Divulgado valor da herança que Rita Lee deixou

Divulgado valor da herança que Rita Lee deixou 

Foto: Reprodução/Instagram

Cantora faleceu na semana passada, em virtude de um câncer no pulmão

Algo entre R$ 20 milhões e R$ 30 milhões. Esse é o valor da herança deixada pela cantora Rita Lee aos três filhos e ao marido, Roberto de Carvalho. O portal R7 divulgou a informação nesta quinta-feira, 15, com base em estimativas do blog Jornal do Bolsão.

A cantora morreu na semana passada, aos 75 anos de idade, em virtude de um câncer no pulmão. O corpo foi cremado — um desejo dela.

Em uma de suas últimas postagens no Instagram, a cantora publicou uma imagem das unhas pintadas durante o Carnaval. “Em clima de folia”, escreveu na legenda.

Rita Lee, ícone do rock brasileiro

rita lee - instagram
Rita Lee tinha 75 anos de idade | Foto: Reprodução/Instagram

Ela nasceu no bairro da Vila Mariana, em São Paulo, em 31 de dezembro de 1947. Ao lado de Arnaldo Baptista e Sérgio Dias, fundou em 1966 a banda psicodélica Os Mutantes, que revolucionou o rock nacional. No ano seguinte, a banda acompanhou Gilberto Gil no III Festival de Música Popular Brasileira da TV Record, na apresentação da canção Domingo no Parque. Passou a ser aceita pela elite da MPB e foi convidada a participar do disco Tropicália.

Depois dos Mutantes, Rita iniciou um período solo. Mas uma de suas fases mais lembradas foi quando participou da banda Tutti-Frutti, com a qual lançou dois álbuns clássicos da história do rock brasileiro: Atrás do Porto Tem uma Cidade (1974) e Fruto Proibido (1975).

A terceira fase da sua carreira começou em 1976, quando se casou com o também músico Roberto de Carvalho, com quem produziu e gravou alguns de seus maiores sucessos, como Lança PerfumeBaila ComigoOvelha NegraMania de VocêFlagra e Doce Vampiro. Em 2000, teve a carreira renovada com uma fase ligada à bossa nova, em um de seus discos só com versões de músicas dos Beatles.

Fonte: Terra Brasil notícias

Petrobras confirma discussão sobre nova política de preços

Petrobras confirma discussão sobre nova política de preços

“Nesse sentido, a Companhia esclarece que eventuais mudanças estarão pautadas em estudos técnicos, em observância às práticas de governança e os procedimentos internos aplicáveis”,acrescentou.

Na sexta-feira, o presidente da Petrobras, Jean Paul Prates, disse que anunciaria em breve a nova estratégia da estatal para a precificação de combustíveis, com um patamar abaixo do chamado preço de paridade internacional.

O modelo, segundo Prates, terá variações por região e cliente e levará em consideração, por exemplo, o volume comprado e o local de entrega.

Questionado sobre o novo critério, ele afirmou que será o de “estabilidade versus volatilidade”.O formato, ainda de acordo com o petista, deverá evitar a estagnação de preços e o que ele chamou de “maratona” de reajustes.

Fonte: o antagonista

Rita Lee: amor é prosa, sexo é poesia

Quando eu era menino, lá no interior de Minas Gerais, a vida corria lenta e modorrenta como os córregos de água barrenta onde a gente pescava bagres e piabas. Não havia muito o que fazer, salvo viver. Sem televisão, sem celular e sem internet. Na fazenda, sem luz elétrica, a gente exercitava a convivência, a conversa fácil e as brincadeiras de rua. Para fazer um interurbano, era necessário solicitá-lo à telefonista pela manhã e ir para a sede da telefônica à tarde esperar a ligação ser completada.

Na literatura, especialmente na poesia, que conseguíamos viajar. O mundo nos era apresentado por escrito e, através dos poetas, conhecíamos além dos limites da minha Patos de Minas. Lembro-me de conhecer o mar aos 13 anos e do espanto existencial que senti ao deparar-me com aquele mundo d’água. Era fácil ser feliz e a gente sabia.

Uma vez por semana, tinha uma festa no Patos Social Clube, a “hora dançante”. O clube chique da cidade. Todo mundo vendo todo mundo. Era uma sala pequena e, para chamar uma menina para dançar, tinha que ter muita confiança. Todos acompanhavam. Se ela refugasse, a cidade inteira saberia. Penso que foi ali que eu peguei segurança para falar em público e para assumir a tribuna do Plenário do Supremo Tribunal. Aquela adrenalina de atravessar a pista e convidar a menina forjou, de maneira indelével, o homem que eu virei.

A gente achava o máximo o globo que levava as luzes (disco ball) para todos os cantos do pequeno salão, que julgávamos enorme. Voltei lá, anos depois, e custei a crer que era naquele espaço mínimo que nós nos sentíamos donos do mundo. Não havia, na nossa imaginação, nenhum clube em Paris que pudesse competir com aquele ambiente mágico. A cidade só tinha um prédio, o Alvorada, com 6 andares e o único elevador. As duas pessoas mais importantes eram os porteiros do Clube Social e do Edifício Alvorada. Andar de elevador era sinal de status.

