Padre João Medeiros Filho
Coronavírus é o nome atribuído à família dos vírus com formato de coroa (em latim, “corona”). Provocam gripes, resfriados, infecções respiratórias e outros males. São conhecidos da infectologia, desde a década de 1960. Há outras doenças causadas por eles, tais como: a Síndrome respiratória aguda grave – SARS e a Síndrome respiratória do Oriente Médio – MERS. Além delas, há o Alpha coronavírus (229E e NL63) e o Beta coronavírus (OC43 e HKU1). O novo tipo de coronavírus recebeu o nome de Covid-19 (Sars-Cov-2), tendo sido descoberto em novembro de 2019, na China. A primeira morte em consequência dele ocorreu em janeiro deste ano. Pesquisas realizadas com milhares de pacientes apontam que cerca de 80% dos casos desta derivação do vírus são leves. Os dados iniciais revelam que a maior taxa de mortalidade está entre pessoas com mais de setenta anos. No entanto, diante das estatísticas das vítimas, alguns infectologistas afirmam que não existe ainda um perfil exato dos atingidos. É necessário verificar com precisão entre os vitimados o quantitativo de idosos, crianças, pessoas com doenças bronco-pulmonares, cardiopatas e portadores de comorbidades.
Em março de 2019, a Organização Mundial da Saúde – OMS já previa surtos de gripes. Por meio de uma nota, assim se expressou Teodors Adhanom Ghebreyesus, diretor geral da referida instituição: “A questão não é se teremos outra pandemia, mas quando. Precisamos estar vigilantes e preparados. O custo de um grande surto de gripe superará em muito o preço da prevenção. A ameaça de gripe pandêmica está sempre presente. O risco contínuo de um novo vírus transmitido de animais para humanos causando uma pandemia é real”.
Pesquisadores vêm se debruçando sobre o assunto, mas alguns indagam: “A quem interessa o alarme de mais um surto de gripe”? É a questão levantada por estudiosos, dentre eles, o professor Vlademir Cantarelli, uma das autoridades mundiais em virologia. Será que, por trás do alerta sobre a doença, não há grandes interesses comerciais? Eis o questionamento de alguns infectologistas. O tempo dirá… É sabido que milhões de dólares foram ganhos com o Tamiflu. Sobre esse antigripal seria oportuno conhecer os relatórios da Cochrane Collaboration, uma rede de cientistas independentes que analisam a eficácia dos medicamentos comercializados. Assim se refere aquela entidade: [O tamiflu] “não evita a disseminação da doença nem diminui as complicações que ela pode causar. Na verdade, ele teria, em muitos casos, o mesmo efeito do paracetamol”.
Para certos sociólogos e cientistas sociais, a pandemia é apenas uma cortina de fumaça para esconder outras situações mais sérias e crônicas. Para o problema se voltaram, com rapidez, governantes, autoridades sanitárias, políticos, eclesiásticos etc. Há repercussões até mesmo sobre a liturgia da Igreja Católica. Para os mais críticos, é bizarro que não haja o mesmo interesse de executivos, legisladores, religiosos etc. diante de outras situações com mais vítimas fatais. Por exemplo, no Brasil, a violência ainda mata mais do que qualquer epidemia. Mesmo na área de saúde, a “ambulanciaterapia”, o descaso com o saneamento básico, as hospitalizações precárias, as filas por cirurgias eletivas nos serviços públicos trazem mais óbitos do que certas mazelas que acometem sazonalmente os cidadãos. Luiz Henrique Mandetta, atual Ministro da Saúde, afirmou recentemente que “no Brasil de hoje é mais fácil morrer de dengue do que de coronavirus”. Segundo as notificações oficiais e estatísticas epidemiológicas, entre dezembro de 2018 e janeiro de 2020, foram registrados 30.763 casos de dengue. Não estão incluídos nessa cifra os dados de zika e chikungunya. O que se pretende esconder nesse pânico diante do coronavirus?
Qualquer que seja a motivação: comercial, ideológica, política, os pastores do Povo de Deus não podem ficar indiferentes. Há uma multidão angustiada, apavorada e sofrida. Convém lembrar sempre as palavras do Evangelho, diante do abandono das pessoas, “Jesus encheu-se de compaixão, pois estavam cansadas e abatidas, como ovelhas que não têm pastor” (Mt 9, 35). Cabe citar ainda uma frase de Pasteur, gravada no frontispício de um hospital parisiense: “Não me importa a tua raça [religião, cor, partido, ideologia], mas sim a tua dor!”