Novo veículo de turismo chega para enaltecer as potencialidades do RN.

A revista Turismo 4.0 chega ao Rio Grande do Norte para fomentar o setor.
A primeira edição tem como objetivo enaltecer as belezas naturais do estado, as ricas tradições nordestinas, a cultura, a gastronomia, a religiosidade e o entretenimento destas terras potiguares.

Mostrando o RN como um dos principais destinos na rota turística no mundo, a publicação teve o lançamento nesta sexta-feira (12), em um coquetel no Grupo Hospedar, localizado em Ponta Negra, um dos principais cartões postais do país.

A solenidade contou com a presença de personalidades do setor empresarial, jornalistas, políticos, digitais influencer, os secretários de turismo de Parnamirim e Nísia Floresta.
Sob o comando da senhora Rallynne Kelly Medeiros diretora presidente da revista, também estiveram presentes Marcos Dantas, diretor geral do Grupo Hospedar,, Lucas Tigre, sócio diretor comercial do Grupo Hospedar, Marcos Martins, diretor de marketing da Revista Turismo 4.0 e Roberto Costa Lima, jornalista e diretor responsável pela revista.

“Em um momento em que o mundo passa por grandes desafios, direcionar os esforços para fomentar um setor tão importante é um símbolo de solidariedade a todos aqueles que fazem do RN uma marca no turismo mundial”, disse Marcos Martins, diretor de marketing.

Fonte: R. Turismo 4.0

Câmara, agenda legislativa e as eleições de 2022, por Orlando Silva

Bolsonaro diz que é citado em mensagens da Lava Jato e que quer divulgá-las

Sergio Lima 09.02.2021

O presidente Jair Bolsonaro disse nesta 6ª feira (12.fev.2021) que foi citado em mensagens apreendidas pela Polícia Federal e obtidas por hackers que invadiram celulares de autoridades brasileiras, como o ex-juiz Sergio Moro e procuradores da Lava Jato.

A apoiadores no Palácio da Alvorada, Bolsonaro afirmou que solicitará acesso às mensagens para depois divulgá-las.

“Para que não haja dúvida, mandei pedir aquela matéria hackeada que está na mão do PT, do Lula, onde tem meu nome lá. Alguma coisa já passaram para mim. Vocês vão cair para trás. Chegando eu vou divulgar. O Lula não vai, já falou que não vai. Eu vou divulgar”, disse.

Na 4ª feira (10.fev), a defesa do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) decidiu não utilizar as conversas hackeadas apreendidas na operação Spoofing em ação no STF (Supremo Tribunal Federal) na qual acusa o ex-juiz federal Sergio Moro de ter sido parcial ao julgar os casos da Lava Jato envolvendo o petista.

As conversas, atribuídas a procuradores da operação Lava Jato, como Deltan Dallagnol, e a Moro, mostram que o então juiz federal fazia pedidos e orientações a Dallagnol. O magistrado também informava ao então coordenador da Lava Jato no Paraná, antecipadamente, medidas judiciais adotadas contra investigados. Tanto Moro quanto os procuradores não reconhecem a autenticidade das mensagens.

Na 3ª feira (9.fev), por 4 votos a 1, os ministros da 2ª Turma do Supremo mantiveram a decisão de Ricardo Lewandowski que garantiu ao ex-presidente o acesso aos diálogos.

Segundo Bolsonaro, autoridades teriam falado sobre a vida financeira dele e de sua família nas mensagens.

“Você vê a perseguição ali, conversa de autoridades, falando como é que entravam na minha vida financeira, da minha família. Você tem que entrar, mas tem que ter ordem judicial”, declarou.

O presidente afirmou que quer “pegar o cara que vendia informações dentro do Coaf [Conselho de Controle de Atividades Financeiras]”.

“Já tenho alguma coisa que tem chegado para mim, agora vou conseguir, espero que o Supremo me dê. Deu para o Lula, já que a imprensa diz que meu nome tá lá dentro, dê para mim também”, completou.

Em 2019, um relatório do Coaf mostrou movimentações bancárias atípicas do então deputado estadual, o filho do presidente e senador Flávio Bolsonaro (Republicanos-RJ)

Poder 360.

União soma 2,9 milhões de barris de petróleo em contratos de partilha em 2020

Do total produzido em 2020 em contratos em regime de partilha no Polígono do Pré-sal, a União teve direito a 2,9 milhões de barris de petróleo e a 32,2 milhões de metros cúbicos (m³) de gás natural. As informações são do Boletim Mensal dos Contratos de Partilha de Produção (2 MB), elaborado pela PPSA (Pré-Sal Petróleo) e divulgado nesta 6ª feira (12.fev.2021).

Dos 17 contratos que atuam em regime de partilha, 3 estão em produção. São eles: a Área de Desenvolvimento de Mero (Libra), Entorno de Sapinhoá e Tartaruga Verde Sudoeste, que operam 4 unidades flutuantes de produção, armazenamento e transferência (FPSOs, do nome em inglês) e 18 poços.

No ano passado, a produção total desses contratos somou 16,3 milhões de barris de petróleo e 89,7 milhões de metros cúbicos de gás natural disponíveis para comercialização. Nas 3 áreas, a Petrobras é a operadora, com participação de 40% em Mero, 45% em Sapinhoá e 100% em Tartaruga Verde Sudoeste.

A Empresa Brasileira de Administração de Petróleo e Gás Natural, ou Pré-Sal Petróleo, é o braço da União na gestão e controle das atividades de exploração e produção de óleo e gás natural na área do pré-sal. Desde o início da produção do regime de partilha, em novembro de 2017, até dezembro de 2020, a União acumula produção de 7,7 milhões de barris de petróleo e 52,4 milhões de m³ de gás natural.

DESTAQUES

Na produção de petróleo em 2020, o destaque foi a Área de Desenvolvimento de Mero como principal produtora no regime de partilha, respondendo por 57% do total acumulado (ou 9,3 milhões de barris), seguida dos campos de Tartaruga Verde Sudoeste (25%, ou 4,1 milhões de barris) e do Entorno de Sapinhoá (18%, 2,9 milhões de barris).

Na produção de gás natural disponível para comercialização, os principais produtores foram os campos do Entorno de Sapinhoá, que detiveram 65% do total acumulado, com 58,7 milhões de m³. O gás natural produzido em Mero, com alto teor de gás carbônico (CO2), está sendo injetado no reservatório para aumento da produção de petróleo. Até o momento, não há previsão para sua comercialização, informou a PPSA, por meio de sua assessoria de imprensa.

