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Cafeterias de Natal reajustam preços e adotam estratégias para enfrentar alta

Através de ajustes no cardápio e promoções, empresários tentam equilibrar os custos com a qualidade do produto e a experiência oferecida aos consumidores | Foto: Anderson Régis

O café faz parte da rotina de muitos consumidores, que não abrem mão da bebida mesmo diante das recentes altas nos preços. Em Natal, cafeterias precisaram reajustar os valores e adotar estratégias para manter a clientela e garantir a sustentabilidade do negócio. O aumento no preço do café tem sido impulsionado por fatores climáticos, crescimento da demanda global e elevação dos custos de produção e exportação.

O jornalista Thales Vale é um dos consumidores que mantém o hábito diário de tomar café, independentemente dos reajustes. “Não deixo de ir à cafeteria, porque tem a questão do ambiente agradável para tomar um café acompanhando um bate-papo. Tomo café todos os dias, me ajuda a relaxar, a ficar atento; me considero viciado. Chego a umas dez xícaras por dia”, afirmou.

Mas para clientes como Thales, ter esse serviço e um produto de qualidade, com a alta dos preços, tornou-se um desafio maior para os empresários do segmento. O impacto dos custos levou à necessidade de repasse no preço final e à adoção de novas estratégias para manter a competitividade.

Widna Gonçalves, que há nove anos comanda a Letra A – Cafeteria e Tabacaria, próximo à Praça Pedro Velho, em Petrópolis, conseguiu manter o preço do café expresso estável por dois anos, mas precisou rever essa política. “Agora vai ficar um pouco inviável, devido à alta do preço do café com os fornecedores. A maioria dos meus cafés vem de Minas Gerais e aí, além da matéria-prima, vêm os impostos, ICMS, frete, que é altíssimo. Acabei de fazer um pedido pelo dobro do valor do que eu geralmente compro”, explicou.

A empresária ressaltou que os reajustes serão de até 20% para diferentes tipos de café, incluindo o expresso. Para minimizar impactos e manter o público fiel, a cafeteria adotou mudanças no cardápio e criou promoções voltadas para o público jovem. “Eu acho que a tendência é ou permanecer nos valores atuais do café no país ou subir mais. Não prevejo que venha a reduzir, porque tem um cenário de seca que atingiu grande parte das regiões produtoras”, acrescentou.

A percepção de aumento no preço do café é confirmada pelos dados do Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos (DIEESE). Em Natal, a partir de setembro de 2024, a sequência de altas tornou o café em pó um dos itens da cesta básica com maior reajuste. Na comparação de dezembro de 2024 com o mesmo mês do ano anterior, a alta acumulada chegou a 49,01%.

Com 35 anos de funcionamento na Cidade Alta, a cafeteria “Avenida Café” também precisou reajustar os preços. “A gente percebe que diminui um pouco o movimento, mas temos uma clientela fiel. Reajustamos o preço do café em cerca de 15%”, afirmou a proprietária, Mônica Viana. Ela destacou que a diversidade do cardápio contribui para reduzir os impactos do encarecimento do café. “O café é um produto que atrai os clientes e aí eu tenho um mix de outros produtos, e isso ajuda a enfrentar a crise do preço do café sem prejuízos”, explicou.

Essa estratégia também é adotada pela empresária Maria Lúcia Medeiros, do Via Café, em Petrópolis. “Temos um cardápio variado. Além do café, servimos frutas, sucos, café da manhã, lanches e isso ajudou a evitar o prejuízo. A gente segurou o preço por um tempo, mas tivemos que fazer um reajuste em cerca de 15%, tipo R$ 1 no café expresso. Não foi muito, justamente para não perder a clientela”, frisou.

A empresária diz que, mesmo assim, ainda está arcando com o custo do aumento no preço do café, porque esse reajuste no cardápio não compensou. A matéria-prima que ela usa é um grão gourmet vindo diretamente do Sul de Minas Gerais. Lúcia diz que seu preço subiu cerca de 65% em relação ao início de 2024. “Essa crise do preço tem sido gritante, nunca tinha passado por uma assim. Acho que o governo federal poderia fazer algo para reduzir os custos, diminuir impostos, para estimular os produtores e baixar os preços”, avaliou.

Previsões

A Associação Brasileira da Indústria do Café (Abic) confirmou que a tendência de alta deve se manter pelos próximos meses, pelo menos até a colheita da nova safra, que ocorre entre abril e maio. Segundo a entidade, os preços foram impactados por eventos climáticos, como a restrição hídrica e as altas temperaturas que prejudicaram a produtividade das lavouras. Além disso, o aumento do consumo global e a entrada da China como um novo mercado consumidor aqueceram a demanda.

A primeira estimativa da safra brasileira de café para 2025, divulgada pela Companhia Nacional de Abastecimento (Conab), apontou para uma produção total de 51,8 milhões de sacas de café beneficiado, o que representa uma redução de 4,4% em relação à safra anterior.

Em 2024, o Brasil registrou um recorde na exportação de café, enviando 50,5 milhões de sacas ao mercado internacional, um crescimento de 28,8% em relação ao ano anterior. Esse aumento expressivo na exportação, aliado à valorização do dólar, resultou em estoques internos reduzidos e preços mais altos para o consumidor final.

Widna Gonçalves, que comanda uma cafeteria em Petrópolis, diz que reajustes serão de até 20% | Foto: Anderson Régis

Reduzir custos e investir na experiência do cliente

Diante da alta nos preços do café, o Serviço Brasileiro de Apoio às Micro e Pequenas Empresas (Sebrae/RN) tem auxiliado os empreendedores do setor de alimentação fora do lar a adotarem estratégias para minimizar os impactos financeiros e manter a competitividade. A percepção é de que a combinação de planejamento financeiro, diversificação de produtos e investimento na fidelização do cliente pode ser a chave para superar este momento de desafios.

