Estudos indicam segurança das vacinas em crianças, grávidas e lactantes

Os primeiros estudos com crianças, grávidas e mães que amamentam dão sinais de que a vacinação contra a covid-19 nesses grupos pode ser segura e eficaz. As análises ainda são preliminares, mas indicam aos cientistas um caminho a seguir para garantir uma imunização mais completa da sociedade.

Esses 3 grupos não foram incluídos nos testes clínicos gerais, que já indicaram a segurança e eficácia de diversas vacinas contra o coronavírus, porque são grupos populacionais com características próprias. Mas para garantir que a taxa de transmissão do vírus diminua ao menor nível possível e evitar a criação de novas variantes do vírus é preciso que essas pessoas também sejam vacinadas.

Uma das maiores preocupações dos cientistas são os pré-adolescentes e adolescentes. A forma como o vírus circula e é transmitido nessa parte da população é similar à transmissão entre adultos. Por isso, os pesquisadores acreditam que é possível que mesmo com a vacinação do restante da população, o coronavírus continue circulando entre as crianças e desenvolva variantes perigosas. Em países com a vacinação avançada, esse grupo passou a ser um ponto de atenção.

Um desses países é Israel, que já avançou em estudos com crianças. O país vacinou com o imunizante da Pfizer/BioNTech 600 pessoas de 12 a 16 anos que são mais vulneráveis ao coronavírus por doenças pré-existentes. Até o momento, nenhum efeito colateral grave foi registrado. A própria farmacêutica está conduzindo um estudo e espera confirmar a segurança da vacina para menores de 16 anos nos próximos meses.

AstraZeneca também está realizando um estudo com crianças e adolescentes de 6 a 17 anos. Os testes começaram em fevereiro no Reino Unido e não há previsão para resultados. Já a CoronaVac, que também é utilizada no Brasil, ainda não tem previsão para testar a vacina em outras faixas etárias.

Já as lactantes receberam indicações da comunidade médica de que a vacinação é segura. Um estudo clínico em Israel mostrou que a vacinação com os imunizantes da Pfizer e da Moderna é eficaz para quem amamenta, além do leite materno passar a ter anticorpos contra a covid-19. A pesquisa, no entanto, ainda não foi revisada por pares para garantir que os resultados são verdadeiros.

Também é preciso que as outras vacinas sejam testadas, já que cada uma tem uma composição diferente. Mas ainda assim, a OMS (Organização Mundial da Saúde) já afirmou que em casos específicos: “a vacina pode ser oferecida a uma lactante que seja parte do grupo recomendado de vacinação (por exemplo, profissionais da saúde), e não se recomenda a interrupção da amamentação depois da vacina“.

Para as grávidas, segundo um estudo da Universidade de Harvard, vacinas que são produzidas com tecnologia genética são seguras e eficazes. Entre os imunizantes contra a covid-19, o da Pfizer e da Moderna utilizam essa tecnologia. Já a CoronaVac e a da AstraZeneca, utilizadas no Brasil, é com uma tecnologia diferente, a viral, e precisam de testes próprios.

Poder 360.

EUA: “Não venham para cá, as fronteiras estão fechadas”

O Secretário de Segurança Nacional dos Estados Unidos, Alejandro Mayorkas, disse em entrevista à rede de TV ABC no domingo (21.mar) que as fronteiras do país estão fechadas para os imigrantes: “A mensagem é clara, não venham. A fronteira está fechada, a fronteira é segura”.

A declaração vem na esteira de uma crise migratória enfrentada pelo presidente Joe Biden já nos primeiros meses de gestão. De acordo com a CNN, o secretário afirmou que a quantidade de pessoas tentando cruzar a fronteira com o México “caminha para ser a maior em 20 anos”. A situação é ainda mais preocupante porque há cerca de 4.200 crianças desacompanhadas sob custódia da polícia migratória norte-americana. O presidente também já foi à TV na 3ª (16.mar) para reforçar a mensagem: “Eu digo claramente: não venham”, declarou o democrata. “Não saiam das suas cidades”.

Depois de 4 anos de governo Trump, cuja política para barrar o fluxo de imigrantes para os EUA incluiu a construção de um muro na fronteira com o México, havia uma expectativa sobre como Biden lidaria com o tema. Uma das primeiras medidas do democrata foi interromper a construção do muro.

Poder 360.

Gilmar pauta recurso que pode anular denúncias contra advogados de Lula e Bolsonaro

Gilmar Mendes incluiu na pauta da Segunda Turma do STF o julgamento de um recurso que pode anular as denúncias feitas pela Lava Jato do Rio de Janeiro contra os advogados de Lula e Jair Bolsonaro por suposto envolvimento no esquema de desvio de dinheiro da Fecomércio, diz a Crusoé.

Em outubro, o ministro suspendeu por meio de liminar as ações recebidas pelo juiz Marcelo Bretas, a pedido da OAB.

A investigação mirou Cristiano Zanin, advogado de Lula; Eduardo Martins, filho do presidente do STJ; Adriana Ancelmo, mulher do ex-governador Sérgio Cabral; e Frederick Wassef, ligado à família de Jair Bolsonaro.

Agora, a reclamação feita pela OAB, que pede a nulidade de todas as decisões de Bretas, será julgada pela Segunda Turma no dia 30 de março.

O antagonista.