Certa vez, quis impressionar uma menina linda, de São Paulo, que passava férias por lá. Ela não gostava de poesia e recitar era o meu único charme. Sem carro e sem grana, tinha que ser criativo. Convenci o porteiro a deixá-la subir comigo até o 6º andar de elevador. “Será fatal e irresistível”, pensei. Quando entramos e eu fechei a porta pantográfica, notei que ela não estava impressionada. Fiz a pergunta que deveria ter feito antes: “Você mora em casa ou apartamento.” E ela, “Apartamento”. Gelei, “Qual andar?”, ela foi cruel, “27º”. A sorte é que o elevador era lento e deu tempo de pensar em uma história para encantá-la mostrando a vista da cidade. Acabou dando certo. Afinal, como nos ensinou Rita Lee: “Sexo é imaginação, fantasia. Amor é prosa. Sexo é poesia”.

 

Em toda “hora dançante”, havia um conjunto que tocava. O melhor era “Os Asteroides”, cujo cantor, Cláudio, tinha uma voz linda. Ele sempre começava a noite e, às vezes, acabava com uma música que nos levava a sonhar: “Dizem que sou louco por pensar assim. Se eu sou muito louco por eu ser feliz. Mas louco é quem me diz. E não é feliz, eu sou feliz”.

A gente entoava juntos a plenos pulmões. A cidade não tinha nenhum psiquiatra e a juventude gritando no clube que era feliz! Era lindo. Rita Lee curava a todos nós.

Depois ela continuou conosco, vida afora, falando de querer ser índio pintado de verde, cheirando lança perfume, afrontando a caretice e dizendo que era bom fazer a companheira ficar louca, muito louca dentro dela. Toda leveza da insubordinação que nos fazia sair da mesmice e admirar aquelas ousadias que faziam um bem danado para quem achava que, ao contrário do que ela cantava, o melhor era “ser o normal”. E até mesmo nos levar a acreditar que “eu posso pensar que Deus sou eu”. Só de fazer o questionamento sobre o que era ser “normal”, já valeram as sessões de análise que mais tarde me levariam a Éric Laurent em Paris.

Por isso, escrevo para dizer: obrigado, Rita Lee! O tempo passou, vieram a internet, o telefone celular, as televisões 24 horas, a política, o trabalho, os casamentos, os filhos e eu quase tinha me esquecido que te amava tanto.

Homenageando você, “meu sonho é ser imortal, meu amor”. Você é.

Antônio Carlos de Almeida Castro, o Kakay, tem 65 anos. Nasceu em Patos de Minas (MG) e cursou direito na UnB, em Brasília. É advogado criminal e já defendeu 4 ex-presidentes da República, 80 governadores, dezenas de congressistas e ministros de Estado. Além de grandes empreiteiras e banqueiros. Escreve para o Poder360 às sextas-feiras.

nota do editor: os textos, fotos, vídeos, tabelas e outros materiais iconográficos publicados no espaço “opinião” não refletem necessariamente o pensamento do Poder360, sendo de total responsabilidade do(s) autor(es) as informações, juízos de valor e conceitos divulgados.

Prefeito Allyson anuncia agenda de entregas, obras e serviços para o mês de maio

O prefeito de Mossoró, Allyson Bezerra, anunciou nessa segunda-feira (08), uma agenda de entregas, obras e serviços para o mês de maio. O assunto foi tema da live nas redes sociais do prefeito na noite de hoje e contempla área da infraestrutura, saúde, assistência social e outras.

Já para esta semana, Allyson anunciou o lançamento do projeto “Jovem do Futuro”, que vai ofertar para jovens mossoroenses formação cidadã. O evento acontecerá na quarta-feira, dia 10, às 9h, no Teatro Municipal Dix-Huit Rosado.

Além disso, acontecerá às 16h desta terça-feira, dia 9, a entrega da reforma da Unidade Básica de Saúde Dr. Sueldo Câmara, no Aeroporto.

Aproveitando a oportunidade, o gestor anunciou mais uma atração do Mossoró Cidade Junina 2023. É a dupla Iguinho e Lulinha, que se apresentará na Estação das Artes no dia 15 de junho.

Confira Agenda de Entregas – Maio/2023:

TERÇA – 09/05:

ASSINATURA DO DECRETO FALA MOSSORÓ
9h, Auditório da Estação das Artes.

ENTREGA REFORMA UBS SUELDO CÂMARA, 16h, Aeroporto 2.

QUARTA – 10/05 LANÇAMENTO PROGRAMA JOVEM DO FUTURO, 9h.
Teatro Municipal Dix-Huit.

QUINTA – 11/05, ENTREGA DA REFORMA UBS DO JUCURI, 16h.
Comunidade do Jucuri. SEGUNDA – 15/05. ASSINATURA DO EDITAL DE FOMENTO INSTITUIÇÕES SOCIAIS E ENTIDADES, 9h, Auditório Estação das Artes. TERÇA -16/05, LANÇAMENTO DO PROGRAMA VIAJAR NA MELHOR IDADE (Entrega de Micro-ônibus), 14h, Auditório da Estação das Artes. ENTREGA DA REFORMA UBS AGNALDO PEREIRA – VINGT ROSADO, 15h, VINGT ROSADO.