Por meio da comunidade “Expresso Hub”, produtores, torrefadores, cafeterias, baristas, consumidores e instituições ligadas ao segmento do café se reunem mensalmente com o Sebrae e a questão da alta nos preços do grão tem sido um dos temas centrais das discussões. De acordo com Maria Luíza Moura, gestora de alimentação fora do lar do Sebrae/RN, em janeiro já se debateu sobre precificação para cafeterias. “Essa questão do aumento dos preços já era algo que vinha acontecendo desde o final do ano passado”, explicou.

A necessidade de reajustar os preços nos cardápios foi inevitável diante do aumento significativo dos custos. Para minimizar o impacto e manter a atratividade do negócio, o Sebrae tem incentivado estratégias que agreguem valor ao produto, investindo na experiência do cliente. Entre as recomendações está a criação de combos promocionais e temáticos, com nomes criativos e imagens que despertem o interesse do consumidor.

Além disso, as chamadas “collabs”, parcerias entre cafeterias e outros estabelecimentos, como salões de beleza e barbearias, têm sido apontadas como alternativas para ampliar a clientela. “A troca de experiência com eventos voltados para o cliente final dentro das cafeterias, encontros temáticos e até a realização de happy hour são estratégias para proporcionar uma experiência diferenciada e atrativa”, destacou Maria Luíza.

Outra alternativa sugerida tem sido a compra coletiva de insumos, o que permite uma redução nos custos, mesmo para cafeterias que trabalham com diferentes tipos de cafés, como os especiais, gourmets e tradicionais. A aquisição direta de produtores locais ainda não é uma solução viável em larga escala para as cafeterias de Natal. Segundo Maria Luíza, apesar da produção existente no Rio Grande do Norte, como o café de Jaçanã, o volume não é suficiente para atender à demanda dos estabelecimentos da capital. “Ele não tem vazão para atender todas as cafeterias, então ele mesmo faz a própria distribuição e venda do café que produz. Já existem algumas parcerias, mas não são volumosas ainda”, esclareceu.

O Sebrae também oferece consultorias voltadas para a eficiência do negócio, incluindo precificação, fichas técnicas, marketing digital, estratégias de comunicação e redução de desperdícios no ambiente de preparo. O foco é minimizar custos operacionais para que o repasse ao consumidor final seja o menor possível. “É muito mais interessante e assertivo que as empresas façam essa redução de custos para precificar melhor e manter uma margem interessante para o negócio, ao mesmo tempo em que se preocupam com a experiência do cliente”, reforçou.

Cláudio Oliveira
Tribuna do Norte

Carnaval de Parnamirim: primeira noite de festas surpreende com organização e segurança

O primeiro dia de festa do Carnaval do Povo 2025 surpreendeu quem veio a Pirangi em diversos aspectos como segurança, organização, respeito às mulheres e número de foliões. Mesmo com a abertura da festa acontecendo em uma sexta-feira chuvosa (dia útil e depois da grande maioria das pessoas ter trabalhado normalmente), muita gente veio a Pirangi para curtir os shows de Raí Saia Rodada, Pagode do Coxa, Banda Soanata e diversas atrações locais.

Um batalhão de agentes de segurança de forças estaduais e municipais se fez presente e garantiu a tranquilidade do público. Segundo informações do Complexo Administrativo de Segurança, não foram registradas ocorrências que comprometessem o evento nem que manchassem a imagem de uma festa muito tranquila e segura.

A folia aconteceu no palco da Praça São Sebastião, em um pranchão e em dois trios elétricos, contemplando diferentes públicos por toda a extensão do percurso e demonstrando toda a organização que a população merece. O evento foi preparado para coibir situações de assédio e desrespeito às mulheres. A Patrulha Maria da Penha fez abordagens aos foliões e distribuiu material educativo, enfatizando que, durante todos os dias de evento, qualquer pessoa que presenciar situações suspeitas de assédio tem o dever de denunciar o agressor. A festa contou com toda uma estrutura à disposição das mulheres, com apoio total da Polícia Militar e da Guarda Municipal.

O Carnaval de Parnamirim 2025 continua neste sábado (1°) com toda a estrutura já conhecida à disposição do folião. A programação começa às 16h com Mara Dias no trio e Renan Cruz no palco fazendo o Carnaval Kids: um show todo especial voltado às crianças e famílias como um todo.

Nota de Esclarecimento

A Prefeitura de Parnamirim informa que na manhã desta sexta-feira, 28 de fevereiro, às 9:30, realizou o repasse da folha de pagamento dos servidores para a Caixa Econômica Federal. No entanto, até o momento, os valores ainda não foram depositados nas contas dos trabalhadores.

Em contato com a caixa econômica fomos informados de que há um problema nacional no sistema, que também está afetando cidades como Paus Ferros, Parelhas, Currais Novos, Tibau, Macaíba, Parnamirim entre outros municípios. A instituição está trabalhando para resolvê-lo. A Prefeitura segue cobrando a solução imediata do banco, esperando que o erro seja corrigido o mais rápido possível, a fim de evitar prejuízos aos servidores e ao comércio local

Prefeitura Municipal de Parnamirim

Pastor Alex é condenado a mais de 6 anos de prisão e pastor Sandoval absolvido

O RÉU ALEX SANDRO DA CONCEIÇÃO NUNES DA SILVA
Assim, tendo em vista as circunstâncias judiciais analisadas supra, em se verificando a presença de 04 (quatro) circunstâncias desfavoráveis e 03 (três) favoráveis. FIXO a pena base, para o PASTOR ALEX, de um ano de reclusão para o delito previsto no artigo 299 do CP; de três anos para o delito do art. 312, do Código Penal; e, um ano e seis meses para o art. 350 do Código Eleitoral) que somadas (devido à ocorrência do concurso material – Art. 69 do CP) totalizam uma pena-base de cinco anos e seis meses de reclusão e pagamento de 30 diasmulta.

Analisando, em seguida, as circunstâncias agravantes do Art. 62 do CP, para o réu PASTOR ALEX, detecto a ocorrência da agravante prevista no art. 62, inciso I e III do CP, aumentando a pena em 1/6 (um sexto), totalizando 6 anos, e 5 meses de reclusão e pagamento de 35 diasmulta.

