Rogério Santiago, Secretário de Habitação, reafirma a chegada de novos empreendimentos para Parnamirim

O Secretário de Habitação e Regularização Fundiária de Parnamirim, Rogério Santiago, junto ao Secretário Nacional de Habitação, Hailton Madureira, reafirmam a contemplação de Parnamirim com novos empreendimentos Minha Casa, Minha Vida.

No vídeo, os Secretários anunciam que o Município será beneficiado com 3 (três) novos empreendimentos do Programa Federal.

A população parnamirinense agradece a dedicação e o cuidado social da atual gestão.

“Estive em Brasília hoje (23), com o Secretário Hailton Madureira, para reafirmar à população de Parnamirim, sobre a concretização de novos sonhos que irão ser realizados”, disse Rogério.

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O cachorro e a mentira

Arte coluna opinião 23 novembro 2023Paulo Márcio

O Dia
Há muitos anos, sofri um acidente de carro terrível. Acordei com a cabeça enfaixada, os olhos vendados e os braços amarrados à cama. Um drama! O silêncio absoluto me remeteu à ideia da morte. Como a gente não sabe o que é a morte ou como ela é, minha primeira impressão foi a de que eu havia morrido. Senti-me leve e não angustiado; eu estava morto. Mas, então, escutei uma conversa ao fundo e pressenti que ainda estava vivo e atento.
Chamei alguém da minha confiança e pedi que me respondesse, com a mais pura sinceridade, algumas dúvidas. Precisava da verdade para saber sobre o que eu deveria lutar. Primeira pergunta: “Algum estrago nos ‘países baixos’?”; “nada”, resposta recebida. Ufa! Segunda: “Estou cego?”; “de um olho, o outro não foi afetado. Talvez tenha que colocar olho de vidro”. Terceira: “Corro risco de morrer?”; “só saberemos em 48 horas”. Pronto, eu tinha um quadro e sabia, ou julgava saber, por onde eu deveria me situar. E fui para o embate.
Hoje, após 13 cirurgias no olho, até mesmo em Moscou, continuo com o olho furado e até enxergando umas sombras super legais. Para quem perdeu a visão, a sombra é uma companheira de primeira linha. São mais do que sombras, funcionam como imagens um pouco mais distantes, mas imagens.
Passadas quatro décadas, vejo-me, às vezes, como que amarrado em laços que não consigo decifrar e sem enxergar com a exatidão que julguei que a maturidade me permitiria. O mundo, definitivamente, não permite uma visão clara e humanista que eu acreditava representar a obviedade da vida. Uma onda fascista insiste em turvar os olhos e distorcer as imagens que deveriam ser claras. Depois de quatro anos de um obscurantismo abjeto no Brasil, com figuras escatológicas ocupando o espaço público e com lugar de fala privilegiado, a mediocridade assume cada vez mais uma representação.
Como se não bastasse ter que conviver com os bolsonaristas, que parecem ter saído de um esgoto em putrefação, agora, nossa vizinha Argentina elege uma figura caricatural que tem um cachorro como um deus – um mastim inglês chamado Conan que morreu de câncer. Milei contratou os serviços de um médium, que compartilhava da sua ideologia anarcocapitalista, para traduzir os pensamentos do cachorro. Ou seja, o chamado Bolsonaro da Argentina, que acaba de ser eleito Presidente da República, considera que a clonagem do seu animal de estimação é um ato natural e afirma que “se o Conan me aconselhar em política significa que ele é o melhor consultor da humanidade”.
Pressinto que, na verdadeira guerra da barbárie contra a civilização, ainda teremos muito caminho a percorrer. A mediocridade virou uma regra e, cada vez mais, as armas da mentira e do engodo tomam corpo na sociedade. Aqui no Brasil, a milícia e o crime organizado dominam boa parte da política, especialmente no Rio de Janeiro. E o nível do Congresso Nacional faz com que a gente sinta vontade de clonar o cachorro do Milei para vir aqui dar umas palestras. É tão assustador e ainda existe uma banalização preocupante da violência e da desumanização.
Nas grandes cidades, milhares de pessoas se amontoam morando nas ruas. Mais de 300 mil brasileiros vivem ao relento sem ter um teto. Ou seja, um em cada mil brasileiros vive em situação de rua. No Distrito Federal, três em cada mil moradores vivem na rua. E a sensação que temos é a de que, para sobreviver no caos, o cidadão fecha os olhos, como se cego fosse; sente-se atado, preso e amarrado em um círculo
de giz invisível que nos aprisiona a todos.
Para alguns, esse imobilismo leva a um ceticismo que alimenta os “Bolsonaros” e os “Mileis”; para outros, vira um mantra que rega o fascismo que andava despercebido. E, de uma forma ou de outra, entre uma mentira que, desavergonhadamente, serve de opção política e um conselho de um cachorro, que se manifesta mediunicamente, a civilização vai sendo vencida e, cada vez mais, o homem perde espaço para o
bizarro e para a teratologia.
Como nos ensina Mia Couto, no poema Cego:
“Cego é o que fecha os olhos e não vê nada. Pálpebras fechadas, vejo luz. Como quem olha o sol de frente. Uns chamam escuro ao crepúsculo de um sol interior. Cego é quem só abre os olhos quando a si mesmo se contempla.”

