Serei obrigado a prendê-lo


A experiência nos ensina que nunca devemos nos manifestar sobre processos sigilosos e, muito menos, sobre delações que, embora homologadas, ainda não se tornaram públicas. Mas, nesta semana, o país viveu momentos de verdadeiro enredo de filme. Não se sabe ainda se de terror, de ação, de chanchada ou de comédia.

Parte do que está vazando dos depoimentos de Mauro Cid, ex-ajudante de ordens, demonstra o quanto o Supremo Tribunal Federal esteve, e está, certo ao fazer o enfrentamento direto, frontal, técnico e dentro dos limites da Constituição, dos golpistas que tentaram subverter a ordem constitucional e instalar uma ditadura no Brasil.

A revelação de que o ex-comandante da Marinha, almirante Almir Garnier, concordou em dar o aval ao golpe proposto pelo então presidente da República, só perde em impacto para a resposta do então comandante do Exército, general Freire Gomes, ao ser indagado pelo fascista Bolsonaro. O general, altivo e amparado na Constituição, teria dito ao golpista Bolsonaro, ao negar apoio ao golpe: “Se o senhor for em frente com isso, serei obrigado a prendê-lo”.

Há muito tempo, tenho dito que o ex-presidente só não virou um ditador, desses sanguinolentos e cruéis, por não ter o respeito da elite das Forças Armadas brasileiras. O ex-presidente Geisel, que foi ditador de 1974 a 1979, disse em uma entrevista, em 1993, durante o governo Itamar Franco, que o Bolsonaro era “um mau militar e que pedia a volta da ditadura”, ressaltando que “ele é um caso completamente fora do normal”. Tenho afirmado que é um tipo desqualificado e que tem como líder o facínora do Brilhante Ustra, um torturador covarde e cruel.

Bolsonaro nunca honrou a farda que vestiu. Exatamente o destempero e a fragilidade intelectual fizeram com que o comandante-em-chefe das Forças Armadas não exercesse, de fato, o poder sobre a maioria dos militares brasileiros. É necessário ressaltar e reconhecer que, neste momento histórico, ao lado das instituições democráticas, do Judiciário e de parte do Congresso Nacional, os militares brasileiros dignificaram a farda e cumpriram o dever constitucional de respeitar a democracia e de manter a institucionalidade. Como disse Ferreira Gullar:

Há muitas armadilhas no mundo e é preciso quebrá-las”.

É importante fazer essa reflexão com maturidade no delicado período pelo qual ainda passa o país. As instituições se mostraram fortes e a sociedade deu sinais claros de que a ordem é manter o Estado Democrático de Direito.

Foi relevante a afirmação categórica do ministro da Defesa, José Múcio, em (25.set.2023), no sentido de “que não há absolutamente nenhum constrangimento” com a convocação de integrantes das Forças Armadas para prestar depoimento na CPI do “8 de Janeiro”. Tal declaração se deu depois de reunião na sede do ministério com os comandantes das Forças. O ministro ainda salientou que existe “um espírito de colaboração” e que “as Forças Armadas necessitam que absolutamente tudo seja esclarecido”, completando que “os culpados sejam punidos”.

É claro que boa parte dos intelectuais e da esquerda brasileira vai reclamar dizendo que essas falas são óbvias e, portanto, desnecessárias. Pois eu, confesso, adorei ouvir essas “obviedades” sobre a normalidade democrática. Sobre o respeito à independência dos Poderes e sobre o reconhecimento de que as decisões do Judiciário serão cumpridas.

Claro que é o óbvio. Mas estávamos acostumados com um chefe de Poder fascista e provocador que se especializou em atacar, de maneira vil e banal, os Poderes constituídos. Deixem-me achar bom que a racionalidade tenha voltado e, penso, não é demais exaltá-la.

Até porque, com a condenação dos executores da tentativa de golpe a penas que chegam a 17 anos, parece evidente que os financiadores, os políticos, os militares e os maiores beneficiários –inclusive Bolsonaro– terão, muito em breve, punições maiores. Esse é o atual teste da nossa democracia, que está se fortalecendo com o julgamento histórico dos responsáveis pelo Dia da Infâmia. A sociedade brasileira e o mundo civilizado esperam, ansiosos, pelos próximos capítulos dessa trama, que se desenrola com o acompanhamento carinhoso de todos os passos.

É como se fôssemos tirando, aos poucos, mas com firmeza, as vendas que nos cegavam, as amarras que nos manietavam e o lenço que apertava a garganta e não permitia o ar entrar. Ao sairmos desse círculo de giz invisível que nos sufocava, a gente volta a sorrir e a sonhar.

Nessa hora de resistência, ainda cuidadosa, é muito bom ouvir que a democracia está prestigiada. Por isso, vamos seguir monitorando e participando, cada um a seu modo, pois democracia é isso mesmo: depende de todos nós. Sempre atentos. Como nos ensinou Mário Quintana, no “HaiKai Noturno”:

Aquela última janela acesa.

no casario.

Sou eu…

Fonte: poder 360

Nilda está perdendo Fátima Bezerra para o palanque de Taveira

A governadora Fátima Bezerra é uma grande eleitora em qualquer cidade do estado, ela vem sendo disputada nos bastidores por todos os grupos políticos de Parnamirim.

Nos últimos pleitos, Fátima manteve-se um pouco ausente de algumas lideranças locais, mesmo porque o seu grupo andou se dividindo, impossibilitando a governadora de fortalecer um palanque visando o pleito estadual.

Nessa campanha de 2024, Fátima Bezerra já decidiu que irá participar ativamente desse pleito nos municípios, pois precisará de um palanque forte para 2026, quando ela for buscar o voto para voltar ao senado federal.

Quem são os nomes que estão na bolsa de aposta da governadora? Engana-se quem pensar que o grupo do prefeito Taveira está descartado de receber esse importante apoio da governadora Fátima. A professora Nilda seria uma grande aposta de Fátima, mas a professora andou perdendo força em função das suas escolhas partidárias e de algumas declarações desencontradas que vem soltando. Essas declarações estão desagradando Fátima e com esse caminhar sem rumo, Fátima passou a avaliar sua subida no palanque do prefeito Taveira, para fechar esse entendimento, existe o mandato do filho do coronel, o Taveira Júnior, que anda afinadíssimo com o grupo liderado por Ezequiel que é da base governista na Assembeia Legislativa.
Um outro ponto que anda chateando a governadora é a aproximação de Nilda com os adversários do padre Murílo, irmão do prefeito Eraldo, pois o projeto de Fátima na grande Natal é Eraldo Paiva, fato que Nilda parece não conseguir visualizar nesse ambiente político partidário.
Então, em 2024 e 2026, na cidade Trampolim da Vitória, vem aí um grande palanque Fátima Bezerra, Padre Murílo, Ezequiel e Taveira juntos e misturados. Fica no ar uma pergunta para as professoras responderem: será possivel essa composição?

