Guedes: “A hipocrisia de se esconder atrás do pobre é uma prática no Brasil”

Em debate sobre a reforma tributária, o ministro Paulo Guedes (Economia) mencionou a necessidade de se discutir a desoneração da folha de pagamentos das empresas por meio de um imposto sobre transações financeiras. Ele rebateu ainda críticas a ideia.

“A hipocrisia de se esconder atrás do pobre é uma prática no Brasil. Quando falamos do imposto de transação aconteceu isso”, declarou o ministro.

Guedes disse que a reforma não seria regressiva. Argumentou que uma alíquota de 0,1% sobre transações financeiras não pesaria no bolso de nenhum cidadão.

“Cobrar 0,1% de um salário mínimo de R$ 1.000 dá R$ 1. Então a gente faz o seguinte: aumento geral do salário do país, todo mundo R$ 1 para cima. Pode cobrar agora ou vamos dizer que é regressivo? Isso é uma covardia, uma hipocrisia, se esconder atrás do imposto. Evidente que se todo mundo pagasse nós desoneraríamos, por exemplo, a folha”,afirmou.

Guedes enfrenta resistência dentro do Congresso. Os opositores chamam o tributo de nova CPMF (Contribuição Provisória sobre Movimentação Financeira), criada no governo Fernando Henrique Cardoso para financiar a saúde nos anos 1990.

A CPMF tinha incidência sobre as movimentações bancárias. A alíquota chegou a 0,38% sobre operação. A medida foi prorrogada por vários anos. Acabou em 2007. O dinheiro era usado para outras finalidades.

“Nós temos tecnologia suficiente para falar: ‘Olha, você é um grande executivo. Está aqui o seu salário. Está aqui o seu bônus. Toma seus dividendos. Está aqui o aluguel de casas e coloca no progressivo. Não é nem isso que nós estamos fazendo’”.

Guedes comentou sobre o tema durante liverealizada pela CNI (Confederação Nacional da Indústria) e pela Febraban (Federação Brasileira de Bancos). Participaram:

  • Celso Sabino (PSDB-PA), deputado e relator da reforma tributária;
  • João Carlos Camargo, CEO da Esfera Brasil;
  • Isaac Sidney, presidente da Febraban;
  • Robson Andrade, presidente da CNI.

Assista (2h2min):


Fonte: poder 360

Recusa a tomar vacina contra Covid-19 e a retornar ao trabalho presencial pode levar à demissão por justa causa; entenda

Neste mês, o TRT de São Paulo confirmou a modalidade de demissão para uma auxiliar de limpeza de um hospital que se recusou a ser imunizada; advogado alerta que a recusa do trabalhador em abandonar o home office também justifica a dispensa por justa causa.

Justiça confirma em segunda instância demissão por justa causa de funcionária que recusou vacina

Trabalhadores que se recusam a tomar a vacina contra a Covid-19 devem estar cientes de que podem ser demitidos por justa causa. Neste mês, o Tribunal Regional do Trabalho (TRT) de São Paulo confirmou a modalidade de demissão para uma auxiliar de limpeza de um hospital de São Caetano do Sul (SP) que se recusou a ser imunizada. Essa foi a primeira decisão em segunda instância sobre o tema na Justiça do Trabalho.

Segundo especialistas, a decisão foi acertada, principalmente, por se tratar de um ambiente de trabalho que oferece alto risco de contágio. Porém, em casos gerais, ainda não há consenso no Judiciário, já que não existe uma regulamentação específica sobre o assunto. Prevalece ainda o debate entre o direito de escolha do trabalhador e a segurança da coletividade, já que a recusa pode colocar os demais em risco.

Em fevereiro, o Ministério Público do Trabalho (MPT) divulgou orientação de que os trabalhadores que se recusarem a tomar a vacina contra a Covid-19 e não apresentarem razões médicas documentadas para isso poderiam ser demitidos por justa causa. O órgão sugere ainda que as empresas conscientizem os empregados sobre a importância da vacinação e abram diálogo sobre o assunto.

Os funcionários devem estar cientes do risco em recusar a vacina: a dispensa por justa causa exclui o direito ao aviso prévio, ao seguro-desemprego e à multa de 40% do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço (FGTS).

Cíntia Fernandes, advogada especialista em Direito do Trabalho e sócia do escritório Mauro Menezes & Advogados, explica que os colegas do trabalhador que se recusa a ser vacinado também contam com o direito constitucional de atuar em um ambiente seguro e saudável, cuja responsabilidade é da empresa.

“A responsabilidade não se limita à vacinação, mas abrange todas as medidas de segurança que já têm sido reiteradas como o uso de máscara, disponibilidade de álcool em gel e o distanciamento”, aponta.

“A decisão do TRT foi correta, tendo em vista que, por se tratar de um hospital, a recusa da trabalhadora coloca em risco a sua saúde e a dos demais colegas de trabalho. Para os trabalhadores de setores essenciais, que têm contato com muitas pessoas, bem como muitos materiais que podem estar contaminados com o vírus, o trabalhador deve ser obrigado a tomar a vacina”, opina Ruslan Stuchi, advogado trabalhista e sócio do escritório Stuchi Advogados.

“Há a discussão sobre vários direitos. O Direito Público, o bem comum e o direito individual muitas vezes conflitam. O bem comum se relaciona a proteger a coletividade e há entendimentos que se sobrepõem ao direito individual”, observa.

No caso julgado pelo TRT, a auxiliar criticou o hospital por não ter realizado reuniões para informar sobre a necessidade de se imunizar. Também apontou que a falta grave foi registrada sem que tivesse sido instaurado processo administrativo. A imposição da vacina, conforme argumento apresentado pela trabalhadora no processo, ainda teria ferido a sua honra e dignidade humana.

Na visão do professor da pós-graduação da PUC-SP e doutor em Direito do Trabalho, Ricardo Pereira de Freitas Guimarães, foi correta a decisão, já que, além do elevado risco de contágio, a empresa comprovou a realização de campanhas de vacinação e concedeu todas as oportunidades para que a auxiliar fosse vacinada. Por outro lado, a trabalhadora não apresentou justificativa para não ser vacinada, mesmo sabendo que poderia sofrer a consequência da dispensa.

Trabalhadores que recusarem tomar a vacina da Covid podem ser demitidos por justa causa
Trabalhadores que recusarem tomar a vacina da Covid podem ser demitidos por justa causa

Daiane Almeida, advogada especialista em Direito do Trabalho do escritório Aith, Badari e Luchin Advogados, orienta que as empresas tenham cuidado na comunicação aos funcionários das possíveis sanções para quem não seguir as recomendações sanitárias e aderir à vacinação. O alerta deve ser feito por escrito ou verbal na presença de testemunhas, o que pode ser utilizado como prova pelo empregador em uma eventual ação trabalhista.

“Em caso de recusa, a empresa deve adotar, em um primeiro momento, a imposição de advertências e suspensões e, se persistir a negativa do funcionário em se imunizar, pode resultar na dispensa por justa causa”, orienta.

Outro tema que dá margem ao surgimento de disputas judiciais entre trabalhadores e empresas é o fim do regime de home office com o avanço da vacinação.

Julia Demeter, especialista em Direito do Trabalho do escritório Aith, Badari e Luchin Advogados, alerta que a recusa do trabalhador em abandonar o teletrabalho também justifica a dispensa por justa causa.