Fonte: ig último segundo

O Secretário de Habitação, Rogério Santiago, anuncia novos empreendimentos para os parnamirinenses

O Secretário de Habitação e Regularização Fundiária, Rogério Santiago, juntamente com o Prefeito Rosano Taveira, se encontra hoje (22) em Brasília, na tentativa de trazer mais recursos e benefícios para a população de Parnamirim. E como já é de se esperar, eles atingiram mais uma meta e mandam um recado para os parnamirinenses (no vídeo). IMG_2861

Mais empreendimentos estão chegando na cidade de Parnamirim. Isso significa novas moradias dignas, sonhos da casa própria realizados, fruto do excelente trabalho e empenho da gestão do atual Prefeito e de toda equipe do Secretário

 

OPERAÇÃO PF E PRF – PF e PRF cumprem 57 mandados em megaoperação contra tráfico internacional

A Polícia Federal, em conjunto com a Polícia Rodoviária Federal e com apoio da Polícia Militar de Santa Catarina, deflagrou na manhã desta terça-feira (21) uma megaoperação contra o tráfico transnacional de drogas.

Estão sendo cumpridos 29 mandados de prisão nos estados do Rio Grande do Norte, Mato Grosso do Sul, Santa Catarina e Rio Grande do Sul. Os agentes também cumprem 28 mandados de busca e apreensão.

Além das prisões e buscas, a Justiça determinou outras 15 medidas cautelares, como o monitoramento eletrônico dos investigados por tornozeleira; o sequestro de 21 imóveis e 39 veículos; e o bloqueio de contas bancárias de 51 pessoas físicas e jurídicas.

As investigações da operação Cartage começaram em 2021, após a apreensão de cerca de 24 toneladas de maconha. A partir daí, foram dois anos de investigação entre as forças de segurança que resultaram na prisão de oito pessoas e a apreensão de cerca de 100 toneladas de maconha.

A PF apurou que a droga ingressava no Brasil pela fronteira entre as cidades de Pedro Juan Caballero, no Paraguai, e Ponta Porã, no Mato Grosso do Sul. Após essa internalização, toda a carga era levada para Santa Catarina, na região da grande Florianópolis, onde era armazenada.

A operação é coordenada pela PF de Santa Catarina por esse motivo.

Os investigados responderão pelos crimes de tráfico transnacional de drogas; organização criminosa; tráfico de armas; e lavagem de dinheiro, cujas penas somadas podem chegar a 30 anos de prisão.

Fonte: CNN Brasil

Nossa Senhora da Apresentação

Padre João Medeiros Filho

No dia 21 de novembro, celebra-se a solenidade da Apresentação de Maria Santíssima no Templo por seuspais Joaquim e Ana. A Bíblia não relata tal acontecimento, chegado até nós por meio dos escritos apócrifos, como noEvangelho de Tiago. Este episódio da vida de Nossa Senhora despertou o interesse dos cristãos e de artistasplásticos, surgindo daí várias obras sobre o tema. A Igreja dos primeiros séculos ressaltava a figura e a missão da Corredentora. A tradição cristã e descobertas arqueológicas atestam que a Mãe Celestial era reverenciada na liturgia, desde os tempos apostólicos. O fato é registrado por desenhos e pinturas da Virgem de Nazaré, encontradas nas catacumbas romanas. Desde os primórdios do cristianismo, os fiéis veneravam a Mãe do Senhor. Em 62 A.D, junto com uma efígie de Cristo Bom Pastor, deparou-se com inscrições da Ave Maria, indicando que as primeiras comunidades cristãs rezavam essa prece. Daquela época, data um afresco da Virgem, descoberto na Catacumba de Santa Priscila, no qual Ela aparece amamentando o Menino Jesus. Em 451, foi localizada a imagem mais antiga da Mãe de Cristo, atribuída a São Lucas. Mostra Nossa Senhora com a Criança no colo.

No Oriente, a partir do século IV, desenvolveu-se a piedade mariana. Junto com a edificação de templos, iniciou-se o culto às imagens e aos títulos marianos. Desde então, os ícones em sua memória tornaram-se inspiração de talentosos mestres e presentes em muitos locais. Os fiéis guardavam-nos em suas residências e os monges nas celas. Os anacoretas acendiam velas diante deles. Eram levados às prisões para dar força e paz aos apenados. No Ocidente, desde o século VII, celebra-se a festa da Apresentação no dia 21 de novembro, rememorando o aniversário da dedicação da Basílica de Santa Maria, no ano de 543, em Jerusalém. Entretanto, a festa foi oficialmente criada por Gregório XI, em 1372. Em Avignon, os sumos pontífices já celebravam a missa solene da festividade. No Brasil, segundo Frei Agostinho da Beata Virgo, citado por Luís da Câmara Cascudo, a primeira paróquia dedicada a esse orago mariano foi erigida em 1599, na cidade do Natal (RN).