Quanto a atenuantes do art. 65 do CP, não há. Não vislumbro atenuantes na conduta do réu ALEX SANDRO DA CONCEIÇÃO NUNES DA SILVA.

Em face da situação financeira dos réus, em obediência ao art. 49, §1º, do Código Penal, fixo o valor unitário do dia-multa, à razão de 1/30 do valor do maior salário-mínimo vigente à época do fato, devendo ser atualizado na forma do §2º do mesmo dispositivo.

No que se refere ao REGIME DE CUMPRIMENTO DA PENA do condenado ALEX SANDRO DA CONCEIÇÃO NUNES DA SILVA, com arrimo no art. 33, § 2º, alínea “b”, do Código Penal, fixa-se o regime semiaberto para o início do cumprimento de pena, o qual deverá se dar em colônia agrícola, industrial ou estabelecimento similar, nos termos do art. 33, §1º, alínea “b”, do Código Penal.

Da absolvição

Considerando que não existem provas suficientes para a condenação de Rhalessa Cledylane Freire Santos, no delito previsto no artigo 350 Código Eleitoral, e de Sandoval Gonçalves de Melo, na prática dos crimes tipificados nos artigos 312, caput, e 299, ambos do Código Penal, com fulcro no artigo 386, inciso VII do Código de Processo Penal, absolvo-os das condutas que lhes foram atribuídas.

Bug em sistema da Caixa afeta operações financeiras em Macaíba e Parnamirim

Uma falha no sistema de transferências financeiras da Caixa Econômica Federal na manhã dessa sexta (28) está trazendo transtornos e prejuízos para o comércio e para servidores municipais de Macaíba e de Parnamirim, na Grande Natal, entre outros municípios. Estes municípios realizaram o repasse da folha de pagamento de seus servidores desde as primeiras horas da manhã de hoje (28) e até o momento os valores ainda não foram depositados pela Caixa nas contas-correntes dos servidores municipais, isso em plena véspera de Carnaval.

A Caixa informou que se trata de um problema nacional no sistema de pagamentos de órgãos públicos, que está afetando diversas cidades. Comerciantes e ambulantes também estão apreensivos, pois isso afeta diretamente o seu faturamento durante os dias de folia.

CARNAVAL DE PARNAMIRIM 2025: O CARNAVAL DO POVO

O Carnaval de Parnamirim tem início nesta sexta-feira (28) com grandes shows na Praia de Pirangi do Norte. Uma grande quantidade de foliões é esperada para o primeiro dia de festas e, para proporcionar uma experiência satisfatória para a população, a Prefeitura de Parnamirim preparou uma grande estrutura de apoio tecnológico. Conheça os detalhes:

INTERNET LIVRE

O percurso do folião contará com 4 pontos de internet wireless gratuita à disposição: na Praça São Sebastião; área em frente ao Cemitério de Pirangi; no ponto de embarque e desembarque de táxis e transportes por aplicativo (próximo ao Porto Brasil) e; no letreiro I Love Parnamirim, localizado no calçadão da praia. Durante todo o carnaval nesses 4 pontos, a internet vai funcionar 24h por dia.

MAPA INTERATIVO DO EVENTO

O Grupo de Ciência e Tecnologia da Informação e Inovação (GCTI) desenvolveu uma solução tecnológica para ajudar visitantes, ou mesmo os parnamirinenses, com as informações gerais do evento e principais pontos de prestação de serviço.

O Mapa Interativo está disponível por meio do link mapacarnaval.parnamirim.rn.gov.br/#/inicio e vai possibilitar ao folião saber exatamente onde estão localizadas as unidades de saúde, postos policiais, praças de alimentação, pontos de internet e a programação completa do evento.

Por toda a extensão do percurso, a Prefeitura vai afixar totens contendo QR Codes para acesso à ferramenta. Ao apontar a câmera do smartphone, o folião terá acesso instantâneo a todas as informações do Carnaval do Povo.

CÂMERAS À DISPOSIÇÃO

Além do aparato tecnológico, a Prefeitura de Parnamirim também vai colocar à disposição da população o acesso a 9 câmeras de acompanhamento do evento, posicionadas em locais estratégicos, como o pórtico de entrada de Pirangi, as avenidas São Sebastião e Márcio Marinho, Praça São Sebastião e no calçadão da praia. Por meio das câmeras dá para acompanhar a sequência das atrações, ter uma ideia sobre como está o trânsito no momento e a movimentação dos trios elétricos e foliões.

TRANSMISSÃO DO EVENTO

Os shows do Carnaval do Povo 2025 serão transmitidos ao vivo pelo canal oficial do YouTube da Prefeitura de Parnamirim, disponível no link youtube.com/@PrefeituradeParnamirimRN.

PONTO FACULTATIVO

A Prefeitura de Parnamirim estabeleceu que a próxima segunda (3), terça (4) e quarta-feira (5) serão pontos facultativos para o serviço público do executivo municipal. O Decreto nº 7670/2025 não abrange, no entanto, as repartições públicas prestadoras de serviços essenciais, como o atendimento de urgência e emergência e a limpeza urbana, que mantêm seu funcionamento em horário regular. Em Parnamirim, o atendimento no serviço público volta à normalidade depois do carnaval, na quinta-feira (6).

O Carnaval do Povo 2025 acontece de 28/02 a 04/03 na praia de Pirangi do Norte, em Parnamirim. Consulte os detalhes sobre programação oficial, esquema de segurança e mobilidade urbana, estrutura de saúde e serviços à disposição em www.parnamirim.rn.gov.br ou pelo Instagram @prefeitura_parnamirim.

Confira a programação abaixo!

A reação à denúncia tem limites éticos

Ministros Alexandre de Moraes, Roberto Barroso, Dias Toffoli durante sessão no plenário do Supremo Tribunal Federal (STF)
Na imagem, o plenário do STF.

“Tenho a náusea física da humanidade vulgar, que é, aliás, a única que há. E, capricho, às vezes, em aprofundar essa náusea, como se pode provocar um vômito para aliviar a vontade de vomitar.”

