Morte de cachorro agredido por funcionário gera revolta contra o Carrefour


Denúncias de que um segurança envenenou e espancou um cachorro abandonado causou uma onda de protestos contra uma loja da rede Carrefour, em Osasco, na Grande São Paulo. Defensores dos animais usaram as redes sociais para pedir o boicote à rede. O fato teria acontecido na última sexta-feira, 30, no estacionamento do hipermercado. Conforme o relato, o funcionário teria oferecido veneno de rato ao cão em meio a um pedaço de mortadela. Em seguida, agrediu o animal com pauladas.

De acordo com o ativista Rafael Leal, da ONG Cão Leal, está sendo convocada uma manifestação de protesto, no sábado, 8, em frente ao supermercado, na Avenida dos Autonomistas. “Estamos convidando todas as pessoas de bem a se manifestarem contra esse crime. Nosso pedido também é para que as pessoas não comprem em nenhuma loja da rede.”

Conforme Leal, o que se apurou é que o cachorro estava solto por lá e era alimentado por clientes e funcionários. “Como a loja ia passar por uma vistoria, alguém do alto escalão pediu a um funcionário que desse um sumiço no cachorro”, relatou.

Ainda segundo ele, o funcionário usou o alimento para atrair o cão ao estacionamento. “Lá chegando, ele deu a mortadela com o famoso chumbinho, veneno de rato, e além disso espancou o animal”, descreveu. As agressões teriam sido presenciadas por testemunhas e gravadas pelas câmeras.

“O Carrefour já admitiu que o animal foi ferido pelo funcionário, embora diga que foi acidente. Como foi registrado boletim de ocorrência na Polícia Civil, achamos que a polícia vai requisitar as imagens das câmeras e ouvir as testemunhas”, disse.

A Polícia Civil de Osasco informou que já ouviu a gerência do estabelecimento e, além de testemunhas, vai buscar imagens de câmeras que possam ter gravado o que aconteceu. Segundo a polícia, como o animal foi cremado sem coleta de amostras pode não haver indicação da causa da morte, dificultando a prova sobre eventual envenenamento.

O depoimento de testemunhas, no entanto, pode comprovar as agressões. O funcionário, que seria segurança terceirizado do estabelecimento, ainda não foi localizado. Conforme a Polícia Civil, ele pediu licença e viajou, devendo retornar só no fim de semana.

Em nota, o Carrefour declarou reconhecer a gravidade do acontecido em sua loja. “O Carrefour reconhece que um grave problema ocorreu em sua loja de Osasco. A empresa não vai se eximir de sua responsabilidade. Estamos tristes com a morte desse animal. Somos os maiores interessados em que todos os fatos sejam esclarecidos. Por isso, aguardamos que as autoridades concluam rapidamente as investigações.” A rede informa, ainda, que, qualquer que seja a conclusão do inquérito, “estamos inteiramente comprometidos na reparação desse dano”.

A prefeitura de Osasco informou que o Departamento de Fauna e Bem Estar Animal esteve no local e encontrou o cachorro ferido e com sangramento intenso, além de escoriações múltiplas. “O manejo foi realizado por um oficial de controle animal qualificado e o animal, encaminhado ao departamento para atendimento emergencial”, disse, em nota. Com a informação de que se tratava de um caso de maus tratos, foi iniciada a apuração com a solicitação de inquérito policial à Delegacia Especializada de Osasco. “Somente o inquérito poderá indicar as causa da morte e a quem cabe a responsabilidade”, diz a nota.

O professor de Direito e advogado Rafael Paiva, presidente da Comissão de Direito Constitucional da OAB/Santana, disse que, em tese, o caso é crime de maus tratos aos animais, previsto na Lei dos Crimes Ambientais. Segundo ele, o responsável direto pelo crime, segundo consta, seria o segurança que perpetrou os golpes contra o animal. Aparentemente, essa conduta teria sido ordenada por um superior dele. Nesse caso, se houve a ordem, essa pessoa responde como co-autora do crime, caso tudo seja comprovado.” A pena prevista é de três meses a um ano de detenção, com aumento de um terço pela morte do animal.

Ainda segundo o advogado, o Carrefour também pode responder pela ação de seus prepostos, se ficar comprovado que a ordem partiu de alguém com algum tipo de comando na loja. “Por ser crime contra o meio ambiente, a pessoa jurídica também pode ser responsabilizada. A lei traz peculiaridades específicas no caso de pessoa jurídica. Uma das penas é deixar de receber benefícios fiscais, podendo ainda ser proibida de participar de licitações e de contratar com o poder público”, explica. Há ainda a possibilidade de a empresa ser alvo de ação civil pública para reparar o dano causado, devido ao clamor popular.

Em nota, a Associação dos Advogados Criminalistas do Estado de São Paulo (Acrimesp) afirmou que irá processar o funcionário e o hipermercado por maus tratos e dano moral. O valor da ação seria de R$ 500 mil, quantia que seria revertida ao Instituto Luisa Mell, segundo o comunicado.

Estadão

VÍDEO: em voo, Lewandowski se irrita com crítica e pede prisão de homem

O ministro do STF Ricardo Lewandowski não gostou de ouvir do passageiro que ‘o STF é uma vergonha’, e solicitou a presença da Polícia Federal na aeronave

https://www.youtube.com/watch?v=trIIobwgO5I
O ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Ricardo Lewandowski se irritou nesta terça-feira (4/12), durante um voo, com um passageiro que criticou a Corte e o ameaçou de prisão.

Em um vídeo ao qual o Correio teve acesso, feito de dentro da aeronave, Lewandowski é visto na primeira fila do avião, olhando seu celular. Ouve-se, então, uma voz dizer: “Ministro Lewandowski, o Supremo é uma vergonha, viu? Eu tenho vergonha de ser brasileiro quando vejo vocês”.

Lewandowski fica claramente incomodado e se dirige ao homem. “Você quer ser preso?”, pergunta, virando-se, em seguida, para um comissário de bordo e pedindo a presença da Polícia Federal no voo. O homem, então, retruca: “Eu não posso me expressar? Chama a Polícia Federal, então”.
Continua depois da publicidade

Segundo pessoas que estavam no voo, que fazia a linha São Paulo—Brasília, nenhuma prisão foi feita. O Correio ainda tenta contato com o autor das críticas e com o ministro Lewandowski.

Créditos: Correio Braziliense.

Presidente Estadual do PHS, Leandro Prudencio, deverá ser indicado secretário no Governo Fátima

Crédito das Fotos: Divulgação
A governadora eleita do Rio Grande do Norte, senadora Fátima Bezerra, deverá indicar em breve o nome do Presidente Estadual do Partido Humanista da Solidariedade (PHS), Leandro Prudencio para compor o seu secretariado.