Maria é a mais venerada pelos brasileiros, dentre todos os santos do catolicismo. Amada com afeto filial, faz-se o destino de muitas súplicas, desejos e esperanças dos fiéis, mormente dos que sofrem. A expressão de nossa religiosidade revela-se fortemente na devoção mariana. É inegável o vínculo de permanência na fé. O amor à Virgem apresenta-se em todas as regiões e classes do país, sob muitas manifestações. A base da fé de nossa gente tem a ver com a piedade à Rainha Celestial. São terços, ofícios, orações, benditos, ladainhas, procissões, coroações e inúmeras maneiras de externar a sua crença. O culto mariano não se ensina nos livros. Transmite-se pelo testemunho das comunidades. A participação nos tríduos, novenas e outras comemorações alimenta a religiosidade, penetrando na vida das pessoas. No Brasil, a veneração a Nossa Senhora não se reveste de esquemas e conceitos intelectualizados, mas de sentimentos profundos que brotam da alma do povo.

Maria é expressão da benevolência divina. Pela intercessão da Virgem Santíssima, plena de graça, o Pai não nos abandona à própria sorte. Ela é uma prova de que o Onipotente não se arrependeu de ter criado o ser humano. Foi a Mulher escolhida pelo Altíssimo para sacrário corporal e terreno de seu Filho. Sendo Genitora do Salvador, contempla Deus Pai sem cessar com o seu sacratíssimo olhar. Maria de Nazaré é também nossa Mãe, por livre vontade de Jesus (cf. Jo 19, 26-27). E como tal, é nossa permanente intercessora junto a Cristo. Não se pode viver sem o carinho materno, por isso o nosso Redentor quis legar-nos Maria, face temporal do Divino. Sua ternura continua a se oferecer a cada um dos filhos. Ela poderá atenuar nossas saudades do Céu, uma vez que também esperou por Aquele que nos trouxe a vida e a paz. Privilegiada, teve o Salvador em seus braços. Ela acalentar-nos-á sempre nos momentos de desânimo, com um afetuoso sorriso e um meigo olhar de Mãe. “Bendita és entre todas as mulheres” (Lc 1, 42).

A vida imita a arte muito mais do que a arte imita a vida. Giovani Júnior mostra talento através das fotografias

 


A frase do influente escritor, poeta e dramaturgo irlandês, já falecido, Oscar Wilde “a vida imita a arte muito mais do que a arte imita a vida” mostra um pouco dessa exposição de fotos do secretário Giovani Júnior, aonde o seu talento no campo das ciências econômica e financeira, se traduz também na criação de imagens.

A fotografia é uma arte que combina luz, composição, ângulos e cores para criar imagens únicas.
Acompanhe o talento de Giovani Júnior.

 

Sextooou. O Black Friday da política em Parnamirim

A feira está cheia de produtos, ofertas e pré-candidatos para todos os gostos. Alguns mais amargos, pois geralmente é a primeira vez que frequentam esse ambiente político comercial, outros mais adocicados, mostrando que já conhecem o ambiente, encontra-se também aqueles azedos de verdade, todos buscando uma valorização para continuar no jogo do poder. Percebe-se até gente se oferecendo a preço de banana, antecipando o esquenta Black de fim de ano.

Há figurinhas que estão em baixa mesmo que chegam a ser oferecido de graça e o povo não quer levar para casa, como por exemplo, o alho que anda sobrando nas bancas da política local e ninguém quer nem para acompanhar enterro.

Existem outros que não baixam nem a pau, continuam desfilando como se fossem imperdíveis, mesmo já sendo vítimas de algumas lideranças tradicionais do estado também do povo. Mas vamos aos preços: tem produto de 10, de 12, de 13, de 19, de 20, de 44, de 55 e até de 77 centavos na grande Black Friday Parnamirim – aproveitem a feira antecipada, temos
produtos de diversas categorias com ofertas imperdíveis no esquenta 2024.

Prêmio Nobel da Mentira

Os bolsonaristas, a exemplo do chefe deles, são cultores da morte, propagadores do ódio, dinheiristas, sem escrúpulos e fascistas, mas, principalmente, mentirosos. São filhos e dependentes das histórias que criam e que passam como verdade para um bando de seguidores alienados, fanáticos e sem nenhuma capacidade de fazer qualquer análise crítica. É realmente feliz a comparação desse grupo com o gado no pasto, tangidos por um berrante.

Tenho dito que é muito difícil enfrentar, na política e na vida, pessoas sem o menor critério ético nas discussões. Quando o seu adversário faz uso contumaz da mentira e ousa dar ao fato falso um ar de verossímil, a hipótese de um debate sério e honesto se esvai completamente. Bolsonaro passou todo o seu governo amparado em fake news que constrangiam qualquer cidadão que tem vergonha na cara. Simples assim. Foram milhares de ataques aos fatos coordenados por um gabinete do ódio que, meticulosamente, distribuía inverdades com objetivo político.

Ele próprio é o resumo dessas histórias inventadas. Tendo sido um deputado federal por 28 anos, apresentou-se como um não político e alguém contra a política tradicional. Ele se dizia o novo e não teve pejo em investir numa imagem para arrebatar os incautos ávidos para serem tangidos.