–Pessoa, “Livro do Desassossego”. 
Em qualquer país democrático, uma denúncia penal que impute a um ex-presidente da República os delitos de tentativa de golpe de Estado, de subversão à ordem constitucional e de ser o líder de uma organização criminosa armada vai causar grande reação. Ainda mais se a acusação inclui generais do mais alto coturno, que até pouco tempo ocupavam cargos importantes no governo e no Exército, bem como um ex-chefe da Marinha e outro ex-ministro da Justiça. 

Certamente, alguns grupos militares, políticos, de imprensa e do empresariado vão se esforçar para desacreditar as instituições, além de negar o movimento golpista. A subleitura das provas que vão aparecendo e as versões enviesadas fazem parte de um script de quem, no fundo, sabe que a condenação se aproxima e que é inexorável.

A defesa, que tem que ser ampla e plena, tem um papel a cumprir. E deve ser respeitada, mesmo com teses teratológicas: apontar a incompetência do STF (Supremo Tribunal Federal) para julgar o caso; levantar a tese de impedimento de alguns ministros; ousar falar em suspeição, sem nenhuma previsão legal ou regimental, do relator; plantar jornalistas de aluguel para tentar dar certo ar de seriedade a um debate em que os argumentos são pífios; investir contra a delação que desnudou o esquema criminoso.
Tudo isso, desde que dentro das balizas que também são impostas à defesa, faz parte do processo penal democrático. Não tem fundamento jurídico, mas é um direito. Temos que estar atentos a certos limites éticos. Qualquer comparação entre o trabalho do ministro Alexandre de Moraes e do STF com os desmandos da República de Curitiba, Moro e seus procuradores adestrados, é infamante e ultrapassa os limites aceitáveis. 
Parece claro que não nos cabe avaliar e criticar nenhuma linha de defesa, mas o respeito ao Poder Judiciário é algo que se impõe. Em qualquer processo. Ainda mais em um caso no qual se enfrenta uma tentativa de fechar o Supremo, matar um ministro da Corte e instalar a ditadura no Brasil. 
As últimas gravações que vieram a público são estarrecedoras. Não é possível ter qualquer dúvida razoável. O golpe foi urdido e, inclusive, houve movimentos claros de implementação da tentativa. Agora, a imprensa publica um áudio em que um policial afirma que “estavam com Moraes na mira para atirar”. O que mais se pretende para comprovar a existência de uma organização criminosa armada, como relata a denúncia? Repito: tivessem dado o golpe, aí, realmente, não existiria o tipo penal da tentativa. 
E a ditadura estaria instalada no país. Cumpre a cada um de nós acompanhar o julgamento, que deverá ser rápido. Reitero, para quem não tem formação jurídica: praticamente todas as preliminares já foram enfrentadas pelo STF e estão decididas. Até por isso, estamos vendo teses como o pedido, infundado, de suspeição dos ministros Flávio Dino e Cristiano Zanin. É o exercício de criatividade da defesa que sabe que, em centenas de outros casos, o Supremo já decidiu, à unanimidade, as preliminares postas. Tenta-se até mesmo mudar o julgamento da 1ª Turma para o Pleno, contra expressa previsão regimental. Houvesse agora essa alteração, seriam inúmeros os pedidos de nulidade de vários processos decididos na 1ª Turma, cumprindo o regimento do Supremo, que tem força de lei. 
É bom frisar que o julgamento da denúncia pode e deve ser célere. Com a sistemática adotada pela Corte, de que o relator pode delegar a juízes federais, por carta de ordem, a oitiva das testemunhas, essa questão se resolve em 30 dias e, aí, restam as matérias de direito. Muitas já decididas, inúmeras vezes, em processos transitados sobre a mesma tentativa de golpe. 
Espera-se que o julgamento se dê ainda na presidência do ministro Barroso, que termina em setembro. O Brasil merece isso, até para mudar de página. Todos nós merecemos e a democracia agradece. 

Sempre nos lembrando do grande Mia Couto: 

“Se não criarmos nas escolas histórias que falam sobre solidariedade, a amizade, a lealdade, essas pequenas coisas que são realmente as grandes coisas da vida, isto não vai surgir naturalmente”.

Mossoró reforça protagonismo na gestão do trânsito em evento estadual sediado no município

Foto: Divulgação/PMM
Foto: Divulgação/PMM

Nos dias 25 e 26 de fevereiro, Mossoró sediou o VIII Encontro de Gestores de Trânsito do Rio Grande do Norte, evento promovido pelo Conselho Estadual de Trânsito (CETRAN/RN) e realizado no auditório do Ministério Público do Trabalho. A iniciativa reuniu representantes de diversos municípios para debater estratégias e desafios na gestão do trânsito nos próximos anos, promovendo a troca de experiências e a capacitação dos profissionais da área.

A programação contou com painéis temáticos e atividades práticas, incluindo demonstrações sobre os serviços de canalização, fundamentais para a organização viária e segurança no trânsito. O diretor executivo de mobilidade urbana de Mossoró, Luís Correia, foi um dos palestrantes e destacou a importância do evento para a construção de um trânsito mais eficiente e integrado entre os municípios potiguares.

“Mossoró hoje é uma referência e um polo no qual outros municípios se espelham, seja na metodologia de trabalho, na aproximação com o cidadão ou nas estratégias de fiscalização. Além da troca de informações, esse encontro permitiu um alinhamento para a padronização dos procedimentos municipais, facilitando a identificação dos profissionais e garantindo mais eficiência nos serviços prestados”, destacou Correia.

O evento também contou com a participação de Kasten, agente de trânsito da STTU/Natal, Arcanjo, agente do DEMUTRAN/Assú, e do inspetor Roberto Cabral, da Polícia Rodoviária Federal, que contribuíram com suas experiências e boas práticas na gestão do trânsito.

A Prefeitura de Mossoró, por meio da Secretaria de Trânsito segue empenhada no investimento em capacitação e infraestrutura, visando garantir um trânsito cada vez mais seguro e organizado para todos os mossoroenses.