QUARTA – 17/05, ASSINATURA DO TERMO DE COLABORAÇÃO COM ASMOR (Associação de Surdos de Mossoró), 11h, ASMOR.

QUINTA – 18/05, LANÇAMENTO DA PREMIAÇÃO IDEB – 2023, 9h, Teatro Municipal Dix-Huit, SEXTA – 19/05.

ENTREGA DE COLETES E ANÚNCIOS PARA A CATEGORIA DE MOTOTÁXI, 8h, Parque Municipal.

ASSINATURA DO TERMO DE COLABORAÇÃO COM APAE, 10h, APAE.
DOMINGO – 21/05, LANÇAMENTO DO PROGRAMA VIDA NA PRAÇA, 16h, Praça Dom Jaime. SEGUNDA – 22/05, ENTREGA DA REFORMA UBS REDENÇÃO, 16h, Bairro Redenção, TERÇA – 23/05, LANÇAMENTO DO MOSSORÓ MOBILIDADE 2.0, 9h, Auditório da Estação das Artes, ENTREGA DO PRÊMIO NOTA MOSSORÓ, 17h, Auditório da Estação das Artes, QUINTA -25/05, ASSINATURA DA SEGUNDA ETAPA DO PROGRAMA MOSSORÓ RURAL, 8h, SEXTA – 26/05, MUTIRÃO DE CIRURGIAS OFTALMOLÓGICAS, 8h, HGO, SÁBADO – 27/05, AÇÃO SOCIAL NO NOVA VIDA, 8h, Bairro Nova Vida.
TERÇA – 30/05, LANÇAMENTOS DA INFORMATIZAÇÃO DAS UBS’s E IMPLANTAÇÃO DAS FARMÁCIAS INFORMATIZADAS, 10h, Auditório Estação das Artes.

As Meninas Cantoras de Petrópolis


Padre João Medeiros Filho

A cidade de Petrópolis (RJ) legou-nos importantes corais, notadamente os Canarinhos, nascido à sombra do Convento dos Franciscanos e as Meninas Cantoras, grupo criado e regido brilhantemente pelo Maestro Marco Aurélio Xavier, durante quarenta anos (1976-2016). Elefoi discípulo de renomados mestres brasileiros e estrangeiros, dentre os quais, Arnaldo Estrella e Esther Scliar. Especializou-se em técnicas vocais, regência e organização de corais. Estagiou junto a instituições seculares como os coros das catedrais de Ratisbona (Alemanha), Viena (Áustria) e da Capela Sistina (Vaticano). Na Abadia Beneditina de Nossa Senhora de Montserrat (Barcelona) estudou com o monge Dom Irineu Segara, regente naquele mosteiro, durante cinquenta anos. “Servi ao Senhor com alegria. Vinde a Ele, cantando jubilosos” (Sl 100/99, 1), recomenda-nos o salmista.

No Brasil, as Meninas Cantoras formaram um grupo musical exclusivamente de vozes femininas. Não se deve confundir com aquele das Cantoras de Nova Petrópolis, município da Serra Gaúcha, datando de 1999. Difere das Meninas dos Canarinhos. A seleção das candidatas a Meninas Cantoras de Petrópolis era rigorosa, incluindo a indispensável avaliação de aptidões musicais. Sua formação durava cerca de três anos de aprendizado e treinamento com matérias teóricas e técnicas vocais. Após essa caminhada, a aluna estava apta para integrar o grupo. Este seguia o exemplo de renomadas Scholae Cantorumeuropeias, especialmente, alemãs, italianas e espanholas. Adotava o método da Escolania de Montserrat que atua, desde o século IX, nos ofícios litúrgicos do citado mosteiro catalão. A candidata passa pelo ritual da investidura, tendo seu ápice com a entrega do Sapatinho de Verniz, símbolo do coral. Este transita em seu repertório por vários gêneros melódicos, do sacro ao profano, do clássico ao popular, interpretando canções em vários idiomas.

Em 2 de março de 2016, foi anunciado o encerramento do grupo. Isto deveria acontecer, após a celebração da data de seu quadragésimo aniversário. A falta de apoio financeiro motivou o término das atividades. Assim desabafa o seu fundador: “Sobrevivemos quarenta anos sem nenhum apoio governamental, político ou empresarial. Os pais e eu mantivemos esse coro por quatro décadas, com os meus dez dedos e a minha garganta.” Vídeos e gravações mostram as parcerias com artistasfamosos. Fizeram várias turnês nacionais e internacionais, tendo sido abençoadas pelo Papa São João Paulo II. Receberam também as bênçãos do Cardeal Eugênio Sales, arcebispo metropolitano do Rio de Janeiro, admirador do coral. O eminente eclesiástico ouvia amiúde a sua interpretação do canto da Oração de São Francisco. E sobre elas comentara com Dom José Carlos de Lima Vaz, seu bispo auxiliar e posteriormente prelado petropolitano: “Belas vozes. São amostras de acordes angelicais e celestes.”

