Sucessão na Câmara e desentendimento com Maia travam reformas, diz Guedes

O ministro Paulo Guedes (Economia) disse nesta 5ª feira (3.dez.2020) que há desentendimentos em torno da votação de projetos econômicos na Câmara dos Deputados. Segundo ele, o governo quer votar o projeto de autonomia do Banco Central e a reforma administrativa. Já o presidente da Câmara, Rodrigo Maia, quer pautar a votação da reforma tributária, relatada pelo deputado Aguinaldo Ribeiro.

“De repente, com esse desentendimento político envolvendo a disputa pela Presidência da Câmara, a conversa está parcialmente interrompida. O eixo governista quer a aprovação do Banco Central independente e da reforma administrativa, que já estão lá. O relator e o presidente da Câmara preferem começar a tributária agora”, afirmou.

Na avaliação de Guedes, o diálogo pode ser retomado rapidamente. Disse que já indicou as pautas prioritárias e o governo está disposto a votá-las. Afirmou ainda que a equipe econômica vem colaborando com a elaboração do texto da reforma tributária, mas que o debate deve ser aprofundado.

O ministério da Economia apresentou a 1ª fase da tributária, que propõe a unificação do PIS (Programa de Integração Social) e da Cofins em um IVA (Imposto Sobre Valor Agregado). Segundo Guedes, a proposta da equipe econômica não aumenta a carga tributária. Já a da Câmara, pode aumentar, declarou Guedes.

“O nosso IVA era em torno de 12%. Recebemos algumas sugestões. Há setores que são mais atingidos, como transporte pública, saúde, educação. Pode ser que haja uma pressão para reduzir a alíquota desses setores. Por outro lado, se o IVA for muito alto, ele vai atingir que gera 80% do emprego no Brasil, que são serviços e comércio. Eu sempre disse: ‘Cuidado com esse IVA’. Precisamos de outras bases. O impacto pode ser muito grande”, declarou.

“O nosso governo não vai aumentar impostos. Se alguém quiser fazer uma reforma tributária que aumenta impostos, que faça, não é a gente”, declarou durante um evento realizado pela CBIC (Câmara Brasileira da Indústria da Construção), por videoconferência.

PIB SOBRE 7,7%

O ministro afirmou que o país está se recuperando em “V” – uma forte queda seguida de recuperação igualmente acentuada. O IBGE divulgou nesta 5ª feira que a economia brasileira aponta para nessa direção. O PIB (Produto Interno Bruto) avançou 7,7% no 3º trimestre ante os 3 meses imediatamente anteriores. Foi a taxa mais alta já registrada desde que o IBGE iniciou os cálculos do PIB trimestral, em 1996. No acumulado do ano, porém, a economia tem queda de 5%.

Significa que o PIB se recuperou apenas parcialmente. O Brasil ainda não conseguiu voltar ao ponto que estava no final no início do ano, antes dos impactos da pandemia de covid-19.

“Os sinais são de que a economia está mesmo voltando em V. Só mesmo os negacionistas refutariam a evidência empírica que a economia voltou em V”, afirmou.

O ministro estima que o PIB deve cair 4,5% neste ano e subir mais de 3% em 2021.

Guedes afirma que a recuperação será mais lenta nos próximos trimestres, na medida em que serão retirados pacotes emergenciais para combater a crise, como o auxílio emergencial aos mais vulneráveis.

“Estamos numa recuperação cíclica de consumo e vamos recuperar isso a base de investimentos”, afirmou. “Estamos pedindo para destravar os marcos regulatórios”.

Guedes afirmou ainda que os juros baixos vieram para ficar. Falou que a Caixa Econômica e os programas de créditos estão batendo recordes de demanda.

Disse ainda que a construção civil passou longe da crise e cria empregos a cada mês. Nas contas de Guedes, o país deve terminar o ano com zero perda de empregos com carteira assinada. Atualmente, o saldo no setor formal está negativo em 170 mil.

Poder 360.

Wolney será o novo presidente da câmara de Parnamirim

Um encontro dos vereadores eleitos e reeleitos, o martelo foi batido e ficou decidido que quem irá presidir a câmara será o advogado Wolney França.

O encontro foi importante para aparar arestas e definir essa situação, antes da votação da reforma da lei orgânica do município que será concluída na próxima semana.

Compareceram ao encontro 13 vereadores, que foram eleitos pela situação e também pelo governo. Afrânio deverá ocupar a vaga de vice presidente da casa.

Ezequiel Ferreira e os tucanos saem fortalecidos das eleições 2020.

Apesar dos jornais de grande circulação nacional afirmarem que os tucanos cresceram nos grandes centros, mas têm decréscimo no quantitativo de prefeitos, isso não se aplica ao cenário político norte-rio-grandense.

No RN, nas eleições municipais, os tucanos surpreenderam com elevado número de votos em todas as regiões do estado, foram os Campeões com 399.658 mil votos.

Eles superaram partidos de vanguarda, garantindo boa colocação no ranking dos partidos com maior número de votos obtidos, vejamos uma breve síntese do cenário político no RN:
MDB: que teve 237.131 mil votos;
PL: que teve 152.976 mil votos;
PP: que teve 147.714 mil votos;
PSD: que teve 139.910 mil votos;
SD: que teve 126.852 mil votos;
REPUBLICANOS: que teve 112.046 mil votos;
PT: 99.812 mil votos.

É sabido que as eleições municipais servem de base para as eleições estadual e nacional. Então, o PSDB cumpriu seu dever de casa, sob o comando do presidente Ezequiel Ferreira.

Nessa perspectiva, para 2022, os tucanos precisarão apenas manter plano estratégico, pois com o engajamento do líder Ezequiel, o deputado Gustavo Carvalho, o prefeito Álvaro Dias e demais representantes políticos certamente garantirão três vagas para deputados federal e oito para estadual. Essa matemática vem chamando a atenção de muitos políticos no RN.

O Trampolim da Vitória que deixou sua marca na segunda guerra mundial, nos dias atuais, tem exemplo de luta, quem sabe poderá desembarcar no ninho dos tucanos e ocupar uma dessas vagas de federal para terceira maior cidade do estado.