Por: Italo Bruno

Natal inicia limpeza mecanizada na engorda de Ponta Negra

A Prefeitura do Natal finalizou na última terça-feira (25), o processo de contratação da empresa para fazer a limpeza da nova areia da Praia de Ponta Negra. A MB Limpeza Urbana foi escolhida após apresentar a melhor oferta e fará o serviço ao custo de R$ 67 mil.

o serviço que já foi iniciado está acontecendo na noite desta quinta-feira (27) e deve seguir entre as 18h e 5h. O objetivo é remover rodolitos e outros materiais calcários acumulados na área após a obra de engorda, que foi finalizada no fim do mês passado.

Prefeita Nilda visita Departamento de Vigilância em Saúde e reforça compromisso com servidores

A prefeita de Parnamirim, Nilda Cruz, realizou nesta quinta-feira (27) uma visita ao Departamento de Vigilância em Saúde (DVS) com o objetivo de conhecer de perto os servidores e dialogar com as equipes de trabalho. A iniciativa faz parte de um esforço para estreitar os laços entre a gestão municipal e os profissionais que atuam na área da saúde pública.

Durante a visita, a prefeita Nilda, os secretários Rogério Gurgel (Saúde) e Caio Varela (Gabinete Civil) e o vereador Irani Guedes percorreram os setores do departamento, conversaram com servidores e contemplaram a importância do trabalho realizado pela equipe do DVS no monitoramento da saúde da população. Nilda ressaltou a confiança na atuação dos profissionais, a maioria concursados, e enfatizou o compromisso da gestão em valorizar o funcionalismo público e promover as condições necessárias à continuidade dos trabalhos.

“O trabalho desenvolvido aqui é essencial para garantir a segurança sanitária da nossa cidade. Temos uma equipe qualificada e comprometida, e nosso papel é apoiar e oferecer as melhores condições para que todos possam desempenhar suas funções da melhor forma possível”, afirmou a prefeita.

Liderados pela diretora do DVS, Thulianne Lopes, os servidores receberam a visita com entusiasmo e aproveitaram a oportunidade para conversar com a prefeita, apresentar demandas e sugestões que possam contribuir para a melhoria dos serviços prestados. A gestão municipal reforçou a disposição para dialogar com os profissionais e buscar soluções para os desafios enfrentados no setor.

A visita ao Departamento de Vigilância em Saúde reforça a importância da aproximação entre a administração pública e os servidores, fortalecendo a parceria necessária para aprimorar o atendimento à população e garantir um sistema de saúde eficiente e qualificado.

DEPUTADO TAVEIRA JÚNIOR SOLICITA INSTALAÇÃO DE UNIDADE DO CORPO DE BOMBEIROS EM NÍSIA FLORESTA

O deputado estadual Taveira Júnior usou a tribuna da Assembleia Legislativa, nesta quinta-feira (27), para solicitar a instalação de uma unidade do Corpo de Bombeiros no município de Nísia Floresta. O parlamentar destacou a urgente necessidade dessa estrutura, considerando o crescimento populacional da cidade e a presença de um vasto litoral, lagoas e áreas de preservação, que exigem um serviço eficiente para atender ocorrências de incêndios, resgates e salvamentos.

Atualmente, os moradores de Nísia Floresta dependem de unidades do Corpo de Bombeiros localizadas em cidades vizinhas, o que compromete o tempo de resposta e pode colocar vidas em risco. Para acelerar a viabilização do pleito, Taveira Júnior já esteve reunido com o prefeito Gustavo Santos, reforçando o compromisso de buscar apoio junto ao Governo do Estado para garantir mais segurança e infraestrutura ao município.

A proposta apresentada pelo deputado tem grande relevância para a região, que recebe um alto fluxo de turistas e necessita de um aparato adequado para emergências. A expectativa é que o requerimento avance junto aos órgãos e sensibilize as autoridades competentes, permitindo que Nísia Floresta conte, em breve, com uma unidade própria do Corpo de Bombeiros para atender suas demandas. “A cidade merece este equipamento público e nós vamos viabilizá-lo”, completou o deputado.

www.deputadotaveirajr.com.br

COSA NOSTRA: Entenda a história da máfia italiana no RN

Foto: reprodução

Como a máfia siciliana enraizou suas operações em nosso estado? Investimentos que ultrapassam 800 milhões de reais no mercado imobiliário foram realizados por meio de uma engenhosa máquina de transferir e lavar dinheiro. A Cosa Nostra deixou no Rio Grande do Norte um rastro de golpes milionários, fraudes cartorárias, corrupção, grilagem de terras e dois assassinatos. Bem que poderia ser o roteiro de um filme policial, mas é um artigo que você começa a ler agora.

Era quase noite em Palermo, capital da Sicília, quando dois jovens, um deles com uma faca, entraram em uma pequena loja de produtos de limpeza na Via Altofonte. Depois de renderem os funcionários, os assaltantes levaram 4,5 mil euros que estavam na caixa registradora. Era 29 de agosto de 2019. Cinco dias depois, no mesmo horário, novo roubo na mesma loja: dois rapazes, fingindo estarem armados, levaram mais 2,8 mil euros.

O caminho natural do dono da loja seria procurar a polícia. Mas não foi o que aconteceu. Francesco Paolo Bagnasco preferiu telefonar para Giovanni Caruso, um membro da Cosa Nostra, organização mafiosa que desde o século XIX controla boa parte das relações socioeconômicas na Sicília. Ao analisarem imagens captadas por uma câmera de vídeo, os mafiosos identificaram três assaltantes (um deles havia participado dos dois roubos).

Na tarde de 7 de setembro, quatro dias após o segundo assalto, os três ladrões foram sequestrados e levados para um galpão. Caruso notificou o seu chefe, Giuseppe Calvaruso, bem como o dono da loja, e os três foram até o cativeiro, onde assistiram ao brutal espancamento dos assaltantes. Horas depois, Caruso descreveu, para outro membro da máfia, a face de um dos assaltantes, dizendo que parecia uma “peneira”. O dinheiro roubado foi devolvido a Francesco Bagnasco.