Em quarenta anos, gravaram dezenas de cds e vídeos. Recordistas de apresentações pelo Brasil, foram entrevistadas em inúmeros programas de rádio e tv. Num passeio pelo “Google”, o amante da boa música irá se deleitar com belíssimas interpretações de melodias clássicas e modernas. Como não admirar a Canção do Mar com solo de Natália? Extasiante é a interpretação de Rosa, de Pixinguinha. Inegável é a beleza da voz de Mariana, no canto de Lascia chi’o pianga (Händel). Não há como esquecer o solo de Danielle Andrezza em Não Precisa, de Paula Fernandes. Há centenas de lindas músicas brasileiras e internacionais com solistas talentosas. Ouvir Panis Angelicus, Ave Maria, de Gounod e o Magnificat remete-nos ao clima orante das grandes catedrais, igrejas abaciais e basílicas medievais.

É lamentável que não tenha havido ninguém, nem o Ministério da Cultura (que investe em tanto desperdício) ou empresas com lucros consideráveis para patrocinar esse coral, uma das melhores atrações de canto de que dispúnhamos. Nem mesmo a edição da Lei Fluminense nº 7234, de 15/03/2016, declarando-o patrimônio cultural imaterial do Estado do Rio de Janeiro, evitou o encerramento de suas tarefas. Triste país que consome e financia, nos tempos atuais, um tipo de arte, deixandomuito a desejar e ignora talentos e valores que se empenham em engrandecer a Pátria. Nas apresentações em recintos profanos ou sagrados, durante as quatro décadasde sua existência, as Meninas Cantoras de Petrópolis seguiram o convite do salmista: “Cantai ao Senhor um cântico novo, pois Ele fez maravilhas” (Sl 98/97, 1).

De ouro

Miguel de Cervantes Saavedra (1547-1616), sobre quem andei falando estes dias, foi um gênio. Ele é sinônimo de literatura em língua espanhola/castelhana, sendo o seu “Quixote” (“El ingenioso hidalgo Don Quijote de la Mancha”), de 1605, o marco fundador do romance moderno e uma das mais celebradas obras-primas da literatura universal. Disse isso e repito.

Todavia, devo também dizer que Cervantes é apenas a face mais visível de uma literatura, dita espanhola/castelhana, que era grande, enorme, maravilhosa mesmo, no seu tempo.

Para quem não sabe, a obra de Cervantes está situada no que se costumou chamar, em terras ibéricas, de Siglo de Oro, época de apogeu da cultura e, em especial, da literatura espanhola. A grosso modo, esse apogeu, que abarca o Renascimento e o Barroco na Península, começa já em fins do Século XV, perpassa o século XVI e vai até fins do século XVIIquando estaria situado o Siglo de Oro no seu estrito senso, com o falecimento de Calderón de la Barca (1600-1681).

Para se ter uma ideia, por essa época (e até um pouco antes), junto à prosa e à poesia de Cervantes e ao teatro de Calderón de la Barca, se misturavam e pontificavam uma plêiade de célebres autores e obras. Para os mais espiritualizados, é o tempo da poesia mística de Fray Luis de León (1528-1591), Santa Teresa de Jesús (1515-1582) e San Juan de la Cruz (1542-1591). É o tempo da poesia, da prosa e do grande teatro de Lope de Vega (1562-1635). Da prosa de Baltasar Grancián (1601-1658) e Mateo Alemán (1547-1614). Do teatro de Tirso de Molina (1571-1648). Da poesia de Francisco de Quevedo (1580-1645) e Luis de Góngorra (1561-1627). E por aí vai.

Não por mera coincidência, esse é o período dos reinados de Carlos I (o Imperador Carlos V do Sacro Império Romano-Germânico) e dos reis Filipes (cujos números, dada a profusão de reinos dominados, inclusive Portugal, com a União das Coroas Ibéricas, é uma confusão dos diabos). Poder e riqueza, com muito ouro vindo da América Espanhola e do Brasil, não faltavam. Dinheiro e arte, incluindo a literatura, geralmente andam juntos.

Como registrado no excelente Curso de literaturaespañol lengua extranjera” (Editora Edelsa, 2006), de Rocío Barros Lorenzo, Ana Maria González Pino e Mar Freire Hermida: O Renascimento chega a Espanha numa data-chave, 1492 (fim da Reconquista da Península Ibérica, primeira viagem de Colombo à América e data da publicação da primeira Gramática da língua castelhana, de Antonio de Nebrija, que significa a unificação da língua) e se desenvolve durante o século XVI. No panorama político, a Península é um território estabilizado e unificado sob o reinado dos Reis Católicos, que começará a se expandir tanto na América (com a Conquista) como pela Europa (através de alianças matrimoniais: duas filhas dos Reis Católicos, Isabel e Maria, se casarão com o rei Manuel de Portugal; outros dois, Juan e mais tarde Juana, se casarão com os herdeiros do Império Austríaco; e Catarina, com Henrique VIII da Inglaterra). O século XVI, sob os reinados de Carlos I e Felipe II, é o apogeu do Império Espanhol, em cujos territórios, dizia-se, o sol nunca se põe’”.

