Mourão diz ter se surpreendido com fim da produção da Ford no Brasil

O vice-presidente, general Hamilton Mourão, disse nesta 2ª feira (11.jan.2021) que o encerramento da fabricação de veículos da Ford no Brasil “não é uma notícia boa”. O político disse, ao sair do Palácio do Planalto, que foi surpreendido com a decisão.

Eu acho que a Ford ganhou bastante dinheiro aqui no Brasil e me surpreende essa decisão que foi tomada aí pela empresa”, declarou.

Mourão lembrou que a empresa está no Brasil há quase 100 anos e afirmou que a fabricante poderia ter postergado a decisão. “Eu acho que ela poderia ter retardado isso daí mais e aguardado. Até porque o nosso mercado consumidor é muito maior do que outros aí”, disse.

Ford anunciou nesta 2ª feira o encerramento da fabricação de veículos no Brasil por “perdas significativas” nos últimos anos. A medida fechará as fábricas de Camaçari (BA), Taubaté (SP) e da Troller (Horizonte, CE) ao longo de 2021. Aproximadamente 5.000 empregos podem ser comprometidos. Eis a íntegra do anúncio (88 KB).

 

O texto afirma que a pandemia de covid-19 amplia e persiste capacidade ociosa da indústria e a redução das vendas, “resultando em anos de perdas significativas”. A companhia manterá no Brasil a sede administrativa da América do Sul, o Centro de Desenvolvimento de Produto e o Campo de Provas.

De acordo com a fabricante de veículos, a empresa continua comprometida com os consumidores no Brasil com a nova picape Ranger, a Transit e outros modelos. Há planos também de lançar automóveis elétricos.

A Ford afirmou que vai manter as vendas, a assistência total ao consumido, os serviços, a comercialização de peças de reposição e a garantia para seus clientes no Brasil e na América do Sul. A empresa também manterá o Centro de Desenvolvimento de Produto, na Bahia, o Campo de Provas, em Tatuí (SP), e sua sede regional em São Paulo.

A companhia foi uma das pioneiras na produção de automóveis do país. Em 1919, fabricou o Modelo T.

Poder 360.

Mundo supera marca de 90 milhões de infectados pelo coronavírus

Coronavirus-Covid-19 

Já são mais de 90 milhões de casos de contaminação pelo novo coronavírus em todo o mundo. A marca foi atingida nesse domingo (10.jan.2021). Foram registrados 90.708.118 caso até as 5h30 desta 2ª feira (11.jan), segundo o medidor Worldometer. O número de mortes por covid-19 se aproxima dos 2 milhões: 1.943.544.

Os Estados Unidos são o 1º do ranking tanto em número de casos quanto em mortes. O Brasil está em 3º no número de casos, atrás da Índia, e em 2º no número absoluto de vítimas fatais.

País mais afetado pela pandemia, os EUA são responsáveis por quase 25% de todos os casos de covid-19 no mundo. Mais de 22 milhões de pessoas foram diagnosticadas com a doença. O país tem mais de 383 mil mortes.

O número de novos casos disparou a partir de novembro, quando muitos norte-americanos viajaram para celebrar o feriado de Ação de Graças. Novos recordes foram atingidos depois das festas de fim de ano.

Os EUA registraram, em 8 de janeiro, o número mais alto desde o começo da pandemia: 307.911 novos casos em 24 horas.

Fonte: Worldometers

O Brasil ultrapassou, nesse domingo (10.jan), a média de 1.000 mortes por covid pela 1ª vez desde agosto: foram 1.012.

O país registrava 203.100 mortes por covid-19 até as 18h deste domingo (10.jan), de acordo com o Ministério da Saúde. São 469 vítimas a mais que o registrado no dia anterior. Também foram contabilizados mais de 29.792 casos em 24 horas, totalizando 8.105.790 infectados.

O número de mortos no Brasil também é elevado na comparação proporcional. São 959 mortes por milhão de habitantes segundo cruzamento de dados do Ministério da Saúde com a última estimativa populacional divulgada pelo IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística).

A taxa coloca o Brasil na 21ª posição do ranking mundial. Em 31 de outubro, ocupava o 4º lugar. A Bélgica é o país em que a covid-19 mais mata em relação ao tamanho da população. São 1.725 mortes por milhão de habitantes.

Países europeus enfrentam uma nova onda de contágios. Reino Unido, Alemanha e Portugal registraram recordes de novos casos e mortes causadas pela covid-19 na 6ª feira (8.jan). Os países estão endurecendo as medidas de restrições e impondo novos confinamentos para tentar diminuir o número de casos enquanto avançam com as campanhas de vacinação.

Poder 360.

Indonésia anuncia 65,3% de eficácia e aprova uso emergencial da CoronaVac

A autoridade sanitária da Indonésia anunciou, nesta 2ª feira (11.jan.2021), que a CoronaVac, vacina contra a covid-19 produzida pela farmacêutica chinesa Sinovac, apresentou 65,3% de eficácia nos testes clínicos realizados no país.

Os resultados preliminares foram divulgados pela BPOM (Agência de Alimentos e Medicamentos da Indonésia), que também aprovou o uso emergencial do imunizante. A permissão autoriza o início da vacinação de grupos prioritários.

“Esses resultados atendem aos requisitos da Organização Mundial de Saúde de um mínimo de eficácia de 50%”, afirmou Penny Lukito, diretor da BPOM, em entrevista a jornalistas transmitida no canal da agência no YouTube.

A Indonésia já teve 24.129 mortes e 828.026 casos de covid-19. O país, que tem 268 milhões de habitantes, é um dos mais afetados pela pandemia na Ásia. O governo local comprou 125 milhões de doses da vacina e já recebeu 3 milhões. São necessárias duas doses por pessoa para imunização.

A CoronaVac é a principal aposta do governo do Estado de São Paulo para a vacinação contra o coronavírus. O governo federal assinou contrato para a aquisição de 100 milhões de doses da CoronaVac com o Instituto Butantan. O órgão, que desenvolve o imunizante em parceria com a Sinovac, informou que a vacina reduz em 78% o risco de contrair casos leves de covid-19.

Segundo as autoridades paulistas, o imunizante preveniu totalmente mortes pela doença e foi 100% bem-sucedido ao impedir que os infectados desenvolvessem casos graves e moderados da covid-19. Eis a íntegra (517 KB) da apresentação da eficácia da vacina.

Em 24 de dezembro, a Turquia afirmou que a CoronaVac teve eficácia de 91,25% após testagem com 1.300 pessoas no país. No mesmo dia, Jean Gorinchteyn, secretário da Saúde do Estado de São Paulo, disse que os testes com a população brasileira não haviam atingido 90% de eficácia.

No Brasil, os testes foram feitos com 12.476 profissionais de saúde voluntários em 8 Estados. Eles receberam duas doses do imunizante com 14 dias de intervalo entre elas. A fase 3 dos ensaios foi patrocinada pelo Butantan.

Pesquisadores e cientistas têm questionado os dados de eficácia da CoronaVac. O número exato de casos de covid-19 registrados em cada grupo de voluntários (os que tomaram a vacina e os que tomaram placebo) não foi informado na apresentação inicial feita à imprensa.

 

O diretor do Instituto Butantan, Dimas Covas, afirmou durante o anúncio de 5ª feira que foram 218 casos de infecção pela covid-19 entre os voluntários, sendo “cerca de 160” no grupo que recebeu o placebo e “pouco menos de 60” entre os vacinados.

O professor Stefano de Leo, da Unicamp (Universidade Estadual de Campinas), afirmou ao Poder360 que é possível calcular a eficácia global a partir dos números apresentados, considerando-se que metade dos voluntários tenha tomado o placebo, o que, segundo o pesquisador, “é provável” que tenha ocorrido.

De acordo com ele, neste caso, a eficácia é calculada a partir de uma equação em que se subtrai de 1 a razão entre o número de pessoas infectadas que tomaram vacina e o número de pessoas infectadas que tomaram o placebo. O resultado é multiplicado por 100.

Dessa forma, utilizando as estatísticas citadas por Covas durante a entrevista no Instituto Butantan, a eficácia global da CoronaVac seria de 63,75%, mais de 14 pontos percentuais abaixo da eficácia de 78% apresentada pelo governo paulista.

