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O Bode de Parnamirim é motivo de uma reunião da cúpula do PCdoB

Um almoço com a aparência de informalidade, mas tinha como cardápio principalmente, a política de Parnamirim. O prato principal foi o famoso bode que fará parte da eleição de 2020. Na mesa, o tabelião Airene Paiva, Carlos Maia e o vice-governador Antenor Roberto do PCdoB. No rei do bode, a cúpula dos camaradas falou sobre tudo, mas todos juram que o assunto principal não era política. Um cidadão, bastante atento ao cenário político da cidade, entrou em contato com o blog e falou dessa reunião que foi regada com uma boa comida regional, servido no famoso restaurante da nossa cidade. O blog entrou em contato com um figurante da cúpula, o ex-deputado Calos Maia, que ao ser indagado sobre o encontro, demonstrou surpresa e inquietude, reforçando o discurso do grupo, alegando que o cenário político não estava na pauta da conversa. Enfatizou que queria comer um bodinho e veio com os amigos, Airene e Antenor Roberto, almoçar e bater papo sobre tudo, menos política. A pergunta é, qual o outro assunto que uniria os três nesse momento? A resposta é simples, o bode de 2020.

CRIMINALIZAR FAKE NEWS É UMA PÉSSIMA IDEIA

UM ANO DEPOIS da eleição de Jair Bolsonaro, vencida à base de mamadeira de piroca, o combate às fake news se tornou a nova cruzada da oposição. É compreensível: sabemos que o governo da extrema-direita no país existe com base em muita mentira – em um esquema financiado ilegalmente por empresários (réus confessos), com disparos em massa no zap (“Era uma coisa absolutamente intuitiva, o negócio chegava e a gente mandava para as pessoas”) e robôs que propagam sandices para manipular a opinião pública. Por isso a declaração de André Mendonça, ministro da Advocacia-Geral da União, causou tanta revolta. Ele disse: “Agora não é hora de criminalizar fake news”.

“É muita safadeza e canalhice pra um governo só!”, reagiu, indignado, Felipe Neto, um dos principais formadores de opinião do país. “Trocou-se o direito pelo submundo”, tuitou o deputado do PSOL André Valente. “A mentira precisa ser combatida independente da ocasião. A corrupção da verdade não pode ser relativizada sob uma pretensa defesa da liberdade de expressão”, declarou Marina Silva.

Nós até entendemos as reações indignadas. Também repudiamos a propagação de mentiras e desinformação – inclusive já fomos alvo desse tipo de campanha odiosa. Mas concordamos com André Mendonça: Agora não é hora de criminalizar fake news – nem agora, nem nunca.

Como o combate às fake news tem apelo político, congressistas aproveitaram para surfar a onda. Só no ano passado, mais de 20 projetos de lei foram propostos para tentar criminalizar notícias falsas. Eles prevêem multas e penas, de até oito anos, para quem criar ou compartilhar algo comprovadamente mentiroso. Há iniciativas que querem, até, equiparar notícias falsas aos crimes que atentam contra a segurança nacional. Divulgou uma mentira no zap? Terrorista.

O projeto que foi para frente foi a Lei 13.834, que altera o Código Eleitoral e tipifica como crime a denunciação caluniosa contra candidatos em eleições. A partir das próximas eleições, quem noticiar ou compartilhar informação sobre uma investigação, processo ou inquérito contra um candidato sabidamente inocente pode ser condenado a até oito anos de prisão, além de pagar multa.

Na sanção presidencial, Jair Bolsonaro havia vetado o artigo que estende a mesma pena a quem compartilha, mas o Congresso derrubou o veto. “Quem inventa notícia falsa, quem faz o processo de destruição de reputação sabendo que está propagando mentiras, tem que ser severamente punido”, disse o senador petista Humberto Costa, engrossando o coro do endurecimento. O problema é: quem será o juiz para dizer se os nossos tios (ou os seus) são apenas ingênuos ou se enquadram como criminosos perversos que estão repassando um meme para destruir a democracia?

Como separar ingenuidade, falta de informação e má intenção em um submundo infinito como o zap? E como garantir que leis como essa não serão usadas contra movimentos sociais e inimigos declarados como… a imprensa? Jornalistas cometem erros todos os dias, é da natureza da profissão – de todas as profissões. Nossos erros serão enquadrados como “fake news” pelo Sergio Moro da vez?

A gente já viu o que acontece: a definição de ‘fake news’ é moldada pelos operadores do direito da maneira que melhor lhes convém.

O problema é esse: “Não existe um consenso ou definição definitiva sobre o que pode ser considerado fake news ou mentira”, alerta Francisco Brito Cruz, diretor do instituto de pesquisas de direito e tecnologia InternetLab e co-autor do livro Direito Eleitoral na era digital. “Você compartilhar, sem saber, uma coisa desatualizada, isso entra nessa categoria? Ou você, com o intuito de expressar sua opinião, compartilhar o que cientificamente não tá provado, também é mentira?”

Na Rússia, a legislação para “combater fake news” já está sendo usada para proibir críticas ao governo, bloquear aplicativos de mensagens e forçar as empresas a manterem servidores no país – o que poderia abrir brecha para quebra de privacidade e espionagem legalizada. A legislação está sendo fortemente questionada por opositores, que têm medo de serem presos por “insultarem autoridades”, uma cortesia do “combate a fake news”.

A gente já viu o que acontece: a definição de “fake news” é moldada pelos operadores do direito da maneira que melhor lhes convém. Em março, o ministro Dias Toffoli abriu o inquérito 4.781 para investigar fake news contra o STF. Super abrangente, a investigação não tem um alvo específico e foi usada para enquadrar inimigos: um mês depois, o relator Alexandre de Moraes a usou para ordenar a censura de uma reportagem da revista Crusoé sobre Toffoli. Chamou o texto, baseado em um documento, de “típico exemplo de fake news”. (Nós o republicamos aqui, porque isso é inaceitável).

A decisão foi revertida, mas criou um precedente perigoso. Então uma reportagem baseada em um documento é uma notícia falsa? Nós não concordamos com a reportagem, mas não achamos que seja mentirosa – tanto que, em nome da liberdade de expressão, reproduzimos o texto censurado aqui no TIB. “É esse tipo de coisa que pode aumentar se a gente aumenta o controle. Porque o jornalismo incomoda os poderosos”, diz Brito Cruz.

Em setembro, senadores criaram uma CPMI, Comissão Parlamentar Mista de Inquérito, para debater fake news. O senador Angelo Coronel, presidente da CPMI, foi até a Rússia estudar o tema. A Rússia. Ela mesma. O país mestre em manipular processos democráticos, inclusive internacionais, usando desinformação, ao mesmo tempo em que legisla sobre fake news para massacrar vozes dissonantes.

Olha, gente, estou na Rússia, absorvendo conhecimento p/ combater a desinformação, mal que assola o mundo. Como pres. da CPMI das #FakeNews, vim conversar c/ especialistas e trocar experiências para discutirmos como combater esse mal que destrói famílias e atrapalha democracias.

Muitos membros dessa CPMI têm apreço pela censura: uma investigação do Aos Fatos mostrou que eles já moveram 63 processos para remover conteúdo na internet. Dominada por partidos de oposição, a CPMI deve avançar na investigação sobre disparos em massa na campanha de Jair Bolsonaro – e é usada como arma política contra ele. É claro que os casos envolvendo a campanha eleitoral de Bolsonaro devem ser investigados – um a um, e não com legislação genérica e perigosa.

O jeitinho brasileiro: tipifica como crime que resolve

O Brasil tem um problema grave de analfabetismo funcional: um em cada três brasileiros tem dificuldades em entender o que lê. Ao mesmo tempo, mais de 120 milhões de brasileiros usam o Facebook e WhatsApp, principais meios difusores de notícias falsas. Imagine cogitar condenar à multa ou reclusão quem compartilha uma mentira sem sequer entender direito o que acabou de ler? Pelas estatísticas, o peso dessa criminalização cairá sobre os mais pobres.

Ao mesmo tempo, o país tem a terceira maior população carcerária do mundo – e o número só aumenta. Multas – como as previstas nessa legislação – são uma maneira bastante eficaz de manter as pessoas pobres presas e as ricas, soltas. Você mira na Joice Hasselmann – a maior propagadora de mentiras das eleições de 2018 – ou na Bia Kicis – e seu vídeo falso com membros da Farc mencionando Lula – mas acerta o tiozão do zap. Pode apostar.