A riqueza era tão grande que, mesmo com as guerras nos reinados de Felipe III, Felipe IV e Carlos II, que debilitampolítica e economicamente o país, com a decadência sociocultural e política, afinal temos ciência da Inquisição, do tráfico de escravos e dos horrores na América, “fala-se de um período de florescimento cultural que pode ser situado entre a morte de dois autores fundamentais, Miguel de Cervantes em 1616 e Calderón de la Barca em 1681. Este período é conhecido como Siglo de Oro, e nele se desenvolve o movimento cultural denominado Barroco”.

No mais, devo registrar que nós, brasileiros, temos um lugar de fala (para usar de uma dessas expressões da moda) no Siglo de Oro espanhol. Seguidamente às mortes sucessivas de D. Sebastião (meio tresloucada, na famosa batalha de Alcácer Quibir) e de D. Henrique, ambos sem deixar filhos, Felipe II de Espanha foi entronizado Felipe I de Portugal, com a célebre União das Coroas Ibéricas (ou, menos afamadamente, o domínio espanhol sobre Portugal). Os juristas, pelo menos aqueles que foram meus contemporâneos de universidade, devem até se lembrar das badaladas Ordenações Filipinas, muito citadas, mas nunca estudadas, quando se falava da história do direito brasileiro.

O Siglo de Oro dos espanhóis foi também forjado com o nosso (vil?) metal. Das minas gerais e arrebaldes.

 

Marcelo Alves Dias de Souza
Procurador Regional da República

Doutor em Direito (PhD in Law) pelo King’s College London – KCL

Toffoli libera para votação no STF ação sobre regulação das redes sociais

Toffoli libera para votação no STF ação sobre regulação das redes sociais
Foto: Leonardo Prado/Fotografia MPF

Envio da ação ao plenário acontece dois dias depois de a Câmara adiar a votação do PL das Fake News, proposta controversa que inclui regulação das redes

Dias Toffoli (foto) liberou nesta quinta-feira (4) para julgamento no plenário do STF uma ação que trata da regulação das redes sociais, informa o portal Metrópoles.

A medida do ministro do Supremo ocorre dois dias depois de a Câmara adiar a votação do PL das Fake News, proposta controversa encampada pelo governo Lula (PT) que também inclui a regulação das redes.

A ação enviada ao plenário do STF questiona a constitucionalidade do artigo 19 do Marco Civil da Internet. Esse artigo estabelece que os provedores de internet só são responsabilizados por postagens ilícitas caso deixem de cumprir ordem judicial determinando sua remoção.

Um dos pontos que as chamadas big techs mais contestam no PL das Fake News é sua responsabilização pelo conteúdo ilícito postado por seus usuários.

Fonte: o antagonista

As redes se voltam contra Bolsonaro


A Operação Verine, que mirou Jair Bolsonaro (PL, foto) e outra pessoas, incluindo ex-assessores dele, conseguiu, em menos de 24 horas, quase 500 mil menções diretas nas redes e um alcance estimado de quase 30 milhões de interações nas redes, de acordo com levantamento da Quaest. O monitoramento também aponta que os internautas se voltaram contra o ex-presidente: 81% das menções foram negativas. É, hoje, o assunto com o maior percentual de rejeição e mais comentado nas redes em um curto espaço de tempo, segundo Felipe Nunes, diretor da Quaest, que apresentou os números no site da Itatiaia. A Polícia Federal investiga fraudes em cartões de vacina contra a Covid.

O arcabouço fiscal ocupava o primeiro lugar no ranking de assuntos mais comentados até ontem. Somente em 30 de março, período de coleta da informação, a empresa de pesquisa e consultoria observou 301 mil menções e alcance de 17.2 milhões de interações nas redes, sendo que 53% das postagens foram positivas.

O terceiro assunto mais comentado nas redes foi o episódio das jóias sauditas que foram recebidas pela família Bolsonaro. Quase 300 mil menções diretas na semana do ocorrido e quase 17 milhões de alcance. Até ontem, esse evento mais negativo para o ex-presidente, já que 60% das menções foram críticas a ele.

Fonte: o antagonista

Idiotas à deriva

 

A dor é tanta, e tal, que não cabe no peito a agonia da hipótese da volta do autoritarismo. As notícias que chegam da Papuda – penitenciária do DF onde estão detidos 294 terroristas que tentaram subverter a ordem democrática em 8 de janeiro, numa tentativa frustrada de golpe de Estado –, são de que os fascistas ainda estão sendo tratados pelas famílias como heróis da pátria. Não caiu a ficha. Como, em regra, são indigentes, intelectualmente falando, não conseguem fazer uma análise do que ocorre no Brasil de hoje. São idiotas à deriva.

