Aeroporto Digital é projeto transformador e vai impactar economia, projeta Kelps

Aeroporto Digital é projeto transformador e vai impactar economia, projeta Kelps
Foto: José Aldenir/Agora RN

Secretário de Parnamirim destaca potencial do Aeroporto Digital para gerar empregos e atrair investimentos, mas admite desafios fiscais e necessidade de articulação política no município.

O secretário de Planejamento e Finanças de Parnamirim, Kelps Lima, afirmou que o Aeroporto Digital, projeto em desenvolvimento pela Prefeitura, será um divisor de águas na economia do município. Ele explicou que a iniciativa pretende transformar a antiga área do antigo Aeroporto Internacional Augusto Severo em um grande parque tecnológico e de inovação, com capacidade para gerar milhares de empregos e atrair investimentos nacionais e internacionais.

“O Aeroporto Digital vai gerar mais impacto na economia de Parnamirim do que o antigo aeroporto Augusto Severo. (…) Quando você imagina o aeroporto Augusto Severo, a cidade tinha uma questão muito afetiva com ele, mas não gerava a quantidade de empregos e dinamismo na economia que um parque digital pode gerar para Parnamirim”, afirmou Kelps, em entrevista nesta segunda-feira ao colunista do AGORA RN Diógenes Dantas, na rádio Mix.

Segundo o secretário, o projeto é inspirado em modelos bem-sucedidos, como o Porto Digital de Recife e o Instituto Metrópole Digital, da UFRN. “A gente esteve no Porto Digital em Recife. Lá foram 12 mil empregos gerados diretos. Em Natal, o Metrópole Digital hoje tem empresas milionárias oriundas do Metrópole Digital”, comparou. Ele disse que a visita a Pernambuco, em setembro foi decisiva para o desenho do projeto potiguar. “Foi daí que surgiu a janela de oportunidade. O Metrópole Digital transbordou fisicamente, e a gente começou a estudar sobre parques digitais. O primeiro parque que você vai estudar é o Porto Digital, em Recife, que é o maior do Brasil.”

Kelps explicou que o Aeroporto Digital de Parnamirim “não é um projeto de curto prazo”. “Isso não vai estar funcionando ano que vem, porque é um projeto gigantesco e transformador. Ele vai impactar enormemente a economia de Parnamirim.”

O que é um parque digital

Durante a entrevista, o secretário detalhou o conceito do projeto. “Um parque digital é um local onde você consegue receber empresas na área de tecnologia e incentivar novos negócios”, explicou. Ele usou um exemplo prático para descrever o funcionamento. “Se você tem três meninos ou duas meninas com uma ideia de startup, eles precisam de uma infraestrutura, um local pra recebê-los, uma mentoria, uma instalação. O parque digital é o encontro dessas pessoas: quem tem a ideia e quem tem o capital.”

Kelps destacou que esse ambiente favorece a retenção de mão de obra qualificada. “Um profissional de tecnologia trabalha em Parnamirim, em Bangkok, em Nova York, em Zurique. É o grande negócio desse século, ainda mais agora que a gente está vivendo a nova revolução digital, que é a inteligência artificial.”

Ele relatou estar estudando o tema. “Eu estou fazendo um MBA em Inteligência Artificial e também um curso aqui em Natal com o nosso querido amigo Enrique Robledo”, comentou. E observou que há um descompasso geracional na compreensão dessa revolução: “As turmas só têm o pessoal de 40 anos. Levei meu filho, que tem 17, e só tinha ele de 17. Essa geração não está entendendo o tamanho da revolução que é a Inteligência Artificial.”

Parcerias e instituições envolvidas

O projeto, segundo o secretário, conta com o apoio de diversas instituições públicas e privadas. “A Fiern, o Sebrae, o IFRN, o Instituto Metrópole Digital, a Base Aérea, a Barreira do Inferno e a Prefeitura estão dentro. Todas essas instituições estão dentro para que esse projeto aconteça, porque ele é muito bom para o Rio Grande do Norte.”

Kelps destacou que o projeto complementa, e não concorre, com outras iniciativas. “A gente não pode concorrer com eles, a gente precisa complementar. Isso tudo é um ecossistema.”

O secretário também mencionou contatos com o Instituto Tecnológico de Aeronáutica (ITA) e o parque tecnológico de São José dos Campos (SP), além de instituições federais ligadas à Aeronáutica. “A gente já está em contrato com o parque de São José dos Campos, que é onde funciona o ITA. É um projeto muito grande. Nos cabe agora um processo longo, árduo, de muita articulação.”

Modelo de negócio e financiamento

De acordo com Kelps Lima, o Aeroporto Digital não será um órgão público, mas um empreendimento articulado entre governo e iniciativa privada. “A prefeitura vai fomentar, mas ele vai ser um organismo privado, ou através de uma instituição, ou de empresa, ou de parceria com a Aeronáutica”, explicou.

O investimento estimado é alto. “A gente calcula entre R$ 30 milhões e R$ 50 milhões para implementar. Estamos conversando com um fundo americano que está investindo no Brasil, que começou a conversar com a gente em São Paulo”, revelou, acrescentando que as tratativas ainda estão em estágio inicial.

Kelps frisou que a segurança jurídica é um fator essencial para viabilizar o investimento.

O secretário também confirmou que a Prefeitura busca recursos externos e parcerias de PPP (Parceria Público-Privada), uma vez que não há capacidade financeira própria para bancar o projeto. “Nós precisamos de dinheiro externo para implementar esse projeto. A gente está tentando uma PPP, tentando recursos federais. Não vai conseguir com recursos da Prefeitura, porque a Prefeitura, financeiramente, está estrangulada”.

Agora RN