Mais grave ainda é o impacto disso para nós, jornalistas. Ainda que tenhamos protocolos de checagem, essa medida que criminaliza a difusão de informações é um atentado à liberdade de imprensa. Vai ficar muito mais difícil, arriscado e custoso fazer uma reportagem sobre um processo que, por exemplo, ainda não tem investigação oficial.

O presidente Jair Bolsonaro, por exemplo, vive dizendo que o jornalismo da Globo e da Folha de S. Paulo é “fake news”. Sergio Moro disse que somos aliados de hackers criminosos porque reportamos sobre seus métodos fora da lei. Deltan Dallagnol disse que adulteramos seus chats publicados na Vaza Jato (sem apontar, obviamente, uma adulteração sequer, porque não existem). Osmar Terra disse que a notícia sobre a censura da pesquisa sobre drogas que publicamos em abril é “fake news”. Deputados pediram nossa prisão e o fechamento do site. A reação é sempre previsível: não gostou? Fake news.

Em uma época em que o governo deslegitima como mentira tudo o que é publicado pela imprensa que não se ajoelha para ele, não é difícil prever que o mecanismo que hoje a esquerda sonha que será usado para anular a eleição se transforme em um poderoso meio para criminalizar jornalistas e remover informação da internet.

A nossa legislação já tem mecanismos para impedir a propagação de conteúdo que pode ferir direitos fundamentais. Os crimes contra a honra– injúria, calúnia e difamação –, por exemplo. Há casos que podem ser enquadrados como falsidade ideológica ou estelionato. O próprio código eleitoral já prevê pena de multa e detenção para difamação.

Ao endurecer as penas e criar tipos penais genéricos para enquadrar ‘fake news’, quem se comunica de forma legítima vai ficar intimidado – especialmente quem não tem acesso à justiça e a bons advogados.

Esses mecanismos que existem já são usados para tentativas de censura e controle da imprensa. É só lembrar que Bolsonaro foi o político que mais entrou na justiça para tentar remover conteúdo na internet, que João Doria processou até o dentista que emprestou internet a seus críticos e que Danilo Gentili, embora diga que defenda a liberdade de expressão, quer cadeia para quem fala mal dele. Já imaginou essa gente com uma legislação vaga sobre fake news debaixo do braço?

Ao endurecer as penas e criar tipos penais genéricos para enquadrar ‘fake news’, quem se comunica de forma legítima vai ficar intimidado – especialmente quem não tem acesso à justiça e a bons advogados. “Os políticos estão na mira e quem os incomoda vai sofrer mais consequências”, diz o pesquisador Brito Cruz.

Para André Mendonça, da AGU, agora não é um momento oportuno para discutir mais um tipo penal por causa do “calor do momento”. “Está tão acalorada essa discussão que eu acho que, se fizer isso agora, a gente corre o risco de se exceder demais ou de não dar o devido tratamento. A comunicação em rede vai ser a realidade do século 21. E você agir de uma forma talvez tão desproporcional, vai inviabilizar uma liberdade de expressão que também é um direito constitucional”, disse na entrevista ao UOL.

A gente concorda, e acha até mesmo que esse momento nunca vai existir. É preciso investigar, sim, campanhas ilegais bancadas por empresários, exércitos de trolls financiados com dinheiro público, grupos organizados que agem e lucram propagando mentiras. Mas transformar os emissores em criminosos não vai colocar na cadeia quem merece – e essa medida, acredite, eventualmente vai se voltar contra nós. Vai depender de quem decidirá o que é mentira.

ANTES QUE VOCÊ SAIA… Quando Jair Bolsonaro foi eleito, sabíamos que seria preciso ampliar nossa cobertura, fazer reportagens ainda mais contundentes e financiar investigações mais profundas. Essa foi a missão que abraçamos com o objetivo de enfrentar esse período marcado por constantes ameaças à liberdade de imprensa e à democracia. Para isso, fizemos um chamado aos nossos leitores e a resposta foi imediata. Se você acompanha a cobertura do TIB, sabe o que conseguimos publicar graças à incrível generosidade de mais de 11 mil apoiadores. Sem a ajuda deles não teríamos investigado o governo ou exposto a corrupção do judiciário. Quantas práticas ilegais, injustas e violentas permaneceriam ocultas sem o trabalho dos nossos jornalistas? Este é um agradecimento à comunidade do Intercept Brasil e um convite para que você se junte a ela hoje. Seu apoio é muito importante neste momento crítico. Nós precisamos fazer ainda mais e prometemos não te decepcionar.
(the intercept brasil)

43,4% querem que Bolsonaro fique no PSL e 37,5% preferem que ele saia

 

Levantamento nacional exclusivo do Paraná Pesquisas para esta coluna e o site Diário do Poder mostra que, para 43,4% dos brasileiros, o presidente Jair Bolsonaro deveria permanecer filiado ao PSL, mas outros 37,5% opinam por sua saída. Não opinaram 19%. A pesquisa indicou também que 63% dos entrevistados têm acompanhado as brigas entre integrantes do PSL e o presidente. Neste domingo (3), ele disse que há 80% de chances de sair e 90% de criar um novo partido. A informação é da Coluna Cláudio Humberto, do Diário do Poder.

As brigas começaram com as disputas dos filhos Eduardo e Flávio Bolsonaro pelo controle do PSL em São Paulo e Rio, respectivamente.

Há uma nítida disputa pelos recursos do fundos partidário e eleitoral, que em 2020 devem garantir ao PSL mais de R$359 milhões.

O PSL foi o único que garantiu candidatura a Bolsonaro, mas Luciano Bivar não aceitou a exigência de entregar a sigla que fundou e preside.

A pesquisa foi realizada em 168 municípios de todos os Estados, com 2.240 eleitores entrevistados entre 31 de outubro e 4 de novembro.

 

(Diário do poder) 

Enem: 1,2 milhão de inscritos faltaram; 376 foram eliminados

Cerca de 3,9 milhões de pessoas fizeram hoje (3) o Exame Nacional do Ensino Médio (Enem). Os cerca de 1,2 milhão de faltosos representam 23% do total de 5,1 milhões de inscritos. Ao todo, 376 pessoas foram eliminadas por descumprirem as regras do exame. Os dados foram divulgados pelo Ministério da Educação (MEC) e pelo Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira (Inep).

“Deu tudo certo, foi tudo perfeito, funcionou tudo bem. Tivemos a mais baixa abstenção da história”, avaliou o ministro da Educação, Abraham Weintraub. A taxa é mais baixa que a de faltas no primeiro dia de prova do ano passado, quando 24,9% dos inscritos não compareceram ao exame.

O índice total de abstenções no Enem 2019 será fechado apenas após o segundo dia de aplicação, no próximo domingo (10). Quem não fez a prova neste domingo ainda poderá comparecer ao segundo e último dia do exame.

O ministro avaliou o número de eliminados como baixo. Neste ano, o Enem passou a ter uma nova regra, candidatos cujos aparelhos eletrônicos que emitissem qualquer som, mesmo dentro do envelope porta-objetos seriam eliminados.

Vazamento da prova

Uma foto da prova de redação do Enem vazou hoje nas redes sociais. Segundo Weintraub, as investigações, a cargo da Polícia Federal, indicam que a foto foi tirada por um aplicador de prova.

O ministro explicou que a suspeita de que tenha sido um aplicador se deve ao fato de que aparecem na imagem três provas de pessoas que faltaram ao exame e apenas aplicadores têm acesso ao caderno de provas de candidatos faltosos. A identificação é possível devido ao código de cada prova. “Houve a tentativa de macular, de colocar em xeque o Enem, ele foi um péssimo profissional, péssima pessoa ao fazer isso, mexe com a vida de 5 milhões de pessoas”, disse o ministro.

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Segundo o presidente do Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira (Inep), Alexandre Lopes, ao contrário dos participantes, que são eliminados se os celulares estiverem fora do envelope porta-objetos, os aplicadores podem portar os aparelhos.

“Porque eles entram em contato com os coordenadores para reportar problemas ou pedir orientações”, explicou Lopes. No entanto, no momento de abertura dos malotes e distribuição das provas, os aplicadores são orientados a não portarem celulares.

Segundo o ministro da Educação, apesar de a imagem ser verdadeira, o vazamento não causou prejuízo aos participantes, uma vez que a imagem foi divulgada após o início da aplicação: “O impacto foi zero”.