Este representante parnamirinense tem como referência o trecho do hino nacional “verás que um filho teu não foge a luta”, assim é Abidene Salustiano costuma atirar no que vê e acertar no que não vê, coisas de quem transforma areia em dinheiro.

Até o próximo pleito eleitoral, há muita água para correr debaixo da ponte. Abidene quer ser o federal de Parnamirim.

Saiba quais são as 9 estatais que Bolsonaro e Guedes querem privatizar em 2021

O governo federal, conforme noticiou o Conexão Política, anunciou nesta quarta-feira (2) a meta de realizar 9 privatizações em 2021.

Há uma forte estratégia para leiloar as nove estatais e 115 ativos de infraestrutura, com o potencial de atrair R$ 367 bilhões em investimentos privados.

Além disso, estão previstos os leilões do 5G e de 24 aeroportos, como os de Santos Dumont (RJ) e Congonhas (SP).

Segundo apurou a nossa equipe de jornalismo, Bolsonaro e Guedes estão insatisfeitos com o ‘travamento’ na agenda de privatizações.

Guedes tem dito a aliados que a pauta ainda enfrenta uma ‘gigante oposição’, mas que é preciso descontruir a imagem que os governos anteriores, principalmente o PT, criaram sobre a privatização.

Até lá, ele espera concluir a venda dos Correios e da Eletrobras.

Em ambos os casos será necessário forte articulação com o Congresso.

O projeto de desestatização da Eletrobras segue parado na Câmara. Se aprovado, deverá render cerca de R$ 60 bilhões aos cofres do Tesouro.

Há uma projeção também para entregar à iniciativa privada 16 terminais portuários, seis rodovias, três ferrovias, oito terminais pesqueiros, seis parques e florestas, três blocos de óleo de gás, três áreas de mineração e 24 planos subnacionais de saneamento, iluminação pública e resíduos sólidos.

Confira a programação de privatização para 2021 (íntegra – 3 MB):

ABGF (Agência Brasileira Gestora de Fundos Garantidores e Garantias);

CBTU (Companhia Brasileira de Trens Urbanos-MG);

Ceasaminas (Centrais de Abastecimento de Minas Gerais);

Codesa (Companhia Docas do Espírito Santo);

Correios;

Eletrobras;

Emgea (Empresa Gestora de Ativos):

Nuclep (Nuclebrás Equipamentos Pesados).

Trensurb (Empresa de Trens Urbanos de Porto Alegre S.A.)

Conexão política.

EUA têm maior número diário de mortes por covid desde início da pandemia

Os Estados Unidos registraram nessa 4ª feira (2.dez.2020) o maior número de mortes diárias por covid-19 desde o início da pandemia. Foram 2.731, segundo a Universidade John Hopkins. Em 15 de abril, data que tinha o valor mais alto até então, morreram 2.607 pessoas vítimas da doença.

O chefe do CDC (Centros de Controle e Prevenção de Doenças), Robert Redfield, afirmou que este pode ser o “momento mais difícil” na história da saúde pública dos EUA. Disse que o país enfrenta a perspectiva de colapso do sistema de saúde.

De acordo com o The Covid Tracking Project, as hospitalizações chegaram a 100 mil na 4ª feira (2.dez) –mais do que o dobro do número no início de novembro e maior total já registrado.

Estamos em um momento muito crítico para conseguirmos manter a resiliência de nosso sistema de saúde”, disse Redfield em evento organizado pela Câmara do Comércio dos EUA.

A realidade é que dezembro, janeiro e fevereiro serão tempos difíceis. Na verdade, acredito que eles serão os mais difíceis na história da saúde pública desta nação, em grande parte por causa do estresse que será colocado em nosso sistema de saúde.

 

Redfield pediu que a população seja mais rigorosa com as medidas de prevenção, como o uso de máscara e o distanciamento social. O chefe do CDC falou que muitos norte-americanos não seguiram as recomendações de evitar viagens durante o feriado de Ação de Graça –o que pode causar aumento no número de novos casos nos próximos dias.

Mesmo com o alerta, o CDC diminuiu o período de isolamento recomendado depois de exposição ao coronavírus: passa a ser de 7 a 10 dias. Antes, eram 14.

Os EUA são o país mais afetado pela covid-19. Já são mais de 14 milhões de casos de contaminação pelo coronavírus e quase 180 mil mortes pela covid-19.

Acho que, infelizmente, antes de fevereiro, poderíamos estar perto de 450 mil norte-americanos [que] morreram com esse vírus”, disse o chefe do CDC.

O Poder360

Morre o ex-presidente francês Valéry Giscard d’Estaing, vítima da covid-19

O ex-presidente francês Valéry Giscard d’Estaing morreu nessa 4ª feira (2.dez.2020) por complicações relacionadas à covid-19. Ele tinha 94 anos.

D’Estaing governou a França de 1974 a 1981, nos últimos momentos do chamado “les trentes glorieuses”, as 3 décadas de prosperidade que o país teve depois da 2ª Guerra Mundial.

Ele foi o 1º presidente oriundo do “Gaullismo” –ideologia política francesa baseada nas ideias e na ação do General Charles de Gaulle. Foi o líder mais jovem da França desde Luís Napoleão Bonaparte e uma das vozes mais escutadas da vida política francesa.

O atual presidente da França, Emmanuel Macron, foi muito comparado a d’Estaing por também ser jovem e ter ímpeto reformador e centrista.

Durante seus anos de governo, d’Estaing foi responsável por algumas reformas sociais importantes. Entre elas, permitir o divórcio por consentimento mútuo, autorizar o aborto e reduzir a idade mínima de votação para 18 anos.

Na área econômica, a partir de uma estreita relação com o então chanceler da Alemanha, o social-democrata Helmut Schmidt, ajudou a concretizar a implementação de uma moeda única na chamada eurozona. Foi criado, então, o SME (Sistema Monetário Europeu).

Nos anos 2000, presidiu a Convenção Europeia para trabalhar em uma Constituição Europeia, iniciativa que não teve êxito.

Mas seu interesse por questões internacionais o levou a fundar o G7, clube dos países industrializados e com grande poder econômico. Atualmente, o grupo é formado por Alemanha, Canadá, Estados Unidos, França, Itália, Japão e Reino Unido –além da representação da União Europeia.