Bolsonaro fala em “tiranos” e diz que “estão esticando a corda” sobre restrições

Sérgio Lima/Poder360 21-03-2021

O presidente Jair Bolsonaro disse neste domingo (21.mar.2021) que “estão esticando a corda” ao se referir a medidas de governadores que restringem a circulação de pessoas nos Estados.

“Alguns tiranetes, ou tiranos, tolhem a liberdade de muitos de vocês. Pode ter certeza o nosso exercito, é o verde oliva é vocês também. Contem com as forças armadas pela democracia e pela liberdade. E conte com o povo também.”

Apoiadores se reuniram em frente ao Palácio da Alvorada, residência oficial do presidente, para cantar parabéns pelos 66 anos do presidente. Bolsonaro apareceu para conversar com o público.

“Estão esticando a corda. Faço qualquer coisa pelo meu povo. Esse qualquer coisa é o que está na nossa Constituição, nossa democracia e nosso direito de ir e vir.”

O grupo levou um um bolo de aniversário do Palmeiras para Bolsonaro.

Além disso, uma carreata de apoiadores saiu da Esplanada dos Ministérios às 10h da manhã para se juntar ao grupo que o esperava do lado de fora da residência.

 

O presidente disse ainda que está fazendo tudo que pode para combater o coronavírus e que fez o que classificou como “o maior programa social do mundo”, que foi o auxílio emergencial. Ainda assim, criticou medidas que impedem as pessoas de trabalhar.

“O trabalho [interrompido por gritos de “queremos trabalhar”] dignifica o homem e a mulher. Ninguém quer viver de favor do Estado. Quem vive de favor do estado abre mão da sua liberdade.”

Segundo Bolsonaro, ele e seus apoiadores estão do lado certo, “do bem”, no que ele chamou de batalha. Para ele, o Brasil afundará em socialismo se for por um caminho de miséria e probreza.

“Nós vamos vencer essa batalha, pode ter certeza que nós estamos do lado certo. Do lado do bem. Nós não queremos que o Brasil mergulhe num socialismo. O caminho para mergulhar no socialismo é aquele onde o povo vai par a miséria, vai para a fome e vai para o tudo ou nada. Nós não trilharemos esse caminho.”

O governador do Distrito Federal, Ibaneis Rocha (MDB), por exemplo, ampliou por mais uma semana as restrições de circulação da população e com fechamento dos serviços não essenciais. O Executivo brasiliense publicou um novo decreto na 6ª feira (19.mar).

Também nesse dia, o presidente perguntou a apoiadores se a população estaria preparada para uma ação do governo federal contra as medidas restritivas de Estados e municípios.

“Será que o governo federal vai ter que tomar uma decisão antes que isso aconteça? Será que a população está preparada para uma ação do governo federal dura tocante a isso? Que que é dura? É para dar liberdade para o povo. É para dar o direito do povo trabalhar, não é ditadura não. Uns hipócritas falam aí em ditadura o dia todo, uns imbecis.”

Poder 360.

Fábio Dantas pede união da classe política para salvar o RN e ataca o governo Fátima Bezerra

O ex-vice-governador, Fábio Dantas, em entrevista ao programa a voz da liberdade de Parnamirim, rompeu o silêncio e não poupou críticas à governadora, Fátima Bezerra, ele afirma não acreditar na sua reeleição em 2022. Sempre apresentando números que revelam o desequilíbrio do estado, Fabinho bateu duro no PT, disse que a onda Lula não irá influenciar na disputa para reeleição da governadora, pois quando o líder do Partido dos Trabalhadores estava no auge, não consegui eleger Fátima para prefeitura de Natal.

Fábio Dantas continuou o ataque e chamou atenção para as reformas estruturais no RN, que não foram feitas nem por Robinson Farias, nem pelo governadora Fátima.

Além disso, Dantas ressaltou que caso ela não consiga unir a classe política em torno de um projeto único para salvar o RN, não obterá sucesso na sua reeleição em
2022. O ex-vice-governador descartou a possibilidade de ser vice do Capitão Styvenson que pelo andar da carruagem vencerá sem maiores problemas.

Fábio confiou na sua metralhadora giratória, mas sempre tendo como alvo Fátima Bezerra, que há vários anos faz parte da elite política, pois foi de Deputada Estadual a governadora, passando por todos os cargos sempre com salários elevadíssimo, bem diferente dos profissionais da sua categoria, os professores.

No decorrer do bate papo, ele pediu uma atenção maior para os trabalhadores que utilizam o transporte público, pois nesse período de pandemia, vem sendo as principais vítimas do coronavírus.

Ele apontou um caminho que no entender do político seria a solução, implementação de algum incentivo fiscal para manter o distanciamento nos coletivos do estado.

Enquanto, o cenário não se define, continuaremos por aqui, atentos aos bastidores da política norte-rio-grandense.

Chile é o país da América do Sul com vacinação mais adiantada; veja números

Sérgio Lima/Poder360 11-03-2021

O Chile é o país que mais vacina sua população contra a covid-19 na América do Sul. A cada 100 pessoas, aproximadamente 43 já receberam ao menos uma dose. O Brasil está em 4º lugar no continente, com uma média de 6 pessoas vacinadas a cada 100 habitantes.

Os dados são do Our World in Data e foram atualizados até 5ª feira (18.mar. 2021). Dos 12 países sul-americanos, 8 mantêm informações regulares e atualizadas sobre a campanha de vacinação contra o coronavírus em seus territórios. Só Suriname, Guiana, Equador e Venezuela não disponibilizam dados. Como a Guiana Francesa não é um país, e sim um território da França, não foi considerada no levantamento.