“É critério unilateral do empregador determinar que o funcionário deixe o home office. O empregado não pode se recusar sob a justificativa de não estar imunizado ou por receio de contaminação, uma vez que a recusa pode acarretar em abandono de emprego. Há exceções para aqueles que pertencem ao grupo de risco ou tenham comorbidades, devendo apresentar justificativa médica plausível e documentada. Já a empresa deve observar as disposições legais, respeitando o prazo mínimo de 48 horas entre a comunicação ao funcionário e o seu retorno”, explica.

Apesar da discussão em torno da vacinação e do fim do home office, Lariane Del Vechio, advogada especialista em Direito do Trabalho do escritório Aith, Badari e Luchin Advogados, avalia que há uma tendência de que diminua o número de conflitos na Justiça sobre o assunto.

“Acredito que o impacto positivo da vacina, a diminuição da transmissão e das internações e a retomada da economia façam com que não tenhamos mais os mesmos problemas no próximo ano. Os benefícios vencem o negacionismo da importância de se vacinar”, opina

Fonte: G1

 

Rejeição a Bolsonaro e ao governo ainda é recorde, mas taxas param de aumentar

Presidente Jair Bolsonaro durante entrevista coletiva ao sai do encontro com o presidenrte do STF, Luiz Fux, após fazer afirmações contra o ministro Roberto Barroso, presidente do TSE. Sérgio Lima/Poder360 12.07.2021

O presidente Jair Bolsonaro e a sua gestão frente ao Palácio do Planalto seguem em seu momento de maior rejeição, segundo pesquisa PoderData realizada nesta semana (19-21.jul.2021). As taxas ficaram estáveis em relação às do levantamento anterior, feito 15 dias antes, com variações dentro da margem de erro de 2 pontos percentuais.

Na pesquisa divulgada nesta 4ª feira (21.jul.2021), 56% avaliam o presidente como ruim ou péssimo, uma oscilação de 1 ponto para cima em relação a duas semanas antes. Para 26%, o desempenho de Bolsonaro é bom ou ótimo; 15% o avaliam como regular.

O PoderData faz duas perguntas aos entrevistados: uma sobre a avaliação do desempenho pessoal do presidente e outra sobre seu governo. Nessa última, são dadas 3 opções: aprova, desaprova ou não sabe.

Os resultados mostram que a gestão bolsonarista é aprovada por 32% e reprovada por 62%. Outros 6% não sabem como responder. Essas taxas também variaram na margem de erro.

O PoderData vai a campo a cada 15 dias desde abril de 2020 para medir a percepção da população sobre o desempenho pessoal do presidente da República e a avaliação do governo. A frequência das pesquisas permite a captação tanto de variações repentinas na opinião pública quanto de tendências mais longas:

  • no curto prazo – o “salto” de rejeição verificado 15 dias antes dá sinal de que pode ter se esgotado ou, ao menos, desacelerado. A reprovação segue em nível recorde, mas o patamar se manteve nestas duas últimas semanas;
  • no médio prazo – Bolsonaro segue no quadro de alta rejeição registrado desde março, quando o país atravessava a 2ª onda de covid-19, a mais devastadora.

Os 15 dias que separam este levantamento do anterior foram de menor tensão política. O Congresso entrou em recesso, o que interrompeu as atividades da CPI da Covid, fonte de cobertura midiática negativa para Bolsonaro. O presidente acenou aos outros Poderes, ganhou ampla exposição no noticiário ao ser internado para uma cirurgia–que acabou descartada– e, no início desta semana, deu 3 entrevistas em 2 dias. É cedo para afirmar se o quadro estável indica uma tendência que vá se manter nas próximas pesquisas.

Esta pesquisa foi realizada no período de 19 a 21 de julho de 2021 pelo PoderData, a divisão de estudos estatísticos do Poder360. A divulgação do levantamento é feita em parceria editorial com o Grupo Bandeirantes.

Foram 2.500 entrevistas em 427 municípios nas 27 unidades da Federação. A margem de erro é de 2 pontos percentuais, para mais ou para menos. Saiba mais sobre a metodologia lendo este texto.

Para chegar a 2.500 entrevistas que preencham proporcionalmente (conforme aparecem na sociedade) os grupos por sexo, idade, renda, escolaridade e localização geográfica, o PoderData faz dezenas de milhares de telefonemas. Muitas vezes, mais de 100 mil ligações até que sejam encontrados os entrevistados que representem de forma fiel o conjunto da população.

DESTAQUES DEMOGRÁFICOS: AVALIAÇÃO DO TRABALHO DE BOLSONARO

Os que têm de 25 a 44 anos (61% desse grupo), os moradores da região Nordeste (62%), os que cursaram ensino superior (66%) e os desempregados ou sem renda fixa (61%) são os estratos que mais rejeitam (“ruim”+”péssimo”) o desempenho de Bolsonaro.

Já os homens (32%), os moradores das regiões Sul (38%) e Norte (33%) e os que ganham de 5 a 10 salários mínimos (33%) são os que mais aprovam.

DESTAQUES DEMOGRÁFICOS: AVALIAÇÃO DO GOVERNO

O gráfico a seguir estratifica os votos dos entrevistados. O Poder360 destaca:

  • escolaridade – 73% dos que têm ensino superior desaprovam o governo;
  • região – 70% no Nordeste desaprovam a gestão bolsonarista; 52% no Norte aprovam –é o único dos 19 estratos em que a aprovação supera a reprovação;
  • renda – 69% dos desempregados ou sem renda fixa rejeitam o governo; 47% dos que ganham de 2 a 5 salários mínimos aprovam.

PODERDATA

O conteúdo do PoderData pode ser lido nas redes sociais, onde são compartilhados os infográficos e as notícias. Siga os perfis da divisão de pesquisas do Poder360 no Twitter, no Facebook, no Instagram e no LinkedIn.

PESQUISAS MAIS FREQUENTES

O PoderData é a única empresa de pesquisas no Brasil que vai a campo a cada 15 dias desde abril de 2020. Tem coletado um minucioso acervo de dados sobre como o brasileiro está reagindo à pandemia de coronavírus.

Num ambiente em que a política vive em tempo real por causa da força da internet e das redes sociais, a conjuntura muda com muita velocidade. No passado, na era analógica, já era recomendado fazer pesquisas com frequência para analisar a aprovação ou desaprovação de algum governo. Agora, no século 21, passou a ser vital a repetição regular de estudos de opinião.

 

Fonte: Poder 360.

Distritão: a máquina de moer partidos, escreve Tiago Ayres

 

Plenário da Câmara – Votação e discussão das medidas contra à corrupção, no plenário da Câmara dos Deputados. Brasilia, 29-11-2016. Foto: Sérgio Lima / PODER 360.

Muito da vida está ligado a 2 elementos bem especiais, o tempo e a forma. Às vezes, agimos no tempo certo, mas da forma errada; noutros momentos, atuamos da forma certa, porém no tempo errado. E, como um evento bem mais peculiar (e, infelizmente, já não tão raro), há aqueles que conseguem agir, de uma vez só, no tempo e forma errados.

A defesa do chamado “distritão”, como novo sistema eleitoral a alterar o racional da democracia representativa brasileira, é exemplar modelo desse tipo que se pode chamar de equívoco qualificado.