No triste episódio desta guerra insana entre Israel e Palestina, mesmo com todo o horror das milhares de mortes de crianças, jovens civis, médicos, jornalistas e mulheres, os bolsonaristas querem se aproveitar da dor e da comoção pública para espalharem mentiras e posarem de heróis. Fracos de caráter, mesquinhos e canalhas. Surfam em fake news irresponsáveis que são espalhadas para demonstrar um lado humanista que, definitivamente, não existe nesses seres escatológicos.

Quando era Presidente da República, Bolsonaro foi peremptório ao se negar a dar assistência humanitária aos brasileiros na crise sanitária na China e na guerra da Ucrânia, só para citar dois exemplos. Desdenhou dos brasileiros de forma irônica e vulgar. De maneira sórdida, cruel. Na verdade, seguiu a mesma linha que assumiu no enfrentamento da pandemia no Brasil, quando ridicularizava a dor e o desespero dos que morriam sem ar. Também não esqueceremos o sadismo oficial em negar aos milhões de brasileiros o direito à vacina. Com ironia e sarcasmo, caçoava dos que falavam em nome da vida e da ciência.

 

Esse grupo, responsável pela política da mentira, quer agora assumir a paternidade no resgate dos brasileiros em Israel e na Faixa de Gaza. Após um encontro com o embaixador de Israel no Brasil, e ao ver o sucesso das negociações do governo Lula repatriando os brasileiros, o próprio Bolsonaro ligou para a CNN e disse que foi dele o sucesso da operação. E é seguido nas redes sociais pelos acéfalos Sérgio Camargo, Nikolas Ferreira, Carla Zambelli e outros que, há muito, perderam a noção do ridículo. Eles chegaram a propor que ele se candidate ao prêmio Nobel da Paz! Não há limites para a humilhação e para o deboche.

O fato objetivo é que o governo brasileiro conseguiu trazer mais de 1.450 brasileiros que estavam em Jerusalém, Israel. Foram mais de dez viagens humanitárias, sem nenhum custo para o cidadão que estava sendo salvo. O próprio avião presidencial ficou à disposição do plano de resgate em paz. No entanto, no meio insano e no mundo à parte da realidade, que é habitado pelos bolsonaristas bizarros, no qual a mentira é a única forma de comunicação, o herói da salvação dos brasileiros é o genocida ex-presidente. Alguns lunáticos permitem dividir a glória com o prefeito de Sorocaba, que disse que foi o responsável pelo envio do avião da presidência.

Difícil conviver com essa gentalha. Em qualquer debate tem que haver regras, ainda que mínimas, que possam dar um norte de seriedade, ética e respeito. Quando se enfrenta os bárbaros, para eles, esses são conceitos líquidos que nunca poderão ser sequer levados em conta. É a mentira o mais forte mantra. E nós temos que nos afastar dessas baixarias, pois, se usarmos os meios da barbárie, mesmo para combatê-la, eles terão vencido, porque estaremos nos rebaixando e nos igualando a eles.

Remeto-me a Clarice Lispector:

“O pior de mentir é que cria falsa verdade. (Não, não é tão óbvio como parece, não é truísmo; sei que estou dizendo uma coisa e que apenas não sei dizê-la do modo certo, aliás o que me irrita é que tudo tem de ser “do modo certo”, imposição muito limitadora.) O que é mesmo que eu estava tentando pensar? Talvez isso: se a mentira fosse apenas a negação da verdade, então este seria um dos modos (negativos) de dizer a verdade. Mas a mentira pior é a mentira “criadora”.”

Fonte: ig último segundo

A ética do promotor

Das profissões do direito, talvez a mais “incompreendida” seja a do promotor de justiça. Pelos jurisdicionados em geral, pelos acusados em especial e mesmo pelos próprios membros do Ministério Público, que, em alguns casos, confundem a fiscalização da ordem jurídica ou a busca pela Justiça com algo que mais parece com o Terror de tempos inquisitoriais.

A literatura, o cinema e as séries de TV têm algo – ou muito – a nos ensinar sobre a ética dos membros do Ministério Público.

Com exemplos positivos, como no caso do procurador Granville, de “Um caso tenebroso” (1841), romance policial, de espionagem e também político (sobre a Era Napoleônica) de Honoré de Balzac (1799-1850). Abrindo “um espaço positivo para a lei”, o procurador Granville, que não se deixa enganar pelos corruptores da justiça, encarna a nobreza da profissão do direito.

Mas é com exemplos, digamos, não muito recomendáveis de promotores de justiça, tanto da literatura como da TV, que quero aqui deixar o meu recado.

Foco na obra de Friedrich Dürrenmatt (1921-1990), escritor suíço de língua alemã cujas peças (assim como os romances), à moda de um Bertolt Brecht, embora mais desmascarador do que didático, visavam menos o entretenimento da plateia/leitor e mais fomentar o debate público sobre temas fundamentais. Eram denúncias. “Está escrito” (“Es steht geschrieben”, 1947), “Rômulo, o Grande” (“Romulus der Grosse”, 1950), “A Visita da Velha Senhora” (“Der Besuch der alten Dame”, 1956) e “Os físicos” (“Die Physiker”, 1962) são títulos bem conhecidos.