Rogério Santiago comemora seu aniversário hoje com amigos e familiares

Hoje (26), o secretário de Habitação e Regularização Fundiária, Rogério Santiago, recebeu uma grande surpresa e homenagem. Foi comemorado o seu aniversário na Churrascaria do Arnaldo, em Parnamirim, onde contou com a presença de toda a sua secretaria e familiares, além da presença do chefe de Gabinete, Homero Grec e o vereador Vavá Azevedo.

“Sou muito grato por tudo e principalmente pela surpresa de hoje. Isso demonstra o reconhecimento e carinho da nossa gestão”, disse Rogério.

Rogério Santiago! Toda a família do Blog do GM te parabeniza e te deseja o melhor dessa vida.

A indispensável arte de escutar

Padre João Medeiros Filho

Ela exige dedicação e contínuo aprendizado. Talvez poucos se disponham a esse mister. Cristo, além de tantos carismas e virtudes, foi mestre também nesse assunto. Até orientadores de alma estão paulatinamente renunciando a esta nobre missão. Atualmente, muitos pagam a profissionais especializados para escutá-los. O mundo apressado de hoje não reserva espaço para tal posturabasilar na vida social. O teólogo e pedagogo Rubem Alvesescreveu: Não é bastante ter ouvidos para compreender o que se diz. É preciso haver silêncio dentro da alma. Já não se tem mais paciência ou tempo de acompanhar o que alguém tem a dizer. É frequente o impulso de interromper a fala do outro, dando palpites ou nela incluindo a sua opinião. Tem-se a ideia de que as palavras do interlocutornão são dignas de consideração e necessitam sercomplementadas. Por vezes, muitos julgam suas opiniõesmelhores e mais importantes que as do próximo. Os quatro evangelhos narram a incansável atenção, paciência e solicitude de Cristo em escutar e dialogar. A incapacidade para tanto denota manifestação sutil de arrogância e vaidade. No fundo, acredita-se que se é mais justo, honesto, sábio ou capaz.

Proliferam escolas de oratória, retórica ou de falar em público. Faltam cursos de “escutatória”. Uma professora de língua e literatura espanhola costumava lembrar a seus alunos a diferença entre ver e olhar, ouvir e escutar:“Hagan el favor de mirar y escuchar, porque para oír y ver bastan los ojos y las orejas.” Nas empresas criam-se ouvidorias, que fogem de seus títulos e objetivos. Muitas reproduzem a filosofia e rotina de seus administradores. Os descontentamentos e reclamações adiantam pouco, sendo não raro registrados por mera formalidade. São contraditórias muitas audiências públicas. Alguns discursam e a maioria emudece. Em geral, terminam com a confirmação dos propósitos e ideias de poucos em detrimento da multidão. O salmista já observava esse desrespeito ao ser humano: “Têm ouvidos, mas não escutam (Sl 115/114, 6). Aos atuais e futuros mentores espirituais dever-se-á insistir sobre a disponibilidade para a orientação interior.

A vida e o mundo estão cheios de sons e vozes. Percebê-los é um dom característico dos artistas. É clássico o exemplo dos pianistas. Entram no palco, encaminham-se para o instrumento, sentam-se econcentram-se. Parecem extasiados diante da melodia que irão executar. Após algum tempo de silêncio, a música ecoa. É necessário silenciar para se enriquecer com os delicados sons do universo. Há alguns que são raros, mas presentes na memória de cada um. Por exemplo, o rangidodos carros de bois, o apito das fábricas e locomotivas, o despertar dos galos, o repicar dos sinos, o crepitar do fogo nos fogões a lenha, o chilrear e trinado dos passarinhosetc. É preciso, por vezes, quietude para que eles surjam e nos conduzam ao passado. A sua beleza e musicalidade ficaram guardadas no âmago de cada um. Nas cidades háainda os gritos dos vendedores, o vozerio das feiras, a algazarra das crianças ao sair das escolas, o ruído dos rádios dos trabalhadores, o latido dos cães na entrada das casas… E há a sonoridade da natureza: o assobio do vento, o barulho da chuva e o murmúrio das cachoeiras.

Há uma pergunta pertinente e atual. Quem nos ensinará novamente a mística do silêncio e a fundamentalarte da escuta? O exemplo da vida monacal tem suaimportância para o reaprendizado. Os monges trabalham, alimentam-se, oram silenciosamente e falam com moderação. Seus momentos contemplativos e preces dão a impressão de que percebem ou recebem algo desobrenatural. Santa Teresinha do Menino Jesus dizia: “Osilêncio nos capacita a encontrar Deus. É a voz divina que abafa as vozes humanas. Santo Ambrósio, quando bispo de Milão, falava que é importante desobstruir ostímpanos da alma.” Não consta que tal postura sejaabordada nas escolas, igrejas ou mesmo em família. Há disciplina para tudo, mas inexiste quem oriente a ser tácitopara saber escutar o outro. Convém ter sempre em mente o que diz a Sagrada Escritura: “Tudo tem seu tempo… Tempo de calar e tempo de falar (Ecl 3,1; 6).

Canguaretama: oposição mostra unidade para Eleições 2024

Município tem quase 20 mil eleitores no Agreste Potiguar

Oposição unida. Esse foi o sentimento que saiu os maiores personagens que integram as forças de oposição em Canguaretama, segundo maior colégio eleitoral do Agreste Potiguar. A nova parceria foi discutida em reunião neste sábado (23) e divulgada em post nas redes sociais. Antigos oponentes em eleições anteriores, como o vereador Márcio Cabeleireiro e a advogada Dra. Ana Célia, ligada a família Marinho, dos ex-prefeitos Jurandir e Fatima. Também a ex-presidente da Câmara, Irmã Lila e Francisco da Paz, que dividiram a oposição em 2020.

No encontro ainda marcaram presença o vereador Leandro Varela, que tem reduto no distrito de Piquiri, os empresários Tiago da Construção e Fábio do Gás, e ainda o ex-prefeito Júnior Rocha, que tem atuações na cidade. Cabo eleitoral e articulador, Hudson Matias também foi presença no encontro.

Nas eleições suplementares, o prefeito Wilsinho Ribeiro (PTB) viu a oposição crescer e atingir mais de 45% dos votos válidos, surpreendendo no final. Agora, unidos e deixando o povo escolher a melhor composição de prefeito e vice, o forte grupo político, que juntos vão trabalhar por uma Canguaretama que saiba dialogar e resolver os problemas, acabando com a letargia que se instalou e priorizando as ações que, na realidade atual, são urgentes e necessárias, sobretudo na geração de emprego e renda.