A situação do Chile é uma exceção na América do Sul. A vacinação em todos os outros países não alcançou 10 pessoas entre 100 habitantes. Com uma população de cerca de 18,7 milhões, o Chile já conseguiu imunizar 28% da sua população, ou pouco mais de 5 milhões de pessoas. Representa toda a população de risco para a covid.

O país também avança na imunização completa: 13% da população já recebeu as duas doses. O objetivo do governo é vacinar o restante do país até o fim do 1º semestre.

A campanha de vacinação chilena começou em 24 de dezembro de 2020. Atualmente, as vacinas aplicadas são a CoronaVac, Pfizer e AstraZeneca/Oxford. O Chile escolheu negociar as vacinas ainda no 1º semestre de 2020 para garantir que o país tivesse doses o suficiente dos imunizantes.

Em contraste, o Paraguai é o país com a pior taxa de vacinação entre os países sul-americanos que divulgam os índices de imunização. Até 18 de março, levando em consideração toda a população paraguaia, menos de uma pessoa (0,19) foi vacinada a cada 100 habitantes.

O governo do Paraguai é acusado de má-gestão da pandemia e o país já foi palco de diversos protestos desde o início de março. Os manifestantes pediram a renúncia do presidente Mario Abdo Benítez. Um processo de impeachment foi aberto, mas o Congresso do país manteve Marito, como é conhecido o político, no cargo.

VACINAÇÃO NO BRASIL

Na América do Sul, o Brasil é o 4º no ranking de vacinação. A cada 100 habitantes, aproximadamente 6 foram vacinados contra a covid-19. O governo brasileiro também utiliza a CoronaVac e a vacina da AstraZeneca em sua campanha, como no Chile. Mas a vacinação começou mais tarde: em 17 de janeiro. Além disso, as campanhas Estaduais já foram paralisadas diversas vezes por falta de doses.

O país completou 2 meses de vacinação contra a doença na 4ª feira (17.mar.). No período, apenas 5% dos 213 milhões de brasileiros receberam a 1ª dose da vacina.

Na 6ª feira (19.mar), o Ministério da Saúde assinou contratos com as farmacêuticas Pfizer e Janssen (braço farmacêutico da Johnson & Johnson) para a compra de 138 milhões de doses de vacinas contra a covid-19. As vacinas devem ser entregues até o final de 2021, o que pode acelerar a vacinação em todo o país.

O Brasil precisa avançar na campanha de vacinação para conter as infecções por coronavírus. Nas últimas semanas o país tem registrado recorde de mortes e de casos. Além disso, também enfrenta as novas variantes do coronavírus. Na semana passada, mais uma cepa do vírus foi descoberta no Brasil, que já se tornou um “celeiro de variantes”, segundo especialistas.

Poder 360.

Brasil é um celeiro de variantes para o coronavírus, afirmam especialistas

A falta de restrições mais severas, como o lockdown, fez com que o Brasil se tornasse o ambiente perfeito para que o coronavírus evoluísse e se tornasse ainda mais perigoso. É o que muitos estão chamando de “celeiro de variantes“. Especialistas consultados pelo Poder360 afirmam que se as recomendações sanitárias tivessem sido seguidas corretamente e o governo tivesse investido na vacinação desde o início, a situação do país seria outra.

Até o momento, o Brasil conta com duas variantes do coronavírus identificadas pela Rede Genômica da Fiocruz (Fundação Oswaldo Cruz). Na última 6ª feira (12.mar.2021), mais uma cepa do vírus foi descoberta no Brasil, chamada provisoriamente de VOI.9 (variante de atenção, em inglês).

Uma variante de atenção tem esse nome porque carrega mutações que podem fazer com que o coronavírus sejam mais transmissíveis ou até mais resistentes à vacinas. As outras duas variantes brasileiras, a P.1 (descoberta em Manaus) e a P.2 (descoberta no Rio de Janeiro), também são variantes de atenção. O estudo que descobriu a VOI.9 ainda precisa ser avaliado por outros cientistas para que ela seja considerada mais uma cepa do vírus.

A Rede Genômica Fiocruz faz o mapeamento das variantes no Brasil com sequenciamento genético. O gráfico acima mostra a frequência de cada variante entre os casos de infecção em todo o Brasil até fevereiro de 2021Reprodução/Rede Genômica Fiocruz

Mas o surgimento dessas, e até de outras variantes, não é nenhuma surpresa. “Em um país que não tem nenhuma restrição para realmente conter a infecção, é esperado que mutações aconteçam. Quando a transmissão é muito grande, é isso o que acontece“, diz Denise Garrett, epidemiologista e vice-presidente do Sabin Vaccine Insitute.

A médica afirma que Manaus, onde surgiu a P.1, é exemplo das políticas falhas brasileiras. A cidade passou por um surto de covid-19 ainda em 2020, com alto número de casos e mortes. Quando as mortes diminuíram, a população não manteve as regras de distanciamento e voltou a circular pela cidade.

Manaus teve uma diminuição por causa dos anticorpos que as pessoas desenvolveram após a transmissão. Mas as infecções continuaram e cada uma delas é uma chance que o vírus tem de sofrer mutações. Até que surja uma variante que consegue driblar os anticorpos“, explica Garrett.