 

Macron prestou homenagem ao homem que “transformou a França”. Em comunicado oficial, escreveu: “Seu mandato de 7 anos transformou a França. A orientação que ele deu à França ainda guia nossos passos”.

Os ex-presidentes Nicolas Sarkozy e François Hollande homenagearam d’Estaing. Hollande escreveu em seu perfil no Facebook que “a França perde um estadista que optou por se abrir ao mundo”.

Já Sarkozy disse que d’Estaing trabalhou muito para fortalecer a relação entre os europeus.

“Valéry Giscard d’Estaing trabalhou toda sua vida para fortalecer o laço entre as nações europeias, quis e conseguiu modernizar a vida política e dedicou sua grande inteligência à análise dos mais complexos problemas internacionais”, escreveu Sarkozy em seu perfil do Twitter.

Eis o comunicado emitido por Emmanuel Macron, em francês:


Poder 360.

Pfizer: Brasil tem uma semana para decidir por compra de vacina da covid-19

Alejandro Lizarraga, diretor da área de vacinas da Pfizer Brasil, disse nessa 4ª feira (2.dez.2020) que é apertado o prazo para o país fechar negócio para aquisição do imunizante contra a covid-19 desenvolvido pela farmacêutica.

O tempo é curto, de alguns dias, ou talvez uma semana”, falou.

O imunizante da Pfizer/BioNTech foi aprovado para uso emergencial no Reino Unido e a vacinação deve começar na próxima semana. Estudos clínicos mostraram que a vacina tem 95% de eficácia na proteção contra a covid-19.

Um obstáculo para a distribuição dessa vacina, batizada BNT162b2, é a infraestrutura necessária para seu transporte e armazenamento. Isso porque a vacina precisa ser mantida a uma temperatura de -70ºC.

O secretário de Vigilância em Saúde do Ministério da Saúde, Arnaldo Medeiros, sinalizou na 3ª feira (1º.dez), sem citar nomes, que a vacina da Pfizer não está no perfil ideal para uso no Brasil.

Ele defendeu a inclusão no plano nacional de um imunizante que, “fundamentalmente”, possa ser armazenado a temperaturas de 2°C a 8°C, compatível com a capacidade da rede de resfriamento nacional.

Segundo Lizarraga, a Pfizer fechou acordos com outros países com condições de desenvolvimento parecidas com as do Brasil. Entre eles, Chile, Peru, Equador, Panamá, México e Costa Rica. Por isso, na avaliação do executivo, a farmacêutica poderia adotar no Brasil soluções similares às prometidas para os outros países.

A farmacêutica apresentou nessa 4ª (2.dez) ao governo federal um plano logístico detalhado, bem como ferramentas para apoiar o transporte, o armazenamento e o monitoramento contínuo da temperatura da vacina contra a covid-19 desenvolvida em parceria com a empresa de biotecnologia alemã BioNTech.

Em nota (íntegra – 250 KB), a farmacêutica disse que existe a possibilidade de realizar o transporte da vacina em uma “embalagem inovadora em caixas” nas quais o armazenamento da vacina a -75ºC pode se dar por 15 dias, em gelo seco.

O imunizante, de acordo com a Pfizer, pode ficar em um refrigerador comum (entre 2ºC e 8ºC) por até 5 dias, viabilizando a distribuição e vacinação –em especial na situação atual em que se pretende vacinar o maior número de pessoas em curto espaço de tempo.

Poder 360.

Câmara aprova MP que destina R$ 2 bi à vacina contra a covid-19

A Câmara dos Deputados aprovou na tarde desta 4ª feira (2.dez.2020) a MP (medida provisória) 994 de 2020, que abre crédito de R$ 1,99 bilhão para o Ministério da Saúde. Os recursos serão destinados à produção e distribuição da vacina contra o coronavírus.

A votação foi simbólica. Ou seja, sem contagem dos votos. O acerto é possível quando há acordo entre as bancadas. O texto segue para análise do Senado, e perderá validade se não for votado até 5ª feira (3.dez.2020).

Medidas provisórias são editadas pelo governo federal e têm força de lei a partir do momento de sua publicação por até 120 dias. Para continuar valendo, porém, precisa de aprovação de Câmara e Senado dentro do prazo. A MP 994 perde a validade em 3 de dezembro.

O governo pode usar os recursos relativos a medidas provisórias de crédito mesmo sem aprovação do Congresso, desde que a verba seja usada antes da caducidade da medida. A aprovação nesse caso é importante porque parte do dinheiro ainda não foi utilizado.

A relatora, Mariana Carvalho (PSDB-RO), disse no plenário que ainda faltam destinar R$ 400 milhões.

A vacina em questão é a desenvolvida pelo laboratório AstraZeneca, em parceria com a universidade britânica de Oxford. No Brasil, o imunizante está sendo estudado pela Fiocruz (Fundação Oswaldo Cruz), vinculada ao Ministério da Saúde.

A verba aprovada virá da emissão de títulos públicos. Do valor total, R$ 1,3 bilhão será investido na compra de 100 milhões de doses da vacina, além da compra do aparato tecnológico do laboratório AstraZeneca necessário para transporte e armazenamento.

Outros R$ 522 milhões serão investidos na Bio-Manguinhos, unidade da Fiocruz no Rio de Janeiro, responsável pelo processamento final das substâncias. Com os R$ 95,6 milhões restantes serão comprados as tecnologias de produção do imunizante.

CONFUSÃO DE DOSAGENS

A vacina em questão passou por 1 erro nas dosagens durante a 3ª fase de testes clínicos. Alguns voluntários tomaram somente meia dose, e vieram a apresentar uma resposta melhor à vacina, com eficácia de 90%

De início, a AstraZeneca relatou os fatos como se a diferença nas doses tivesse sido intencional. Mais tarde, porém, teve que admitir ter se tratado de uma pane: devido a um erro de produção, as ampolas só estavam cheias pela metade, por isso os pacientes do Reino Unido inicialmente só receberam meia dose.

As agências reguladoras permitiram a continuidade dos testes, ainda que com a dosagem errada.

Poder 360.

Preferência por vacina da China sobe para 15%, mostra PoderData

Pesquisa PoderData mostra que o percentual de brasileiros dispostos a receber doses de vacinas contra a covid-19 desenvolvidas por empresas farmacêuticas da China cresceu nos últimos 90 dias no país. Passou de 8% para 15%. Houve alta de 7 pontos percentuais.