Rogério Santiago tem seu nome entre os mais votados para vereador de Parnamirim

Após Rogério Santiago declarar a sua pré-candidatura à vereador no município de Parnamirim, seu nome vem sendo bem cotado nas pesquisas, e hoje (22), a Potiguar News divulgou a sua, onde mostra o interesse da população, caso a eleição fosse hoje, e Santiago foi um dos mais votados para exercer esse cargo.

“Como já disse antes, estou empenhado e preparado para essa disputa. Vamos à luta”, disse Rogério.

Agência Ratts desenvolve núcleo com Inteligência Artificial para Eleições 2024

Pioneira no mercado no uso de Inteligência Artificial na publicidade, a agência Ratts Ratis está finalizando a implantação de um núcleo de marketing político voltado para as eleições do ano que vem, em que vai utilizar recursos de Inteligência Artificial nas campanhas. Muito mais do que ser uma nova onda, o uso da Inteligência Artificial, quando feito de forma correta e bem encaixada na estratégia, otimiza os resultados e melhora a performance do trabalho de marketing e de propaganda. Segundo o publicitário Pedro Ratts, diretor da agência, “já temos dois projetos de pré-candidatos em andamento, já com o uso de IA, e os primeiros resultados, principalmente em análise de dados e redirecionamento de decisões estratégicas é excelente, vai fazer a diferença na busca do voto”. Se você é pré-candidato e quer uma agência que já trabalha com a inteligência artificial e que viabiliza grandes e criativas ideias, entre em contato pelo perfil @rattscom e agende uma visita, ou manda um zap para 99981-1112.

Cheiro de cadeia

O advogado criminalista Antônio Carlos de Almeida Castro, o Kakay

Quando o telefone tocou em 9 de janeiro, logo depois da tentativa de golpe de Estado, comecei a notar que os golpistas não estavam entendendo a dimensão dos fatos ocorridos no dia da infâmia. Um parente distante reclamando da prisão de uma irmã: “ela é idosa”, vociferou. Perguntei logo: “foi presa em um asilo?” . A resposta meio ingênua: “Não, no plenário do Supremo”.

Nos dias que se seguiram, as queixas eram de que a comida da penitenciária parecia uma lavagem, de que as filas para o banheiro seriam enormes, de que as celas estavam superlotadas e de que não tinham visitas quando queriam. Ou seja, com pouco tempo de prisão e a ultradireita já adotava parte das nossas pautas civilizatórias para o sistema carcerário. O próximo passo seria, e foi, reconhecer que bandido bom não é bandido morto. Os mais de 800 mil presos, a maioria negros, pobres e invisíveis sociais que apodrecem no nosso medieval sistema prisional, nunca sensibilizaram essa direita radical e atrasada. Mas, agora, começam a sentir o cheiro inconfundível da cadeia.

Um mês depois, a pergunta já era se eu considerava a hipótese de condenação. Respondi com tranquilidade: “os executores deverão ser condenados a 18 anos, os financiadores a 22, os políticos e militares a 28 e o chefe perto de 30”. Perplexidade geral. E é até engraçada a justificativa dos bolsonaristas. No início, defendiam que tudo não passara de uma visita às sedes dos Três Poderes. Depois, com a continuidade das prisões, o argumento era que, no máximo, houve uma tentativa frustrada de golpe, ou seja, não houve o golpe de Estado. Ora, mais de uma vez, expliquei que o tipo penal seria mesmo a tentativa, pois, se o golpe ocorresse e fosse vitorioso, os golpistas assumiriam o poder e prenderiam os democratas. Quem ganha escreve a história e, evidentemente, não são julgados por um Judiciário que estaria cooptado e manietado.

O Supremo Tribunal cumpre seu papel constitucional de defensor da Constituição e do Estado democrático de direito, que esteve em sério risco. É necessário que a sociedade acompanhe não só o julgamento, mas as investigações que seguem com critério e determinação. É óbvio que os executores que estão sendo julgados estavam em nome de uma causa que foi longamente preparada. A disseminação virulenta do ódio e da violência pelo ex-Presidente Bolsonaro, desde o primeiro dia do seu governo, e até antes, era exatamente para propiciar o clima para a derrocada da Democracia. Tudo planejado com estratégia e muito dinheiro. Com apoio político e com parte dos militares.

O começo do julgamento indica que o país está nos trilhos democráticos e que as instituições seguem fortalecidas. E, claro, é necessário aproveitar esse arroubo humanista dos fascistas e repensar o sistema carcerário. Repito o que sempre defendi: quem é condenado ao cárcere perde a liberdade, mas tem o direito de manter a dignidade em toda a sua possível extensão. A esquerda, historicamente punitivista, não aprendeu isso com a prisão recente de vários dos seus líderes. A direita sempre foi mais pragmática; pode ser que, agora, o sistema prisional entre na lista de prioridades.

Os financiadores da tentativa de implementar a Ditadura deveriam aproveitar o que resta de liberdade para convencer os políticos golpistas e até os militares que ainda estão com algum poder. Banquem uma reforma do medieval sistema carcerário. Ainda que estejam fazendo em causa própria, a civilização agradece. Fiquem contra a barbárie uma vez na vida. Será o maior avanço civilizatório que esses fascistas poderão fazer.

Socorro-me do mestre Umberto Eco:

“Alguém já disse que o patriotismo é o último refúgio dos canalhas: quem não tem princípios morais costuma se enrolar em uma bandeira, e os bastardos sempre se reportam à pureza da sua raça. A identidade nacional é o último recurso dos deserdados. Muito bem, o senso de identidade se baseia no ódio, no ódio por quem não é idêntico.”

Fonte: ig último segundo

Corrente contra o tempo – Jornalista faz vaquinha eletrônica

O jornalista e querido Marcos Martins está enfrentando um duro tratamento contra o Câncer.

Com o pulmão já comprometido com metástase na coluna, fêmur, mediastino, baço e outros órgãos e sem trabalhar desde janeiro, Marcos teve seu auxílio negado pelo INSS e não tem recursos para custear seu tratamento.

Exames caros como tomografia, ressonância, entre outros custos precisam de urgência serem feitos, enquanto aguarda ser chamado pelo SUS.

Medicamentos caros, fisioterapia e uma alimentação de alto custo faz com que esta corrente de ajuda e solidariedade, seja feita a este grande profissional.

“Estou acamado sem os movimentos da perna, preciso da ajuda de vocês. Deus retribua em dobro a vocês por esta ação de solidariedade.”