Este espaço atenderá aos anseios dos humanistas/solidaristas do Estado, que contribuíram com a Coligação do “Lado Certo”, vencedora do último pleito. A ida de Leandro Prudencio para o secretariado de Fátima, fortalece o mandato do deputado estadual Souza, que foi reeleito com 31.097 votos pelo PHS.

Leandro Prudencio, é graduado em Gestão Pública pela UnP e Pós-graduando em Gestão Pública na Escola da Assembleia. Leandro já foi secretário de Administração e Finanças na Prefeitura de São José do Campestre/RN, e chefe de gabinete na Câmara Municipal do Natal. Atualmente é chefe de gabinete na Assembleia Legislativa do RN e presidente estadual do PHS/RN. Se confirmado o seu nome no primeiro escalão, será uma indicação técnica.

Acusado de tentar matar promotores de Justiça no RN vai a júri popular no dia 11

Guilherme Wanderley Lopes da Silva é acusado de tentar matar a tiros, em março de 2017, o então procurador-geral do Estado, o procurador adjunto e mais um promotor de Justiça.

Foto: Reprodução/Inter TV Cabugi

O ex-servidor público Guilherme Wanderley Lopes da Silva, acusado de tentar matar a tiros três promotores de Justiça do Rio Grande do Norte, vai a júri popular na próxima terça-feira, dia 11. O crime aconteceu no dia 24 de março de 2017 dentro da sede do Ministério Público do Estado, em Natal.

O julgamento foi marcado pelo juiz Geomar Brito Medeiros, e acontece a partir das 8h no Tribunal do Júri, no Fórum Desembargador Miguel Seabra Fagundes, no bairro Lagoa Nova, na Zona Sul da capital.

Guilherme aguarda o julgamento detido na Unidade Psiquiátrica de Custódia, no Complexo Penal João Chaves, que fica na Zona Norte. Ele é acusado por três crimes de homicídio tentado, com o agravante de dissimulação. Isso significa, de acordo com a acusação, que ele ocultou sua verdadeira intenção quando, portando um envelope, disse às secretárias do procurador-geral que precisava entrar na sala para entregar alguns documentos encaminhados por um procurador em caráter de urgência – o que levou as funcionárias a abrirem a porta.

Na sentença, a acusação ainda destaca que Guilherme foi “impelido por motivo fútil, consistente na insatisfação, desaprovação e descontentamento que particularmente nutria em relação a medidas administrativas adotadas pela equipe do então procurador-geral de Justiça”.

No ano passado, um laudo feito na esfera administrativa por uma perícia constituída pelo Conselho Nacional do Ministério Público atestou que Guilherme tinha total consciência do que estava fazendo. Tanto que ele foi demitido do cargo.

Ambulância do SAMU foi chamada para socorrer os promotores feridos — Foto: Fred Carvalho/G1

O caso

O atentado aconteceu dentro da sede do próprio MP, na Zona Sul de Natal. Guilherme entrou na sala do então procurador geral de Justiça, Rinaldo Reis, jogou um envelope na mesa dele, sacou sua arma de fogo que estava escondida sob a roupa e disparou.

O então procurador adjunto de Justiça Jovino Pereira Sobrinho e o promotor Wendell Beetoven Ribeiro Agra foram baleados. Rinaldo também foi alvo de um disparo, mas Guilherme errou o tiro.

Outras pessoas também estavam na reunião, mas não foram atingidas. Guilherme fugiu e só se entregou à polícia na manhã seguinte.

Créditos: Portal G1/RN

NOSSA SENHORA DA CONCEIÇÃO

PADRE JOÃO MEDEIROS FILHO

No dia 08 de dezembro de 1854, na Basílica de São Pedro, o bem-aventurado Papa Pio IX proclamou o dogma da Imaculada Conceição de Maria, pela Bula “Ineffabilis Deus”. De acordo com a doutrina católica, acreditamos que Ela foi isenta de todo pecado, desde o primeiro átimo de sua existência até o último momento de sua vida terrena. Assim é venerada, como o templo sacrossanto e ilibado, no qual Deus fez a sua morada.
A devoção à Imaculada Conceição brotou cedo no solo fecundo da piedade popular. O Ofício de Nossa Senhora é uma prova do amor dos fiéis Àquela que é nossa Mãe, oferta de Cristo, no alto da cruz. Antes mesmo de ser definida pela Igreja, a verdade teológica já era vivida pela fé dos católicos e pela sensibilidade daqueles que percebem a ação terna de Deus. Várias cidades do Rio Grande do Norte têm Nossa Senhora da Conceição como orago. Na arquidiocese de Natal, dezesseis paróquias estão sob a sua proteção. No bispado de Caicó, Ela é padroeira de duas e na diocese de Santa Luzia de Mossoró, titular de oito.
Maria é expressão da benevolência de Deus. Na sua bondade e ternura, especialmente na graça divina da qual estava repleta, temos a certeza de que o Pai não nos abandona à própria sorte. Ela é afirmação de que Deus acredita em nós e não se arrependeu de ter criado o ser humano. O arcanjo Gabriel, quando anunciou que Ela seria a Mãe do Salvador, disse-Lhe: “Alegra-te, cheia de graça” (Lc 1, 28). Isto significa que estava toda envolta da graça sobrenatural. Consagrando-se totalmente a Deus, Nossa Senhora foi tomada pelo mistério divino. E isto levou os teólogos a concluir que o pecado não havia tocado a sua alma. “Cheia de Graça”, toda pura, foi esta a Mulher que Deus escolheu para ser o sacrário corporal e terreno de seu Filho. E Ele não iria unir a Segunda Pessoa da Trindade – de forma infinita e perene pelo mistério da Encarnação – à maldade e à rejeição do projeto divino, ou seja, ao pecado. Deste modo, surge a abordagem teológico-dogmática da Conceição Imaculada de Maria.
Segundo o Cardeal Yves Congar, teólogo dominicano francês, “Maria Santíssima é a reconciliação de Deus com o ser humano, sem desmerecer, no entanto, o papel de Cristo como Redentor”. O Pai criou o homem, na integridade da beleza e na plenitude da bondade. Mas, a inveja, a vaidade e o orgulho desfiguraram-no. Em Maria Santíssima, Ele retomou a criação plasmada com tanto carinho, nos primórdios do universo e da história. Por esta razão, o apóstolo Paulo e a teologia subsequente chamam Nossa Senhora de “Nova Eva”, isto é, a nova mulher, portadora da Vida. Nela a humanidade foi recriada. Deus se fez homem como nós. “E o Verbo de Deus se fez carne e habitou entre nós” (Jo 1, 14). Assim, entendemos a celebração da Festa da Imaculada Conceição, no tempo do Advento, perto do Natal do Senhor, quando se comemora o mistério da Encarnação do Filho de Deus. Maria foi escolhida para ser a Mãe do Redentor e a portadora da Salvação. Ela viveu da Eucaristia e para a Eucaristia, quando carregou Cristo, a Hóstia Viva, dentro de si. Com toda razão, o Papa São João Paulo II a definiu, em uma de suas encíclicas (“Ecclesia de Eucharistia”), como a “Mulher Eucarística e primeiro sacrário da humanidade”. O Corpo de Cristo presente na hóstia consagrada é também carne de Maria. A divindade latente no sacramento do altar habitou o seio da Virgem. Por isso, este tabernáculo vivo – Maria Santíssima – é eternamente puro e sagrado.
Ao celebrar a festa da Imaculada Conceição, a Igreja convida-nos a refletir sobre nossa origem e nosso destino. Exemplar da humanidade perfeita, Maria recorda-nos o que seria o ser humano, não fora sua rebeldia contra Deus. Ela é a beleza divina presente na terra. Riqueza celestial temporizada. Maravilha infinita acessível aos mortais. Ternura sagrada estendida aos pecadores. Suprema misericórdia do Altíssimo revelada aos pequenos e imperfeitos. “Ó Maria concebida sem pecado, rogai por nós que recorremos a Vós!”