No Brasil, país cujo povo não guarda qualquer relação de fidelidade com os partidos (até porque há legendas que não conseguem ser fiéis a si mesmas, ao seu conteúdo programático e princípios), sempre se defendeu, enfaticamente, o fortalecimento das agremiações partidárias, veículos, de fato, relevantíssimos em nosso modelo de representatividade.

É absolutamente correta e louvável a defesa do reforço aos partidos, à cultura da fidelidade partidária, e, por consequência, do aperfeiçoamento do nosso sistema partidário.

Mas é necessário superar o hábito da incoerência. Como já afirmou o escritor Esopo, da Grécia Antiga, “o hábito torna suportáveis coisas assustadoras”. E é de espantar que uma discussão tão relevante para a democracia brasileira, com poderosos efeitos sobre a representatividade, seja marcada por esse preocupante hábito da contradição.

Não há possibilidade de se defender, ao mesmo tempo, a tonificação dos partidos e o distritão. Essa conta não fecha. Simples assim.

O tempo e a forma não estão sendo respeitados no enfrentamento da temática. O momento é o menos recomendável possível. Está-se às portas de um ano eleitoral (que, aliás, promete ser o mais “quente” de todos os tempos) –sem falar que, por exigência constitucional, qualquer alteração nas regras eleitorais, para ser aplicada nas próximas eleições, deve ser realizada até outubro deste ano. Ou seja, está-se a discutir assunto altamente sensível, com alteração do núcleo da infraestrutura político-eleitoral, a toque de caixa. Isso não tem como resultar em boa coisa.

E o que falar da forma? Vejam, é preciso, antes de importar institutos que aparentemente funcionam bem em outras nações, fazê-los passar por nossa alfândega cultural, que, convenhamos, é bem complexa.

Já está claro que o distritão é uma espécie de reserva tática, o 1º passo rumo à introdução daquele que tem sido alardeado como o modelo ideal, o tal do distrital misto. Ora, se este funciona bem na Alemanha, por qual motivo não haveria de funcionar super bem no Brasil? É a história do respeito à alfândega cultural…

Não faz sentido querer mudar a lógica da representatividade quando, na verdade, nem bem o povo conseguiu entender o atual sistema eleitoral, embora muito melhor do que o agora proposto.

O distritão é uma verdadeira máquina de moer partidos, reduzindo-os a nada ou a muito pouco. É um indisfarçável narcisismo político que estimula cada candidato –e futuro mandatário– a ser discípulo de si mesmo.

Enquanto o atual sistema proporcional reflete as várias tendências nacionais, tão bem prestigiadas pela Constituição Federal, o distritão gera uma egolatria política, criando verdadeiros “feudos”, em que mandatários viverão uma nociva autocontemplação, e que certamente serão dominados por candidatos que já estão no poder, pelos concorrentes mais abastados ou mesmo pelas celebridades (as de verdade e as de ocasião).

O diálogo deve ser sempre estimulado e respeitado em uma democracia. Daí porque, mesmo desconfiando, fortemente, de que o distritão seja um péssimo sistema eleitoral para o nosso país, entendemos que os debates sobre ele (e outros modelos, como o distrital misto) devem ser incentivados.

Entretanto, no tempo e da forma como o tema vem sendo conduzido, é manifesto que o que menos importa é a compreensão e a concordância do povo quanto ao que está sendo discutido e que afetará diretamente as suas vidas.

O que precisa ficar claro é que a questão deveria dizer muito menos sobre o sistema que a classe política entende que deva ser adotado para melhorar a representatividade, e mais, muito mais, sobre o quanto ela deseja realmente levar a sério o direito do cidadão de ser ouvido e compreender, com precisão e transparência, o que está sendo proposto para ele, que, no final das contas, é o destinatário e a razão de ser de qualquer alteração das sensíveis regras do jogo político.

Fonte: Poder 360

Greve de caminhoneiros: resistência diminui e grupos param na 2ª feira

Caminhoneiros realizam protesto contra a alta no preço do combustível e uma resolução do Contran que obriga a colocar dispositivos de segurança nas caçambas.

A possibilidade de uma nova greve dos caminhoneiros ainda enfrenta resistências, mas voltou ao radar da categoria. É que o Cntrc (Conselho Nacional de Transporte Rodoviário de Cargas) promete parar a partir de 2ª feira (26.jul.2021) e grupos que eram contrários ao movimento também já falam em aderir à paralisação. Na pauta, os preços do diesel e a tabela do frete.

A greve de domingo (25.jul) foi convocadadesde junho pelo Conselho Nacional de Transporte Rodoviário de Cargas –entidade que também tentou uma greve em fevereiro de 2021, mas não teve adesão da categoria à época. Nesta semana, virou pauta dos grupos de conversa dos caminhoneiros.

“A adesão está maior, com mais entidades representativas da categoria se posicionando a favor, inclusive algumas que se posicionaram contra em fevereiro. E vários sindicatos ainda estão se reunindo nesta semana para avaliar a adesão”, afirmou o presidente da Antb(Associação Nacional de Transporte no Brasil), José Roberto Stringasci.

Segundo Stringasci, os caminhoneiros estão “inconformados” com os aumentos dos combustíveis. Ele disse que o último reajustefoi anunciado poucos dias depois da 1ª reunião da categoria com o novo presidente da Petrobras, o general Joaquim Silva e Luna.

O presidente da ANTB afirmou que a paralisação tem apoio da maior parte dos integrantes dos grupos de WhatsApp dos caminhoneiros e já foi confirmada por líderes de regiões como a Baixada Santista. Segundo ele, o objetivo é realizar protestos no domingo (25.jul), que é o dia dos caminhoneiros, e organizar pontos de parada e piquete na 2ª feira (26.jul). A continuidade da greve vai depender da adesão.

Na 2ª feira (26.jul), a greve também terá apoio do Movimento GBN (Galera da Boleia da Normatização Pró-Caminhoneiro). Um dos representantes do GBN, Joelmis Correia, era da base do governo de Jair Bolsonaro e não apoiou a greve em fevereiro. Porém, disse que agora vai aderir ao movimento porque os caminhoneiros foram prejudicados por projetos recentes do governo. Ele citou como perdas a criação do DTE (Documento Eletrônico de Transporte), anunciada em maio dentro de um pacote que tentava agradar os caminhoneiros.

“Vou apoiar porque não sobrou outra alternativa a não ser brigar pelo diesel, já que perdemos no DTE”, afirmou. Correia diz, no entanto, que o GBN não vai protestar contra o aumento dos combustíveis, mas pela constitucionalidade do piso mínimo do frete.

O movimento, no entanto, não é unânime. A Abcam (Associação Brasileira dos Caminhoneiros), por exemplo, é contra. O assessor da Abcam, Bolívar Lopes Brambila, disse que a associação prefere focar em “questões técnicas que possam aumentar o rendimento do caminhoneiro”. “O aumento dos combustíveis está exagerado e a política internacional de preços é absurda para o Brasil, mas tentamos buscar alternativas junto ao governo que melhorem a situação”, afirmou.
Fonte: poder 360.

Alckmin pode deixar PSDB por conta de novo molde de prévias, dizem aliados

Convenção do PSDB que elegeu o governador Geraldo Alckmin como presidente do partido.Foto: Sérgio Lima/PODER 360

Depois de o PSDB de São Paulo anunciar que fará as prévias no Estado no mesmo dia e com regras idênticas às prévias nacionais, o ex-governador Geraldo Alckmin disse a aliados, na 3ª feira (20.jul.2021) que deve deixar o partido e se filiar ao PSD. O tucano pretende se candidatar a governador de São Paulo nas eleições de 2022, mas não quer enfrentar disputa interna.