Apesar da alta, a maior parte dos entrevistados pelo instituto de pesquisas confia mais em  mais confiança em imunizantes produzidos nos Estados Unidos. O levantamento mostra que 27% preferem vacinas norte-americanas –houve variação dentro da margem de erro de 2 pontos percentuais nos últimos 3 meses, considerando os levantamentos feitos de 17 a 19 de agosto e de 26 a 28 de outubro.

Também são 15% os que optam por uma produzida por países da Europa. Só 4% tomariam um imunizante desenvolvido pela Rússia.

A pesquisa foi realizada pelo PoderData, divisão de estudos estatísticos do Poder360. A divulgação do levantamento é feita em parceria editorial com o Grupo Bandeirantes.

Os dados foram coletados de 23 a 25 de novembro, por meio de ligações para celulares e telefones fixos. Foram 2.500 entrevistas em 479 municípios, nas 27 unidades da Federação. A margem de erro é de 2 pontos percentuais. Saiba mais sobre a metodologia lendo este texto.

Para chegar a 2.500 entrevistas que preencham proporcionalmente (conforme aparecem na sociedade) os grupos por sexo, idade, renda, escolaridade e localização geográfica, o PoderData faz dezenas de milhares de telefonemas. Muitas vezes, mais de 100 mil ligações até que sejam encontrados os entrevistados que representem de forma fiel o conjunto da população.

O debate sobre a preferência de uma vacina, considerando o país de origem das empresas de biotecnologia e de farmacêuticas, foi impulsionado em outubro, quando houve embate entre o presidente Jair Bolsonaro e o governador de São Paulo, João Doria (PSDB) envolvendo o tema. Adversários ferrenhos, o presidente e o tucano divergem ainda sobre a obrigatoriedade da vacina.

Em 21 de outubro, em ato contrário à vacina da China, o Bolsonaro cancelou 1 acordo firmado pelo Ministério da Saúde para aquisição de 46 milhões de doses da CoronaVac, imunizante contra covid-19 desenvolvido pela farmacêutica chinesa Sinovac Biotech em parceria com o Instituto Butantan, de São Paulo.

Frente à resistência do governo federal, Doria decidiu fechar o contrato pela compra da CoronaVac. Das 46 milhões de doses do imunizante, 40 milhões serão produzidas no Brasil. Em 28 de outubro, a Anvisa (Agência Nacional de Vigilância Sanitária) autorizou a importação de matéria-prima da China para produção da vacina. Em 19 de novembro, o governo de São Paulo recebeu 120 mil doses numa 1ª remessa.

Os temas repercutiram fortemente na mídia, principalmente de forma negativa. Em grupos de WhatsApp, pipocaram vídeos de supostos médicos e profissionais de saúde criticando e elogiando o governo.

Após a mobilização de partidos, tanto a obrigatoriedade da vacina, quanto a desistência da compra da CoronaVac pelo governo federal serão analisadas pelo STF (Supremo Tribunal Federal). Em uma das ações, o relator, ministro Ricardo Lewandowski apresentou voto antecipado, em 24 de novembro, favorável ao pedido para obrigar o governo federal a apresentar em 30 dias o plano de vacinação contra a covid-19.

PoderData também mostrou que 59% dos brasileiros defendem a obrigatoriedade da vacina e 33% são contra essa medida.

ESTRATIFICAÇÃO

PoderData separou o recorte da pesquisa por sexo, idade, região, escolaridade e renda. Observam-se os maiores percentuais de preferência nos seguintes grupos e regiões:

  • Vacina feita na China – homens (16%); pessoas de 45 a 59 anos (18%); moradores da região Norte (31%); os que têm ensino superior (17%); os que recebem mais de 10 salários mínimos (29%).
  • Vacina feita nos Estados Unidos – homens (31%); pessoas de 16 a 24 anos (36%); moradores do Sul (38%); os que têm só o ensino fundamental (29%); os que ganham até 2 salários mínimos (34%).
  • Vacina feita em países da Europa –mulheres (18%); pessoas de 25 a 44 anos (19%); moradores do Centro-Oeste (35%); os que têm ensino superior (22%); os que recebem mais de 10 salários mínimos (44%);
  • Vacina feita na Rússia – homens (6%); pessoas de 16 a 24 anos (10%); moradores da região Norte (10%); os que têm ensino superior (5%); os que recebem de 5 a 10 salários mínimos.

Atualmente, estão sendo realizados 4 estudos clínicos de vacinas contra o coronavírus no Brasil, todos estão na 3ª e última fase de testes. Eis quais são:

  • Vacina de Oxford – produzida pelo laboratório sueco AstraZeneca e pela Universidade de Oxford, da Inglaterra;
  • CoronaVac – desenvolvida pela empresa chinesa Sinovac em parceria com o Instituto Butantan;
  • Vacina BNT162b1 – desenvolvida pela empresa alemã de biotecnologia BioNTech e pela farmacêutica norte-americana Pfizer;
  • Vacina Jansen-Cilag – produzida pela farmacêutica belga Janssen, do grupo norte-americano Johnson-Johnson.

Em 9 de novembro, a Pfizer divulgou estudos preliminares que apontam que o imunizante desenvolvido tem 95% de eficácia contra o novo coronavírus. Na 3ª feira (1º.dez.2020), a a farmacêutica pediu às autoridades de regulação de medicamentos da Europa a autorização para uso emergencial de sua vacina. A mesma solicitação foi feita nos Estados Unidos, em 18 de novembro.

A vacina de Oxford também teve um estudo preliminar divulgado em 23 de novembro. Os resultados indicam 90% de eficácia do imunizante quando os participantes receberam meia dose da vacina e, 1 mês depois, uma dose completa. Quando foram aplicadas duas doses completas, também com 1 mês de diferença entre elas, a eficácia caiu para 62%.

No mundo, a 1ª vacina que recebeu aprovação regulatória foi a da Rússia: a Sputinik V, desenvolvida pelo Instituto Gamaleya de Moscou. A vacinação com o imunizante já começou no país, mesmo ainda sem a conclusão dos testes. O anúncio foi feito nessa 3ª feira (1º.dez).