Paulo Guedes cancela viagem à Europa por recomendação médica

Futuro ministro da Economia de Jair Bolsonaro participaria de seminário na Espanha para apresentar a agenda econômica do próximo governo para investidores interessados no Brasil.

Paulo Guedes, futuro ministro da Economia do governo de Jair Bolsonaro — Foto: Adriano Machado/Reuters

O futuro ministro da Economia, Paulo Guedes, cancelou uma viagem que faria para a Espanha, nesta semana, por recomendação médica. Ele participaria de seminário para apresentar a agenda econômica do governo de Jair Bolsonaro (PSL) para investidores interessados no Brasil.

Paulo Guedes cancelou a ida ao encontro devido a uma infecção viral nas vias respiratórias, segundo informou a assessoria de imprensa do governo de transição.

O médico do futuro ministro recomendou repouso absoluto e desaconselhou viagens de avião nesta semana. Com isso, ele também não deve viajar a Brasília onde participa de reuniões semanais na sede do governo de transição, no Centro Cultural do Banco do Brasil (CCBB).

Na Espanha, Paulo Guedes faria palestra no evento “Grandes desafios da América Ibérica”, organizado em Madri pela Fundación Internacional para la Libertad, presidida pelo escritor Mário Vargas Llosa.

No seminário, está mantida a participação do futuro ministro da Justiça e Segurança Pública, Sérgio Moro. O ex-juiz fará palestra no painel “Brasil, principais alinhamentos do novo governo”, mediado por Vargas Llosa.

Crédito: Portal G1

Janaina Paschoal pode ter contas da campanha eleitoral reprovadas

Justiça recomenda desaprovação de contas da deputada estadual eleita Janaina Paschoal (PSL). Caso a reprovação seja confirmada, advogada poderá ser impedida de assumir uma cadeira na Assembleia Legislativa de São Paulo (Alesp)

Janaina Conceição Paschoal (reprodução)
Deputada estadual eleita com mais votos na história do Brasil, a advogada Janaina Paschoal teve a sua prestação de contas negada pela Justiça Eleitoral. O caso ainda será analisado por um relator, que decidirá se levará em frente a denúncia. Caso isso aconteça, ele poderá ser impedida de assumir uma cadeira na Assembleia Legislativa de São Paulo (Alesp).

Janaina Paschoal recebeu 2.060.786 votos nas eleições de 2018, ficando no primeiro lugar. A então candidata do PSL, mesmo partido de Jair Bolsonaro, teve mais de quatro vezes mais votos do que o segundo colocado, Arthur Mamãe Falei (DEM), que recebeu 478.280 votos.

Segundo a análise técnica da Seção de Contas Eleitorais, a advogada não entregou relatórios no prazo estipulado indicando a arrecadação de R$ 18,5 mil durante a sua campanha. Além disso, faltam documentos que provem a prestação de serviços de dois funcionários que, juntos, teriam recebido R$ 4 mil.

No site da Justiça Eleitoral consta que Janaina Paschoal recebeu, em sua campanha, R$ 65 mil. Valores que foram declarados como sendo R$ 58,5 mil de recursos próprios e outros R$ 6,6 mil vindo de doação do PRTB. O partido fez parte da coligação de Jair Bolsonaro e, inclusive, indicou o General Hamilton Mourão como vice e Rodrigo Tavares como candidato ao governo de São Paulo, mesmo estado pelo qual a advogada se elegeu.

Por meio de seu Twitter, a deputada eleita declarou que todo o dinheiro que usou na campanha é seu e que as pessoas que trabalharam no período eleitoral assinaram contratos que foram enviados ao escritório que fez a prestação de contas.

“Estranhei muito a informação de perda de prazo, pois tomei o cuidado de contratar especialistas em direito eleitoral. Já liguei para o advogado, que me assegurou que apresentou todos os documentos no prazo (…).Estou muito chateada. Fiz questão de não receber doações, nem públicas, nem privadas. Fiz uma campanha enxuta com recursos próprios. Fiz questão de contratar um escritório para fazer minha prestação de contas. (…). Para aqueles que estejam interessados, declaro que todos os documentos estão à disposição”, escreveu Janaina Paschoal.

A professora de direito penal da Universidade de São Paulo (USP) já declarou que pretende concorrer à presidência da Alesp em 2019 . Caso não consiga, gostaria de se tornar a líder do PSL na Assembleia.

A advogada ganhou fama por ser uma das autoras do pedido de impeachment da então presidente Dilma Rousseff em 2015. No ano seguinte, participou de debates e deu depoimento na comissão especial da Câmara que analisava o impedimento da petista na Presidência da República.

Janaina Paschoal se filiou ao PSL e chegou a receber convites para ser candidata a vice-presidente na chapa com Jair Bolsonaro, mas, alegando que não poderia deixar São Paulo pelos próximos quatro anos, preferiu lançar a candidatura a deputada estadual.

Créditos: Pragmatismo Politico

Ministério do Trabalho será dividido entre Justiça, Economia e Cidadania, diz Onyx

Futuro chefe da Casa Civil afirmou em entrevista que atual pasta deixará de existir no governo Bolsonaro. Segundo ele, Sérgio Moro será responsável pela concessão de cartas sindicais.

O ministro da transição e futuro ministro-chefe da Casa Civil, Onyx Lorenzoni (DEM-RS) — Foto: Fátima Meira/Futura Press/Estadão Conteúdo

Ministro que coordena a transição e futuro chefe da Casa Civil, Onyx Lorenzoni afirmou nesta segunda-feira (3) que o Ministério do Trabalho deixará de existir no governo de Jair Bolsonaro. A atual estrutura da pasta, segundo ele, será dividida entre os ministérios da Justiça, da Cidadania e da Economia.