*CHAVE PIX PARA AJUDAR MARCOS MARTINS*
programahorarionobre@gmail.com

Bíblia – mística, literatura, arte, beleza

Padre João Medeiros Filho

Em 1947, após a promulgação da Encíclica Mediator Dei, surgiram movimentos de valorização da Bíblia. Em1971, homenageando São Jerônimo – cuja festa litúrgica se celebra em 30 de setembro – a Igreja Católica dedicou esse mês à Sagrada Escritura. Ele foi o primeiro tradutordos textos originais para o latim, cuja tradução éconhecida como Vulgata. A Bíblia é revelação divina, mas também prece e literatura. No tratado “Doctrina Christiana”, Santo Agostinho equiparou os escritos bíblicos à excelência literária dos textos clássicos. Ali, assevera que a mensagem espiritual é enunciada numa beleza estética. Para o Bispo de Hipona, “a Escritura é fonte de experiência religiosa e escola de oratória eescrita.” Na sua época, quem desejava conhecer a elegância dos estilos e gêneros literários, deveria beber na tradição retórica, descritiva e poética, presente nos TextosSagrados.

A verdade bíblica é transcendental. Todavia, é indissociável de um belo suporte linguístico, pois fé e linguagem esmerada se completam. A condição teológica da Bíblia é inseparável da natureza literária. Desde os tempos mais remotos, há uma nítida consciência da perenidade da Palavra Divina. Assim se expressa o profeta Isaías: “As folhas secam e as flores murcham, mas a Palavra do Senhor permanece para sempre” (Is 40, 8).

Muitos autores, não teólogos ou exegetas, têm contribuído para aprofundar o conhecimento e o amor à Sagrada Escritura. Em seus estudos literários, descobrem a sublime qualidade dos relatos bíblicos. Dentre eles, destaca-se Erich Auerbach com a obra Mímesis. Nela,reconhece os dois paradigmas fundamentais da literatura mundial: a Odisseia e a Bíblia. Afirma que as narrações bíblicas contêm uma profunda intencionalidade artística e acentuada concepção harmônica do humano e sobrenatural. Estudiosos das formas literárias (Formgeschichte) vêm elaborando excelentes trabalhos, incentivando a leitura e proporcionando uma melhor compreensão do Livro Sagrado. Descrevem como Jesus levou seus compatriotas a ter mais consciência da vida interior e preocupar-se menos com a aparência exterior.

Em “De profundis”, Oscar Wilde relata a seguinte experiência: “No Natal, consegui um exemplar do Novo Testamento e todas as manhãs, depois de limpar a cela da prisão e lavar os pratos, lia vários versículos dos Evangelhos. Era uma deliciosa maneira de começar o dia, enchendo-me de luz e paz.” Com o decorrer do tempo,foram se perdendo a beleza e o encanto dos Evangelhos, proclamados de forma inadequada ou apressada. Debruçar-se sobre eles é como entrar num jardim de orquídeas e rosas perfumadas, depois de sair de uma casa estreita e escura. Ali, o leitor poderá encontrar as principais realidades da vida: mistério, tristeza, amor, súplica, solidariedade, perdão, ternura, êxtase etc. A sua leitura desperta um sentimento no qual se percebem a poesia e a sublimidade da Palavra de Deus.

Os textos bíblicos inspiraram renomadas obras artísticas, em suas variadas formas, criadas ao longo dos séculos: as catedrais, como a de Chartres, pinturas como as de Giotto, a Divina Comédia, de Dante Alighieri, esculturas de Michelangelo, músicas sacras e clássicas etc. Dentre os autores brasileiros mais recentes, influenciados pela Sagrada Escritura, poder-se-ia elencar Jorge de Lima, Augusto Frederico Schmidt, Murilo Mendes, Adélia Prado, Rubem Alves etc. Basta folhear a Bíblia com um pouco mais de interesse para verificar o que escreveu William Blake: “Ela é o grande código da arte ocidental.” Por sua vez, o poeta Claudel a considera “o imenso vocabulário, pois nela, e às vezes só nela, apreende-se a misteriosa, difícil e interminável arte de narrar e escrever.” O pintor Chagall denomina a Escritura de “atlas iconográfico”, pois tantas imagens ali contidas se fixam em nossa mente e mergulham em nossos sonhos.

A Bíblia é também tesouro e patrimônio cultural da humanidade. Uma literatura construída por místicos,poetas religiosos, cronistas, hagiógrafos, cantada ourecitada durante séculos, antes de ser escrita. Ela é tecida de vocábulos que envolvem o mistério e registram os rastros do sopro divino, uma presença silenciosa, atingindo o nosso âmago. Por isso compreende-se o arrebatamento do profeta Jeremias: “Mal encontrei as Tuas palavras, e já as devorava. Elas se tornaram para mim prazer e alegria do coração” (Jr 15,16).

Desenrola: nova fase vai parcelar dívidas até R$ 5 mil e exigirá conta no gov.br; veja como criar

Interessados na renegociação devem obrigatoriamente se inscrever na plataforma gov.br — Foto: Jornal Nacional/ Reprodução — Foto: Jornal Nacional/ Reprodução

A nova fase do Desenrola Brasil, programa de renegociação de débitos lançado pelo governo, terá início nas próximas semanas. Desta etapa, poderão participar pessoas com renda de até 2 salários mínimos, ou que sejam inscritas no Cadastro Único (CadÚnico), com dívidas até R$ 5 mil.

Para participar, os interessados devem obrigatoriamente se inscrever no gov.br. Sem esse cadastro, não é possível acessar o sistema para realizar a renegociação.

A conta gov.br é gratuita e permite comprovar a identidade do cidadão. No caso do Desenrola, os devedores terão de habilitar contas de nível Prata ou Ouro.

Passo a passo

Veja o passo a passo para fazer a conta no gov.br

  1. acessar o portal www.gov.br
  2. selecionar “Entrar com gov.br”
  3. digitar o CPF e clicar em “Continuar” – nessa etapa é possível criar ou alterar a conta
  4. preencher formulário com dados pessoais.

 

Alcançar o nível Prata pode ser feito de três maneiras. Através da:

  • validação facial pelo aplicativo GOV.BR para conferência da foto junto à Carteira de Habilitação (CNH)
  • validação dos dados pessoais via internet banking de um banco credenciado. As instituições financeiras credenciadas são: Banco do Brasil, Banrisul, Bradesco, Banco de Brasília, Caixa Econômica, Sicoob, Santander, Itaú, Agibank, Sicredi e Mercantil do Brasil, ou
  • validação dos dados com usuário e senha do Sistema de Gestão de Acesso (SIGEPE), caso seja um servidor público federal.

O nível Ouro é obtido por meio da:

  • validação facial pelo aplicativo GOV.BR para conferência da sua foto nas bases da Justiça Eleitoral, ou
  • pela validação dos seus dados com Certificado Digital compatível com ICP-Brasil.