Esse é um drama a ser estudado e enfrentado. Os fascistas presos foram os peixes pequenos, mas não podem ser tratados como simples massa de manobra. Afinal, se o golpe tivesse sido exitoso, nós é que estaríamos exilados ou presos, e esses golpistas estariam no poder. Ora, diriam os fascistas: “ mas estes eram buchas de canhão! ”. Não seremos nós, democratas, a decidir o papel deles, mas sim o poder competente para tanto. As instituições estão funcionando e nós apoiamos o Poder Judiciário.

Necessário se faz que a gente passe a analisar, com uma lupa constitucional, o que está ocorrendo no julgamento do século: o do que ocorreu no dia 8 de janeiro, o dia da infâmia. É mais do que um julgamento, é um recorte significativo do nosso tempo. Não podemos deixar de encarar a realidade, que bate às nossas portas e na nossa cara: os fascistas tentaram um golpe! Ousaram contra nossas bases democráticas e se prontificaram a destruir as instituições. São golpistas vulgares e banais. Investiram criminosamente contra os três Poderes, mas nós os vencemos.

Não há outra saída, a não ser a aplicação da lei para enfrentá-los. O país agradecerá muito em breve.

O certo é que, dos 1.500 presos logo após a tentativa frustrada de golpe, hoje restam 294 – 86 mulheres e 204 homens. Mas esses são os bolsonaristas mais idiotas, os que ainda acreditam que o ex-presidente é um mito e que sequer sabem que a família Bolsonaro os despreza. Na realidade, os que estão no presídio foram abandonados e esquecidos, deixados à própria sorte. E, quase certamente, serão condenados de 8 a 12 anos de cadeia sem a possibilidade de responderem o processo em liberdade e, ainda, com cumprimento imediato da pena. Por quanto tempo seguirão amando o mito? É um enredo trágico seguido por um bando de imbecis vulgares.

O importante, agora, é acompanhar os desdobramentos da Operação que investiga os responsáveis pela tentativa de subversão da ordem constituída. É um momento sério e, com a firmeza que caracteriza as decisões do ministro Alexandre de Moraes, vamos confrontar os financiadores e os grandes apoiadores, políticos, empresários e, até mesmo, a mídia. Para que o país inteiro entenda a dimensão do golpe perpetrado, é inevitável que a apuração se aprofunde e identifique aqueles que seriam os reais detentores do poder no golpe frustrado.

É preciso esclarecer e, dentro dos limites constitucionais, responsabilizar os grandes empresários, os fazendeiros dinheiristas, os políticos, enfim, os verdadeiros orquestradores da ruptura constitucional. É assim que se dá ao longo da história. Nós, que vencemos, vamos reconstruir o Brasil. Os que, ao perderem, tentaram, insuflaram e promoveram a rebelião terão seu lugar reservado na Papuda, ou no desprezo frio do esquecimento da história. Mas o Supremo Tribunal Federal, ao julgar o caso, é que dará a palavra final. O Poder que sustentou a estabilidade democrática e que impediu o motim tem a mais difícil tarefa da história recente: desnudar os mistérios dos verdadeiros fascistas do golpe. O país inteiro espera e apoia.

Lembrando-nos de Augusto dos Anjos, no livro “Eu, poema Tempo Idos”:

“Não enterres, coveiro, o meu Passado,
Tem pena dessas cinzas que ficaram;
Eu vivo dessas crenças que passaram,
E quero sempre tê-las ao meu lado!”

Fonte: ig último segundo

Homicídios: RN reduz crimes violentos em 8,9% no primeiro quadrimestre do ano


O quantitativo de mortes violentas no primeiro quadrimestre do ano no Rio Grande do Norte apresentou uma redução de 8,9% em relação ao mesmo período do ano passado.

Com base nos dados fornecidos pela Coordenadoria de Informações Estatísticas e Análises Criminais (COINE) da Secretaria de Estado da Segurança Pública e da Defesa Social (SESED), nos primeiros quatro meses de 2022 foram registrados 395 Condutas Violentas Letais Intencionais (CVLIs). Já no mesmo período do corrente ano, ocorreram 360 mortes violentas em todo o Rio Grande do Norte.

Maiores cidades:

A redução também foi apontada nos três maiores municípios do Estado. Em Natal, nos primeiros quatro meses de 2022 foram registrados 92 homicídios, contra 66 ocorrências em 2023 – diminuição de 29,3%.

Em Mossoró, segunda maior cidade do estado, a queda neste período foi de 39,2%, ao cair de 51 mortes violentas em 2022 para 31 crimes em 2023.

Na cidade de Parnamirim, localizada na Região Metropolitana da capital potiguar, no primeiro quadrimestre de 2022 foram 19 homicídios, enquanto no mesmo período de 2023 foram registrados 8 CVLIs. A queda foi de 57,9%.

 

Cristiano Barros defende Júnior Colaça e Pleno do TRE reforma sentença e garante elegibilidade ao ex-candidato a prefeito de Riachuelo

O advogado Cristiano Barros conseguiu mais uma vitória em sua brilhante atuação profissional, dessa vez, o candidato a prefeito do município de Riachuelo (RN), no pleito de 2020, Júnior Colaça (PT), que tinha perdido a eleição e no final ainda ganhou uma condenação em primeiro grau, depois de denúncias da oposição, afirmando que o então candidato Júnior Colaça teria cometido o crime de abuso de poder econômico na eleição municipal de 2020.

