O ADEUS AO JORNALISTA JOEZIL BARROS

Tomei conhecimento hoje da perda do amigo Joezil Barros, a imprensa pernambucana está de luto, faleceu na terça-feira, um dos mais importantes nomes da história jornalismo nacional. O jornalista Joezil Barros, ex-presidente do Diario de Pernambuco, foi diagnosticado com um câncer de pulmão e morreu aos 84 anos, às 9h, por falência múltipla dos órgãos. Joezil deixa a esposa, Neide Maria Pereira Barros, os filhos Lydia e Roberto, quatro netos e cinco bisnetos.
O jornalista trabalhou por mais de 60 anos no Diario, onde exerceu diversas funções, como repórter de polícia, editor regional, editor de Cidades, gerente comercial, diretor comercial, superintendente e presidente. Na mais alta função do veículo, também exerceu comando sobre diversos outros órgãos de imprensa do mesmo grupo, como a TV e a rádio Clube e os jornais Aqui PE, O Norte, Diário da Borborema e Diário de Natal.

Sua última função como jornalista foi a de chefe da assessoria de comunicação do Tribunal de Justiça de Pernambuco, cargo que exerceu até seu falecimento.

Formado pela Escola Superior de Relações Públicas e pela Faculdade de Direito de Olinda, Joezil também teve uma trajetória notabilizada pela participação em projetos e organizações sociais, como o Rotary Club, onde sempre buscou se engajar em iniciativas voltadas a ajudar os mais necessitados.

De origem humilde, o jornalista nasceu filho de um condutor de bondes e precisou iniciar sua vida profissional ainda na adolescência, passando por várias empresas. Mas foi no Diario onde Joezil imprimiu sua marca na história de Pernambuco, comandando o jornal mais antigo da América Latina.

Em artigo publicado no Diario em setembro, Joezil comentou sua trajetória profissional, que se confunde com a história do jornalismo em Pernambuco. Ao celebrar os 90 anos da Associação da Imprensa de Pernambuco (AIP), entidade que presidiu entre 1971 e 1974, o recifense nascido no bairro da Torre rememorou os primeiros anos de profissão. “Entrei no jornalismo muito cedo — tinha apenas 16 anos e sem qualquer formação acadêmica”, lembrou Joezil. Foi com essa idade que o adolescente começou a trabalhar como repórter policial no extinto Jornal Pequeno, “com a garantia de receber pequena quantia para o lanche”. Após a experiência no jornal, o jovem repórter trabalhou na Rádio Olinda e na Rádio Clube de Pernambuco, empresa da qual seria o presidente, juntamente com o Diario de Pernambuco, muitos anos depois.

Com praticamente 70 anos dedicados ao jornalismo e à comunicação, Joezil desempenhou papel importante na profissionalização da imprensa. Além de comandar a AIP, ele dirigiu o Sindicato dos Jornalistas Profissionais do Recife e foi presidente da Federação Nacional dos Jornalistas Profissionais, em Brasília. Ocupou, ainda, o Conselho Fiscal da Associação Nacional de Jornais por dois mandatos e do Conselho Fiscal da Associação das Empresas de Rádio e Televisão de Pernambuco (Asserpe).

O reconhecimento dos colegas de profissão era motivo de orgulho, em razão de sua história pessoal. “Comandar no seu posto máximo tão importantes instituições dos jornalistas brasileiros, muitos dos quais intelectuais da maior expressão, significou para mim motivo de muito orgulho, tendo em vista a minha origem humilde, filho de pais operários, sem nenhuma representação social e financeira, morando na “beira chié”, como era conhecido o bairro da Torre, onde residíamos, mesmo local em que morava grande parcela dos desempregados do Recife e operários da fábrica de tecidos do mesmo bairro e os servidores da Pernambuco Tramways, empresa de bondes, veículos utilizados para transporte da população e que antecedeu a chegada dos ônibus no Recife”, relembrou o jornalista, no texto publicado em setembro.