Entretanto, para nós, profissionais do direito, provavelmente a mais interessante obra de Dürrenmatt seja “O Casamento do Senhor Mississippi” (“Die Ehe des Herrn Mississippi, 1952). Como registra Otto Maria Carpeaux (em “A história concisa da literatura alemã”, Faro Editorial, 2013), o louco promotor público dessa peça, “que manda centenas de sujeitos à forca para moralizar a vida pública, é personagem tipicamente expressionista”. É, assim, peça de pleno desmascaramento. Pondo de lado as relações pessoais entre as personagens, a peça tem como centro o radicalismo do promotor Mississippi, que se acredita um lutador pela “justiça do céu”. Ele internalizou de uma maneira muito peculiar os ditames da Bíblia, especialmente as chamadas “Leis de Moisés”. Convidado a simpatizar com a “esquerda”, ele refuga. É infenso a qualquer moderação. Após uma revolta popular abortada, ele vai para um manicômio. De lá foge. Num ritual macabro de envenenamento recíproco, Mississippi morre ainda na crença de que o homem pode ser mudado por punições inumanas. Ao final, na peça, as personagens retornam à ribalta e fazem um balanço dos acontecimentos.

“O Casamento do Senhor Mississippi” nos lembra bastante “O Alienista” (1882), do nosso Machado de Assis (1839-1908), cujo protagonista da confusão é o médico psiquiatra Simão Bacamarte, o dono da Casa Verde, o seu próprio manicômio, até porque acabou internado lá. Mas quero aqui sobretudo enfatizar uma observação de Otto Maria Carpeaux sobre o teatro expressionista/fantástico de Duerrenmatt: ele “denuncia o absurdo na atualidade, que lhe garante sucesso universal”. Desmascara tragédias. Mas “o que parece tragédia, no mundo de hoje, é na verdade uma farsa, apenas de desfecho trágico”. Vimos isso entre nós, não vimos?

No mais, vou encerrar minhas palavras com a recordação de um episódio da clássica série “Jornada nas estrelas” (Star Trek, no original), que assisti faz um bocado de anos. Algomais do que útil, arrisco que fundamental, em minha profissão de “acusador”, que já nos havia sido historicamente mostradapela face mais triste da Revolução Francesa: não confundir Justiça com Terror; não confundir Salomão com Robbespierre. E foi assim que, ao final de um episódio, em que uma punição é buscada a qualquer preço, que o capitão da Enterprise, Jean-Luc Picard, disse aos seus companheiros de jornada: é fácil identificar o bandido que enrola o bigode; difícil é identificar aquele que, sob uma falsa aparência de Justiça, em verdade faz Terror.

Marcelo Alves Dias de Souza

Procurador Regional da República

Doutor em Direito (PhD in Law) pelo King’s College London – KCL

Membro da Academia Norte-rio-grandense de Letras – ANRL

O Secretário de Habitação, Rogério Santiago, busca seu segundo mandato na eleição de 2024.

Não é novidade que Rogério Santiago irá participar da disputa política em 2024, e ele busca o seu segundo mandato na próxima eleição.

A atuação e ilustre trabalho do Secretário, por meio da Secretaria de Habitação e Regularização Fundiária do Município de Parnamirim/RN, vem sendo evidenciado cada dia mais. Esse protagonismo não é de hoje, a sua carreira nos órgãos públicos lhes trouxeram grandes destaques e aprendizados.

“Em toda minha carreira, me empenhei para beneficiar a população parnamirinense, e pretendo continuar esse belíssimo trabalho”, disse Rogério

Onda de calor ganha força no Sudeste e no Centro-Oeste; previsão é de temperaturas mais altas na próxima semana

A onda de calor que se instalou no Brasil deve ganhar força a partir do fim de semana, segundo o Instituto Nacional de Meteorologia (Inmet). As temperaturas devem ficar pelo menos 5ºC acima da média em boa parte dos estados das regiões Sudeste e Centro-Oeste.

De acordo com a meteorologista do Climatempo, Maria Clara Sassaki, a expectativa é de que o próximo domingo (13) seja ainda mais quente. As projeções mais recentes apontam que o pico da atual onda de calor deve acontecer no fim da próxima semana, com temperaturas ultrapassando a marca de 44ºC em algumas cidades do Centro-Oeste.

O Inmet emitiu um alerta de perigo para cinco estados por conta da onda de calor. O fenômeno deve atingir de forma mais intensa São Paulo, Minas Gerais, Mato Grosso, Mato Grosso do Sul e Goiás, além do Distrito Federal.

🌡️As marcas registradas pelos termômetros no Brasil seguem elevadas já a partir desta sexta-feira (10). A temperatura máxima deve ficar próxima de 40 °C em boa parte do Triângulo Mineiro, interior paulista e sul de Goiás. O Espírito Santo também deve registrar calor intenso.