A eficácia global da vacina, que considera todo o grupo de voluntários infectados, independentemente da necessidade de assistência médica, não foi divulgada pelo governo paulista.

É esse dado que vem sendo utilizado na divulgação do resultados dos testes de outras vacinas contra a covid-19. Até o momento, já foram divulgadas as taxas da Pfizer-BioNTech (95%;), da Moderna (94,5%), da Sputnik V (91,4%), da Oxford-AstraZeneca (até 90%), e da Sinopharm-Pequim (79,34%).

VACINAÇÃO EM 25 DE JANEIRO

A gestão de João Doria pretende iniciar a vacinação com a CoronaVac em 25 de janeiro. A imunização irá ocorrer de 2ª a 6ª feira, das 7h às 22h, e das 7h às 17h aos sábados, domingos e feriados.

O plano do governo paulista é vacinar 9 milhões de pessoas no Estado durante o 1º ciclo de vacinação. Como a CoronaVac precisa ser oferecida em duas doses, com intervalo de duas semanas entre elas, serão utilizadas 18 milhões de doses para a etapa inicial –10,8 milhões já chegaram ao Brasil.

Além de idosos com mais de 60 anos, serão vacinados os profissionais de saúde, indígenas e quilombolas.

Eis o andamento das principais vacinas contra a covid-19:

poder 360.

O papel do varejo na nova era dos meios de pagamento, escreve Freitas Gomes  

Desde que o Pix foi anunciado, ainda no início da pandemia, ficou evidente que a mudança estrutural trazida com o novo sistema de pagamentos instantâneo do Banco Central (BC) acarretaria rápidos benefícios aos usuários. Aumento da inclusão financeira, flexibilidade e disponibilidade imediata dos recursos, praticidade e velocidade nas transações, custos nulos para pessoas físicas e expressivamente menores do que os meios tradicionais (maquininhas, TED e DOC) para empresas são as principais vantagens.

Mas o Pix oferece outras possibilidades e oportunidades de negócio importantes para o setor terciário, especialmente ao varejo, tanto físico, quanto o e-commerce. Com as futuras funcionalidades, o Pix poderá ainda fazer das lojas pequenos agentes financeiros na economia.

O Pix faz parte de uma agenda estrutural e de competitividade que vem sendo exitosamente conduzida pelo BC, acelerada pela digitalização imposta pela crise sanitária, e que deve ser reconhecida pelas lideranças no país. A próxima etapa dessa agenda é o open banking, que vai promover a competição no sistema bancário e ainda mais benefícios ao varejo, como a possibilidade de monetização de dados dos consumidores, conforme discutimos recentemente em artigo publicado neste jornal digital.

As estatísticas iniciais de uso do Pix revelam a aceitação do sistema acima das expectativas em um curto intervalo de tempo.

O Pix passou oficialmente a ser utilizado em 16 de novembro de 2020, desde quando é possível cadastrar chaves de identificação. Ao final da primeira semana de funcionamento, de acordo com o Bacen, havia 34,5 milhões de chaves cadastradas de pessoas físicas, e 2,2 milhões de pessoas jurídicas. Em 16 de dezembro, quando o sistema completou 1 mês, houve incremento de mais de 220% nos cadastramentos de pessoas físicas, 111 milhões de chaves, totalizando 46,4 milhões de pessoas. Em relação às empresas, o crescimento do volume de cadastros foi de 132%, com 5,1 milhões de chaves e 3 milhões de usuários pessoas jurídicas.

A evolução do número de operações com o Pix reforça sua grande receptividade. Nos primeiros 7 dias foram realizadas 12,2 milhões de operações, enquanto no 1º mês houve 93 milhões de operações. O volume transacionado adicionalmente mostra a confiança que os agentes empregam no Pix: na primeira semana foram movimentados R$ 9,3 bilhões, enquanto no mês o valor acumulado alcançou 83,4 bilhões.

O Pix é um sistema novo, e, naturalmente, toda novidade tem seu tempo de amadurecimento, assim como aconteceu com o cheque, que não desapareceu, mas caiu em desuso com o surgimento da TED e DOC no passado.

Ainda de acordo com dados do BC, a taxa de rejeição nas transações com pagamentos via TED e DOC chega a 5%, enquanto a rejeição nas transações com o Pix utilizando uma chave cadastrada alcançou apenas 0,5% nas primeiras semanas de uso.

É muito caro fazer TED ou DOC no Brasil. Embora grande parte dos clientes bancários possam fazer de forma gratuita, a tarifa média do sistema financeiro para essas modalidades chega a R$12,00, o que engorda as receitas dos bancos. O uso do Pix e outros avanços avanço na agenda estrutural como o open banking vão acirrar a concorrência entre as instituições, o que certamente enxugará as receitas dos bancos nos próximos anos.

OTIMIZAÇÃO DOS ESTOQUES

Há muitas vantagens iniciadas pelo Pix na transformação dos meios de pagamentos, que podem ser engrossadas por ganhos e eficiência nas rotinas do comércio. O Pix tem potencial para melhorar os fluxos de caixa das empresas e otimizar os estoques.

Imagine uma loja de varejo que tem e-commerce. Quando uma venda é efetuada e paga à vista, por meio de boleto bancário, por exemplo, o prazo para confirmação do pagamento é de até 3 dias úteis. Durante esses dias, a loja precisa segregar o estoque dos produtos adquiridos ainda sem o pagamento confirmado, retirando os itens da “prateleira”. Apenas após a confirmação ou não do pagamento, o lojista pode dar sequência à movimentação do estoque, dar baixa no caso de sucesso no pagamento, ou retornar com aqueles produtos para venda no caso do pagamento não confirmado.

Durante o tempo para confirmação do pagamento, a loja perde oportunidades de venda daqueles produtos que foram separados. A instantaneidade do pagamento via Pix elimina essa situação, pois com o pagamento confirmado em até 10 segundos, o lojista efetua a baixa do estoque com a receita confirmada no ato da operação on-line, além de melhorar a experiência do consumidor e agilizar o envio do produto. Ou seja, o sistema tem potencial de tornar mais eficiente o controle e a rotatividade dos estoques, a logística de entrega, otimizando não apenas o fluxo de caixa operacional, mas potencializar a geração de receitas de vendas.

CONTROLE DA INADIMPLÊNCIA

Outra vantagem do Pix ao varejo é o maior controle da inadimplência e a facilitação da cobrança de contas atrasadas. O Pix elimina a necessidade de emissão de novo boleto, o cliente poderá quitar um débito de forma instantânea e remota, não sendo necessário aguardar compensação do boleto ou recebimento dos valores via cartão de crédito. É um diferencial para grandes redes varejistas.

Nas lojas físicas, o pagamento via Pix por smartfones ajuda a reduzir o uso do dinheiro, filas e aglomerações, o que em tempos de pandemia é essencial para evitar a disseminação do coronavírus.

Esses são apenas alguns exemplos das funcionalidades do Pix às empresas do varejo. A expectativa é de grande difusão nos próximos meses especialmente entre as pessoas jurídicas, já que o custo de operar o sistema tende a ser significativamente menor do que os outros meios. O BC já anunciou que deve cobrar das instituições cerca de R$ 0,01 a cada 10 operações Pix efetuadas. Esse custo será repassado pelos bancos às empresas.

SAQUES NOS CAIXAS DAS LOJAS

O BC também já divulgou outras funcionalidades importantes que serão implementadas nos próximos anos. Uma delas é a possibilidade de saques via Pix, o que tornará o Sistema ainda mais atraente. Com essa modalidade, o pequeno lojista poderá atuar ainda como um agente financeiro, possibilitando saques em papel moeda nas lojas físicas, e ampliando a inclusão financeira no país.

Em suma, toda conveniência do Pix não se restringe apenas à evolução tecnológica com vantagens aos agentes usuários, mas se trata de uma das etapas da transformação estrutural na economia, a qual seguirá no caminho com o open banking. Além dos custos de serviços mais baixos provocados pela ampliação da competição interbancária, uma grande massa de dados de consumidores poderá ser aproveitada pelos estabelecimentos do comércio e serviços com a abertura bancária, o que vai elevar a capacidade produtivas das empresas e a importância do setor terciário na economia.

Neste momento, o varejo cumpre um papel primordial no incentivo à utilização do Pix e na inclusão financeira e digital dos consumidores, o que faz do setor um dos principais atores na nova era dos meios de pagamento.