A trajetória de Joezil também reflete, em boa medida, a evolução dos Diários Associados no Nordeste. Em 1992, ele foi eleito membro do Condomínio Acionário das Emissoras e Diários Associados. Ao ingressar no grupo de comando formado por Assis Chateaubriand, Joezil assumiu a presidência da antiga TV Guararapes e dos jornais O Norte (PB), Diário de Natal (RN) e Diário da Borborema (PB), bem como das rádios e estações de TV desses respectivos estados.

“Perdemos um ilustre companheiro, um verdadeiro líder pernambucano e um guerreiro de grandes batalhas. Estamos de luto”, afirmou o presidente do Condomínio dos Diários Associados, Álvaro Teixeira da Costa.

Foram inúmeros os projetos comandados por Joezil Barros à frente do Diario. Entre as iniciativas editoriais, pode-se registrar o lançamento do Panorama Literário, publicação que se tornou referência no jornalismo cultural. Foram as páginas do Panorama Literário que testemunharam o nascimento da Geração 65, sociedade de jovens poetas pernambucanos que publicavam os primeiros versos no jornal.

Com uma longa carreira na imprensa , Joezil Barros também teve projeção no âmbito do direito. De 1985 a 1990, atuou como juiz classista do Tribunal Regional do Trabalho da 6ª Região, aposentando-se neste cargo. Entre 2018 e 2020, trabalhou como assessor de comunicação da Corregedoria Geral de Justiça de Pernambuco. Em sua mais recente atuação profissional, comandou a assessoria de comunicação do Tribunal de Justiça de Pernambuco.

Profissional respeitado, empresário e cidadão pernambucano, Joezil também era conhecido pelo carinho com os amigos. Em 2014, ao escrever um texto de despedida sobre uma pessoa próxima, recém-falecida, relembrou uma passagem de Santo Agostinho: “A morte não é nada. Eu somente passei para o outro lado do Caminho. Eu sou eu, vocês são vocês. O que eu era para vocês, eu continuarei sendo. Vocês continuam vivendo no mundo das criaturas, eu estou vivendo no mundo do Criador. Não utilizem um tom solene ou triste, continuem a rir daquilo que nos fazia rir juntos. Rezem, sorriam, pensem em mim. A vida significa tudo o que ela sempre significou, o fio não foi cortado. Porque eu estaria fora de seus pensamentos, agora que estou apenas fora de suas vistas. Eu não estou longe, apenas estou do outro lado do Caminho.”

Uma das pessoas mais próximas de Joezil, o condômino Maurício Dinepi lembra o início de uma amizade de praticamente 50 anos. “Joezil era gerente de publicidade no Diario de Pernambuco, e eu, iniciando na área de publicidade, com representação dos jornais Associados no Rio de Janeiro, em 1973”, conta. “Houve uma empatia muito grande. Desde então nos tornamos amigos, muito amigos e irmãos. Rimos e choramos juntos inúmeras vezes”, lembra.

Em razão da pandemia, os encontros pessoais não eram mais possíveis. Mas as conversas continuavam frequentes, e o carinho, intacto. “Nos últimos dois anos, não nos encontramos pessoalmente, por motivos óbvios. Mas sempre nos falávamos ao telefone. Quando um dos dois falhava, sempre ele mandava uma mensagem ‘Alguma novidade?’. Foram 48 anos de amizade sincera. Já está fazendo falta!!”, afirma Dinepi.

Eu, Gilson Moura, tive o privilégio de conhecer e conviver por alguns anos com esse amigo que virou um irmão e já estou sentindo muito sua falta, enchendo meus olhos de lágrimas, mesmo sabendo que nesse momento ele está ao lado do pai. Minha mensagem de pesar a Neide e aos familiares, pois sempre é bom lembrar, que a felicidade começa com a fé em Deus, depois que tudo acabou. Sejam fortes nessa hora, como o nosso Joezil Barros sempre foi.