O ministro defendeu uma punição severa ao culpado por divulgar a imagem: “O que a gente vai tentar fazer é escangalhar ao máximo a vida dele. Eu sou a favor sempre de que pessoa que é um transgressor pague o preço da transgressão dela”, disse. “A gente vai atrás de absolutamente tudo que puder fazer para essa pessoa pagar pela má-fé dela, pela falsidade, pela traição que ela cometeu. Absolutamente tudo. Se der para ser criminal, criminal, cível, absolutamente tudo que a gente puder fazer para essa pessoa realmente se arrepender amargamente de um dia ter vindo ao mundo”, complementou.

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Tema da redação

O tema da redação deste ano foi Democratização do acesso ao cinema no Brasil. “Antigamente para ter acesso ao cinema, precisava de estrutura grande para produzir um filme e estrutura para ver o filme. Hoje, [a gente] vê o filme aqui”, disse levantando o celular. “Consegue fazer filme de coisa barata, isso democratizou”.

Segundo o ministro, não há uma resposta única para a redação. “O objetivo da redação é a pessoa conseguir elaborar um texto com argumentos racionais tangíveis e bem escrito. Achei muito bom o tema, gostei do tema, porque tinha várias possibilidades”, disse.

Sobre os conteúdos da prova como um todo, ele ressaltou que a orientação foi a elaboração de uma prova por meio da qual fosse possível selecionar pessoas qualificadas para entrar na faculdade: “O objetivo do Enem é selecionar as pessoas mais capacitadas. E acho que foi plenamente atendido”. Ele reafirmou que nem ele, nem o presidente do Inep tiveram acesso às provas com antecedência. “Tivemos contato com a prova hoje”.

Os participantes fizeram hoje as provas de redação, ciências humanas e linguagens. No dia 10, farão as provas de matemática e ciências da natureza.

 

(ABr)

Bolsonaro pode não ter relação com a morte de Marielle, mas tem tudo a ver com os suspeitos

AS INVESTIGAÇÕES do assassinato de Marielle Franco estão contaminadas desde o início. Polícia Civil e Ministério Público do Rio de Janeiro, que deveriam estar atuando em conjunto, não param de bater cabeça, trazendo mais dúvidas do que respostas. Um ano e meio se passou e ainda não se sabe quem são os mandantes do crime. A única certeza até aqui é a de que há gente envolvida na investigação tentando boicotá-la para proteger assassinos e cúmplices.

Logo após o atentado, a então procuradora-geral da República Raquel Dodge tentou federalizar a investigação do caso, mas recuou após o MP-RJ questionar formalmente a sua interferência  junto ao Conselho Nacional do Ministério Público (CNMP). O caso se manteve no Rio cercado por fraudes e falhas inexplicáveis, como o sumiço das imagens que possibilitariam identificar os assassinos. No último dia do seu mandato, Dodge tentou novamente federalizar o caso junto ao Superior Tribunal de Justiça. O El País obteve acesso ao pedido em que a procuradora afirma que há no Rio uma “relação de promiscuidade” entre as polícias e os milicianos, o que impede que se chegue aos mandantes do crime. “Tal contaminação, além de gerar óbvia ineficiência (…) indica que existirão com absoluta certeza atividades deletérias [prejudiciais] feitas por criminosos infiltrados na Polícia”.

Depois que o nome do presidente da República surgiu na investigação, a coisa degringolou de vez. Em depoimento à Polícia Civil, um porteiro do condomínio onde o presidente mora no Rio de Janeiro afirmou que foi Jair Bolsonaro quem autorizou, horas antes do crime, a entrada de Élcio Queiroz, um dos milicianos suspeitos do assassinato de Marielle. Ele se encontraria com Ronnie Lessa, o outro suspeito, que também morava naquele condomínio. A informação foi vazada ilegalmente para o Jornal Nacional, que publicou na terça-feira e fez o bolsonarismo entrar em parafuso.

O JN apontou uma contradição no depoimento do porteiro: Bolsonaro estava em Brasília e não poderia ter autorizado a entrada. O jornalista Luis Nassif, porém, apurou que a comunicação da portaria com os moradores é feita por celular ou telefone fixo. Desse modo, Jair Bolsonaro poderia ter autorizado a entrada de Élcio mesmo estando em Brasília. Essa informação até agora não foi confirmada nem contestada por ninguém.

Depois da publicação da bomba, o presidente apareceu em uma live alucinada no Facebook negando tudo e dizendo que não irá renovar a concessão da Globo. Confirmou saber do surgimento do seu nome no caso desde o dia 9 de outubro, quando foi informado pelo governador Witzel, que teria cometido um crime ao repassar informação de um processo sigiloso. Aos berros, com palavrões e xingamentos, Bolsonaro se disse perseguido pela Globo. Tentava-se criar a narrativa de que o porteiro foi forçado a mentir para prejudicar o presidente.

No dia seguinte, o Brasil acompanhou pelo Twitter o trabalho do perito Carluxo, que gravou dois vídeos mostrando áudios do sistema de comunicação da portaria que provariam que o porteiro mentiu. Essa seria só mais uma nova bizarrice envolvendo a investigação, mas muitas outras ainda estariam por vir.

Promotoras do MP-RJ, então, correram para confirmar em entrevista coletiva a narrativa bolsonarista que o porteiro mentiu, o que é estranho, já que o próprio MP chegou a consultar a Procuradoria-Geral da República e o Supremo Tribunal Federal sobre o caso devido ao foro privilegiado do presidente. Uma consulta que foi feita sem o juiz do caso saber, o que é nada menos do que escandaloso. Alguém consultaria a corte suprema do país com base apenas em um depoimento suspeito contra o presidente da República? Não faz sentido.

O MP-RJ, depois de meses sem fazer nenhuma perícia no sistema de gravação do condomínio, correu para apresentar uma que confirmou a mentira do porteiro. Acontece que essa perícia no sistema de comunicação —  o mesmo que havia sido “periciado” por Carluxo anteriormente — não avaliou se houve adulteração na integridade do arquivo. Pior: os peritos receberam os arquivos, mas não tiveram acesso ao computador em que foram gravados. Neste sábado, 2 de novembro, o presidente confessou ter obstruído a justiça ao afirmar que pegou a gravação das ligações da portaria para que não fossem adulteradas. Ou seja, um dos citados em um inquérito criminal teve acesso a uma prova antes dos peritos, que, depois, não verificaram se houve adulteração. A perícia é uma farsa criada para validar a narrativa bolsonarista.

O Sindicato dos Peritos Oficiais do Rio de Janeiro rechaçou a perícia em nota, apontando que ela não foi feita por peritos oficiais, mas “por técnicos do Ministério Público, e teve como objeto um CD apresentado pelo síndico do condomínio”.

A história apresentada pelo Ministério Público não fecha. Apesar da convicção das promotoras na entrevista coletiva, há muitas questões sem respostas. E o histórico da investigação não nos permite confiar nem por um segundo na atuação da parte do MP carioca responsável pelo caso.

Se o porteiro mentiu nos depoimentos, por que, no dia do crime, escreveu no livro de registros que Élcio pediu autorização da casa de Bolsonaro para entrar no condomínio? Ele pode ter se confundido, mas, entre tantas casas do condomínio, iria escrever justamente o número da de Bolsonaro? Por que a perícia do MP só foi feita após a divulgação do caso no Jornal Nacional? Por que a perícia não avaliou a possibilidade de adulteração do sistema?

Dois dias antes de Ronnie Lessa e Elcio Queiroz prestarem o primeiro depoimento, a esposa de Lessa enviou para ele uma mensagem com a foto da planilha de controle de visitantes na portaria do condomínio, indicando o acesso de Élcio para a casa de Jair Bolsonaro. Na mensagem ela pede para que Elcio Queiroz seja avisado. Qual é a explicação para isso?

Há muitos fios soltos e peças desencaixadas que o MP parece não fazer muita questão de explicar. Tudo fica ainda mais nebuloso quando ficamos sabendo que uma das promotoras que acusaram o porteiro de mentir é uma bolsonarista fanáticaque demonstra nojo de “esquerdopatas” nas redes sociais. Essa mesma promotora também é responsável pelo arquivamento do caso Amarildo, que foi sequestrado, torturado e assassinado por policiais militares, que ainda ocultaram o cadáver. O caso foi encerrado apesar da avalanche de provas incontestáveis. Ela também já pediu a soltura de dois PMs que foram filmados assassinando um suspeito que estava deitado no chão e desarmado. Esses policiais já haviam sido investigados por outras 37 mortes durante operações, entre elas uma criança de 11 anos.