Além disso, apesar de não ser testada no Brasil, análise preliminar da vacina desenvolvida pela farmacêutica norte-americana Moderna mostrou 94,5% de eficácia do imunizante.

VACINA X BOLSONARO

O presidente Jair Bolsonaro e parte da sua base de apoio, inclusive seus filhos, glorificam rotineiramente a aproximação da administração federal com o governo dos Estados Unidos, que antecipou em julho a compra de US$ 1,95 bilhão em vacinas da Pfizer e BioNTech.

Bolsonaro, no entanto, ainda não manifestou nenhuma preferência sobre alguma vacina, mas se disse contrário à da China. Em 26 de outubro, o presidente ainda defendeu o investimento no tratamento da doença ao em vez da produção de 1 imunizante contra o coronavírus, que já matou mais de 173 mil pessoas no país.

O posicionamento do presidente parece influenciar os que avaliam positivamente seu trabalho individual na Presidência. Dos que acham o Bolsonaro “ótimo” ou “bom”, 37% preferem tomar uma vacina feita nos Estados Unidos.

 

No entanto, houve 1 aumento do percentual nesse grupo dos que optam por uma vacina da China. Há 1 mês, só 2% queriam 1 imunizante da China. Agora, são 13%.

Já dos que acham o presidente “ruim” ou “péssimo”, 21% preferem uma fórmula desenvolvida na Europa. Outros 18% preferem a produção chinesa e 6% preferem uma feita na Rússia.

Apesar da resistência a uma vacina, em 6 de agosto, o governo comprou 100 milhões de doses da vacina desenvolvida pelo laboratório AstraZeneca, em parceria com a Universidade de Oxford por R$ 1,9 bilhão. Os recursos foram liberados por uma medida provisória. O Brasil também integra o Covax, 1 consórcio internacional para facilitar a compra de vacinas contra a covid-19.

O dinheiro será destinado à Fiocruz (Fundação Oswaldo Cruz), que usará o montante para incorporar a tecnologia desenvolvida pela empresa britânica para fabricar a vacina. Com isso, caso a eficácia do imunobiológico seja comprovada e o suo da vacina seja autorizada pela Anvisa (Agência Nacional de Vigilância Sanitária), o Brasil deverá produzir 100 milhões de doses até o 2º trimestre de 2021.

Em entrevista a jornalistas, secretário de Vigilância em Saúde do Ministério da Saúde, Arnaldo Medeiros, disse na última 3ª feira (1º.dez.2020) que o Plano Nacional de Imunização contra a covid-19 só ficará pronto quando houver uma vacina registrada na Anvisa. Mas, no mesmo dia, o governo divulgou um documento com um plano preliminar, que indica que 4 fases previstas pela equipe técnica da pasta. A prioridade será para idosos, pessoas com comorbidades, profissionais de saúde e indígenas.

O secretário também disse que as vacinas contra o coronavírus que serão incluídas no plano de vacinação devem ser “fundamentalmente” termoestáveis por longos períodos e que possam ser armazenadas em temperaturas de 2°C a 8°C, compatível com a capacidade da rede de resfriamento nacional. Ele não citou especificamente nenhuma vacina.

No entanto, o critério estabelecido pelo governo afasta a possibilidade de aquisição do imunizante desenvolvido pela farmacêutica Pfizer e pela empresa de biotecnologia alemã BioNTech. Batizada de BNT162b2, a vacina do laboratório norte-americano exige condições especiais de armazenamento, com temperaturas de -70º C.

O coordenador dos estudos da Pfizer em São Paulo e diretor do Centro Paulista de Investigação Clínica, Cristiano Zerbini, disse nesta 4ª feira (2.dez.2020), em entrevista à rádio BandNews FM, que a temperatura de armazenamento da vacina da farmacêutica norte-americana Pfizer não é um impedimento para sua distribuição no Brasil.

Sem citar valores de custo, o Conselho Nacional de Climatização e Refrigeração afirmou, em comunicado (íntegra – 160 KB), que o setor de serviços de refrigeração nacional pode buscar adequar a infraestrutura e disponibilizar soluções para qualquer temperatura, inclusive a exigida pelo imunizante BNT162b2, com planejamento e investimento.

Outros países já têm previsão para vacinação contra covid-19. O Poder360 preparou 1 infográfico com as datas.

Poder 360.

67% tomariam vacina contra covid-19, e 19%, não, mostra PoderData

Pesquisa PoderData indica que 67% da população brasileira “com certeza” tomaria uma vacina contra a covid-19 assim que estivesse disponível. A taxa se manteve estável ante o levantamento realizado cerca de um mês antes, mas caiu em relação ao estudo feito de 6 a 8 de julho –quando 85% queriam o imunizante.

A proporção dos que disseram rejeitar a fórmula é agora de 19%, ante 22% na consulta realizada de 26 a 28 de outubro.

A pesquisa foi realizada pelo PoderDatadivisão de estudos estatísticos do Poder360. A divulgação do levantamento é feita em parceria editorial com o Grupo Bandeirantes.

Os dados foram coletados de 23 a 25 de novembro, por meio de ligações para celulares e telefones fixos. Foram 2.500 entrevistas em 479 municípios, nas 27 unidades da Federação. A margem de erro é de 2 pontos percentuais. Saiba mais sobre a metodologia lendo este texto.

Para chegar a 2.500 entrevistas que preencham proporcionalmente (conforme aparecem na sociedade) os grupos por sexo, idade, renda, escolaridade e localização geográfica, o PoderData faz dezenas de milhares de telefonemas. Muitas vezes, mais de 100 mil ligações até que sejam encontrados os entrevistados que representem de forma fiel o conjunto da população.

No Brasil, o presidente Jair Bolsonaro e o governador de São Paulo, João Doria (PSDB),  travam um embate. O tucano quer vacinar obrigatoriamente contra covid-19 toda a população do Estado que comanda. O presidente é contra.

discussão sobre a obrigatoriedade ou não do imunizante será feita, também, no STF (Supremo Tribunal Federal). O ministro Ricardo Lewandowski vai levar diretamente ao plenário 4 ações que discutem o tema e outras medidas profiláticas no combate à pandemia.