Sete meses depois, em abril de 2020, Bagnasco e outros cinco empresários recorreram a Calvaruso para adquirir nove partes de um grande armazém. Coube à máfia afastar outros pretensos concorrentes na compra do imóvel. Em troca, a Cosa Nostra exigiu uma taxa total de 90 mil euros – 40 mil a serem pagos apenas por Bagnasco por ele ter adquirido quatro partes do armazém. Foi a vez do empresário e seus sócios sentirem na pele a ira da máfia palermitana.

Em telefonema captado pela polícia italiana, Calvaruso ordenou que Caruso exigisse o dinheiro dos empresários antes que o negócio fosse formalizado em cartório. “Não tenha piedade”, disse o chefe. Bagnasco pagou, mas apenas uma parte – 15 mil euros. Em dezembro de 2020, Calvaruso reforçou as ameaças. “Se eles não me derem o dinheiro, tudo pode acontecer”, disse a Caruso. Em fevereiro de 2021, duas semanas antes da formalização do negócio no cartório, o chefe mafioso aumentou o tom das ameaças. “Se alguém ousar fazer a escritura sem ter pagado, não deixe ir ao cartório e meta um revólver na boca dele”, ordenou. Calvaruso falava de um lugar muito distante de Palermo, do outro lado do Oceano Atlântico – mais precisamente, de Natal, no Rio Grande do Norte.

Parte do dinheiro extorquido dos empresários custeou as despesas de familiares dos membros da Cosa Nostra que estão presos. Outra parte foi enviada ao Rio Grande do Norte, onde, ao longo de dezessete anos, sob o comando de Calvaruso, a máfia siciliana investiu 800 milhões de reais no mercado imobiliário por meio de uma engenhosa máquina de transferir e lavar dinheiro. Durante esse tempo, a Cosa Nostra deixou no estado nordestino um rastro de golpes milionários, fraudes cartorárias, corrupção, grilagem de terras e dois assassinatos.

Giuseppe Calvaruso tem cabelos castanho-claros, repartidos ao meio, e baixa estatura, o que lhe rendeu o apelido, entre os mafiosos sicilianos, de u curtu (o curto, literalmente, ou o baixote). Em 47 anos de vida, a maior parte atuando como empresário da construção civil, adquiriu o respeito da cúpula da Cosa Nostra, sobretudo depois de ter ajudado na fuga de Giovanni Motisi, no fim dos anos 1990. Motisi foi um dos mais sanguinários assassinos de aluguel de Salvatore “Totò” Riina, mafioso que aterrorizou a Sicília e foi o mandante dos assassinatos, em 1992, dos juízes Giovanni Falcone e Paolo Borsellino, responsáveis pelo Maxiprocesso de Palermo. Em 1993, Riina foi preso. Morreu em 2017, aos 87 anos.

Cada município da Sicília (ou, no caso das maiores cidades, cada bairro ou distrito) possui um líder mafioso, chamado capomandamento (mandamento é uma região controlada por determinado clã criminoso). Antonino Rotolo, o capomandamento de Pagliarelli, está preso desde 2006. Quem o substitui desde 2015 é Calvaruso, mas na condição de “regente”, como se chama o líder temporário. Em conversa interceptada pela polícia italiana, o regente disse ter à disposição cerca de 1 bilhão de dólares para investir.

Em fevereiro de 2009, Pietro Ladogana, um homem alto de queixo anguloso que, para a PF, era testa de ferro da Cosa Nostra, desembarcou em Natal. Na capital potiguar, ele fundou três empresas do ramo imobiliário, com um capital social total de 3,8 milhões de reais, e casou-se com Tamara Maria de Barros. A brasileira seria usada como laranja pelo italiano, que colocou no nome dela boa parte dos imóveis que adquiriu.

Mas Ladogana também começou a grilar terras com o uso da violência. Chegou a criar uma milícia formada por policiais militares para expulsar moradores em Extremoz, município na Região Metropolitana de Natal, onde contava com a ajuda do então tabelião do cartório local e ex-prefeito João Soares de Souza, e de servidores da prefeitura para falsificar documentos que garantissem a posse dos imóveis. Quando o então secretário de Tributação de Extremoz Giovanni Gomes contrariou os interesses do esquema, Ladogana ordenou que um dos PMs de sua milícia, Alexandre Douglas Ferreira, “desse um susto nele” – como a mulher do mafioso contou à Polícia Civil. Gomes levou um tiro de raspão na perna quando saía da festa de formatura do filho, em uma noite de agosto de 2013.

No caso de outro desafeto, o desfecho foi trágico. O empresário italiano Enzo Albanese, que dirigia um time de rugby em Natal e não tinha relações com a Cosa Nostra, descobriu as fraudes fundiárias de Ladogana, bem como desvios de parte do dinheiro da máfia para o próprio bolso, e ameaçou denunciar tudo à polícia. Em março de 2014, Albanese foi ameaçado de morte, caso ousasse delatar seus esquemas. Mas ele não recuou. Em 2 de maio do mesmo ano, ele fechava o portão de entrada de sua casa quando o policial Ferreira se aproximou em uma moto e atirou. O italiano morreu no local. Um mês depois, a Justiça de Natal decretou a prisão preventiva de Ladogana, que foi detido no aeroporto de Roma, onde tentava embarcar para o Brasil com 120 mil euros escondidos na roupa. Acabou liberado meses depois, na Itália, e ficou no país natal. Tempos depois, recebeu uma pena de catorze anos de reclusão, que ele cumpre na penitenciária de Alcaçuz, no Rio Grande do Norte. Ferreira não chegou a ser julgado – a Justiça o considerou inimputável, depois que foi diagnosticado com esquizofrenia.)

Em 2016, Calvaruso iniciou o processo de troca do operador da lavanderia de dinheiro da máfia no Brasil. Recorreu então ao empresário Giuseppe Bruno (foto no início do artigo), cuja família lavava dinheiro para a máfia desde os anos 1990 na construção civil da Sicília, de acordo com a polícia italiana.