Poder 360.

China vai punir empresas que cumpram sanções de Trump

Maia sobe tom contra Bolsonaro para manter apoio da esquerda a Baleia Rossi

A forma como o presidente da Câmara, Rodrigo Maia (DEM-RJ), subiu o tom contra Jair Bolsonaro no fim de semana embute um cálculo político sobre a eleição da Casa.

O deputado disse, no sábado (9.jan.2021), que Bolsonaro é covarde. No mesmo dia, declarou que o presidente da República tem culpa pelas 200 mil mortes de brasileiros na pandemia.

Poder360 apurou com 4 fontes próximas a Rodrigo Maia, mas com orientações políticas diferentes, que isso não significa que ele dará prosseguimento a um processo de impeachment contra Jair Bolsonaro.

O deputado não deu indicativo disso. Essa atitude, inclusive, tenderia a afastar parte dos políticos que hoje estão próximos dele. Ainda, Bolsonaro teria uma popularidade alta demais para sofrer cassação. Se o processo fosse aberto e o governo evitasse a derrubada do presidente, ele se fortaleceria.

O atual presidente da Casa é o principal artífice de uma aliança entre a cúpula de partidos que vão do PT ao PSL para apoiar a candidatura de Baleia Rossi (MDB-SP) à presidência da Câmara.

Ao atacar Bolsonaro, Maia agrada as siglas de esquerda. Deixa mais fácil para os deputados desse campo político explicarem a seus eleitores apoio a Baleia Rossi, já que o próprio candidato faz poucas críticas públicas ao Planalto.

No domingo (10.jan.2021), o jornal Folha de S.Paulo publicou uma entrevista com Baleia. Ele disse que não há, em sua candidatura, o compromisso de pautar um pedido de impeachment contra Jair Bolsonaro. E que esse “não é o caminho”.

A frase desagradou ao PT, cuja bancada decidiu apoiar sua candidatura por margem estreita. A presidente do partido, Gleisi Hoffmann (PT-PR), disse que ele poderia perder votos na sigla. O emedebista ligou para Gleisi para acertar os ponteiros.

Baleia só terá chances de vencer se tiver apoio consistente dos partidos de oposição sem perder as outras siglas. O caso é exemplo da dificuldade em manter coeso um bloco com interesses diferentes. Outro exemplo foi a assinatura de apoio ao bloco do adversárioArthur Lira (PP-AL), por 32 deputados do PSL. A cúpula da sigla está fechada com Baleia e Maia.

Lira ironizou o desentendimento sobre o impeachment no lado de Baleia Rossi: “Ainda bem que Rodrigo Maia e seu candidato agora passaram a concordar comigo”escreveu no Twitter.

Os ataques de Rodrigo Maia ao Planalto também seriam uma forma de se defender. O governo federal está empenhado em eleger Lira presidente da Câmara. Hoje ele é rival de Maia.

Nos últimos 2 anos, o atual presidente da Casa teve diversos atritos com o governo federal. A articulação do Planalto, chancelada por Bolsonaro, é pró-Lira e também anti-Maia.

O interesse do Executivo em ter um aliado na presidência da Câmara se explica pelas atribuições do cargo. Além de decidir sobre o andamento de processos de impeachment, é o presidente da Casa quem escolhe quais projetos os deputados vão votar e quando.

Se o governo quiser alterar as leis ambientais, por exemplo, a proposta só sai do papel se os presidentes da Câmara e do Senado pautarem.

A impressão mais comum na Câmara é de que, se a eleição fosse hoje, Lira seria eleito. A votação será no início de fevereiro.

Arthur Lira faz campanha há meses e tem pedido votos “no varejo”, conversando individualmente com os deputados. Baleia Rossi se tornou candidato apenas no final de dezembro de 2020. Por enquanto, seu trânsito é principalmente nas cúpulas partidárias.

A votação é secreta. Isso significa que os partidos não têm como punir seus filiados caso escolham um candidato em desacordo com a orientação da sigla. Para ser eleito é necessário ter 257 votos, se todos os 513 deputados votarem.

IMPEACHMENT: ESQUERDA PRESSIONA

O líder da Minoria no Congresso, Carlos Zarattini (PT-SP), disse ao Poder360 que o não andamento de nenhum processo de impeachment contra Jair Bolsonaro será uma “pendência” da gestão de Rodrigo Maia. O atual presidente da Câmara deixa o cargo assim que sucessor for eleito.

“O processo de impeachment é inevitável, a não ser que o presidente da Câmara tenha ‘apalavrado’ um acordo com Bolsonaro”, escreveu Zarattini à reportagem em uma mensagem de WhatsApp. Ele atribui esse compromisso a Lira.

“Acho que o Baleia vai ter mais condições de fazer [dar andamento a um processo de impeachent]. Ele não vai ter apoio do governo [na eleição], pelo contrário”, declarou Zarattini.

Informações deste post foram publicadas antes pelo Drive, com exclusividade. A newsletter é produzida para assinantes pela equipe de jornalistas do Poder360. Conheça mais o Drive aqui e saiba como receber com antecedência todas as principais informações do poder e da política.

Poder 360.

Brasil tem doses de vacina para 37% dos idosos; saiba situação em 10 países

A vacinação contra o novo coronavírus começou em mais de 50 países. Mas as doses disponíveis não são suficientes sequer para imunizar a população idosa –que é a mais vulnerável a casos graves da doença.

Poder360 levantou os dados dos 10 países com mais infectados pelo novo coronavírus. O infográfico a seguir detalha a situação de cada um deles, até às 20h dessa 6ª feira (8.jan.2021):

A Índia está mais próxima de um estoque grande o bastante para vacinar seus idosos. Com os números atuais, conseguiria aplicar uma dose em cerca da metade das pessoas com 60 anos ou mais.

Contudo, a imunização não começou no país. Deve ter início ainda este mês.

O governo indiano informou que a 1ª etapa da vacinação incluirá pessoas com comorbidades, profissionais da saúde e aqueles com mais de 50 anos. Além disso, a imunização será administrada em duas doses. Ou seja: o número de idosos que pode receber a vacina num futuro próximo cai drasticamente.

Mas a Índia é exceção: é uma das maiores produtoras de vacinas do mundo e está bem abastecida em comparação aos demais países. A Espanha, por exemplo, precisa multiplicar seu estoque por 30 para conseguir aplicar a 1ª dose em todos os seus idosos.

NO BRASIL

O Ministério da Saúde afirma que tem 354 milhões de doses garantidas para 2021. A maior parte (210,4 milhões) é do imunizante desenvolvido pela AstraZeneca e Oxford.

As doses serão produzidas no Brasil, pela Fiocruz (Fundação Oswaldo Cruz). Em um 1º momento, será usada matéria-prima importada, e depois a fabricação será inteiramente nacional.

Questionada pelo Poder360, a Fiocruz informou que “a produção da vacina ainda não começou”. Declarou que os primeiros insumos chegam ainda em janeiro e que aguardam informações da China e AstraZeneca para confirmar a data.

A Fiocruz ressaltou que as entregas de doses devem começar a partir de fevereiro e que estão dentro do cronogama.

Nesse meio tempo, o governo federal tenta importar diretamente 2 milhões de doses de um laboratório da AstraZeneca na Índia. O presidente Bolsonaro pediu o envio dos imunizantes com “urgência” em carta ao primeiro-ministro da Índia, Narendra Modi, nesta 6ª feira (8.jan).

Até onde se sabe, o que o Brasil tem a sua disposição hoje são 11 milhões de unidades da CoronaVac. A informação é do próprio ministro da Saúde, Eduardo Pazuello.

Ele disse, na última 5ª feira (7.jan): “Já existem 5 milhões de doses produzidas pelo [Instituto] Butantã no Brasil hoje, esse é o número real. E existem 6 milhões de doses importadas”.

O Instituto Butantan trabalha em parceria com a farmacêutica chinesa Sinovac. O Poder360 pediu ao instituto que confirmasse os números informados pelo ministro da Saúde, mas não houve retorno até a publicação desta reportagem.

O Ministério da Saúde também não se posicionou oficialmente sobre o quantitativo de doses disponíveis no Brasil atualmente.

Poder 360.