Toda vez que um vírus é transmitido, ele se altera um pouco. Com a taxa de transmissão tão alta no Brasil, o coronavírus teve diversas oportunidades de se alterar até que conseguiu se transformar em uma versão que supera as defesas que o corpo humano criou contra a infecção. Segundo o último boletim (íntegra – 332 KB) do Imperial College de Londres, no Reino Unido, até 12 de março, a taxa de transmissão no Brasil estava em 1,14. Ou seja, cada 100 pessoas com o vírus no país infectam outras 114.

Medidas de controle e vacinação são o que contém a replicação do vírus e, assim, o surgimento de novas variantes. E mesmo que mutações ocorram, se a transmissão estiver em baixa, elas não vão se espalhar pelo país como já aconteceu com as outras“, diz Garrett.

Um levantamento do Poder360 mostrou que cidades brasileiras que aplicaram o lockdown tiveram diminuição no número de mortes e infecções por covid-19 em 3 semanas. Restrições mais rígidas também fazem com que a circulação das pessoas e do vírus diminua.

 

Mas o presidente Jair Bolsonaro já ameaçou agir contra as restrições impostas por governadores e entrou com uma ação no STF (Supremo Tribunal Federal) contra as medidas. “Jamais eu adotaria o lockdown no país”, afirmou.

VACINAS, DIPLOMACIA E VARIANTES

Outro ponto importante para impedir a evolução do vírus é a vacinação da maior parte da população. No entanto, o Brasil tem um ritmo lento de vacinação. Em 2 meses de campanha, apenas 5% dos 213 milhões de habitantes tomaram a 1ª dose.

A imunização já foi paralisada diversas vezes nos Estados por falta de doses. E esse pode ser um problema que está longe de ser solucionado. Felipe Loureiro, coordenador do curso de Relações Internacionais da USP (Universidade de São Paulo), que a falta de vacinas tem origem no desinteresse do Brasil em comprá-las antes. E, agora, os imunizantes são recursos desejados por todos os países, inclusive os que fecharam contratos com as farmacêuticas em 2020.

O Brasil não teve interesse em comprar as vacinas, não deu importância, além da posição negacionista e até agressiva do alto escalão do governo com a China. Quando houve interesse, como com a China e a Índia, houve uma inabilidade de negociar surpreendente, porque o Itamaraty tem negociadores internacionais experientes e muito bons. E agora, que o Brasil está correndo atrás, a maioria das doses já pertencem a outros países por contrato“, diz Loureiro.

Ainda no início da pandemia, em março de 2020, o filho do presidente, Eduardo Bolsonaro (PSL-SP) atribuiu à China responsabilidades pela pandemia. “Quem assistiu Chernobyl vai entender o que ocorreu. Substitua a usina nuclear pelo coronavírus e a ditadura soviética pela chinesa. A culpa é da China“.

A embaixada da China no Brasil e o embaixador chinês Yang Wanming rebateram e afirmaram que o país asiático repudia veementemente as declarações do congressista e exigiu pedido de desculpas. O chanceler Ernesto Araújo defendeu o filho do presidente e em seguida o Ministério das Relações Exteriores pediu o afastamento de Wanming. O pedido foi negado.

Agora, de acordo com Loureiro, o país está no pior momento diplomático desde o início da pandemia. Para o pesquisador, além de ser, como a própria OMS já declarou, uma ameaça para os países da América do Sul, o Brasil representa um risco para a humanidade. “Porque você tem a formação de novas variantes que eventualmente podem até ser resistentes às vacinas. Isso significa o descontrole da pandemia a médio e longo prazo, uma ameaça para a saúde e para a economia global.

E essa imagem do Brasil como ameaça faz com que o país fique cada vez mais isolado no cenário internacional. Por isso que tentativas recentes do governo de negociar com Israel, um país que o presidente Bolsonaro vê como aliado, um remédio experimental contra a covid-19 também não ocorreram como planejado. “Nenhum país vai gastar capital político para ajudar um governo que foi sempre negacionista“, afirma Loureiro.

E, novamente, a solução é a vacinação. “A vacinação em massa é a única saída para as crises de saúde pública e econômica. Antes disso também é muito difícil que os diplomatas, por melhor que sejam, consigam obter bons resultados em negociações internacionais relacionadas à pandemia“.

Garrett concorda que é preciso acelerar a vacinação. E, para ela, existe um senso de urgência ainda maior por causa das variantes. “Temos que aproveitar que as vacinas ainda funcionam e vacinar o maior número de pessoas possível. A chance de uma variante aparecer que pode escapar a imunidade das vacinas é real. Precisamos nos prevenir, com vacina e medidas de controle, para evitar isso.

Poder 360.

Cenário político atual traz mais perguntas do que respostas

Os dados revelados pela pesquisa PoderData divulgada na 4ª feira (17.mar.2021) e confirmados recentemente pelo Datafolha e pelo Ipespe deixam claro que nas últimas semanas houve uma mudança de placas tectônicas no cenário político brasileiro.

As razões são múltiplas, mas vale destacar as que tiveram maior peso: 1) recrudescimento da pandemia com recorde de mortos, infectados e falta de UTIs em diversas cidades do país; 2) aumentos simultâneos no desemprego e na inflação, sobretudo em itens da cesta básica e combustíveis; 3) retorno de Lula como provável candidato na eleição de 2022.

Nas últimas rodadas do PoderData, que faz levantamentos a cada duas semanas, havia mudanças sutis nas taxas de aprovação do governo. Na rodada atual, os números mudaram de maneira expressiva.