Lorenzoni explicou o destino do Ministério do Trabalho durante entrevista à Rádio Gaúcha. Ele foi indagado se a pasta no formato atual desparecerá e confirmou a informação, mas ressaltou que as “funções” do Trabalho permanecerão em outros ministérios.

“O atual Ministério do Trabalho, como é conhecido, ele ficará uma parte no ministério do doutor Moro, outra parte com Osmar Terra e outra parte com Paulo Guedes”, disse.

Lorenzoni explicou a divisão do Ministério do Trabalho. A pasta da Justiça, comanda por Sérgio Moro, cuidará da concessão de cartas sindicais. É possível que a fiscalização do trabalho escravo também fique com Moro, disse.

De acordo com Lorenzoni, a estrutura que lida com políticas ligadas ao emprego ficará uma parte no Ministério da Economia, cujo titular será Paulo Guedes, e outra parte na pasta da Cidadania, com Osmar Terra de ministro.

Trabalho
O destino do Ministério do Trabalho teve idas e vindas desde a vitória de Bolsonaro na eleição presidencial. O presidente eleito afirmou que a pasta seria incorporada por outro ministério e, depois, voltou atrás ao declarar, no dia 13 de novembro, que a pasta manteria o status de ministério.

“O Trabalho vai continuar com status de ministério. Não vai ser secretaria, não. … Vai ser ministério disso, disso e Trabalho. É igual o Ministério da Indústria e Comércio, é tudo junto, está certo? O que vale é o status”, afirmou naquela data.

Com a posição apresentada por Lorenzoni, prevaleceu a primeira opção. Até o momento, Bolsonaro anunciou 20 ministros e deve definir nos próximos dias os titulares das pastas do Meio-Ambiente e dos Direitos Humanos.

Crédito: portal G1

General Girão voltando ao campo de batalha e de olho no executivo

O deputado federal eleito General Girão do PSL, partido do presidente Jair Bolsonaro, foi o federal mais votado na última em Parnamirim, obtendo 10.799 votos. Com o bom desempenho nas urnas do militar da reserva e gozando de prestígio no plano nacional, poderá pensar em disputar um cargo de prefeito. Entretanto, alguns observadores da política potiguar, vem comentando que o voo do General Girão não irá aterrissar na cidade trampolim da vitória em 2020, e sim no elefante velho de guerra em 2022. Para isso acontecer, dependerá de sua atuação no exercício do mandato para se credenciar a uma disputa e ainda contar com o apoio do amigo Bolsonaro na presidência, caso esteja bem avaliado, considerando um fracasso na gestão da governadora Fátima Bezerra. Muita coisa precisa acontecer e ainda teremos muito tempo pela frente.

Deputada Estadual Cristiane Dantas poderá disputar prefeitura de Parnamirim


Nos corredores do poder, comenta-se que a Deputada Cristiane Dantas poderá ser candidata a prefeita de Parnamirim com o apoio do solidariedade. Essa ideia ainda não está totalmente fechada, mas já faz parte das conversas reservadas do vice-governador Fábio Dantas que prefere não tornar público o seu projeto político pra 2020. Tudo está sendo milimetricamente sendo planejado e já contaria com o apoio do deputado Kelps Lima que indicaria o vice na chapa encabeçada por Cristiane. A maior dificuldade nesse momento é convencer a deputada sobre a viabilidade desse projeto e montar uma nominata pra eleger três vereadores: Paulão Jr, Pastor Alex e Binho de Ambrósio.

Na China, nudes são usados por jovens como garantia para empréstimos

FOTOS EXPÕEM AS PARTES ÍNTIMAS E PODEM DAR ORIGEM A CHANTAGENS (FOTO: REPRODUÇÃO/TOMONEWS US)

A popularização dos micro-empréstimos na China deu origem a hábitos de consumo preocupantes. Jovens têm utilizados o meio para comprar desde equipamentos caros até hambúrgueres, parcelando os itens por períodos que chegar a anos. No caso de alguns credores, a garantia exigida para o empréstimo são os chamados nudes, fotos que expõem partes íntimas e podem dar origem a chantagens.

Segundo uma reportagem da Vice, a prática se popularizou em empréstimos online e envolve a ameaça de que, caso o valor não seja pago, as fotos seriam enviadas a familiares e amigos da pessoa devedora. Muitos ainda passam exigir juros e coagem as vítimas a enviar mais imagens.

Em 2016, casos desse tipo resultaram no vazamento de 10 gigabytes de fotos de 161 jovens mulheres. As fotos mostravam as vítimas nuas segurando seus documentos de identificação. A maioria delas tinha de 19 a 23 anos de idade e havia emprestado quantias entre US$ 1 mil e US$ 2 mil (R$ 3,8 mil a R$ 7,7 mil), segundo a Vice.

Uma reportagem do jornal The Guardian, veiculada na época, aponta que as jovens eram estimuladas a enviar as imagens para receber quantias maiores de dinheiro emprestado. O valor podia chegar a ser de duas a cinco vezes maior.

Como forma de evitar os problemas em torno dos micro-empréstimos, a China passou a regular a atuação de firmas que oferecem esse tipo de serviço. Segundo uma reportagem da Reuters, uma das medidas envolve a proibição de que organizações e pessoas não licenciadas realizem empréstimos.

Já as firmas licenciadas passaram a ser proibidas de oferecer empréstimos para pessoas que não tenham fonte de renda, além de induzir que consumidores os solicitem em excesso.

Créditos: Época Negócios.  

Um dos maiores advogados do país, Antônio Carlos de Almeida e Castro, fala sobre a criminalização da política brasileira