Parler: a nova rede social contra censura que está virando febre

Com o Twitter avançando cada vez mais em limitar o alcance de conteúdos classificados como “potencialmente prejudicial ou enganoso”, introduzindo novos rótulos de verificação e derrubando inúmeros perfis — a exemplo do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, milhares de usuários migraram para uma nova plataforma de mídia social chamada Parler.

O aplicativo é co-fundado por um dos líderes do grupo de jovens Students For Trump, Ryan Fournier, que chama a rede social de “uma plataforma em que você não precisa se preocupar em ser censurado ou banido porque pensa diferente de quem administra a rede”.

Vários políticos e palestrantes conservadores de alto perfil, incluindo Ted Cruz (R-TX), abandonaram o Twitter pela promessa de um lugar para discutir ideias sem censura.

Republicanos e personalidades conservadoras da mídia começaram a divulgar massivamente o Parler e a fazer regularmente publicações por lá.

A plataforma de mídia social surgiu como alternativa de liberdade de expressão para usuários insatisfeitos com Facebook e o Twitter.

Pioneiros neste processo, confira alguns nomes da política americana que já aderiram a mais nova rede social:

 

 

 

 

Conexão política.

Entenda o leilão do 5G e as perspectivas para a tecnologia no Brasil

Brasília, DF, Brasil: Antenas. (Foto: Marcelo Camargo/Agência Brasil)

O leilão de tecnologia 5G no Brasil está previsto para ser realizado no 1º semestre deste ano. A oferta atrai investidores de todo o mundo e dita as tendências no mercado de comunicação no ano que se inicia.

Além de internet 10 vezes mais rápida, as redes de 5G usarão um espectro de rádio mais abrangente, permitindo que mais aparelhos móveis se conectem ao mesmo tempo, com maior estabilidade do que os atuais 4G, 3G e 2G. Isso representará uma revolução para diversos setores, desde logística à agricultura, passando pela indústria e pelo planejamento urbano.

A tecnologia deve expandir a usabilidade de ferramentas inteligentes, criando grandes centros ou até mesmo cidades inteiras completamente conectadas. Lâmpadas, carros e geladeiras, entre outros, podem estar todos em rede ao mesmo tempo.

O leilão do 5G no Brasil abarcará as seguintes faixas de radiofrequência: 700 MHz, 2,3 GHz, 3,5 GHz e 26 GHz. São por meio dessas tecnologias que os dados serão transmitidos em ultravelocidade dos celulares e aparelhos em geral para as torres de comunicação.

Considerada a “banda de ouro” por especialistas, o 3,5 GHz deve ser o espectro mais cobiçado entre eles. A licitação dessa faixa será ofertada de forma nacional e regional. Para corrigir distorções, o leilão foi estruturado em forma de “blocos“. Por exemplo, a empresa que ganhar a operação em São Paulo terá que atender também a região Norte, com áreas menos rentáveis.

A expectativa de especialistas e do mercado é de que a oferta do 5G no Brasil seja a maior do mundo. Por causa da pandemia, o leilão –que estava previsto para acontecer no 1º semestre de 2020– teve de ser adiado. O valor também ainda não foi definido.

A estimativa de data foi reforçada pelo presidente da Anatel, Leonardo Euler, em novembro de 2020: “O conselheiro Carlos Baigorri, evidentemente, tem o seu tempo de relatoria, nós envidamos esforços liderados pelo próprio ministro das Comunicações para realizar esse leilão ainda no 1º semestre [de 2021]. Evidentemente que isso é desafiador, porém factível”.

Baigorri foi sorteado como relator do leilão na Anatel. O economista diz que o leilão é “uma prioridade máxima” do governo.

O QUE FALTA

Eis os próximos passos para, enfim, a realização do leilão no Brasil:

Um empecilho curioso, no entanto, pode atrapalhar os planos de empresas interessadas. A interferência da faixa 3,5 GHz com as antenas parabólicas, usadas por milhares de famílias no Brasil ainda hoje, pode aumentar os custos e impor obstáculos para a tecnologia. Para solucionar o problema, testes estavam sendo realizados, mas foram interrompidos também por causa da pandemia.

Os custos que as companhias vencedoras terão para ressarcir o consumidor ou para evitar a interferência nos aparelhos devem ser considerados na definição dos valores.

Para o ministro das Comunicações, Fábio Faria, todos os prazos serão cumpridos e o edital do leilão deverá ser apresentado no 1º semestre de 2020.

REVOLUÇÃO TECNOLÓGICA

A nova tecnologia 5G pode oferecer internet até 100 vezes mais rápida que o atual 4G, última geração disponível. Com essa melhoria, seria possível baixar um filme em Ultra HD em 10 segundos.

Esses números, no entanto, se referem aos picos teóricos de largura da banda e latência da rede. É improvável que as operadoras consigam entregar esse desempenho logo no início da implementação.

Mesmo sem atingir a capacidade máxima, a tecnologia tem potencial para revolucionar a indústria de telecomunicações, com conexões ainda mais profundas, chegando a regiões brasileiras que atualmente não têm acesso à internet.

Além disso, a tradicional banda-larga tende a ser substituída gradualmente, segundo especialistas. As faixas de radiofrequência, que devem ser leiloadas nos próximos meses podem funcionar como uma espécie de “wi-fi gigante”, juntando estabilidade e velocidade de conexão.

Em entrevista ao Poder360, o superintendente de Planejamento e Regulamentação da Anatel, Nilo Pasquali, estimou que o edital preparado pela agência trará exigências para ampliação das estruturas de telecomunicações no Brasil:

“O que a Anatel quer fazer, em vez de cobrar um boleto em cima do valor [do leilão], é colocar esse valor em expansão de infraestrutura, pelo menos em cobertura 4G, não necessariamente em 5G. Minimamente espera-se um atendimento de banda larga, estamos apontando banda larga, sendo pelo menos tecnologia 4G. Provavelmente não vamos conseguir cobrir o Brasil numa tacada só, mas há uma expectativa muito positiva de cobrir bastante desse deficit de infraestrutura que a gente tem. E o edital é uma grande oportunidade para fazer essa expansão”, disse.

Grandes empresas de todo o mundo voltam os olhos para o Brasil para tentar emplacar suas tecnologias nas redes de telecomunicações.

Espera-se que operadoras de serviço móvel participem do leilão, tendo em vista que a radiofrequência é insumo essencial para o fornecimento do serviço. Já empresas fabricantes não devem fazer ofertas por faixas de frequência leiloadas, mas oferecem equipamentos e infraestrutura para as operadoras que comprarem esses lotes no certame.

Dessa forma, todas as atuais grandes empresas do setor (Claro, Tim e Vivo) devem participar do certame, além de companhias internacionais.

IMPASSE COM A HUAWEI

A participação da Huawei na implantação de redes de 5G pelo mundo tem sido alvo de críticas e restrições encampadas, principalmente, pelo governo norte-americano.

site do programa da gestão de Donald Trump para proteção de dados, Rede Limpa (Clean Network, em inglês), chama a empresa de “1 braço da vigilância do Partido Comunista Chinês”. A China, por sua vez, diz que a iniciativa é “discriminatória”.

Além dos Estados Unidos, Reino Unido, Austrália e Suécia, entre outras nações, também decidiram banir a tecnologia chinesa.

Eis um infográfico com os principais países que autorizam e rejeitam o 5G da Huawei:

No Brasil, um dos filhos do presidente da República, o deputado Eduardo Bolsonaro (PSL-SP), causou um incidente diplomático com o país asiático ao escrever o seguinte no Twitter:

“O governo Jair Bolsonaro declarou apoio à aliança Clean Network, lançada pelo governo Donald Trump, criando uma aliança global para um 5G seguro, sem espionagem da China”.

embaixada chinesa classificou o ataque como “inaceitável e afirmou que esse tipo de fala poderá ter “consequências negativas” para a relação dos 2 países.

Não há provas, no entanto, que a tecnologia da Huawei possa fazer parte de um complô para espionagem do governo chinês.

O vice-presidente Hamilton Mourão foi na contramão da opinião do filho do presidente e defendeu a participação da empresa chinesa no certame. Para o general, os brasileiros pagarão mais caro se a empresa não fornecer a tecnologia para implantação do 5G no país, já que toda a infraestrutura do 3G e 4G disponíveis no país são da Huawei.