O anúncio oficial das prévias foi feito na 2ª feira (19.jul). O evento foi agendado para o dia 21 de novembro. O registro dos candidatos deve ser feito no dia 20 de setembro.

O peso dos votos em São Paulo será da mesma forma que na disputa nacional: 25% para filiados, 25% para prefeitos e vice-prefeitos, 25% para vereadores e os últimos 25% para governador, vice-governador, senadores, deputados federais, presidente e ex-presidente da comissão executiva.

Segundo o Valor Econômico, Alckmin avalia que essa divisão o desfavorece. O vice-governador Rodrigo Garcia deve largar na frente, pois é apoiado pelo governador João Doria e pelo presidente do PSDB no Estado, Marco Vinholi.

Doria filiou 41 prefeitos e 24 vice-prefeitos ao PSDB na última semana. Ele ainda quer filiar mais 50 prefeitos. O estatuto do partido autoriza políticos com cargos eletivos a votarem nas prévias ao se filiarem até 1 mês antes.

Alckmin diz ter sido isolado por Doria, que participou de uma prévia com um recém-filiado à sigla. O vice-governador entrou para a legenda em maio deste ano.

Até então, Garcia é o único membro do PSDB a lançar uma pré-candidatura ao governo de São Paulo.

O atual e o ex-governador paulista se reuniram em junho. Doria teria incentivado Alckmin a se candidatar a um cargo Legislativo, mas ele não gostou da ideia.

Ele [Alckmin] me disse, infelizmente, uma resposta diferente daquilo que eu imaginaria de um democrata. Ele falou: ‘das prévias, eu não participo’”, contou Doria em entrevista à CNN Brasil na última 2 ª(19.jul). “Ele me respondeu: ‘Não quero disputar nem para deputado federal nem para o Senado’. Temos um impasse, um impasse que não é democrático”, completou.

Aliados de Alckmin podem travar a candidatura do rival ao Planalto, mesmo depois da possível saída do ex-governador. Eles devem apoiar a candidatura de Eduardo Leite, governador do Rio Grande do Sul.

Ainda segundo o Valor, Alckmin deve sair do PSDB já nas próximas semanas.

Ele ainda não se pronunciou sobre a sua eventual saída do PSDB nem sobre a candidatura às eleições de 2022.
Fonte: poder 360

RN recebe 48 mil vacinas contra Covid e aguarda mais dois lotes com 94 mil doses


O Rio Grande do Norte recebeu, no fim da manhã desta terça-feira (20), um carregamento com 48.700 doses de vacinas, entre Coronavac e AstraZeneca, contra a Covid-19.

A Secretaria Estadual de Saúde Pública (Sesap) espera a chegada de mais 94.640 doses até o fim da manhã da quarta (21).

Segundo sinalização do Ministério da Saúde, mais 74.750 unidades da AstraZeneca serão entregues ainda nesta terça, no final da tarde. As outras 19.890 doses anunciadas para esta semana são da Pfizer, e devem ser entregues até o fim da manhã desta quarta.

A primeira parte do lote foi descarregada no Aeroporto Internacional de São Gonçalo do Amarante. Do total de doses já recebidas, 30.400 são de Coronavac e 18.300 de AstraZeneca.

O lote de AstraZeneca/Fiocruz é todo voltado para a primeira dose, permitindo a ampliação do escalonamento por idade em cada município.

O novo lote com mais de 74 mil doses de AstraZeneca previsto para ser entregue no final da tarde será parte para D1 e parte para D2.
Fonte: G1 RN.

China registra maior número de casos de covid-19 desde janeiro


A China registrou na última 2ª feira (19.jul.2021) o maior número de casos confirmados de covid-19 no país desde 30 de janeiro deste ano, quando 92 casos foram notificados. Nas últimas 24 horas, 65 novos casos a doença detectados na China, em comparação com 31 do dia anterior. As informações são do The Guardian.

O crescimento do número de casos está relacionado a um novo surto da doença na província de Yunnan, que teve início em 4 de julho, de acordo com o governo local. Os diagnósticos confirmados da doença se concentram nas cidades Ruili e Longchuan, que fazem fronteira com Mianmar, país que vem sofrendo um aumento das infecções desde junho.

Na 2ª feira (19.jul), Yunnan reportou 41 novos diagnósticos positivo para coronavírus com origem no exterior. Todos os casos correspondem a cidadãos chineses que retornaram recentemente de Mianmar.

O vice-governador de Yunnan, Zong Guoying, disse no domingo (18.jul.2021) que pretende estabelecer novas medidas para conter o avanço da variante delta na província, a qual é responsável pela maior parte dos diagnósticos confirmados na região. A cepa é considerada a mais transmissível da doença.

Desde o início da pandemia, a China já registrou mais de 92 mil casos e 4.636 mortes em decorrência da covid-19. O país não contabiliza infecções assintomáticas como casos confirmados.
Fonte: poder 360.

A arrogância em alta

Padre João Medeiros Filho

O mundo está caminhando na contramão da doutrina de Jesus, que ensinou a seus discípulos: “Aprendei de mim que sou manso e humilde.” (Mt 11, 29). Estas duas virtudes destacadas pelo Mestre opõem-se aos arrogantes eprepotentes. Durante sua vida pública, o Filho de Deus deparou-se com a bazófia dos doutores da lei, escribas e fariseus. Procurou chamar a atenção de seus seguidores para a descaso das autoridades de seu tempo. Diante de sua presunção – uma das faces da prepotência – chamou-os de “sepulcros caiados” (Mt 23, 27).  Cristo sempre condenou a postura do dedo em riste, do criticarlevianamente e acusar sem provas, do culpar sem motivos e destruir sem diálogo. Ele contrapôs sua doutrina a tais atitudes. “Bem-aventurados os mansos” (Mt 5, 5). A lógica cristã está bem delineada nas páginas do Evangelho: “Todo aquele que se exalta será humilhado, e todo aquele que se humilha será exaltado.” (Mt 23, 12).Vale lembrar um antigo ritual da coroação do papa. Ao colocar a tiara, símbolo do poder pontifício, um dos cardeais pronunciava estas palavras: “Sancte Pater, sic transit gloria mundi!” (Santo Padre, a glória do mundo é transitória).

Etimologicamente, a palavra arrogância deriva do verbo latino “adrogare”, que significa exigir para si. No Império Romano, era utilizada para definir alguém que se considerava no direito de impor um reconhecimento que não lhe cabia. A arrogância e seus derivados hoje estão em alta, tanto na vida pública, quanto nas redes sociais. Trata-se de atribuir a si poderes ou privilégios, ditando umasuposta superioridade. É manifestação de narcisismo, deslumbramento decorrente de algum predicado. Segundo os estudiosos da mente humana, trata-se do sentimento de quem se acredita melhor e mais capaz – moral, religiosa, social, política ou intelectualmente – do que o seu semelhante. Resultado disso é o desprezo em relação aos outros, vaidade e soberba ostensivas. É típico do prepotente acreditar-se dono absoluto da verdade, demostrando supremacia sobre os demais. O tribuno romano Cícero afirmou: “Quanto mais mediocridade mais arrogância. O sábio não impõe.” O Salvador sempre se mostrara despretensioso e propositivo. Quanto mais santidade e sabedoria, mais pureza e humildade, ou seja, consciência de suas limitações. Os soberbos vestem a túnica da empáfia para ocultar sua ilusão e, por vezes, a própria mediocridade. A arrogância embriaga e ilude, faz perder a noção e a lucidez da condição humana. É sempreoportuna a orientação do apóstolo Paulo: “Nada façais por contenda ou vanglória, mas com humildade. Cada um considere os outros como superiores a si mesmo.” (Fl 2, 3).