“O combate à corrupção no Brasil criou uma criminalização da política”
Entrevista com um dos mais prestigiados advogados da elite política brasileira, António Carlos de Almeida e Castro, sobre a justiça no Brasil, Bolsonaro e o juiz que prendeu Lula e é o novo ministro da Justiça.
É dos mais conhecidos e ativos advogados brasileiros contra os excessos da “justiça-espetáculo” que tem dominado o seu país e que foi central nas últimas eleições presidenciais. António Carlos de Almeida e Castro – a quem até os mais ilustres magistrados do Supremo Tribunal tratam pelo pseudónimo Kakay – defendeu celebridades, senadores, ministros e até um vice-presidente da República. Declara que o combate à corrupção deve ser prioridade de todos os governos e avisa para os perigos da vitória de Jair Bolsonaro e da nomeação do juiz que prendeu Lula da Silva, Sérgio Moro, para ministro da Justiça.
Como advogado da chamada “elite” política brasileira – defendeu arguidos no processo Lava-Jato e mensalão, os mais conhecidos -, até que ponto responsabiliza as suspeitas de corrupção, que se generalizaram em relação aos políticos, pelos últimos resultados eleitorais?
O Brasil está a passar por um momento muito grave, mas também muito interessante. Vivemos nos últimos anos um momento punitivo preocupante. A Operação Lava-Jato é uma operação séria que trouxe muitas vantagens para o país porque descobriu um sistema capilarizado de corrupção que ninguém poderia imaginar. Nem os jornalistas de investigação, nem a Polícia Federal, nem o poder judiciário, nem os advogados.
No entanto, por outro lado, essa operação fez que vivêssemos um momento de espetacularização do processo penal brasileiro, o que caiu no gosto de grande parte da população. O combate à corrupção, que é algo que todos nós queremos, acabou por criar uma divisão no país.
Uma pessoa como eu, por exemplo, que sou advogado criminal e atuo no Supremo Tribunal Federal há 35 anos, onde advoguei em grandes causas, evidentemente apoio a Operação Lava-Jato. Contudo, ao perceber que existiam muitos excessos que, de certa forma, aprofundavam esse momento punitivo, vi-me obrigado a começar a fazer o debate sobre esses excessos.
Viajo por todo o Brasil há três anos, vou às mais diversas cidades para fazer esse debate. Veja bem, na Operação Lava-Jato fizeram uma divisão maniqueísta da sociedade. Quem tem a ousadia de criticar os excessos da Lava-Jato é tachado como se fosse contrário ao combate à corrupção.
Metade do país parece achar que o PT é um partido que organiza a corrupção, enquanto outra metade parece achar que a justiça foi instrumentalizada politicamente para prender Lula. A verdade está no meio destas duas posições?
Em certa parte, sim. Há duas questões a ter em conta: esse combate à corrupção criou uma criminalização da política como um todo. Não só do PT (Partido dos Trabalhadores). Começou a existir uma sedimentação na sociedade por parte de alguns formadores de opinião – organizada, nada foi por acaso – para criminalizar a política. Aquele que fazia política, mesmo que não tivesse sido processado, passou a ser malvisto na sociedade.
Recentemente, como advogado de senadores da República, consegui que quatro denúncias contra senadores não dessem início a processos criminais no Supremo Tribunal Federal, exatamente porque não haviam provas. Só havia a palavra dos delatores. E é claro que só a palavra dos delatores não serve de prova. Esta é uma questão que o Supremo Tribunal vai ter de decidir. Quando essa criminalização ficou capilarizada na sociedade, parte da população fez um jogo maniqueísta, no qual o Partido dos Trabalhadores (PT), o Partido da Social-Democracia Brasileira (PSDB), o Partido Progressista (PP) e outros eram retratados como partidos da corrupção, em diferentes graus de exposição nos media. Com muito mais ênfase para a criminalização do Partido dos Trabalhadores.
Com isso, começou a surgir um movimento daquilo que pretensamente representava o “novo”, ou seja, o que não era político. Por exemplo, em Minas Gerais, que é um estado muito tradicional do Brasil, de onde saíram vários presidentes da República, foi eleito um governador que nunca teve qualquer atividade política. O discurso dele era “eu não sou político!”.
Como resultado temos como presidente da República um cidadão que, embora fosse um político antigo (no 7.º mandato como deputado federal), era um político medíocre. Ele capitalizou com essa nova tendência e com um discurso que nunca ninguém podia imaginar nos dias de hoje que fosse aceite numa sociedade democrática. Ele é contra as mulheres, contra os negros, contra os direitos, contra a imprensa, a favor da tortura e uma série de outras barbáries. Ele conseguiu polarizar o discurso antipolíticos, claramente ajudado pelos efeitos da Lava-Jato.
Vive-se um momento de enfraquecimento da política. Isso é muito perigoso, pois todo o sistema democrático passa pelo fortalecimento da política e não o contrário.
“Vive-se um momento de enfraquecimento da política. Isso é muito perigoso pois todo o sistema democrático passa pelo fortalecimento da política e não o contrário”
O sistema judicial brasileiro parece depender dos testemunhos de implicados que negoceiam uma redução das suas penas em troca de depoimentos acusatórios para outros. Concorda?
Exatamente isso. A delação premiada é um instrumento importante em qualquer sistema judicial, mas no Brasil ela foi completamente deturpada. Faz lembrar a Itália. Quem fala na Operação Mãos Limpas como tendo sido o que inspirou o juiz Sérgio Moro na Lava-Jato é porque não conhece o que aconteceu no final da história na Itália. Houve 33 suicídios de pessoas envolvidas na operação, por se sentirem injustiçadas. E, no final, desnudou-se que grupos faziam delações para acabar com outros grupos criminosos. Na realidade, no Brasil de hoje vive-se um fortalecimento exagerado do poder judiciário.
E porque isso aconteceu?
Porque temos um poder legislativo muito fraco. Os principais líderes estão sendo investigados. É claro que ninguém está acima da lei e todos os indícios de ilegalidade têm de ser investigados independentemente de quem os tenha praticado.
Ocorre que estas investigações no Brasil se dão sem um prazo razoável, por um tempo indeterminado. Por isso, o poder legislativo sangrou, não tendo atualmente a força que seria necessária para um equilíbrio entre os poderes.
Temos também um poder executivo extremamente fragilizado, com o atual presidente, Michel Temer, absolutamente desacreditado na sua interação com a sociedade. Como não existe vácuo de poder, passámos a ter um superpoder judiciário. Um poder judiciário ativista.
“Como não existe vácuo de poder, passamos a ter um super Poder Judiciário. Um Poder Judiciário ativista”
Não é só o juiz Sérgio Moro ou o juiz Marcelo Bretas. É o Supremo Tribunal Federal, inclusive ministros do próprio tribunal. Vivemos hoje uma era do judiciário, o que é extremamente negativo para o país. E isso levou a esta utilização indevida, a uma manipulação que chegou ao ponto de, nas últimas eleições, fazer vencer um cidadão que não tem projeto nenhum para o Brasil.
O processo concreto contra Lula foi bem conduzido, na sua opinião?
Uma coisa eu posso garantir: todos os cidadãos num Estado democrático têm o direito de ser julgados por um juiz natural, definido de acordo com as competências, antes de o crime ser cometido. O princípio do juiz natural garante que ninguém será processado nem sentenciado senão pela autoridade competente, de forma que o acusado seja submetido a um processo e um julgamento por órgão do judiciário que seja previamente estabelecido e imparcial. No caso do Lula, é óbvio que o Moro não era o juiz natural.