A avaliação positiva (percentual de “ótimo” e “bom”) do trabalho pessoal de Jair Bolsonaro caiu de 31% no início de março para 24% agora. A avaliação negativa (percentual de “ruim” e “péssimo”) do governo subiu de 47% para 52%.

O impacto dos acontecimentos dos últimos dias fica ainda mais claro quando são observados os dados de aprovação e desaprovação do governo federal como um todo. O índice de aprovação do governo despencou de 40% para 32% e o percentual de desaprovação subiu de 51% para 54%.

Isso significa que no período de duas semanas dobrou a diferença entre a aprovação e a desaprovação do governo Bolsonaro. Esse saldo era de 11 pontos no início de março. Passou para 22 pontos agora.

Ainda assim, é preciso notar que o governo Bolsonaro conta com uma avaliação positiva na faixa dos 25% a 30% da população. É um patamar muito mais alto do que Dilma Rousseff e Michel Temer tinham durante parte de seus governos.

Então, o que pode explicar a persistência de uma popularidade relativamente alta do presidente Bolsonaro mesmo em um cenário de piora da pandemia e das condições econômicas?

Novamente é preciso ressaltar que não existe um fator único capaz de explicar a relativa estabilidade na avaliação do governo Bolsonaro apesar do aparente agravamento da crise atual. Existem múltiplas variáveis que atuam de maneira simultânea e têm pesos diferentes de pessoa para pessoa. Mas há, sim, fatores causais que parecem ser de maior relevância.

Em primeiro lugar, a responsabilidade da atual crise é dividida entre o governo federal e os governos estaduais e municipais. Ou seja, os cidadãos e cidadãs não jogam toda a culpa apenas no presidente. Dividem essa carga com governadores e prefeitos. As pesquisas do PoderData, Datafolha e Ipespe vêm mostrando isso há meses. Os governadores também vêm perdendo popularidade ao longo do tempo.

A estratégia de comunicação do governo federal de culpar os governadores pelas falhas no enfrentamento da pandemia parece ser efetiva nesse sentido. Some a isso o fato de que os governadores também vêm sendo forçados a adotar medidas pouco populares que contribuem na divisão de culpa pela atual crise.

Em segundo lugar, é impossível entender o momento atual sem levar em consideração o fato de que cada vez mais, e isso é uma tendência mundial, o ser humano vive dentro de “bolhas” que tendem a reforçar narrativas pré-concebidas e limitam a exposição a pontos de vista diferentes.

Isso quer dizer que quem já se identificava com Bolsonaro tende a viver em um ambiente de informação no qual o presidente não é responsabilizado pelos acontecimentos da crise. Nesse ecossistema social segregado, o ponto de vista de seus apoiadores é sempre reforçado. O mesmo acontece do lado oposto.

Existem cada vez menos meios de comunicação e veículos capazes de dialogar ou ao menos de serem ouvidos tanto por quem aprova quanto por quem desaprova o governo federal –uma exceção é este jornal digital Poder360, que busca de maneira obsessiva ter um noticiário apartidário e sempre buscando a neutralidade e a objetividade, pois mais que essa seja uma meta inalcançável.

Mas a verdade é que a indústria de mídia jornalística hoje oferece mais produtos para reforçar percepções do que um noticiário neutro e apenas informativo. Esse fato limita o impacto de notícias negativas, porque a tendência é os apoiadores do presidente da República não darem importância.

Em terceiro lugar, é preciso levar em consideração um fator político. A oposição ao presidente Bolsonaro segue ainda amplamente desorganizada. É algo que pode mudar com a volta de Lula como possível candidato.

As divisões internas de partidos como o PSDB e as constantes altercações públicas de Ciro Gomes e figuras da esquerda, sobretudo do PT, mostram como até o momento não há união da oposição.

Se de um lado há o governo federal com uma base de apoiadores organizada em termos de comunicação, do outro a oposição ainda está dispersa, atuando de maneira pontual e não planejada.

Mas o cenário está mudando.

PoderData testou nesta rodada cenários de primeiro e segundo turno e o potencial de voto de alguns dos nomes colocados como possíveis candidatos a presidente em 2022. O desgaste de Bolsonaro já impacta seu desempenho em termos de intenção de voto.

Lula apareceu liderando no primeiro turno com 34% das intenções de voto, contra 30% de Bolsonaro. Nas simulações de 2º turno, Lula também vence o atual presidente com 41% dos votos contra 36% de Bolsonaro.

Segundo o PoderData, Jair Bolsonaro, venceria, hoje, João Doria e Sérgio Moro em um eventual 2º turno. Perderia para Luciano Huck e para Ciro Gomes, mesmo que com diferenças pequenas. Isso é resultado direto do aumento de desgaste do governo federal.

A pesquisa traz ainda dados sobre o potencial de voto dos candidatos. É quando os entrevistados são questionados sobre se aquele político “é o único em que votaria”, se “poderia votar”, ou se “não votaria de jeito nenhum”.

Os dados mostram que o tempo longe dos holofotes parece ter feito bem à imagem do ex-presidente Lula, que é hoje o candidato com maior potencial de voto e menor rejeição. Ele não deixou de ser conhecido e foi, nos últimos tempos, do escrutínio constante da mídia sobre fatos de seu governo. Como sabemos, na memória dos eleitores tende a prevalecer a lembrança do que foi bom em governos passados –e, no caso de Lula, houve enorme prosperidade econômica (sem fazer juízo de valor sobre a que preço foi possível o avanço do PIB).