HIGHLIGHTS DEMOGRÁFICOS

O estudo destacou, também, os recortes para as respostas à pergunta sobre a percepção dos entrevistados em relação à vacina. Leia abaixo a estratificação por sexo, idade, região, escolaridade e renda. Os números entre parênteses mostram a proporção dentro do grupo.

Quem mais tomaria

  • os que têm 60 anos ou mais (75%);
  • os com ensino superior (72%);
  • moradores da região Norte (82%);
  • os que recebem mais de 10 salários mínimos (98%).

Quem mais rejeita

  • os que têm até o ensino fundamental (24%);
  • os moradores da região Nordeste (24%);
  • os que recebem de 5 a 10 salários mínimos (35%).

BOLSONARO X VACINA

O presidente afirmou em outubro que não pretende comprar nenhum imunizante vindo da China. Também disse diversas vezes ser contra a obrigatoriedade. A vacina só deveria ser obrigatória para Faísca, seu cachorro, afirmou.

A opinião do chefe do Executivo parece influenciar na percepção da sua base. Os apoiadores do presidente (“ótimo” + “bom”) são os que mais rejeitam 1 possível imunizante. Nesse grupo, 25% “com certeza não tomariam”. Também nesse mesmo estrato observa-se a menor taxa dos que disseram que “com certeza” irão tomar uma vacina: 53%.

VACINA AINDA NÃO APROVADA NO BRASIL

Ainda não há nenhum imunizante contra a covid-19 aprovado no Brasil. Para ser disponibilizada à população, a fórmula precisa ter o aval da Anvisa.

Várias empresas já apresentaram resultados promissores, e pediram autorizações nos países para o início da vacinação em massa. Algumas nações têm previsão para distribuição da fórmula já em dezembro deste ano.

Na 3ª feira (1º.dez.2020), o secretário de Vigilância em Saúde do Ministério da Saúde, Arnaldo Medeiros, disse que as vacinas contra a covid-19 que serão incluídas no Plano Nacional de Imunização devem “fundamentalmente” ser termoestáveis por longos períodos e permitir armazenagem à temperatura de 2 ºC a 8 ºC, compatível com a capacidade da rede de resfriamento nacional.

Ele não citou especificamente nenhuma vacina. No entanto, o critério estabelecido pelo governo afasta a possibilidade de aquisição da vacina desenvolvida pela farmacêutica Pfizer e pela empresa de biotecnologia alemã BioNTech. O imunizante, batizado de BNT162b2, exige armazenamento a -70ºC.

Poder 360.

59% acham que a vacina contra covid-19 deve ser obrigatória

Vacinação contra a gripe Influenza em postos de Drive-Thru, no Lago Norte . Sérgio Lima/Poder360 24.02.2020

Pesquisa do PoderData mostra que 59% defendem obrigatoriedade da vacina contra a covid-19. O número variou 3 pontos percentuais para mais em relação ao último levantamento, feito há um mês. Entre aqueles que dizem que a vacina não deve ser obrigatória, foram 3 pontos a menos.

A pesquisa foi realizada pelo PoderDatadivisão de estudos estatísticos do Poder360. A divulgação do levantamento é feita em parceria editorial com o Grupo Bandeirantes.

Os dados foram coletados de 23 a 25 de novembro, por meio de ligações para celulares e telefones fixos. Foram 2.500 entrevistas em 479 municípios, nas 27 unidades da Federação. A margem de erro é de 2 pontos percentuais. Saiba mais sobre a metodologia lendo este texto.

Para chegar a 2.500 entrevistas que preencham proporcionalmente (conforme aparecem na sociedade) os grupos por sexo, idade, renda, escolaridade e localização geográfica, o PoderData faz dezenas de milhares de telefonemas. Muitas vezes, mais de 100 mil ligações até que sejam encontrados os entrevistados que representem de forma fiel o conjunto da população.

HIGHLIGHTS DEMOGRÁFICOS

A pesquisa do PoderData também trouxe os recortes por sexo, idade, região, escolaridade e renda dos entrevistados, com os percentuais de quem mais apoia, rejeita ou considera que a obrigatoriedade da imunização só deve ser imposta aos grupos de risco.

Quem mais defende a vacina obrigatória:

  • quem tem 60 anos ou mais (75%);
  • os que ganham até 2 salários mínimos (70%);
  • moradores do Sudeste (65%);
  • mulheres (64%).

Quem mais rejeita: 

  • quem ganha de 2 a 5 salários mínimos (55%);
  • os que ganham de 5 a 10, e mais de 10 salários mínimos (48% em ambos);
  • moradores do Centro-Oeste (45%);
  • pessoas com ensino superior (41%).

BOLSONARISTAS REJEITAM MAIS

Quase metade (49%) do grupo que avalia o presidente como “ótimo” ou “bom” discorda da obrigatoriedade. O percentual é menor (21%) entre quem rejeita Bolsonaro ou considera seu trabalho regular.

Segundo Bolsonaro, seu governo não vai obrigar à vacinação.

PLANO NACIONAL DE IMUNIZAÇÃO

O Ministério da Saúde anunciou na 3ª feira (1.dez.2020) que o Plano Nacional de Imunização contra a covid-19 só ficará pronto quando houver uma vacina registrada na Anvisa (Agência Nacional de Vigilância Sanitária).

O secretário de Vigilância em Saúde, Arnaldo Medeiros, afirmou que a vacina “precisará mostrar seus dados de segurança e eficácia para a população brasileira”.  Ele também disse que o Brasil tem o principal programa de imunização do mundo e vai usá-lo para a aplicação da vacina contra a covid-19.

Poder 360.

‘Crise’ – Este é o maior desafio do Brasil depois da pandemia, segundo o FMI

A pandemia não tem data para acabar, mesmo depois que vacinas forem aprovadas. Os efeitos da crise para o Brasil, menos ainda. É o que indica novo relatório do Fundo Monetário Internacional (FMI) sobre o Brasil divulgado nesta quarta-feira.

Para os diretores da organização que analisaram a situação do Brasil, um dos principais desafios será a recuperação do mercado de trabalho, com a taxa de desemprego já passando dos 14% mesmo com o auxílio emergencial ainda em vigor.

A recuperação, escreve o FMI, não será como nas outras crises: desta vez, as transformações digitais geradas pela pandemia podem fazer com que a geração de empregos não abarque toda a população que precisa voltar ao mercado. Os empregos vão voltar, mas não como antes: enquanto o número de desempregados subiu 36% no Brasil durante a pandemia, as vagas para tecnologia se multiplicaram.