Nas parcelas da União, o maior excedente em óleo acumulado coube a Entorno de Sapinhoá, com 55% do total (1,58 milhão de barris), bem como o maior excedente em gás natural disponível acumulado para ser comercializado pela União, da ordem de 99,6% do total (32,1 milhões de m³).

DEZEMBRO

No último mês do ano passado, a média da produção total de petróleo em regime de partilha alcançou 47 mil barris por dia (bpd) nos 3 contratos, sendo 29 mil bpd na Área de Desenvolvimento de Mero, 7 mil bpd em Entorno de Sapinhoá e 10 mil bpd em Tartaruga Verde Sudoeste. Houve aumento de 16% em relação ao total produzido em novembro. Nesses 3 contratos de partilha, a média diária do total do excedente em óleo da União somou 8,6 mil bpd, mostrando expansão de 14% sobre o mês anterior.

Também em dezembro, a média diária de produção de gás natural foi de 238 mil m³ nos 2 contratos com aproveitamento comercial do gás natural, sendo 160 mil m³/dia no contrato de partilha de produção (CPP) do Entorno de Sapinhoá e 78 mil m³/dia no CPP de Tartaruga Verde Sudoeste. Em comparação ao mês anterior, o volume de gás disponível evoluiu 16%. A média diária da parcela de gás natural da União foi de 92 mil m³.

 

Com informações da Agência Brasil.

Poder 360.

Brasil pode participar de teste de spray anticovid de Israel, diz Bolsonaro

O presidente Jair Bolsonaro afirmou em seu perfil no Twitter nesta 6ª feira (12.fev.2021) que entrou em contato com o primeiro-ministro de Israel, Benjamin Netanyahu, para tratar da inclusão do Brasil em testes de um spray experimental contra o câncer, que é desenvolvido pelo país do Oriente Médio e que pode ser eficaz no tratamento contra o coronavírus.

 

O presidente afirmou nessa 5ª feira que tentaria trazer o spray ao Brasil: “Quero obviamente trazer para cá, pegar documentação, [e] dar entrada na Anvisa”.

O MEDICAMENTO

O medicamento ficou conhecido depois que pesquisadores do Ichilov Hospital, em Tel Aviv, Israel, afirmarem que a substância foi eficiente no tratamento contra o covid em 29 de 30 pacientes. Os cientistas disseram que o remédio, desenvolvido por Nadir Arber, do Centro Integrado de Prevenção do Câncer, seria capaz de curar os enfermos em 5 dias.

No entanto, o estudo conduzido em Israel foi preliminar e não comparou a droga a um placebo. Também não esclareceu a idade dos envolvidos no experimento.

O premiê israelense visitou Nadir Arber em 9 de fevereiro. “Essa pequena coisa pode mudar o destino da humanidade”, declarou. O presidente da Grécia, Kyriakos Mitsotakis, também demonstrou interesse pela substância.

O premiê israelense, Benjamin Netanyahu, em encontro encontra com o CEO do Tel Aviv Sourasky Medical Center, Professor Ronni Gamzu (à esquerda na foto), o Professor Nadir Arber, diretor do projeto de pesquisa EXO-CD24 e a diretora do laboratório, Dr. Shiran Shapira. em 8 de fevereiro de 2021.Gabinete do Primeiro Ministro de Israel

A droga, que deve ser inalada, foi desenvolvida originalmente para tratar o câncer de ovário. Pesquisadores constataram que ela atua reduzindo a reação exagerada do sistema imunológico ao coronavírus.

Quando uma pessoa é infectada pelo coronavírus, uma resposta imunológica exagerada pode afetar órgãos por meio de um processo conhecido como tempestade de citocinas –que tem potencial de causar danos maiores do que o vírus.

O EXO-CD24 consegue levar uma proteína chamada CD24 diretamente aos pulmões. A pesquisadora Shiran Shapira afirmou ao Times of Israel“A proteína é localizada na superfície das celulares e tem uma conhecida e importante atribuição na regulação do sistema imune”.

Poder 360.

Santo hacker, escreve Kakay

“Nada me pesa tanto no desgosto como as palavras sociais de moral. Já a palavra ‘dever’ é para mim desagradável como um intruso. Mas os termos ‘dever cívico’, ‘solidariedade’, ‘humanitarismo’, e outros da mesma estirpe, repugnam-me como porcarias que despejassem sobre mim de janelas. Sinto-me ofendido com a suposição, que alguém porventura faça, de que estas expressões têm que ver comigo, de que lhes encontro, não só uma valia, mas sequer um sentido.”

Fernando Pessoa, no Livro do Desassossego

Quando a solidão passa a ser a mais frequente companhia, por causa do isolamento social, e o programa mais esperado é acompanhar algum julgamento no Judiciário, é um sinal claro de que os tempos são estranhos e preocupantes. A conversa sempre volta à incompetência do governo, que, num negacionismo criminoso, optou por comprar cloroquina e não a vacina, ou a absoluta inércia dos poderes constituídos no enfrentamento do caos.

A torcida não é pela volta da normalidade da vida que nos roubaram, mas para ver se o número de mortos pelo vírus diminuiu naquele dia. Nós, que tínhamos na excelência do SUS a capacidade de vacinar milhões de pessoas rapidamente, hoje estamos torcendo para conseguir vacinar a população até o começo do próximo ano.

Na ausência e na irresponsabilidade criminosa do governo no programa de vacinação, algumas empresas já começam a fazer valer o tristemente famoso jeitinho brasileiro e a burla vergonhosa faz com que algumas pessoas sejam vacinadas clandestinamente. Normalmente, esses são os que bradam pelas ruas que o vírus não existe, que a doença não é grave e que só estão se vacinando porque querem mostrar que fazem parte de uma elite acostumada a arrotar os privilégios que julgam serem naturais. A máscara, que salva vidas, serve também para que a gente não tenha que ver a cara desse bando de canalhas. Escondo-me em Torquato Neto, no Poema do aviso final:

“ É preciso que haja alguma coisa
alimentando o meu povo;
uma vontade
uma certeza
uma qualquer esperança.
É preciso que alguma coisa atraía
a vida
ou tudo será posto de lado
e na procura da vida
a morte vira na frente
e abrirá caminhos.
É preciso que haja algum respeito,
ao menos um esboço
ou a dignidade humana se afirmará a machadadas.”

A questão central do país hoje, além do vírus, é saber se as tais mensagens que o bendito hacker capturou dos telefones institucionais da –na expressão posta pelo colunista do Globo– “gangue de Curitiba” podem ser usadas somente para a defesa dos que foram perseguidos pelo grupo, ou também para colocar a gangue no banco dos réus.