Jair Bolsonaro vem logo atrás de Lula, tanto em termos de potencial de voto quanto em rejeição.

Quando se compara os dados de hoje com pesquisas do PoderData de 2018, quando Lula ainda aparecia como possível candidato naquele ano, nota-se que o petista e Bolsonaro melhoraram seus potenciais de voto.

Na ocasião, tanto Bolsonaro quanto Lula apresentavam números elevadíssimos de rejeição, acima de 60% do eleitorado. Bolsonaro conseguiu reduzir sua rejeição e ampliar a base de eleitores fiéis. Lula conseguiu manter sua base de eleitores, que desde 2018 varia em torno de 30% do eleitorado. Conseguiu também reduzir de maneira significativa a rejeição ao seu nome. Os dados estão aqui:

A leitura dos gráficos nesta perspectiva temporal apresenta reflexões importantes sobre o cenário político atual. A primeira delas é a diferença que o tempo faz. Faltam pouco mais de 18 meses para a eleição de 2022. O cenário que atual pode ser completamente diferente quando as campanhas de fato saírem às ruas.

Em agosto de 2018, Jair Bolsonaro apresentava baixo potencial e alta rejeição. Ainda assim conseguiu ser eleito presidente. Hoje o agora presidente conta com uma base organizada de apoio e conseguiu reduzir o nível de rejeição pessoal.

Lula apresenta uma base de apoio consistente, cerca de 1/3 do eleitorado. O tempo em que esteve relativamente afastado da vida pública conseguiu reduzir a rejeição a seu nome –até porque foi poupado de noticiário negativo diário, algo que não deve perdurar a partir de agora.

É provável que dois outros fatores estejam contribuindo para a redução nas taxas de rejeição ao ex-presidente: a percepção de podem, de fato, ter ocorrido abusos por parte da operação Lava Jato, e, sobretudo, a percepção de que Lula é o nome com mais chance de vencer Bolsonaro na eleição de 2022. Note-se o fato de pessoas com o ex-presidente Fernando Henrique Cardoso dizendo que num confronto entre Lula e Bolsonaro, votaria no petista.

As mudanças que vêm ocorrendo produzem cada vez mais perguntas que respostas. A queda de popularidade de Bolsonaro é reversível? Qual será o impacto da piora da pandemia daqui para frente? O novo auxílio emergencial será suficiente para segurar a posição política do governo? Lula conseguirá de fato unir a oposição e se candidatar novamente?

Será preciso acompanhar o cenário semana após semana para compreender a conjuntura de maneira profunda. É nesse contexto que as pesquisas nacionais a cada 15 dias contribuem para que todos possamos entender um pouco o que pode acontecer na política em 2022.

Poder 360.

Pela primeira vez, cidade de SP registra falta de oxigênio

A cidade de São Paulo registrou pela primeira vez desde o início da pandemia falta de oxigênio medicinal em uma unidade de Saúde, publica O Globo.

Na noite desta sexta-feira, dez pacientes recebiam tratamento na UPA Ermelino Matarazzo tiveram de ser transferidos em razão da falta do insumo. As unidades de Saúde prestam o primeiro atendimento a pacientes com sintomas de Covid.

De acordo com o secretário municipal de Saúde, Edson Aparecido, o problema ocorreu porque a empresa White Martins não conseguiu oferecer o insumo a tempo.

Em condições normais, a gente abastecia as UPAS de oxigênio uma vez por semana. Agora, precisamos abastecer três vezes ao dia por causa do aumento do número de pacientes que chegam com Covid-19”, disse Aparecido.

O antagonista.

Governo detalha nova fase de pagamentos do auxílio emergencial

O ministro da Cidadania,João Roma, participa do programa A Voz do Brasil

Como estratégia para conter os impactos econômicos e sociais provocados pela covid-19, mais de 45 milhões de brasileiros devem voltar a receber as quatro parcelas do auxílio emergencial a partir do início de abril. A informação foi dada pelo o ministro da Cidadania, João Roma, em entrevista ao programa A Voz do Brasil, da Empresa Brasil de Comunicação (EBC).

De acordo com Roma, 46 milhões de famílias deverão ser beneficiadas com a medida. As parcelas do auxílio serão de R$250, com duas exceções: famílias compostas por apenas uma pessoa, que receberão R$150 e famílias comandadas por mulheres, que receberão R$ 375. De acordo com o ministro o investimento para o auxílio é de cerca de R$ 44 bilhões.

Segundo o Roma, o calendário detalhado será divulgado na semana que vem. Terão direito ao auxílio os brasileiros já cadastrados. “Não precisa ir nas agências da Caixa Econômica, para evitar aglomerações”, disse Roma. O dinheiro será depositado na conta digital do beneficiário.

Na entrevista, o ministro também falou sobre o programa Bolsa Família. Segundo ele, em agosto deste ano, o programa passará por uma ampliação para atender mais famílias brasileiras.

Agência brasil.

Dólar fecha aos R$ 5,49 e Ibovespa sobe 1,8% na semana

O dólar caiu 1,51% nesta 6ª feira (19.mar.2021) em repercussão à decisão do Copom (Comitê de Política Monetária) de subir a taxa Selic. Fechou a semana aos R$ 5,49, com queda de 1,35% no período.

O Ibovespa, principal índice da B3 (Bolsa de Valores de São Paulo), encerrou a semana aos 116.221 pontos. Registrou alta de 1,21% na 6ª feira (19.mar.2021) e de 1,81% na semana.