“Os movimentos na direção de um trabalho mais intensivo em tecnologia, mais trabalho remoto e automação, intensificados pelo choque da covid-19, podem trazer complicações adicionais à recuperação do mercado de trabalho, à medida em que grupos vulneráveis são deixados para trás com a transformação estrutural”, aponta o relatório, afirmando que os riscos dessa vez “vão além de recessões anteriores”.

O cálculo do FMI com base no comportamento anterior do mercado de trabalho brasileiro aponta que o Brasil deve sofrer um “aumento duradouro do desemprego”, ainda que o nível de atividade dos trabalhadores volte a melhorar em meados de 2021 — a tendência é que muita gente volte a trabalhar, mas sem necessariamente maior empregabilidade. Antes da crise, o Brasil tinha mais de 40% da massa de trabalhadores no mercado informal.

“Essa herança de trabalhadores informais observada no Brasil ao longo dos últimos anos complica a situação do nosso mercado de trabalho [na crise]”, disse em entrevista anterior à EXAME o economista Helio Zylberstajn, da Universidade de São Paulo. Trata-se de um contingente que, em momentos de crise, é mais sujeito a perder a renda de uma hora para a outra. Boa parte dos postos perdidos na crise de 2008 era de funções repetitivas ou que exigiam baixa capacidade cognitiva. Agora, a crise da covid acelerou como nunca o processo.

O setor de serviços, em áreas como turismo e relacionados (como os serviços em cidades turísticas), pode ser afetado para muito além de 2020. O risco é que as pessoas e regiões que dependem desses setores fiquem desempregadas por muito tempo e sem conseguir mudar de setor. O setor de serviços é o que mais emprega no Brasil, mais de dois terços da população, segundo o IBGE.

O FMI também lembra no relatório que o Brasil sequer havia se recuperado da crise anterior que afetava o mercado de trabalho. Mesmo antes da pandemia, a taxa de desemprego já passava de 12% (nos EUA, a título de comparação, estava em menos de 4% antes da pandemia, uma baixa histórica, uma vez que o mundo desenvolvido já havia se recuperado da crise de 2008).

O relatório do FMI traz elogios à resposta brasileira à pandemia, apontando a importância de programas como o auxílio emergencial, a política de redução de juros do Banco Central e o crédito a pequenas empresas (ainda que, internamente, o programa tenha sido considerado insuficiente pelos empreendedores).

O FMI estima que, sem o auxílio emergencial, o contingente de pessoas em situação de pobreza teria ido de 6,7% para 14,6%; com o auxílio, a pobreza no Brasil na verdade diminuiu temporariamente, para 5,4%. O auxílio impediu entre 14 e 23 milhões de pessoas de ficarem abaixo da linha da pobreza.

Por isso, o Brasil terá ainda o desafio de garantir que a pandemia não amplie ainda mais a desigualdade no país. “Quando o auxílio emergencial espirar no fim do ano, uma melhoria substancial será necessária no mercado de trabalho para evitar um aumento elevado da pobreza e desigualdade”.

O Brasil — como os economistas daqui bem sabem –, vive uma encruzilhada entre manter ou não o auxílio emergencial ou alguma forma de auxílio parecida, como uma ampliação do Bolsa Família. A opção de ampliar o Bolsa Família em vez de criar um novo programa está agora no radar do governo. “Retirar as políticas públicas relacionadas à covid de forma prematura poderia enfraquecer a recuperação, enquanto manter o apoio por muito tempo pode exacerbar os riscos relacionados à sustentabilidade da dívida”, aponta o FMI.

Enquanto a hora da decisão não chega para o governo, a economia brasileira colheu os benefícios do auxílio e de outras políticas e se recuperou “melhor do que o esperado” nos últimos meses, com crescimento de setores como varejo e indústria por cinco meses consecutivos a partir de maio após quedas bruscas em março e abril. O FMI também aponta que a inflação se manteve sob controle e que o Brasil tem nível alto de reservas internacionais.

A projeção do FMI é que a economia brasileira caia 5,8% neste ano, estimativa mais pessimista do que a do próprio governo brasileiro e dos analistas ouvidos para o boletim Focus desta semana, que projetam queda de 4,5%.

Apesar da resposta necessária à pandemia, os riscos fiscais seguem sendo uma preocupação. Diante do aumento dos gastos para atenuar os efeitos da pandemia, o déficit primário do setor público (excluindo o setor financeiro público) deve sair de 1% do PIB em 2019 para mais de 11% em 2020. A dívida pública também deve passar de 100% do PIB e se manter assim no médio prazo.

Além disso, o relatório chama atenção para um aumento da “polarização política” neste segundo semestre do ano e um atraso na agenda do Congresso para implementar reformas que eram esperadas para 2020.

A agenda do Congresso foi atrasada pelas eleições municipais, a proximidade das eleições para a sucessão da Presidência da Câmara e do Senado e a falta de um acordo entre as casas e a base do governo, majoritariamente formada por alguns partidos do Centrão. Antes das eleições, a Câmara passou semanas sem votar temas importantes. O relatório defende a urgência de uma reforma tributária e de agendas como as privatizações.

EXAME

Covid-19: volume de vacinas ainda é insuficiente para atender o Brasil

Foto: Agência Brasil

O ministro da Saúde, Eduardo Pazuello, afirmou hoje (2) que, apesar de haver competição para a produção e venda de vacinas contra a covid-19 e uma campanha publicitária muito forte por parte das empresas que estão desenvolvendo o imunizante, na prática, a capacidade de atender o Brasil não é suficiente na maioria dos casos.

“Ficou muito óbvio que são muito poucas as fabricantes que têm a quantidade e o cronograma de entrega efetivo para o nosso país. Quando a gente chega ao final das negociações e vai para o cronograma de entrega, fabricação, os números são pífios. Números de grande quantidade, realmente, se reduzem a uma, duas ou três ideias. A maioria fica com números muito pequenos para o nosso país”, disse o ministro, em audiência pública na Comissão Mista do Congresso que acompanha as ações do governo contra a Covid-19.