O questionamento é de alta indagação jurídica e por isto é debatido, pasmem, nos táxis, nos programas de auditório e em mesas de bar. Ou seja, as conversas do bando, chefiado por um ex-juiz que se julgava semideus, já são do conhecimento de todos e ninguém mais ousa negar a veracidade delas. Até porque já há um procurador que expressamente afirma serem verdadeiras as mensagens, embora diga que aquele espaço no Telegram era parecido com conversas de botequim. O que o Judiciário fará com as citadas mensagens é o assunto da moda.

O próprio ministro e presidente do Superior Tribunal de Justiça requereu ao procurador-geral da República que investigue os membros da força-tarefa flagrados nas mensagens combinando investigar ilegalmente ministros do Tribunal. Assim sendo, o ministro Humberto Martins considerou as mensagens suficientes para determinar a abertura de uma investigação para apurar as condutas penais, bem como administrativas, e até de desvio ético dos procuradores. E o procurador-geral da República já encaminhou o pedido de investigação da gangue de Curitiba para a Corregedoria do Ministério Público Federal. É hora dos demais membros do Ministério Público mostrarem que não coadunam com os métodos obscuros e ilegais desse grupo.

Por sinal, em importantíssima manifestação pública, 4 ilustres ex-presidentes da Associação Nacional dos Procuradores da República condenaram expressamente as trocas de mensagens entre os membros da Força Tarefa de Curitiba e o juiz Sérgio Moro. Ressaltaram que as mensagens sugerem conduta incompatível com a missão constitucional do Ministério Público, com desprezo às garantias constitucionais dos acusados e em desrespeito às normas que regem a cooperação internacional. Os ex-presidentes sugerem ainda que “sejam identificadas as ilicitudes praticadas no exercício do ofício e seus responsáveis submetidos ao devido processo legal”. É a comprovação cabal de que boa parte dos Procuradores, eu sempre repito, é séria, proba e não compactua com os abusos.

No entanto, não espere coerência dos membros da gangue que sempre se guiaram por um projeto de poder. Indigentes intelectuais e morais tinham na estrutura de marketing sua sustentação. Para tanto, contavam com o apoio estratégico de parte da grande mídia e dos jornalistas de algibeira sempre ávidos para serem usados. E, claro, ao instrumentalizarem o Poder Judiciário, usavam, sem pudor, as mais diversas estratégias para dar aparência de legalidade aos abusos. Muita gente séria foi enganada por uma história montada sem nenhum escrúpulo ou compromisso com a verdade. Utilizando o mote de combater a corrupção a qualquer custo, corromperam o sistema de justiça para chegarem ao poder. Remeto-me a Sophia de Mello Breyner Andresen, no poema O Velho Abutre:

“O velho abutre é sábio
e alisa as suas penas
A podridão lhe agrada
e seus discursos
têm o dom de tornar
as almas mais pequenas.”

A gangue pregava que a prova ilícita deveria ser usada sim, pois os fins justificariam os meios. São os mesmos que admitiam que a prisão servia, mesmo sem os pressupostos legais, para o fim específico de forçar o cidadão a delatar. Valiam-se da tortura de maneira institucionalizada, ao se considerar que prisão injusta pode ser uma forma de tortura. Contavam com a exposição midiática para quebrar a moral dos investigados e os forçavam a delatar. Estupraram o instituto da delação. Montaram, como fica claro nas mensagens, uma organização à margem da lei, composta por juiz, procuradores e advogados para lucrar com uma indústria de delação. As recentes revelações parecem mostrar que a delação era empregada para extorquir, para ameaçar, para proteger.

E dá náusea constatar nas mensagens que faziam tudo isso debochando e se divertindo com a desgraça alheia. É deprimente ver a absoluta falta de qualquer escrúpulo do grupo. A maneira desumana com que tratavam as pessoas, até mesmo em episódios trágicos como a morte do neto do ex-presidente, nos dá a dimensão da miséria humana que caracteriza esses personagens. Não podemos deixar que o desprezo que nutrimos por eles venha obnubilar nossos olhos a ponto de querermos negar a eles os direitos que eles negaram a todos.

É claro que, se fôssemos usar a mesma régua que o bando usava para se impor, ou se fôssemos exigir coerência deles, a essa altura esses procuradores já deveriam ter pedido a prisão deles mesmos e do juiz que os chefiava, e o juiz já teria prendido a todos. E ainda com direito a uma superexposição midiática no horário nobre. Repito o que já virou um mantra: vamos dar a eles o devido processo legal, o pleno direito de defesa, um julgamento justo e imparcial e até a presunção constitucional da inocência, garantindo que só irão para o cárcere após o trânsito em julgado da sentença.

Em tempos em que cumprir a Constituição passou a ser um ato revolucionário, vamos garantir a eles todos os direitos constitucionais. Essa falta de ar que sufoca o cidadão acometido pela praga do vírus, agravada pela inação criminosa do governo, que é filho direto do trabalho político da gangue em questão, não deve nos levar a perder a lucidez.

A angústia e o medo que imobilizam a todos os infectados já produz sérios efeitos colaterais aos que sobrevivem à doença. Há uma turva nuvem que parece cegar a todos e um grito seco não gritado, preso na garganta. No meio desse círculo invisível que nos oprime, nós temos que resistir aos métodos de barbárie que sempre combatemos. É, de certa maneira, a humanidade sendo posta à prova. Só venceremos se enfrentarmos os abusos, mesmo em tempos de ar rarefeito, com as armas da normalidade democrática.

As mensagens, isto é unânime, podem e devem ser manejadas na defesa técnica dos que foram objeto das ilegalidades. Toda a jurisprudência é nesse sentido. Assim como não é mais possível discutir se o juiz foi parcial, ou se a gangue por ele coordenada cometeu inúmeros ilícitos e crimes. Isso hoje é de uma obviedade chapada. A discussão que se faz necessária é se é possível utilizar as mensagens, obtidas sem autorização judicial, como prova em um processo criminal contra os envolvidos. Para isso serve o Estado Democrático de Direito.

Mesmo sendo indiscutível que a gangue cometeu diversos excessos, o cumprimento a Constituição se impõe. Os membros do bando pregavam o uso da prova ilícita para acusar e abusaram das provas obtidas por meios ilícitos, inclusive na obtenção de documentos no exterior sem obedecer aos tratados internacionais, mas não devemos nos misturar com eles.

A questão central é se as mensagens capturadas em telefones institucionais, trocadas entre agentes públicos e versando sobre processos públicos, devem ter o mesmo tratamento constitucional de proteção à intimidade do que as mensagens privadas. Todos têm o direito constitucional à intimidade e a não verem ser usadas contra si provas obtidas por meios ilegais. O alcance da norma constitucional é que desafia o Poder Judiciário agora.