Portanto, desconfiar de tudo o que vem dessa investigação não é nada mais do que uma obrigação moral.

Carmen Eliza Bastos de Carvalho, uma das promotoras do Ministério Público do Rio de Janeiro responsáveis pelo caso Marielle Franco.

Após o surgimento do nome de Jair Bolsonaro nas investigações, novas forças entraram em cena para defender a versão bolsonarista. Augusto Aras, o procurador-geral da República, chamou o caso envolvendo o presidente de “factoide” e afirmou ter arquivado a questão antes mesmo da reportagem. Com base em que ele afirma isso se nem a perícia no sistema havia sido feita? Por que ele só decidiu pelo arquivamento do deslocamento do caso para o STF depois da publicação do JN?

Em janeiro, quando ainda sentia uma certa necessidade de vestir o terno do republicanismo, Moro disse que ministros da Justiça de governos anteriores se “sentiam à vontade para defender membros do governo”, o que ele considerava inadequado. Pois bem. Bolsonaro ordenou que Moro interviesse no caso Marielle, fazendo o ministro cumprir o papel de seu advogado. Moro então mandou o MPF abrir inquérito para apurar se o porteiro mentiu, interferindo na esfera estadual, o que é uma bizarrice bem típica do modo freestyle de Sergio Moro em lidar com as instituições. Agora temos a PGR e o Ministério da Justiça atropelando a ordem institucional para defender a narrativa bolsonarista.

Bom, o fato é que não há nada até aqui que ligue diretamente Bolsonaro ao assassinato de Marielle Franco. Qualquer insinuação nesse sentido é equivocada. Isso não anula o fato de que a família Bolsonaro há tempos mantém uma relação de promiscuidade com integrantes da quadrilha suspeita de matar a vereadora. Os Bolsonaros já prestaram apoio político e financeiro para alguns dos ex-policiais suspeitos de integrar o Escritório do Crime, considerado pelo Ministério Público como o maior grupo de extermínio do Rio de Janeiro. Essas são afirmações incontestáveis. E, portanto, se o nome de alguém da família Bolsonaro surgiu na investigação, é necessário ser investigado profundamente. Mas, ao contrário, há claramente uma pressa dos órgãos competentes em apontar o porteiro como mentiroso.

Ligações perigosas

A teia que envolve a família Bolsonaro e a milícia suspeita de assassinar Marielle é extensa e vem de longa data. É importante relembrar. O chefe dessa organização criminosa, Adriano Magalhães de Nóbrega, é um ex-policial condenado a 19 anos de prisão por assassinar um guardador de carro que, segundo seus familiares, havia denunciado PMs que praticavam extorsões na favela onde morava. Quatro dia após a sua condenação, o então deputado federal Jair Bolsonaro usou seu mandato para prestar apoio ao criminoso condenado. Em pronunciamento no plenário da Câmara em 2005, disse ter acompanhado pessoalmente o julgamento desse que considera ser um “brilhante oficial” e repudiou sua condenação.

Adriano conseguiu o direito de ter um novo julgamento e foi absolvido em 2007. Mas acabou sendo preso novamente por participar de um atentado a um pecuarista numa guerra do jogo do bicho no Rio. Ele atuava como segurança de bicheiro. Enquanto esteve preso, Flávio Bolsonaro ajudou a família de Adriano, empregando a mãe e mulher em seu gabinete na Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro. Antes, já havia usado seu mandato de deputado estadual para, por mais de uma vez, render homenagens na Assembleia ao policial corrupto.

Fabrício Queiroz, um amigo de 30 anos do presidente da República, é parceiro de décadas do chefe do Escritório do Crime. Os dois se conheceram quando eram policiais na região de Rio das Pedras, bairro hoje dominado por essa milícia. No gabinete de Flávio Bolsonaro, Queiroz comandou a farra das rachadinhas com ajuda da mãe de Adriano.

É importante lembrar que Queiroz depositou R$ 24 mil na conta de Michelle Bolsonaro que, segundo o presidente, foi o pagamento de um empréstimo (feito sem nenhum registro) que ele teria feito ao amigo que estava em dificuldades financeiras. Um fato curioso já que esse mesmo amigo pagou recentemente R$ 133 mil em dinheiro vivo por um tratamento de câncer no Hospital Albert Einstein.

Élcio e Ronnie Lessa, os dois suspeitos pelo atentado contra Marielle e o motorista Anderson Gomes, são subordinados de Adriano dentro da milícia. Lessa não é apenas vizinho de condomínio de Jair Bolsonaro e Carlos Bolsonaro, como também é pai da ex-namorada de Jair Renan Bolsonaro, o filho mais novo do presidente. É difícil acreditar que Élcio e Ronnie Lessa matariam a vereadora sem o conhecimento de Adriano, o ex-policial corrupto homenageado por Flávio Bolsonaro que conseguiu empregar parentes no seu gabinete e ainda teve o privilégio de contar com apoio de Jair Bolsonaro no julgamento em que foi condenado por um homicídio.

Bolsonaro pode não ter nada a ver com o assassinato de Marielle, mas tem tudo a ver com os suspeitos pelo crime. Esse fato somado à lambança deliberada dos órgãos de investigação e às certezas infundadas do PGR e do Ministério da Justiça de que o porteiro mentiu mostram que há algo de muito estranho no ar.

ANTES QUE VOCÊ SAIA… Quando Jair Bolsonaro foi eleito, sabíamos que seria preciso ampliar nossa cobertura, fazer reportagens ainda mais contundentes e financiar investigações mais profundas. Essa foi a missão que abraçamos com o objetivo de enfrentar esse período marcado por constantes ameaças à liberdade de imprensa e à democracia. Para isso, fizemos um chamado aos nossos leitores e a resposta foi imediata. Se você acompanha a cobertura do TIB, sabe o que conseguimos publicar graças à incrível generosidade de mais de 11 mil apoiadores. Sem a ajuda deles não teríamos investigado o governo ou exposto a corrupção do judiciário. Quantas práticas ilegais, injustas e violentas permaneceriam ocultas sem o trabalho dos nossos jornalistas? Este é um agradecimento à comunidade do Intercept Brasil e um convite para que você se junte a ela hoje. Seu apoio é muito importante neste momento crítico. Nós precisamos fazer ainda mais e prometemos não te decepcionar.
(the intercept brasil)

STF analisa constitucionalidade de aumento de salário de servidores fora da lei orçamentária

O Supremo Tribunal Federal (STF) vai julgar a constitucionalidade dos aumentos de salários de servidores públicos concedidos por meio de lei específica sem a previsão orçamentária na Lei de Orçamento Anual (LOA). A dúvida é tema do Recurso Extraordinário 905.357, que suspendeu os pagamentos até a decisão da Corte.

A ação, sob relatoria do ministro Alexandre de Moraes, virou tema de repercussão geral depois que o Distrito Federal se juntou como amicus curiae no processo.

O Distrito Federal decidiu ingressar na ação porque o ex-governador Agnelo Queiroz (PT) sancionou aumentos de 10% a 40% para 22 carreiras profissionais de servidores, sem previsão no orçamento, por meio de lei específica e dividiu o pagamento em três parcelas anuais (2013, 2014 e 2015).

Com a mudança de governo, confirmou-se que não existia previsão orçamentária para pagar os aumentos concedidos pelo petista, que perdeu as eleições seguintes.  A partir daí o governo tentou anular a norma e deixar de pagar a 3ª parcela desse aumento. Após uma série de derrotas no TJ-DF, a saída para o governo do DF foi apostar no recurso junto ao STF.

“Nessa oportunidade o DF ingressou no feito na condição de amicus curiae. Em seguida, o ministro-relator determinou a suspensão de todas as causas que apresentem questão idêntica à que será resolvida no âmbito dos Embargos de Declaração no RE 905.357-RR”, comentou o advogado dos servidores, Leonardo Morais de A. Pinheiro.

Na decisão que determina a suspensão, o ministro Alexandre de Moraes cita como exemplo a situação enfrentada pelo Distrito Federal para justificar a suspensão nacional de todas as causas que apresentem questão idêntica à que será resolvida no âmbito do recurso extraordinário. (Com informações do Conjur)
(Diário do poder)

Governo quer acelerar privatizações com “carta-branca” do Congresso

São Paulo — A equipe econômica estuda enviar um projeto de lei para acelerar as privatizações de estatais. A ideia, segundo apurou o ‘Estadão/Broadcast’, é conseguir aval antecipado do Congresso para vender uma lista de empresas. O objetivo é ganhar de seis a oito meses num processo que hoje leva em média dois anos.