“Uma produtora lança uma campanha publicitária de que já fez, de que está pronto, está maravilhoso. Quando você vai apertar, a história é bem diferente, como tudo na vida. Na hora que você vai efetivar a compra, vai escolher, não tem bem aquilo que você quer, o preço não é bem aquele, e a qualidade não é bem aquela”, acrescentou.

Quantidade

Segundo o Ministério da Saúde, a previsão é que Brasil receba 15 milhões de doses de vacina contra covid-19 em janeiro e fevereiro – número que deve chegar a 100 milhões de doses no primeiro semestre e a 160 milhões a mais no segundo semestre do próximo ano.

Técnicos da pasta lembraram um acordo bilateral de transferência de tecnologia com a AstraZeneca/Oxford, por intermédio da Fiocruz, de R$ 1,9 bilhão, e um acordo multilateral com a Covax Facility, no valor de R$ 2,5 bilhões, cujos recursos estão encaminhados por meio de medida provisória. Segundo Pazuello, isso possibilitará a produção de vacinas de maneira autônoma no país a partir do segundo semestre de 2021.

Testagem

Sobre a testagem da população, também durante a audiência pública, o secretário de Vigilância em Saúde, Arnaldo Medeiros, explicou que inicialmente havia uma testagem no Brasil que era basicamente relacionada aos pacientes internados em hospitais e em situação mais grave.

Hoje a orientação da pasta é que pacientes sintam quaisquer sintomas de síndrome gripal não fiquem em casa, procurem uma unidade básica de saúde, onde o profissional, o médico, ou prescritor – que é quem prescreve e solicita o exame – fará o diagnóstico e, em cima deste, fará os encaminhamentos necessários de solicitação de exames e prescrição medicamentosa, se julgar necessário.

Ainda segundo o Ministério da Saúde, o teste do nariz, como é conhecido o RT-qPCR, deve ser feito até o oitavo dia do início do sintoma.

Agência Brasil

Maia corteja siglas de esquerda em reunião e diz que não tentará se reeleger

O presidente da Câmara, Rodrigo Maia (DEM-RJ), fez um movimento na noite desta 3ª feira (1º.dez.2020) para manter sua influência sobre a Casa depois de fevereiro do próximo ano, quando termina seu mandato. O deputado reuniu em Brasília líderes das bancadas de oposição e pediu apoio para seu grupo político na eleição para a presidência da Câmara. Maia prometeu aos presentes não concorrer.

Pelas regras atuais ele não pode se candidatar. Ocorre que o STF (Supremo Tribunal Federal) tem marcado para os próximos dias julgamento que provavelmente possibilitará a ele (e ao atual presidente do Senado, Davi Alcolumbre) concorrer novamente. Como mostrou o Poder360, a Corte já tem os votos necessários para isso. Mesmo políticos próximos do deputado desconfiam que ele queira concorrer novamente.

A oposição é fundamental nos cálculos políticos de Rodrigo Maia. Seu entorno estima que, com os partidos de esquerda, poderá ser formado um bloco de até 330 deputados. Além da esquerda, os planos incluem DEM, PSDB, MDB, Cidadania, PV, PSL, PTB, Pros e Republicanos.

Esse contingente de votos, além de eleger o presidente da Casa, garantiria ao grupo mais 3 ou 4 cargos na Mesa Diretora, a direção da Câmara.

Fora do grupo de Maia, a pré-candidatura viável posta até o momento é a de Arthur Lira (PP-AL). O deputado se aproximou do governo federal ao longo de 2020. Isso dificulta apoio da oposição a ele. Além disso, Maia e a esquerda tiveram uma convivência com poucas turbulências nos últimos 2 anos.

Estavam presentes na reunião da noite desta 3ª feira, além do presidente da Câmara, deputados dos seguintes partidos:

  • PT – Enio Verri (líder da bancada), José Guimarães (líder da Minoria) e Carlos Zarattini;
  • PDT – Wolney Queiroz (líder da bancada) e André Figueiredo (líder da oposição);
  • PSB – Alessandro Molon (líder da bancada);
  • PC do B – Perpétua Almeida (líder da bancada);
  • Psol – Marcelo Freixo.

A líder do Psol, Sâmia Bomfim, foi contaminada pelo coronavírus e está em isolamento social. Além dela, a única líder de bancada de esquerda que não participou foi Joenia Wapichana, representante solo da Rede na Câmara.

 

O presidente do DEM, ACM Neto, participou do encontro. Ele reafirmou o que disse Maia. De acordo com ele, o partido tem interesse em focar na recondução de Alcolumbre à Presidência do Senado, mas que pode abrir mão da candidatura de Maia.

Apesar de tido como mais natural, o apoio da esquerda ao grupo de Maia não é garantido. Mais cedo nesta 3ª, por exemplo, veio a público uma nota contra a possibilidade de reeleição do atual presidente da Casa assinada por partidos desse campo político e também pelo Centrão de Arthur Lira. A bancada do PT, que não assinou o documento, também não deve apoiar reeleição.

Para que a esquerda se aglutine em torno do presidente da Casa ainda falta muito a ser discutido. Por exemplo: cargos na Mesa Diretora da Câmara, presidência de comissões e relatoria do Orçamento de 2022. Novas reuniões serão realizadas.

Atualmente 6 deputados disputam a bênção de Maia para concorrer à sua sucessão:

Nem todos são queridos pelos opositores. Baleia Rossi é um dos mais próximos de Rodrigo Maia. É próximo também de Michel Temer, por isso o PT dificilmente toparia apoiá-lo. O partido acusa Temer de ter dado um golpe em Dilma Rousseff para chegar à Presidência da República em 2016.

Aguinaldo Ribeiro tem problemas intrapartidários. É correligionário de Arthur Lira, que deverá ter apoio da legenda para disputar a cadeira de Rodrigo Maia. Sem a chancela do próprio partido uma candidatura seria improvável.

Maia está à frente da Câmara desde 2016, quando assumiu 1 mandato tampão depois da saída de Eduardo Cunha (MDB-RJ). Pode disputar a eleição de 2017, na mesma legislatura, graças a um entendimento de que concorrer depois de um mandato tampão não é tentativa de reeleição. Em 2019 pode se candidatar porque tratava-se de uma legislatura diferente da anterior.

O Poder360