O crime imputado foi em Guarujá – São Paulo. No entanto, Moro avocou o processo para si. Este facto é uma nulidade evidente. É claro que Lula não podia ter sido julgado por Sérgio Moro. Moro julgava-se à época um juiz de jurisdição nacional, podendo julgar todos os casos que achasse importantes.
Há cerca de mês e meio, numa entrevista que deu, Sérgio Moro disse que jamais entraria para a política porque, se isso acontecesse, ele estaria a comprovar que tinha sido parcial no julgamento. No entanto, acaba de assumir definitivamente seu lado político e aceitou ser ministro da Justiça do futuro governo que ele ajudou, como juiz, a ser eleito.
Já vamos a essa questão… Antes, só para terminar em relação a estes grandes processos, diga-me o que é que o mensalão e a Lava-Jato mudaram no Brasil?
Existe uma pretensão por parte do Supremo Tribunal Federal, do poder judiciário, de dizer que a Lava-Jato e o mensalão mudaram o Brasil. Isso não é de todo verdade. O poder judiciário do Brasil não é um ou dois processos. A justiça brasileira é hoje ineficiente.
Temos uma população de 200 milhões de pessoas e a grande maioria não tem sequer acesso à justiça. Esses processos espetaculares não mudam em nada a vida do cidadão comum. É uma falácia dizer que esses grandes processos mediáticos, de espetacularização massiva, mudam o judiciário. Não é verdade.
Por outro lado, ao condenar pessoas de poder, como aconteceu no mensalão, dá-se de certa forma um recado para a sociedade. O problema é que, ao dar esse recado, isto muitas vezes é feito à revelia de garantias constitucionais e individuais. Nós não tivemos um aprimoramento das instituições judiciais e democráticas com esses processos, o que seria o ideal. Pelo contrário.
“Nas Operações como o Mensalão e a Lava Jato, para se chegar à detenção de algumas pessoas mais poderosas, a sociedade começou a aceitar que fossem afastados os direitos constitucionais”
Nas operações como o mensalão e a Lava-Jato, para se chegar à detenção de algumas pessoas mais poderosas, a sociedade começou a aceitar que fossem afastados os direitos constitucionais. O mensalão teve um efeito muito forte, sobretudo quando prendeu o ex-ministro José Dirceu, mas não se tinha chegado ao presidente Lula da Silva. Agora chegaram ao Lula, pisando também regras constitucionais, e prenderam-no, porque, se ele estivesse solto, ganharia as eleições presidenciais.
E a justiça acabou por ser central na campanha…
Esse é o ponto central de tudo. Quando perguntaram, na entrevista que já referi, ao juiz Moro qual tinha sido a importância da Lava-Jato nas eleições, ele reconheceu que tinha sido fundamental. Como já disse, vivemos uma época de instrumentalização do judiciário.
O Brasil parou com esse processo; o Brasil está judicializado. Criminalizaram a política, criminalizaram a advocacia e conseguiram dividir o Brasil de uma forma que nunca imaginei. O candidato que se aproveitou desse momento é alguém que prega a violência, o uso de armas, a barbárie.
“Criminalizaram a política, criminalizaram a advocacia e conseguiram dividir o Brasil de uma forma que nunca imaginei”
Ficou surpreendido com a escolha de Sérgio Moro para ministro da Justiça?
Sérgio Moro tem competência intelectual para ser ministro da Justiça. Mas o facto de ele ter aceitado e ter sido consultado ainda antes das eleições, quando era juiz no ativo, foi um tapa na cara do poder judiciário. Representou um descrédito absoluto para o judiciário.
Ele chegou a dizer antes que, “se aceitasse um cargo político, estaria a dizer às pessoas que fui parcial”. E agora aceita esse cargo e vira ministro. Mas há uma coisa que muitas pessoas no Brasil ainda não perceberam: é que, apesar de Moro ter sido um juiz duro que, na minha opinião, cometeu uma série de excessos na Lava-Jato, ele é muito mais qualificado do que o próprio presidente Bolsonaro.
Acaba por ser o lado mais competente e moderado do governo, não?
Sem dúvida. E, do meu ponto de vista, por isso mesmo, não deverá durar muito no governo. Primeiro porque ele deveria já ter sido exonerado como juiz desde o primeiro momento em que aceitou ser ministro, porque é proibido a acumulação destas funções e ele à época pediu apenas o afastamento. Só veio recentemente a formalizar a sua exoneração pela forte resistência que encontrou em muitos setores da sociedade. Outro facto relevante é que, nas suas últimas declarações, ele já veio contrariar uma série de posições do presidente. Por exemplo, enquanto o presidente quer que toda a gente possa ter porte de arma de forma indiscriminada, Moro limita esse direito a ter a arma apenas à casa de cada um. Bolsonaro quer criminalizar movimentos sociais, Moro é contra.
Quando foi questionado recentemente pela jornalista sobre o que aconteceria se houvesse um embate entre ele e o presidente, Moro disse que era subordinado ao presidente e que teria de se demitir. Infelizmente, acho que isso ocorrerá em algum momento. Quando a criatura supera o criador em algumas coisas, há naturalmente conflito. Para o bem e para o mal, eu acho que vai ser uma convivência difícil.
Mas Moro pode fazer alguma coisa de positivo no governo, apesar de tudo?
O governo ainda não está em funções (só a 1 de janeiro). Moro sempre foi muito rigoroso com os políticos, mas veja-se, por exemplo, esta situação recente: foi nomeado para seu colega de governo, para a Casa Civil, o deputado federal Onyx Lorenzoni, que foi acusado e admitiu ter recebido “caixa dois” (dinheiro ilegal para campanhas eleitorais, facto pelo qual o Moro, enquanto juiz, determinou a prisão de vários políticos). Perante isto, o que disse Moro? Que Lorenzoni tinha admitido e pedido desculpa. Ele “criou” um novo tipo de extinção de punibilidade no processo penal brasileiro, que é o pedido de desculpas. A próxima vez que eu levar um cliente para depor perante o judiciário brasileiro, acusado de “caixa dois”, ele vai pedir desculpas. Sérgio Moro vai começar a ter de colocar os pés no chão e ver a realidade da planície como ela é e não como o juiz todo-poderoso.
“Sérgio Moro vai começar a ter que colocar os pés no chão e ver a realidade da planície como ela é e não como o juiz todo-poderoso”
Acha que ele vai ser melhor político do que juiz?
Eu acho que ele não era um bom juiz, pois, embora preparado, era muito parcial. Penso porém que ele não reúne as condições essenciais para ser político. Em recente entrevista nesta semana no programa televisivo Fantástico, ele esteve muito mal. Dá para perceber que ele não está habituado a ser pressionado. Está habituado a determinar, a mandar. Espero, para o bem do país, que ele seja um bom político, mas pela experiência que já tive com ele como advogado algo me diz que não será. Acho que não terá paciência para enfrentar o delicado jogo da política. Ele até já disse uma coisa incrível: que não tinha aceitado um cargo politico, mas sim um cargo “predominantemente técnico”. Ora, o Ministério da Justiça é o ministério número um do país. Talvez seja o cargo mais político da República. Por exemplo, Renan Calheiros (do MDB) pode vir a ser o próximo presidente do Senado e ele tem 16 processos da Lava-Jato. Mas Moro vai ter de ter relacionamento institucional com ele. Mas o que acho pior é que as propostas que Sérgio Moro pretende levar enquanto ministro da Justiça para discussão no Congresso Nacional são ideias de profundo retrocesso do processo penal. Será um desastre para a sociedade e para a civilização.
