
Em Patu, o prefeito Ednardo Moura realiza mais uma leitura anual, oferecendo aos munícipes a oportunidade de conhecer os projetos, metas e ações planejadas para o ano de 2026. No campo administrativo, esse ato faz parte do protocolo institucional e está previsto na Lei Orgânica do Município, sendo um momento de transparência e prestação de contas à população.
No entanto, no campo político, a dinâmica é diferente. Quem realmente dá as cartas são duas figuras centrais da história recente do município. O ex-prefeito Rivelino Câmara foi o primeiro a receber de Ednardo o bastão do poder e, ao longo dos anos, manteve forte influência nas decisões políticas, dando a palavra final em quatro mandatos: dois de Evilásia e dois dele próprio.
Agora, em uma nova versão do “bigodão”, o filho mais novo assume o protagonismo e passa a gerenciar o palácio do poder, tendo Rivelino como guia e conselheiro. A transição, embora revestida de formalidade administrativa, carrega consigo o peso da continuidade política e da herança de grupo.
Os dois afilhados políticos de Ednardo desfrutam do comando e da estrutura do poder, mas também enfrentam um cenário de crescente rejeição popular. Nas conversas pelas ruas, nas rodas de amigos e nos bastidores da política local, o comentário é recorrente: a combinação “Pelé e Garrincha” pode até ter talento, mas dificilmente vencerá esse jogo.
Muitos afirmam que eles só permanecem em campo porque controlam a bola e o campo de futebol. Porém, como ensina a própria política, ter a estrutura não garante a vitória — é preciso conquistar a torcida. E, ao que tudo indica, essa torcida anda cada vez mais exigente, atenta e disposta a decidir os rumos da partida nas urnas.