Frente fria ameniza temperaturas em São Paulo

 

Uma frente fria vinda do Sul do Brasil deve amenizar as temperaturas em São Paulo nessa sexta. Segundo a meteorologista, apesar do alívio, a mudança não é suficiente para quebrar a sequência de dias quentes.

“Essa frente fria vai passar bem afastada no oceano, então não é forte o suficiente para provocar temporais em São Paulo, iguais aos da semana passada”, explica Maria Clara Sassaki.

 

El Niño deve durar ao menos até abril de 2024, aponta Organização Meteorológica Mundial

El Niño deve durar ao menos até abril de 2024, aponta Organização Meteorológica Mundial

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Ela comenta que, apesar desse cenário, não é possível descartar uma chuva pontualmente forte, por causa da combinação do calor intenso com a umidade na região. Mesmo com a frente fria, os termômetros podem chegar aos 30°C em São Paulo.

Chuvas no Sul do Brasil

 

No Sul, a frente fria que parte para o oceano, combinada a uma área de baixa pressão no Paraguai, deve provocar chuvas ao longo de todo o fim de semana.

O Inmet também emitiu um alerta de previsão de tempestade para a região sul do Rio Grande do Sul. O acumulado de chuva pode chegar a 50 milímetros nas próximas 24 horas, com ventos de 60 km/h e queda de granizo.

Inmet alerta para a previsão de tempestades no Sul do Brasil. — Foto: INMET

Pancadas de chuva são esperadas para toda a região Sul do país. No leste do Paraná e de Santa Catarina, a previsão é de chuvas mais isoladas, com períodos de sol.

As áreas de instabilidade devem se intensificar ao logo do sábado (11), gerando temporais em boa parte da região, em especial no litoral sul do Rio Grande do Sul.

Fonte: G1

“FLITABIRA: UMA FLOR NASCEU NA RUA, ROMPEU O ASFALTO”, POR KAKAY

Em um momento denso e doloroso, com as bombas em Gaza matando, indistinta e covardemente, crianças, mulheres, idosos, jornalistas e médicos, a crueza da guerra provocou certo colapso em boa parte das pessoas que teimam em trazer dentro delas algum vestígio de humanidade. É muito difícil acompanhar esse verdadeiro massacre sabendo que, infelizmente, nada podemos fazer de efetivo para o cessar-fogo.

A ordem de destruição já foi dada e não há nenhum organismo internacional, ou país, que tenha força e credibilidade para se impor. Nem sequer corredores humanitários, ou a retirada de civis da área do genocídio, ou mesmo uma trégua nos bombardeios para tentar a diminuição da matança desenfreada; nada, absolutamente nada, parece falar aos corações dos senhores da guerra. Ódio. Vingança. Poder. Dinheiro.

Reconheço que, em época de mídia 24 horas, as imagens, especialmente as de crianças dilaceradas e mortas em valas comuns, causam uma desestrutura emocional que abala nossa confiança na humanidade. Se eu, que estou em casa e posso desligar a TV quando acho que o barulho dos mísseis já passou dos limites, sinto esse desconforto, imagine a mãe ou o pai que estão com os filhos já sem vida nos braços ou soterrados. Sem contar a fome, a falta de água e a ausência de assistência médica e humanitária.

Pense nos efeitos deletérios eternos nessas crianças que estão vendo a morte ser banalizada, mas que têm que se esconder das bombas reais que caem como aquela chuva de prata dos fogos de artifício no réveillon de Copacabana. Só que, lá em Gaza, os brilhos dos mísseis que iluminam a noite significam um encontro com a dor, com a destruição e com a morte quando o clarão toca o chão.

De tanto acompanhar essa tragédia ao vivo, ainda que pela TV e pelos grupos de whatsapp, sinto um profundo incômodo com a imobilidade covarde que parece nos manter reféns da perplexidade e da completa inoperância. Como se não bastasse a ausência de qualquer ação, ainda resolvi fugir. Saí do mundo do dia a dia insano, onde as notícias parecem correr atrás de nós, e refugiei-me no Festival Literário de Itabira.

“Arte, Literatura e Correspondências” em homenagem aos 121 anos de nascimento do itabirano Carlos Drummond de Andrade. De quebra, o festival foi palco da entrega do troféu Juca Pato para a maravilhosa Conceição Evaristo. Sob a batuta do mágico Afonso Borges, dividimos palcos com grandes escritores, poetas, violeiros e sonhadores iluministas. Permitimo-nos mergulhar nas conversas digitalizadas de Drummond com o maior artista brasileiro, Cândido Portinari, que também era um grande poeta. A tecnologia e a inteligência humana conseguiram fazer Drummond conversar com Portinari, mas não conseguem um diálogo para colocar um fim na guerra.

O clima de emoção e de cumplicidade, que nos acolheu a todos nesses intensos dias, parecia vir além do sentimento do mundo que era compartilhado e da paixão pela literatura que nos unia. Era tal a alegria que contagiava e abraçava a todos, que pude sentir como se uma nuvem densa nos embalasse, protegesse-nos e nos acariciasse. Uma poesia solta no ar, quase palpável, e sorrisos incontidos, como se lá fora não houvesse guerra.