O projeto de lei pode ficar no guarda-chuva do conjunto de medidas que o governo está elaborando e deve apresentar na próxima semana, mas não requer mudança constitucional. A lista definitiva das empresas que almejariam essa autorização ainda será definida em conjunto com o presidente Jair Bolsonaro. A etapa de precificação, para definir o valor de uma empresa, também deve sofrer ajustes.

O ministro da Economia, Paulo Guedes, tem defendido nos últimos meses um “fast track”(“via rápida”) para acelerar as privatizações. Ele já criticou publicamente o prazo longo para conseguir vender uma empresa no setor público em razão da burocracia e de obstáculos internos.

Segundo fontes do governo, o projeto ajudaria nesse “fast track”ao obter antes o sinal verde do Congresso para as privatizações desse conjunto de empresas. Hoje, a estatal precisa ser incluída no Programa de Parcerias de Investimentos (PPI), no Plano Nacional de Desestatização (PND), ter a modelagem definida pelo Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) e só então ter a autorização para a venda.

Inclusão

Na última reunião do PPI, foram incluídas empresas como Serpro e Dataprev (que operam em processamento de dados).

A equipe econômica chegou a cogitar um projeto de lei delegada (autorização que o Congresso daria ao Executivo para privatizar estatais por decreto). Mas, segundo apurou a reportagem, essa ideia foi descartada porque enfrentaria forte resistência no Legislativo.

(Exame)

Urgente: a promotora do caso Marielle precisa ser afastada

Nesta foto, vemos Carmem Eliza, ontem, 30 de outubro, em uma coletiva de imprensa sobre a investigação.
As promotoras de Justiça do Ministério Público do Estado do Rio, Letícia Emili Alqueres Petriz, Simone Sibílio e Carmen Eliza Bastos de Carvalho dão informações sobre a investigação do assassinato de Marielle Franco e Anderson Gomes.

As promotoras de Justiça do Ministério Público do Estado do Rio, Letícia Emili Alqueres Petriz, Simone Sibílio e Carmen Eliza Bastos de Carvalho dão informações sobre a investigação do assassinato de Marielle Franco e Anderson Gomes.

Foto: Fernando Frazão/Agência Brasil

A promotora não esconde suas preferências políticas nas redes sociais.
Nem sua admiração pelo deputado Rodrigo Amorim, que fez o gesto sociopata ao quebrar a placa com o nome de Marielle.
Uma das pessoas responsáveis por investigar os assassinos de Marielle Franco e Anderson Gomes acredita que vivíamos em um “cativeiro esquerdopata”.
Como será a atuação dessa promotora no caso do assassinato de uma pessoa que ela define como esquerdopata? Como será sua atuação em um caso que envolve Bolsonaro, aquele que está estampado em sua camisa?Eu dei esse furo no Twitter hoje e já está circulando no noticiário do Brasil. Escrevi enquanto aguardava uma conexão de Dallas para Austin e agora escrevo durante o voo. Vou participar de uma conferência e falar sobre o trabalho investigativo do Intercept. Corro para dizer o óbvio: essa promotora precisa ser afastada imediatamente do caso. A Corregedoria-Geral do MPRJ tem que tomar providências.

O Intercept investiga esse caso desde o início. Fomos os primeiros a dar a relação das milícias com o assassinato e também o envolvimento de policiais do Bope. Nossos jornalistas no Rio estão atentos ao que acontece. Mas agora o mais importante é fazermos pressão pela saída da promotora para que essa investigação não se comprometa ainda mais. Escreva para seus contatos, encaminhe este texto, poste nas suas redes.

ANTES QUE VOCÊ SAIA… Quando Jair Bolsonaro foi eleito, sabíamos que seria preciso ampliar nossa cobertura, fazer reportagens ainda mais contundentes e financiar investigações mais profundas. Essa foi a missão que abraçamos com o objetivo de enfrentar esse período marcado por constantes ameaças à liberdade de imprensa e à democracia. Para isso, fizemos um chamado aos nossos leitores e a resposta foi imediata. Se você acompanha a cobertura do TIB, sabe o que conseguimos publicar graças à incrível generosidade de mais de 11 mil apoiadores. Sem a ajuda deles não teríamos investigado o governo ou exposto a corrupção do judiciário. Quantas práticas ilegais, injustas e violentas permaneceriam ocultas sem o trabalho dos nossos jornalistas? Este é um agradecimento à comunidade do Intercept Brasil e um convite para que você se junte a ela hoje. Seu apoio é muito importante neste momento crítico. Nós precisamos fazer ainda mais e prometemos não te decepcionar.
(the intercept brasil)

Citação a Bolsonaro no caso Marielle nubla agenda de reformas

Qual faceta do governo de Jair Bolsonaro vai prevalecer na agenda desta quarta-feira (30), a do médico ou a do monstro?

O dia era para ser de boas novas em Brasília, com o detalhamento de um pacote de reformas futuras pensado pelo ministro da Economia, Paulo Guedes, que poderiam ditar a agenda econômica após a reforma da Previdência.

No pacote, deve ser apresentada a revisão da regra de ouro, de gastos obrigatórios e do pacto federativo, e também uma ampla reforma administrativa para reduzir o número de carreiras e mexer na estabilidade de servidores. Um programa de ajuda a estados com as finanças nas cordas também estava previsto.

Some-se a isso duas notícias promissoras anunciadas na quarta-feira. Uma comissão na Câmara deu encaminhamento à reforma previdenciária dos militares, mesmo sob forte pressão da corporação.

Para os mais otimistas, é uma mostra de que o o governo Bolsonaro está disposto a cortar na carne para encaminhar as reformas que o Brasil precisa. Do Oriente Médio, o presidente selou um plano de investimentos de 10 bilhões de dólares da Arábia Saudita no Brasil.

Ou seja: era uma semana de boas notícias, que poderia ser coroada, hoje, com uma nova redução da taxa básica de juros (que deve de fato ocorrer). Mas, na noite de ontem, uma reportagem divulgada no Jornal Nacional, e uma reação destemperada do presidente, voltaram a colocar os podres na mesa.

O jornal Nacional revelou detalhes da investigação sobre a morte da vereadora Marielle Franco que mostram que um dos suspeitos de matar a vereadora esteve, horas antes do crime, no condomínio onde viviam tanto Bolsonaro quanto Ronnie Lessa, outro suspeito pelo assassinato.

Segundo o porteiro do condomínio, o suspeito disse que iria à casa 58, onde mora o presidente, e que alguém da casa o autorizou a entrar. Jair Bolsonaro estava em Brasília na data, e a dúvida número um do país nesta quarta-feira é quem, na casa 58, autorizou a entrada do suspeito. No Twitter, Carlos negou ter atendido o interfone.

Bolsonaro reagiu numa transmissão nas redes sociais feita às 3h50 da Arábia Saudita. Acusou a “patifaria” da rede Globo e do governador do Rio, Wilson Witzel, e mais uma vez afirmou que há um conluio contra sua família. Além disso, ameaçou retirar a concessão da emissora.

Segundo a VEJA, o governador do Rio de fato soube da citação a Bolsonaro nas investigações. Ele nega.

Como o presidente foi citado, o caso pode ser enviado ao Supremo Tribunal Federal, o mesmo que está com uma fenda aberta com o governo após a divulgação do infame vídeo em que o presidente compara os ministros da corte a hienas.

(Exame)

PSL e MBL já estão em campanha para as eleições municipais. E a esquerda?

 

É ESTARRECEDOR constatar que as eleições municipais não estão no centro do debate e da mobilização da esquerda atualmente. É mais frustrante ainda pensar essa postura é um mero reflexo de um processo que vem ocorrendo há muitos anos: o afastamento das lideranças políticas partidárias das camadas populares, esquecendo o trabalho de base, enquanto a extrema-direita ocupa esse vazio sem concorrentes.

Recentemente, a deputada Áurea Carolina fez um apelo importante para direcionarmos nossa atenção às eleições municipais. O pleito de 2020 está se aproximando, e a extrema-direita tentará eleger um exército de vereadores e prefeitos no Brasil todo. Se os extremistas conseguirem o que planejam, haverá a capilarização do bolsonarismo. Uma vez entranhados na micropolítica local, teremos anos e até décadas de avanço conservador e autoritário. Pode ser a pá de cal sobre nossas esperanças.