Em Natal, Bruno e Calvaruso investiram 830 mil euros na compra de novas áreas nos arredores de Natal, inclusive uma fazenda que seria transformada em loteamento com perspectivas de ganhos milionários. “Gostaria de salientar que estamos falando de 180 hectares, onde há a possibilidade de construir cerca de 7.500 casas, que por 100 mil reais são 750 milhões de reais de faturamento, com um lucro residual de mais de 50%…”, escreveu Bruno, por e-mail, a um integrante da máfia na Sicília. No total, segundo o Ministério Público Federal, a máfia adquiriu 76 imóveis no Brasil.

Certo dia, em um shopping de Ponta Negra, local abastado da cidade, Bruno conheceu Sara da Silva Barros, de 37 anos de idade. Logo, ela se tornaria não só a mulher de Bruno, como sua testa de ferro preferida, já que não tinha antecedentes criminais. “Sara é cem por cento limpa”, escreveu ele para Calvaruso, por WhatsApp. Foi em nome dela que Bruno e Calvaruso montaram a pizzaria e cafeteria Italy’s, na orla de Natal.

O policial e advogado Carlos Menezes conheceu Bruno em 2016, quando o italiano e Nino Spadaro foram até a Delegacia de Apoio e Assistência ao Turista (Deatur), em Natal, onde o então agente trabalhava, para fazerem um boletim de ocorrência contra João Soares de Souza, tabelião do cartório de imóveis de Extremoz, e seu filho, Gustavo Eugênio Costa de Souza. Segundo Bruno, o tabelião e o filho haviam falsificado a escritura de uma área de 29 hectares adquirida pela empresa Tecnobloco Construções Ltda., da qual o italiano se dizia sócio e procurador, para revendê-la a terceiros por 16 milhões de reais.

Por causa do alegado prejuízo pela perda do terreno, Bruno e Spadaro passaram a pressionar o tabelião, que se comprometeu a pagar 1,2 milhão de reais e a entregar outra área a eles. Mas Souza só pagou 150 mil reais, e os italianos descobriram que os documentos da área oferecida eram falsos.

Na discussão com os italianos, o tabelião ameaçou Bruno e seu advogado com um revólver, dentro do cartório de Extremoz, o que motivou um segundo boletim de ocorrência contra Souza, agora por ameaça, registrado pelo então policial Menezes no fim de 2017, na mesma Deatur. A aproximação com o policial fez com que este fosse convidado a trabalhar como segurança para a viagem que a mãe de Bruno fez da Itália ao Brasil.

Em março do ano seguinte, Souza e o filho foram denunciados à Justiça por estelionato, corrupção passiva e lavagem de dinheiro, acusados de uma série de fraudes documentais. Souza morreu um mês depois, de causas naturais. Gustavo, seu filho, foi absolvido. Sem saída, Bruno ingressou com ação na Justiça contra o tabelião e o filho, e a 1ª Vara de Extremoz condenou o espólio de Souza e também Gustavo a indenizarem Bruno em 22 milhões de reais.

Retornando ao Brasil em 2019, Calvaruso, regente da Cosa Nostra, acelerou os investimentos da máfia. Concluiu a construção de uma casa dentro de um resort em Bananeiras, interior da Paraíba; comprou dois apartamentos em Cabedelo, município vizinho a João Pessoa; adquiriu duas empresas em Natal (uma delas dona de imóveis avaliados em quase 4 milhões de reais, no total) e fundou a pizzaria Italy’s.

Em 2021, os primeiros policiais italianos desembarcaram em Natal para rastrear o patrimônio amealhado pela máfia e seguir de perto os passos de Giuseppe Bruno.

No ano seguinte, em maio, o governo italiano decidiu solicitar formalmente um acordo de cooperação com o Ministério Público Federal (MPF) brasileiro para “a obtenção de dados confiáveis sobre rastreabilidade dos grandes fluxos financeiros movidos da Itália para o Brasil e informações sobre bens atribuídos a Giuseppe Calvaruso e outros”. A investigação do MPF, da PF e da Receita Federal, iniciada em outubro de 2022, não só confirmou os dados já investigados desde a Itália como encontrou novas suspeitas sobre o patrimônio do trio Calvaruso-Ladogana-Bruno no Rio Grande do Norte.

Em novembro de 2023, a PF encaminhou à Justiça os pedidos de prisões preventivas e de buscas. Em poucas semanas as requisições foram acatadas pela 14ª Vara Federal de Natal, mas a operação tinha de ser deflagrada ao mesmo tempo no Brasil e na Itália, onde havia outros participantes do esquema mafioso. A Justiça italiana demorou a conceder os pedidos de prisão (só o fez em agosto de 2024).

Bruno foi preso na manhã de 13 de agosto de 2024. No mesmo dia, a Direção Distrital Antimáfia de Palermo prendeu na Itália a mãe dele, Rosa Simoncini. No Brasil, nove pessoas, incluindo Calvaruso, Bruno e sua ex-mulher, Ladogana, sua ex-mulher, Tamara Barros, e a atual, Regina Souza, são réus em ação penal, ainda não julgada, na 14ª Vara Federal de Natal, acusados de associação criminosa e lavagem de dinheiro. Em dezembro passado, o inquérito da polícia italiana seguia em andamento.

O advogado de Calvaruso na Itália, Michele Giovinco, disse à revista piauí que a Justiça ainda não provou a responsabilidade do réu na suposta extorsão aos compradores do armazém na via Altofonte, em Palermo, nem na lavagem de dinheiro na compra e venda de imóveis no Brasil. “Não há provas processuais nas investigações italianas de transferência de dinheiro de Hong Kong ou Cingapura, nem para a Itália e nem para o Brasil”, afirmou.

Em nota, a defesa de Ladogana informou apenas que o patrimônio dele no Brasil “foi adquirido com muito trabalho” e que o empresário nunca teve envolvimento com a Cosa Nostra. Nino Spadaro não quis se manifestar. A defesa de Bruno não foi localizada.