Dançamos todos no ritmo cadenciado, sensual e irresistível de Eliana Alves, Lívia Sant’Anna Vaz e Conceição Evaristo. E, ainda, embalamo-nos no Festival de Viola Caipira. Por alguns dias, não escutei o barulho das bombas e vivenciei uma resistência poética. Foi lá que Krenak sentenciou que o planeta Terra é nosso domicílio e que Jeferson Tenório debateu o exílio e a escravidão.

Talvez, a tristeza e a dor, nossas companheiras nos últimos tempos, tenham sido o tempero para tanta emoção e acolhimento. Saio de Itabira revigorado e levando comigo cada momento de puro carinho, até de amor mesmo, para fortalecer o enfrentamento da barbárie. E com profunda perplexidade e tristeza por não entender como é possível viver a magia de um festival literário, como o de Itabira, enquanto tanta gente se dedica ao culto da morte.

A poesia, a literatura, a arte, a música e a amizade continuam sendo nosso último refúgio. Ainda com Drummond, no poema Canção de Berço:

“Também a vida é sem importância.

Os homens não me repetem nem eu me prolongo até eles. A vida é tênue, tênue.

O grito mais alto ainda é suspiro,

os oceanos calaram-se há muito.”

Fonte:flitabira.com.br

Quem não tem cão, caça como gato

Padre João Medeiros Filho

Outro dia, Dom João dos Santos Cardoso, nosso arcebispo metropolitano, esteve na granja da Arquidiocese (onde moram eclesiásticos eméritos), trazendo seus cãezinhos de estimação para passear. Tenho em casa um gatinho muito mimoso. Vendo os animais soltos, pulando e correndo, lembrei-me da máxima supracitada e senti vontade de escrever sobre ela. Gosto de cultivar ditados e aforismos transmitidos ao longo dos séculos. Algo semelhante encontra-se na Sagrada Escritura, notadamente nos Livros dos Provérbios e da Sabedoria. Exegetasantigos e modernos afirmam que Cristo fez uso desse estilo literário, em suas parábolas e alegorias. Os axiomas e expressões populares constituem uma parte importante da cultura de cada nação. Apresentam metáforas éticas, sociais e religiosas. É uma incógnita a origem desse patrimônio e riqueza imaterial.

Segundo o antropólogo norte-rio-grandense Luís da Câmara Cascudo, “ao longo de toda a história da humanidade, os axiomas e adágios sempre estiveram presentes na alma do povo.” Por seu conteúdo e qualidade sapiencial, revestem-se de grande importância para o convívio social. Nesse campo, o Brasil é detentor de um expressivo legado, herança de nossos ancestrais lusitanos eoutras matrizes culturais. De acordo com o eminentepesquisador potiguar, “o provérbio [em tela] tornou-se conhecido no Brasil, após a invasão holandesa, na segunda metade do século XVII.” A partir de então, começou a ser citado na tentativa de reanimar a população espoliada. O renomado folclorista alagoano Théo Brandão partilha dessa mesma assertiva.

Desde priscas eras, pessoas abastadas escolhiam cãespara acompanhá-las em suas caçadas. Até hoje, em razão de seu porte, fidelidade, velocidade e excelência no farejar são treinados para detectar objetos, identificar e protegerpessoas. A máxima, aqui referenciada, difere da versãoescrita em alguns livros: quem não tem cão, caça com gato. Grande parte dos estudiosos afirma que a variante usada no caput deste artigo é mais antiga. Entretanto, as mensagens se equiparam. Trata-se de aceitar as limitações e circunstâncias. Quando não se pode agir com a ajuda de um cão, deve-se adotar a estratégia do gato, que é solertepara alcançar os seus objetivos. Diante da falta de melhores recursos e oportunidades, é preciso encontrar alternativas para se atingir os fins almejados. Há coerência e lógica na lição que se pretende transmitir. Assim sendo, quem não tem cão para perseguir a eventual presa, deverá caçar inteligentemente, à maneira de um gato. Cristo aconselha em situação de adversidade “primeiro sentar-see calcular” (Lc 14, 31). Recomenda prudência, objetividade e imaginação, antes de agir.

O provérbio mostra a necessidade de ser criativo em situações desafiadoras. Na inexistência de meios adequados para resolver determinados problemas, é misterser engenhoso para encontrar outras maneiras de conseguiros fins propostos. Em vez de lamentar, cruzar os braços e tornar-se refém dos obstáculos, urge buscar saídas honrosas e inovadoras. Convém lembrar que nem sempre a solução mais óbvia é a melhor. Deve-se ter lucidez para encontrar opções. Ao narrar a história de Esaú e Jacó, o Livro do Gênesis (Gn 25-26) refere-se à perspicácia, uma das nuances do anexim, que intitula este texto. O adágio em questão se presta a diversas interpretações e mensagens. Existe quem o considere uma crítica à falta de planejamento e organização, quando indivíduos ou instituições se veem obrigados a improvisar. Na prática, a frase pode ser aplicada em diferentes situações, ensejando a procura de respostas às dificuldades.