Não se trata de alarmismo. O fenômeno está se armando, uma vez mais, debaixo de nossos olhos. Mirando as eleições municipais, a campanha de filiação do PSL realizada em agosto conseguiu associar 188 mil pessoas em apenas um mês. As lideranças do partido deixam claro que o objetivo é atingir 1 milhão de filiados rapidamente, tornando-se um dos maiores partidos do Brasil junto com MDB, PT e PSDB. A campanha foca em dois objetivos: filiar pessoas no Nordeste e sair com candidaturas próprias em todas cidades com mais de 100 mil habitantes.

MBL não fica para trás. Inicialmente, eles se valeram de uma estética moderna para falar de liberalismo e corrupção para a juventude. Mas suas lideranças não demoraram a abraçar o capeta. Apoiaram as pautas de conservadorismo moral e o próprio Bolsonaro. Assim elegeram quatro deputados federais e dois senadores na última eleição. Agora, oportunisticamente, tentam se reposicionar, distanciando-se do radicalismo bolsonarista. Aproximando-se no partido Novo, disputando grêmios estudantis e formando novas lideranças, almejam eleger centenas de vereadores.

Uma válvula de escape de parte da oposição neste momento tem sido se entreter com os barracos promovidos pelas lideranças do PSL, caindo no auto-engano de que a crise interna seria o germe da autodestruição do partido. O bolsonarismo, então, seria naturalmente enfraquecido enquanto a incompetência desse governo é escancarada. Como criticou recentemente o antropólogo Orlando Calheiros, há também a crença de que bastaria trocar de presidente nas eleições nacionais e viraríamos a página.

Penso que essa fé na autodestruição do bolsonarismo é arriscada de diversas maneiras.

Penso que essa fé na autodestruição do bolsonarismo é arriscada de diversas maneiras. Em primeiro lugar, estamos falando de uma força política que nasceu da crise e que governa sobre o caos, mantendo-se no centro das notícias. Como já escrevi aqui, a lógica que elegeu Bolsonaro é a da emoção, do entretenimento e do show business. Seguindo a máxima do marqueteiro de Trump Roger Stone de que é melhor ser infame que não famoso, é ótimo que essas brigas se mantenham no centro do debate público, transferindo seguidores, afetos e desafetos de uma pessoa para outra.

Em segundo lugar, o bolsonarismo é maior que o PSL. A legenda, hoje em racha público, pode ser mera transição de consolidação da ordem conservadora. Como recentemente salientou a antropóloga Isabela Kalil, com base em evidências de pesquisa, é possível que, a médio e curto prazo, forme-se um novo partido a partir do núcleo conservador bolsonarista. O que importa aqui é que a extrema-direita ainda avança e procura formas de consolidar sua identidade.

Em terceiro lugar – e este é o ponto mais preocupante de todos – o bolsonarismo é maior do que Bolsonaro, como venho defendendo. Essa é uma tese compartilhada por muitas intelectuais que estão na ponta do sistema, como as já citadas Isabela Kalil e Áurea Carolina.

Não cabe aqui explorar as antigas raízes do autoritarismo e conservadorismo do Brasil. Tampouco afirmaria que o conservadorismo pode definir o Brasil e as classes populares. Entre um e outro, existe um mundo de complexidade de pessoas que se aliam a diferentes pautas em diversos momentos da vida. Cabe apenas lembrar que é na comunidade e no olho no olho que se pode disputar a escolha política de muitas pessoas que não podem ser definidas por uma única identidade: de evangélica, conservadora, punitivista ou empreendedora neoliberal.

É um erro de diagnóstico da esquerda acreditar que tudo na eleição de 2018 se passou no WhatsApp, ainda que reconheçamos que as fake news tiveram um papel decisivo. Como muitos pesquisadores do ambiente digital vêm avisando há muitos anos (como Daniel Miller Juliano Spyer, por exemplo), existe uma relação de mútuo abastecimento entre o mundo online e offline. É no segundo, ou seja, nas relações de condomínio, igreja, vizinhança e trabalho que as notícias são comentadas ou contestadas.

Bolsonarismo incluiu quem estava fora da política

Durante dez anos pesquisei política e consumo em uma comunidade periférica de Porto Alegre com minha colega Lúcia Scalco, que segue trabalhando na região. Nesse tempo, vimos o PT retrair, e Bolsonaro avançar. É claro que a prisão de Lula é uma variável que poderia ter mudado o resultado eleitoral. Mas o fato é que Bolsonaro surfou sozinho em um espaço comunitário.

Observando os últimos dias da campanha – as pessoas falando do candidato no boteco, no muro da casa da vizinha ou na nova pizzaria do bairro–, vimos uma onda emocional de contágio crescer e se transformar em um tsunami. O bolsonarismo chegava via internet, igreja e escola. Por mais triste que isso soe, essa foi a forma como muitos se sentiram incluídos na política.

Disputar a comunidade contra um suposto “globalismo” é um princípio fundante do pensamento da extrema-direita global há pelo menos cem anos. Aquilo que eles chamam de “meta política” é a luta por valores morais que giram em torno da educação, da fé e da família. Eles sabem que isso tem que ser feito via micro-política.

Existem dois exemplos práticos de como essa lógica se remodela no Brasil. O primeiro é o que Kalil e seu time de pesquisadores constataram sobre a quantidade enorme de municípios brasileiros que aprovam a lei da Escola Sem Partido e a proibição do ensino de “ideologia de gênero” nas escolas. Muito do que se passa na política local nessa área nem sequer pode ser mensurado, pois é um fenômeno que avança silenciosamente.

O segundo exemplo são os conselhos tutelares. Eles são uma forma de comunicação direta com as famílias e as comunidades. A esquerda se saiu melhor nessas últimas eleições. Mas isso só ocorreu porque tomou o susto de algo que era simplesmente “dado”, conseguindo reagir a tempo.

O bolsonarismo não é um desvio de rota da nossa história.

A lição dos conselhos tutelares ao campo da esquerda é muito clara: é preciso lembrar que a política não é circunscrita a Brasília ou ao Twitter. Somos corpos localizados em muitas comunidades, e é nessas comunidades onde o diálogo tem de acontecer. A melhor das lições é a de que, quando mobilizados, temos muitas chances de vencer.

Outra reação importante atualmente tem vindo das universidades que mobilizam seus membros e resistem ao Future-se e aos interventores. Também existem milhares de coletivos de periferias, de mulheres, de mães, de pessoas negras e transgêneras tentando segurar as pontas em suas comunidades. Talvez falte à esquerda partidária se conectar com esses espaços e ceder espaço a novas lideranças, deixando que elas assumam protagonismo.

O bolsonarismo não é um desvio de rota da nossa história, que podemos colocar para debaixo do tapete enquanto esperamos sentados as próximas eleições presidenciais. Está na hora de a esquerda deixar um pouco de lado a preocupação com seus pequenos desafetos, lamber as feridas das eleições e, como diria o mestre Paulo Freire, sair do revanchismo vingativo que nos leva a ser reativos. Não precisamos ser consumidos pelo sentimento de impotência de agir grande, quando o necessário é atuar no nível microscópico, pois é lá que a extrema-direita está ganhando adeptos.