O sistema de justiça, que foi corrompido pela gangue e por seu chefe, tem que mostrar que o direito vale para todos. A ponderação entre o uso das funções públicas como escudo para cometer crimes e abusos e a extensão do direito de proibição ao uso da prova ilícita está a provocar o próprio sistema que foi conspurcado pelo bando. Foi preciso um ato ilícito de um hacker para desnudar o poderio criminoso da gangue de Curitiba. Resta puni-los. Lembrando o velho Bertolt Brecht:

 

“Pelo que esperam?
Que os surdos se deixem convencer
E que os insaciáveis
Devolvam-lhes algo?
Os lobos os alimentarão,
Em vez de devora-los?
Por amizade
Os tigres convidarão
A lhes arrancarem os dentes!
É por isso que esperam!”  

Poder 360.

Guedes diz que programa de corte de jornadas e salários deve voltar

 Sergio Lima/Poder360. 20.10.2020Sérgio Lima/Poder360 20.10.2020

O ministro Paulo Guedes (Economia) declarou nessa 5ª feira (11.fev.2021) que o programa do governo federal de suspensão de contratos ou redução de salários e jornadas deve voltar.

Nós trabalhamos com uma arquitetura que vai permitir que esse programa seja estendido”, afirmou Guedes em entrevista por videoconferência promovida pelo banco BTG Pactual.

O governo de Jair Bolsonaro implementou a medida em 2020, quando foi decretado o estado de calamidade por causa da pandemia de covid-19. Empregadores e funcionários podiam assinar acordos individuais para a suspensão de contratos. O programa também permitia a redução de 25%, 50% ou 70% no tempo de trabalho, com corte proporcional de salário.

O Tesouro Nacional era responsável por uma compensação parcial ao trabalhador. O programa custou aproximadamente R$ 33,5 bilhões aos cofres públicos.

Em vez de você esperar alguém ser demitido e receber R$ 1.000 de seguro-desemprego, é muito mais inteligente pagar R$ 500 para ele não ser demitido”, disse o ministro. “Eu baixei o custo do emprego, mantive o emprego do trabalhador e gastei menos do que se ele fosse demitido”.

O programa foi encerrado em dezembro, assim como o pagamento do auxílio emergencial. Segundo o Ministério da Economia, foram feitos 20 milhões de acordos entre mais de 10 milhões de funcionários e 1,5 milhão de empresários.

Guedes não explicou se o novo programa será como o anterior. O governo não decretou novo estado de calamidade e, por isso, os custos da medida precisam estar incluídos no Orçamento para 2021.

Em transmissão ao vivo com representantes da Sociedade Nacional de Agricultura nessa 5ª feira (11.fev), Guedes citou a possibilidade de inserir uma cláusula de calamidade pública dentro do texto da PEC do Pacto Federativo que está em debate no Senado. A medida permite ao governo gastar recursos em caso de crise, da mesma forma que em 2020.

O ministro defendeu a necessidade de compensações financeiras para uma nova rodada de pagamentos do auxílio emergencial.

Bolsonaro disse nessa 5ª (11.fev) que o auxílio emergencial deve voltar a ser pago em março. Segundo o chefe do Executivo, a nova versão do benefício para a população de baixa ou nenhuma renda terá duração de 3 ou 4 meses. A declaração foi feita em entrevista a jornalistas depois de um evento em Alcântara (MA). Leia aqui como deve ser o novo auxílio emergencial.

Outra solução para custear o programa de manutenção do emprego seria usar recursos do FAT (Fundo de Amparo ao Trabalhador) –fundo responsável pelo pagamento do seguro-desemprego e do abono salarial.

Poder 360.

No BBB das eleições, um favorito para a eliminação: o sistema partidário, por Britto

Aelite partidária brasileira vive tempos de BBB. Nas últimas semanas, enquanto os brasileiros se divertiam com o reality show na TV, os partidos, ainda que sem o mesmo Ibope, abriram o próprio festival de fofocas, bate-boca e traições, escancarando ambições e revelando verdades nada positivas sobre a personalidade de alguns de seus principais líderes.

O DEM espontaneamente confessou que a imagem de compromisso democrático e modernidade era mais um desejo de sua poderosa rede de apoiadores do que uma verdade. Menos de 3 meses depois de sair das eleições municipais como um partido vencedor, fiador das reformas, o tombo do DEM é proporcional ao que acontece com seus 2 principais líderes. Um, troca a imagem nacionalmente construída de um prefeito competente que modernizou Salvador e o antigo carlismo pela de um político que no mínimo permite muitas dúvidas sobre a forma como busca ou se relaciona com o Poder. O outro, festejado na presidência da Câmara dos Deputados, passa de grande articulador nacional em favor de um novo e poderoso centro democrático para alguém que tropeçou na própria sucessão e sequer conseguiu manter o apoio entre os seus.

O PSDB, mais que tudo, perdeu as boas maneiras. Os tucanos cultivaram por anos uma autoimagem de modos refinados, punhos de renda, quase aristocráticos, com pitadas de sofisticação acadêmica. Bastaram alguns dias de exposição às câmeras que fiscalizam o jogo do poder e apareceu a nova imagem do partido. Os ambientes ainda são sóbrios, como a sala de jantar do Palácio dos Bandeirantes, mas as cenas mostram um governador desastrado que não consegue embalar a própria ambição em um mínimo de respeito aos outros. Caso raro de acidente automobilístico: quem saiu muito ferido foi o atropelador.

No PT, os últimos anos foram tão reveladores de erros que sua contribuição ao desgaste dos partidos tem mais a ver com um fato antigo do que com problemas novos. As câmeras focadas no PT parecem trabalhar em preto e branco tão repetidas são as imagens e os sons que ele produz, mostrando para uma audiência cadente o líder envelhecido que não admite ser substituído e até para isso vai escalando alternos que atuam com a timidez de quem apenas ocupa um espaço, talvez temporariamente.

Fiquemos apenas nesses 3 exemplos para perguntar: é sobre esse panorama de escombros partidários que o país espera que sejam construídas em poucos meses as candidaturas à Presidência da República?

 

A crise dos partidos prenuncia o que virá depois. A sucessão presidencial será, na realidade, mais ainda que em outras eleições, um desafio entre individualidades que ganharão força no sistema partidário se, antes, acima e independente deles, conquistarem sem intermediários apoios na sociedade.

Os votos, estes não passam mais preferencialmente pelos partidos. Nem o suporte financeiro, principalmente em uma eleição como a presidencial. Então para que os partidos? Apenas para o tempo de televisão, com importância mais relativa que nunca?