A gênese da arrogância e de seus equivalentes, não raro, está nos recalques e frustrações que se procuram esconder nos gestos e palavras intransigentes. O presunçoso ameaça, procura rebaixar o outro, agride e persegue. É um obcecado por destruição. Sente prazer mórbido em descontruir quem lhe desagrada. Em geral, guarda uma amargura interior, buscando atingir seu semelhante com o ódio ou desprezo. Via de regra, ignora a polidez, educação e civilidade. As pessoas pedantes tendem a ser ácidas e manter relações tóxicas. A ausência da paz dissemina um clima de negatividade. São pessoas inseguras, dominadas pelo medo de serem descobertas em sua pobreza íntima.

A arrogância e seus congêneres têm levado muitos a desvarios em pronunciamentos inconsequentes que, não obstante, ecoam fortemente. O nível de morbidez da sociedade é tão expressivo que narrativas e discursos equivocados, marcados de petulância e sofismas, têm mais receptividade e adesão do que as perspectivas construtivas. No entanto, somente estas são capazes de desencadear uma qualificada configuração sociopolítica, religiosa e emocional. A prepotência hospeda discursos negativos e deletérios, sem contribuir para a solução dos problemas que afligem a humanidade. A prepotência é a máscara dos fracos. As nossas posturas de suposta autossuficiência e a ilusão de termos uma posição de superioridade são confrontadas pela inexorável realidade: quem somos nós, habitantes deste pálido ponto azul, que é o nosso planeta, na imensidão do Universo? Assim aconselha-nosa Sagrada Escritura: “A arrogância acaba por trazer humilhação, enquanto a humildade leva-nos à glorificação!” (Pv 29, 23).

Fernando Fernandes mostra serviço, agrada a família Taveira, mas desagrada algumas lideranças

O secretário de Limpeza Pública, Fernando de Lima Fernandes, é considerado pelo prefeito Taveira como um profissional atuante.
O querido secretário passou a ser o pára-choque da administração quando o assunto está relacionado a sua pasta. Como é do conhecimento de toda cidade, Fernandes tem um perfil conservador, é apaixonado por política e já anda se intitulando coordenador da campanha da mulher do prefeito, Alda Lêda. Fernando vem se articulando com as lideranças do seu convívio, algumas delas não gostaram da forma como ‘Fefê’ toca no assunto.

Houve relato de que duas figuras importantes, que juntas somam mais de mil votos, iriam votar na primeira dama, mas antes queriam um tête à tête com o coronel. Uma já está decidida, só irá acompanhar Lêda se Fernando parar com esse estilo de fazer política. Enquanto a legislação eleitoral não sair, ainda vamos assistir outros capítulos dessa grande novela que é o pátrio poder.

Para o bom entendedor, registra-se um recado: é dever da família e da sociedade prover o melhor para as crianças e os adolescentes, independentemente da construção da família.” Entendido? Sim, senhor.

Inglaterra decreta o fim do uso obrigatório de máscaras


A Inglaterra desobriga o uso de máscaras a partir desta 2ª feira (19.jul). A liberação estava originalmente marcada para 21 de junho, mas foi adiada por causa do aumento do número de infecções por covid-19.

Apesar da recomendação nacional, outras regiões ainda podem manter a restrição. O uso continua obrigatório em locais fechados no País de Gales e em lojas e no transporte público na Irlanda e Escócia.

Empresas de transporte do país também podem obrigar passageiros a usarem o item em trens, balsas e aviões. Da mesma forma, lojas e estabelecimentos podem decidir individualmente a política de uso.

Apesar do fim da obrigação, autoridades de saúde continuam a aconselhar o uso da proteção. Uma nota assinada por 1.200 cientistas caracteriza a reabertura como “precoce e perigosa”. Países como Nova Zelândia, Itália e Israel também foram contrários à medida.

Na 6ª feira (16.jul), foram reportados 51.870 novos casos, o maior número desde janeiro. A alta transmissibilidade da variante delta foi apontada como um dos motivos para o aumento. Mas, apesar de haver crescimento de infecções, as taxas de internações devem se manter estáveis conforme a vacinação avança no país.

Outros países que têm conseguido controlar o vírus com campanhas de imunização e isolamento social, como Islândia e Butão, também liberaram o fim do uso obrigatório de máscaras.

Israel também havia liberado, mas teve que reverter a decisão depois de um aumento de infecções. Agora, o uso é opcional apenas em ambientes ao ar livre, assim como na França e Itália.

Já nos EUA e Coreia do Sul, apenas os vacinados não precisam usar o item. Veja a seguir quais os países onde o uso de máscaras não é mais obrigatório e em quais casos:

Esta reportagem foi produzida pela estagiário em jornalismo Victor Borges e editada pela editora Amanda Carvalho

Fonte: perder 360.

Controvérsia do voto impresso merece discussão séria, escreve Eduardo Cunha

Estamos no derradeiro momento de se deliberar o modelo das eleições de 2022. Pelo artigo 16 da nossa Constituição, só o que estiver em vigor 1 ano antes das eleições poderá ser utilizado como regramento. A discussão mais fervorosa é a do voto impresso –ou auditável, como está se pregando, pois envolve também o debate de que a legitimidade da eleição estaria em jogo.

Evidentemente, não creio em fraudes no processo eletrônico de votação nem acredito na capacidade de uma suposta conspiração existente para alterar o resultado eleitoral. Mas também não podemos descartar que, em algum momento, isso seja possível. Não é porque você nunca foi assaltado em casa que vai deixar a porta sem tranca ou aberta, para que alguém se sinta à vontade para invadi-la.

O discurso da segurança das urnas e do processo não são, por si só, suficientes para que não se discuta a preservação dessa segurança e da tão alardeada eficiência, que só poderá ser testada com mecanismos de controle. Da mesma forma que nos desenvolvemos tecnologicamente para termos esse avanço, outros poderão desenvolver mecanismos que possam corromper a segurança alcançada.

Fica a pergunta: por que alguém que tem segurança no sistema existente brigaria tanto para que não se tenha um mecanismo de controle? O controle confirmaria o resultado eleitoral; esse é o objetivo de todos.

Saber que esse mecanismo existe inibirá as tentativas de fraude. É muito estranha a defesa tão apaixonada de alguns, tentando evitar isso a qualquer custo.

A FALÁCIA DO PREÇO

Será que não devemos colocar a polícia na rua porque, em determinado lugar, não há criminalidade?

Vamos argumentar que o custo é muito alto para o controle e, por isso, não vamos introduzir mecanismos de controle?

Os argumentos de que a implantação de um controle seria trabalhosa e difícil são suficientes para que ele seja descartado?

Nós vamos tirar a polícia da rua porque ela custa caro?