 

Desenrola: 1,5 milhão com dívidas até R$ 100 vão ter nome limpo; veja regras
Desenrola: 1,5 milhão com dívidas até R$ 100 vão ter nome limpo; veja regras

Próximas etapas do Desenrola

 

No último dia 12, terminou o prazo para bancos, varejistas, companhias de água, saneamento e energia, entre outros, aderirem ao programa Desenrola e informarem as dívidas que desejam renegociar. De acordo com o Ministério da Fazenda, 924 empresas se inscreveram no Desenrola.

Agora, as dívidas inscritas pelas empresas serão filtradas para checar se são débitos que podem ser incluídos no Desenrola.

No final da próxima semana, segundo o Ministério da Fazenda, se iniciará a fase de leilões. Aqui as empresas vão informar quanto de desconto estão dispostas a conceder para cada consumidor e quem oferecer os maiores descontos terão a garantia do programa.

A abertura da plataforma para a renegociação está prevista para o fim do mês, quando o público que tem renda de até R$ 2.640 (dois salários mínimos), ou está inscrito no CadÚnico, e tem dívidas de até R$ 5 mil negativadas até 31 de dezembro de 2022 poderá escolher a melhor oferta de desconto.

Fonte: G1

O dia em que a Constituição venceu o golpe

Articulista afirma que Ministério Público e Polícia Federal devem continuar investigações para que todos os envolvidos no 8 de Janeiro sejam encontrados e responsabilizados; na imagem, ministros do STF durante sessão no Plenário da Corte

“Salvando o homem chegaremos ao povo, este é o caminho.

Não aceitemos traições ao homem em nome do povo,

do povo traído.

Pregaremos o governo do homem pelo homem e para o homem.

Não haverá povos felizes enquanto houver homens infelizes.

Aos Senhores dos Governos, lhes dizemos: basta! Desçamos das generalidades para o homem”.

É significativo ver o Supremo começar a julgar os golpistas do 8 de Janeiro. Em só 8 meses, o Tribunal determinou a prisão de mais de 1.000 vândalos, instruiu um processo complexo e, com todo o simbolismo que isso carrega, vai julgar os extremistas no Plenário que foi invadido, depredado e conspurcado por eles. Como que a reafirmar o Estado Democrático de Direito que a Corte assegurou ao dizer não ao golpe de Estado e à investida criminosa de instaurar uma ditadura no país.

CopyrightFellipe Sampaio /SCO/STF

Plenário do STF destruído depois dos atos do 8 de Janeiro

É um julgamento histórico e que produz algo raro: a derrota de uma tentativa de ruptura institucional pela força do Judiciário, e não pela repressão armada do outro lado. Em geral, diz a história, os golpes só são contidos com o uso da força, em sua maioria armada, e com rios de sangue e dor. O dia da infâmia foi debelado com a força do Judiciário e tendo como arma a Constituição da República.

É claro que o fato de ter sido uma tentativa de golpe contra um governo democrático e popular fez com que o Judiciário tivesse uma razão muito maior na contenção aos golpistas. A reação imediata e pronta do governo Lula foi decisiva para deixar claro que eles não passariam.

A presença do próprio presidente da República dentro do Plenário destruído, ainda na noite de 8 de janeiro, e a descida da rampa do Palácio do Planalto rumo à sede do Supremo Tribunal, no dia seguinte, quando Lula se fez acompanhar da presidenta da Corte, de vários ministros do Supremo e do Executivo, de todos os governadores de Estado e de vários congressistas, deixou claro que a ordem constitucional seria mantida a qualquer custo.

CopyrightSérgio Lima/Poder360 – 9.jan.2023

Lula desce a rampa do Planalto acompanhado por Janja, governadores e ministros

Para o mundo jurídico, reveste-se de grande importância o julgamento ser presidido pela ministra Rosa Weber, que se aposenta no final deste mês e que se empenhou para recuperar a sede da Corte que foi covardemente depredada. Em 1º de fevereiro, na abertura do ano Judiciário, ela afirmou que os ataques foram promovidos por uma “turba insana movida pelo ódio e pela irracionalidade”, mas frisou que “não destruíram o espírito da democracia”. E ressaltou que “o ataque criminoso e covarde que vilipendiou as instituições da República e os símbolos do Estado Democrático de Direito confere maior intensidade ao convívio harmonioso entre os Poderes”.

 

 

E foi isso que se viu depois da tentativa de ruptura institucional. Um Executivo que saiu mais forte e representativo e um Congresso, que estava em parte cooptado pelo estilo autoritário do governo derrotado, posicionando-se pelo fortalecimento da democracia. O Judiciário, como já afirmado, foi o timoneiro no enfrentamento da barbárie. Por isso, a frase do grande poeta Carlos Drummond de Andrade, que encerrou o discurso de Rosa Weber, foi muito oportuna:

O presente é tão grande, não nos afastemos. Não nos afastemos muito, vamos de mãos dadas”.

É importante que a sociedade acompanhe, com bastante cuidado e atenção, os julgamentos que irão responsabilizar os golpistas. Até porque o ministro relator, Alexandre de Moraes, deixou claro, no início da primeira sessão, que a investigação continua.

Sem nenhuma dúvida, é de fundamental importância que o Ministério Público Federal e a Polícia Federal possam esclarecer, para responsabilizar criminalmente, os congressistas que estavam por trás do golpe. Além do núcleo político, que já está sendo investigado, é absolutamente necessário que os grandes financiadores e os militares –mesmo os de alto coturno– também possam ser levados às barras do Supremo Tribunal Federal.

Embora seja bom repetir, à exaustão, que é certo que devemos dar a esses acusados todos os direitos fundamentais, é imperioso que todos sejam responsabilizados pelos seus atos. Tenho a mais clara expectativa que, ao fim e ao cabo, toda essa apuração levará, inexoravelmente, à responsabilidade do ex-presidente da República e do seu grupo mais íntimo. Com a certeza de que os direitos constitucionais serão amplamente assegurados a todos. Afinal, não se trata de vingança ou retaliação, é só sobre justiça.

Sempre nos lembrando de Torquato Neto, no Poema do “Aviso Final”:

É preciso que haja alguma coisa

alimentando o meu povo;

uma vontade

uma certeza

uma qualquer esperança.

É preciso que alguma coisa atraia

a vida

ou tudo será posto de lado

e na procura da vida

a morte virá na frente

e abrirá caminhos.

É preciso que haja algum respeito,

ao menos um esboço

ou a dignidade humana se afirmará

a machadadas”.