“Se, por um acaso, dissessem: ‘A Huawei não pode fornecer equipamento’, vai custar muito mais caro. Porque vai ter que desmantelar tudo que tem aqui, porque ela não fala com os equipamentos das outras. E quem é que vai pagar esta conta? Somos nós, consumidores. Eu vejo dessa forma”, disse.

Poder 360.

O ceticismo polonês à vacina contra a covid-19

Quando a jornalista polonesa Hanna Lis recentemente postou um tuíte relatando um choque anafilático que teve, os canais de mídia social em toda a Polônia entraram em turbulência. Segundo ela, a reação alérgica havia sido o “pior trauma” de sua vida.

Embora ela não tenha relatado no tuíte o que exatamente desencadeou o problema, sua mensagem imediatamente levou a um debate acalorado sobre os potenciais efeitos colaterais das vacinas contra o novo coronavírus. Em particular, foram citados relatos do Reino Unido e dos Estados Unidos sobre vacinados que sofreram reações anafiláticas.

Lis não é uma militante antivacina declarada, está apenas pedindo que haja mais informação. O episódio em torno de seu tuíte foi significativo: muitas pessoas na Polônia estão preocupadas com a incipiente campanha de vacinação contra covid-19. Elas se sentem mal-informadas. O ceticismo à vacina é tão amplamente difundido na Polônia quanto em poucos outros países europeus.

Mas o governo polonês pouco faz para acabar com a desconfiança. Quase diariamente, o primeiro-ministro polonês, Mateusz Morawiecki, informa em entrevistas sobre a chegada de remessas da vacina e aproveita para apelar aos compatriotas para que se imunizem. E ele fala com entusiasmo de um iminente “retorno à normalidade”. Hanna comentou no Twitter: “Esta propaganda de que as vacinas são um sucesso tem um efeito contrário”.

SUPERSTIÇÃO E FEITIÇARIA

O sociólogo e especialista em saúde Tomasz Sobierajski, da Universidade de Varsóvia, fala de “propaganda de sucesso inflado”. Ele próprio também não é um adversário da vacinação, mas se recusa a rotular os céticos simplesmente como “loucos”. Segundo ele, o próprio governo é culpado pela desconfiança sobre a vacina por não conduzir uma campanha de informação. “Ao contrário de outros países ocidentais, nossa atitude em relação às vacinas é baseada em superstições e feitiçarias”, disse ele ao jornal Gazeta Wyborcza.

Por exemplo, quase ninguém tenta explicar às pessoas que, ao contrário do que muitos temem, a vacina contra covid-19 não afeta os genes humanos, diz Sobierajski. Por isso, o sociólogo não se surpreende que, segundo as pesquisas, apenas 4 a 5 de cada 10 entrevistados querem ser vacinados. Afinal de contas, o ceticismo em relação a vacinas não é novidade na Polônia, pois menos de 4% das pessoas no país são vacinadas contra gripe, enquanto na Europa Ocidental a grande maioria se imuniza. “O resultado final é que ficaremos presos ao desespero pandêmico por um longo tempo”, adverte Sobierajski.

DESCONFIANÇA E TEORIAS DA CONSPIRAÇÃO

Aos céticos juntam-se agora não só um número crescente de celebridades, mas também políticos do ligados ao governo. “Não serei vacinado”, disse recentemente Janusz Kowalski, secretário de Estado do Ministério da Propriedade Estatal, em uma entrevista ao portal Wirtualna Polska. “É uma questão de liberdade e de escolha individual”.

A vacinação também é considerada uma questão de liberdade de escolha pelos ativistas poloneses antivacina da associação Stop Nop (sigla para “acabem com reações indesejadas da vacina”, em tradução livre). Nos últimos meses, o movimento vem questionando não apenas a vacinação, mas até mesmo a própria existência da pandemia de covid-19. A emissora de televisão privada NTV em Breslávia (Wroclaw_, que é financiada por doações, tornou-se sua plataforma. Seu fundador e chefe, Janusz Zagorski,disse à DW que quer “expor as mentiras em torno da covid-19”.

Ele explica sua teoria: “A pandemia é um instrumento com o qual os poderosos deste mundo buscam controle sobre nossos cérebros”. Segundo ele, a vacinação envolve a implantação de microchips sob a pele, que poderiam transmitir todas as informações sobre uma pessoa. “Você será capaz de escanear um ser humano como você hoje escaneia uma mercadoria em um supermercado”, disse Zagorski, que é formado em Ciências Políticas. Ele conta, orgulhoso, que durante a pandemia o número de assinantes do canal aumentou em um terço, para mais de 300 mil.

APOIADORES DA ESQUERDA; CRÍTICOS, DA DIREITA

Embora os partidários de tais teorias conspiratórias continuem sendo uma minoria na Polônia, o ceticismo generalizado sobre a vacinação vem se refletindo em pesquisas de opinião. De acordo com uma consulta realizada pelo instituto Ibris para o jornal Rzeczpospolita pouco antes do Natal, 47% dos entrevistados querem ser vacinados, enquanto 44% responderam que não (9% responderam “não sei”). A maioria das respostas afirmativas foi do grupo com mais de 70 anos (67%) e a menor nos grupos de 18 a 29 anos (29%) e 30 a 39 anos (28%). Quanto ao gênero, mais homens querem ser vacinados do que mulheres (59% contra 35%).

Há mais defensores da vacinação entre os adeptos da esquerda (82%) e da liberal Plataforma Cívica (65%). Entre o eleitorado do partido governista nacionalista de direita PiS, a cota é de 56%, e entre a direita radical Konfederacja, 5%.

De acordo com o chefe da Ibris, Marcin Duma, é difícil combater o ceticismo. Ele diz que não há muitos argumentos para contrariar a afirmação mais comum de que a vacina foi desenvolvida e aprovada muito depressa. “Na verdade, não há nada que explique por que foi bem sucedida em tão pouco tempo”, diz Duma. “Muitos querem esperar até que os outros estejam vacinados, outro argumento difícil de derrubar”.

PREOCUPAÇÕES MORAIS DOS CATÓLICOS

Na Polônia católica, um argumento relacionado ao uso de células de fetos abortados na produção de certas vacinas também desempenha um papel forte entre os críticos da vacinação. Este foi o caso apenas algumas vezes nos anos 1960, desde então as células então obtidas têm sido criadas artificialmente. Além disso, os abortos eram legais e não tinham nada a ver com o desenvolvimento de vacinas. No entanto, os oponentes da vacinação afirmam que fetos abortados são utilizados para a produção de vacinas.

Por um lado, o Vaticano apela à indústria farmacêutica para produzir exclusivamente “vacinas éticas”, mas, enquanto não houver outras disponíveis, considera aceitável que sejam utilizadas vacinas baseadas em linhagens de células fetais. Em vista da pandemia, o Vaticano recentemente renovou essa posição.

Também a Conferência dos Bispos Poloneses segue essa posição. Uma declaração dos especialistas em bioética do episcopado polonês cita que o uso de vacinas baseadas em linhas de células fetais não deve ser interpretado como defesa do aborto. Portanto, qualquer pessoa, inclusive os católicos, poderia receber tais vacinas, caso não houver outro imunizante disponível.

POLÔNIA EM UM BLOQUEIO RÍGIDO

Semelhante a muitos países europeus, na Polônia as vacinações começaram em 27 de dezembro. Na fase “0”, médicos e pessoal médico estão sendo vacinados. Mas mesmo neste grupo há céticos. Por isso, o governo está apelando por meio de um anúncio comercial para que os profissionais de saúde se inscrevam. Até agora, 400 mil funcionários do setor de saúde já o fizeram.

Cerca de 6,8 milhões de pessoas já foram testadas na Polônia, pouco menos de um quinto da população do país. Cerca de 1,3 milhão já contraíram Sars-CoV-2 e mais de 27 mil pessoas morreram por causa do vírus. Cerca de 8 mil novas infecções foram relatadas diariamente no fim de dezembro, o que representa uma queda significativa em relação a novembro, quando o número chegou a ultrapassar várias vezes as 30 mil novas infecções diárias. Entretanto, o premiê Mateusz Morawiecki espera que os números voltem a aumentar por causa das reuniões familiares durante a época de Natal.

A Polônia se encontra em um rígido confinamento entre 28 de dezembro e 17 de janeiro. O comércio permanece fechado, exceto estabelecimentos de produtos alimentícios e drogarias. A maioria das instalações esportivas, incluindo as estações de esqui, permanece fechadas. Na noite de Ano Novo, o governo apelou para que as pessoas não saíssem de casa entre 19 horas e 6 da manhã.