Eu sou daqueles que pensam diferente disso, por razões distintas das dos defensores apaixonados do voto impresso –ou seja, não creio que a eleição corra o risco de que tudo seja adulterado se não adotarmos esse controle. Mas também não posso concordar que existam tantas dificuldades assim e que esse custo alto de controle deva ser evitado.

Afinal, a democracia tem o seu custo. Prefiro preservá-la, garantindo a integridade do processo eleitoral, do que deixar que a dúvida perene no discurso na sociedade.

Se a questão é o custo, poderíamos começar pela existência da própria Justiça Eleitoral. Quantos países do mundo adotam um tribunal específico para isso? Certamente o mecanismo de controle seria muito mais barato. A nova sede do Tribunal Superior Eleitoral (TSE) em Brasília, com o seu elevado custo de implantação e manutenção, é um dos marcos desse gasto nababesco.

E não que eu queira acabar com a Justiça Eleitoral. Só realçar que ela foi a opção do legislador para tratar do processo eleitoral no país, certamente visando ao controle e à segurança das eleições. É a mesma lógica. O voto dito auditável busca a mesma finalidade.

Também poderíamos falar sobre o grande custo –agora aumentado ainda mais– do fundo público para o financiamento de partidos para as eleições.

HISTÓRICO E INTERFERÊNCIAS

É importante fazer um histórico da discussão do voto impresso. Ela vai além de uma querela política recente do atual presidente ou uma bandeira para polemizar a eleição.

Na verdade, a discussão hoje na Câmara dos Deputados nem precisaria existir. A Casa já aprovou em 2015 uma proposta de emenda constitucional, a PEC 182J de 2007 (redação final aqui – 128 KB), que está no Senado desde 2015, onde leva o número 113/2015.

Essa PEC foi relatada na Câmara pelo deputado Rodrigo Maia. A parte do voto impresso, em seu art. 9º, foi aprovada pela quase totalidade da casa.

Em 2016, o texto foi desmembrado. Só o seu artigo 4º foi votado, concedendo uma janela de 30 dias para troca de partidos sem perda de mandato. Naquele momento, diversos deputados trocaram de legenda –incluindo o então deputado Jair Bolsonaro, que trocou o PP pelo PSC.

Os demais artigos da PEC, incluindo o do voto impresso, seguem na CCJ (Comissão de Constituição, Justiça e Cidadania) do Senado aguardando deliberação. Para que a confusão na Câmara? Certamente, só para servir de palanque para alguns, que querem usar isso como discurso nas suas respectivas reeleições. Não há a menor necessidade disso.

Chegamos ao ponto de partidos, por objetivos políticos atuais, chegarem a trocar os integrantes da comissão especial que analisa o assunto na Câmara para derrotar a proposta. É um desgaste no processo, que pode inviabilizar a discussão no Senado do texto que já havia sido aprovado antes.

A discussão sobre o voto impresso podia perfeitamente ser feita já no Senado. Bastaria propor um novo desmembramento do artigo 9º da PEC e continuar a sua tramitação na CCJ e no plenário.

O artigo 9º desta PEC determina o seguinte:

“o art. 14 da Constituição Federal passa a vigorar acrescido dos seguintes §§ 13, 14 e 15:

  • 13. No processo de votação eletrônica, a urna imprimirá o registro de cada votação, que será depositado, de forma automática e sem contato manual do eleitor, em local previamente lacrado.
  • 14. O processo de votação não será concluído até que o eleitor confirme a correspondência entre o teor do registro de seu voto, após impresso e exibido pela urna eletrônica, e o voto que efetuou.
  • 15. No processo estabelecido nos §§ 13 e 14, será garantido o total sigilo do voto”.

Só que, além dessa PEC que está no Senado, nós também já tivemos anteriormente em duas oportunidades a aprovação de legislação sobre o voto impresso, incluído na lei ordinária que trata das eleições, a Lei 9.504/97. Nos 2 casos houve intervenção do Supremo Tribunal Federal (STF), a pedido da Procuradoria Geral da República (PGR), declarando os dispositivos inconstitucionais, –por motivos mais políticos do que efetivamente jurídicos.

A 1ª vez foi na Lei 12.034/2009, que alterou a lei eleitoral com vistas às eleições de 2010. Na época, Michel Temer presidia a Câmara.

Ou seja: essa polêmica vem de pelo menos 12 anos atrás.

A lei de 2009 foi oriunda do PL 5498/2009 (íntegra – 840 KB), de autoria da quase totalidade dos líderes dos partidos à época –tendo à frente os líderes do PT, MDB, PSDB, DEM, dentre outros. A previsão do voto impresso, proposta por eles, foi aprovada de forma unânime. O texto, inclusive, determinava um prazo enorme para a sua implantação:

Art. 5º Fica criado, a partir das eleições de 2014, inclusive, o voto impresso conferido pelo eleitor, garantido o total sigilo do voto e observadas as seguintes regras:

  • A máquina de votar exibirá para o eleitor, primeiramente as telas referentes as eleições majoritárias; finalmente, o voto completo para conferência visual do eleitor e confirmação final do voto.
  • Após a confirmação final do voto pelo eleitor, a urna eletrônica imprimirá um número único de identificação do voto associado à sua própria assinatura digital.
  • O voto deverá ser depositado de forma automática, sem contato manual do eleitor, em local previamente lacrado.
  • Após o fim da votação, a Justiça Eleitoral realizará, em audiência pública, auditoria independente do software mediante o sorteio de 2% (dois por cento) das urnas eletrônicas de cada zona eleitoral, respeitado o limite mínimo de 3 (três) máquinas por município, que deverão ter os seus votos em papel contados e comparados com os resultados apresentados pelo respectivo boletim de urna.
  • É permitido o uso de identificação do eleitor por sua biometria ou pela digitação do seu nome ou número de eleitor, desde que a máquina de identificar não tenha nenhuma conexão com a urna eletrônica.

Esse projeto foi relatado na Câmara pelo então deputado Flávio Dino. A parte do voto impresso teve aprovação unânime pelo plenário da Câmara.

Depois, no Senado –onde o projeto virou o PLC 141/2009–, a matéria foi relatada pelos senadores Marco Maciel e Eduardo Azeredo. Foi modificado com a emenda nº 59 (223 KB), aprovada pela Casa Alta, que aumentava ainda mais as deliberações sobre o voto impresso.

Quando o projeto retornou à Câmara, no entanto, os deputados preferiram manter o texto original sobre o voto impresso, acima descrito. Foi aprovado novamente por unanimidade e sancionado pelo presidente Lula.

A lei determinava a implantação desse sistema só na eleição de 2014, um prazo de 5 anos. Depois da sanção, a PGR ingressou com ação (íntegra – 854 KB) contra a medida. Em 6 de novembro de 2012, o STF julgou o artigo como inconstitucional. Em resumo, os principais argumentos da Corte foram:

  • A exigência legal de voto impresso, contendo número de identificação associado a assinatura digital do eleitor, tornaria o segredo do voto vulnerável;
  • A garantia de inviolabilidade do voto impõe a necessidade de se assegurar que o voto seja impessoal, evitando-se coação sobre o eleitor;
  • A manutenção da urna em aberto põe em risco a segurança do sistema, possibilitando fraudes.

Como esse julgamento se deu menos de 1 ano antes das eleições de 2014, já não havia a possibilidade de se tentar alterar a legislação para atender a essa argumentação do STF.