“as propostas que Sérgio Moro pretende levar enquanto ministro da Justiça para discussão no Congresso Nacional são ideias de profundo retrocesso do Processo Penal. Será um desastre para a sociedade e para a civilização”
Querem, por exemplo, alterar a Lei de Execução Penal. O Brasil tem uma lei muito boa, que prevê, entre outras coisas, a progressão da pena, ou seja, se o recluso tiver bom comportamento, fizer formação, a sua pena pode ser reduzida ou passar de um regime fechado para um aberto. Isso é um avanço na sociedade, que existe em muitos países democráticos.
Agora querem acabar com isso. São admiradores do sistema americano, que é um dos piores do mundo. O Brasil tem a terceira maior população de reclusos do mundo: 750 mil presos em condições sub-humanas.
Recentemente, advogados de Portugal – com os quais tenho a honra de trabalhar – conseguiram uma liminar em habeas corpus, perante o Tribunal Europeu de Direitos Humanos, para impedir a extradição para o Brasil de um cidadão português devido à miserabilidade dos presídios brasileiros. Uma vergonha para o Estado brasileiro.
Além disso, temos mais de 300 mil mandados de prisão por executar e, se forem cumpridos, teremos mais de um milhão de pessoas presas. No judiciário do Moro, a prisão é feita para investigação, antes da sentença, antes da culpa formada, como última ratio.
O Supremo Tribunal Federal ainda teve a ousadia de afastar o princípio constitucional da presunção de inocência, um direito insculpido na Constituição Federal do Brasil, na qual expressamente está dito que a prisão só pode dar-se após o trânsito em julgado. O que me preocupa é essa tendência de retrocesso do processo penal, que será a possível gestão de Sérgio Moro alinhada às ideias do presidente eleito.
Moro não vai travar esse retrocesso?
Ele diz que não concorda com alguns dos retrocessos propostos pelo presidente eleito mas esquece que não pode estabelecer isso por decreto. Terá de dialogar com a sociedade brasileira, com o Congresso Nacional. Algumas dessas medidas terão de passar por mudanças constitucionais.
Há instituições que podem impedir ou condicionar a ação de Bolsonaro, certo? Ninguém tem o poder absoluto…
Quem está habituado a, com uma caneta, mandar cumprir, mandar fazer, mandar prender, não tem ideia do que é ter de conversar com o Congresso para fazer passar certas medidas. Quando se discute, por exemplo, a diminuição da maioridade penal de 18 para 16 anos, é preciso mudar a Constituição, e para isso é necessária uma maioria no Congresso. Tem de se negociar. Aí vai começar a doer. As pessoas vão ver que não se pode mudar as coisas de forma miraculosa da noite para o dia. Estas eleições dividiram o Brasil de uma forma muito violenta. Até agora não se conhece nenhum nome para o governo que dê um sinal de credibilidade. Moro é o único “grande nome”. Uma pessoa séria, preparada, mas que não vai poder fazer as “maldades” que diz que vai fazer apenas com a caneta de juiz. Vai ter de conversar com a sociedade brasileira…
“Até agora não se conhece nenhum nome para o governo que dê um sinal de credibilidade. Moro é o único “grande nome””
Mas foi essa sociedade que votou maioritariamente em Bolsonaro, alguém que disse coisas como negros “não fazem nada” e não servem “nem para procriar”, só mulheres bonitas “merecem” ser violadas, o principal erro da ditadura no Brasil “foi torturar e não matar”, “filhos? Antes mortos que gays”… É isto que as pessoas querem mesmo?
O pior é que ele não mentiu quando disse isso. Não escondeu quando disse que era fascista, racista, que não gostava de homossexuais, que apoiava a tortura. A sociedade votou nele sabendo o que ele defendia. Mas eu não acredito que a sociedade brasileira, na sua maioria, defenda, de facto, estas ideias. A sociedade brasileira fez um voto de protesto. Um protesto contra os políticos, contra a corrupção, contra o Partido dos Trabalhadores (PT), relacionado com a Lava-Jato. Foi uma onda. Mas, quando as coisas começarem a ser colocadas para discussão, acredito que não apoiem todas as ideias de Bolsonaro. Por exemplo, como ele disse na campanha, colocar armas nas mãos de crianças – afirmou que o filho dele pegava em armas desde os 5 anos – pregando terror não vai ser bem recebido pela sociedade. Qual é a mãe que vai deixar o filho ter uma arma aos 5 anos? A executar o que este governo prometeu na campanha vão ser fechadas todas as livrarias do país. Será um momento de obscurantismo. Como cidadãos resta-nos resistir.
A que líder internacional compara Bolsonaro?
Não há comparação. Não existe ninguém atrasado como ele. Para se ter uma ideia, recentemente a Marine Le Pen veio criticá-lo, como sendo muito à direita. Isso diz tudo.
Em Portugal tomou posse recentemente a nova procuradora-geral da República, Lucília Gago, que anunciou como principal prioridade o combate à corrupção. Como vê a realidade portuguesa?
Quando se olha para o Brasil, com a repercussão que tem em Portugal pela afinidade entre os dois países, e se vê um fenómeno de proposta de combate à corrupção crescer ao ponto de eleger presidente da República um obscuro deputado federal sem proposta nenhuma, é óbvio que isso começa a dar os seus frutos. O combate à corrupção tem de ser a prioridade de qualquer governo, mas jamais esse combate pode ser a única prioridade. E sempre o combate tem de ser feito respeitando os princípios das garantias constitucionais.
“O combate à corrupção tem que ser a prioridade de qualquer governo, mas jamais esse combate pode ser a única prioridade”
Como advogado, não posso permitir que esse enfrentamento possa ser feito passando por cima dos direitos e das garantias individuais. Eu defendo o combate à corrupção tanto quanto aqueles que fazem parte da equipa da Operação Lava-Jato. Mas quero que isso ocorra dentro da preservação dos direitos e com respeito à Constituição Federal. Se fizermos dessa forma, pode até demorar um pouco mais, mas no final sairemos como um país mais justo e mais solidário. Caso contrário, seremos um país obscurantista.
E é essa a tendência?
Sim. Podemos ter um retrocesso de cem anos nas garantias que conquistámos. E não fomos só nós, brasileiros. Foi também na Europa, foi toda uma geração. Mas eu acredito que a sociedade brasileira vai acordar, e mais cedo do que se pode pensar. Quando começar a notar que esses arroubos contra os direitos constituídos das minorias não era só uma questão de campanha, mas que realmente vão tentar introduzir esses retrocessos, duvido que a sociedade brasileira se veja representada.
E se acontecer mesmo?
Se isso acontecer, sempre nos resta Portugal… Entretanto, vamos continuar a trabalhar para que o país não tenha um retrocesso nas garantias dos cidadãos. Temos, felizmente, um poder judiciário estável e será o próprio sistema a verificar que os abusos estão a instalar-se. O atual presidente do Supremo Tribunal Federal já disse que está na hora de o poder judiciário deixar de ter protagonismo.
E tem mais sinais desse género de que o poder judiciário pretende colocar algum tipo de travão ao seu protagonismo dos últimos tempos?
Tenho conversado com muitas pessoas e elas acreditam que o poder judiciário brasileiro não vai permitir que os abusos se consolidem. Eu confio nisso. Eu tenho de confiar no Brasil, senão, repito, resta-nos Portugal!
Só para terminar, não resisto a perguntar: de onde veio o pseudónimo Kakay?
[risos] Para mim é mesmo um nome. Todo o mundo me trata por Kakay, até no Supremo Tribunal. Foi a primeira palavra que disse em menino. Perguntavam-me como me chamava e eu dizia Kakay. Ficou para sempre. Tem gente que até me diz que devia incorporar no nome.