ANTES QUE VOCÊ SAIA… Quando Jair Bolsonaro foi eleito, sabíamos que seria preciso ampliar nossa cobertura, fazer reportagens ainda mais contundentes e financiar investigações mais profundas. Essa foi a missão que abraçamos com o objetivo de enfrentar esse período marcado por constantes ameaças à liberdade de imprensa e à democracia. Para isso, fizemos um chamado aos nossos leitores e a resposta foi imediata. Se você acompanha a cobertura do TIB, sabe o que conseguimos publicar graças à incrível generosidade de mais de 11 mil apoiadores. Sem a ajuda deles não teríamos investigado o governo ou exposto a corrupção do judiciário. Quantas práticas ilegais, injustas e violentas permaneceriam ocultas sem o trabalho dos nossos jornalistas? Este é um agradecimento à comunidade do Intercept Brasil e um convite para que você se junte a ela hoje. Seu apoio é muito importante neste momento crítico. Nós precisamos fazer ainda mais e prometemos não te decepcionar.
(the intercept brasil)

Super secretario desagrada e não ajuda politicamente Taveira na sua reeleição

Na cidade Trampolim da Vitória, o super secretário de turismo, planejamento, finanças e desenvolvimento econômico, Giovanni Júnior, mais conhecido como homem do pilão, vem causando terror entre o executivo, o legislativo e aos empresários que tem contra com a prefeitura. A revolta entre os fornecedores da prefeitura é tão grande que alguns prestadores de serviço chegaram a dizer que para receber o dinheiro de suas faturas, tem que respeitar uma ordem cronológica e o homem do pilão parece ter um fetiche em dizer um sonoro “NÃO” aos credores. Essa tática da cronologia é uma boa desculpa para não pagar o dinheiro dos empresários, utilizando esse ajustamento de gestão (TAG), com o tribunal de contas do RN, tornou-se uma verdadeira oração que o secretário faz diariamente quando é cobrado. Os pagamentos estão sendo travados, criando um descontentamento juntos aos fornecedores. Essa forma de tratamento já é do conhecimento dos vereadores e o tão prazeroso “NÃO” foi sentido no legislativo, alguns vereadores andaram comentando que não votará no coronel Taveira para não levar chicotada por mais quatro anos, caso ele se reeleja prefeito. A lista dos insatisfeitos só aumenta a cada dia e a conta é simples, dos 16 vereadores da base, 9 já falam abertamente dessa revolta e querem abandonar o prefeito, com medo do homem do pilão continuar com esse tratamento. Já o prefeito Taveira fechou os olhos para tal situação e prefere fingir que tudo está funcionando perfeitamente.

Os erros liberais do Chile estão sendo repetidos aqui por Paulo Guedes

 

“O CHILE HOJE É COMO A SUÍÇA”, contou Paulo Guedes ao Financial Times, em fevereiro, depois de exaltar os “Chicago boys”que ajudaram o facínora Pinochet a implantar uma economia de mercado durante uma ditadura que reprimiu violentamente direitos civis e sociais.

Oito meses depois dessa entrevista, as ruas da Suíça latino-americana de Paulo Guedes explodiram depois que o governo anunciou um aumento da tarifa do metrô. Foi a gota d’água para uma população endividada, que tem que pagar caro por educação, saúde e no final da vida receber uma merreca de aposentadoria. São os sacrifícios aos quais os Chicago Boys submeteram a população chilena para o mercado poder desfilar e virar o fetiche neoliberal no continente.

As privatizações desenfreadas e o corte de gastos em serviços públicos essenciais melhoraram os números da dívida pública, do PIB e da renda per capita. Apesar desses bons números, o Chile segue entre os países mais desiguais do continente mais desigual do mundo. Mas, como sabemos, essa não é uma preocupação dos ultraliberais. Pelo contrário, é um efeito colateral aceitável que a mão invisível do mercado acabará resolvendo (spoiler: nunca resolve).

Esses indicadores excitam os homens do mercado, que enxergam o mundo através de planilhas do Excel. No mundo real, muitos chilenos têm que escolher entre lavar roupa e tomar banho porque não têm grana para pagar a água privatizada. Mas na planilha de Paulo Guedes, a Suíça latino-americana continua bombando!

O saldo dos protestos até agora foi de 19 mortos e quase 3 mil prisões, números assustadores que fariam os liberais brasileiros surtarem se tivessem ocorrido na Venezuela de Maduro. Mas como essa é a explosão de uma bomba-relógio armada pelo ultraliberalismo da ditadura de Pinochet — e que não foi desarmada por nenhum governo anterior ao de Piñera, como apontou Maurício Brumpara o Intercept —, a direita no Brasil ou se refugia no silêncio, como Paulo Guedes, ou faz como Bolsonaro e lança mão do seu super trunfo: jogar a culpa na esquerda.

Há ainda os que gostam de comparar os indicadores chilenos com os brasileiros, como se a convulsão social ocorrida no Chile fosse em virtude do cansaço do povo por viver num país maravilhoso. Nas planilhas, Santiago continua parecendo Zurique. Acontece que qualquer comparação absoluta entre indicadores do Chile com os do Brasil é estúpida. Primeiro porque a população chilena é menor que a metade da do estado de São Paulo. Segundo porque o estado chileno, desidratado pelo ultraliberalismo, não tem os mesmos gastos que o brasileiro com sistema de saúde, de educação e diversos programas sociais. Fica fácil ostentar dívida pública baixa e crescimento do PIB, enquanto a maioria da população sofre sem conseguir pagar por serviços básicos e caros.

A receita chilena de liberdade total à economia somada ao fim de programas e direitos sociais é exatamente a mesma que o bolsonarismo quer implantar no Brasil.

A reforma da previdência brasileira por pouco não seguiu o modelo de capitalização do Chile, que fez com que nove em cada dez aposentados chilenos receba menos de 60% de um salário mínimo, que é de US$ 450 — uma merreca para os mais velhos que ainda precisam pagar caro por serviços de saúde. Além do Chile, Peru, México e Colômbia estão revendo os seus sistemas previdenciários de capitalização, mas Paulo Guedes ainda não desistiu de implantar o modelo no Brasil.

Enquanto a violência corria solta nas ruas do Chile, Bolsonaro anunciava na China que está para sair um novo plano de Paulo Guedes para combater o desemprego. “Os trabalhadores querem menos direitos e mais trabalho”, disse o presidente pouco antes de se encontrar com o presidente comunista chinês. A lógica ultraliberal de cortar direitos para dar leveza aos mercados está sendo reproduzida em todos os setores do país. O nosso Chicago boy está mesmo empenhado em fazer do Brasil uma nova Suíça.

Os tarados pelo ultraliberalismo chileno até pouco tempo veneravam o país vizinho. O ex-banqueiro João Amoêdo, o CEO do partido mais fiel aos projetos bolsonaristas no Congresso, foi ao Twitter no mês passado contar porque o Chile virou um paraíso de bem-estar, riqueza e prosperidade. Assim como Guedes, exaltou as reformas liberais de Pinochet, a responsabilidade fiscal do governo, a agilidade para se abrir novas empresas e outros sensos comuns da velha cartilha liberal.

Percebam o delírio do ultraliberal brasileiro. Um mês antes dos pobres e da classe média saírem às ruas destruindo bancos e botando fogo no metrô porque não conseguem pagar as contas, o ricaço brasileiro exaltava o sucesso das políticas ultraliberais chilenas. Do ponto de visto dos ricos, é verdade, o Chile é um pedacinho da Europa na América do Sul. E não é novidade para ninguém que João Amoêdo só trabalha com o ponto de vista dos ricos.

Quando Sebastián Piñera foi eleito em 2017, o partido Novo comemorou o “fim da social-democracia” e desejou o mesmo para o Brasil. Os sonhos da sigla se realizaram: Bolsonaro e seus Chicago boys estão no poder e contam com o apoio político do Novo para seguir os passos chilenos. A combinação entre um governo autoritário e uma economia 100% livre parece ser mesmo o sonho de qualquer ultraliberal.

Quando a realidade se impôs e atropelou a Suíça das planilhas, Piñera se viu obrigado a reconhecer os problemas sociais que levaram o país ao caos: “É verdade que os problemas se acumulavam há décadas e que os vários governos não foram – nem nós fomos – capazes de reconhecer essa situação em toda sua magnitude. Reconheço e peço perdão por essa falta de visão”.

Além do mea culpa, o presidente liberal apresentou uma série de medidas para contornar a crise. Todas essas medidas, vejam só que ironia, são típicas de um governo social-democrata: reajuste imediato de 20% nas pensões de aposentadorias e nos benefícios sociais, criação de um seguro-saúde, criação de benefícios para trabalhadores de baixa renda, aumento de imposto para os mais ricos, revogação do aumento das tarifas de energia.

Os liberais brasileiros estão dispostos a continuar seguindo o fracassado receituário chileno. Um fracasso admitido até mesmo pelo presidente liberal do Chile. A mesma bomba-relógio já está instalada no Brasil. A reforma da previdência, os cortes em serviços fundamentais como saúde e educação, os cortes em programas sociais, tudo isso é uma crueldade sem tamanho com quem apenas sobrevive no Brasil. Mas Paulo Guedes e sua turma têm um compromisso com as elites e não vão parar.

Na mesma entrevista em que comparou o Chile à Suíça, o ministro disse que as “pessoas de esquerda têm miolo mole e bom coração”. E completou: “as pessoas de direita têm a cabeça mais dura e…o coração não tão bom”. Bom, a comparação estapafúrdia entre os dois países e o colapso social chileno mostraram que Guedes está errado: a direita ultraliberal não tem nem cabeça nem coração.