O candidato que hoje lidera as pesquisas, Bolsonaro, sequer está filiado a algum. Mas já avisou: só vai para onde puder mandar. Doria, que tinha partido, parece perdê-lo a cada dia porque tenta impor-se como um antigo coronel político com roupas fashion. O DEM precisa vacinar-se contra a rede de intrigas internas antes de voltar ao jogo. Problema que o MDB não tem: de forma coerente, cada um agora faz o que quer e depois todos apoiam o novo presidente. Para não falar dos profundamente divididos, como o PSB. Exceção, talvez uma, o PDT com seu projeto em torno de Ciro.

Neste cenário, eficiente mesmo só um articulador político: a pesquisa de intenção de voto. Foi-se o tempo em que figuras como Thales Ramalho, Jorge Bornhausen ou Fernando Lyra costuravam apoios e bordavam alianças. O método agora vem de fora para dentro: torne-se popular, apareça nas pesquisas e depois venha nos visitar aqui no partido onde será tão bem recebido quanto suas chances de nos levar ao Poder. Imagine-se por exemplo Luciano Huck em seu atual périplo querendo discutir sustentabilidade e inovação com líderes partidários enquanto estes guardam uma única pergunta: você conseguirá dobrar sua atual intenção de votos para ser o “nosso” candidato?

Eleições assim estimulam o populismo, jogam o país no flerte com o imprevisível e, pior, consolidam a ideia de que ganhar é uma coisa, governar é outra. Para o Brasil que precisa, simultaneamente, de um milagre fiscal, uma profunda mudança na estrutura social e uma urgente modernização do Estado, o que exige consistência, estabilidade e continuidade, o BBB dos partidos pode divertir e gerar audiência pelas revelações apimentadas. Mas o pior acaba chegando depois: esse tipo de eleição faz o país arriscar-se mais uma vez a subir nos trapézios da conquista de votos sabendo que as redes de proteção –os partidos– estão rotos.

Poder 360.

Centrão começa confirmando que as prioridades da população não são as dele, diz Kupfer

Odeputado Arthur Lira (PP-AL), novo presidente da Câmara dos Deputados, está honrando o velho ditado segundo o qual enquanto a vassoura é nova, a limpeza é mais eficiente. Nas primeiras decisões em plenário sob seu comando, a Câmara aprovou, com uma enxurrada de votos, os projetos de lei de autonomia do Banco Central e de simplificação do mercado cambial.

Lira não só varreu como deu a impressão de que teria condições de passar a boiada nas votações de leis econômicas de interesse do governo Bolsonaro. Com um começo de impacto, procurou mostrar as armas de que pretende se valer para cobrar, sabe-se lá a que preço, o apoio ao governo. Mas é preciso lembrar que a vassoura nova varreu bem temas que não mexem com recursos públicos, barganhas de cargos –essas coisas que, no fundo, realmente interessam ao Centrão e podem ser motivo de atritos com o Palácio do Planalto.

A ver, portanto, como a vassoura vai funcionar na discussão das questões do encalacrado Orçamento de 2021, que está com o deadline apertado e tem de ser apreciado logo em conjunto com o Senado. E, também, da questão mais importante e complicada, diante das restrições fiscais existentes, a renovação do auxílio emergencial a vulneráveis e informais, bem como outros programas de sustentação de emprego, renda, empresas e crédito.

Com o recrudescimento da pandemia, sem esses programas, a popularidade de Bolsonaro ameaça escorrer pelo ralo. Aqui, portanto, nesses temas mais críticos, é que a decantada habilidade política de Lira e de seus liderados do Centrão enfrentará para valer seus primeiros testes.

Observado, porém, de um outro ângulo, o do interesse mais agudo da sociedade, Lira e sua tropa começaram mal. Concentrar esforços na aprovação a toque de caixa da formalização de uma autonomia operacional que o BC já exerce, enquanto a pandemia mantém o sistema de saúde em estresse, quando não em colapso, já seria uma demonstração de insensibilidade e desprezo pelos interesses e necessidades populares.

Mais do que isso, avançar, no momento atual, numa maior liberação do mercado cambial, despachando para o Senado, com aprovação na correria, um projeto pouco e mal discutido, com impactos graves numa área sensível da economia, reforça a percepção de que a pauta do Centrão passa a léguas das que visam a mitigar os sofrimentos da população. Tudo isso, diante das urgências da crise sanitária, humanitária e econômica em que o Brasil está mergulhado, deixou marca confirmatória de que o prioritário para o Centrão não o é para o país.

Em relação aos 2 projetos da pauta ultraliberal do ministro Paulo Guedes que a Câmara aprovou rapidamente, o da autonomia formal do BC tem algumas vantagens e muitos problemas. A vantagem principal é que formaliza o que antes era informal. Também fica mantido o papel do CMN (Conselho Monetário Nacional) de formulador das metas e objetivos a serem perseguidos pelo BC. Com essa vinculação, tecnicamente, o BC brasileiro não pode ser considerado independente –para ser independente um BC, além de executar a política monetária, é também o formulador dessa política.

Esse é um ponto importante para repelir a crítica de que o BC se tornaria um 4º Poder –e poder não eleito. É o CMN, atualmente formado pelo ministro da Economia, o secretário especial de Fazenda e o presidente do BC, como representante do governo eleito, com maioria de votos, que fixa os rumos da política monetária.

Também é falso que o presidente e os diretores do BC, agora detentores de mandatos fixos de 4 anos, com permissão para uma reeleição, não possam ser demitidos. Não basta, é certo, uma canetada, mas, por solicitação do CMN, o Senado, de acordo com o projeto aprovado, pode demitir os diretores, inclusive se, reiteradamente, descumprirem as determinações do CMN.

Uma novidade positiva é a que confere ao BC um duplo mandato para, além de perseguir a estabilidade de preços e o bom funcionamento do sistema financeiro, também atuar na suavização dos ciclos econômicos e no fomento do pleno emprego. É verdade que esses 2 últimos objetivos entraram no texto agora aprovado como metas secundárias, mas, a exemplo de BCs de referência, como o Federal Reserve, o banco central norte-americano, agora fazem parte dos objetivos do BC brasileiro.

Lacunas problemáticas, porém, não foram eliminadas no texto final enviado à sanção presidencial. Com um BC independente, agora uma autarquia de regime especial, não subordinada a nenhum ministério, em que os dirigentes desfrutam de mandatos fixos, como ocorre nas agências reguladoras, é uma falha grave não fechar a porta giratória pela qual presidente e diretores possam, sem cumprir uma quarentena eficiente para evitar a transferência de informações reservadas, ser contratado ou retornar ao setor privado.