A última ponta solta dos esquemas da máfia siciliana no Rio Grande do Norte é o assassinato de Carlos Antonio Lopes da Silva, o taxista que se tornou laranja de Pietro Ladogana e era dono formal de duas empresas e de dezenas de imóveis no estado. Mesmo depois da prisão do italiano, em 2019, Silva continuou próximo dele – era uma das pessoas autorizadas por Ladogana a visitá-lo na prisão em Alcaçuz.

Na noite de 1º de março de 2023, Silva dormia em sua casa no bairro Pitangui, em Extremoz, com a mulher e as duas filhas do casal, quando ouviu a porta da entrada sendo arrombada. Pegou um bastão e conseguiu atingir um dos invasores, mas acabou levando sete tiros de pistola de outro criminoso. Morreu ao lado da sua cama.

A principal suspeita da polícia é que Silva tenha sido morto a mando de um empresário potiguar que teria grilado parte dos terrenos da Cosa Nostra no estado. Responsável pelo inquérito, o delegado André Kay, titular da Delegacia de Homicídios e Proteção à Pessoa de Ceará-Mirim, não revela a identidade do suspeito para não atrapalhar as investigações. Passados quase dois anos do crime, o inquérito ainda não foi concluído.

Revista Piauí

O Supremo Tribunal ainda sob ataque

Kakay de 27-02-2025 - Arte Kiko
Kakay de 27-02-2025Arte Kiko
“Aperfeiçoa-te na arte de escutar, só quem ouviu o rio pode ouvir o mar.”
Leão de Formosa, poema O Búzio e a Pérola.
É preciso sim discutir a denúncia contra Bolsonaro e seu bando que foi apresentada pelo Dr. Paulo Gonet ao Supremo Tribunal. É uma peça técnica e contundente. A turma que apoia Bolsonaro tentou, de diversas maneiras, desacreditar o trabalho da Polícia Federal, que coordenou a investigação, e, agora, lança dúvida sobre o trabalho do Ministério Público. Faz parte do jogo da defesa, e, de certa maneira, as críticas desencontradas que acompanhamos só reforçam certo desespero por parte de quem, no fundo, sabe que o cerco se fechou.
Tanto o trabalho sério e muito bem desenvolvido pela Polícia Federal quanto a peça assinada pelo procurador-geral da República, não deixam margem para dúvida: os golpistas serão condenados pela Suprema Corte. E responderão pela tentativa de instalar uma Ditadura no país. Ocorreu uma gravíssima tentativa de destruir as instituições democráticas e romper com a ordem institucional. O Brasil demonstrou que as instituições estão sólidas e que os valores democráticos continuarão vigendo.
Devemos estar atentos, pois todas as forças golpistas se voltarão, ainda mais, contra o Supremo Tribunal Federal, que, já há algum tempo, está sob ataque. Na bem arquitetada peça de acusação, seguindo o relatório elaborado pela Polícia Federal, o Ministério Público relatou, com minúcias, os inúmeros ataques que foram desferidos contra o Poder Judiciário, especialmente contra o STF e o TSE. Agressões que saíram do âmbito da Corte para se concentrarem, covarde e perigosamente, contra os ministros e seus familiares.
Foi chocante ver revelado o plano, que chegou a ser iniciado, de prender e matar o ministro Alexandre de Moraes. Mesmo parte da direita se assustou com a ousadia dos golpistas. Não existe mais dúvida: tivesse o golpe vingado, boa parte dos democratas seriam mortos, presos ou teriam que ir para o exílio. E, é bom frisar para os incautos, o crime que está descrito minuciosamente é mesmo de tentativa. Afinal, se o golpe fosse consumado, nós não estaríamos aqui para questionar e contar a verdade. A história, em um primeiro momento, é dirigida por quem vence. Quem apoia a Ditadura sabe os caminhos da barbárie, da mentira e da destruição dos valores democráticos.
Os últimos áudios que vieram a público deixam muito claro a enorme trama que foi urdida para a tentativa de golpe. O argumento de que o Exército e a Aeronáutica não aderiram, o que revoltou os golpistas, apenas fortalece a descrição exata da tentativa de golpe. Este é o crime. Se toda a tropa tivesse aprovado, possivelmente teríamos tido o golpe. Se bem sucedido, não haveria o crime de tentativa e estaríamos todos vivendo uma Ditadura militar.
E o Bolsonaro, sem nenhuma chance de questionamento, era o chefe da intentada golpista. Mexeu no decreto, articulou, tentou convencer os chefes militares e dedicou-se a desmoralizar as instituições, especialmente o STF. Enfim, dentro das suas evidentes deficiências intelectuais, fez o que pôde e conseguiu fazer. Felizmente, resistimos e, agora, temos o direito e a obrigação de acompanharmos o julgamento. O Supremo Tribunal está e estará sob ataques. É hora de estarmos, outra vez, ao lado da Constituição e da Democracia.
“Às vezes o silêncio é mentir. Mas não convencerá. Pois para convencer precisará do que lhe falta: a razão e o direito em sua luta.”
Unamuno, na resposta ao general franquista Millán Astray que, na Universidade de Salamanca, gritou: “!Viva la muerte!”
Antônio Carlos de Almeida Castro, Kakay
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Prefeita Nilda concede reajuste do piso salarial a todos os professores

A Prefeita Nilda concedeu nesta quarta-feira (26), o reajuste de 6,27 % sobre o piso salarial do magistério para todas as categorias e letras dos professores da rede municipal de ensino de Parnamirim.

A valorização salarial dos docentes, além de estar prevista em lei, é a base da política educacional e impulsiona o município para o desenvolvimento, além de garantir um futuro melhor para crianças e jovens.

“Eu sou professora e educação para mim é prioridade, e não existe educação sem valorização dos professores; hoje é um dia muito especial para mim e para Parnamirim”, afirmou uma emocionada Nilda.

O reajuste vale para o ano de 2025 e ainda é retroativo a 1° de janeiro.