Fonte: poder 360

Acordos armamentistas Kim-Putin: mistério é a principal arma

Vladimir Putin e Kim Jong-un se encontram na Rússia, em 13 de setembro de 2023 — Foto: Sputnik/Vladimir Smirnov via Reuters

Vladimir Putin e Kim Jong-un se encontram na Rússia, em 13 de setembro de 2023 — Foto: Sputnik/Vladimir Smirnov via Reuters

O presidente russo, Vladimir Putin, saudou seu homólogo norte-coreano, Kim Jong Un, na tarde desta quarta-feira (13/09), no aeroporto espacial Vostochny Cosmodrome, no leste da Rússia. Diversos governos e analistas temem que a subsequente reunião de cúpula entre os dois vá se concluir com acordos para intercâmbio de armas e de tecnologia militar.

Há uma semana, o porta-voz da Casa Branca para segurança, John Kirby, afirmou que o Kremlin estava no processo de adquirir “milhões de mísseis e obuses de artilharia da Coreia do Norte, para uso na Ucrânia”. Mais tarde, porém, ele ressalvou não haver indicações de que a transação estivesse fechada, nem do emprego dessas armas.

Alguns meses atrás, os Estados Unidos relataram que a Coreia do Norte já fornecera munição de artilharia às Forças Armadas russas, cujos arsenais estão se esgotando, à medida que se estende a agressão militar à Ucrânia. Qualquer acordo armamentista entre Pyongyang e Moscou seria uma violação de múltiplas resoluções do Conselho de Segurança das Nações Unidas – ironicamente também algumas antes sustentadas pelos russos.

“Minha impressão é que ambos os lados querem equipamento e tecnologia militar, mas grande parte da questão é simplesmente assustar seus rivais com especulações sobre as novas armas e capacidades que de repente vão adquirir”, analisa o professor de relações internacionais russo Yakov Zinberg, da Universidade Kokushikan de Tóquio.

“Também houve diversos relatos de que a Rússia não tem como produzir munição suficiente para suas tropas na Ucrânia, e sabemos que a Coreia do Norte tem montes de estoques. Então a perspectiva de Pyongyang fornecer munição, e potencialmente também armas, tem a finalidade de deixar preocupados a Ucrânia e seus aliados.”

Armas em troca de trigo?

 

Na ausência de confirmações imediatas do conteúdo das conversas dos dois líderes, ou que acertos teriam alcançado, analistas sugerem que os detalhes nunca chegarão a ser anunciados, a fim de aumentar a confusão em torno da aliança militar que se anuncia.

Para o porta-voz Kirby, o potencial acordo armamentista meramente revela “quão desesperado Putin está ficando”: “É uma indicação de quanto seu estabelecimento industrial de defesa está sofrendo, devido a essa guerra, e do seu grau de desespero.”

A Rússia precisa garantir munição adicional para sua artilharia, embora os projéteis que a Coreia do Norte tem estocados se baseiem em modelos de meio século atrás. O país manteve as fábricas de armas fornecidas pela União Soviética durante a guerra da Coreia (1950-1953), e desde então vem acumulando seus estoques.

Para Joseph Dempsey, pesquisador de defesa do Instituto Internacional de Estudos Estratégicos (IISS, na sigla em inglês), a Rússiater acesso aos arsenais norte-coreanos da época da Guerra Fria “pode prolongar o conflito [na Ucrânia], mas é improvável que altere o resultado”. Essas armas menos avançadas não se prestam a ataques de precisão, mas podem ser empregadas em ofensivas em massa contra as posições militares e infraestrutura civil da Ucrânia.

Por sua vez, a Coreia do Norte sofre escassez de alimentos desde que teve mais uma safra fraca, e carece de combustível depois que as sanções internacionais iniciais, de 2006, foram acirradas em 2017. Assim, é possível que Kim solicite dos russos suprimentos de comida e combustível, a fim de remediar essa carestia.

Como o país asiático também está tentando produzir mais satélites de ponta, talvez procure se beneficiar dos materiais e da tecnologia russos para lançamento de mísseis de longo alcance, em parte idêntica à empregada no lançamento de satélites.

Moscou dificilmente abre o jogo com Pyongyang

 

Tecnologia para armas nucleares pode igualmente constar da lista de compras norte-coreana, inclusive o know-how para que uma ogiva nuclear montada num míssil balístico intercontinental possa reingressar com segurança na atmosfera – um desafio que, segundo analistas, os cientistas de Kim ainda não conseguiram superar.

A lista pode incluir ainda muitos outros itens, porém é improvável que Putin vá revelar todos os seus segredos, opina Leif-Eric Easley, professor associado de estudos internacionais da Universidade Ewha Womans, no Seul, pois “mesmo uma máquina de guerra desesperada não troca suas ‘joias da coroa’ militares por umas munições bobas”.

O líder norte-coreano já declarou que pretende expandir as capacidades nucleares da Marinha nacional – outra área em que o Kremlin pode ser um aliado poderoso. “A Coreia do Norte tem a munição crua de que Putin precisa para sua guerra ilegal na Ucrânia, enquanto Moscou dispõe de tecnologias submarinas, balísticas e de satélites, capazes de ajudar Pyongyang a dar o salto por cima das dificuldades impostas pelas sanções econômicas”, confirma Easley.

Para o professor da Universidade Ewha Womans, apesar de responsabilizados por crimes contra a humanidade e considerados párias internacionais, Putin e Kim desejam apresentar vitórias para seus respectivos públicos nacionais e “aparentar ser homens de Estado normais”.

Ele considera improvável que Pyongyang e Moscou vão divulgar a extensão total da cooperação, já que ela envolve infrações de leis internacionais, porém deverão “ecoar reciprocamente suas propagandas sobre soberania, segurança e solidariedade humanitária”.

O Kremlin poderá, ainda, propor exercícios militares conjuntos com a Coreia do Norte e a China, no intuito de elevar a pressão sobre a Coreia do Sul e o Japão – sinalizando assim que tem um preço associar-se aos EUA no tocante à Ucrânia e às disputas territoriais no Oceano Pacífico.

Contudo Easley não crê que o Norte vá concordar em participar de tais manobras, “porque não quer revelar suas debilidades em treinamento e equipamento, nem mesmo para Moscou e Pequim”. “A confiança também é tão baixa entre a Rússia, Coreia do Norte e China, que uma aliança real entre as três não é verossímil nem sustentável”, conclui.

Kim Jong-un e Vladimir Putin se encontram na Rússia

Fonte: G1

Shein entra em programa da Receita para isenção de imposto de importação em compras de até US$ 50

A Shein opera exclusivamente pela internet — Foto: Shein

A Shein opera exclusivamente pela internet — Foto: Shein

A Shein foi certificada pela Receita Federal para participar do Programa Remessa Conforme, que prevê isenção do imposto de importação em compras online de até US$ 50. A autorização foi publicada em edição do Diário Oficial da União desta quinta-feira (14).