No projeto aprovado, essa quarentena é de apenas 6 meses, enquanto na maior parte dos BCs autônomos ou independentes esse prazo é de, no mínimo, 2 anos. Há quem considere, inclusive, como o ex-ministro Nelson Barbosa, que a quarentena deveria ser a mesma do tempo de permanência na diretoria.

A inexistência de regras explícitas de transparência na comunicação é outra lacuna inexplicável quando um BC ganha autonomia formal. Já que os diretores não podem mais ser demitidos a qualquer momento, deveria ser obrigatório que as reuniões de diretoria, principalmente as de formulação da política de juros, fossem gravadas para divulgação, decorrido um certo número de anos.

Mais ainda, deveria ser vedada a participação do presidente e de diretores do BC em encontros privados com instituições do mercado financeiro e seus clientes, como hoje se transformou em rotina. Em todos os bancos centrais de referência, diretores cumprem agendas protocolares de discursos públicos, em que abordam temas específicos.

Da mesma forma, premissas e dados utilizados para a determinação de variáveis econômicas não observáveis –taxa de juros neutra, hiatos de produto etc.–, com influência nas decisões de política monetária, deveriam ser obrigatoriamente divulgadas. Não há nada quanto a isso no projeto aprovado, permanecendo a divulgação desses parâmetros a critério do Copom (Comitê de Política Monetária), como já é atualmente.

Se o projeto de autonomia do BC tem lacunas problemáticas, o de desregulamentação parcial do mercado de câmbio é um risco do começo ao fim. Com base num projeto do governo, a Câmara já havia aprovado, em fins do ano passado, o texto-base do projeto que agora finalizou sua tramitação na Casa, com a recusa de todos os destaques. Sem emendas, o projeto seguiu para o Senado.

Seria interessante que essa nova rodada de discussões permitisse deixar mais claras as vantagens de mexer no vespeiro do câmbio neste momento de grandes incertezas, não só aqui como em todo o mundo. Diante de tudo o que afeta a sempre sensível área cambial, a ideia de consolidar uma legislação dispersa e repleta de camadas que se sobrepõem, com normas que remontam às primeira décadas do século 20, é das poucas, no conjunto, que fazem sentido.

Por trás da proposta de desregulamentar e desburocratizar a área cambial, percebe-se uma visão antiga e ultrapassada de liberalização a qualquer custo, que a crise de 2008, reforçada pela pandemia, deixou para trás. Se, para determinados setores que operam com o exterior, é proveitoso facilitar as transferências de recursos, reduzindo seus custos, uma retirada excessivamente ampla de controles e restrições, é caminho quase certo para aumentar a volatilidade da taxa de câmbio.

A volatilidade da taxa cambial é um elemento que dificulta e encarece as operações comerciais com o exterior, afetando também, negativamente, os investimentos estrangeiros. Fenômeno natural em economias emergentes, a volatilidade do câmbio é particularmente alta na economia brasileira, onde o mercado de derivativos de câmbio é muito maior do que o mercado cambial à vista. Trata-se de uma fórmula segura de introduzir instabilidades econômicas desnecessárias.

Resumindo as concepções embutidas no projeto agora enviado ao Senado, é até legítimo sonhar com a conversibilidade da moeda local. Mas, antes, não se pode esquecer que é inteiramente equivocada a percepção intuitiva de que moeda forte é sinônimo de economia forte. Muito mais do que isso, trata-se de erro capital inverter a causalidade entre as instituições econômicas e a conversibilidade da moeda. Não é a conversibilidade que dá sustentação às instituições econômicas de um país, como parece acreditar o projeto aprovado na Câmara, mas o exato inverso.

Poder 360.

Em Moscou qualquer um pode tomar vacina – e ganha um sorvete

Atravesse os paralelepípedos da Praça Vermelha e entre na lendária loja de departamentos GUM em Moscou. Cruze os corredores sob o teto de vidro do século 19 que antes abrigava os escassos bem de consumo da era soviética e que agora é repleto de marcas de luxo. E você encontrará o posto de vacinação, bem em frente à Gucci.

A vacina russa Sputnik V está disponível aqui desde 18 de janeiro. É grátis, você não precisa marcar hora e recebe um sorvete de chocolate de graça. A instalação parece a propaganda perfeita para o imunizante, que recebeu o nome do 1º satélite do mundo.

A vacina ficou disponível para alguns grupos de risco, incluindo médicos e assistentes sociais no início de dezembro. Aos poucos, mais grupos foram ganhando vaga na fila. Agora, está disponível para qualquer um – inclusive turistas. Em janeiro, o presidente da Rússia, Vladimir Putin, anunciou o lançamento de um ambicioso programa de “vacinação em massa”.

ESTRANGEIROS SÃO MAIORIA

Na semana passada, o prefeito de Moscou anunciou que 400 mil pessoas haviam sido vacinadas na capital, que tem cerca de 12 milhões de habitantes. Há cerca de 100 hospitais que aplicam a vacina em Moscou. Ela também está disponível vários pontos de vacinação, incluindo centros comerciais e uma casa de ópera.

Na loja de departamentos GUM, não há grandes filas para a vacina, mas um fluxo constante de pessoas – jovens e idosos – chegam para recebê-la.

“A Rússia tem as melhores vacinas e o melhor remédio”, diz Ekaterina Avonina. A jovem afirma que teve o coronavírus há 6 meses, mas não quer ficar doente novamente. Ela nunca teve dúvidas sobre a Sputnik V. “Ontem estive aqui com minhas amigas e vi que elas estavam aplicando vacinas. E vim tomar a minha hoje”.

Os voluntários e funcionários que ajudam com a vacinação na GUM estimam que cerca de um terço dos que recebem a vacina na loja de departamento são estrangeiros, embora não haja números que confirmem isso. “Eu nem sabia que havia tantos estrangeiros vivendo em Moscou” diz Sofia Markova, enquanto distribui sorvete aos vacinados.

O músico nascido nos EUA Josh Lanza se empolga sobre conseguir a Sputnik em “um momento histórico e no meio deste belo edifício bem na Praça Vermelha”. George Tewson, um britânico que vive atualmente em Moscou, veio para conseguir a chance com sua esposa russa. Ele garante que não se sente parte de uma campanha de propaganda russa.

“Uma das formas de sair da situação em que nos encontramos é através de pessoas sendo vacinadas. Então, se você tem a oportunidade de obter a vacina, por que ir em frente?”, diz ele, explicando que recentemente superou suas dúvidas iniciais sobre a Sputnik. “Isso é para meu benefício pessoal. Se eles querem politizar as coisas… bem, é por isso que políticos são políticos”.