Poder 360.

Em defesa da frente popular contra crise e efeitos da pandemia, por Stedile

Oano de 2020 ficou marcado por 3 fatos principais que trouxeram enormes consequências para a vida de nosso povo: a crise econômica capitalista, a disseminação da covid-19 e o impacto sobre a sociedade e o comportamento de um governo insano e genocida, com seus métodos fascistas de governar para uma minoria de apoiadores fanáticos.

A crise capitalista instalada em todo mundo desde 2008 se agravou no Brasil a partir de 2014. Desde então, o quadro tem deteriorado ainda mais com as medidas neoliberais que só protegem o capital financeiro e as corporações internacionais.

No ano passado, o PIB brasileiro caiu 5%; a taxa de investimentos produtivos para alavancar o crescimento da economia caiu para 15,4% (já tivemos 21% em 2013 e, nos anos dourados, chegou a 30%).

Até o capital estrangeiro se deu conta. A fuga de investidores estrangeiros da bolsa de valores brasileira representou R$ 87,5 bilhões, quase o dobro da saída de 2019, que foi de R$ 45 bilhões. E os indicadores da indústria assustam ainda mais, com a queda para 11% do PIB (em 2004, representava 18%). Nenhum país se desenvolve sem uma indústria forte.

Na agricultura, o modelo do agronegócio se mantém predominante e crescente, porém produz apenas commodities para exportação, deixando em segundo plano a garantia de alimentos de qualidade e a preço justo para o mercado interno. Hoje 80% de nossas terras e forças produtivas agrícolas estão voltadas apenas para produzir soja, milho, cana, algodão e pecuária extensiva.

As corporações transnacionais que controlam os insumos e os grandes proprietários de terra ganham muito dinheiro. Mas a sociedade e a economia como um todo, não. Sem contar que ainda estamos em uma etapa pré-Estado moderno. Os ruralistas se negam a pagar impostos sobre exportação (protegidos pela Lei Kandir, aprovada pelo governo FHC) e se negam a pagar ICMS sobre os agrotóxicos e outros produtos, como se viu agora em São Paulo. Ou seja, é o rentismo agrícola, utilizando nossos recursos naturais, a infraestrutura e a logística sem dar contribuição para o Estado, para os serviços públicos e para o conjunto da sociedade.

Na Argentina, para dar uma dimensão, soja paga 35% de impostos sobre exportações, e os recursos vão direto para programas sociais de distribuição de renda. Ou seja, a renda extraordinária do boom dos preços internacionais das commodities e da alta do dólar é repartida entre todos os cidadãos.

O agronegócio exerceu sua força e influência no governo e tratou de tirar proveito. Liberaram mais de 300 novos tipos de agrotóxicos, que matam a biodiversidade, contaminam as águas e os alimentos e provocam doenças, enfermidades e até câncer, de acordo com estudos científicos. Tudo isso vai no caminho inverso do progresso. A Europa proíbe a prática da pulverização aérea de venenos e deu prazo de tempo para tirar o mercado a substância do glifosato. No México, o governo acaba de decretar que em 3 anos deve eliminar os agrotóxicos e as sementes transgênicas da sua agricultura.

Não bastasse o modelo concentrador de renda do agronegócio, o latifúndio atrasado, predador e que não produz nada voltou com toda força e apoio do governo.

Os latifundiários, atrasados na sua forma de acumulação primitiva, são alavancados pelo capital financeiro e, com isso, buscam se apropriar dos bens da natureza (terras públicas, minérios, biodiversidade, florestas, água e até o oxigênio das florestas) para vendê-los como crédito de carbono.

Essa sanha de acumulação máxima com os bens da natureza acontece em detrimento das necessidades de todo o povo. Essa política ficou famosa na expressão “É hora de passar a boiada!”, ou seja, se apropriar de tudo o que puderem, em quanto der tempo…

O resultado escancarou as consequências para toda a sociedade. Nunca tivemos tantas queimadas. Não apenas no bioma da Amazônia, mas também no Pantanal e no Cerrado. As alterações climáticas são perceptíveis a qualquer cidadão. Até em São paulo, nossa maior metrópole, a população sofre com chuvas irregulares e com a noite no meio do dia causada pela fumaça das queimadas no centro-oeste e no norte do país.

Nenhuma área indígena e quilombola foi regularizada nos últimos quatro anos. Nunca tivemos tantas invasões de fazendeiros em suas áreas. Mais de 20 mil garimpeiros foram estimulados e estão protegidos explorando minérios em áreas indígenas. A violência contra esses brasileiros tem alcançado índices inaceitáveis.

O Estado e o governo abandonaram também todas as políticas de estímulo à produção de alimentos e de atenção à chamada agricultura familiar e camponesa, que produz para o abastecimento do mercado interno. Não há mais assistência técnica, programas de habitação rural nem programa de compra de alimentos.

Os ruralistas que ocupam o governo se orgulham de dizer que enterraram a reforma agrária, uma política de Estado prevista na Constituição de 1988 como forma de garantir o direito ao trabalho nas terras. Foi justamente para isso que o latifúndio e o agronegócio elegeram esse governo. Faz sentido!

PANDEMIA E CONDIÇÕES DE VIDA

Não bastasse os resultados na economia, provocadas pela crise capitalista e por uma política econômica ultraneoliberal, tivemos então a pandemia do coronavírus. Um inimigo invisível e mortal atingiu a mais de 8 milhões de brasileiros e levou para o cemitério ao redor de 200 mil pessoas, de todas as idades e classes sociais. Até médicos, enfermeiros e pessoas que atuavam ajudando os outros pagaram esse alto preço.

Esse inimigo comum não foi contido pela falta de um governo federal com representatividade, capacidade e moral para coordenar as ações contra a expansão da pandemia. Ficou aquém também a compreensão da sociedade em relação à necessidade de atuar de forma coletiva para enfrentar essa guerra.

Outros países organizaram a sociedade de forma diferente, priorizaram o combate unitário ao inimigo e obtiveram resultados mais positivos. No Vietnã, por exemplo, morreram menos de 100 pessoas. Na Indonésia, país com mais de 280 milhões de habitantes, três mil pessoas perderam a vida.

Aqui, o Estado e o governo se aliaram ao inimigo. Dentro da sociedade, lamentavelmente, prevaleceram atitudes oportunistas que mantiveram em circulação vetores de contaminação do vírus.

O povo trabalhador jogado à sua própria sorte tem que abandonar os cuidados e buscar formas de sobrevivência na rua. O auxílio emergencial de R$ 600, proposto pela oposição e efetivado por iniciativa do Congresso Nacional, agora está encerrado. Os resultados dessa politica insana e genocida não aparecem só nos mortos, mas também em todos indicadores sociais das condições de vida da população.

O Brasil está entre os 83 países com piores condições de vida da população, mesmo sendo a 13ª economia do mundo. Somos junto com a  África do Sul o pior país em desigualdade social. Terminamos o ano com 14% de desemprego, que mede apenas quem procura trabalho. Temos 60 milhões de trabalhadores adultos, à margem da economia e dos direitos sociais. É um Brasil rejeitado, mantido à margem pelo Estado excludente e por uma burguesia burra e estúpida que não pensa a Nação.

Nunca tivemos tanta violência urbana. Nunca tivemos tanto ódio e racismo. A violência contra as mulheres, dentro de casa. Os casos de feminicídio chegaram a um patamar alarmante, praticados também por senhores brancos “de bem”, endinheirados, que roubaram a vida de suas ex-companheiras em todas as classes sociais.

A fome afeta 12 milhões de brasileiros; outros 20% se alimentam aquém das necessidades. A inflação dos alimentos varia entre 20% e 80% de acordo com o produto, afetando os mais pobres. O programa Minha Casa Minha Vida foi interrompido.

Cerca de 60 países já estão vacinando sua população, enquanto por aqui o ministro da Saúde deve estar estudando geografia para descobrir aonde passa a linha do Equador…

UM GOVERNO INSANO E GENOCIDA

A cada dia fica mais evidente a natureza do governo Bolsonaro, que se converteu em insano e genocida, nefasto ao povo brasileiro e para a democracia. A opinião de alguns ex-ministros como o General Santos Cruz, o dr. Henrique Mandetta e o consultor Sérgio Moro, que conhecem bem a casa por dentro, é suficiente para entender de que gente se trata essa que está mandando no Brasil.