O Copom subiu a Selic de 2% para 2,75%. A alta esperada pelo mercado era de 0,5 ponto percentual. Com o reajuste maior, alivia o preço da moeda estrangeira no país.

A semana foi agitada no calendário econômico. Nos Estados Unidos, o Fed (Federal Reserve) também se reuniu para definir a taxa de juros no país. Manteve no intervalo de 0% a 0,25%.

 

Investidores acompanharam o mercado de títulos do Tesouro norte-americano, que demonstraram volatilidade na semana. A piora da pandemia de covid-19, com aumento dos casos no país e os dados do Caged (Cadastro Geral de Empregados e Desempregados) também entrou no radar dos investidores.

Investidores estrangeiros retiraram R$ 1,5 bilhão da Bolsa neste mês até 4ª feira (17.mar), último dado disponível. No ano, o saldo está positivo em R$ 15,3 bilhões. Considerando ofertas iniciais (IPOs) e secundárias (follow ons), o resultado no ano fica positivo em R$ 19,07 bilhões.

Usado para medir a confiança na economia, CDS (Credit Default Swap) de 5 anos, ou risco-país, registrou 195 pontos nesta 6ª (19.mar). Há 1 ano (19.mar.2021), registrava 377.

Poder 360.

Jungmann: “Nenhum presidente tem poderes para decretar estado de sítio”

Jair Bolsonaro disse mais cedo que pode decretar estado de sítio no Brasil “para dar o direito ao povo trabalhar”.

Raul Jungmann, que foi ministro da Defesa de Michel Temer, disse a O Antagonista que “nenhum presidente tem poderes para decretar estado de sítio”.

Ao presidente cabe pedir ao Congresso, e somente se as condições exigidas pela Constituição Federal estiverem atendidas.”

Jungmann lembrou que cabe ao Congresso a palavra final e definitiva, pois detém a prerrogativa constitucional de aceitar ou recusar a proposta do Executivo”.

Se Bolsonaro concretizar a ameaça, o ex-ministro acredita ser “óbvio” que o pedido será recusado.

“O Congresso Nacional não tem nem nunca terá vocação suicida.”

Como também registramos mais cedo, parlamentares ironizaram a fala de Bolsonaro.

O antagonista.

Extermínio: cumplicidade mórbida, por Kakay

 Sérgio Lima/Poder360 12.03.2021

Não enterres, coveiro, o meu Passado,

Tem pena dessas cinzas que ficaram;

Eu vivo d’essas crenças

Que passaram,

E quero sempre tê-las ao meu lado!

Aí! não me arranques d’alma este conforto!

Quero abraçar o meu Passado morto

Dizer adeus aos sonhos meus perdidos!

Augusto dos Anjos

A tal Operação Lava Jato, coordenada com fins políticos pelo ex-juiz Sergio Moro e seus asseclas procuradores de República de Curitiba, membros da mal afamada Força-Tarefa, completou sete anos no último dia 17 de março. Desmoralizada, com seus membros sendo investigados, seus processos principais anulados e seus métodos bizarros e criminosos, parciais, escancarados e ridicularizados pelo Brasil. Sendo eu um dos seus primeiros e mais contundentes críticos, desde o primeiro momento, o esperado seria um artigo analisando os abusos e os crimes cometidos pelo bando, a dissecação do fracasso.

Mas tal efeméride se dá em um momento trágico da história do País e do povo brasileiro. Pela primeira vez, a média móvel de mortos pela Covid ultrapassou 2.000 pessoas e o índice alcançou 2.031 mortes, o mais alto desde o início da pandemia pelo 19° dia seguido. O número de mortos, oficialmente, ultrapassa 3000 por dia. O Brasil já tem 285.136 mil mortos e mais de 11 milhões infectados. Uma tragédia sem precedentes. Escondo-me em Fernando Pessoa:

O véu das lágrimas não cega.

Vejo, a chorar,

O que esta música me entrega

A mãe que eu tinha,

O antigo lar,

A criança que eu fui,

O horror do tempo, porque flui.

O horror da vida,

Porque é só matar.”

Para um brasileiro que tenha preocupação real com o país, para alguém que se importa com seu semelhante, para uma pessoa que, mesmo na crise, ainda mantenha um resquício de humanidade, não pode haver nada a comemorar e o objeto de qualquer reflexão deve ser único: como retirar do comando do Brasil este presidente que cultua a morte, que pratica a necropolítica, que desmoralizou a autoestima do povo brasileiro, que transformou pessoas mortas em números a serem manipulados.

Até mesmo os rituais da despedida, tão presentes em nossa cultura, foram desprezados, a dor parece que tem vergonha de ser sentida. A barbárie transformou o desespero em algo banal, a absoluta incapacidade de reagir transformou as pessoas em robôs. O ar que falta nos hospitais, por incúria dos governantes, e mata, começa a faltar para as pessoas que se sentem imobilizadas por tanto horror.

Além do número abissal de mortos, o que se sabe é que o desespero pelo não planejamento no combate científico ao vírus transforma, a cada segundo, o país em um espaço livre para cultivar o vírus e suas novas cepas. A céu aberto. O negacionismo extremo, a política de incentivar a aglomeração, a covardia em não fazer lockdown e o crime em propagar a não necessidade da vacina transformaram o país numa república da morte. Além de párias internacionais, ninguém quer se relacionar com brasileiros, em breve nossas fronteiras também serão fechadas para os negócios. Não existe espaço para amadorismo. Estamos sendo sucateados. Esse governo fascista vai entregar o bagaço e os destroços de um país saqueado.