ORGULHO NACIONAL

Para a Rússia, o lançamento da vacina é uma questão de orgulho nacional. Há duas vacinas registradas no país e uma 3ª a caminho. Ainda nesta semana, a Rússia entregou um pedido para obter a aprovação da UE para a Sputnik V. A Hungria já aprovou. A vacina russa também está disponível em vários países fora da UE, como Argentina e Sérvia. No Brasil, ela também aguarda aprovação.

Na semana passada, uma pesquisa revisada por pares publicada na revista científica The Lancet mostrou que a vacina tem eficácia média de 91,6% para casos sintomáticos. O artigo reforçou a confiança na vacina russa, em meio a críticas de que os testes teriam sido apressados.

Mas até agora parece que os próprios russos não confiam em sua própria vacina. Pesquisas regulares realizadas pelo centro independente de pesquisas Levada mostraram que mais da metade dos russos não quer tomar a Sputnik V (58% em dezembro).

SINAIS DE QUEDA NAS INFECÇÕES

Apesar do início precoce e do fato de a vacina estar agora aberta a quase todos os grupos da população, a campanha de vacinação do país é comparativamente lenta. De acordo com uma das empresas que desenvolveu a vacina, o Fundo Russo de Investimento Direto, mais de 1 milhão de pessoas na Rússia já foram imunizadas. Autoridades anunciaram recentemente que planejam vacinar mais de 68 milhões de pessoas, ou 60% dos russos neste ano, para atingir a chamada “imunidade de rebanho”.

O número de infectados no país vem caindo constantemente desde um pico em dezembro. Existem atualmente cerca de 15 mil novos casos por dia, semelhante ao nível de infecções que a Rússia tinha em meados de outubro.

Há dúvidas sobre a confiabilidade das estatísticas oficiais do coronavírus. Mas Boris Ovchinnikov, um dos fundadores da agência de pesquisa de comércio eletrônico “Data Insight”, acredita que pode haver “uma redução ainda maior nos números do que os números oficiais indicam”.

Ele baseia suas pesquisas sobre taxas de infecção em dados de mecanismos de busca, por exemplo, em pesquisas online de sintomas comuns de coronavírus, como a perda do olfato. “No leste do país, a frequência das buscas sobre o olfato voltou aos níveis de verão”, comenta.

IMUNIDADE COLETIVA?

Na loja de departamentos GUM, Natalia Kuzenkova, a médica chefe em vários pontos de vacinação e em um hospital local em Moscou, atribui os números de infecção em queda à vacina – mas apenas em parte. “Há um nível de imunidade sendo criado [na população], pouco a pouco. Há imunidade também porque as pessoas têm se contaminado mais – algumas pessoas não tinham sintomas, mas têm anticorpos”. 

Mikhail Kostinov, chefe do Instituto Metchinikov para vacinas, também atribui os números em queda a uma mistura de fatores: a vacina, o nível geral de assistência médica gratuita na Rússia e o fato de as autoridades criarem “hospitais móveis” para lidar com o grande afluxo de doentes. Ele acrescenta que a Rússia é menos densamente povoada que os países europeus em geral, e tem uma expectativa de vida mais baixa. “Na Rússia há menos pessoas idosas, portanto os números são diferentes”, comenta.

A queda dos números certamente não se deve a medidas rigorosas, como lockdown. Na verdade, o governo nunca introduziu um 2º lockdown após o da última primavera. Ao invés disso, as autoridades têm afrouxado as restrições. Em Moscou, por exemplo, o uso de máscara ainda é obrigatório no transporte público e dentro de edifícios públicos, mas museus, restaurantes, bares e até mesmo clubes noturnos estão abertos.

O prefeito da cidade declarou recentemente que os empregadores não têm mais que manter parte de seu pessoal trabalhando em casa. Teatros, cinemas e salas de concertos podem agora trabalhar a 50% da capacidade.

Nos restaurantes de toda a cidade, antigos adesivos avisando as pessoas para manter as medidas de distanciamento social estão descascando. As mesas de bares e restaurantes muitas vezes estão lotadas e próximas umas das outras. Amigos se abraçam, e colegas de trabalho apertam as mãos.

Sofia Markova, na barraca de sorvete do posto de vacinação, acha que poderia haver ainda menos restrições em Moscou. Ela pessoalmente não planeja tomar a Sputnik V por enquanto. “Não tenho medo de ficar doente. Eu tenho boa imunidade”. Ela ri: “Mas se até os estrangeiros estão recebendo a vacina, provavelmente está tudo bem!”

Poder 360.

7 a cada 10 brasileiros pretendem ficar em casa durante o Carnaval

Foto: Sérgio Lima / Poder 360

Levantamento do Paraná Pesquisas divulgado nesta 5ª feira (11.fev.2021) indica que 71,2% dos brasileiros pretendem ficar em casa no feriado de Carnaval por conta da pandemia. Outros 15,5% pensam em viajar, enquanto 3,2% querem ir para folia. Foram 5,8% os que disseram não pensar em nenhuma dessas possibilidades. Eis a íntegra (330 KB) do levantamento.

Eis os recortes com os grupos que registraram os maiores percentuais para cada resposta à pergunta:

quem pretende ficar em casa no Carnaval por conta do coronavírus:

  • mulheres (73,5%);
  • pessoas de 60 anos ou mais (79,9%);
  • os que têm ensino superior (72,4%);
  • moradores do Sul (77,2%).

quem pretende viajar no Carnaval:

  • homens (16,1%);
  • pessoas de 35 a 44 anos (18,4%);
  • os que têm ensino superior (17%);
  • moradores do Nordeste (16,4%).

quem pretende sair na rua para pular Carnaval:

  • homens (3,6%);
  • pessoas de 16 a 24 anos (8,6%);
  • os que estudaram até o ensino médio (4,3%);
  • moradores do Nordeste (4,3%);

Os dados da pesquisa foram coletados de 4 a 8 de fevereiro, por meio de ligações para celulares e telefones fixos. Foram consideradas 324 entrevistas com moradores de 210 municípios brasileiros, nos 26 Estados e no Distrito Federal. A margem de erro é estimada em 2 pontos percentuais e o grau de confiança do estudo é de 95%.

Na 2ª feira (8.fev), o Poder360 mostrou que 20 Estados suspenderam a folga de Carnaval. A medida tenta evitar aglomerações, festas e viagens, comuns nesta época do ano, e diminuir a transmissão da covid-19. As festas e desfiles carnavalescos de 2021 já vinham sendo cancelados desde 2020. Leia a reportagem completa.

Poder 360.

Fura fila na mira do vereador Éder Queiroz. Câmara aprova urgência para aprovação da matéria

O plenário da Câmara Municipal de Parnamirim, aprovou nesta quarta-feira (10), o regime de urgência do projeto de Lei 04/2021, de autoria do vereador Eder Queiroz ( PSDB ), que trata de quem furar a fila da vacinação contra a covid 19, no âmbito do município de Parnamirim/RN.