A juíza do TRE, relatora do processo Adriana Magalhães, votou pela absolvição de Colaça e o Pleno do Tribunal Eleitoral do RN, à unanimidade, reformou a sentença, devolvendo a elegibilidade a Júnior Colaça.

Maio, a mitologia e a Virgem Maria

Padre João Medeiros Filho

Durante o mês de maio, a Igreja Católica cultua, de modo especial, a Mãe de Cristo e dos homens. Na primavera europeia, dentre as flores que desabrocham, estão as rosas. Partindo dessa realidade e de uma metáfora,a Igreja quis celebrar a beleza daquela que é a “Rosa Mística”, umas das invocações contidas na Ladainha Mariana. Justo e merecido é esse preito de gratidão à Virgem, modelo de vida cristã. Há outras razões históricas e mitológicas para as celebrações deste mês. Desde a Antiguidade, bem antes do nascimento de Cristo, o quinto mês do ano era ligado a um personagem feminino. Seu nome é em homenagem a uma deusa da mitologia greco-romana, conhecida por Maia. Esta, segundo Junito Brandão e outros estudiosos do assunto, era a mais jovem das sete Plêiades, filhas de Atlas e Afrodite. Protetora do florescimento, Maia é associada à primavera, que atinge o seu esplendor no hemisfério norte, em maio.

No calendário civil, organizado por Rômulo na fundação de Roma (753 A.C), já havia ligação dessa época do ano com um arquétipo feminino. A constelação que mais se destaca nas noites de maio é justamente a de Virgem, com sua brilhante estrela Spica.  Deste modo, o firmamento passou também a ser relacionado com umafigura feminina. Vale salientar que a constelação de Virgem já foi conhecida como Anna, a deusa do céu e esposa do deus sumério Anu. Outrora, tal astro tambémesteve vinculado a Deméter, divindade romana da agricultura e a Eva, esposa de Adão, de acordo com o relato do Gênesis.

Com o advento do cristianismo uma nova e excelsamulher destacou-se: Maria Santíssima, a Genitora de Cristo. E assim, a veneração a Nossa Senhora veio preencher uma lacuna existente no catolicismo ocidental e oriental. Segundo a tradição cristã, o fato da Jovem de Nazaré ser filha de Ana (ou Hanna em hebraico), cujo nome está ligado à constelação de Virgem, contribuiuainda mais para que se promovesse tal associação. Cabe ressaltar igualmente que, consoante a teologia católica, a Mãe do Redentor é chamada de nova Eva, reforçando essa analogia. Diga-se, de passagem, que no Evangelho deLucas e na tradução da Vulgata, o anjo saúda a Virgem Maria com a palavra Ave, que é o inverso de Eva. “Ave, cheia de graça, o Senhor é contigo” (Lc 1, 28).

Conforme alguns pesquisadores, o calendário romano reformado por Júlio César em 45 A.C. (modificado pelo Papa Gregório XIII, daí o nome de calendário gregoriano), dedicava o quinto mês do ano ao deus Apolo, o qual recebeu de Hipérion o sol, a lua e a aurora. A lenda conta que Apolo matou uma grande serpente (Píton), que atemorizava o povo. A iconografia católica representa a Virgem Maria, nas pinturas e imagens de Nossa Senhora da Conceição, esmagando a cabeça de uma serpente, consoante também a descrição da Bíblia (Gn 3, 4-14).

Posto que a Mãe de Jesus é venerada pelos católicos como a Rainha do Céu, seu manto é representado pela cor azul do firmamento. “Ave, Regina Coelorum” (Salve, óRainha dos céus) é uma das antífonas rezadas ou cantadas, durante o ano litúrgico, no final das Completas, última oração da Liturgia das Horas, antes conhecida comoBreviário Romano. Na Ladainha de Nossa Senhora (igualmente intitulada pelos fiéis católicos como LitaniaLauretana) há uma invocação, reverenciando-a com o título de “Porta do Céu”. Para os cristãos que praticam o catolicismo, a Virgem Maria é o rosto materno de nossoDeus, “expressão terrena do feminino divino”, nas palavras do escritor e jornalista Luiz Paulo Horta. Deve-sevenerar Nossa Senhora “Mulher, espelho de Deus”, no dizer poético de São Boaventura, lembrando que Ela exaltou os humildes e gerou o Salvador da humanidade. A Mãe de Cristo é “a Compadecida”, assim denominada porAriano Suassuna. Como Rainha do Céu, torna-se nossa medianeira, qual seja, a “Onipotência Suplicante”, nabelíssima definição de São Bernardo de Claraval.ÓMaria, concebida sem pecado, rogai por nós que recorremos a Vós.”