Em 2015, já sob o meu comando, a Câmara discutiu uma reforma política visando às eleições de 2016 e aprovou uma mudança na lei eleitoral, com a Lei 13.165/2015, e incluiu uma alteração pela PEC 182J/2007 –já citada, ainda pendente de votação no Senado–, acreditando que, tomando-se esse caminho, o STF não poderia mais intervir.

A lei 13.165/2015, relatada na Câmara pelo deputado Rodrigo Maia, é oriunda do PL 5.735/2013 (íntegra – 192 KB). Esse projeto tinha como autores, dentre outros, os deputados Ilário Marques, do PT, e Marcelo Castro, do MDB. O voto impresso não estava no texto original porque, na data da sua proposição em 2013, o STF ainda não havia julgado o artigo 5º da Lei 12.034/2009 como inconstitucional.

A imposição do voto impresso foi incluída pelo relator Rodrigo Maia. Foi aprovada de forma unânime tanto na Câmara e no Senado, onde o projeto tramitou como PLC 75/2015, com a relatoria do senador Romero Jucá.

O texto aprovado pelas duas Casas, inseria a seguinte alteração na lei ordinária das eleições:

Art. 59-A No processo de votação eletrônica, a urna imprimirá o registro de cada voto, que será depositado, de forma automática e sem contato manual do eleitor, em local previamente lacrado.

Parágrafo único. O processo de votação não será concluído até que o eleitor confirme a correspondência entre o teor de seu voto e o registro impresso e exibido pela urna eletrônica.

Também incluído no artigo 12 da Lei:

“Até a primeira eleição geral subsequente à aprovação desta lei, será implantado o processo de votação eletrônica com impressão do registro do voto a que se refere o art. 59-A da Lei 9504, de 30 de setembro de 1997”.

Só que, depois do aval das duas Casas do Congresso, a então presidente Dilma vetou essa parte da lei por sugestão do TSE, segundo a sua mensagem enviada ao Congresso –o que parece obviamente uma interferência indevida.

O Congresso derrubou esse veto e promulgou esse texto em novembro de 2015. Mas essa promulgação se deu a menos de 1 ano antes das eleições de 2016. Portanto, já não poderia ser aplicada a essas eleições; só de 2018 em diante.

Em seguida à derrubada do veto, a PGR novamente ingressou com outra ação (873 KB) para contestar a constitucionalidade do dispositivo da lei sobre o voto impresso na lei 13.165/2015.

Em 6 de junho de 2018, já com o processo eleitoral nas ruas, o plenário do STF, contra o voto do relator, ministro Gilmar Mendes, suspendeu a eficácia desse artigo, para que não fosse aplicado às eleições de 2018.

Em seu voto, Gilmar Mendes ressalta: “De qualquer forma, tenho que o objetivo do legislador não foi criar auditoria. Seu propósito parece limitar-se à adição de confiabilidade no sistema, especialmente por parte do eleitor, que vê seu voto sendo registrado. Inconvenientes operacionais e custos são de todo relevantes, mas é do legislador a escolha de optar pela alocação de recursos para satisfazer as despesas adicionais”.

Ou seja, apesar da posição do relator, houve mais uma interferência, dessa vez levando em consideração a dificuldade operacional de implementar a lei. Naquele momento estava em andamento, de forma atrasada, um processo licitatório sobre o assunto.

A ação direta de inconstitucionalidade 5.889acabou sendo julgada definitivamente no plenário virtual do STF, em 16 de novembro de 2020, com pouca repercussão na mídia. O resultado foi declarar a inconstitucionalidade do artigo 59-A da lei 9504/97, criado pela Lei 13.165/2015.

A DEMOCRACIA É MAIOR

Com esse histórico, quis mostrar que o anseio do voto impresso pelo Congresso não é de hoje e nem pertence a uma ala ideológica e nem é uma bandeira de guerra do atual presidente da República.

O Congresso já aprovou esse tema em duas oportunidades diferentes de forma unânime por lei ordinária e uma vez somente na Câmara dos Deputados por alteração constitucional, até para tentar superar os obstáculos colocados pelo STF.

O STF foi quem impediu, já por duas vezes, a sua implantação. Nesse caminho, deverá tentar impedir uma 3ª vez, caso seja aprovada nova proposta por lei ordinária, ou até mesmo por emenda constitucional.

Soa muito estranha essa interferência, e, principalmente, as discussões de magistrados contrários ao voto impresso, como se eles fossem os legisladores.

Alguns deles deveriam deixar a toga e concorrerem às eleições, onde, aí sim, poderiam debater as suas ideias. Eles fazem parte de outro Poder –o que julga, e não o que legisla.

A interferência do TSE já ocorreu em 2015, ao sugerir o veto, segundo a mensagem da presidente da época. Agora, o mesmo TSE está em campanha contra o voto impresso, como se a segurança e eficiência da urna fosse um manto sagrado inviolável.

É correto o futuro controlado –no caso, o TSE– querer estabelecer as regras pelas quais será feito esse controle? É o mesmo que, em qualquer atividade pública, os responsáveis ficassem gritando: “Eu não preciso de controle, porque o que eu faço é seguro e eficiente”.

Enquanto o STF impediu no país a introdução do mecanismo de controle, a Corte Constitucional Alemã decidiu em março de 2009 de forma diferente ao julgar o mesmo assunto. Isso foi explicado no memorial preparado pelo advogado Alberto Malta, do Sindicato Nacional dos Peritos Criminais Federais, por ocasião do julgamento em 2020 da ADI 5.889. Malta citou e traduziu para o português um trecho da decisão da Justiça da Alemanha:

“Na utilização de dispositivos eletrônicos de votação, é necessário que o cidadão que não possui experiência especial sobre o assunto possa controlar de forma confiável os passos essenciais da ação de votar e da aferição dos resultados”.

“A legitimidade democrática da eleição exige a controlabilidade do processo eleitoral, para que a manipulação possa ser descartada ou corrigida e a desconfiança injustificada refutada. Somente isso possibilita que o soberano tenha confiança razoável na regularidade da formação do órgão representativo”.

“Portanto, não é suficiente se ele [o eleitor] é informado exclusivamente por um aviso eletrônico de que seu voto foi registrado. Isso não permite controle suficiente pelo eleitor […]Os eleitores não devem ser instruídos a confiar somente na integridade técnica do sistema após o voto eletrônico”.

A tentativa de se restringir essa discussão à defesa que o atual presidente faz, colocando em suspeição o processo eleitoral, é uma maneira muito cômoda e simplista de acabar com o debate.

Qual é a razão e a dificuldade de ao menos colocar, em base de teste, uma parte pequena da votação –e de forma progressiva pelas eleições subsequentes, visando a estabelecer uma auditagem? E se começássemos por um percentual qualquer, talvez 10% do eleitorado, sujeito a ter a impressão dos seus votos, e pudéssemos conferir essa votação?

Isso, além de dar uma segurança maior ao processo, acabará com qualquer discurso e tensões que estão se avolumando de forma desnecessária nesse momento.

Os argumentos de dificuldades operacionais já poderiam ter sido superados durante todo esse tempo que esse tema está em discussão.

Afinal, se somos capazes de criar um sistema inédito, seguro e eficiente, não seremos capazes de termos soluções para implantarmos mecanismos de controle confiáveis?