O autor do Projeto de Lei justificou a urgência face a vacinação que já está em andamento no município, e as diversas notícias pelo Brasil, de aproveitadores que burlam a ordem de vacinação do Plano Nacional.

A Lei prevê expressamente sanções administrativas às pessoas físicas, jurídicas e agentes políticos. O vereador Eder Queiroz, está exercendo seu primeiro mandato na Câmara Municipal de Parnamirim/RN, e tem forte atuação política e administrativa no Litoral de Parnamirim.

 
Fonte: Ass. Comunicação.

 

Câmara: 8 partidos deram mais de 90% dos votos por autonomia do BC

 Foto: Sérgio Lima/PODER 360

Oito dos 24 partidos representados na Câmara dos Deputados deram mais de 90% de seus votos em favor do texto-base do projeto que confere autonomia ao Banco Central.

A Casa aprovou a proposta nessa 4ª feira (10.fev.2021), por 339 votos a 114. Trata-se do PLP (projeto de lei complementar) 19 de 2019, que agora vai à sanção presidencial.

Desses 8 partidos, 3 deram 100% dos votos a favor do projeto defendido pelo governo. Mas tratam-se de siglas pequenas: Cidadania (7 deputados), Novo (8) e Patriota (6). A tabela a seguir mostra como cada sigla votou. Neste link é possível ver o voto de cada deputado.

Entre os 11 partidos que integram o bloco formado por Arthur Lira (PP-AL) para concorrer à presidência da Câmara, os que deram menos votos a favor da autonomia do BC foram Avante (5 de 8 deputados) e PL (29 de 42). O grupo é formado por PSL, PL, PP, PSD, Republicanos, PTB, Pros, Podemos, PSC, Avante, Patriota.

Lira foi eleito para o comando da Casa com apoio do presidente da República, Jair Bolsonaro. Colocou o projeto em pauta a pedido do Palácio do Planalto. A aprovação foi uma vitória de Bolsonaro e também de Paulo Guedes, ministro da Economia.

PT, Psol, PC do B e Rede não deram nenhum voto em favor da autonomia do Banco Central. Os partidos de esquerda são críticos à medida. Dizem que, na prática, trata-se de entregar a política monetária ao mercado financeiro. Mas houve votos “sim” no PSB (11 de 30) e no PDT (3 de 26).

O relator na Câmara foi o deputado Silvio Costa Filho (Republicanos-PE). Os senadores aprovaram a proposta, do senador Plínio Valério (PSDB-AM), no início de novembro de 2020. O relator na Casa Alta foi Telmário Mota (Pros-RR).

O projeto aprovado faz com que o presidente do Banco Central e os diretores do órgão passem a ter mandatos e não possam ser demitidos livremente pelo presidente da República. A ideia é reduzir as possibilidades de influência política no BC.

A principal atribuição do Banco Central é controlar a inflação. A ferramenta usada é a taxa de juros paga pelo governo a quem lhe empresta dinheiro, a Selic.

Na prática, os bancos não emprestam a consumidores e empresas com taxas abaixo da Selic, atualmente em 2% ao ano. Trata-se do menor patamar da história.

Quando os juros sobem, o crédito fica mais caro e o consumo diminui. Isso reduz a demanda e, consequentemente, segura a alta dos preços.

Poder 360.

Michael Borges confessa que já recebeu proposta de privilégio em banco por ser vereador

Em um embate na sessão da Câmara, o vereador Michael Borges, líder do prefeito Taveira, só tem aberto a boca para criar polêmica.

Metido a um profundo conhecedor do processo legislativo, a sua Excelência em um embate com a colega de parlamento Fativan Alves, confessou que depois que virou vereador em Parnamirim, vem recebendo propostas de vantagens especiais na agência bancária da cidade.

No discurso, disse que na proposta, ele passaria a fazer parte de um grupo especial de clientes, portanto, não pegaria mais filas, diferente do tratamento que recebia no passado quando não tinha mandato. E, em seu aparte, na discussão sobre a greve dos bancários e a possibilidade de fechamento das agências na cidade e no Estado, Michael Borges, disse que até o fone particular do gerente, lhe foi oferecido, coisa que antes não tinha acesso, e que hoje lhe foi disponibilizado depois de sua posse no parlamento.

Um detalhe que chamou a atenção dos vereadores presentes na sessão plenária, foi ele dizer que foi convidado a furar a fila do banco, tendo assim um tratamento diferenciado dos demais clientes.

A fala do edil mirim, foi logo contestada pela vereadora oposicionista Fativan, que lamentou tal tratamento e fez alguns relatos de dificuldade como cliente nas agências bancárias da cidade.

Câmara tem bate-boca após Silva chamar deputados do Novo de “Guedes boys”

O deputado Orlando Silva (PC do B-SP) disse durante sessão realizada nessa 4ª feira (10.fev.2021) que deputados do Novo são “Guedes boys”. A declaração motivou bate-boca no plenário durante a votação do texto que dá autonomia ao Banco Central.

Silva disse que o ministro da Economia, Paulo Guedes, foi à Câmara pressionar deputados a votarem a favor do projeto, defendido pelo governo. A assessoria do ministro negou que ele tenha ido ao plenário.

Eu lamento que o Novo tenha assumido a posição de ‘Guedes boys’. Porque o ministro da Economia, Paulo Guedes, andou aqui pelo plenário, e mudou a posição e orientação de alguns partidos”, declarou Orlando. No momento da declaração, o texto-base da autonomia do BC já havia sido aprovado, mas estavam sendo discutidos os destaques –trechos analisados separadamente.

Quem está em casa não está vendo o que está acontecendo aqui no plenário. Então é um absurdo um deputado falar mentira dizendo que o Paulo Guedes está aqui no plenário”, disse Paulo Ganime (Novo-RJ).

Depois deu-se a seguinte discussão:

Orlando Silva: “Ele esteve aí, é só você buscar as imagens do plenário!”

 

Ganime: “Eu estava em pé aqui. Vossa excelência me viu falando com..?”

Orlando: “E estava ali o ministro, que veio constranger esse plenário!”

O presidente da Casa, Arthur Lira (PP-AL), cortou o som dos microfones em que os 2 falavam. “Vamos manter o nível do plenário”, disse Lira. Depois disso, houve gritaria no plenário. Os sons fora do microfone ficaram ininteligíveis.

“O conselho de ética será instalado. Quando tiver excesso nesse plenário, representa o deputado, não tem problema”, disse Lira a Orlando Silva.

Assista no vídeo abaixo

Poder 360.