O que dizer da postura dos cães e gatos? Machado de Assis escreveu: “Deve-se aprender com os gatinhos que pelo faro conhecem seus verdadeiros amigos. Não sabem falar, mas os acompanham em silêncio.” Certa vez, Marilyn Monroe desabafou aos jornalistas: “Os cães nunca me morderam nem me traem. São os humanos que me ferem no corpo e na alma.” A versatilidade, dedicação, fidelidade e prontidão dos caninos ou felinos impressionam e levam-nos a pensar sobre alguns atributos divinos. Diz o Livro dos Números: “Deus não é o homem para que minta, nem o filho do homem para que se arrependa. Acaso diz alguma coisa e não o faz?  Promete e não o cumpre?” (Nm 23, 19).

Para onde vão os hominhos?

Quando da guerra na Ucrânia , houve momentos de desespero e indignação por parte de muitos de nós. Os milhares de ucranianos, andando sem rumo e sem esperançanuma fuga sem sentido, misturavam-se com relatos de estupros e de mortos. As crianças, com seus olhares incrédulos de medo e de pavor, enchiam-nos de vergonha da nossa incapacidade de intervir e de fazer algo que pudesse minorar tanta dor. Havia sempre uma promessa de que o conflito seria curto. E o longo tempo fez com que, como um recurso interior de sobrevivência, nós fôssemos nos afastando e deixando de acompanhar o noticiário. Sem informações, era como se a guerra tivesse acabado.

Há muitos anos, quando eu era menino no interior de Minas Gerais , fui ver, pela primeira vez, um programa de televisão. O aparelho tinha acabado de chegar e a expectativa era enorme. Sentamo-nos, eu e um amigo, filho do vaqueiro que morava na roça, meio que sem entender direito o que iria acontecer. A transmissão era sofrível: cheia de chuviscos, em preto e branco e com uma imagem trôpega. Depois de 30 minutos, o filme saiu do ar e eu desliguei a TV. Meu amigo, que estava completamente maravilhado, fez uma pergunta engraçada: “Para onde vão os hominhos?”, preocupado com os personagens do vídeo que havíamos visto. Lembrei-me dessa ingenuidade infantil quando passei a desligar os programas sobre a guerra ou a mudar de canal para acompanhar um filme ou futebol. Claro que eu estava fugindo e querendo não perguntar para mim mesmo: “Para onde vão os hominhos?”. Era como se, ao apagar o aparelho, as pessoas parassem de morrer naquela batalha estúpida.

Agora, outra  guerra abala o mundo. E essa é como se estivesse, de alguma maneira, ocorrendo dentro do nosso país. O conflito entre Israel e Palestina , de tão antigo, parece que, de certa forma, é conhecido e cada um o acompanha à sua maneira. A diferença é que nessa tragédia, mesmo sem sermos judeus ou palestinos, estamos de alguma forma dentro do conflito. Inúmeras pessoas ligadas a nós, pelos mais diferentes laços, estão diretamente participando e perdendo familiares, amigos e companheiros. Por uma definição particular do ser humano, é natural que as crianças jogadas em valas comuns, os inúmeros reféns, os estupros, os ferimentos e as mortes tenham um impacto ainda maior nessa guerra. E, com o acirramento do combate, as tensões só aumentam. Por sorte, tudo ocorre no mundo virtual. São nos grupos que nós vivemos os desentendimentos que resultam em agressões verbais e em saídas do WhatsApp. Se as discussões se dessem ao vivo, fatalmente seria muito pior. Há uma intransigência palpável rondando o assunto.

Essa  guerra é um conflito no qual, mesmo quem defende a paz, pode ser criticado pela maneira com que a defendeu. Não existe lugar para neutralidade. E, dessa vez, não teremos como desligar o noticiário. Os “ hominhos” estão aqui ao nosso lado e, de certa forma, cada um de nós está também em guerra. Daí a importância de nós nos posicionarmos para uma solução dessa tragédia sem fim.

Os organismos internacionais falharam. É claro que, se nem mesmo esses órgãos conseguem fazer algo, as nossas ações individuais certamente não terão nenhum efeito. Mas existem momentos na vida em que valem os gestos. Talvez seja necessário acreditar que é possível um movimento pela cessação imediata dos bombardeios, pelo estabelecimento de regras mínimas humanitárias, pela libertação dos reféns , pelo cuidado com as crianças, pelo direito básico de acesso à água e à energia elétrica, enfim, por um sentimento do mundo que consiga resgatar um pouco do humano que ainda existe em cada um. Pode não ser nada, mas é melhor do que desligar o noticiário. E, afinal, é o que nos resta.

Remeto-me a Clarice Lispector:

“O que tem me perturbado intimamente é que as coisas do mundo chegaram para mim a um certo ponto em que eu tenho que saber como encará-las, quero dizer, a situação da guerra, a situação das pessoas, essas tragédias. Sempre encarei com revolta. Mas ao mesmo tempo sinto necessidade de fazer alguma coisa, sinto que não tenho meios.”

 

Fonte: ig último segundo