Evidente que há uma enorme má vontade dos agentes envolvidos em dar transparência maior a um processo exitoso –que, até para continuar tendo a sua eficiência exaltada, merecia ter esse controle efetivo.

Como tudo que Bolsonaro defende é questionado pela mídia e seus opositores, parece que vamos viver uma cegueira coletiva. Não discutiremos uma medida correta e necessária, semelhante à de se ter a polícia fazendo a segurança da população.

A eleição não apenas deve ser segura e confiável, mas também deve parecer segura e confiável ao eleitor, destinatário final do processo eleitoral. Mesmo que seja demanda de uma minoria, não podemos ser seletivos em escolher a minoria que deve ser respeitada.

A democracia tem de ser maior do que isso tudo. As pessoas passam, mas as eleições continuam. Certamente, em algum momento, a tão falada segurança e eficácia será violada –e, aí, passa a valer a máxima de querer colocar a tranca quando a casa já tiver sido arrombada.
Fonte: poder 360.

Vereador Éder Queiroz leva o seu gabinete para o litoral e cumpre promessa de campanha


Uma ação social voltada para as áreas de prevenção a saúde e jurídica, mancaram esse final de semana no litoral.

O jovem vereador Éder Queiroz que vem mostrando muita força na luta em defesa de sua gente, cumpriu mais um compromisso de campanha.

O vereador, além da luta diária por infraestrutura, como a grande obra de urbanização da orla, drenagem e calçamento de várias ruas do litoral, os quase 6 milhões de reais disponibilizados para o Ramal turístico Rota do sol – Pirangi e também apoio para o bom funcionamento do hospital Márcio Marinho, fez nesse final de semana um atendimento direto ao povo do litoral. Esse trabalho aproximou mais ainda o seu mandato dos cidadãos, mostrando como se faz política de qualidade.

Diversos atendimentos jurídicos e também na área de saúde foram realizados para os mais necessitados, pessoas humildes, que precisavam desse apoio.

Essa foi uma promessa de campanha, que precisava ser cumprida e Éder Queiroz cumpriu.



Os vereadores, Rhalessa e Ítalo, voltam na quarta-feira para seus mandatos


A decisão do Juiz do Tribunal Regional Eleitoral do RN que deferiu parcialmente o pedido de tutela de urgência feito pelos advogados dos vereadores, Dra. Cledylane Freire dos Santos, Dr. Thales Goes, Dr. Marcus Barros e Dr. André Castro, reduzido o afastamento do cargo de vereador de 180 para 30 dias e devolvendo os mandatos de Rhalessa e Ítalo Siqueira, após o cumprimento desse período, vai ser cumprido na quarta-feira.

Em sua decisão, o juiz, Daniel Cabral Mariz Maia, entendeu que não havia, na decisão do Juiz de primeira instancia, fundamentação para impor um afastamento de 180 (cento e oitenta dias) e que, portanto, para os fatos debatidos nos autos, o prazo de 30 (trinta) dias seria suficiente para garantir o sucesso das investigações, no deferimento consta que “(…)o afastamento deveria se dar necessariamente apenas durante o tempo do inquérito, e não mais do que isso, sob pena de recair em medida desproporcional e, via de consequência, eivada pelo nódulo da inconstitucionalidade”.

Com isso, o retorno dos parlamentares aos seus mandatos, conferidos pelo povo de Parnamirim, já tem data certa, 21 de julho de 2021, frustando as expectativas do suplente, Dr. Zico Matias de Moura, que ainda luta para se manter na cadeira.

O retorno dos vereadores só ocorrerá, depois que a câmara publicar, no diário oficial do município, a convocação dos parlamentares e isso só poderá ocorrer na terça-feira, salvo algumas decisão judicial revogando o ato.

Vale salientar que apesar de alguns desinformados estarem gastando o latim contra o presidente da Câmara, Dr. Wolney França, ele é um exímio conhecedor das legislação, vem cumprindo fielmente o que determina o regimento interno e as decisões judiciais até aqui proferidas.

Mercado muda em 19 anos de espera da compra da Garoto pela Nestlé


Em março de 2002, a Nestlé anunciou na Suíça a compra da fabricante brasileira de chocolates Garoto. Foi a grande novidade na apresentação de seu balanço anual. Mas quase duas décadas depois, o negócio de US$ 566 milhões segue inconcluso.

A Nestlé é dona da Garoto, mas está proibida de fundir as operações. Fábricas, funcionários e marcas seguem separados.

Em 2004, a compra foi vetada pelo Cade (Conselho Administrativo de Direito Econômico). Seguiram-se recursos ao próprio órgão e à Justiça.

Em 21 de junho de 2021, o então presidente do Cade, Alexandre Barreto, decidiu reabrir a avaliação da compra 3 dias antes de deixar o cargo. A decisão foi criticada por outros conselheiros.

Para a Nestlé, a reabertura do caso é vista como a chance de encerrar a longa espera e poder integrar a Garoto à sua estrutura. Mas a decisão do Cade foi vista reservadamente com desconfiança. “Suíço não gosta de surpresa nem quando é boa”, disse ao Poder360 um executivo da empresa que prefere não ser identificado.

Em 19 anos, o mercado de chocolates mudou muito no Brasil e no mundo. Aqui aumentou a concorrência. Nos EUA cresceu a resistência a comprar tudo o que inclui açúcar. A Nestlé vendeu suas fábricas no país para a Ferrero em 2018.

No Brasil, a participação conjunta da Nestlé e da Garoto no mercado de chocolates em 2002 era 58%. Hoje é 41%. Cresceram as vendas de fabricantes com lojas próprias, como as brasileiras Kopenhagen e Cacau Show, e a suíça Lindt.

A preocupação maior eram as coberturas, os tabletes gigantes que servem para a confecção artesanal de produtos de chocolate, como ovos de páscoa. A fatia da Nestlé e Garoto era 88%. Hoje é 6%. Nas caixas de chocolates, as duas marcas tinham 66%. Hoje têm 33%.

Essas mudanças tornaram difíceis as tentativas de negociar uma saída para o caso. Em 2016, o Cade e a Nestlé fizeram um acordo. A empresa venderia 10 marcas, incluindo Chokito, Lollo e Serenata de Amor, para uma empresa com menos de 20% do mercado.

A Nestlé contratou o banco Credit Suisse para ir atrás de compradores. Apareceram aproximadamente 50. Mas a empresa considerou as propostas insuficientes. Avaliou que o baixo valor das ofertas era consequência da recessão econômica que o país atravessava e que não poderia ser obrigada a fazer negócio naquela situação.

Para um analista que trabalha para a Nestlé, as exigências seriam desnecessárias hoje pelo fato de a Nestlé e a Garoto terem só 41% do mercado.

A reabertura do caso pelo Cade vem com riscos de mais um capítulo de embate sem solução. O ex-presidente e agorasuperintendente do Cade, Alexandre Barreto, reabriu o processo em junho, 3 dias antes de deixar o cargo. O comando do órgão está atualmente com Alexandre Cordeiro. Procurados pelo Poder360, eles não quiseram falar sobre o assunto.

A reabertura do caso no Cade foi criticada por conselheiros por ter sido feita sem explicações e sem o cumprimento de regras. São sinais de que o processo, mesmo já tão longo, ainda pode estar longe do fim.

Fonte: poder 360.