É positivo que mais vozes agora se levantem contra o governo nos jornais e tevês, que antes o apoiaram, e até entre intelectuais que haviam pedido voto. A pergunta que todos estão se fazendo é de onde vem a força política que sustenta Bolsonaro.

Não se pode simplificar à tutela militar, pois apesar dos 6.157 oficiais das três armas estarem presentes no governo, parece se tratar de oportunismos pessoais para abocanhar pequenos privilégios e melhorar a carreira.

O ministro da Defesa não se cansa de alertar que as Forças Armadas não participam do governo, que são apenas instrumentos de Estado. O desempenho profissional pífio nas funções administrativas dos militares, inclusive, deve envergonhar todos, em especial o Exército, a Marinha e a Aeronáutica. Espero que algum dia o general Villas Boas peça desculpas de público pela arapuca que armou contra todo o povo, que só ele e o capitão sabem…

É certo que parte da burguesia, com seus banqueiros e corporações transnacionais, continua apostando no plano de Paulo Guedes, sedentos por mais privatizações, como da Eletrobras, Correios e Caixa.

O governo não tem projeto de nação e não tem hegemonia ideológica e política na sociedade. Teve um resultado negativo nas eleições municipais, nas quais todos os que se identificaram com o bolsonarismo perderam.

Não há nada que demonstre que as ideias neofascistas sejam majoritárias na sociedade. Ao contrário, seus discursos, teses e exemplos são defendidos apenas por fanáticos, que não devem ser mais que 10%, como existem em toda a sociedade.

Então, os fatos mais recentes nos fazem mudar a pergunta e, em vez de perguntar quem o sustenta, devemos nos questionar até quando aguentaremos tamanha incompetência e insanidade…

PERSPECTIVAS PARA 2021

Diante dessa realidade tão dura, que tem custado tantas vidas, tanto sacrifício e levado ao desânimo o nosso povo, as saídas não são simples e não se resumem ao curto prazo.

Há uma missão permanente da natureza de nosso trabalho, nos movimentos populares, que nos impõe a tarefa de organizar de todas as formas possíveis a classe trabalhadora. Sobretudo, aquele contingente do “Brasil rejeitado” de 60 milhões de adultos abandonados à sua própria sorte, sem emprego, renda e futuro.

Sabemos que sua maioria é de mulheres, chefes de família, jovens, negros e que moram nas periferias das cidades. Precisamos organizá-los para que lutem na defesa de seus direitos e conquistem soluções para seus problemas.

Defendemos a construção imediata de uma Frente Popular, que reúna os movimentos populares que integram a Frente Brasil Popular e a Frente Povo Sem Medo, centrais sindicais, partidos políticos, movimento interreligiosos, as entidades civis, coletivos de juventude, os artistas e os intelectuais.

A construção dessa frente em torno da defesa de medidas urgentes e dos interesses populares deve girar em torno de uma pauta unitária, que está em debate em diversos espaços com os seguintes pontos:

  1. Lutar pela vacina já, pública e para todos os brasileiros, de forma urgente e prioritária, fortalecendo o SUS com os recursos necessários.
  2. Garantir a manutenção do Auxílio Emergencial até o final da crise da pandemia do coronavírus.
  3. Garantir o abastecimento e o acesso a alimentos saudáveis, com preços controlados.
  4. Exigir um plano nacional de emprego para enfrentar a pandemia do desemprego.
  5. Lutar pelo “Fora Bolsonaro”. Esse governo não tem as mínimas condições para enfrentar os problemas nacionais. Há mais de 50 pedidos de impedimento dormindo na Câmara dos Deputados.
  6. Aprovar a taxação dos mais ricos, começando pelos 88 bilionários que enriqueceram na pandemia. Regulamentação da taxação de lucros e dividendos, grandes fortunas, heranças e movimentações dos bancos. Revogar a Lei Kandir. Acabar com a isenção fiscal que desviou R$ 457 bilhões dos cofres públicos em 2020, segundo a Unafisco.
  7. Lutar contra as privatizações e defender a Eletrobras, os Correios, a Caixa, o Serpro, a Petrobras e as terras (que o governo e ruralistas querem entregar 25% de cada município ao capital estrangeiro).
  8. Lutar contra o racismo e qualquer violência contra as mulheres.

Esse programa mínimo é um ponto de partida para que os movimentos populares, centrais sindicais, entidades da sociedade, partidos e as diferentes formas de organização da sociedade façam o debate para que possamos construir a unidade mais ampla em torno de uma plataforma popular.

A consolidação dessa unidade depende da luta social de massas em torno dessa plataforma, o que só vira depois da vacina. Mas virá. E o aumento dos problemas sociais aumentarão as contradições e os conflitos sociais, que eclodirão em algum momento, queiram os governantes ou não.

É evidente que a recomposição democrática das nossas instituições implica também passar a limpo as falcatruas que vem desde golpe ilegítimo contra a presidenta Dilma Rousseff em 2016.

Os direitos sociais, trabalhistas e previdenciários assegurados na Constituinte devem ser recompostos, assim como a politica externa soberana. A perseguição ao presidente Lula pela quadrilha de Curitiba, o assassinato da vereadora Marielle Franco e o esquema de desvio de recursos públicos das “rachadinhas” precisam de resposta.

No médio prazo, precisamos construir um novo projeto de pais. Um projeto de Nação, que reorganize a nossa economia com base na produção na  indústria e na agricultura para garantir os bens, o trabalho e a renda para todo o povo brasileiro.

Um projeto fundado na universalização dos direitos a educação, saúde, terra, moradia digna e de cultura. Só um projeto que combata a desigualdade social poderá construir uma sociedade mais  justa, com igualdade e harmonia.

As eleições de 2022 são uma etapa nesse processo para congregar as forças políticas em torno desse novo projeto, que precisa construir uma maioria popular nas instâncias do Estado. Por isso, o debate não pode se limitar a disputas menores de nomes e partidos. Se não construirmos essas alternativas, certamente a crise se aprofundará e terá um custo cada vez maior para o nosso povo.

Poder 360.

Trem da alegria’ tenta viabilizar candidatura de Baleia a presidente da Câmara

Diante da debandada de deputados do PSL, Rodrigo Maia decidiu gastar a tinta da caneta para promover nomeações a 18 dias de deixar a Presidência da Câmara.

Ele promoveu 19 nomeações nos últimos dias para cargos com salários que variam de R$ 4,5 mil a R$ 20,7 mil mensais, sendo nove deles lotados em seu próprio gabinete, à espera de outros destinos.

O “trem da alegria” beneficia deputados de oposição, segudo eles próprios admitem, em troca de apoio à candidatura de Baleia Rossi à presidência da Casa. A informação é da Coluna Cláudio Humberto, do Diário do Poder.

Maia alocou aspones na corregedoria parlamentar, no departamento de material e patrimônio e até no gabinete do 4º suplente da Mesa Diretora.

Vagas na 2ª e 4ª secretarias também foram negociadas com partidos do “bloco” de Maia, além de função gratificada na Secretaria-Geral da Mesa.

Houve trocas também nas comissões de Fiscalização e Controle, Defesa do Consumidor e de Educação. Tudo para acomodar os apadrinhados.

A voracidade dos acordos para unir DEM ao PT et caterva levou até a troca na diretoria-geral do quadro de pessoal. E Maia ainda tem 20 dias.

Diário do poder .

Lira: proposta de voto impresso será tratada com respeito

Arthur Lira disse que a PEC do voto impresso, defendida por Jair Bolsonaro, “será tratada com respeito” caso ele seja eleito para a presidência da Câmara.

“A deputada Bia Kicis tem essa pauta. Essa pauta será tratada com respeito. Dando a ela a oportunidade de debater na CCJ ou comissão especial, e se tiver acordo vem a plenário. E se tiver voto será aprovada e se não tiver, será rejeitada. Isso é do jogo democrático”, afirmou, em entrevista à CNN.

