
Cassação do mandato de Deltan é um marco, mas responsabilização de integrantes da Lava Jato tem de ir à esfera criminal, escreve Kakay.
“Aqui nesta praia onde Não há nenhum vestígio de impureza, Aqui onde há somente Ondas tombando ininterruptamente, Puro espaço e lúcida unidade, Aqui o tempo apaixonadamente Encontra a própria liberdade.”
Sempre fui contrário à Lei da Ficha Limpa. Para mim, por trás do espírito dessa lei, há uma intenção de manietar a vontade soberana e independente do eleitor. O voto deve ser absolutamente livre e o Estado deve assegurar que o cidadão vote sem pressões ou amarras. É claro que o poder econômico tira qualquer ilusão de igualdade e independência, mas não é com controles impeditivos que fortaleceremos a democracia. A ideia de o Congresso escolher quem pode votar e quem pode ser votado é de extrema importância e gravidade. Os governos Lula e Dilma tiveram uma queda irresistível pelo punitivismo. A esquerda, muitas vezes, tem esse viés.
O grupo fascista e político do ex-procurador e ex-deputado Deltan Dallagnol sempre defendeu a Ficha Limpa. E arrotavam, pretensiosamente, que a Lei era para todos. Por ironia do destino, foi exatamente ela que atropelou o fascistinha em pleno voo. O argumento do ministro Benedito Gonçalves, do Tribunal Superior Eleitoral, para cassar o mandato de Deltan é irrespondível. Técnico, jurídico e sem firula.