PARNAMIRIM: Reforço político visando a eleição de 2020

Depois de sair fortalecido com a maior votação para deputado estadual, o vereador Abidene assumirá a secretaria de articulação política na gestão de Taveira. Ele também comemora um bom resultado no campo político, nas últimas eleições, quando conseguiu derrotar seus principais adversários, o ex-prefeito Maurício Marques e o deputado Carlos Maia que não conseguiu se reeleger.
A missão do novo articulador é unir as novas forças políticas e claro se fortalecer ainda mais no processo sucessório em Parnamirim. Com a ida de Abidene para o executivo, o mandato de vereador volta a ser ocupado pelo suplente, Leo Lima, garantindo assim, o apoio político e administrativo à gestão de Taveira.

O MANIQUEÍSMO NO BRASIL DE HOJE

Padre João Medeiros Filho

É bem conhecida a frase latina “nihil novi sub sole” (nada de novo debaixo do sol), encontrada no Livro do Eclesiastes (Ecl 1, 10). Poderia ser aplicada ao momento atual da sociedade brasileira. As eleições terminaram, mas os confrontos verbais e as polarizações continuam. Parece que ainda se vive em plena campanha eleitoral, que dividiu os brasileiros entre bons (“os do meu lado”) e maus (“os do outro lado”). As radicalizações não são novidade. Como as ondas do mar que vão e vêm, ideias e comportamentos humanos se repetem, ao longo dos séculos. O quadro sócio-político do Brasil de hoje reveste-se de um novo estilo de maniqueísmo. Verifica-se uma análise simplista e radical da realidade. O país cindiu-se em duas vertentes intransigentes. Para os adeptos de “X”, o que vem de outros é ruim, inaceitável e imprestável. Para os partidários de “Y”, aquilo que provém de “X” é nocivo, desprezível, retrógrado, devendo ser descartado.
A sociedade vive um dilema, próprio do maniqueísmo. Este se fundamenta na concepção filosófico-religiosa, originada na antiga Pérsia, amplamente difundida no Império Romano, nos séculos III e IV. Consiste basicamente em afirmar a existência de um conflito intransponível entre os reinos da luz (o Bem) e das trevas (o Mal). Ao ser humano caberia o dever de ajudar a vitória do Bem, por meio de práticas ascéticas. O propagador de tal doutrina foi Mani (Maniqueu ou Manes), nascido em 216 d. C. Defendia um dualismo antagônico. Segundo ele, há uma oposição permanente entre claridade e sombras. Suas ideias tiveram profunda influência em sua época, a tal ponto de Santo Agostinho, antes de sua conversão, tê-las adotado. Posteriormente, o bispo de Hipona opôs-se a tal pensamento. No século XII, o maniqueísmo voltou à tona. Desta vez, na França. Os novos maniqueus pertenciam às seitas dos cátaros ou albigenses.
Periodicamente, as teorias maniqueístas emergem aqui e ali, como concepção de vida ou prática social. Atualmente ressurge em partidos políticos, alimentados por uma ideologia marcadamente intolerante. Divide-se o Brasil pós-eleitoral em dois grupos semelhantes ao óleo e à água. Encontram-se, mas não se misturam. O oponente político é visto não como adversário, mas como um inimigo perigoso, que deve ser eliminado, a todo custo. Quem está do outro lado só tem defeitos, é mau e por isso necessita ser exterminado a qualquer preço. O outro é um demônio ou o inferno. “L´enfer c´est les autres” (o inferno são os outros), afirmava Sartre. Para os maniqueus do Brasil atual, apenas a sua maneira de pensar é certa e sábia, mesmo que muitas vezes se contradiga e apresente uma pletora de sofismas e inverdades. Os partidários são corretos, infalíveis e intocáveis. A sociedade fica, então, dividida. E o pior: quanto mais o outro (o inimigo a ser aniquilado) fracassar, melhor, pois, então, será a prova ou o triunfo de “seu bem e sua verdade”. O amor à pátria torna-se algo diluído, distante, relegado a um plano inferior.
Muitos são contraditórios e ilógicos, pondo nos lábios um pseudodiscurso democrata. A intransigência é a primeira e grande negação da democracia. Têm-se aversão e dificuldade em aceitar e conviver com quem pensa de modo diverso. Inconscientemente, almeja-se uma sociedade em que todos teriam o mesmo partido político, idêntica religião, igual time de futebol e modo de pensar. Os sistemas totalitários, tanto de direita, quanto de esquerda, alimentam-se dessa utopia. Desconhecem o ensinamento cristão, contido na Primeira Epístola de Paulo aos Coríntios (1Cor 12, 1ss).
Viver é conviver. “Homem algum é uma ilha”, escreveu Thomas Merton. O diferente amplia a visão, levando o ser humano a um melhor autoconhecimento. Conviver é respeitar, ter a capacidade de ouvir para se enriquecer com outras maneiras de pensar e ver o mundo. Quão monótona e deprimente seria uma sociedade formada de robôs! Os dias atuais estão mostrando que o maniqueísmo continua vivo e atuante. E, como todo “ismo”, tende a ser ideológico e empobrecedor. O Brasil, que se diz cristão, parece ignorar as palavras do Senhor: “Bem-aventurados os pés dos mensageiros que anunciam a paz” (Is 52, 7).