Direito em Cervantes

O direito – a Justiça, sobretudo – é um tema recorrente na obra dos grandes escritores. Não seria diferente com Miguel de Cervantes Saavedra (1547-1616), no seu “Dom Quixote” e nos seus títulos menores. Isso é percebido pelos experts cervantinos. Na verdade, como aduz Luis E. Rodríguez-San Pedro Bezares, em “Atmósfera universitaria em Cervantes” (Ediciones Universidad Salamanca, 2006), “as considerações sobre o direito são abundantes no Quixote, declarando-se até que o fim deste é justamente a justiça distributiva e dar a cada um o que é seu’. É por isso que as menções à justiça e ao direito possibilitaram tantos trabalhos especializados”.

Eu mesmo possuo um pequeno grande livro intitulado El ideal de Justicia de Don Quijote de la Mancha”, por um certo D. Adolfo Pons y Umbert, resultado do seu discurso de posse na Real Academia de Jurisprudencia y Legislación de España. Minha edição, deste século, da Thompson/Aranzi/Civitis, é umfac-símile de uma edição de 1922 da tradicional Editorial Reus, que se afirma “a mais antiga editora jurídica em língua castelhana” (deve ser, por supuesto). Embora denso e duro de se ler, dada a forma de palestra, não ajudada pelo castelhano de então, trata-se de um livro raro, que já disponibilizei, a pedido, para alguns amigos queridos.

Mas é sobretudo com base em “Atmósfera universitaria em Cervantesque ora apresento alguns aspectos da temática jurídica em Cervantes.

De início, reitero o fascínio de Cervantes com os estudos jurídicos. No próprio “Quixote” é anotado ser o “estudo das Leis” – o estudo universitário do direito o propósito de muitos pais para a promoção de seus filhos, devido às muitas oportunidades e favores daí decorrentes.

Grandes jurisconsultos são citados nas obras de Cervantes, anota o autor de “Atmósfera universitaria em Cervantes. Por exemplo, “o nome de Justiniano é referido pela boca da personagem Redondo na comédia Pedro de Urdemalas, ainda que de forma grosseira. O mesmo se dá com os importantes juristas medievais Bartolo ou Baldo. Em “La elección de los Alcaldes de Daganzo”, uma farsa, num coro de músicos e ciganos, faz-se referência a Bartolo. Há também “uma menção aos juristas Bartolo e Baldo em La tía fingida, atribuída por um tempo a Cervantes.

O direito, a legislação e, sobretudo, as fórmulas legais de então estão muito presentes no “Quixote”. Especialistas apontam vários episódios na narrativa que trazem problemas jurídicos ali bem “resolvidos” à luz da legislação da época. Termos legais, forenses e notariais, suas locuções e fórmulas, são mesmo abundantes na obra. Mais do que um estudo formal do direito, essa terminologia mostra a familiaridade de Cervantes com os processos judiciais, os serviços notariais e as funções administrativas de então, até por haver ele trabalhado como comissário de suprimentos e cobrador de impostos na Administração. São expressões como “salvo melhor parecer”, “sem prejuízo de terceiros” etc., que, por sinal, até hoje ainda usamos.

Questões de filosofia do direito, para além da “lei” em si, abundam no “Quixote”. Como anotado por Luis E. Rodríguez-San Pedro Bezares: “As leis divinas e humanas asseguram o direito de defesa”; “Pela lei natural é obrigatório favorecer os cavaleiros andantes”; “O cavaleiro andante deve ser jurista e saber as leis da Justiça distributiva e comutativa”; “É lei natural e divina defender a vida”; “As leis vão aonde querem os reis”; “O excessivo rigor da lei não deve pesar sobre o delinquente”; “Muitas leis não devem ser feitas, e as feitas devem ser cumpridas”; e por aí vai.

Mas é sobretudo o ideal de Justiça o grande objetivo jurídico do Quixote. É algo recorrente na obra, em busca de uma Justiça da Idade de Ouro, plena, imperturbável a favores ou interesses. E o próprio D. Quixote oferece conselhos aSancho Pança para o governo de sua ínsula, que podem ser resumidos na ideia de que a compaixão é sempre melhor do que o rigor. Todavia, como lembra Luis E. Rodríguez-San Pedro Bezares, “José María Maravall destacou que a defesa da Justiça e da paz de Dom Quixote, e sua defesa da Idade de Ouro, não pode ser separada de sua figura ridícula e anacrônica. A justiça de seu tempo não era mais uma questão de esforços individuais ou do estilo natural daquela Idade de Ouro rural, mas das engrenagens administrativas e militares dos novos Estados renascentistas. A Justiça de D. Quixote não pode ser tida como solução estatal, mas apenas como um modo de conduta particular, dirigida aos outros de forma pessoal. A restauração de uma sociedade cavalheiresca e virtuosa já não era mais imaginável, senão como utopia. Tristíssima constatação sobre o cavalheiro da triste figura.

No mais, quedou-me uma dúvida: ao pensarmos numa justiça ao mesmo tempo distributiva e comutativa somos todos Quixotes? É isso?

Marcelo Alves Dias de Souza
Procurador Regional da República

Doutor em Direito (PhD in Law) pelo King’s College London – KCL