ANTES QUE VOCÊ SAIA… Quando Jair Bolsonaro foi eleito, sabíamos que seria preciso ampliar nossa cobertura, fazer reportagens ainda mais contundentes e financiar investigações mais profundas. Essa foi a missão que abraçamos com o objetivo de enfrentar esse período marcado por constantes ameaças à liberdade de imprensa e à democracia. Para isso, fizemos um chamado aos nossos leitores e a resposta foi imediata. Se você acompanha a cobertura do TIB, sabe o que conseguimos publicar graças à incrível generosidade de mais de 11 mil apoiadores. Sem a ajuda deles não teríamos investigado o governo ou exposto a corrupção do judiciário. Quantas práticas ilegais, injustas e violentas permaneceriam ocultas sem o trabalho dos nossos jornalistas? Este é um agradecimento à comunidade do Intercept Brasil e um convite para que você se junte a ela hoje. Seu apoio é muito importante neste momento crítico. Nós precisamos fazer ainda mais e prometemos não te decepcionar.
(the intercept brasil)

Pré-sal, corte de gasto e reformas podem tirar contas do vermelho em 2022, estima governo

A equipe econômica trabalha com uma nova expectativa: pôr as contas do governo no azul até o fim do mandato de Jair Bolsonaro. As projeções oficiais ainda indicam um déficit até 2022. Mas o impulso na arrecadação com petróleo leva o governo a traçar previsões mais positivas.

Marcado para 6 de novembro, o megaleilão da cessão onerosa do pré-sal renderia não apenas receitas com o chamado bônus de outorga (R$ 106 bilhões, a serem pagos pelas empresas vencedoras), mas royalties por 20 anos.

Técnicos contam ainda com melhoria em indicadores econômicos, que beneficiariam a arrecadação, por causa de medidas a serem implementadas como a reforma tributária e corte de despesas.

Os royalties, por exemplo, não eram considerados nos cálculos da equipe econômica para o resultado dos próximos anos. Por isso, os números oficiais da equipe de Guedes ainda apontam a existência de déficits até 2022.

As projeções oficiais, feitas em abril, indicam um rombo fiscal de R$ 124,1 bilhões em 2020. A estimativa é de déficit de R$ 68,5 bilhões em 2021, e de R$ 31,4 bilhões em 2022.

Uma melhora deve ocorrer já neste ano. Recentemente, técnicos da pasta passaram a calcular que será possível cumprir com folga a meta fiscal de 2019, de déficit de R$ 139 bilhões. Com os recursos do petróleo e o empoçamento (dinheiro que fica parado nos ministérios sem ser gasto por motivos diversos), o resultado poderá ficar perto de um rombo de R$ 80 bilhões.

Já sobre 2022, uma eventual revisão ao longo do mandato deve apontar para um superávit pequeno e ainda não próximo do ideal para reverter a trajetória da dívida pública.

Por causa da queda na taxa básica de juros, estimativas recentes apontam para um certo alívio no ajuste fiscal, que exigiria um percentual menor de superávit (entre 1% e 1,2%) para estabilizar a dívida em proporção ao PIB (Produto Interno Bruto).
A dívida líquida do setor público corresponde hoje a 54,8% do PIB, de acordo com dados do Banco Central. A dívida bruta, a 79,8%.

(Folhapress)

Governo quer flexibilizar reajuste de aposentadorias acima do minimo

A equipe econômica do governo Bolsonaro avalia flexibilizar os reajustes de aposentadorias e pensões do INSS com valor acima de um salário mínimo (R$ 998). O piso nacional, porém, continuaria corrigido pela inflação, com manutenção do poder de compra. Além disso, segundo a Agência Estadão Conteúdo, o governo também estuda nova investida para mudar o abono salarial do PIS/Pasep, pago a trabalhadores e servidores que recebem até dois mínimos (R$ 1.996).

Conforme a Agência Estadão Conteúdo, as medidas podem integrar o pacote de reformas que o governo enviará ao Congresso na próxima semana. Mas como o presidente Jair Bolsonaro ainda fora do país, não foi batido o martelo.

A mudança no reajuste dos benefícios do INSS atingiria cerca de um terço dos segurados, que são os que recebem acima de um salário mínimo, segundo dados do Boletim Estatístico da Previdência Social (Beps). Esse contingente, porém, responde por quase 60% (R$ 26,6 bilhões) da despesa mensal do regime geral, o RGPS, que ficou em R$ 45,1 bilhões em julho de 2019.

Já a alteração do abono do PIS/Pasep seria diferente da que foi tentada na Reforma da Previdência. O governo pretendia restringir o benefício a trabalhadores que ganham até um salário mínimo. A Câmara delimitou a quem ganha 1,4 salário, mas o Senado acabou derrubando a mudança e manteve o patamar em dois pisos.

Agora, a intenção é deixar livre para os parlamentares escolherem anualmente quem vai receber e qual será o valor do abono salarial, de acordo com a disponibilidade do Orçamento. Caso o Congresso queira contemplar mais trabalhadores com o benefício, ou dar um valor maior, isso será possível, desde que haja corte em outras áreas.

A diretriz da equipe econômica é que os parlamentares tenham mais poder sobre o Orçamento. Esse é o norte que está sendo perseguido no desenho das medidas. Essas alterações podem fazer parte da chamada “PEC emergencial”, que será apresentada no Senado para ajudar a conter o avanço das despesas obrigatórias.

Como O DIA antecipou com exclusividade em 20 de setembro, representantes de aposentados e parlamentares vão cobrar do governo Bolsonaro a adoção de uma política de valorização do salário mínimo, conforme a que vigorou de 2004 até 2018, que levava em conta a inflação mais a variação do PIB de dois anos antes. Para o presidente do Sindicato Nacional dos Aposentados, João Batista Inocentini, a falta de valorização do piso achatará ainda mais os benefícios.

Em 2019, foi o primeiro ano que segurados do INSS que ganham o mínimo não tiveram ganho real, acima da inflação, tendo a correção somente pelo INPC, que fechou em 4,61%.

Prazo de dez anos para servidor ter estabilidade

O governo estuda uma proposta que amplia, para dez anos, o tempo mínimo de trabalho que um servidor público precisa ter no cargo para garantir a estabilidade de emprego. A regra só valeria para novos concursados. Esse prazo ainda não está fechado. Hoje, a pessoa que é aprovada em concurso público tem de passar por um estágio probatório de três anos.

Em conversa com o ministro da Economia, Paulo Guedes, o presidente Jair Bolsonaro foi claro: está descartada qualquer mudança na estabilidade dos atuais servidores. Mexer na regra que garante o reajuste do salário mínimo pela inflação também virou assunto proibido, por ordem de Bolsonaro.

(O Dia)

Tribunal nega pedido de Lula e mantém julgamento sobre anulação de sentença do sítio

 

O relator da Lava Jato no TRF-4 (Tribunal Regional Federal da 4ª Região), João Pedro Gebran Neto, negou o pedido da defesa do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva para suspender o julgamento que analisará se a ação do sítio de Atibaia (SP) deve voltar para a primeira instância.

Com a decisão, a sessão que analisará o assunto continua marcada para a próxima quarta-feira (30).

“Eventual questão prejudicial ao julgamento poderá ser suscitada pela defesa na própria sessão de julgamento, em sustentação oral”, disse Gebran em sua decisão.

O TRF-4 pretende analisar se o caso do sítio de Atibaia deve ou não voltar para a primeira instância visando eventual correção da ordem de apresentação das alegações finais. Na última quarta (23), a força-tarefa da Lava Jato se manifestou pela anulação da sentença do processo.

O magistrado afirmou que não cabe à defesa de Lula contestar por meio de agravo regimental (um tipo de recurso) a inclusão de um julgamento na pauta da corte.

“Houve tão somente intimação para ciência das defesas objetivando assegurar o direito à apresentação de memoriais e sustentação oral se assim quiserem.”

No pedido em defesa do petista, o advogado Cristiano Zanin Martins alegava, entre outros motivos, “quebra da ordem cronológica” das decisões da turma julgadora.

Ele afirmava que havia outros 1.941 processos apenas na oitava turma do tribunal, composta de três juízes e responsável pelas decisões da Lava Jato em segunda instância. A turma também julga outros casos criminais.

(Folhapress)