Na prática, isso significa que as compras internacionais feitas no site brasileiro da Shein não pagarão mais o imposto de importação, desde que não ultrapassem o limite de US$ 50.

Em contrapartida, a empresa precisa se adequar às normas estipuladas pela Receita Federal para o envio das encomendas ao Brasil. Além disso, o Imposto sobre a Circulação de Mercadorias e Serviços (ICMS) pago nas compras para todo o país passa a ser de 17% onde essa alíquota ainda fosse, eventualmente, diferente.

As regras anunciadas pelo Ministério da Fazenda em junho determinam que as compras internacionais acima de US$ 50 sejam taxadas. Neste caso, o imposto de importação é de 60% sob o valor do produto.

Com a entrada na Shein no programa, as encomendadas enviadas pela empresa entrarão de forma mais fácil no país. Isso significa que a Receita Federal receberá as informações sobre os produtos antes mesmo do desembarque no Brasil.

Em tese, pacotes considerados de baixo risco serão imediatamente liberados para entrega após serem escaneados. Isso deve garantir mais velocidade na entrega e reduzir custos logísticos, segundo o governo.

Compras internacionais de US$ 50: calculadora do g1 mostra como ficam os preços com as novas regras de tributação

Compras internacionais de US$ 50: calculadora do g1 mostra como ficam os preços com as novas regras de tributação

Fonte: G1

Real tem a terceira maior queda contra o dólar entre moedas sul-americanas nos últimos 10 anos; entenda

Foto de arquivo mostra notas de dólar em Westminster, Colorado — Foto: Reuters/Rick Wilking

Foto de arquivo mostra notas de dólar em Westminster, Colorado — Foto: Reuters/Rick Wilking

Entre todas as moedas sul-americanas, o real teve o terceiro pior desempenho em relação ao dólar nos últimos 10 anos. De acordo com um levantamento da consultoria financeira L4 Capital, a moeda nacional perde apenas para o peso argentino e o peso uruguaio.

Na janela de referência, o peso argentino teve uma desvalorização de 98,37% de 2013 para cá — um reflexo da severa crise econômica que o país enfrenta há anos e que tem feito derreter o valor de sua moeda. Na esteira da crise argentina e com problemas próprios de inflação, o peso uruguaio teve um recuo de 70,24% no período. (saiba mais abaixo)

Já o real perdeu 54% de seu valor em relação ao dólar. Isso significa que os turistas brasileiros e as empresas que dependem de contratos feitos com base na moeda norte-americana sentiram o valor pago em suas transações mais que dobrar durante o período.

Mas cabe a observação de que o movimento de valorização do dólar não é só demérito da América do Sul. Há também um movimento de maior aplicação de recursos nos Estados Unidos, que valoriza a moeda.

Como os EUA são a maior economia do mundo, os investidores tendem a ter mais segurança sobre os retornos financeiros que terão e, assim, acabam voltando os olhos para lá em momentos de maior insegurança ou aversão ao risco para aplicações financeiras.

Nesta reportagem você vai entender:

  • Como está o ranking de moedas sul-americanas?
  • O que aconteceu com o real nos últimos 10 anos?
  • Como a Argentina teve resultado ainda pior?
  • Cotação do dólar na América do Sul
  • O que acontece em outros países?
  • Quais as perspectivas para os sul-americanos?

 

Como está o ranking de moedas sul-americanas?

 

O levantamento foi realizado por Felipe Pontes, sócio da L4 Capital e com dados do Investing. Veja abaixo o ranking completo.

O que aconteceu com o real nos últimos 10 anos?

 

Os últimos anos foram fortemente marcados por dois grandes fatores: a crise de 2015-2016 e a pandemia da Covid-19.

No primeiro caso, o Produto Interno Bruto (PIB) brasileiro caiu nos dois anos, confirmando a pior recessão da história do país. Em 2015, a economia já havia recuado 3,8%, e no ano seguinte teve nova retração de 3,6%.

Essa sequência, de dois anos seguidos de baixa, só foi verificada no Brasil entre 1930 e 1931, quando os recuos foram de 2,1% e 3,3%, respectivamente.

“Isso prejudicou o real porque investidores não gostam de incertezas econômicas”, afirma o sócio da L4 Capital. Com isso, houve um aumento pela demanda do dólar, já que os EUA são conhecidos como um país estável. Houve um forte movimento de vender real, o que reduziu o valor da moeda.

 

Já a pandemia influenciou a cotação da moeda brasileira porque o país decidiu abrir as torneiras dos gastos públicos para tentar amenizar o impacto da crise econômica. Essa decisão também gerou dúvida nos investidores sobre quais seriam as possibilidades de o país conseguir arcar com seu patamar elevado de dívida e manter uma agenda de austeridade fiscal.

Mais uma vez, a incerteza trouxe um movimento de migração dos investidores para países mais seguros. Tanto que o real perdeu cerca de 16,65% do seu valor frente ao dólar entre fevereiro de 2020 (quando começou a pandemia) e maio de 2023 (quando a OMS declarou fim de emergência em relação à Covid-19).

Veja a variação do dólar ante o real nos últimos dez anos:

Em setembro de 2013, início do comparativo, era possível comprar US$ 1 com R$ 2,2836. Hoje, é preciso desembolsar quase R$ 5,00.

Especialistas entrevistados pelo g1 dizem que há ainda outras razões que explicam a desvalorização da moeda brasileira nos últimos 10 anos e sua manutenção em patamares baixos.

 

Quanto ao primeiro ponto, Adilson Seixas, CEO da Loara Crédito, reforça que a alta dos juros nos Estados Unidos pesa no valor da moeda brasileira porque há uma migração dos investidores para economias com maior previsibilidade.

Trata-se da mesma dinâmica de preferir aplicações mais seguras e previsíveis, com o bônus de que os juros estão mais altos e vão render melhores retornos.

A expectativa é que o Federal Reserve (Fed, o banco central norte-americano) mantenha os juros inalterados, entre 5,25% e 5,50% ao ano na próxima reunião, em 20 de setembro. Esse, porém, é o maior patamar em 22 anos.

Já o déficit fiscal — quando governo gasta mais do que arrecada — pesa no valor do real porque o governo precisa emitir mais dinheiro para suprir os gastos, ampliando o saldo negativo.

“Há mais dinheiro brasileiro circulando no mercado do que moeda norte-americana, o que desvaloriza o preço do real”, explica Rodrigo Leite, professor de finanças do Instituto de Pós-Graduação e Pesquisa em Administração da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ).

