servidores aumentou mais de 80% em 20 anos. No mesmo período, o crescimento da população brasileira foi de aproximadamente 30%.

Ainda assim, o número não é tão alto em relação a outros países. O maior problema, segundo o órgão, é o custo.

No Brasil, o servidor público federal tem salário médio 96% mais alto que um trabalhador do setor privado com as mesmas características de qualificação, gênero e região.

De 2008 a 2018, o gasto do governo com pessoal ativo teve um crescimento médio de 2,5% ao ano acima da inflação. O percentual engloba a alta de despesas com reajustes salariais e com o aumento do número de servidores.

Dados deste ano mostram que quase metade dos trabalhadores do serviço público federal tem salário superior a R$ 10 mil.

Na avaliação do Banco Mundial, uma combinação de fatores torna o gasto público nessa área ineficiente. Os salários iniciais são altos e o tempo médio para chegada ao topo da carreira é curto.

Há ainda distorções nas progressões, já que os pagamentos que deveriam ser relacionados a desempenho normalmente são feitos de forma linear a todos os servidores da carreira.

“Os altos salários iniciais de alguns servidores limitam o espaço para reajustes, o que contrasta com o setor privado, onde os salários iniciais mais baixos são combinados com oportunidades de progressão salarial e bônus”, afirma.

A entidade recomenda que os salários de entrada sejam menores e que haja redução na diferença entre os rendimentos dos profissionais do setor público em comparação com o privado.

Se o rendimento inicial tiver um teto de R$ 5.000, a economia prevista é de R$ 104 bilhões até 2030. Eventual redução mais suave, de 10% dos atuais salários iniciais, teria impacto de R$ 26 bilhões.

Caso a reposição dos quadros fosse de um novo contratado para cada aposentado, o gasto seria reduzido em R$ 52 bilhões. O alívio gerado com um congelamento de salários por três anos e posteriores reajustes apenas pela inflação seria de R$ 232,6 bilhões até 2030.

O estudo sugere ainda que a estrutura salarial permita pagamentos mais elevados com base no desempenho, além de aumento do intervalo para promoções e redução dos reajustes entre cada nível.

O banco também considera importante uma redução no número de carreiras -hoje, são mais de 300 na administração federal. A ideia é tornar as funções mais genéricas e transversais, permitindo maior mobilidade de servidores.

Para os elaboradores do estudo, é necessária uma revisão dos benefícios concedidos. Hoje, existem 179 tipos de gratificações. Desse total, 105 são carregadas após a aposentadoria.

Com o objetivo de dar mais eficiência à gestão, o banco sugere que, por meio de concurso, seja possível acessar níveis mais elevados de uma carreira. Hoje, todo servidor entra no primeiro nível, o que dificulta a ida de profissionais mais experientes do mercado para o serviço público.

O governo Jair Bolosnaro finaliza um pacote de propostas de reforma administrativa. A maior parte das sugestões feitas pelo Banco Mundial estão em estudo pela equipe econômica e devem compor as medidas do governo.

O estudo apresentado nesta quarta também analisa a situação nos estados, que é ainda mais crítica. Doze entes já estouraram o limite de gastos com pessoal e sete declararam situação de calamidade financeira.

Os problemas observados nos estados são semelhantes aos de nível federal. Até 2017, o aumento médio de salário dos servidores estaduais foi de 4% ao ano acima da inflação.

O banco aponta o esforço que alguns estados deveriam fazer para retornar os gastos ao patamar autorizado por lei.

Minas Gerais, por exemplo, teria de reduzir as despesas com pessoal em 5,4% ao ano em termos reais até 2022 para atingir o objetivo. A queda teria de ser de 4,8% em Mato Grosso do Sul; 3,6% no Rio Grande do Norte; e 3,3% no Rio de Janeiro.

(Folhapress)