Questionado depois se vai votar a favor, respondeu:

“Não é ser contra ou a favor, é pautar as matérias que tenham amadurecimento e maioria […] Vou deixar claro: acredito na Justiça Eleitoral, acho que as eleições são tranquilas. E precisam, se tiver algum questionamento, tirar uma dúvida, nuns 10%, 5%, 4%…”

Ele foi indagado sobre as declarações do presidente de que, se a proposta não for aprovada, atos de rebelião, como os que aconteceram nos Estados Unidos, podem se repetir no Brasil.

“Não há por que fazermos celeuma para dizermos que em 2022 vai se invadir o Congresso brasileiro. Todo ato de violência como foi praticado no EUA deve ser punido com rigor. A anarquia deve ser punida com rigor, nós defendemos a democracia. Mas defendemos acima de tudo que qualquer matéria, sem preconceito de qualquer uma, tem que respeitar. Respeitar acima de tudo a pluralidade de pensamentos de deputados de correntes ideológicas.”

Depois, lembrou que, quando o PSDB pediu uma auditagem na eleição de 2014 que elegeu Dilma Rousseff e derrotou Aécio Neves, Fernando Henrique Cardoso defendeu a medida e “não houve essa celeuma”.

O antagonista.

Bolsonaro diz não apoiar projeto que libera venda de terras por estrangeiros

Presidente Jair Bolsonaro 

O presidente Jair Bolsonaro disse nesta 6ª feira (8.jan.2021) que não apoiará o PL (projeto de lei) que regulamenta a aquisição de terras por estrangeiros, aprovada pelo Senado em 15 de dezembro de 2020. O PL 2.963/2019, relatado pelo senador Irajá (PSD-TO), facilita a compra, a posse e o arrendamento de propriedades rurais no Brasil por pessoas físicas ou empresas estrangeiras. Foi aprovado com emendas e seguiu para a Câmara dos Deputados.

A declaração de Bolsonaro sobre o projeto foi feita depois que uma apoiadora criticou a proposição e pediu para o presidente vetá-la. “Vete aquilo lá, não deixem vender o nosso Brasil”, disse. Bolsonaro perguntou sobre o que ela falava. A apoiadora respondeu: “[Os senadores] não aprovaram aquilo lá? Para vender as terras brasileiras para os estrangeiros?

O presidente disse que não apoia o projeto. “Isso aí não vai contar com meu apoio, não. Vai não. O projeto prevê vender 25% das terras de cada município. Faz as contas: ¼ de 8,5 milhões km², dá por volta de 2 milhões de km² podem ser vendidos, aí complica”, disse.

Segundo a matéria, os imóveis rurais adquiridos por sociedade estrangeira no Brasil também deverão obedecer aos princípios da função social da propriedade previstos na Constituição, como o aproveitamento racional e a utilização adequada dos recursos naturais disponíveis e a preservação do meio ambiente.

Em dezembro, o relator do PL no Senado disse que o projeto adequava a legislação à Emenda Constitucional 6, de 1995, que revogou o art. 171 da Constituição, acabando com a distinção entre empresa nacional e empresa nacional de capital nacional. “Assim, busca-se promover o tratamento igualitário entre as empresas brasileiras e dos capitais produtivos do país, independentemente de sua origem”, disse o demista.

O senador Irajá afirmou que o projeto aguardava votação há 11 anos. Durante esse tempo, segundo ele, o país perdeu R$ 550 bilhões em investimentos no setor agropecuário. O projeto recebeu o voto contrário de somente 8 senadores.

LIMITES LEGAIS

De acordo com o texto, estarão sujeitas à aprovação do CDN (Conselho de Defesa Nacional) a aquisição de imóveis rurais ou de qualquer modalidade de posse quando as pessoas jurídicas forem organizações não governamentais, fundos soberanos, fundações e outras pessoas jurídicas com sede no exterior.

Também terão de passar pelo conselho pessoas jurídicas brasileiras constituídas ou controladas direta ou indiretamente por pessoas, físicas ou jurídicas, estrangeiras, quando o imóvel rural se situar na Amazônia e sujeitar-se a reserva legal igual ou superior a 80%.

Ficam vedados a estrangeiros qualquer modalidade de posse por tempo indeterminado, arrendamento ou subarrendamento parcial ou total por tempo indeterminado e habilitação à concessão de florestas públicas destinadas à produção sustentável.

Essas vedações não se aplicam quando a aquisição de imóvel rural se destinar à execução ou exploração de concessão, permissão ou autorização de serviço público, inclusive das atividades de geração, transmissão e distribuição de energia elétrica ou de concessão ou autorização de bem público da União.

EMENDAS ACEITAS

O relator Rodrigo Pacheco acatou integralmente 13 emendas e parcialmente outras 3. Uma delas determina que as empresas brasileiras que adquiram imóveis rurais e sejam constituídas ou controladas por pessoas privadas, físicas ou jurídicas estrangeiras, sujeitam-se ao dever de cumprimento da função social da propriedade.

Outra emenda modifica a Lei 6.938, de 1981, que dispõe sobre a Política Nacional de Meio Ambiente. Segundo o novo texto, Estados e municípios deverão disponibilizar, em um sistema informatizado aberto, o zoneamento ecológico-econômico sob suas respectivas jurisdições, juntamente com os critérios da divisão territorial e seus conteúdos.

Poder 360.

7 em cada 10 brasileiros acham que existe preconceito contra homossexuais

22˚ Parada do Orgulho LGBTQI de Brasilia contou com 6 trios elétricos. 

Pesquisa PoderData mostra que 68% da população brasileira acha que existe preconceito contra homossexuais no Brasil, enquanto 21% negam. Os que não souberam ou não quiseram responder à pergunta foram 11%.

O levantamento ouviu, por meio de ligações para celulares e telefones fixos, 2.500 pessoas em 518 municípios nas 27 unidades da Federação de 4 a 6 de janeiro.

O preconceito contra pessoas LGBTIs é crime no Brasil desde junho de 2019, quando o STF (Supremo Tribunal Federal) enquadrou esse tipo de discriminação e o equiparou ao racismo.

Segundo dados compilados pelo Grupo Gay da Bahia, houve 329 mortes violentas de pessoas do grupo em todo o Brasil em 2019. O relatório é o último disponível. O de 2020 ainda está sendo elaborado.

Os dados colocam o Brasil como um dos países mais mortais para o grupo no mundo. É o 1º quando são considerados os assassinatos de travestis e transexuais.

A união formal entre casais homossexuais é permitida no Brasil desde 2011, quando o STF (Supremo Tribunal Federal) reconheceu por unanimidade sua legitimidade.

A pesquisa foi realizada pelo PoderDatadivisão de estudos estatísticos do Poder360. A divulgação do levantamento é feita em parceria editorial com o Grupo Bandeirantes.

A margem de erro é de 2 pontos percentuais. Saiba mais sobre a metodologia lendo este texto. Para chegar a 2.500 entrevistas que preencham proporcionalmente (conforme aparecem na sociedade) os grupos por sexo, idade, renda, escolaridade e localização geográfica, o PoderData faz dezenas de milhares de telefonemas. Muitas vezes, mais de 100 mil ligações até que sejam encontrados os entrevistados que representem de forma fiel o conjunto da população.

DESTAQUES DEMOGRÁFICOS

O estudo destacou, também, os recortes para as respostas à pergunta sobre a percepção dos brasileiros em relação ao preconceito contra homossexuais.

 

Os mais jovens, os moradores da região Centro-Oeste e os mais ricos e instruídos são os que mais reconhecem uma discriminação contra o grupo.

Já os mais velhos e os que ganham de 2 a 5 salários mínimos são, proporcionalmente, os que mais disseram não haver preconceito.

Leis os percentuais no infográfico abaixo:

PRECONCEITO CONTRA HOMOSSEXUAIS X AVALIAÇÃO DE BOLSONARO

PoderData cruzou os dados da pergunta sobre percepção da existência de preconceito contra homossexuais no Brasil com os de avaliação do presidente da República, que fez algumas declarações homofóbicas no cargo e enquanto era deputado federal.

Os números mostram que os bolsonaristas (que o consideram ótimo ou bom) têm taxas mais baixas na percepção de preconceito contra o grupo. Nesse estrato demográfico, 30% dizem não haver descriminalização contra gays e lésbicas, taxa 9 pontos percentuais maior que a média geral.

CASAMENTO HOMOAFETIVO

PoderData também perguntou sobre o casamento gay no Brasil. A maioria (51%) se declara a favor, e 33%, contra.

Poder 360.