 

Nos dados mais recentes, as contas do governo federal registraram déficit primário de R$ 35,9 bilhões em julho — o segundo pior resultado para o mês na séria histórica, iniciada em 1997. E é exatamente o déficit que puxa o terceiro fator que desvaloriza o real: a dívida pública.

Leite, da UFRJ, justifica que o endividamento faz investidores enxergarem o Brasil com dificuldade de honrar com seus compromissos econômicos — e, assim, decidem também vender os reais para comprar câmbio de países mais seguros, derrubando o preço da moeda brasileira.

“A probabilidade de um calote do Brasil com uma dívida como agora, que tem 80% do PIB, é muito maior do que na época que estava por volta dos 50% do PIB, [em 2013 e 2014]”, afirma o professor.

 

Já quanto a instabilidade institucional, os especialistas justificam que as mudanças políticas recentes — sejam as mudanças de direção na presidência, como as relações ruidosas entre os Poderes da República — trouxeram imprevisibilidade para a cena política e econômica.

Assim, os investidores renovam os receios e voltam a procurar países onde conseguem ter segurança maior sobre as decisões político-econômicas, que podem ou não afetar os investimentos.

Como a Argentina teve resultado ainda pior?

 

A pior moeda latino-americana frente ao dólar é o peso argentino. Quem quisesse comprar 1 dólar, em setembro de 2013, precisava pagar quase 5 pesos argentinos. Atualmente, a relação é de cerca de 340 pesos para US$ 1 — considerando, é claro, o câmbio oficial.

Nesse caso, os principais motivos pela queda no câmbio argentino são as políticas econômicas do governo e a dívida externa do país.

Allan Augusto Gallo Antonio, professor de economia do Mackenzie, justifica que no primeiro caso, o governo argentino “gasta tanto” que precisa colocar moeda em circulação para arcar com os custos recorrentes, o que desvaloriza o peso.

O excesso de moeda em circulação também tende a impactar a inflação. Atualmente, a Argentina vive uma inflação anual média que ultrapassa os 100%.

Quanto às questões externas, o país sul-americano tinha uma dívida com o Fundo Monetário Internacional (FMI) de aproximadamente US$ 45 bilhões.

A captação aconteceu principalmente em 2018, durante o governo de Mauricio Macri, que buscava segurar a crise cambial e tentou zerar o déficit orçamentário do país através de fortes ajustes de gastos em diversas áreas do governo.

“Hoje, [a Argentina] é o principal devedor do FMI e, em decorrência dessas variáveis, tem assistido sua moeda derreter”, afirma Gallo Antonio. Os dois motivos também afastam investidores, que buscam vender o peso argentino para comprar moeda de países mais seguros.

 

Vale destacar que as commodities são um terceiro ponto, ainda que com menos peso que os dois apresentados acima. Isso porque o país depende muito da exportação de carne, o que traz reflexos diretos na balança comercial e na receita em dólar na Argentina.

Veja do desempenho do peso argentino frente ao dólar:

Para tentar solucionar a desvalorização do peso, o governo argentino anunciou algumas medidas para tentar fortalecer a economia local, como linhas de crédito a taxas subsidiadas para trabalhadores e bônus para aqueles que recebem ajuda alimentar e aposentados.

Além disso, o governo também informou que vai eliminar impostos sobre a exportação de produtos agrícolas com valor industrial agregado — como vinho, arroz e tabaco — e a entrega de fertilizantes. É estimado um prejuízo global de US$ 20 bilhões em 2023, ou quase 3% do PIB, devido à seca regional.

O ministro da Economia da Argentina, Sergio Massa, prevê ainda criar de um fundo de US$ 770 milhões para financiar exportações. O valor será via aportes financeiros do Banco Nación e do Banco de Inversión y Comercio Exterior (Bice).

O peso argentino sofreu forte desvalorização nos últimos meses — Foto: Getty Images

Cotação do dólar na América do Sul

 

Veja abaixo a situação em outros países do continente.

  • 👉Em setembro de 2013, o Uruguaiconseguia comprar US$ 1 com quase 22,3 pesos uruguaios; hoje, precisam gastar perto de 38;
  • 👉Há dez anos, os colombianos conseguiam comprar US$ 1 com quase 2 mil pesos colombianos; hoje, precisam desembolsar cerca de 4 mil
  • 👉No mesmo período, os chilenos conseguiam comprar US$ 1 com cerca de 650 pesos chilenos; hoje, precisam desembolsar aproximadamente 900;
  • 👉Os paraguaios pagavam perto de 4,4 mil guaranis (nome da moeda do Paraguai) em setembro de 2013; hoje, 7,2 mil
  • 👉Em setembro de 2013, os peruanos conseguiam comprar US$ 1 com quase 3 novo sol (moeda do Peru); hoje, precisam desembolsar perto de 4;
  • 👉Nos últimos dez anos, os bolivianos precisaram pagar cerca de 6,91 bolivianos da bolívia (nome da moeda) para comprar 1 dólar

O que acontece em outros países?

 

Segundo lugar entre as maiores desvalorizações, o Uruguai sofre com dois grandes problemas: inflação e reflexos da crise na Argentina.

O país enfrenta um problema inflacionário,no qual os preços subiram 110% nos últimos 10 anos. Na prática, enquanto as pessoas gastavam 10 pesos uruguaios para comprar um pão em 2013, por exemplo, atualmente precisam desembolsar 21.

Normalmente, os salários não acompanham o aumento nos custos, o que acaba pesando no orçamento familiar.

Além disso, a crise argentina também se reflete em uma grande diferença de preços entre os dois países.

“Lá no Uruguai o combustível, por exemplo, custa setenta pesos (1,58 dólar) por litro e aqui na Argentina pagamos vinte pesos (0,53 dólar), então é muito melhor para nós”, disse Robert de Lima, que viajou menos de 45 km do Uruguai até Gualeguaychu à Reuters.

 

Os altos níveis de desemprego e falências foram relatados nas cidades fronteiriças, o que forçou o governo do Uruguai, em maio, a introduzir medidas econômicas para ajudar a proteger os comerciantes. Entre as ações estavam algumas isenções fiscais e descontos em gasolina e medicamentos.

O presidente uruguaio, Luis Lacalle Pou, reconheceu que há um problema com a diferença entre os preços praticados no país e os vistos na Argentina, com exigências de governadores regionais para que seja implementado um imposto de importação temporário sobre as mercadorias estrangeiras transportadas pela fronteira.

E como a crise na Argentina não tem solução prevista no curto prazo, há uma insegurança dos moradores e turistas sobre como ficarão os preços no Uruguai que optam, assim, por procurar países mais baratos para viajar ou realizar compras.

Fonte: G1