Um exemplo do resultado direto das mortes com a condução na política aconteceu agora nos EUA. A curva de mortos com o fascista do Trump apontava uma subida permanente e vertiginosa. Bastou um representante do Centrão americano derrotar o Trump e mudar a política para incentivar o isolamento, o uso de máscara e, principalmente, o uso massivo da vacina, que a queda se precipitou. Não podemos esquecer que cada ponto que a curva cai significa milhares de vidas salvas.

A opção clara, política, deliberada, de não comprar vacina e mais, de defender a não vacinacao, de politizar o assunto, de rejeitar propostas de compras dos imunizantes, tudo isso tem que ser responsabilizado criminalmente. A humanidade não merece assistir a esse verdadeiro extermínio de parte da população brasileira. A discussão da definição jurídica do que é genocídio não compete mais somente, academicamente, aos juristas e advogados, é hora de levar a questão às Cortes Internacionais para que se adote uma postura sobre o tema. Serão necessários 500, 600 mil brasileiros mortos para que saíamos do imobilismo? Não existe ideologia no trato com as questões desse vírus. Ou nos unimos e tiramos republicana e democraticamente esse presidente do poder, ou vamos começar a vivenciar cenas dantescas com os mortos nas ruas, nas casas. É cruel, mas é a verdade.

Antes da desgraça que se implantou com a crise sanitária, esse grupo de bárbaros já desmantelava o país. Sucatearam o SUS, cortaram a verba destinada à ciência, não investiram na educação, destruíram a cultura, o meio ambiente, acabaram com os Conselhos que faziam o país registar níveis de excelência em várias áreas; enfim, esses idiotas estavam fazendo um país à semelhança do que eles são. Mas esse era o jogo político. Quem perdeu que se habilite. Agora, é muito maior o tamanho do estrago e urge uma atitude. Encontro-me em Clarice Lispector:

Renda-se, como eu me rendi. Mergulhe no que você não conhece, como eu mergulhei. Não se preocupe em entender, viver ultrapassa qualquer entendimento.”

“Que minha solidão me sirva de companhia.

Que eu tenha coragem de me enfrentar.

Que eu saiba ficar com o nada e mesmo assim

Me sentir como se estivesse plena de tudo.”

Basta pensar que o Brasil, outrora, já vacinou 10 milhões de crianças em um único dia! Hoje, não temos sequer um programa nacional de divulgação dos nossos problemas, não existe campanha de esclarecimentos e, muito menos, uma campanha vigorosa de vacinação. Estamos à deriva. O ar que nos fazia eufóricos na luta por um Brasil mais justo, mais igual, hoje nos falta e a falta dele nos sufoca, nos aniquila.

É necessário que a dor, a angústia e o medo acabem nos impulsionando na luta por uma resistência. Se não conseguirmos nos organizar razoavelmente para exigir uma mudança de rumo na condução do país, vamos ter que assumir nossa parcela de responsabilidade na tragédia. A omissão será cobrada de cada um. Necessário que se faça um enfrentamento duro e leal, até em homenagem aos médicos, enfermeiros, agentes dos hospitais que estão na linha de frente, e também aos que morreram pelo vírus em razão da omissão covarde e canalha das autoridades e em louvor ao povo brasileiro. Vamos ter postura e dignidade. Não conviva com os fascistas. Não participe de grupos de whatsapp com eles. Não permita que eles frequentem suas casas, suas mesas de bar, seus afetos. São homicidas ou cúmplices. Podemos e devemos ser firmes e mais do que nunca intolerantes com a barbárie neste momento. A história cobrará responsabilidades, os humanistas todos estão e estarão ao nosso lado e, afinal, a omissão ficará na conta da covardia dos canalhas. Vamos nos fiar em Mia Couto:

Se não criarmos nas escolas histórias que falam sobre solidariedade, a amizade, a lealdade, essas pequenas coisas que são realmente as grandes coisas da vida, isto não vai surgir naturalmente.”

Poder 360.

Butantan produzirá 46 milhões de doses até o fim de abril, diz Doria

O governador de São Paulo, João Doria (PSDB), esteve na manhã desta 6ª feira (19.mar.2021) na fábrica de vacinas do Butantan, na zona leste de São Paulo, para acompanhar a produção do imunizante CoronaVac que é produzido em parceria com o laboratório chinês Sinovac.

Assista (3min42s):

De acordo com o governo paulista, são 300 funcionários atuando na fábrica que funciona 24 horas por dia, 7 dias por semana, em 3 turnos. O objetivo, segundo Doria, é entregar, até o final de abril, 46 milhões de doses.

“Até o final do mês de abril serão 46 milhões de doses da vacina do Butantan. A partir de 1º de maio, começam as entregas de mais de 54 milhões de doses desta vacina, a vacina contra a covid-19”, disse o governador.

Doria publicou fotos de sua visita em sua conta oficial no Twitter. Ele estava acompanhando do diretor do Instituto Butantan, Dimas Covas.

Nesta 6ª feira (19.mar), o Instituto Butantan enviou mais 2 milhões de doses da vacina ao Ministério da Saúde. João Doria comemorou: “Só durante essa semana, foram 7 milhões e 300 mil doses enviadas a todos os Estados brasileiros”.

poder 360.